segunda-feira, 19 de novembro de 2018

TEXTO: TEMPOS DE PAZ - KATHERINE SCHOLES - COM QUESTÕES GABARITADAS

Texto: Tempos de paz

        [...]
        Que fazer quando as necessidades ou desejos das pessoas parecem não se harmonizar?
        Pode haver discussões, palavras irritadas, silêncios – ou até mesmo brigas.
        Isso pode durar muito tempo ou pouco tempo. Até um dos lados ganhar.  Até conseguir o que quer ou precisa e o outro lado desistir.
        Aí, a paz se interrompe.
        Mas pode acontecer algo completamente diferente. Um outro tipo de discussão em que ambos os lados explicam o que querem ou precisam e por que razão… Em que um escuta o que o outro tem a dizer. Em que trabalham juntos na solução do problema, de modo que ambos os lados possam ter aquilo que querem ou precisam – pelo menos em parte…
        Às vezes, pessoas alheias ao problema podem ajudar a resolvê-lo. Dizer se um dos lados está sendo injusto ou infringindo as regras do debate.
        Podem sugerir maneiras de resolver o problema de modo que a paz não se interrompa.
        E às vezes, entre dois caminhos inconciliáveis, pode-se encontrar um terceiro caminho. Diferente do que a princípio se queria ou precisava. Mas bom para ambos os lados.
        O terceiro caminho talvez até seja melhor para todos! E o conflito pode ser o começo de algo novo, bom.
        [...]
                   Katherine Scholes. Tempos de paz. Trad. José Paulo Paes.
São Paulo: Global Editora, 1999. p. 18-20.
Entendendo o texto:
01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:
·        Alheias = que não têm relação com o assunto em questão.
·        Infringindo = desobedecendo, desrespeitando.
·        Inconciliáveis = sem acordo.
·        Conflito = desentendimento, problema.

02 – Em que situações do dia-a-dia as pessoas precisam negociar a paz?
      No convívio com familiares, amigos, colegas de escola, companheiros de trabalho, etc.

03 – Você já ouviu falar do cientista Albert Einstein? Foi ele quem disse a seguinte frase:
          “A paz não pode ser mantida à força, só pode ser conseguida pela compreensão”. Você concorda com essa afirmação? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

04 – Discussões, palavras irritadas, brigas e inimizades podem desencadear uma guerra. O que pode dar início à paz?
      Podem ser: amizade, solidariedade, gentileza, amor, palavras amáveis, etc.

05 – Releia dois trechos do texto:
        “[...] entre dois caminhos inconciliáveis, pode-se encontrar um terceiro caminho.” Explique com suas palavras, a mensagem desse trecho.
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Em uma discussão entre duas opiniões contrárias, pode surgir uma terceira, com a solução do problema.

        “Ás vezes, pessoas alheias ao problema podem ajudar a resolvê-lo.” Na frase o pronome em destaque se refere a que palavra da frase?
      O pronome lo, refere-se à palavra problema.

06 – Em sua opinião, o que pode causar no leitor um texto iniciado por uma pergunta?
      A pergunta pode despertar o interesse do leitor, levando-o a refletir sobre o assunto que será desenvolvido no texto.

07 – Das palavras abaixo, quais podemos associar à guerra e quais a paz?
Harmonia – Ignorância – Respeito – Maldade – Briga – Vaidade – Compreensão – Preconceito – Alegria – Bondade – Incompreensão – Tolerância – Sabedoria.
·        Guerra = Ignorância – Maldade – Briga – Vaidade – Preconceito – Incompreensão.
·        Paz = Harmonia – Respeito – Compreensão – Alegria – Bondade – Tolerância – Sabedoria.

08 – Qual é o título do texto?
      Tempos de paz.

09 – Quantos parágrafos há no texto?
      No texto há 8 parágrafos.

10 – Quem é o autor do texto?
      A autora é Katherine Scholes.

11 – Qual é o tema do texto?
      O texto fala sobre a guerra.

