segunda-feira, 28 de setembro de 2020

CRÔNICA: PEDRO, O HOMEM DA FLOR.... STANISLAW PONTE PRETA - COM GABARITO

 CRÔNICA: PEDRO, O HOMEM DA FLOR...                       

                   Stanislaw Ponte Preta

Quando anoitece, Pedro pega a sua clássica cestinha, enche de flores, cujas hastes teve o cuidado de enrolar em papel prateado, e sai do barraco rumo à Copacabana, onde fica até alta madrugada, entrando nos bares - em todos os bares, porque Pedro conhece todos - vendendo rosas.

Quando a cesta fica vazia, Pedro conta a féria e vai comer qualquer coisa no botequim mais próximo. Depois volta para casa como qualquer funcionário público que tivesse cumprido zelosamente sua tarefa, na repartição a que serve.

Conversei uma vez com Pedro - o homem da flor. Já o vinha observando quando era o caso de estar num bar em que ele entrava. Vira-o chegar e dirigir-se às mesas em que havia um casal. Pedia licença e estendia a cesta sobre a mesa. Psicologia aplicada, dirão vocês, pois qual homem que se nega a oferecer flor à moça que o acompanha, quando se lhe apresenta a oportunidade? Sim, talvez Pedro seja um bom psicólogo mas, mais que isso, é um romântico. Quando o homem mete a mão no bolso e pergunta quanto custa a flor, depois de ofertá-la à companheira, Pedro responde com um sorriso:

- Dá o que o senhor quiser, moço. Flor não tem preço.

Como eu ia dizendo, conversei uma vez com Pedro e, desse dia em diante, temos conversado muitas vezes. Ele sabe de coisas. Sabe, por exemplo, Que a rosa branca encanta as mulheres morenas, enquanto as louras, invariavelmente, preferem rosas vermelhas. Fiel às suas observações, é incapaz de oferecer rosas brancas às mulheres louras, ou vice versa. Se entra num bar e as flores de sua cesta são todas de uma só cor, não coincidindo com o gosto comum às mulheres presentes, nem chega a oferecer sua mercadoria. Vira as costas e sai em demanda de outro bar, onde estejam mulheres louras, ou morenas, se for o caso.

O pequeno buquê de violetas - quando as há - é carinhosamente arrumado pelas suas mãos grossas de operário, assim como também as hastes prateadas das rosas. Saibam todos os que se fizeram fregueses de Pedro - o homem da flor - que aquele papel prateado artisticamente preso na haste das rosas e que tanto encantava as moças foi antes um comum papel de maços de cigarros vazios, que o próprio Pedro recolheu por aí, nas suas andanças pela madrugada.

Sei que Pedro ama sua profissão, tira dela o seu sustento, mas acima de tudo esforça-se por dignificá-la. Não vê que seria um mero mercador de flores!

Lembro-me da vez em que, entrando pelo escuro do bar, trouxe nas mãos a última rosa branca para a moça morena que bebia calada entre dois homens. Quando os três levantaram a cabeça ante a sua presença, pudemos notar - eu, ele e as demais pessoas presentes - que a moça era linda, de uma beleza comovente, suave, mas impressionante.

Pedro estendeu-lhe a rosa sem dizer uma palavra e, quando um dos rapazes quis pagar-lhe, respondeu que absolutamente era nada. Dava-se por muito feliz por Ter tido a oportunidade de oferecer aquela flor à moça que lá estava. E sem ousar olhar novamente pra ela, e disse:

- Mais flores eu daria se mais flores eu tivesse!

Assim é Pedro - o homem da flor.

Discreto, sorridente e amável, mesmo na sua pobreza. Vende flores quase sempre e oferece flores quando se emociona. Foi o que aconteceu na noite em que, mal chegado à Copacabana, viu o povo que rodeava o corpo do homem morto, vítima de um mal súbito. Só depois que soube que Pedro o conhecia do tempo em que era porteiro de um bar no Lido. Na hora não. Na hora ninguém compreendeu, embora todos se comovessem com seu gesto, ali abaixado a colocar todas as suas flores sobre as mãos do homem morto. Pois foi o que Pedro fez, voltando em seguida para a sua favela do Esqueleto.

