terça-feira, 17 de novembro de 2020

TEXTO: O OLHAR TAMBÉM PRECISA APRENDER A ENXERGAR - LUÍS AUGUSTO FISCHER - COM GABARITO

 Texto: O olhar também precisa aprender a enxergar      

LUÍS AUGUSTO FISCHER

   Há uma historinha adorável, contada por Eduardo Galeano, escritor uruguaio, que diz que um pai, morador lá do interior do país, levou seu filho até a beira do mar. O menino nunca tinha visto aquela massa de água infinita. Os dois pararam sobre um morro. O menino, segurando a mão do pai, disse a ele: "Pai, me ajuda a olhar". Pode parecer uma espécie de fantasia, mas deve ser a exata verdade, representando a sensação de faltarem não só palavras mas também capacidade para entender o que é que estava se passando ali.

        Agora imagine o que se passa quando qualquer um de nós pára diante de uma grande obra de arte visual: como olhar para aquilo e construir seu sentido na nossa percepção? Só com auxílio mesmo. Não quer dizer que a gente não se emocione apenas por ser exposto a um clássico absoluto, um Picasso ou um Niemeyer ou um Caravaggio. Quer dizer apenas que a gente pode ver melhor se entender a lógica da criação.

        Então, aí vai a sugestão: as belas e instrutivas páginas de "Os Segredos da Arte", de Elizabeth Newbery. Dividindo os assuntos em oito seções, que vão da cor até a perspectiva, o livro faz um belo serviço pela educação visual.

Luís Augusto Fischer, Folha de São Paulo.

Entendendo o texto:

01 – Relacionando a história contada pelo escritor uruguaio com “O que se passa quando qualquer um de nós para diante de uma grande obra de arte”, o autor do texto defende a ideia de que:

a)   O belo natural e o belo artístico provocam distintas reações de nossa percepção.

b)   A educação do olhar leva a uma percepção compreensiva das coisas belas.

c)   O belo artístico é tanto mais intenso quanto mais espelhe o belo natural.

d)   A lógica da criação artística é a mesma que rege o funcionamento da natureza.

e)   A educação do olhar devolve ao adulto a espontaneidade da percepção das crianças.

02 – Analisando-se a construção do texto, verifica-se que:

a)   Há paralelismo de ideias entre os dois parágrafos, como por exemplo, o que ocorre entre a frase do menino e a frase “Só com auxílio mesmo”.

b)   A expressão “espécie de fantasia”, no primeiro parágrafo, é retomada e traduzida em “lógica da criação”, no segundo parágrafo.

c)   A expressão “Agora imagine” tem como função assinalar a inteira independência do segundo parágrafo em relação ao primeiro.

d)   A afirmação contida no título restringe-se aos casos dos artistas mencionados no final do texto.

e)   As ocorrências da expressão “a gente” constituem traços da impessoalidade e da objetividade que marcam a linguagem do texto.

03 – A frase “Não quer dizer que a gente não se emocione apenas por ser exposto a um clássico absoluto” é pouco clara.

        Mantendo-se a coerência com a linha de argumentação do texto, uma frase mais clara seria: “Não quer dizer que

a)   Algum de nós se emocione pelo simples fato de estar diante de uma obra clássica”.

b)   A primeira aparição de um clássico absoluto venha logo a nos emocionar”.

c)   Nos emocionemos já na primeira reação diante de um clássico indiscutível”.

a)   O simples contato com um clássico absoluto não possa nos emocionar”.

b)   Tão somente em nossa relação com um clássico absoluto deixemos de nos emocionar”.

 

 

POEMA: O LAMPEJO - FERREIRA GULLAR - COM GABARITO

 POEMA: O LAMPEJO

          Ferreira Gullar

O poema não voa de asa-delta

não mora na Barra
não frequenta o Maksoud.
Pra falar a verdade, o poema não voa:
anda a pé
e acaba de ser expulso da fazenda Itupu
pela polícia.

Come mal dorme mal cheira a suor,
parece demais com o povo:
é assaltante?
é posseiro?
é vagabundo?
frequentemente o detêm para averiguações
às vezes o espancam
às vezes o matam
às vezes o resgatam
da merda
por um dia
e o fazem sorrir diante das câmeras da TV
de banho tomado.

O poema se vende
se corrompe
confia no governo
desconfia
de repente se zanga
e quebra trezentos ônibus nas ruas de Salvador.

O poema é confuso
mas tem o rosto da história brasileira:
tisnado de sol
cavado de aflições
e no fundo do olhar, no mais fundo,
detrás de todo o amargor,
guarda um lampejo
um diamante
duro como um homem
e é isso que obriga o exército a se manter de prontidão.

 Fonte da imagem:https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Ftrabalhadoresdaluz.altervista.org%2Fate-o-ultimo-lampejo%2F&psig=AOvVaw20gYdhccFeBXdBdnRAFeOV&ust=1605718839875000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCLD9q4SHiu0CFQAAAAAdAAAAABAD

ENTENDENDO O POEMA

1)   Após a leitura do poema, pode-se dizer que temática é abordada?

