domingo, 25 de outubro de 2020

PANFLETO: SOBRE O LIXO - MINISTÉRIO PÚBLICO - DF - COM GABARITO

 Panfleto: Sobre o lixo

 


Ministério Público – Distrito Federal. Disponível em: https://www.mpdftmp.br/portal/index.php/comunicacao-menu/noticias/noticias-2017/9494-cidade-limpa-promotoria-destina-recursos-para-campanha-de-limpeza-urbana. Acesso em: 22/07/22020.

Entendendo o panfleto:

01 – Qual o gênero desse texto?

      Cartaz, folheto/panfleto. Depende da dimensão da reprodução.

02 – Qual a temática desse texto?

      Consciência sobre limpeza urbana.

03 – Qual foi o objetivo do Ministério Público, ao divulgar essa campanha?

      Conscientizar a população.

04 – Que tipo de abordagem foi feita pelo Ministério Público nessa campanha?

      Educada, sugestiva e, ao mesmo tempo, impositiva.

05 – Você concorda com essa abordagem? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

PANFLETO: CARNAVAL DE OFERTAS - COM GABARITO

 Panfleto: Carnaval de ofertas




Disponível em:
https://facebook.com/chevrolet.valesulparanagua/photos/carnaval-de-ofertas-na-valesulgaranta-j%C3%A1-seu-onix-effectvenha-nos-visitarav-bent/1334298003340940/. Acesso em: 22/07/2020.

Entendendo o panfleto:

01 – Do que se trata esse panfleto?

      Venda de veículo automotor.

02 – Qual o seu objetivo?

      Trazer informações sobre o produto que querem vender.

03 – Que recursos ele utiliza para atingir seu objetivo?

      Ele apresenta suas ofertas e formas de pagamento através da linguagem verbal e não verbal.

04 – Retire do texto os elementos destacados abaixo.

a)   Elementos da linguagem verbal.

Carnaval de ofertas; Onix Effect por apenas R$ 53.990; entrada de R$ 24.990 + 33X R$ 1.090,00; primeira parcela só em junho; 41-985053178; 41-30389900; Valesul.

b)   Elementos da linguagem visual.

Fotografia do produto, imagens ilustrativas e logotipos.

05 – O que significa a expressão “Carnaval de ofertas”?

      Carnaval corresponde a um período festivo, em que as pessoas aproveitam para comemorar, festejar e celebrar. A ideia do carnaval de ofertas é que o cliente aproveite esse período para comprar o produto e comemorar a oferta.

06 – Como essa expressão pode convencer o leitor a comprar o carro?

      Argumentando que a época é de festejar também a oferta oferecida no período.

07 – Quais elementos complementam a expressão “Carnaval de ofertas”?

      Os elementos não verbais como as imagens das máscaras, confetes e serpentinas.

08 – Qual frase do anúncio remete a vantagens ao cliente?

      “Primeira parcela só em junho.”

09 – As expressões “por apenas” e “só em junho” foram usadas com que intencionalidade?

      Atrair a atenção dos clientes.







HINO NACIONAL BRASILEIRO (ANÁLISE) - JOAQUIM OSÓRIO DUQUE ESTRADA - COM GABARITO

 Hino Nacional Brasileiro

I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos
Brilhou no céu da pátria nesse instante

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte
Em teu seio, ó liberdade
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada
Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce
Se em teu formoso céu, risonho e límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece

Gigante pela própria natureza
És belo, és forte, impávido colosso
E o teu futuro espelha essa grandeza

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada
Brasil!

II

Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo
Fulguras, ó Brasil, florão da América
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores
Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida, no teu seio, mais amores

Ó Pátria amada
Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde-louro dessa flâmula
Paz no futuro e glória no passado

Mas, se ergues da justiça a clava forte
Verás que um filho teu não foge à luta
Nem teme, quem te adora, a própria morte

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada
Brasil!

Composição: Joaquim Osório Duque Estrada.

Entendendo o hino:

01 – De acordo com o texto de o sinônimo das palavras abaixo, se necessário utilize o dicionário.

·        Fúlgidos: que fulge, fulgente.

·        Penhor: garantia, segurança.

·        Salve: indicação de saudação.

·        Florão: ornato circular em forma de flor.

·        Garrida: elegante, vistosa.

·        Lábaro: bandeira, estandarte, pendão.

·        Flâmula: espécie de bandeirola, galhardete.