Naquela noite, não trabalhou.

ENTENDENDO A CRÔNICA

1)   A personagem Pedro vendia flores em

a)   Bares de Copacabana.

b)   Favelas no Esqueleto.

c)   Portarias no Lido.

d)   Repartições públicas.

 

2)   No segundo parágrafo, o narrador relata o sucesso da venda de flores quando Pedro

a)   Enrola as hastes em papel prateado.

b)   Enrola as hastes das flores e sai.

c)   Entra nos bares e fica até de madrugada na rua.

d)   Conta o dinheiro e vai comer.

 

3)   O fato que origina a crônica é a observação do narrador sobre

a)   O comportamento do vendedor.

b)   A disposição das mesas do bar.

c)   O mistério das mulheres.

d)   A organização das flores no cesto.

 

4)   O narrador apresenta a fala do personagem na seguinte passagem.

a)   “Conversei uma vez com Pedro – o homem da flor.”

b)   “Sim, talvez seja um bom psicólogo”.

c)   “Mais flores daria se mais flores tivesse”.

d)   “Assim é Pedro – o homem da flor”.

 

5)   Do trecho “Naquela noite não trabalhou”, pode-se deduzir que a personagem

a)   Deixara todas as suas flores no chão.

b)   Era uma pessoa cheia de amargura.

c)   Estava cansado de vender flores.

d)   Ficara triste com a morte do colega.

 

6)   O narrador conta a trajetória profissional de seu personagem com

a)   Hostilidade e arrogância.

b)   Tristeza e arrependimento.

c)   Espanto e simpatia.

d)   Ironia  e desprezo.

TEXTO: DROGA: UMA "DOENÇA DEGENERATIVA" QUE ESTÁ DEBILITANDO O "ORGANISMO SOCIAL" EM QUE VIVEMOS - MARCONDES TORRES - COM GABARITO

 Droga: uma “doença degenerativa” que está debilitando o “organismo social” em que vivemos                                              

                          Marcondes Torres

 O consumo de drogas é cada vez mais presente em nosso dia a dia, isso por que a circulação e o tráfico desse entorpecente se intensificaram enormemente nas últimas décadas por mais que as autoridades tenham investido bastante no combate a entrada deste “vírus” que afeta toda e qualquer pessoa independentemente de classe social.

Os usuários são indivíduos que, na maioria das vezes, não possuem boas condições financeiras o que os leva a viver em um verdadeiro inferno de desolações que é o mundo de fantasias dos dependentes químicos. Infelizmente, as sociedades em geral julgam superficialmente os drogados sem saberem das suas intimidades e história de vida, as quais estão diretamente ligadas ao convívio familiar.

Geralmente, os dependentes químicos foram induzidos por amigos ou conhecidos a usarem drogas, uma vez que estas lhes conferem uma sensação momentânea de prazer e bem estar. Mas, posso afirmar com certeza que após os efeitos alucinantes dos entorpecentes as consequências são devastadoras e duradouras. Aliás, o uso de drogas proporciona, sem dúvida alguma, mais desvantagens para quem consome do que vantagens, se bem que esta última não existe para quem usa drogas, isso é simplesmente indiscutível. Creio que não preciso entrar em detalhes a respeito desse argumento, afinal de contas esta não é a minha intenção, pois, suponho que todos ou quase todos saibam das consequências do uso contínuo de drogas em geral. Só lembrando aos leitores que semanticamente a palavra droga já define por completo a sua futilidade.

É importante lembrar também que conflitos familiares passam a ser constantes nos lares de qualquer família que possui pelo menos um dos membros dependente das drogas.

