domingo, 31 de outubro de 2021

CONTO: OS OLHOS QUE COMIAM CARNE - PARTE 2 - HUMBERTO DE CAMPOS - COM GABARITO

 Conto: Os olhos que comiam carne – Parte 2 

            Humberto de Campos

        Olhos abertos, piscando, Paulo Fernando ouvia, em torno, ordens em alemão, tinir de ferros dentro de uma lata, jorro d’água, e passos pesados ou ligeiros, de desconhecidos. Esses rumores todos eram, no seu espírito, causa de novas reflexões. Só agora, depois de cego, verificara a sensibilidade da audição, e as suas relações com a alma, através do cérebro. Os passos de um estranho são inteiramente diversos daqueles de uma pessoa a quem se conhece. Cada criatura humana pisa de um modo. Seria capaz de identificar, agora, pelo passo, todos os seus amigos, como se tivesse vista e lhe pusessem diante dos olhos o retrato de cada um deles. E imaginava como seria curioso organizar para os cegos um álbum auditivo, como os de datiloscopia, quando um dos médicos lhe tocou no ombro, dizendo-lhe, amavelmente:

        – Está tudo pronto... Vamos para a mesa... Dentro de oito dias estará bom...

        O escritor sorriu, cético. Lido nos filósofos, esperava, indiferente, a cura ou a permanência na treva, não descobrindo nenhuma originalidade no seu castigo e nenhum mérito na sua resignação. Compreendia a inocuidade da esperança e a inutilidade da queixa. Levantou-se, assim, tateando, e, pela mão do médico, subiu na mesa de ferro branco, deitou-se ao longo, deixou que lhe pusessem a máscara para o clorofórmio, sentiu que ia ficando leve, aéreo, imponderável. E nada mais soube nem viu.

        O processo Platen era constituído por uma aplicação da lei de Roentgen, de que resultou o raio X, que punha em contato, por meio de delicadíssimos fios de “hêmera”, liga metálica recentemente descoberta, o nervo seccionado. Completava-o uma espécie de parafina adaptada ao globo ocular, a qual, posta em contato direto com a luz, restabelecia integralmente a função desse órgão. Cientificamente, era mais um mistério do que um fato. A verdade era que as publicações europeias faziam, levianamente ou não, referências constantes às curas miraculosas realizadas pelo cirurgião de Berlim, e que seu nome, em breve, corria o mundo, como o de um dos grandes benfeitores da Humanidade.

        Meia hora depois, as portas da sala de cirurgia do Grande Hospital de Clínicas se reabriam e Paulo Fernando, ainda inerte, voltava, em uma carreta de rodas silenciosas, ao seu quarto de pensionista. As mãos brancas, postas ao longo do corpo, eram como as de um morto. O rosto e a cabeça envoltos em gaze deixavam à mostra apenas o nariz afilado, e a boca entreaberta. E não tinha decorrido outra hora, e já o professor Platen se achava, de novo, a bordo, deixando a recomendação de que não fosse retirada a venda, que pusera no enfermo, antes de duas semanas.

        Doze dias depois passava ele, de novo, pelo Rio, de regresso para a Europa. Visitou novamente o operado, e deu novas ordens aos enfermeiros. Paulo Fernando sentia-se bem. Recebia visitas, palestrava com os amigos. Mas o resultado da operação só seria verificado três dias mais tarde, quando se retirasse a gaze. O santo estava tão seguro do seu prestígio que se ia embora sem esperar pela verificação do milagre.

        Chega, porém, o dia ansiosamente aguardado pelos médicos, mais do que pelo doente. O Hospital encheu-se de especialistas, mas a direção só permitiu, na sala em que se ia cortar a gaze, a presença dos assistentes do enfermo. Os outros ficaram fora, no salão, para ver o doente, depois da cura.

        Pelo braço de dois assistentes, Paulo Fernando atravessou o salão. Daqui e dali, vinham-lhe parabéns antecipados, apertos de mão vigorosos, que ele agradecia com um sorriso sem endereço. Até que a porta se fechou, e o doente, sentado em uma cadeira, escutou o estalido da tesoura, cortando a gaze que lhe envolvia o rosto.

        Duas, três voltas são desfeitas. A emoção é funda, e o silêncio completo, como o de um túmulo. O último pedaço de gaze rola no balde. O médico tem as mãos trêmulas. Paulo Fernando, imóvel, espera a sentença final do Destino.

        – Abra os olhos! – diz o doutor

        O operado, olhos abertos, olha em tomo. Olha, e, em silêncio, muito pálido, vai-se pondo de pé. A pupila entra em contato com a luz, e ele enxerga, distingue, vê. Mas é espantoso o que vê. Vê, em redor, criaturas humanas. Mas essas criaturas não têm vestimentas, não têm carne: são esqueletos apenas; são ossos que se movem, tíbias que andam, caveiras que abrem e fecham as mandíbulas! Os seus olhos comem a carne dos vivos. A sua retina, como os raios X, atravessa o corpo humano e só se detém na ossatura dos que o cercam, e diante das coisas inanimadas! O médico, à sua frente, é um esqueleto que tem uma tesoura na mão! Outros esqueletos andam, giram, afastam-se, aproximam-se, como num bailado macabro!

        De pé, os olhos escancarados, a boca aberta e muda, os braços levantados numa atitude de pavor e de pasmo, Paulo Fernando corre na direção da porta, que adivinha mais do que vê, e abre-a. E o que enxerga, na multidão de médicos e amigos que o aguardam lá fora, é um turbilhão de espectros, de esqueletos que marcham e agitam os dentes, como se tivessem aberto um ossário cujos mortos quisessem sair. Solta um grito e recua. Recua, lento, de costas, o espanto estampado na face. Os esqueletos marcham para ele, tentando segurá-lo.