Sim, a temática social e do engajamento político.

 

2)   Como é exposta essas temáticas no poema?

A voz poética expõe as desigualdades sociais do Brasil, além da violência e exploração sofridas por esse povo.

 

3)   O eu poético compara o poema a quem? Cite um verso que comprove.

Compara ao povo.

“O poema não voa de asa delta

não mora na Barra

não frequenta Maksoud...”

 

4)   Que lugares são citados no poema. Explique.

Barra = Bairro no RJ – Barra da Tijuca

Maksoud = Hotel de luxo em São Paulo – Capital

Fazenda Itupu = Atualmente – Conjunto Habitacional Jardim São Bento – em São Paulo – Capital

Salvador = Cidade de Salvador – Capital da Bahia

 

5)   Nos versos:

“...às vezes o espacam

às vezes o matam

às vezes o resgatam.” Que figura de linguagem encontramos nesses versos?

A figura de linguagem é Anáfora.

 

6)   Como o eu lírico termina o poema?

Termina o poema com um tom de esperança, pois o “lampejo” no olhar do povo pode ser lido como a consciência, algo que pode levar à revolução.

7)   Depois de ler atentamente o poema, pode-se afirmar do ponto de vista da produção de sentidos que:

a)   O autor está preocupado com os problemas sociais, portanto a arte poética, no texto, é instrumento de denúncia.

b)   Não há características elitistas na arte poética do autor, pois para o eu poético o poema está do lado de quem “anda a pé”; “come mal”, “cheira suor”, dentre outros trechos.

c)   Há características elitistas no poema, uma vez que, apenas, fala-se de como o homem do povo se expressa, sem levar em consideração a classe econômica de alto poder aquisitivo.

d)   A violência faz parte constante da arte poética do autor, deixando evidente que é, através dela, que muitas vezes, alcançam-se determinados propósitos.

POEMA: A INVENÇÃO DO ABRAÇO - RICARDO SILVESTRIN - COM GABARITO

 POEMA: A INVENÇÃO DO ABRAÇO

                    Ricardo Silvestrin


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ENTENDENDO O POEMA

1) Releia o título do poema. Ele fala sobre a invenção do abraço. Em que versos do poema o autor apresenta e de que forma ocorreu essa invenção? Transcreva-os.

"Até que um dia

alguém deu um passo...

diminuiu o espaço

e fez do braço

um laço."


2) No verso "Há braços e braços", o que a repetição da palavra braço quer destacar?

Que existe vários tipos de braços (fisicamente e também emocionalmente), braços que vivem cruzados (recusam abraços) e outros abertos (prontos para dar e receber abraços).

3) Quantos versos têm esse poema?

    Há vinte e um versos.

4) Qual o sentido da expressão "virou moda"?

     É relativo a algo se tornar o padrão, ser muito utilizado.

5) O autor faz uma comparação entre braço e abraço. Você já havia pensado que os braços abraçam?

    Resposta pessoal.

6) Você concorda que em tempos de fracasso o abraço é positivo? Explique sua resposta.

     Resposta pessoal.


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

TEXTO: ESCRAVOS DO CELULAR - BRÁULIO TAVARES - COM GABARITO

 Texto: Escravos do celular

         Bráulio Tavares

      Vi uma matéria curiosa, há pouco tempo, sobre os hábitos dos frequentadores de restaurantes. O dono de um restaurante encontrou vídeos de cerca de dez anos atrás, filmados por câmera de segurança. Os vídeos registravam todo o movimento das mesas, desde a abertura da casa até a saída do último freguês. Para fazer um estudo da dinâmica do trabalho, tempo de atendimento etc., o dono do restaurante fez uma comparação entre o vídeo de dez anos atrás e um de hoje.

        A primeira coisa que lhe chamou a atenção foi que, embora a quantidade de pratos consumidos e a quantia de dinheiro gasto (proporcionalmente) continuassem as mesmas, as pessoas passavam o dobro do tempo no restaurante. Daí a queda de faturamento, que ele não sabia a que atribuir. Mas percebeu que, se dez anos atrás um grupo de seis pessoas passava uma hora e meia para almoçar, esse tempo chegava hoje a duas e meia, quase três horas, com aproximadamente o mesmo consumo de comida.

        Ele constatou que, antes, as pessoas sentavam, pediam o cardápio, conversavam um pouco, faziam os pedidos etc. Hoje em dia é diferente. A primeira meia hora de atendimento mostrava as pessoas com os cardápios abertos à sua frente, mas concentradas nos seus celulares, lendo e digitando mensagens. Quando, finalmente, os pedidos eram atendidos e a comida chegava, a maioria das pessoas fotografava os pratos e começava a compor mensagens. Com isso se distraíam e muitas vezes os pratos eram devolvidos aos garçons para ser novamente aquecidos. No fim da refeição, havia mais um longo período de tempo em que os garçons eram solicitados a fazer fotos sucessivas do grupo, com o celular de cada um.