Para finalizar quero deixar claro que o uso de drogas não só no Brasil, mas em todo o mundo está virando uma epidemia sem controle. Aliás, já virou uma “doença degenerativa” que está sufocando e debilitando, de certa forma, o “organismo social” em que vivemos. Em outras palavras, as autoridades devem e podem investir mais em políticas públicas e campanhas educativas voltadas ao combate tanto do tráfico como do uso de drogas, sobretudo em locais públicos. Afinal, os “donos” do poder também são seres humanos que, consequentemente, fazem parte desse organismo social que, como uma joia preciosa, devemos zelar e proteger, pois é usufruto de todos, inclusive das novas gerações. Acredito que em primeiro plano deve-se investir principalmente em educação que é o combustível que move todo e qualquer país, estado ou cidade.

ENTENDENDO O TEXTO

1)   As aspas têm como função destacar uma parte do texto, delimitar citações ou realçar uma palavra ou expressão. A aspa utilizada pelo autor na palavra “donos” indica que

a)   há preocupação dos governantes em combater as doenças degenerativas.

b)   os governantes estão incluídos no organismo social e devem zelar por ele.

c)   o poder público deve investir em políticas públicas ao combate do tráfico de uso de drogas.

d)   o poder público não está investindo em políticas públicas ao combate do tráfico de uso de drogas.

 

2)   A tese defendida pelo autor é:

a)   Insuficiência de investimento feito pelas autoridades no combate ao uso de drogas.

b)   O consumo de drogas tem se intensificado como um “vírus” na últimas décadas apesar de todo investimento das autoridades.

c)   A falta de investimento pelas autoridades tem aumentado o número de usuários de drogas.

d)   Os usuários de drogas são indivíduos que na maioria das vezes não possuem boas condições financeiras.

 

3)   O texto: Droga: uma “doença degenerativa” que está debilitando o “organismo social” em que vivemos é um(a)

a)   Artigo de opinião.

b)   Editorial.

c)   Resenha.

d)   Crônica.

 

 

ARTIGO: O PROTAGONISMO DAS MANIFESTAÇÕES ESTÁ NO SOCIAL, E NÃO NO FACEBOOK - MARCOS HILLER - COM GABARITO

 ARTIGO: O protagonismo das manifestações está no social, e não no Facebook

                                              Marcos Hiller

Compreender essas interações mediadas pelas tecnologias digitais tem sido para mim uma questão central para a reflexão da sociedade contemporânea na medida em que se evidenciam transformações de ordem social, cultural, política e econômica.

 Ao pensarmos sobre o que está acontecendo hoje no Brasil, devemos ter um cuidado extremo para não cairmos em análises simplistas das manifestações e de todas essas movimentações sociais que assistimos diante de nossas janelas, televisores e telas de smartphones. Muitas das coisas que ando lendo colocam, por exemplo, o Facebook como um fator fundamental e protagonista do que estamos presenciando. Eu não parto dessa lógica. Colocar o Facebook como ferramenta principal de tudo isso que é, para mim, um argumento míope, raso e inconsistente.

O próprio uso do termo revolução, que aparece em textos, comentários e opiniões nas mídias e sobretudo nas nossas timelines, deve ser repensado. Será que estamos diante de uma revolução? Acho que não e ainda é muito cedo para concluir isso. Compreender essas interações mediadas pelas tecnologias digitais tem sido para mim uma questão central para a reflexão da sociedade contemporânea na medida em que se evidenciam transformações de ordem social, cultural, política e econômica.

Olhando no retrovisor da história, tivemos sim uma revolução da escrita no Oriente Médio no século V, ou então a revolução da imprensa de Johannes Gutemberg no século XV e até mesmo a tão estudada Revolução Industrial no século retrasado. Revolução significa ruptura. Significa que antes era de uma forma e depois ficou de outra. Na própria Revolução Industrial, coloca-se equivocadamente a máquina como o protagonista do acontecimento. O protagonismo está na apropriação social das pessoas sobre o surgimento da máquina, e não na máquina. É o mesmo que colocar, equivocadamente, o microblog Twitter como protagonista do que vimos acontecer na chamada Primavera Árabe. A queda de governos no Oriente Médio foi causada pelas pessoas e pela apropriação social das pessoas sobre essas redes sociais digitais. Sempre no social.