12 – O que pode levar a guerra?
      Quando as necessidades ou os desejos das pessoas não se harmonizam, começam as discussões e desentendimentos, que pode levar a brigas e até a guerra.

domingo, 18 de novembro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES): HAITI - CAETANO VELOSO E GILBERTO GIL- COM GABARITO

Música(Atividades): Haiti
 Caetano Veloso e Gilberto Gil

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelo, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui.
                              Composição: Caetano Veloso / Gilberto Gil

Entendendo a canção:
01 – De que trata esta canção?
      Ela é uma abordagem sociológica sobre a discriminação racial e social no Brasil contemporâneo.

02 – Por que os compositores optaram por abordar o Haiti?
      Utilizou um lugar distante para parodiar uma realidade de ambos.

03 – Na canção “Haiti”, podemos observar que é retratada uma situação observada pelo eu lírico: “O soldado negro dando porrada no negro malandro”. Em que fundamenta a crítica do eu lírico?
      Fundamenta na opressão e violência por parte da polícia, sofrida por negros que moram em favela, graças ao racismo enraizado na polícia.

04 – Com quem o eu lírico do texto está dialogando?
      Está dialogando com o leitor.

05 – A qual episódio triste da história brasileira o autor está se referindo nos versos: “E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina / 111 presos indefesos”?
      Ele fala sobre o ocorrido no Carandiru, onde 111 vidas foram dissipadas pela polícia, sem dó e nem piedade. Trazendo para o momento atual, o “111” acaba sendo um número representativo, mas de modo infeliz.

06 – Leia o seguinte trecho da canção com atenção e responda:
      “Mas presos são quase todos pretos
       Ou quase pretos,
       Ou quase brancos quase pretos de tão pobres.”
De acordo com os versos acima: Existe no Brasil um racismo declarado que separa as pessoas pela cor da pele?
      Sim. O mapa da Violência 2015, mostrou que 116 brasileiros morrem todos os dias por arma de fogo, segundo a UNESCO; quanto a cor das vítimas, 28.946 são negros e 10.632 são brancos.

07 – Que marca da oralidade está presente na canção, e qual a intenção do autor ao emprega-las?
      Pra / no lugar de “para”; o eu lírico utiliza para dar maior fluidez na linguagem.

08 – Que sentido tem este verso: “Pense no Haiti”?
      Que de olhos fechados, muitos fingem que não existe algo para se corrigir, vivemos a vida, um dia após o outro, mágoa sobre mágoa. É preciso se erguer perante as mazelas, falar perante o silêncio, agir entre o ócio.

09 – Por que o eu lírico pede “Reze pelo Haiti”?
      Porque o Haiti aqui representa a discriminação racial, e que temos que ter fé na diferença, acreditar na melhoria.

10 – Com base na letra dessa canção, marque a alternativa correta:
a)   Para os compositores, desigualdades e racismo são incompatíveis com a cidadania, e se alguém não pode ser visto como cidadão, ninguém o pode.
b)   A canção relaciona a pobreza ao racismo. Brancos pobres são tratados como pretos, e a grande maioria dos pobres são pretos.
c)   A canção remete à imigração em massa de haitianos para o Brasil causada por um grande terremoto que devastou o Caribe na década de 1990.
d)   A canção menciona o Haiti, aludindo, entre outras coisas, à revolta escrava no processo de independência naquele país e a uma grande campanha humanitária que aconteceu nos anos 1990.
     
11 – Na canção, alude-se a uma cena de violência urbana. De que tipo de violência se trata? Onde ocorre a cena?
      Que a renda foi má distribuída, ou seja, a população sofre com isso.

12 – Segundo a canção, o que acontecia ali no passado?
      Mercado de escravos no adro do pátio.

13 – Por que motivo, segundo o texto, os policiais praticam a violência?
      Praticam a violência por terem preconceito contra os agredidos.