        O celular/correio/câmera fotográfica veio para ampliar nossa vida, e ampliar não quer dizer necessariamente facilitar. Do mesmo jeito que ganhamos tempo de um lado, o celular começa também a exigi -lo para coisas que antes não fazíamos. E numa sociedade que já foi chamada “a civilização dos Narcisos”, o celular é um veículo excelente para o exibicionismo, para a comunicação instantânea de “o que estou comendo”, para os selfies com gente famosa encontrada nos aeroportos ou nos clubes.

        Somos a geração mais bem documentada da História. Somando a presença de celulares, tablets, etc. e a disponibilidade das redes sociais, estamos participando do maior experimento sociológico de todos os tempos. Nunca se reuniu tanta informação voluntariamente fornecida sobre os hábitos sociais de uma população. Talvez, no futuro, digam que a História, para valer, começou no tempo de hoje.

Braulio Tavares, escritor e compositor. Revista Carta Fundamental, n° 64, dez. 2014.

                  Fonte: Livro – Para Viver Juntos – Português – 9º ano – Ensino Fundamental – Anos Finais – Edições SM – p. 282.

Entendendo o texto:

01 – Após a leitura do texto, responda às questões abaixo. 

a)   Se as pessoas passam no restaurante o dobro do tempo que dispendiam ali no passado, que conclusão se poderia tirar sobre o faturamento?

Inicialmente se poderia pensar que o faturamento havia aumentado, pois, em tese, as pessoas estariam ali consumido. 

b)   A hipótese de conclusão apresentada no item anterior se confirmou, segundo o texto? Comprove.

Não. Segundo o texto, houve uma queda de faturamento.    

c)   O cliente atual consome o mesmo que o do passado e, proporcionalmente, gasta o mesmo. Por que então o faturamento não ficou estável?

Porque esse cliente ocupa a mesa por muito tempo e impede que outros clientes venham para consumir a mesma média que ele. Ou seja, a média de gasto por cliente é a mesma, mas o número de clientes é menor.  

d)   O emprego da conjunção embora criou uma oração subordinada adverbial concessiva. Explique a relação de concessão presente no trecho.

O fato de as pessoas consumirem hoje a mesma quantidade que no passado é uma concessão diante da constatação de que elas dobraram seu tempo de permanência no restaurante. 

e)   Em que as pessoas se ocupam durante o excedente de tempo?

Em enviar mensagens e em postar fotos. 

f)    No segundo parágrafo, está escrito: “Daí a queda de faturamento, que ele não sabia a que atribuir”. A incapacidade de explicar a queda no faturamento ocorreu em um determinado momento. Reescreva esse período acrescentando uma oração subordinada adverbial temporal que esclareça o período.

Daí a queda de faturamento, que ele não sabia a que atribuir antes de comparar os vídeos.

02 – No texto, estão destacados um caso de próclise e um de ênclise.

a)   Qual a justificativa para a próclise?

A presença do pronome relativo que atrai o pronome oblíquo (que lhe chamou). 

b)   Qual a justificativa para a ênclise?

O pronome oblíquo acompanha um verbo no infinitivo (exigi-lo = exigir + o).

03 – Com base na regência verbal proposta pela norma-padrão, reescreva cada item, substituindo a * pela forma correta do verbo entre parênteses.

a)   A comparação entre a dinâmica do presente e a do passado ocorreu porque foi possível * antigos vídeos de segurança. (Assistir).

Assistir a.   

b)   Hoje, o tempo maior de permanência no restaurante não * consumo maior. Naturalmente, essa constatação não * o proprietário. (Implicar/agradar).

Implica; agrada a / agradou a.

 

REPORTAGEM: ELAS ESTÃO POR TODA PARTE - THIAGO TANJI - COM GABARITO

 Texto: Elas estão por toda parte  

  Thiago Tanji

        As bactérias dominaram a Terra por bilhões de anos e provocaram doenças consideradas incuráveis até o desenvolvimento dos antibióticos, no século XX. Mas a vitória da humanidade não está completa: parte desses microrganismos já é resistente aos medicamentos e desperta a preocupação das autoridades de saúde em todo o mundo. Conseguiremos deter essa contraofensiva silenciosa?