Vive-se hoje uma nova revolução? Uma revolução, ainda em curso, implementada pelas tecnologias digitais e ocasionando importantes transformações no interior dos distintos aspectos da sociedade? Há quem acredite que sim, que há uma revolução. Eu não partilho dessa opinião. Podemos ver contundentes transformações em todos os campos sociais, econômicos, políticos e culturais. Diferentemente de outras manifestações similares no Brasil e no mundo, dessa vez, vemos produtos culturais sendo apropriados pelas pessoas (sempre pelas pessoas) como, por exemplo, a música da banda O Rappa (“Vem pra rua”), utilizada em um filme publicitário da montadora FIAT e com o mote da Copa do Mundo, mas que já virou uma espécie de hino desses levantes. Ou então a máscara branca do grupo “Anonymous”, sendo utilizada como símbolo central e mascarando e ocultando rostos de muitas pessoas. Sem falar dos cartazes com frases de protesto e dizeres bem humorados.

Neste texto, eu coloco a minha reflexão sobre o que estamos vendo, e opto pela não-adoção do termo revolução para classificar essas transformações que evidenciamos. Os argumentos de algumas pessoas carregam um tom radicalmente revolucionário, fazendo crer que tudo aquilo que antes era passado, passa a ser agora de forma diferente, antagonizando e contradizendo o que passou. Se não existisse Facebook, estaria acontecendo toda essa mobilização social nas ruas? Certamente sim. Não é uma página de web, na verdade uma grande mídia originada em um dormitório de Harvard, que deve ser colocada no centro dessas transformações sociais, políticas e econômicas que podem estar por vir. Tudo bem que o Facebook e outras plataformas podem é contribuir de forma interessante no sentido de articular encontros e mobilizar pessoas. Mas os atores principais dessa história toda são e sempre serão as pessoas, o povo, o social. Oras, nem metade do Brasil possui acesso à Internet e cerca de um terço do país acessa o Facebook, sendo que desses, cerca de 30 milhões acessam o site de Mark Zuckerberg na palma na mão. O fato é que ainda é muito cedo para prever no que resultará toda essa mobilização. O preço das passagens já voltaram ao valor anterior. Mas o que realmente está por vir, eu não me arrisco a prever.

ENTENDENDO O TEXTO

1)   O texto acima trata principalmente

a)   do facebook como protagonista das manifestações que estão sendo presenciadas no Brasil.

b)   da revolução industrial que aconteceu  no século retrasado, tendo o microblog Twitter como protagonista.

c)   das plataformas que devem contribuir de forma interessante no sentido de articular encontros e mobilizar pessoas.

d)   dos atores responsáveis pelas manifestações que são: as pessoas, o povo, o social.

 

2)   A partir da leitura do texto pode-se afirmar que é fato

a)   a inexistência das redes sociais nas manifestações.

b)   a existência das redes sociais nas manifestações.

c)   o aparecimento das revoluções a partir do Facebook.

d)   o Facebook como principal responsável pelas manifestações.

 

3)   Os termos mas (4º parágrafo) e se (5º parágrafo) indicam

a)   Condição e causa.

b)   Causa e oposição.

c)   Condição e oposição.

d)   Oposição e condição.

 

TEXTO: A CARREGADORA DE PEDRAS - SÔNIA BIONDO - COM GABARITO

 TEXTO: A CARREGADORA DE PEDRAS

                                     Sônia Biondo


     Desde que conquistou o direito à jornada dupla de trabalho, a chamada mulher moderna ainda parece estar longe de conseguir desfazer o mal-entendido que provocou a briga pela igualdade profissional com os homens. Não era bem isso o que desejava. Mas, no afã de se liberar de outras opressões, ela acabou partindo para o mercado de trabalho como se ele fosse a solução de todos os problemas financeiros, conjugais, maternais e muitos outros “ais”. E pagou o preço da precipitação, claro. 

            Agora não adianta chorar sobre o leite derramado – até porque a maior parte das vezes continua sendo ela que vai limpar, ah, ah! Falando sério, todas nós sabemos que há muito a fazer para promover alguns ajustes e atualizações nessa relação de direitos e deveres de homens e mulheres. Como falar sobre isso ajuda, vamos lá.