        – Afastem-se! Afastem-se! – intima, num urro que faz estremecer a sala toda.

        E, metendo as unhas no rosto, afunda-as nas órbitas, e arranca, num movimento de desespero, os dois glóbulos ensanguentados, e tomba escabujando no solo, esmagando nas mãos aqueles olhos que comiam carne, e que, devorando macabramente a carne aos vivos, transformavam a vida humana, em torno, num sinistro baile de esqueletos...

 CAMPOS, Humberto de et al. Histórias para não dormir: dez contos de terror. São Paulo: Ática, 2009. p. 92-96.

Fonte: Língua Portuguesa – Programa mais MT – Ensino fundamental anos finais – 9° ano – Moderna – Thaís Ginícolo Cabral. p. 254-8.

Entendendo o conto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Clorofórmio: substância antigamente usada como anestésico.

·        Datiloscopia: registro de impressões digitais.

·        Escabujar: espernear.

·        Inanimado: sem vida.

·        Inerte: imóvel.

·        Inocuidade: inutilidade.

·        Resignação: submissão.

·        Turbilhão: multidão em desordem.

02 – Retome o que você imaginou a respeito da sequência do texto e responda oralmente:

a)   Você achou que o médico curaria Paulo Fernando? Por quê? Sua hipótese se confirmou após a leitura?

Resposta pessoal do aluno.

b)   O que o título sugeriu a você sobre o desdobramento do conto? Essa sugestão se confirmou após a leitura?

Resposta pessoal do aluno.

03 – Releia o trecho:

        Só agora, depois de cego, verificara a sensibilidade da audição, e as suas relações com a alma, através do cérebro. Os passos de um estranho são inteiramente diversos daqueles de uma pessoa a quem se conhece. Cada criatura humana pisa de um modo.

                             CAMPOS, Humberto de et al. Histórias para não dormir: dez contos de terror. São Paulo: Ática, 2009. p. 92.


a)   Após ler o trecho e o boxe sobre discurso indireto livre, transcreva em seu caderno o fragmento desse trecho que apresenta discurso indireto livre.

O fragmento é “Os passos de um estranho são inteiramente diversos daqueles de uma pessoa a quem se conhece. Cada criatura humana pisa de um modo”.

b)   Justifique sua resposta.

Não é possível saber se esse fragmento foi dito pelo personagem ou pelo narrador. Pode tanto ser um pensamento do personagem exemplificando sua audição aguçada quanto um comentário do narrador. Essa incerteza se deve à ausência de aspas, verbos como pensou, refletiu e marcas de 1ª pessoa. Trata-se, portanto, de um exemplo de discurso indireto livre.

04 – Releia esta frase do conto e responda:

        O santo estava tão seguro do seu prestígio que se ia embora sem esperar pela verificação do milagre.

                            CAMPOS, Humberto de et al. Histórias para não dormir: dez contos de terror. São Paulo: Ática, 2009. p. 94.

a)   A que se referem as palavras santo e milagre?

A palavra santo refere-se ao doutor alemão e milagre refere-se ao método cirúrgico inovador criado por ele.

b)   Considerando o contexto, explique o emprego dessas palavras.

O método cirúrgico que promete restabelecer a visão de pessoas que romperam o nervo ótico é considerado, pelo narrador (talvez em tom irônico) um milagre. E como o autor do método (milagre) é o médico alemão, ele é considerado santo, afinal acredita-se que santos fazem milagres.

05 – Um dos recursos usados no texto para criar a atmosfera de terror é a figura de linguagem chamada comparação.

a)   Identifique no texto três exemplos de comparação que contribuem para criar essa atmosfera e transcreva-os.

“As mãos brancas, postas ao longo do corpo, eram como as de um morto.”

“A emoção é funda, e o silêncio completo, como o de um túmulo.”

“Outros esqueletos andam, giram, afastam-se, aproximam-se, como num bailado macabro!”.

b)   A comparação expressa nesses exemplos remete a um elemento comumente associado ao terror? Qual?

Em todos os exemplos, a comparação remete à morte, elemento comumente associado ao terror.

06 – Releia o trecho:

        “[...] Mas essas criaturas não têm vestimentas, não têm carne: são esqueletos apenas; são ossos que se movem, tíbias que andam, caveiras que abrem e fecham as mandíbulas! Os seus olhos comem a carne dos vivos. A sua retina, como os raios X, atravessa o corpo humano e só se detém na ossatura dos que o cercam, e diante das coisas inanimadas! O médico, à sua frente, é um esqueleto que tem uma tesoura na mão! Outros esqueletos andam, giram, afastam-se, aproximam-se, como num bailado macabro!”.

                         CAMPOS, Humberto de et al. Histórias para não dormir: dez contos de terror. São Paulo: Ática, 2009. p. 94-5.

·        É correto afirmar que os pontos de exclamação contribuem para a:

a)   Descrição de um novo cenário.

b)   Construção do clímax da narrativa.

c)   Caracterização psicológica do médico alemão.

d)   Representação do desespero de falas de Paulo Fernando.

07 – A cirurgia feita pelo médico alemão em Paulo Fernando foi baseada na aplicação de uma lei chamada Roentgen, da qual resultaram os raios X.

a)   Qual o uso mais comum dos raios X?