        Era o ano de 1928. Ao retornar ao seu laboratório no hospital londrino Saint Mary, após um período de férias, o biólogo Alexander Fleming observou que amostras da bactéria Staphylococcus aureus utilizadas nas pesquisas estavam cheias de bolor. Em vez de jogar os exemplares no lixo e recomeçar os estudos, ele notou que a presença do fungo Penicillium impedia o crescimento daquela cepa. Involuntariamente, o cientista britânico havia criado o primeiro antibiótico, a penicilina, desenvolvida em larga escala na década de 1940 e que ajudou a salvar milhares de soldados feridos durante a Segunda Guerra Mundial. A aplicação de um remédio que combatia microrganismos considerados mortais durante séculos, como aqueles causadores da pneumonia ou da tuberculose, também colaborou na conquista de um salto inédito: em pouco mais de 50 anos, a população mundial cresceu quase três vezes, atingindo a marca de 7 bilhões de pessoas em 2011. Seria uma história com final feliz, mas as bactérias não se deram por vencidas. Após a descoberta de Fleming, alguns microrganismos passaram por mutações e começaram a repelir os ataques da penicilina. Essa capacidade de adaptação superou até as mais complexas fórmulas químicas criadas pela indústria farmacêutica, que gasta muito tempo e dinheiro no desenvolvimento de novos antibióticos.

        Nos últimos anos, cresceram os casos de bactérias presentes em hospitais que, de tão resistentes, causam complicações irreversíveis à saúde já abalada dos pacientes, impossibilitando qualquer tipo de tratamento. [...].

A era das bactérias

        Antes de sair por aí praguejando contra os microrganismos, agradeça profundamente a existência desses seres unicelulares microscópicos e donos de uma estrutura muito mais simples do que qualquer célula do nosso organismo. Foram essas as primeiras formas de vida a habitar nosso planeta, há 3,5 bilhões de anos, em uma época em que o oxigênio sequer existia na atmosfera terrestre. A capacidade de sobrevivência e o modo como se reproduzem, a partir de divisões binárias, permitiram que ocupassem, literalmente, todos os cantos do globo. [...].

        Obviamente, seu corpo também não escaparia dos bichinhos: o ser humano possui 10 trilhões de células “próprias”, enquanto hospeda cerca de 100 trilhões de bactérias, que vivem principalmente na pele, boca, genitália e intestino. “Elas ajudam em uma série de atividades, como a síntese de vitaminas importantes e a manutenção do metabolismo humano, além de proteger contra microrganismos patogênicos, diz a médica Maria Rita de Araújo, coordenadora do setor de microbiologia do laboratório do Hospital do Coração, em São Paulo.

        O equilíbrio é o segredo para que os humanos vivam em paz com suas bactérias, inclusive aquelas causadoras de doenças graves. De acordo com a OMS, um terço da humanidade carrega a Mycobacterium tuberculosis, agente da tuberculose. Mesmo assim, a infecção por esse microrganismo só acontece em condições específicas. [...]

A lei do mais forte

        Imagine que o antibiótico funciona como uma poderosa arma de destruição em massa, criada para matar bilhões de microrganismos que habitam o seu corpo, sem fazer distinção entre bons e ruins. Parece eficiente, mas se as bactérias conseguem sobreviver em condições extremas, fatalmente darão um jeitinho de se dar bem também nesse ambiente hostil. “As leis de Darwin funcionam em questão de dias: as bactérias ganham essa resistência por causa de seleção natural”, afirma a Dra. Maria Rita. A partir de mutações genéticas, algumas colônias de bactérias conseguem sobreviver aos antibióticos e passam sua herança adiante, gerando seres cada vez mais resistentes.

        Nesse cenário, o ambiente hospitalar se torna um verdadeiro campo de treinamento para selecionar os microrganismos mais durões, capazes de aguentar medicamentos poderosos. Quando o paciente apresenta um quadro de saúde delicado, eles aproveitam o momento para iniciar a infecção, expulsando as bactérias boas na marra e combatendo com ferocidade as defesas naturais do corpo. “Os afetados são pessoa que estão no hospital há bastante tempo e acumulam fatores de risco, já que apresentam doenças graves e fazem uso de múltiplos antibióticos”, diz Ana Cristina Gales, professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo. [...]

Corrida silenciosa

        [...] Quando um microrganismo resistente infecta um paciente, pode ser contido por meio de tratamento intensivos, estabilizando seu poder de infecção. Mesmo assim, ele não desaparece totalmente e fica presente no ambiente, além de se espalhar por outros locais por diferentes meios, como objetos, rede de esgoto e também por transmissão humana. [...]

        Vivendo em uma comunidade saudável, essa superbactéria pode transmitir suas características para companheiras de outras espécies por meio dos plasmídios, pequenos fragmentos de DNA que são transferidos de um microrganismo para outro quando há uma aproximação física. Bactérias como a KPC e espécies que possuem a NDM-1, enzima capaz de degradar uma ampla gama de antibióticos, são capazes de realizar essa transmissão e gerar populações cada vez mais resistentes aos medicamentos. [...].

        Com tamanha capacidade para se adaptar, os pesquisadores temem que as bactérias capazes de vencer os antibióticos ganhem cada vez mais espaço, eliminando pouco a pouco as velhas e boas aliadas que vivem em paz em nosso organismo. [...]