           Em primeiro lugar, a questão do tempo livre. Que não existe, de fato. Aquele ditado “descansa carregando pedras” foi feito para ela. Trabalhando fora ou dentro de casa, a mulher dificilmente se livra da carga das tarefas domésticas, mesmo que não se envolva pessoalmente. Costuma ser dela a responsabilidade pela arregimentação das empregadas, faxineiras, babás, jardineiros, lavadeiras, passadeiras, prestadores de serviço em geral, sem falar no abastecimento da casa. (...)

     Depois, com o desaparecimento gradual da parceria patroa/empregada doméstica, homens e mulheres terão, mais cedo do que se pensam, que lidar com a administração do caos doméstico. Sem privilégios. E a primeira providência para esse futuro cor-de-rosa começa com a educação progressista dos filhos, os novos maridos e esposas que contarão com uma boa ajuda de um arsenal de maravilhas eletrônicas – entre elas, a de empregada-robô. Que não enguiça. Porque, se enguiçar, já sabem quem vai mandar consertar. Ou não?

 ENTENDENDO O TEXTO

 1)   O tema do texto é

a)   a conquista da dupla jornada de trabalho das mulheres.

b)   o desaparecimento gradual da parceria patroa/empregada.

c)   a sobrecarga de trabalho da mulher moderna.

d)   a briga da mulher moderna pela igualdade profissional.

 

2)   A partir da leitura do texto podemos afirmar que a chamada mulher moderna

a)   apesar  de conquistar a igualdade profissional não solucionou seus problemas.

b)   conquistou igualdade profissional com os homens e se livrou das tarefas domésticas.

c)   descansa nos horários de folga, e se livra do doce organograma do lar.

d)   partiu para o mercado de trabalho para resolver todos os seus problemas.

    

3)   No texto, a expressão “...não adianta chorar sobre o leite derramado” tem o sentido de

a)   se o leite, literalmente, for derramado às mulheres que irão limpar.

b)   que o direito de igualdade foi adquirido, porém foi mal-entendido.

c)   que as mulheres podem reclamar o cumprimento dos seus direitos adquiridos.

d)   que a solicitação feita pelas mulheres foi atendida e não há como mudá-la.




 

ARTIGO: POR QUE O MUNDO ESTÁ TÃO DESORIENTADO - DOMENICO DE MASI - COM GABARITO

 ARTIGO: POR QUE O MUNDO ESTÁ TÃO DESORIENTADO

Domenico de Masi

   Se eu tivesse de indicar qual denominador comum psicológico caracteriza a sociedade atual no mundo inteiro, não teria dúvida. Alguns povos são dominadores, outros, submissos; alguns são tímidos, outros agressivos. Há os desorganizados e os extremamente metódicos. Alguns são laicos e outros
fundamentalistas. Também existem os povos voltados para a modernidade e outros que são tradicionalistas. No entanto, todos os povos do mundo estão, hoje, desorientados.
          O que leva a essa desorientação é a rapidez e a multiplicidade das mudanças. Seis séculos antes de Cristo, quando as transformações ocorriam lentamente, Heráclito escreveu: "É na mudança que as coisas se assentam". Mas poderíamos dizer isso hoje? A invenção das técnicas para dominar o fogo, o desenvolvimento da agricultura e do pastoreio na Mesopotâmia, as grandes descobertas científicas e geográficas realizadas entre os séculos XII e XVI representam saltos.

          No entanto, nenhuma dessas mudanças se realizou em espaço de tempo inferior à vida média de uma pessoa. Nenhum ser humano pôde assistir ao processo inteiro.
         Hoje as coisas são diferentes. Ao longo de poucas décadas, passamos de uma economia industrial centrada na produção de automóveis e de eletrodomésticos a uma economia pós-industrial centrada na produção de serviços, informação, símbolos, valores e estética.

          Passamos de uma cultura moderna de livros e de jornais a uma pós-moderna feita de televisão e internet. Saímos do poder exercido por capitães da indústria para o de cientistas, artistas e da mídia de massa. (...)
         É como se, de improviso, uma imensa avalanche, uma enorme massa d’água, uma erupção vulcânica e um terremoto se abatessem de uma só vez sobre uma região tranquila, aterrorizando seus habitantes.

