quarta-feira, 22 de maio de 2019

POEMA: MUSA IMPASSÍVEL - FRANCISCA JÚLIA - COM GABARITO

Poema: MUSA IMPASSÍVEL
                
         Francisca Júlia

Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o cândido semblante!
Diante de um Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.

Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.



Dá-me o hemistíquio d'ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d'alma; a estrofe limpa e viva;

Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,
Ora o surdo rumor de mármores partidos.

               In Péricles Eugênio da Silva Ramos. Panorama da poesia brasileira:
Parnasianismo, vol. 3. Rio de Janeiro. Ed. Civilização Brasileira, 1959.
Entendendo o poema:

01 – De acordo com o poema, qual o significado das palavras abaixo:
·        Sobrecenho: semblante severo.
·        Idílico: amoroso.
·        Descante: canto.
·        Anguiforme: que tem a forma de serpente.
·        Marcial: relativo à guerra.
·        Hemistíquio: a metade de um verso alexandrino, e, por extensão, de qualquer verso.
·        Creba: repetida.
·        Calhau: fragmento de rocha dura, pedra solta, seixo.

02 – Ao longo do soneto, o sujeito poético tem como interlocutora a sua musa, isto é, a sua fonte de inspiração artística.
a)   Quais as características da musa, presentes no primeiro quarteto?
As características são a impassibilidade: “Um gesto sequer de dor ou de sincero”; a beleza virginal: “o cândido semblante”; e o orgulho, a gravidade: o “sobrecenho austero”

b)   Ainda de acordo com essa estrofe e com os dois versos iniciais do segundo quarteto, que comportamentos a musa deve rejeitar, para manter suas características?
Os comportamentos que a musa deve rejeitar são a tristeza e também o “suave e idílico descante”, isto é, o canto amorosa.

c)   Tais comportamentos lembram que estilo literário? Por quê?
Tais comportamentos lembram o Romantismo, pois são de natureza emocional.

03 – A “Musa Impassível” parnasiana é fundamentalmente anti-romântica. Como o título e os seis versos iniciais do poema justificam a 1ª parte dessa afirmação?
      O título do poema e também seus versos iniciais justificam a 1ª parte dessa afirmação na medida em que caracterizam a musa parnasiana como impassível, impessoal, indiferente e austera; atributos claramente racionalistas e, portanto, anti-românticos.

04 – Nos tercetos aparecem alguns dos principais traços estilísticos valorizados pelos parnasianos, que buscavam sobretudo a perfeição formal, de acordo com os critérios clássicos. Exemplifique tais traços com passagens dessa parte, depois de observar o exemplo abaixo.
Descritivismo impessoal e objetivo (versos elaborados com tal racionalidade e precisão que parecem existir sem interferência humana):

        “Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
        Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,
        Ora o surdo rumor de mármores partidos”.

a)   Preciosismo linguístico e vocabular (busca da palavra rara e perfeita, dos elementos poéticos – a métrica, a rima, as imagens, as estruturas sintáticas, etc.
“Dá-me o hemistíquio d'ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d'alma; a estrofe limpa e viva.”

b)   Culto ao equilíbrio clássico e referências à mitologia greco-latina.
“Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.”

05 – Considerando as características do Parnasianismo percebidas até agora, dê a sua opinião: a poesia parnasiana é resultado da inspiração ou do trabalho, da “transpiração”?
      Para os poetas parnasianos a poesia resulta muito mais de “transpiração” do que de inspiração.

06 – Agora compare os estilos das Escolas Realistas: de um lado o Realismo e o Naturalismo e, de outro, o Parnasianismo. Encontre uma semelhança e uma diferença entre eles.
      O que aproxima essas escolas é a postura racionalista, anti-romântica e os cuidados técnicos na elaboração da obra de arte. Quanto à diferença, enquanto o Realismo e o Naturalismo são engajados politicamente, no Parnasianismo predomina o esteticismo, o ideal da “arte pela arte”.  