Menos é mais

        Profissionais da área de saúde e organizações sanitárias globais são unânimes na hora de apresentar o plano de combate imediato para frear a expansão das superbactérias: é necessário diminuir drasticamente o uso de antibióticos para impedir que a seleção natural continue produzindo bactérias cada vez mais resistentes. [...]

        Restringir o uso de antibióticos não significa impedir sua aplicação em pacientes que precisam desses medicamentos, mas sim limitar o uso em situações desnecessárias. “A maioria das infecções em pediatria é de origem viral, mas em algumas situações a própria família pressiona o médico para dar antibióticos para a criança”, diz a Dra. Maria Rita de Araújo. [...]

      No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu em 2011 regras para a comercialização de antibióticos: uma lista de medicamentos deve ser inscrita no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, permitindo o registro e o controle nas farmácias. [...]

Passado e futuro

        Iniciativas de governos, ONGs e empresas privadas desejam acelerar o combate a bactérias resistentes nessa corrida contra o tempo. [...]

        Todos esses esforços, porém, não escondem uma realidade que insiste em aparecer nos países mais pobres do mundo. Após o terremoto que matou mais de 300 mil pessoas no Haiti em 2010, um surto de cólera, causado pela bactéria Vibrio Cholerae, vitimou mais de 8 mil pessoas no país. A doença é perfeitamente tratável, sendo necessárias medidas simples de combate, como tratamento de água potável, construção de esgotos e assistência médica adequada. Como o combate às superbactérias, certos esforços também não podem ser esquecidos pela humanidade.

        Thiago Tanji. Revista Galileu, jan. 2015. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/02/elas-estao-por-toda-parte.html. Acesso em: 23 abr. 2015.

                        Fonte: Livro – Para Viver Juntos – Português – 9º ano – Ensino Fundamental – Anos Finais – Edições SM – p.114-16 

Fonte da imagem:https://www.google.com/url?sa=i&url=http%3A%2F%2Fwww.oswaldocruz.com%2Fsite%2Fnoticias-de-saude%2Fnoticias-de-saude%2Fbacteria-canibal-pode-ser-solucao-para-superbacterias&psig=AOvVaw158xSWXgojfoEUH-bt1gIW&ust=1605631043078000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCMCPtPW_h-0CFQAAAAAdAAAAABAD

01 – De acordo com o texto, qual a importância, para o ser humano, de algumas bactérias que vivem em seu corpo?

      Ajudam na síntese de vitaminas importantes, auxiliam na manutenção do metabolismo humano e protegem contra microrganismos patogênicos.

02 – Para sintetizar as informações presentes no texto, responda:  

a)   Diante do antibiótico, qual é, em geral, a ação das bactérias? Qual a consequência dessa ação, para elas?

Realizar uma mutação genética para conseguir resistir. Ocorre a seleção natural (as bactérias que sobrevivem originam descendentes resistentes àquele antibiótico).  

b)   As bactérias resistentes atacam prontamente?

Não. As bactérias esperam a debilidade do indivíduo.   

c)   De que modo uma pessoa que já tomou diversos tipos de antibióticos favorece as bactérias?

A pessoa ajuda a criar bactérias resistentes a mais tipos de antibióticos (porque algumas sobrevivem a eles).  

d)   Como a pessoa hospitalizada favorece as bactérias?

No hospital, a pessoa pode abrigar bactérias diferentes, resistentes aos diversos antibióticos usados ali. Assim, quando as bactérias atacam, têm boas chances de êxito (até porque as pessoas estão doentes e vulnerável).  

e)   Como as bactérias que resistiram em um indivíduo podem ser uma ameaça a outros?

As bactérias não ficam só no organismo desse indivíduo; passam para o ambiente, podendo ser transmitidas por objetos, por pessoas e pela água do esgoto.  

f)    Que mecanismo sofisticado algumas bactérias apresentam, capaz de potencializar sua capacidade de resistência?

Algumas bactérias transmitem suas características genéticas para outras quando há uma aproximação física entre elas. Além do mais, algumas que fazem isso tem a NDM-1, enzima capaz de degradar uma ampla gama de antibióticos.

03 – Que preocupação das autoridades e dos profissionais da saúde o texto manifesta?

      As bactérias capazes de vencer os antibióticos podem ganhar cada vez mais espaço, eliminando pouco a pouco as que são benéficas ao organismo humano.

04 – Qual a principal saída para esse problema? Explique-a.

      A redução no consumo de antibióticos. Essa ação evitaria que surgissem mais bactérias resistentes, fruto da seleção natural.

05 – O intertítulo “A lei do mais forte” é uma referência a quê? E o intertítulo “Menos é mais”?

      Respectivamente: à seleção natural e ao fato de a diminuição de antibióticos trazer muitas vantagens.

 

 

ARTIGO: PESQUE-SOLTE: PROTEÇÃO OU DANO PARA OS PEIXES? MIGUEL PETRENE JR. - COM GABARITO

 Artigo: Pesque-solte: Proteção ou dano para os peixes?