Os raios X são usados comumente para registrar a imagem de ossos, contribuindo, por exemplo, para o diagnóstico de fraturas. Eles atravessam a carne e são absorvidos apenas pelos ossos, por isso apenas eles são registrados.

b)   Embora o resultado da cirurgia de Paulo Fernando seja impossível na realidade, ele pode ser explicado com base em uma lógica do texto, amparada no uso comum dos raios X. Por quê?

O fato de Pedro Fernando passar a ver apenas os ossos das pessoas foi, na verdade, um efeito colateral da cirurgia baseada na lei que originou os raios X. Ele passou a ver como um raio X.

08 – Leia o trecho a seguir e observe os termos destacados.

        “[...] e tomba escabujando no solo, esmagando nas mãos aqueles olhos que comiam carne, e que, devorando macabramente a carne aos vivos, transformavam a vida humana, em torno, num sinistro baile de esqueletos...”.

                         CAMPOS, Humberto de et al. Histórias para não dormir: dez contos de terror. São Paulo: Ática, 2009. p. 96. 

·        Sobre esse trecho, indique se elas são verdadeiras (V) ou falsas (F).

(F) Os verbos comer e devorar são usados no sentido literal.

(V) Apresenta relação direta com o título do conto.

(V) Descreve uma cena com elementos de terror.

(F) É parte do conflito do conto.

 

 

CONTO: OS OLHOS QUE COMIAM CARNE - PARTE 1 - HUMBERTO DE CAMPOS - COM GABARITO

 Conto: Os olhos que comiam carne – Parte 1 

           Humberto de Campos

        Na manhã seguinte à do aparecimento, nas livrarias, do oitavo e último volume da História do conhecimento humano, obra em que havia gasto catorze anos de uma existência consagrada, inteira, ao estudo e à meditação, o escritor Paulo Fernando esperava, inutilmente, que o sol lhe penetrasse no quarto. Estendido, de costas, na sua cama de solteiro, os olhos voltados na direção da janela que deixara entreaberta na véspera para a visita da claridade matutina, ele sentia que a noite se ia prolongando demais. O aposento permanecia escuro. Lá fora, entretanto, havia rumores de vida. Bondes passavam tilintando. Havia barulho de carroças no calçamento áspero. Automóveis buzinavam como se fosse dia alto. E, no entanto, era noite, ainda. Atentou melhor, e notou movimento na casa. Distinguia perfeitamente o arrastar de uma vassoura, varrendo o pátio. Imaginou que o vento tivesse fechado a janela, impedindo a entrada do dia. Ergueu, então, o braço e apertou o botão da lâmpada. Mas a escuridão continuou. Evidentemente, o dia não lhe começava bem. Comprimiu o botão da campainha. E esperou.

        Ao fim de alguns instantes, batem docemente à porta.

        – Entra, Roberto.

        O criado empurrou a porta, e entrou.

        – Esta lâmpada está queimada, Roberto? – indagou o escritor, ao escutar os passos do empregado no aposento.

        – Não, senhor. Está até acesa

        – Acesa? A lâmpada está acesa, Roberto? – exclamou o patrão, sentando-se repentinamente na cama.

        – Está, sim, senhor. O doutor não vê que está acesa, por causa da janela que está aberta.

        – A janela está aberta, Roberto? – gritou o homem de letras, com o terror estampado na fisionomia.

        – Está, sim, senhor. E o sol está até no meio do quarto.

        Paulo Fernando mergulhou o rosto nas mãos, e quedou-se imóvel, petrificado pela verdade terrível. Estava cego. Acabava de realizar-se o que há muito prognosticavam os médicos.

        A notícia daquele infortúnio em breve se espalhava pela cidade, impressionando e comovendo a quem a recebia. A morte dos olhos daquele homem de quarenta anos, cuja mocidade tinha sido consumida na intimidade de um gabinete de trabalho, e cujos primeiros cabelos brancos haviam nascido à claridade das lâmpadas, diante das quais passara oito mil noites estudando, enchia de pena os mais indiferentes à vida do pensamento. Era uma força criadora que desaparecia. Era uma grande máquina que parava. Era um facho que se extinguia no meio da noite, deixando desorientados na escuridão aqueles que o haviam tomado por guia. E foi quando, de súbito, e como que providencialmente, surgiu, na imprensa, a informação de que o professor Platen, de Berlim, havia descoberto o processo de restituir a vista aos cegos, uma vez que a pupila se conservasse íntegra e se tratasse, apenas, de destruição ou defeito de nervo óptico. E, com essa informação, a de que o eminente oculista passaria em breve pelo Rio de Janeiro, a fim de realizar uma operação desse gênero em um opulento estancieiro argentino, que se achava cego há seis anos e não tergiversara em trocar a metade da sua fortuna pela antiga luz dos seus olhos.

        A cegueira de Paulo Fernando, com as suas causas e sintomas, enquadrava-se rigorosamente no processo do professor alemão: dera-se pelo seccionamento do nervo óptico.  E era pelo restabelecimento deste, por meio de ligaduras artificiais com uma composição metálica de sua invenção, que o sábio de Berlim realizava o seu milagre cirúrgico. Esforços foram empregados, assim, para que Platen desembarcasse no Rio de Janeiro por ocasião da sua viagem a Buenos Aires.

        Três meses depois, efetuava-se, de fato, esse desembarque. Para não perder tempo, achava-se Paulo Fernando, desde a véspera, no Grande Hospital de Clínicas. E encontrava-se, já, na sala de operações, quando o famoso cirurgião entrou, rodeado de colegas brasileiros, e de dois auxiliares alemães, que o acompanhavam na viagem, e apertou-lhe vivamente a mão.