TEXTO: VIOLÊNCIA SOCIAL - ALUNO DO 3º ANO ENSINO MÉDIO - COM GABARITO

Texto: VIOLÊNCIA SOCIAL

        A violência no Brasil acontece pela diferença econômica e social que existe nas sociedades nacionais.
        O Brasil está mudando, crescendo e progredindo, só que ainda existe a má distribuição de renda para as populações. Assim o “cidadão” privilegiado vivendo na pobreza, na miséria fica revoltado e tem como solução de vida violentar os outros para sobreviver.
        Para outros a sobrevivência formada na miséria é se adaptar as drogas para fugir da realidade e não saber o que se faz.
        Dentro dessas desigualdades encontra-se o comércio clandestino de armas que se transforma em um ato comum do dia-a-dia do cidadão. A arma é usada como um utensílio “doméstico”.
        Entretanto o Estado deve dar prioridades a classe baixa, investindo em educação, moradia, saúde, uma distribuição de renda bem feita, para chegarem numa condição de vida melhor e para que esta parte social não tenha necessidades de procurarem e violentarem outras pessoas para terem uma vida decente.
                                                      Aluno do 3° ano do ensino médio.
Entendendo o texto:

01 – No primeiro parágrafo do texto contém apenas uma ideia-núcleo, que foi desenvolvida. Além disso, a expressão “nas sociedades nacionais” não foi bem empregada.
a)   Que termo substituiria adequadamente a expressão mencionada?
Classes sociais.

b)   Que ideias secundárias poderiam garantir, nesse parágrafo, o desenvolvimento da ideia-núcleo e a progressão textual?
Entre outras possibilidades, o autor poderia ter descrito o perfil das classes sociais a que se refere.

02 – Na passagem do 1° parágrafo para o 2° parágrafo, não há nenhuma palavra que retome um termo ou uma ideia anteriormente expressos, do que resulta a impressão de que esses parágrafo estão soltos, isto é, sem coesão. Procure perceber a relação entre esses dois parágrafos e responda:
a)   Que ideia do 1° parágrafo o autor tenta desenvolver no 2° parágrafo?
A ideia de que a violência resulta das diferenças entre as classes sociais.

b)   Que outra redação poderia ser dada ao primeiro período do 2° parágrafo, de modo a explicitar a relação de continuidade existente entre os dois?
Essas diferenças sociais continuam existindo, apesar de o país estar mudando, crescendo e progredindo.

c)   Que outras ideias secundárias poderiam dar progressão ao texto, desenvolvendo a ideia-núcleo lançada nesse parágrafo?
As causas da “revolta” do cidadão pobre e as razões de a violência tornar-se uma saída para ele poderiam ser especificadas pelo autor.

03 – No 3° parágrafo, as ideias são pouco desenvolvidas.
a)   Está claro, no texto, a quem se refere o pronome outros da expressão “Para outros”? Caso não, que redação você daria a esse trecho, de modo a garantir a relação de continuidade desse parágrafo com o anterior?
Não. Esse pronome só estaria bem-empregado se, no parágrafo anterior, houvesse uma expressão como “para alguns”. Nesse caso, teríamos algo como “Por outro lado / Para outros, a única forma de sobreviver na miséria é fugindo da realidade por meio das drogas”.

b)   Que outras ideias poderiam ser desenvolvidas nesse parágrafo?
Entre outras, o autor poderia aprofundar a ideia de que miséria e drogas estão relacionadas, tanto no aspecto do consumo quanto no de tráfico.

04 – No quarto parágrafo, o autor emprega uma marca de continuidade, constituída pela expressão “Dentro dessas desigualdades”. Na sua opinião, essa expressão está bem-empregada no conteúdo? Justifique.
      Não, pois tendo a única referência à desigualdade ocorrido no 1° parágrafo (“diferença econômica e social”), ela já se encontra distante: além disso, não se tratou do lado privilegiado da sociedade, de modo que não houve contraposição entre um lado e outro.

05 – O último parágrafo é iniciado com a conjunção adversativa entretanto, cujo papel é estabelecer oposição entre as ideias. Considerando-se a relação que normalmente há entre a conclusão e as partes anteriores de um texto, a palavra entretanto estabelece a conexão adequada à finalização do texto? Se sim, justifique. Se não, aponte a conjunção que substituiria satisfatoriamente a palavra entretanto.
      Não. O sentido pretendido pelo autor é de conclusão. Logo, caberia uma palavra ou expressão como portanto, assim, desse modo, etc.