          Em todo o mundo, nas últimas décadas, aumentou o número de praticantes do chamado pesque-solte, em que os peixes são devolvidos à água após a captura. Os que defendem essa forma de lazer alegam que ela ajuda a preservar suas populações, mas outros a criticam, por causar estresse, lesões e até sua morte. Estudos internacionais confirmam que o estresse da captura tem efeitos, por vezes graves, em diferentes espécies. Este artigo aborda esse debate, que envolve aspectos éticos, fisiológicos, ecológicos e socioeconômicos.

Miguel Petrene Jr.

        A pesca amadora do tipo pesque-solte (catch and release fishing) provavelmente começou no Reino Unido, há mais de um século, e se espalhou pelo mundo. Essa atividade, de início, não era uma estratégia de conservação dos estoques pesqueiros, mas apenas um simples descarte de peixes de menor interesse recreativo.

        Essas espécies recebiam o nome genérico de coarse fish, para diferenciá-las dos chamados peixes nobres (game fish), em especial a truta (gênero Salmo), o salmão (Salmo salar) e o char (gênero Salvelinus).

        Hoje, esse tipo de pesca, com a soltura imediata dos peixes capturados, vem se difundindo no Brasil, como atividade turística ou de lazer. No entanto, ainda é comum a pesca amadora em que o peixe é consumido. Nos diferentes tipos de pesca amadora, não se podem comercializar os peixes capturados, o que as diferencia da pesca profissional (seja industrial ou artesanal). 

        Estima-se que a pesca amadora responda por 12% da captura mundial de pescado e mobilize cerca de 700 milhões de pessoas em todo o mundo

        Estima-se que a pesca amadora responda por 12% da captura mundial de pescado e mobilize cerca de 140 milhões de pessoas na América do Norte, na Europa e na Oceania – e 700 milhões em nível mundial. Nos Estados Unidos, a pesca amadora no mar é tão intensa que responde por 23% das capturas daquelas espécies que já passaram do nível ótimo de exploração.

        No Brasil, em meados da década de 1990, a pesca amadora capturou em torno de 75% do pescado registrado no Pantanal do Mato Grosso do Sul e hoje ainda responde por 50% da produção nessa área. Para cada peixe capturado e embarcado por pescadores amadores, no Pantanal, cerca de um peixe e meio foi capturado e solto, considerando apenas as espécies nobres, principalmente porque não atingiram o tamanho mínimo de captura.

        Em todo o mundo, cerca de 30 bilhões de indivíduos são anualmente liberados após a captura. Na América do Norte, 60% dos peixes capturados são soltos.

        Em alguns países ricos, como os Estados Unidos, a pesca amadora de água doce substituiu a pesca profissional-artesanal, mas em outros, como a França (lagos Annecy e Léman/Geneve) e a Suíça (lago Geneve/Léman) – e também nos emergentes e nos mais pobres –, essa última modalidade ainda é fonte importante de proteína animal de alta qualidade, gerando segurança alimentar, empregos, renda e um precioso repositório ecológico-cultural.

        Ainda não há estudos sobre os efeitos do estresse da captura para o tucunaré, uma das espécies preferidas dos praticantes da pesca do tipo pesque-solte no Brasil. (foto: Carlos Edwar C. Freitas/ Ufam)

        Há forte conflito de interesses entre a pesca profissional-artesanal e a amadora. No Brasil, esse conflito é intensificado pelas políticas públicas, que não buscam conciliar a prática das duas atividades, tratando-as como excludentes e quase sempre desconsiderando a pesca artesanal. O forte lobby turístico da pesca amadora tem facilidade de acesso aos meios de comunicação e acentua o viés das decisões políticas a seu favor. Como resultado, as pescarias comerciais chegaram a ser proibidas em alguns trechos de rios brasileiros. Isso aconteceu no rio Araguaia, onde a pesca profissional é coibida em Goiás, por lei estadual, desde 1997. A lei criou uma incoerência no acesso ao recurso, pois na margem esquerda do rio (em Mato Grosso) a pesca amadora e a profissional são permitidas, com capturas em proporções semelhantes, e na margem direita (em Goiás), os pescadores amadores têm maior acesso ao rio. Além disso, essa pesca amadora não é do tipo pesque-solte e a maioria dos indivíduos capturados é consumida.

Esporte ou maldade?

        As pescarias do tipo pesque-solte podem ser mandatórias ou voluntárias. No modelo mandatório, a soltura é obrigatória ou é determinado um tamanho mínimo legal para o peixe capturado, dependendo da espécie. No modelo voluntário, o pescador solta o peixe acreditando que ele irá sobreviver e poderá ser recapturado no futuro.