        Paulo Fernando não apresentava, na fisionomia, o menor sinal de emoção. O rosto escanhoado, o cabelo, grisalho e ondulado posto para trás, e os olhos abertos, olhando sem ver: olhos castanhos, ligeiramente saídos, pelo hábito de vir beber a sabedoria aqui fora, e com laivos escuros de sangue, como reminiscência das noites de vigília. Vestia pijama de tricoline branca, de gola caída. As mãos de dedos magros e curtos seguravam as duas bordas da cadeira, como se estivesse à beira de um abismo, e temesse tombar na voragem.

[...]

 CAMPOS, Humberto de et al. Histórias para não dormir: dez contos de terror. São Paulo: Ática, 2009. p. 90-92.

Fonte: Língua Portuguesa – Programa mais MT – Ensino fundamental anos finais – 9° ano – Moderna – Thaís Ginícolo Cabral. p. 250-3.

Entendendo o conto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Escanhoado: barbeado, liso.

·        Estancieiro: dono de fazenda.

·        Facho: tipo de farol.

·        Laivo: marca.

·        Prognosticar: prever.

·        Reminiscência: lembrança vaga.

·        Seccionamento: ruptura.

·        Tricoline: tecido leve de algodão.

·        Voragem: redemoinho no mar ou no rio.

02 – Retome o que você imaginou a respeito do texto antes da leitura e responda oralmente:

a)   Que tipo de narrador você havia imaginado? Sua hipótese se confirmou na leitura?

Resposta pessoal do aluno.        

b)   Você tinha imaginado que o escritor, em busca da cura, recorreria à medicina ou a forças sobrenaturais? Por quê? Sua hipótese se confirmou na leitura?

Resposta pessoal do aluno.

03 – A cegueira de Paulo Fernando aconteceu de repente ou era prevista? Transcreva em seu caderno um trecho que justifique sua resposta.

      A cegueira de Paulo Fernando era prevista, como indica o trecho: “Estava cego. Acabava de realizar-se o que há muito prognosticavam os médicos.”

04 – Releia a primeira frase do conto:

        “Na manhã seguinte à do aparecimento, nas livrarias, do oitavo e último volume da História do conhecimento humano, obra em que havia gasto catorze anos de uma existência consagrada, inteira, ao estudo e à meditação, o escritor Paulo Fernando esperava, inutilmente, que o sol lhe penetrasse no quarto.”

                       CAMPOS, Humberto de et al. Histórias para não dormir: dez contos de terror.  São Paulo: Ática, 2009. p. 90.  

a)   Paulo Fernando demora a perceber que está cego. Mas nessa frase, a primeira do conto, um advérbio já antecipa a cegueira da personagem. Qual é esse advérbio?

O advérbio é inutilmente.

b)   Por que ele antecipa a cegueira de Paulo Fernando?

Esse advérbio antecipa a cegueira de Paulo Fernando porque o personagem se esforça para ver o sol penetrar no quarto, mas o esforço é vão, pois ele já estava cego. 

c)   De quem é a voz que emprega esse advérbio no texto?

É a voz do narrador.

d)   A voz que conta os fatos é de um narrador em 1ª ou 3ª pessoal?

A voz é de um narrador em 3ª pessoa.

e)   Esse narrador tem uma visão total ou parcial dos acontecimentos? Explique.

Esse narrador tem uma visão total dos acontecimentos. Ao empregar o advérbio inutilmente, ele sabia de antemão que o personagem estava cego, antes mesmo que a fatalidade fosse exposta no texto para o leitor.

05 – No conto, não são mencionadas datas que permitam situá-lo no tempo com exatidão. No entanto, é certo que ele não se passa nos dias atuais. Que elementos do texto permitem essa conclusão?

   Essa conclusão é possível graças a referências espaciais: “Bondes passavam tilintando. Havia barulho de carroças no calçamento áspero. Automóveis buzinavam como se fosse dia alto.”

06 – Releia o trecho:

        “Era uma força criadora que desaparecia. Era uma grande máquina que parava. Era um facho que se extinguia no meio da noite, deixando desorientados na escuridão aqueles que o haviam tomado por guia.

                    CAMPOS, Humberto de et al. Histórias para não dormir: dez contos de terror.  São Paulo: Ática, 2009. p. 91. 

a)   Qual a figura de linguagem usada nas três frases desse trecho?

A figura de linguagem é a metáfora.

b)   Que função essa figura de linguagem cumpre no trecho?

Essa figura tem a função de engrandecer as virtudes do escritor ao chama-lo de força criadora, grande máquina que parava, facho de luz que se extinguia no meio da noite.

07 – Marque a alternativa que completa corretamente a afirmação a seguir:

        Do ponto de vista narrativo, “a informação de que o professor Platen, de Berlim, havia descoberto o processo de restituir a vista aos cegos”, é considerada um(a)...

a)   Apresentação, pois introduz um novo personagem.

b)   Conflito, pois gera novos desdobramentos para o enredo.

c)   Clímax, pois promove o momento de maior tensão da história.

d)   Desfecho, pois resolve o conflito vivido pelo escritor Paulo Fernando.


08 – Releia o trecho:

        “[...] E, com essa informação, a de que o eminente oculista passaria em breve pelo Rio de Janeiro, a fim de realizar uma operação desse gênero em um opulento estancieiro argentino, que se achava cego há seis anos e não tergiversara em trocar a metade da sua fortuna pela antiga luz dos seus olhos.”

                           CAMPOS, Humberto de et al. Histórias para não dormir: dez contos de terror.  São Paulo: Ática, 2009. p. 91.