06 – O texto não fugiu ao tema proposto. Apesar disso, não pode ser considerado um bom texto, em virtude de alguns problemas relacionados à textualidade. Identifique esses problemas.
a)   Ausência de sinalizadores claros de continuidade, que garantem a retomada de palavras e ideias.
b)   Ausência de ideias secundárias, que fundamentam a ideia-núcleo dos parágrafos, de modo a garantir a progresso textual e o grau adequado de informatividade ao texto.
c)   Ausência de introdução, na qual é lançada uma tese ou ideia principal; de desenvolvimento, em que são lançados os argumentos; da conclusão.
d)   Emprego inadequado de termos, o que comprovante a coerência e a coesão das ideias.




TEXTO: POSOLOGIA E CONTRAINDICAÇÕES: VIDE BULA - GUIA DO ESTUDANTE - COM GABARITO

Texto: Posologia e contraindicações: vide bula
                          
    Guia do estudante

        O riso, antes restrito a piadas, comédias e conversas informais, tornou-se “assunto sério”, material de pesquisa. E, depois de muitos estudos acerca desse tema, comprovou-se a estreita ligação entre o senso de humor e a vida harmônica da sociedade: aquele que mantém o sorriso no rosto está mais apto a lidar com seus próprios problemas e a se relacionar com os outros.
        Primeiramente, o bom humor afasta o desespero trazido pelos obstáculos cotidianos que a vida impõe. Frente a situações difíceis e penosas, é comum que as pessoas tenham reações incoerentes e descontroladas, como considerar tudo incontornável. Nesses casos, o riso funciona como uma luz que clareia a questão e aponta bons caminhos. Enfim, os dotados de senso de humor se mostram menos rígidos e mais pró-ativos na resolução dos problemas dia-a-dia.
        A segunda capacidade importante desse estado de espírito é plenamente notada nas relações interpessoais. O riso, por constituir uma linguagem universal, já representa um forte fator de aproximação; enquanto o bom humor tem papel essencial na manutenção de qualquer amizade ou “coleguismo”. Devido ao poder de flexibilidade que essa característica concede, aqueles que a possuem também costumam tolerar mais as diferenças e lidar melhor com as pessoas.
        Há, contudo, limites para o humor; não se deve confundir risos descontraídos com gargalhadas maníacas e constantes. Muitas pessoas veem a vida como uma piada eterna, na tentativa de escapar dos obstáculos encontrados, e têm dificuldades para distinguir os momentos em que é preciso manter uma postura séria e lutar pelo que se deseja.
        Tanto nas questões individuais quanto nas interpessoais, o bom humor tornou-se pré-requisito, pois traz consigo uma gama enorme de qualidades indispensáveis para a vida em sociedade. Deve-se apenas atentar ao “vício do riso” para não o transformar em obsessão. Em todos os outros casos, rir é mesmo o melhor remédio e não tem contraindicações. 

                     Guia do estudante – Redação vestibular 2008. São Paulo: Abril, 2008. p. 44.

Entendendo o texto:

01– O texto inicia-se com uma afirmação.
a)   Que nova ideia é introduzida depois a respeito dessa afirmação?
A ideia de que há uma ligação entre o senso de humor e a vida harmônica da sociedade.

b)   Que palavra retoma a palavra “riso” no 1° parágrafo?
É sorriso.

02 – O 2° parágrafo do texto inicia-se com a expressão Primeiramente. Qual é o papel dessa expressão nesse parágrafo? Indique a resposta CORRETA.
a)   Dar continuidade ao texto, retomando a ideia apresentada no 1° parágrafo.
b)   Introduzir um exemplo, dando progressão ao texto.
c)   Mudar de assunto, introduzindo um exemplo.