·        Clava: bastão ou cajado tosco, resistente e pesado.

02 – Relacione as palavras do texto à seus significados:

(1) Plácidas (verso 1).

(2) Brado (verso 2).

(3) Retumbante (verso 2).

(4) Idolatrada (verso 10).

(5) Vívido (verso 12).

(6) Formoso (verso 14).

(7) Impávido (verso 17).

(8) Colosso (verso 17).

(9) Esplêndido (verso 26).

(10) Fulguras (verso 28).

(11) Seio (verso 33).

 

(6) Belo, gracioso.

(5) Brilhante, luminoso.

(7) Destemido, arrojado.

(1) Calmas, tranquilas, serenas.

(3) Que ressoa, ecoante.

(8) Gigante.

(2) Grito, clamor.

(4) Adorada, venerada, amada.

(11) Interior, âmago.

(9) Admirável, magnífico, grandioso.

(10) Cintilas, realças, brilhas.

03 – Grife todos os adjetivos do texto:

a)   O significado que eles contém são positivos ou negativos? Positivos.

b)   Por que o autor escolheu adjetivos com esse tipo de significado?

Porque o autor quis valorizar, enaltecer o Brasil.

04 – O que valoriza um simples riacho a ponto de ser citado no hino oficial do país?

      Porque nesse local foi proclamada a independência do Brasil.

05 – Segundo o autor, o país passou a ter liberdade com a Independência:

a)   A que tipo de liberdade se refere?

Liberdade política.

b)   Pelas ideias expressas no texto, essa liberdade foi conquistada com luta ou obtida com facilidade? Retire do texto versos que comprovem sua resposta:

         Com luta.

         “Se o penhor dessa igualdade

         Conseguimos conquistar com braço forte (...)

         Desafia o nosso peito a própria morte!”

06 – Ao escrever a expressão “Deitado eternamente em berço esplêndido” o autor quer passar a ideia de o país “estar acomodado, parado” ou “ter condições privilegiadas para o desenvolvimento”? Justifique sua resposta:

      Ter condições privilegiadas para o desenvolvimento. O Brasil possui vários recursos naturais, pois em todo o texto há exaltação de nosso país.

07 – O hino diz que o brasileiro dá a vida por seu país.

a)   Quais os versos que provam essa afirmação?

         “Verás que um filho teu não foge à luta

         Nem teme, quem te adora, a própria morte”

b)   É uma afirmação verdadeira ou não? O que você acha?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Falsa, pois hoje em dia ninguém (ou quase ninguém) tira ou oferece a própria vida pela pátria, por nosso país.

08 – Os versos 5 e 6 afirmam que os brasileiros conseguem fazer do Brasil um país igual às outras nações livres e independentes. Você acha que o Brasil, na sua economia, é um, país realmente livre? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Não, o Brasil ainda não é um país totalmente “livre”. Nosso país ainda é um país subdesenvolvido e que depende de outros países, principalmente em relação à economia.

 

 

 

ARTIGO: POR QUE AS CIDADES COSTUMAM SER MAIS QUENTES DO QUE O CAMPO? UFMT- COM GABARITO

 Artigo: Por que as cidades costumam ser mais quentes do que o campo?

       A sua percepção de que as áreas rurais quase sempre são mais fresquinhas do que as urbanas está correta. Pelo menos, é o que dizem os cientistas. As pesquisas informam que as cidades são mais quentes por conta do fenômeno denominado “ilha de calor urbana”. Simplificando: o calor fica preso nas metrópoles, de onde não consegue sair. O resultado é que as áreas urbanas podem ficar de três a 12 graus mais quentes do que as rurais. Daí, a razão de muita gente desejar trocar a cidade pelo campo no verão.

        Durante o dia, nós absorvemos o calor emitido pelo Sol, os bichos absorvem, assim como as máquinas, as construções... Durante a noite, tudo isso tende a emitir o calor absorvido. Esse calor fica preso na superfície da atmosfera, deixando a temperatura mais quente. Para o calor ir embora, ele tem que ir cada vez mais para cima, como uma pipa subindo no céu.

        Os cientistas achavam que a habilidade de guardar e liberar calor das coisas e das pessoas era o principal motivo das ilhas de calor. Porém, um novo estudo mostrou que o principal responsável é outro: a convecção. Não se espante! Convecção é a forma de transmissão do calor pelo movimento do ar. Ou seja: quando o ar quente sobe para a atmosfera e o ar frio desce para o solo, é a convecção que está atuando. Portanto, aqui está o segredo de o campo ser mais fresco do que a cidade: a superfície da vegetação tem mais convecção do que as paredes lisas de prédios da cidade grande!