  Considerando o contexto, marque a alternativa que melhor corresponde aos sentidos que as palavras em destaque assumem.

(   ) experiente, orgulhoso e desconversara.

(   ) estrangeiro, ambicioso e desconfiara.

(   ) inovador, esperto e duvidara.

(X) importante, rico e hesitara.

09 – Até este momento da leitura, você encontrou elementos que podem ser associados ao terror? Explique.

      Resposta pessoal do aluno.  

TIRINHA: CALVIN DIA LINDO - BILL WATTERSON - ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL - COM GABARITO

 Tirinha: Calvin dia lindo

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 WATTERSON, Bill. Os dias estão simplesmente lotados. 2. Ed. São Paulo: Best News, 1995, p. 26. V. 2.

Fonte: Língua Portuguesa – Programa mais MT – Ensino fundamental anos finais – 9° ano – Moderna – Thaís Ginícolo Cabral. p. 247.

Entendendo a tirinha:

01 – O telefonema de Calvin ao pai tem um objetivo. Qual é?

      O objetivo de Calvin, é mostrar ao pai que sua vida é mais livre e prazerosa enquanto a do pai é de responsabilidade.

02 – Qual a visão de Calvin sobre a maioridade?

      Para Calvin, a maioridade significa trabalhar num escritório fechado, com muitas responsabilidades, sem poder aproveitar o dia ensolarado de verão, por exemplo.

03 – Que frase de Calvin resume sua visão sobre a maioridade.

      A infância serve para estragar a maioridade.

04 – Transcreva a oração subordinada adverbial final presente na fala de Calvin no último quadrinho.

      A oração subordinada é: “[...] para estragar a maioridade”.

05 – Com base na resposta da alternativa anterior essa oração é reduzida ou desenvolvida? Justifique sua resposta.

      Essa oração é reduzida, pois apresenta verbo no infinitivo e não é introduzida por conjunção.

06 – Identifique no último quadrinho a oração principal.

      A oração principal nesse período é: “A infância serve”.

TIRINHA: CALVIN MATEMÁTICA - BILL WATTERSON - CONJUNÇÃO SUBORDINADA SE - COM GABARITO

 Tirinha: Calvin matemática



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WATTERSON, Bill. O melhor de Calvin. O Estado de São Paulo, São Paulo, 25 out. 2018. Caderno 2, p. D4.

Fonte: Língua Portuguesa – Programa mais MT – Ensino fundamental anos finais – 9° ano – Moderna – Thaís Ginícolo Cabral. p. 242-3.

Entendendo a tirinha:

01 – Nessa tirinha, Calvin apresenta vários argumentos para explicar a Haroldo por que não vai fazer seu dever de Matemática. Escreva-os com suas palavras.

      Porque trata da luta mortal entre números, do fim do suspense e do mistério.

02 – Que motivo, de fato, leva Calvin a desenvolver toda essa argumentação?

      Calvin não quer ou não sabe resolver os problemas de Matemática.

03 – No terceiro quadrinho, que relação se estabelece entre as duas orações do período “Se eu resolver esse problema acabo com o suspense.”; causa e consequência, tempo ou condição? Justifique sua resposta.

      A relação é de condição: o suspense terminaria com uma condição, a resolução do problema.

04 – Por que você acha que Haroldo faz um Comentário, no último quadrinho, sobre o aspecto literário da Matemática?

      A resposta deve levar em conta os argumentos de Calvin, que transforma tudo numa narrativa com suspense: luta mortal, fatos instigantes, apreciação do mistério.

05 – Retome a frase da alternativa 3. Reescreva todo o período substituindo a conjunção subordinativa se, pela conjunção caso.

      “Caso eu resolva este problema, acabo com o suspense”. Ou, ainda, “Acabo com o suspense, caso resolva este problema.” Importante notar que com a conjunção caso o verbo da subordinada é empregado no modo subjuntivo.

 

 

TEXTO INFORMATIVO: ENSINAR PROGRAMAÇÃO É A NOVA ALFABETIZAÇÃO - CAMILA ACHUTTI - COM GABARITO

 Texto: Ensinar programação é a nova alfabetização

            Camila Achutti


  Eu queria começar... refletindo com vocês: Quando que a gente decidiu aprender a ler e escrever? Existiu algum momento em que os nossos pais foram chamados na escola e perguntaram pra eles se tudo bem, se eles transformassem radicalmente o cérebro dessas crianças para desenvolverem grafomotricidade? Outra boa pergunta seria... a gente lá, bem pequenininha com três anos: “Oi fofura! Então, a gente vai mudar um pouco seu cérebro, tá? A gente vai colocar uma área nova que a gente vai apelidar de caixa de correio para você poder salvar todas as letras que você vai aprendendo, tá bom? Mas só tem mais um detalhezinho: vai ser do meu jeito, no meu tempo, tudo bem? Mas pode ficar tranquilo porque a gente é bem bom nisso.

        Não, pessoal, essas perguntas não acontecem. E, quando eu falo assim, elas soam absurdas.

        Imagina, ninguém mais questiona a necessidade da gente aprender a ler e escrever. Apesar disso não ser um processo nem um pouco natural. Aliás, ele não é nem um pouco simples. A gente tem todo um processo. A gente tem que começar se familiarizando, como que a gente segura no lápis? Eu, por exemplo, decidi segurar com a mão esquerda, outros com a mão direita. Aí a gente começa a passar por cima de linhas pontilhadas. Aí a gente reconhece letra, junta em palavra, faz sentença, começa a complicar, vira texto, aí vira uns textos muito grandes, vira uns livros, certo? Não é fácil, pessoal! E a gente tem que passar por todo esse processo, porque o nosso cérebro não nasceu preparado pra isso, diferente da linguagem oral, certo?