03 – No 3° parágrafo do texto:
a)   Que expressão retoma a ideia apresentada no 2° parágrafo, mostrando, através da enumeração. Que haverá uma continuidade do que foi dito nele?
A segunda capacidade importante.

b)   Considerando-se os parágrafos anteriores, há informações novas nesse parágrafo? Justifique.
Sim. O tema é o mesmo, mas nesse paragrafo a estudante aborda um outro aspecto do riso: a contribuição dele para as relações interpessoais.

04 – A sequência de um texto se constrói com um duplo movimento: um de retomada (continuidade) e outro de acréscimo de novas informações (progressão). Releia o 4° parágrafo.
a)   Que palavra faz uma ressalva ao que foi discutido nos parágrafos anteriores?
A palavra contudo.

b)   Que informação nova é acrescentada ao texto, garantindo sua progressão?
Que o humor tem limites.

c)   Levante hipóteses: Por que a estudante que defendeu, nos parágrafos anteriores, o riso, resolve fazer uma ressalva em relação a ele?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Para enriquecer o texto e mostrar que mesmo as coisas boas, em excesso, podem se tornar negativas.

05 – Observe o parágrafo final. Qual é o papel dele no texto?
      Concluir o que estava sendo desenvolvido ao longo do texto e sugerir que devemos rir, pois é o melhor remédio e não tem contraindicações.




terça-feira, 21 de maio de 2019

POEMA: BUDISMO MODERNO - AUGUSTO DOS ANJOS - COM QUESTÕES GABARITADAS

Poema: BUDISMO MODERNO
      
       Augusto dos Anjos

Tome, Dr., esta tesoura, e... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contacto de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

In: REIS, Zenir Campos. Augusto dos Anjos: poesia e prosa. São Paulo: Ática, 1977. p.84.

Entendendo o poema:
01 – Qual é o tema do poema “Budismo Moderno”?
      É um poema fundamentado numa visão pessimista e niilista do budismo que predominou no Ocidente no fim do século XIX e no início do século XX.

02 – O que é Budismo?
      O budismo é a doutrina fixada na crença do desapego material e disseminada por Buda, conforme os estágios das quatro nobres verdades: 
1.   Tudo é dor; 
2.   A dor nasce do desejo; 
3.   A dor cessa com a extinção do desejo; 
4.   Para extinguir o desejo deve-se seguir o caminho dos oito passos da tradição budista. 

03 – O que enfatiza o “Budismo Moderno”?
      O budismo moderno enfatiza a meditação, a leitura e a compreensão racionalista dos textos sagrados. 

04 – Identifique no poema de Augusto dos Anjos, imagens inusitadas que aproximam o texto das propostas de ilogismo e absurdo que seriam feitas pelo Surrealismo cerca de vinte anos mais tarde.
      Principalmente a imagem de cortar a pessoa com uma tesoura.

05 – Relacionar o poema de Augusto dos Anjos ao Simbolismo e ao Naturalismo e observar pontos de contato entre essas estéticas e o poema.
      O poema aproxima-se da estética simbolista quanto à visão de mundo, à dor de existir, ao pessimismo; e aproxima-se da estética naturalista quanto ao vocabulário científico e a visão materialista e científica da vida.


POEMA: CIRCO UNIVERSAL - RAIMUNDO CARVALHO - COM GABARITO

Poema: Circo Universal
        
      Raimundo Carvalho
[...]
O circo chegou
para alegrar meninos
e meninas.

[...]
No começo,
o mundo era sem forma e vazio.
Deus soprou,
e a lona do céu surgiu.
Depois, o resto ficou fácil.

[...]
O circo infinito do mundo
um dia vai ser desarmado.


Outros circos virão
com trapezistas a voar
nas muitas voltas
do tempo circular.

O circo vai embora,
mas deixa um brilho contente
na cara de toda gente.

Nas noites de lua cheia,
as crianças pensam que a lua
é a cara branca de um palhaço divino.
                  
 Raimundo Carvalho; Ivan Luís B. Mota. Circo Universal.
                   In: ____. Circo universal. Belo Horizonte: Dimensão, 2000. p. 27-9.

Entendendo o poema:
01 – O poema apresenta uma visão poética, subjetiva do eu lírico em relação ao circo. Qual é a importância do circo para o eu lírico?
      O eu lírico acredita que o circo proporciona alegria às crianças e, até mesmo quando os espetáculos terminam, as pessoas continuam encantadas.