        Porém, as coisas não acontecem de forma tão simples assim: o efeito da convecção depende também do clima e do tipo de vegetação. Por exemplo, em áreas secas, como na Caatinga, no Nordeste do Brasil, a vegetação é mais curta e rasteira, tendo menos liberação de calor, se comparada com as cidades. Mas em áreas onde chove mais o campo ganha da cidade em liberação de calor, porque a vegetação frondosa possui mais convecção. Nas cidades, as construções de concreto que estão em todo lugar, como em prédios e asfaltos, são boas em absorver calor e não tão boas em liberá-lo.

        Não é possível eliminar totalmente as ilhas de calor, pois elas resultam das mudanças da paisagem que vêm com o crescimento das cidades. Mas é importante dizer que seus efeitos e impactos podem ser diminuídos. Uma das maneiras é a reflexividade das cidades. Como fazer isso? Pintando os telhados de branco ou instalando telhados verdes, aqueles cobertos por grama ou plantas [...].

        As coberturas claras fazem um melhor trabalho refletindo calor, enquanto os verdes armazenam o calor do Sol, utilizando-o para desenvolver as plantas. Tanto o telhado branco quanto o de cobertura vegetal, ao refletirem o calor, atuam como isolante térmico. Assim, não é necessário usar tanto o ar-condicionado para fazer a casa ficar fresquinha. Resultado: economia de energia.

Raphael de Souza Rosa Gomes; Paulo Vinicius dos Santos Benedito; Deógenes Pereira da Silva Júnior. Programa de Pós-Graduação em Física Ambiental, Universidade Federal de Mato Grosso. Por que as cidades costumam ser mais quentes do que o campo? Ciência Hoje das Crianças, ano 29, n. 279, p. 11, jun. 2016. Disponível em: https://34.213.240.202/revista/chc/279/files/assets/basic-html/index.html#13.  Acesso em: 16 ago. 2018.

Entendendo o artigo:

01 – O texto explica o que é convecção.

a)   Explique esse conceito.

Convenção é a transformação de calor entre o solo e a atmosfera por meio do movimento do ar.

b)   Que conhecimento anterior foi modificado com o estudo desse fenômeno?

A ideia de que as “ilhas de calor” eram provocadas, principalmente, pela habilidade de pessoas e coisas de guardar e liberar calor.

c)   Cite a frase que indica que houve uma mudança no conhecimento que se tinha do assunto.

“Porém, um novo estudo mostrou que o principal responsável é outro: a convecção.”

02 – Releia o primeiro parágrafo.

a)   Qual conceito os produtores do artigo sentiram necessidade de explicar ao leitor?

O conceito de ilha de calor urbana.

b)   Que palavra empregaram para introduzir a explicação?

Simplificando.

c)   O que essa palavra revela sobre como será feita a explicação?

Revela que haverá tentativa de apresentar o conceito de forma acessível, sem dados que possam tornar a exposição excessivamente minuciosa ou técnica.

03 – No terceiro parágrafo, os produtores do artigo dirigem-se diretamente ao leitor com a frase “Não se espante!”.

a)   O que poderia causar o espanto do leitor? Por quê?

O termo convecção, porque não é conhecido e poderia ser considerado muito complexo, ou ainda, algo perigoso.

b)   Qual é o efeito desse comentário sobre o leitor?

O comentário pode chamar a atenção para o conceito ou tranquilizar o leitor que teme uma exposição complexa.

04 – O texto apresenta formas de reduzir o impacto das “ilhas de calor urbanas”. Como isso pode ser feito?

      O calor pode ser reduzido com telhados pintados de branco, para que reflitam o calor, ou cobertos por grama ou plantas, que o armazenam. Nos dois casos, atuam como isolante térmico.