14 – Na letra consta que há um grupo que não sofre a ação violenta da polícia. São “os convidados” da “festa do pelo”, que assistem à cena de espancamento num espaço elevado, ou seja, “no adro da Fundação Casa de Jorge Amado”. Trata-se, portanto, de um grupo de privilegiados. Em vista disso, pode-se afirmar que a desigualdade entre o grupo dos que têm privilégios e o grupo dos que não possuem direitos se restringe a questão racial?
      Hierarquia social, os pobres apanhavam e os ricos assistiam.





LENDA: A CURUPONÇA - ARNALDO NISKIER - COM QUESTÕES GABARITADAS

Lenda: A Curuponça

      Dotado de uma incrível capacidade de se transformar no animal que quisesse o Curupira, apertou seu machado de casco de jabuti, disse umas palavras mágicas e concentrou-se na força do pensamento positivo. Pegou um pouco do pó que trazia na sacola (uma mistura de casca de sapopema com folha velha de embaúba), passou em todo o corpo e transformou-se num bicho que a floresta amazônica jamais havia visto:
        A CURUPONÇA era uma onça com jeito de curupira, ou seja, tinha o corpo de onça, o cheiro de onça, o olho de onça, mas as patas trás, da mesma forma que o Curupira.
        Instalou-se numa arvore ainda mais próxima da clareira. Chegou mais perto, a ponto de sentir o calor da fogueira em seu focinho. Estava escolhendo o melhor momento para se apresentar diante do inimigo.
        De repente, deu um salto para cima do caçador.
        O danado era uma figura muito experiente. Ele sempre dormia só com um olho fechado. O outro ficava aberto, à espreita.
        Quando sentiu o salto do animal, levantou-se rapidamente. A cachaça que estava no seu colo caiu no chão (ele trazia sempre a bebida porque lhe haviam dito que o Curupira adorava cachaça, o que não era um fato confirmado).
        Deu tempo de se desviar do primeiro ataque do terrível bicho. E pegou a espingarda:
        — Vou acabar com a sua raça!
        Mas ele não entendeu o que houve. O animal deu um estranho miado, recuou e começou a correr. O caçador foi atrás:
        — Não adianta fugir, bicho miserável! Você não escapa!
        O bicho corria e o caçador atrás. Só que ele não percebeu o golpe: como a curuponça tinha as patas para trás, o caçador foi levado para o lado contrário: um rio cheio de piranhas famintas, onde acabou mergulhando, e por lá ficou, para sempre.
        A lontra e a ariranha, animais ameaçados de extinção botaram a cabeça de fora do rio e bateram palmas com a maior alegria. Era bom demais o que acabava de acontecer.

NISKIER, Arnaldo. Aventuras do Curupira. São Paulo: Editora Melhoramento, 1990.

Entendendo a lenda:
01 – A respeito do texto acima, marque a alternativa correta.
a) Tem intenção de transmitir um ensinamento.
b) Tem intenção de persuadir o leitor.
c) Narra a história de um personagem.
d) Anuncia um livro sobre o curupira.

02 – Quem é o personagem principal do texto?
a) O Curupira.
b) O caçador.
c) A onça.
d) A floresta.

03 – O que significa a palavra “curuponça”?
a) A mistura de curió com onça.
b) A mistura de curupira com onça.
c) A mistura do curioso com lança.
d) Nenhuma das alternativas anteriores.

04 – A curuponça era um animal malvado? Por quê?
      Sim. Porque ele gostava de aprontar com os caçadores.

05 – Quais as principais características da curuponça? Descreva.
      Tinha o corpo de onça, o cheiro de onça, o olho de onça, mas as patas trás, da mesma forma que o Curupira.

      06 – No texto, como a curuponça consegue enganar o caçador?
      Por causa que as patas eram viradas pra trás.

07 – Complete as palavras abaixo com ch e x (consulte o dicionário se necessário).
Chinelo                     enxame                   chumbo
Choque                    rouxinol                    Xodó
Encharcado             maxixe                     chaleira
Xerife                       mexendo                 chicote.