02 – Compare os trechos a seguir:
I – Depois, o resto ficou fácil.
II – Nas noites de lua cheia, / as crianças pensam que a lua / é a cara branca de um palhaço divino.

a)   Identifique os verbos nos trechos I e II.
Trecho I: ficou. Trecho II: pensam, é.

b)   No trecho II, identifique e escreva a função sintática de cada termo.
Nas noites de lua cheia, – adjunto adverbial; as crianças – sujeito; pensam – verbo transitivo direto; que a lua é a cara branca de um palhaço divino – objeto direto.

c)   Qual trecho possui uma oração? Qual possui duas?
O trecho I possui uma oração. O trecho II possui duas.

d)   O período simples é formado por uma só oração. Sabendo-se disso, qual dos trechos possui um período simples e qual é formado por período composto?
O trecho I, possui período simples. O trecho II, possui período composto.

03 – Observe a frase a seguir:
        “Nas noites de lua cheia, / as crianças pensam que a lua / é a cara branca de um palhaço divino.”
a)   Agora, identifique nessa frase as duas orações.
Primeira oração: Nas noites de lua cheia, as crianças pensam.
Segunda oração: que a lua é a cara branca de um palhaço divino.

b)   Qual das duas orações formadas complementa sintática e semanticamente a outra?
A oração “Que a lua é a cara branca de um palhaço divino” complementa a oração “nas noites de lua cheia, as crianças pensam”.

TEXTO: HOMEM TENTA ENTREGAR CARTA DE AMOR PERDIDA HÁ 76 ANOS- G1/GLOBO - COM GABARITO -


Texto: Homem tenta entregar carta de amor perdida há 76 anos
               Mike Trogdon encontrou envelope nos Estados Unidos.
     Destinatário morreu dois meses antes da descoberta da mensagem.

        Uma misteriosa carta de amor enviada em 1934 foi encontrada em Durham, na Carolina do Norte (EUA), 76 anos depois de ser postada no correio de Salem, na Virgínia (EUA). Intacta, a mensagem destinada a Margaret Davey foi achada pelo diretor de operações da Universidade de Duke. Mike Trogdon ficou intrigado e foi à caça do destinatário.  



        Intacta, carta de amor foi levada para destinatário dois meses depois de sua morte.
        Dentro do envelope havia um cartão desenhado com corações, uma girafa e a mensagem: "na corrida pelo meu amor, você ganhou por um pescoço longo. Então seja meu querido". Ao final, a remetente se identificava como Joyce. 
        Ao pesquisar nos arquivos da universidade, Trogdon descobriu que Margaret Davey se formou em enfermaria no ano de 1935 e se casou com um soldado da Segunda Guerra Mundial. 
        Quando o diretor foi até a casa de Margaret, foi informado de que ela morreu em janeiro deste ano (2010), aos 96 anos. 
        Ao mostrar a mensagem para os filhos da enfermeira, outra revelação: a remetente estava viva e era uma sobrinha distante de Margaret. 
        Joyce está com 82 anos e se emocionou ao rever sua declaração de amor para a tia. "Ela era a minha preferida", disse a senhora.

                         G1/Globo Comunicação e Participações S.A. Homem tenta entregar carta de amor perdida há 76 anos, no caderno “Planeta Bizarro”.
Entendendo o texto:
01 – Nem todos os acontecimentos do dia-a-dia se tornam notícias. É preciso que seja algo diferente e atrativo. A notícia que você acabou de ler é comum? Por quê?
      Não. Pois é incomum encontrar cartas de amor antigas que não foram entregues a seus destinatários. E, se cartas como essa são encontradas, dificilmente a pessoa que as achou procura o verdadeiro destinatário.

02 – Releia a notícia e identifique os elementos que aparecem no lide.
      O fato ocorrido e o local onde aconteceu: uma carta de amor enviada em 1934 foi encontrada na Carolina do Norte (EUA); quando o fato ocorreu: 76 anos depois de ser postada no correio de Salem; as pessoas que participaram do fato: o diretor de operações da Universidade de Duke, Mike Trogdom e a sobrinha Joyce, remetente da carta, de 82 anos; como e por quê: não foram divulgados.