        A gente tem que passar por uma reciclagem neural, olha que nome bonito, onde vastas áreas do nosso cérebro passam a desempenhar funções que elas não foram criadas para isso. Só que a gente acha isso tão, mas tão importante, que a gente desenvolveu área de pesquisa, cartilha, método, livro, professores especialistas em alfabetizar crianças. A gente de fato manda muito bem. Só que agora eu queria que vocês pensassem comigo, que, apesar de a nossa taxa de analfabetização ter caído muito desde a época dos escribas, a gente está revivendo essa época. Só que agora eles são digitais. Alguns poucos dominam como conversar muito bem com as máquinas, conseguem se valer disso, e têm sucesso. Enquanto outros tantos, eles são meros usuários.

        Usuários que estão sendo programados, usuários que estão só usando o que é imposto no trabalho ou pela sociedade. A gente precisa se dedicar para a alfabetização digital, assim como a gente se dedicou para a alfabetização tradicional. E essa discussão não é nem um pouco nova, aliás é uma das mais velhas, que é: “O que é que a gente tem que ensinar na escola?”. Na Roma antiga, a gente decidiu que a gente precisava de sete artes liberais. Que na época eram ciências, mas pra gente é tudo a mesma coisa. A gente decidiu que tinha que ter gramática, tinha que ter retórica, tinha que ter dialética, tinha que ter música, astronomia... É importante, afinal, pra humanidade continuar se desenvolvendo; a gente precisava daquilo. Aí vem a Renascença, séculos XV e XVI, a gente colocou algumas outras matérias.

        A gente começou a ensinar as crianças a soletrar, mas a gente evoluiu mesmo nessa época em como ensinar as coisas. A gente inventou a pedagogia didática foi bem nessa época. Veio o século XVIII, a gente começou a ensinar várias outras coisas... História, geografia, línguas estrangeiras também começaram a fazer sentido, o mundo tinha crescido. Mas a nossa surpresa veio nos séculos XIX e XX. Aí deslanchou, pessoal, tudo se acelerou! A gente avançou muito, muito mesmo, em arte, ciência e tecnologia, a gente estava manjando de tudo. Só que aí a gente teve que industrializar... Inclusive a escola, a gente fez uma escola de massa, e colocou uns 40, 50 alunos por turma, colocou cada matéria na sua caixinha, cada professor superespecializado naquilo, ele era um mestre, certo?

        Ele tinha que ser o mestre, eu precisava saber tudo, eu precisava saber biologia, história, geografia... Como que eu ia suportar todo o desenvolvimento que a gente teve? A gente... inclusive uma parte que eu adoro, que a gente inventou, que foi a avaliação. A gente agora tinha avaliação matemática. Era ponto. Só que era totalmente baseado na subjetividade de uma pessoa só. O mestre, certo, pessoal? Só que eu tenho uma notícia, e ela não é fácil... nada disso faz sentido no século XXI... E aí? Eu vou dar um exemplo bem simples, só que é do meu trauma de biologia. Decorar: em qual filo e classe estão os animais e as plantas?

        Faz sentido? Fazia, porque vai que eu estava no meio da floresta, eu tinha que decidir se eu comia a frutinha rosa ou se eu cor ria do bichinho peludo. Beleza, eu tinha que identificar algumas características, pôr numa caixinha e falar: Humm, esse aí come carne vou correr! Agora, pessoal, qualquer criança de 10 anos, com smartphone, tira uma foto, procura no Google, voilà... Sabe até como o bicho se reproduz, bem rápido, certo, pessoal? O que importa agora, no século XXI, no século da internet, no século do smartphone, do software, o que importa é a gente saber criar relação, é a gente ser criativo, é a gente ter senso crítico do que tudo isso funciona, de como tudo isso funciona. É isso que importa. Mas a escola, a escola ainda está ensinando pra gente: decoreba.

        Saber como as coisas são feitas muda como a gente usa. Eu garanto pra vocês, pessoal, que se vocês soubessem como a gente salva as senhas de vocês, e todo o trabalho que a gente tem para mantê-las seguras lá, eu garanto que vocês iam pensar umas dez vezes antes de sair criando conta por aí. Só acho. Reflitam, certo? A gente precisa começar a ensinar essa criançada como se valer disso. A gente precisa ensinar a linguagem do século XXI. A gente precisa ensinar nossas crianças a programar. E, olhando assim, vocês vão pensar: “Que fofa, ela vem aqui, critica o sistema inteiro, acha que pode e não vai dar nem um plano?”. Calma, eu tenho um plano.

        Para a gente mudar qualquer situação, a gente precisa de três coisas: Primeiro, uma crítica de como as coisas estão. Segundo, uma visão de como a gente acha que as coisas deveriam ser. E, por último, e mais difícil, uma teoria de mudança... que é a par te mais complicada.

        Primeiro vou começar pela minha crítica, que, na verdade, não é uma só, vocês já perceberam... Mas eu vou resumir ela. A gente não pode continuar acreditando que as nossas crianças, simplesmente porque a gente chama elas de nativos digitais, sabem tudo de tecnologia. Pessoal, saber de tecnologia não é sentar pra almoçar ou jantar e bem rapidinho pegar o tablet e colocar o desenho. Isso não é saber de tecnologia. Nenhuma dessas crianças sabe explicar por que... Como que aquele aplicativo foi feito?