08 – Complete as frases com as palavras abaixo.
        Faxina — churrasco — lixo — caixote — engraxate — chácara – chumaço — chá – caxumba — chaleira — chuva — encharcar.

a) No domingo, iremos a um churrasco na chácara.
b) Preciso fazer uma faxina no caixote.
c) Jogue o chumaço de algodão no lixo.
d) A chaleira ferve água para o chá.




POEMA: AH! OS RELÓGIOS - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

Poema: Ah! Os Relógios
           Mário Quintana


Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.



Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

                                         Mário Quintana, in 'A Cor do Invisível' 
Entendendo o poema:
01 – Qual é o problema filosófico encontrado no texto AH! OS RELOGIOS. De Mario Quintana?
      O tempo e a vida! ele diz que o tempo não existe! e que a vida é insignificante perante a eternidade! "não cabe, a cada qual, uma porção." 

02 – É possível diferenciar o significado do tempo no poema do tempo designado pelos fusos, estudado na geografia?
      O que é possível observar é que nas horas dos fusos horários geográficos a cada 15 graus de passa 1 hora e esta hora pode ser a mais ou a menos, dependendo da direção que você anda. Nossa percepção ao tempo, da correria do dia a dia que nos vemos e parece que o tempo nunca é suficiente para fazermos tudo. 

03 – “Ah! Os Relógios” é uma discussão poética sobre o tempo e sua relação com a vida e com a morte.
Disserte sobre o tema:
      O eu poético nos instiga a pensar sobre a sobreposição do tempo do relógio: marcado, rotulado, normatizado e apressado que Cronos continua devorando, sem tréguas, das nossas vidas. Em contraposição ao tempo primitivo, anterior ao instrumento, desacelerado, sem ponteiros nem frações, no qual a própria poesia ajuda a imergir e onde se encontram os sonhos, as amizades, a eternidade poética e a possibilidade de vida plena.

04 – O trecho: “Em seus fúteis problemas tão perdidas que até parecem mais uns necrológios...”, refere-se:
a)   Ao tempo que inventa a morte.
b)   As vidas que se perdem com futilidades.
c)   Àquelas que pensam na falta de tempo.
d)   Àqueles que pensam na morte e na vida.