        Essa prática, no entanto, foi banida na Suíça e na Alemanha, por razões éticas, tanto que, para a organização não governamental Peta (People for Ethical Treatment of Animals – www.peta.org), é uma forma de “crueldade disfarçada como esporte”. Esse argumento gerou um movimento global contra essa modalidade de pesca, baseado nos direitos dos animais. Vale salientar que nem todos os peixes são ‘apropriados’ para o pesque-solte: a corvina de água doce (Plagioscion squamosissimus) e o dourado (Salminus maxillosus), por exemplo, normalmente morrem logo após a captura.

        O pesque-solte é discutido sob duas perspectivas: (I) a pragmática, que avalia se e como a atividade compromete a saúde dos peixes e a propagação de seus genes e estuda como evitar ou reduzir tais efeitos (o que implica aceitá-la como prática legítima); e (II) a ética, segundo a qual o bem-estar dos peixes depende da ausência de dor, embora ainda não se saiba se esses animais de fato a sentem (ao menos como é sentida por humanos). Esse tema tem gerado acirrado debate entre os fisiologistas.

        Algumas ou todas as práticas de lazer com peixes seriam inaceitáveis, principalmente o pesque-pague-solte, onde o estresse para o peixe é extremo em um corpo d’água reduzido

        Segundo esse último ponto de vista, algumas ou todas as práticas de lazer com peixes seriam inaceitáveis, principalmente o pesque-pague-solte, onde o estresse para o peixe é extremo em um corpo d’água reduzido, pois o mesmo indivíduo pode ser recapturado várias vezes, em curto intervalo de tempo. Seria possível justificar o tratamento supostamente cruel aos peixes por resultar em grandes benefícios aos humanos, como em pesquisas laboratoriais para desenvolver novos medicamentos, o que justificaria o tratamento supostamente cruel aos peixes. Outros autores, porém, preferem a abordagem pragmática, pautados em critérios fisiológicos, comportamentais ou nas condições dos indivíduos capturados e liberados. 

        Essa discussão ainda poderia incluir mais dois argumentos: (III) o ecológico, com duas posições, a negativa (o pesque-solte pode induzir a introdução e a dispersão de espécies exóticas e seus parasitos, aumentando a degradação ambiental) e a positiva (o pescador amador seria defensor da conservação do ecossistema onde vive sua ‘presa’); e (IV) o socioeconômico, pois a atividade gera empregos e renda.

        [...] espécies exóticas têm sido introduzidas em diferentes bacias brasileiras para fomentar a pesca amadora. Prevalecem, novamente, as razões socioeconômicas (por influência do turismo. [...].

        [...] revistas especializadas em pesca amadora salientam boas práticas de captura e soltura baseadas em normas internacionais, mas não questionam os aspectos éticos da atividade. Assim, apesar da inexistência de estudos que revelem como nossas espécies [...] respondem ao estresse do pesque-solte, pacotes turísticos são vendidos indiscriminadamente.

Como reduzir danos?

        Algumas normas gerais para diminuir as lesões nos peixes soltos incluem usar anzóis sem farpa, circulares ou a igarateia, para evitar sangramento ou rompimento de ligamentos da garganta e brânquias; liberar o peixe ainda dentro d’água, para evitar estresse térmico e de oxigenação. [...].

        Para minimizar outros danos, não é aconselhável prolongar a “briga” durante a captura, pois o animal cansado, depois de solto, pode ser uma presa fácil [...]. Além disso, deve-se usar uma luva macia no manuseio, para evitar que escamas se soltem, o que facilita a infecção do peixe [...]. Para fotografar os peixes, pode ser usado – embora seja melhor mantê-lo apenas na posição horizontal – um alicate especial (bogagrip), de preferência os que têm extremidades envolvidas em borracha macia, para retirar o animal da água [...], ou o passaguá [...].

Mortes e prejuízos

        Como mencionado, ainda não existem dados sobre os efeitos do pesque-solte relacionado às espécies de peixes brasileiros preferenciais, mas em outros países há muitos estudos sobre a mortalidade de várias espécies após a soltura [...].

        Experimentos com a truta-arco-íris (Oncorhynchus mykiss) mostraram que o estresse associado à captura é suficiente para suprimir a produção de hormônios reprodutivos. [...] Efeitos semelhantes foram relatados para o achigã, ou largemouth bass (Micropterus salmóides), e outros do gênero Micropterus soltos após a captura. Por outro lado, estudos de campo com o robalo-branco, ou common snook (Centropomus undecimalis), mostraram que o bloqueio dos ovários e a atividade reprodutiva foram similares em animais submetidos ao pesque-solte e naqueles não pescados.

        Em espécies que cuidam de seus ninhos, como o achigã, o achigã-da-boca-pequena (smallmouth bass, Micropterus dolomico) e outros, a remoção do macho pode deixar o ninho vulnerável à predação. [...]. Isso pode ocorre também com espécies brasileiras com o mesmo comportamento, como acarás (vários gêneros) e tucunarés (gênero Cichla). [...] Para espécies que guardam a prole na boca, como alguns acarás e o aruanã-prateado (Osteoglossum bicirrhosum), da Amazônia, o pesque-solte pode ser um desastre. [...].