        Elas não têm senso crítico. Eu vou dar um exemplo pra vocês. Quando eu pergunto pra uma criança: O que é dar um share, que é aquele compartilhar no Facebook, para quem não está ligado nas coisas, que é apertar o botão lá. E eu não estou falando isso da boca pra fora, pessoal. Nesses últimos anos, passaram pela minha mão pelo menos 15 mil jovens. De todos os gêneros, idades, origens... E se a gente perguntar pra eles, nativos digitais, que são aqueles que nasceram depois de 2000, o que é dar um share, eles olham pra você: “Nossa, tia, você não sabe que é apertar um botão?”. Nós, imigrantes digitais que estamos aqui – e, apesar dos meus 24 anos e da minha profissão, eu me encaixo nesse grupo –, a gente sabe que dar um share quer dizer muito mais do que isso. Quer dizer que eu estou dando apoio, quer dizer que eu estou endossando aquela opinião.

        Não ter essa leitura crítica, pessoal, é muito perigoso. Bom, depois do meu resumo das minhas 9 milhões de críticas, vamos à minha visão, que é bem simples. A gente precisa colocar programação, pensamento computacional, vida digital no currículo comum de todas as crianças no sistema educacional brasileiro. A gente não pode mais evitar essa discussão.

        Pra acabar, a parte mais difícil, que é a teoria de mudança, e ela já começa enrolada. Porque vamos supor que a gente decidiu aqui que a gente vai ensinar todas as crianças a programar. Quem que vai fazer isso? Quem que vai decidir o conteúdo? A gente não tem mão de obra suficiente, pessoal, para suprir o mercado.

        Que dirá o sistema educacional brasileiro. A gente precisa de uma verdadeira revolução. A gente precisa pegar os nossos professores que já estão lá, que são apaixonados por aquilo, e tirar deles a pressão de ser expert. A gente tem que transformar eles em facilitadores. A gente tem que ajudar eles com material bacana, com treinamento show, a acompanhar a jornada desses jovens. Eles vão aprender como eles podem ficar seguros na internet, eles vão aprender: Como que a gente faz um aplicativo? Com esses mesmos mestres que se sentem inseguros e que acham que programação são letrinhas verdes numa tela preta, que o menino do Vale do Silício aprendeu com cinco anos e aí ele ficou milionário com 18, só com isso. A gente tem que quebrar essas barreiras. E eu queria aproveitar esse momento e os poucos minutos que me faltam pra chamar vocês pra se juntar nessa revolução.

        A gente que está em alguma instância relacionada com o sistema educacional, a gente tem três opções. A primeira, se a gente for parte do sistema, a gente pode gerar alguma mudança, estando no sistema. Por exemplo, se vocês chegarem na sala de aula de vocês e discutirem com seus alunos, plantarem aquela pulguinha de: “Como que nasce um aplicativo, como se faz um aplicativo?”. Hoje tem muita coisa na internet. Vocês já podem fazer essa mudança, e se juntar a esse movimento. Segunda situação possível: vocês podem pressionar o sistema, e aí eu vou dar uma dica ótima! Vai na escola do seu bairro e pergunta se a sala de informática está joia. Provavelmente ela não vai estar. Mas, só pra vocês saberem, isso é lei, pessoal. Todas as escolas têm que ter sala de informática aberta ao público.

        Vocês podem pressionar o sistema. Por último, você pode simplesmente... evitar entrar no sistema e tomar atitudes fora dele, que é o que eu tenho feito, vou confessar. E aí você pode simplesmente sentar com seus filhos e conversar sobre tecnologia e perguntar quais sites ele está acessando. Perguntar se ele tem ideia de como o Facebook funciona. Busquem juntos, aprendam juntos. Bom, era isso que eu tinha pra falar pra vocês. Espero que cada um de vocês continue me ajudando, e ajudando o mundo nessa revolução. O que eu posso garantir pra vocês é que eu vou continuar... tentando, nem que seja convencer uma pessoa de cada vez a fazer essa revolução. Obrigada!

ACHUTTI, Camila. Ensinar programação é a nova alfabetização. TEDxSão Paulo, jun. 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=zBqPg80l7xA>. Acesso em: 29 abr. 2019.

Fonte: Língua Portuguesa – Programa mais MT – Ensino fundamental anos finais – 9° ano – Moderna – Thaís Ginícolo Cabral. p. 195-204.

Entendendo o texto:

01 – Agora que você leu a transcrição da fala da palestrante Camila Achutti, retome as discussões iniciais que fez com seus colegas: 

a)   Que tipo de linguagem a palestrante empregou: mais formal ou informal? Era a que você havia suposto? Que tom a pesquisadora utiliza para convencer a plateia de que nos dias de hoje deve-se ensinar programação nas escolas?

Resposta pessoal do aluno.

b)   As suas hipóteses quanto às mudanças que devem acontecer no sistema escolar estão de acordo com o que Camila Achutti apresenta no seu discurso?

Resposta pessoal do aluno.

c)   Com base nas afirmações feitas pela palestrante, você acha que as sugestões de mudança são ou não praticáveis?

Resposta pessoal do aluno.

02 – O texto que você leu foi apresentado em uma sessão de TED x São Paulo realizada no Estádio Palestra Itália, em São Paulo. Esse formato de palestras pode ser considerado inovador? Por quê?

      Sim porque se trata de comunicar um assunto em tempo recorde, 18 minutos, de modo criativo, objetivo e persuasivo, com o objetivo de comunicar o essencial com embasamento científico.