O DIÁRIO DE ZLATA - ZLATA FILIPOVIC - COM QUESTÕES GABARITADAS

O diário de Zlata

     
 [...]
        Sábado, 19 de outubro de 1991.
   Um dia infecto, ontem. A gente estava se preparando para subir a Jahorina (a montanha mais linda do mundo) e passar o final de semana. Quando cheguei da escola, encontrei mamãe chorando e papai de uniforme. Me deu um nó na garganta quando papai anunciou que tinha que ir reunir-se a sua unidade de reserva da polícia porque havia sido chamado. Me abracei a ele chorando e supliquei para ele não ir, para ficar conosco. Papai disse que era obrigado a ir. Aí ele partiu e ficamos nós duas, mamãe e eu. Mamãe, que não parava de chorar, telefonou aos amigos e à família. Todos eles vieram imediatamente (Slobo, Doda, Keka, Braco – o irmão de mamãe –, tia Melica e não sei mais quem). Todos vieram para nos consolar e oferecer ajuda. Keka me levou para a casa dela para passar a noite com Martina e Matej. Quando acordei esta manhã, Keka me disse que tudo estava bem e que papai ia voltar dentro de dois dias.
        Voltei para casa, tia Melica está conosco, parece que tudo vai se ajeitar. Papai deve voltar depois de amanhã. Obrigada, meu Deus!
        [...]
        Quarta-feira, 23 de outubro de 1991.
        Em Dubrovnik é guerra de verdade. Bombardeios terríveis. As pessoas estão em abrigos, sem água, sem eletricidade, o telefone está cortado. Na televisão aparecem cenas terríveis. Papai e mamãe estão muito preocupados, não é possível que deixem destruir uma cidade tão fantástica. Eles têm uma ligação toda especial com Dubrovnik. Foi lá, no Palácio do Governo, que eles assinaram com uma pena de ganso o “sim” à futura vida em comum. Mamãe fica dizendo que Dubrovnik é a cidade mais bonita do mundo e que não pode ser destruída.
        Estamos preocupados com o padrinho Srdjan (ele trabalha e mora em Dubrovnik, mas tem toda a família em Sarajevo) e também com os pais dele. Como eles fazem para aguentar tudo o que está acontecendo? Será que ainda estão vivos? A gente tenta falar com eles pelos radioamadores mas não consegue. Bokica (a mulher de Srdjan) está desesperada. Tudo o que a gente faz para descobrir alguma coisa dá em nada. Dubrovnik está cortada do mundo.
        [...]
        Terça-feira, 12 de novembro de 1991.
        Em Dubrovnik a coisa vai de mal a pior. Conseguimos saber pelos radioamadores que Srdjan está vivo e que está bem, os pais dele também. O que se vê pela televisão é horroroso. As pessoas estão passando fome. Procuramos descobrir um jeito de mandar provisões para Srdjan. Com certeza vai ser possível pela Caritas. Papai continua seu serviço na reserva, volta para casa cansado. Quando isso tudo vai acabar? Segundo papai, talvez na semana que vem. Obrigada, meu Deus.
        [...]
        Zlata Filipovic. O diário de Zlata: a vida de uma menina na guerra. Trad. Antônio de Macedo Soares e Heloisa Jahn. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 22-4; 26.
Entendendo o texto:

01 – Qual a função de um diário?
      O diário é uma forma de registro de fatos importantes que fazem parte do dia-a-dia de uma pessoa, para compartilhar seus sentimentos, manifestar-se diante de ocorrências que muitas vezes fogem do controle, etc. Pode também contar relatos técnicos de uma viagem de navegação, de expedições, de coleta de dados, etc.

02 – Que tipo de dificuldade, além das relatadas no diário de Zlata, as pessoas enfrentam na guerra?
      Ver as cidades destruídas, não ter trabalho nem perspectiva de vida, enfrentar doenças, miséria, etc.

03 – Você já tinha ouvido falar da cidade de Dubrovnik e da montanha Jahorina?
      Resposta pessoal do aluno.

04 – Nos diários, por que é importante incluir a data?
      É importante para saber a ordem em que os fatos ocorrem; além disso, a data permite organizar esses acontecimentos.

05 – No dia 19 de outubro de 1991, o que deixou a família de Zlata triste e desesperada?
      A possível convocação do pai de Zlata à guerra.

06 – No dia 12 de novembro do mesmo ano, aparece a expressão “a coisa vai de mal a pior”. A que Zlata se refere?
      Ela se refere à situação da guerra, agravando-se a cada dia, com pessoas passando fome, e sem mostras de que o conflito estaria se aproximando do fim.

07 – Quais são as características do texto que nos remetem ao gênero textual diário?
      Ele é um diário pois, Zlata descreve sobre seus dias durante a guerra.

08 – Nem sempre um diário relata somente ações de seu autor. Ele também serve para reflexões a respeito de sua vida. Copie um trecho em que Zlata demonstre essa reflexão.
      “Uma carnificina! Um massacre! Um horror! Uma abominação! Sangue! Gritos! Choro! Desespero!”

09 – Quem é o interlocutor de Zlata?
      O diário dela, Mimmy.

10 – Como Zlata se sente em relação à guerra?
      Ela se sente muito triste e infeliz.

11 – Qual o momento que mais choca Zlata no meio à guerra?
      O dia em que a mãe estava perto de onde caiu uma granada de um ataque da guerra.