        Os peixes são os últimos animais capturados pelos humanos, em grande escala. Cerca de 90% dos estoques pesqueiros marinhos já ultrapassaram seu nível ótimo de produção devido à pesca excessiva e 25% das espécies de água doce foram extintas em razão da canalização dos rios, do desmatamento das margens, da construção de represas e da poluição doméstica e industrial. O ditado diz que “o peixe morre pela boca”, e se continuarmos assim estamos condenados a morrer de solidão em um mundo sem animais.

Miguel Petrene Jr. Revista Ciência Hoje, n° 317, p. 16-19, ago. 2014.

                  Fonte: Livro – Para Viver Juntos – Português – 9º ano – Ensino Fundamental – Anos Finais – Edições SM – p. 126-8.

Entendendo o artigo:

01 – Releia este trecho da linha fina.

        “[...]Os que defendem essa forma de lazer alegam que ela ajuda a preservar suas populações, mas outros a criticam, por causar estresse, lesões e até sua morte.”

a)   As justificativas do grupo favorável ao pesque-solte e do grupo contrário são apresentadas como fato ou opinião? Comprove sua resposta.

Justificativa do grupo favorável: apresentada como opinião. As pessoas desse grupo dizem algo, é a visão delas; uma alegação.

Justificativa do grupo contrário: apresentada como fato. O pesque-solte causa efetivamente prejuízos.

b)   Segundo o texto integral da linha fina, o pesque-solte seria justificável ou reprovável? Explique.

Reprovável, pois se diz ali que estudos internacionais confirmam o estresse e as lesões causadas aos peixes.

02 – Apesar da posição de alerta quanto ao pesque-solte, o artigo é produzido sem que se tome partido de forma passional. Mostre como cada trecho a seguir comprova essa declaração.

I – “Seria possível justificar o tratamento supostamente cruel aos peixes por resultar em grandes benefícios aos humanos, como em pesquisas laboratoriais [...]”.

II – “[...] o bem-estar dos peixes depende da ausência de dor, embora ainda não se saiba se esses animais de fato a sentem (ao menos como é sentida por humanos)”.

      I – Ao escrever “supostamente”, o autor indica que o tratamento dado aos peixes não é consensualmente cruel.

      II – Ao escrever “embora ainda não se saiba...”, o autor indica que não há prova definitiva de dor sentida pelos peixes ou do tipo de dor que podem sentir.

03 – O fato de não se saber se os peixes de fato sentem dor invalida o argumento ético?

      Não. De qualquer forma, há um desrespeito ao animal, pois o estresse é confirmado, assim como o são outras consequências danosas.

04 – O texto faz uma explanação didática dos tipos de pesca.

a)   Construa um esquema para representa-los.

Pesca: Amadora – àquela em que o peixe não pode ser comercializado. 1 – Com o consumo do peixe. 2 – Com a soltura do peixe após a captura (pesque-solte): a) Mandatória; b) Voluntária.

Profissional – aquela em que o peixe é comercializado. 1 – Artesanal. 2 – Industrial.

b)   Explique a importância desse detalhamento.

Todos os termos da área ficam esclarecidos ao leitor, e isso é necessário porque várias daquelas designações são usadas no artigo. Além disso, não há o risco de o leitor julgar a pesca amadora como inofensiva apenas, ou o de julgar a pesca profissional como uma ameaça, pois a extensão dos termos é previamente esclarecida.

05 – No texto, por qual outra palavra o critério pragmático foi indicado?

      Fisiológico.

06 – Releia o final do texto e responda às questões a seguir.

a)   Qual o significado literal e o figurado do ditado citado?

Literalmente, a frase significa que o peixe morre quando morde a isca lançada pelo pescador. No sentido figurado, o ditado indica que devemos ter cuidado com aquilo que dizemos, porque podemos estar engolindo uma “isca”, uma armadilha que nos lançaram.

b)   A que o autor se refere ao escrever “se continuarmos assim”?

Se continuarmos matando o peixe pela boca.

c)   O autor empregou o ditado no sentido literal ou figurado? Explique.

Literal. Ele quis alertar para o fato de que ficaremos sem os animais, se continuarmos eliminando os peixes por meio da pesca (seja com o consumo deste, seja com sua soltura, pois esta também os atinge).

07 – Existem outros aspectos relativos à pesca que podem ser abordados em um artigo de divulgação científica, como a pesca predatória e a pesca industrial em larga escala. O autor do texto não discute essas questões. Por quê? Essa escolha é um defeito do texto? Explique.

      Um artigo de divulgação científica como esse tende a aprofundar a discussão, por isso escolhe-se um aspecto, justamente para ele poder ser bem trabalhado. Dessa forma, a ausência de outros aspectos (não pertinentes ao tema escolhido) não é considerada um defeito, justamente porque o autor não se propôs a discuti-los.