03 – Considere o formato da TED em comparação ao do seminário e responda:

a)   Por que as palestras da TED possuem 18 minutos? Faça uma breve pesquisa para descobrir o motivo.

Os idealizadores da TED acreditam que esse seja um tempo médio de concentração possível a um ser humano. Porém, não existem estudos que comprovem essa métrica.

b)   Quais são as dificuldades que você reconhece na preparação de uma apresentação com caráter científico em 18 minutos?

Resposta pessoal do aluno.

c)   Como o formato da TED pode contribuir para aprimorar uma apresentação em seminário?

Ele pode servir como modelo para despertar o interesse da plateia para o tema, além de ser um formato útil para apresentar um tema de forma sintética.

04 – Pergunta retórica é uma interrogação que não tem como objetivo obter uma resposta, mas sim estimular a reflexão do indivíduo sobre determinado assunto.

a)   Camila Achutti inicia sua palestra lançando mão de perguntas retóricas. Quais?

As perguntas retóricas encontram-se no 1° parágrafo da transcrição.

b)   Qual pode ser a razão dessa linha de argumentação adotada.

Provavelmente o público-alvo composto de educadores preocupados em entender o efeito retroativo das tecnologias no sistema escolar.

05 – Em sua fala, a palestrante tece brevemente uma retrospectiva histórica da formação das disciplinas escolares.

a)   O que ela pretende ao fazer essa retrospectiva?

Ela pretende invalidar a força dessa tradição histórica, considerando a existência da tecnologia e levar o espectador a concordar com suas ideias.

b)   Ironia é um recurso de crítica comuns em textos orais ou escritos, charges, cartuns, etc. que possibilita ao ouvinte perceber a intenção do falante. Qual pode ter sido a intenção de Camila ao empregar ironia em sua fala?

A intenção de criticar de forma humorada o sistema escolar vigente.

c)   Selecione partes do texto ou expressões que comprovem isso.

“Vai ser do meu jeito”; “a gente é bem bom nisso”; “Ele tinha que ser o mestre, eu precisava saber tudo, eu precisava saber biologia, história, geografia... Como que eu ia suportar todo o desenvolvimento que a gente teve? A gente... inclusive uma parte que eu adoro que a gente inventou, que foi a avaliação. A gente agora tinha avaliação matemática. Era ponto. Só que era totalmente baseado na subjetividade de uma pessoa só. O mestre, certo, pessoal?”.

06 – Em explanação, a autora utiliza um argumento como fio condutor.

a)   Qual é esse argumento?

O argumento de que é necessário repensarmos as formas de ensinar e as adaptarmos ao século XXI, principalmente no que se refere à alfabetização digital.

b)   Que palavras ou expressões do texto justificam a resposta anterior?

Possibilidades de trechos: “nada disso faz sentido no século 21...”, “A gente precisa se dedicar para a alfabetização digital, assim como a gente se dedicou para a alfabetização tradicional...”, “Não ter essa leitura crítica, pessoal, é muito perigoso”, etc.

07 – Pelo discurso da palestrante, é possível saber qual seria o público-alvo na palestra.

a)   Que parte do texto nos dá essa pista?

Sim, a palestrante se dirige a educadores. “A gente que está em alguma instância relacionada com o sistema educacional, a gente tem três opções.”.

b)   Se você estivesse presente nessa conferência como você reagiria ao que ela propõe? O que ela propõe?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Sim, ela apresenta uma proposta e quer ser aceita em suas ideias revolucionárias de formar uma geração que saiba lidar com as informações digitais de forma crítica, ativa, responsiva e que atribua significado a cada ação realizada virtualmente.

08 – Na transcrição da fala da palestrante existem muitas marcas características da oralidade. Complete a tabela com exemplos dessas marcas. Características – Marcas de oralidade.

Repetições: “A gente precisa colocar programação...”; “A gente não pode mais evitar...”; “A gente precisa de uma verdadeira revolução...”; “A gente precisa... pegar os nossos professores...”; “A gente tem que transformar...”; “A gente tem que ajudar eles...”; “A gente tem que quebrar essas barreiras...”; “A gente que está em alguma...”; “A gente tem três opções...”; “A gente pode gerar alguma mudança...”.

Diálogo com o interlocutor: “Eu queria começar... refletindo com vocês...”; “Eu garanto pra vocês, pessoal, que se vocês soubessem como a gente salva as senhas de vocês, e todo o trabalho que a gente tem para mantê-las seguras lá, eu garanto que vocês iam pensar umas dez vezes antes de sair criando conta por aí. Só acho, reflitam, certo?”; “E eu queria aproveitar esse momento e os poucos minutos que me faltam pra chamar vocês pra se juntar nessa revolução...”.

Discurso de referência a si mesmo: “E, olhando assim, vocês vão pensar: ‘Que fofa, ela vem aqui, critica o sistema inteiro, acha que pode e não vai dar nem um plano?’. Calma, eu tenho um plano.”.

Contrações de palavras: “... nossos pais foram chamados na escola e perguntaram pra eles se tudo bem”; “Eu garanto pra vocês, pessoal”.

Colocações pronominais ou recursos de regência fora do padrão formal: “...mas eu vou resumir ela”, “questiona a necessidade da gente aprender”; “A gente tem que transformar eles em facilitadores. A gente tem que ajudar eles com material bacana, com treinamento show, a acompanhar a jornada desses jovens.”.

Gírias: “material bacana”; “treinamento show”; “... que é aquele compartilhar no Facebook para quem não está ligado nas coisas”; “tira uma foto, procura no Google, voilà...”; “Beleza, eu tinha que identificar algumas...”.