12 – Pesquise sobre Sarajevo e a Guerra da Bósnia (1992-1995) e escreva pelo menos 5 linhas a respeito delas.
      A guerra de Bósnia, que foi um conflito armado, se iniciou em abril de 1992 e foi até dezembro de 1995 na região de Bósnia e Herzegovina. A guerra foi causada por motivos de política e religião.
      A aliança bosníaco-croata ocupou 51% do território da Bósnia e Herzegovina e acabou chegando à Banja Luka. Quando viram sua capital ameaçada, os líderes sérvios assinaram o acordo e a guerra terminou oficialmente em 14 de dezembro de 1995. Foi o conflito mais prolongado e violento da Europa desde o fim da II Guerra Mundial, com duração de 1.606 dias. A guerra durou cerca de três anos e causou aproximadamente 200.000 vítimas entre civis e militares e 1,8 milhões de deslocados, de acordo com relatórios recentes.

13 – Procure saber um pouco mais sobre Zlata Filipovic. Onde mora, o que faz hoje, se já visitou o Brasil, se possui outros livros publicados.
      Atualmente Zlata Filipovic tem 36 anos, veio ao Brasil mais de uma vez, autora de O DIÁRIO DE ZLATA e em parceria com outros autores também publicou o livro chamado VOZES ROUBADAS.



REPORTAGEM: A INFÂNCIA NÃO PODE ESPERAR - MÁRCIA LOPES

Reportagem: A infância não pode esperar


       O trabalho infantil vem caindo em nosso país, como resultado da redução da pobreza, mas há desafios importantes a superar                                                
                                                                            Márcia Lopes

        A meta, fixada pela ONU, é um dos nossos compromissos do milênio: erradicação das piores formas de trabalho infantil até 2016. Durante a 2ª Conferência Global sobre o Trabalho Infantil, em Haia (Holanda), da qual participamos, relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelou a complexidade do desafio para todo o mundo. O cenário mundial inspira muito cuidado: são 215 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, obrigadas a trabalhar, a maioria exercendo algum trabalho considerado "perigoso" ou com jornada extensa. A voz daqueles a quem se dirige nosso compromisso dá cor dramática às estatísticas, como o apelo do indiano Kinsu Kumar, 14, há seis livre do trabalho da rua, no encerramento do evento: "Vocês são aqueles que podem acabar com o trabalho infantil, porque têm dinheiro, têm as leis, vocês têm que agir rápido". Ao mesmo tempo, temos chamas de esperanças que se acendem pelo mundo, e o Brasil faz parte dessa empreitada, pois o mesmo relatório indica que conseguiremos erradicar as piores formas de trabalho infantil na meta fixada.
        Como conseguir isso? Por meio da proteção social integrada, educação universalizada, Assistência Social, fortalecimento do mercado de trabalho para os adultos e garantia de renda básica, como o programa Bolsa Família. O reconhecimento da atuação do governo brasileiro resultou no convite para que o Brasil sedie a próxima Conferência Global, em 2013. A proteção e o cuidado com as crianças e adolescentes são política de Estado no Brasil, sendo um dos pilares centrais de nossa Constituição. A partir de 2003, o combate ao trabalho infantil é elevado à condição de meta presidencial. Essa decisão política se concretizou no Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, de 2004, como resultado de intenso trabalho entre governo e sociedade civil. Mas estamos seguros de que não vamos erradicar essa mazela pela atuação de um plano ou de seus defensores.
        É preciso incorporá-la de forma determinada, no cotidiano, como meta prioritária e compromisso ético e político dos Estados, municípios e Distrito Federal, da sociedade organizada, de empregadores, trabalhadores e das famílias. Nesse sentido, temos enfrentado as duas graves consequências da nossa formação social e econômica ao longo da história, desde a colonização: a pobreza e a desigualdade social, responsabilizando o Estado como o provedor de políticas públicas garantidoras de direitos, de caráter universal, de qualidade e respeitando a diversidade étnica, racial e de gênero presente no território brasileiro.
        O trabalho infantil vem caindo em nosso país, como resultado da redução da pobreza e da desigualdade e das ações específicas para seu enfrentamento. Contudo, ainda temos desafios importantes a superar, como o trabalho doméstico e rural, além da exploração sexual. É necessário reconhecer especificidades do país e desenvolver estratégias de gestão integradas para cada situação concreta. É preciso ainda romper com a visão conservadora de que o trabalho infantil é possibilidade de aprendizado e ascensão social e continuar fomentando o pacto nacional em defesa dos direitos das crianças e da Erradicação do Trabalho infantil. Temos também de manter os olhos abertos ao nosso redor, pois esse combate é nosso, de todos os homens e mulheres do mundo. Tudo para que nosso novo tempo seja o tempo de crianças que tenham o direito de serem crianças. E que a voz do jovem Kumar não nos permita esquecer: temos pressa.