           Alguns desses habitantes talvez até contassem com a destruição, mas a grande maioria foi surpreendida durante o sono e vive agora na maior desorientação.(...)
          Quem está desorientado passa, de fato, por uma profunda sensação de crise, e quem se sente em crise deixa de projetar o próprio futuro. Quando uma pessoa, uma família ou um país renuncia a projetar seu futuro, outro o projetará no lugar deles. E não fará por bondade altruísta, mas em proveito próprio.


(Revista Época, p. 92, 13/09/2007)SARESP/2003.

ENTENDENDO O TEXTO

1)   “Passamos de uma cultura moderna de livros e de jornais a uma pós-moderna feita de televisão e internet”. Indique o trecho em que o autor emite uma opinião a respeito da constatação apresentada acima.

a)   “Saímos do poder exercido por capitães da indústria para o de cientistas, artistas e da mídia de massa”.

b)   “E não fará por bondade altruísta, mas em proveito próprio.”

c)   “No entanto, nenhuma dessas mudanças se realizou em espaço de tempo inferior à vida média de uma pessoa.”

d)   “É como se, de improviso, uma imensa avalanche (...) se abatessem de uma só vez sobre uma região tranquila, aterrorizando seus habitantes.”

2)   Assinale a alternativa que melhor expresse a tese defendida pelo texto.

a)   Alguns povos são dominadores; outros submissos.

b)   Alguns povos são tímidos; outros, agressivos.

c)   É desnecessário fazer projetos para o futuro.

d)   Todos os povos do mundo estão, hoje, desorientados.

3)   Identifique a alternativa que apresenta marcas do autor e do leitor do artigo, respectivamente:

a)   “tivesse de indicar qual denominador comum psicológico”.

“Alguns desses habitantes talvez até contassem com a destruição.”

b)   “Heráclito escreveu: ‘É na mudança que as coisas se assentam”.

“Nenhum ser humano pôde assistir ao processo  inteiro”.

c)   “A invenção das técnicas para dominar o fogo, (...) representam saltos”.

“No entanto, nenhuma dessas mudanças se realizou”.

d)   “não teria dúvida”. “poderíamos dizer isso hoje?”

 

4)   Leia as sentenças abaixo.

I . “Há os desorganizados e os extremamente metódicos”.

II. “Também existem os povos voltados para a modernidade e outros que são tradicionalistas.”

III. “Saímos do poder exercido por capitães da indústria para o de cientistas, artistas e da mídia de massa.”

 

Assinale a alternativa que apresenta somente argumentos relacionados à tese:

a)   I.

b)   II e III.

c)   III.

d)   I, II e III.

5)   “Passamos de uma cultura moderna de livros e de jornais a uma pós-moderna feita de televisão e internet”.

Indique o trecho em que o autor emite uma opinião a respeito da constatação apresentada acima:

a)   “Saímos do poder exercido por capitães da indústria para o de cientistas, artistas e da mídia de massa”.

b)   “E não fará por bondade altruísta, mas em proveito próprio.”

c)   “No entanto, nenhuma dessas mudanças se realizou em espaço de tempo inferior à vida média de uma pessoa.”

d)   “É como se, de improviso, uma imensa avalanche (...) se abatessem de uma só vez sobre uma região tranquila, aterrorizando seus habitantes.”

 

6)   De acordo com o autor, Heráclito teria escrito: “É na mudança que as coisas se assentam”.

Assinale a alternativa que traz uma opinião divergente:

a)   “(...) Todos os povos do mundo estão hoje desorientados.”

b)   “Se eu tivesse que indicar (...) não teria dúvida”.

c)   “Hoje as coisas são diferentes”.

d)   “Nenhum ser humano pôde assistir ao processo inteiro”.

 

7)   Em “Alguns são laicos e outros fundamentalistas tem posições relacionadas com:

a)   doutrinas religiosas.

b)   modernidade.

c)   industrialização.

d)   desorientação.