03 – Você pôde perceber que nessa notícia não foram relatados os elementos do lide, no entanto, isso não dificultou o entendimento do fato divulgado. Escreva com suas palavras qual é a função do lide no texto jornalístico.
      O lide serve para resumir o fato sintetizado na notícia, apresentando apenas as informações mais importantes, para que o leitor identifique sobre o que será falado, interessando-se ou não pela leitura integral da notícia.

04 – Nessa notícia, alguns trechos aparecem entre aspas.
a)   O que esses trechos indicam?
Indicam a transcrição das falas de algumas pessoas envolvidas no fato noticiado.

b)   Por que eles são importantes em uma notícia?
Porque a fala das pessoas foram reproduzidas. Além disso, dá credibilidade aos fatos noticiados.

05 – Em uma notícia, costumam ser empregados os verbos no presente do indicativo.
a)   Por que isso ocorre?
Porque os verbos no presente do indicativo indicam que os fatos noticiados são recentes.

b)   Por que, no título da notícia, foi empregado um verbo no presente?
Porque no título, o presente é usado para chamar a atenção para um fato recente.



      

segunda-feira, 20 de maio de 2019

POEMA: ISTO NÃO É UM CACHIMBO - RENÉ MAGRITTE - COM QUESTÕES GABARITADAS

Poema: Isto não é um cachimbo
         
     René Magritte

Magritte desenhou um cachimbo,
com a seguinte legenda embaixo:
"Isto não é um cachimbo." 
Pensei que ele era doido varrido,
ou estava mentindo.
Claro que era um cachimbo,
era igualzinho o do meu avô!
Mas olhei de novo e aí entendi.
Parecia de verdade,
mas não passava de um desenho.
[...]
Uma maçã desenhada não mata fome, 
e cão bravo na tela não morde.
Que sorte! Eu, que adoro desenhar cobra cascavel, 
Já teria ido para o beleléu.
Magritte brincava de misturar fantasia com realidade.
Desenhava os objetos como se fossem de verdade,
só que eles apareciam nos lugares mais engraçados:
nuvens entrando por uma porta,
um ovo preso na gaiola , e por aí afora.
É como sonhar, ir ao cinema, ou ler uma história.
Todo mundo está careca de saber que é tudo inventado,
mas na hora a gente ri e ás vezes até chora.
[...]
       Adriana Abujamra. Magritte: mentira de verdade.
In:____ Traços travessos. São Paulo: Geração Editorial, 2003. p. 40.
Entendendo o poema:

01 – Ao ver a tela de Magritte, em que havia um cachimbo com a legenda “Isto não é um cachimbo”, a criança se assustou. Mas, depois, compreendeu a mensagem que o artista queria transmitir. Qual é essa mensagem?
      A de que o cachimbo no quadro não era um cachimbo, era apenas uma imagem representando um cachimbo: um cachimbo pintado.

02 – Por que o eu lírico compara a arte com sonhar, ir ao cinema, ou ler uma história?
      Porque, ao vermos uma obra de arte, acreditamos que se trata de algo real e, no entanto, ela não passa de uma representação do real. O mesmo ocorre quando sonhamos, vamos ao cinema, ou lemos uma história: envolvemo-nos, rimos, choramos. Isso ocorre porque as manifestações artísticas têm o poder de criar novas realidades, que só existem nestas formas de arte, nestas representações.

03 – Magritte desenhava objetos da vida cotidiana nos lugares mais inusitados. Que efeito isso provoca no público?
      Provoca estranhamento, que leva o público a observar suas obras mais detalhadamente.

04 – Releia os períodos a seguir.  
        “Parecia de verdade, mas não passava de um desenho.”
        “Uma maça desenhada não mata a fome, e cão bravo na tela não morde”.

a)   Quantas orações há em cada período e como elas são classificadas?
Há duas orações. Elas são classificadas como orações coordenadas.

b)   Como são classificados os períodos?
Períodos compostos por coordenação.