Márcia Lopes é ministra do Desenvolvimento Social e combate à fome
Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, de 06 de julho de 2010
Entendendo o texto:
01 – O texto que você acabou de ler é um artigo de opinião, O que significa isso?
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Artigo de opinião tem o propósito de apresentar a opinião do autor sobre um tema polêmico, sendo sua fundamentação feita com base em argumentos.

02 – Você acha importante que textos desse gênero sejam publicados? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Os artigos de opinião são importantes porque apresentam diversos pontos de vista e podem esclarecer o leitor sobre determinados assuntos.

03 – Você considera necessário discutir a questão do trabalho infantil? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Todos os temas sociais devem ser discutidos com frequência a fim de expor as atuais condições em que o país se encontra, e procurar encontrar as soluções necessárias.

04 – Nesse texto, qual é a opinião, isto é, o ponto de vista defendido pela autora em relação ao trabalho infantil?
a)   É preciso aumentar a fiscalização em relação ao trabalho infantil.
b)   É preciso cumprir a meta de erradicar o trabalho infantil até 2016.
c)   É preciso que a Constituição do Brasil tenha como um dos pilares centrais a proibição do trabalho infantil.

05 – Segundo a autora, de que modo será possível acabar com o trabalho infantil até 2016?
      Por meio da proteção social integrada, da educação universalizada, da assistência social, do fortalecimento do mercado de trabalho para os adultos e da garantia de renda básica.

06 – Complete o trecho do texto com os dados estatísticos que ele informa.
        “O cenário mundial inspira muito cuidado: são 215 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, obrigadas a trabalhar, a maioria exercendo algum trabalho considerado "perigoso" ou com jornada extensa.”

07 – Explique, qual é a função de dados estatísticos em um texto.
      Os dados estatísticos servem para confirmar a veracidade do que está sendo dito e para reforçar a opinião do autor do texto. Os dados estatísticos constituem, portanto, um dos argumentos utilizados pela autora para defender seu ponto de vista.

08 – Releia um dos argumentos utilizados pela autora para defender a ideia de que criança não pode trabalhar.
        “A voz daqueles a quem se dirige nosso compromisso dá cor dramática às estatísticas [...]”
A quem o termo em destaque se refere? Assinale a alternativa correta.
a)   Aos membros presentes no encontro.
b)   Às crianças vítimas do trabalho infantil.

09 – Com que intenção a autora reproduziu a fala do menino indiano que foi vítima do trabalho infantil?
      Dar mais veracidade à matéria e também comprovar que existe trabalho infantil.

10 – A autora, na ocasião em que escreveu esse texto, era ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. De que maneira um cargo público pode influir na opinião da autora do artigo?
      Esse cargo faz com que ela fale do ponto de vista dos governantes. Isso faz com que a autora, além de apresentar o problema, proponha uma solução para ele.

11 – Para você, esse texto apresenta uma visão otimista ou pessimista em relação à erradicação do trabalho infantil? Explique como você chegou a essa conclusão.
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O texto apresenta uma visão otimista, pois mostra que o trabalho infantil ainda existe, mas tem diminuído e muitas coisas têm sido feitas para erradica-lo. Ou seja, é um grave problema social, mas pode ser combatido com medidas adequadas.