REPORTAGEM: A GUERRA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - EDUARDO SZKLARZ - COM GABARITO

 Reportagem: A guerra da inteligência artificial

                         Eduardo Szklarz

        O robô do teste de Rensselaer, o que demonstrou consciência, [...] não é nenhum gênio. Ele se chama NAO, foi criado em 2010 pela empresa francesa Aldebaran Robotics e consegue manter con – versas simples. Não é um modelo de vanguarda – mas conseguiu fazer algo extraordinário. Na experiência, os cientistas pegaram três robôs desse tipo, e programaram a seguinte instrução na memória deles: “Dois de vocês ficaram mudos”. Os cientistas não informaram quais. Em seguida, perguntaram a cada robô: quem está mudo aqui? Normalmente, os robôs ficam quietos (porque estão mudos), ou respondem “não sei”. Até que, após várias tentativas, um deles teve a sacada: “Desculpe. Eu sei a resposta agora. Eu não estou mudo”. Logo, os mudos são os outros dois. O robô conseguiu enxergar a si próprio “de fora” e raciocinar a respeito. Ou seja, tomou consciência de que existe, e pensou sobre isso. De forma rudimentar, claro. Mas que, até onde se sabe, nenhuma máquina tinha conseguido fazer antes.

        O NAO só conseguiu fazer isso porque foi construído usando o modelo de rede neural artificial – que tenta criar máquinas capazes de pensar por si mesmas. Em vez de programar um conjunto de regras rígidas na memória do robô, ensinando o que ele deve ou não fazer, você deixa que ele aprenda sozinho, por tentativa e erro – o robô experimenta todas as ações possíveis, vê as que apresentam o resultado correto (determinado por você), e passa a adotá-las, eliminando as que não funcionam. É uma estratégia semelhante à da seleção natural. E significa que, quando as circunstâncias mudam, a máquina é capaz de se ajustar a elas e evoluir sozinha, repetindo o processo de tentativa e erro. As redes neurais já estão presentes em algumas coisas do dia a dia (são usadas pelos robôs do Google Imagens para classificar e agrupar as fotos da internet, por exemplo), e são consideradas o caminho mais promissor para a inteligência artificial.

        Mas a capacidade de aprender sozinho também permite agir de forma diferente do esperado. Em junho deste ano, um software de rede neural desenvolvido por dois pesquisadores do Google teve uma reação imprevista. Ele foi treinado para conversar – coisa que aprendeu lendo e analisando 62 milhões de legendas de filmes, baixadas do site. Os pesquisadores fizeram dezenas de perguntas ao robô, como “quantas patas tem um gato?”, “qual a cor do céu?”, “o que é altruísmo?”. Ele acertou, sempre dando respostas bem diretas. Exceto numa das questões. Quando perguntado “de que cor é o sangue?”, a máquina disse: “da mesma cor que um olho roxo”. Uma ameaça velada – que ela certamente aprendeu nos filmes, mas que não tinha sido programada para fazer. Em 2013 o supercomputador Watson, da IBM, passou por um caso parecido. Seus criadores o colocaram para ler o site, que explica os significados de gírias. Não acabou bem. Watson se tornou boca-suja. Um dia, respondeu a um pesquisador dizendo que a pergunta dele era bullshit (expressão chula que significa papo-furado). Ele não tinha sido programado para falar palavrão. Acabou falando.

        Xingar não é o fim do mundo. Mas quando máquinas inteligentes estiverem envolvidas em situações críticas, qualquer surpresa poderá ter consequências graves.

Eduardo Szklarz. Disponível em: https://super.abril.com.br/tecnologia/a-guerra-da-inteligencia-artificial. Acesso em: 8 ago. 2018.

Entendendo a reportagem:

01 – O autor da reportagem fez questão de indicar que o NÃO não é um robô sofisticado. Quais trechos informam isso?

      Os trechos são estes: “Não é nenhum gênio”; “Consegue manter conversas simples” e “Não é um modelo de vanguarda”.

02 – Por que a resposta dada por NÃO foi surpreendente?

      Porque ela não estava programada; o robô chegou a uma conclusão “refletindo” sobre a situação em que estava inserido, enxergando a si próprio, tomando consciência de que existe.

03 – Que aspecto físico permitiu a ele dar essa resposta?

      NÃO foi construído usando o modelo de rede neural artificial.

04 – Explique a semelhança existente entre o modo como NÃO e os seres vivos aprendem.

      A aprendizagem ocorre por tentativa e erro, com o indivíduo verificando quais respostas ou ações têm o resultado esperado e descartando as demais.

05 – Por que o caso de NÃO e o de alguns outros computadores têm preocupado os cientistas e inventores?

      Porque as máquinas têm tido reações imprevistas, o que mostra que não é possível o controle total sobre elas.

ARTIGO DE OPINIÃO: FALAR, CALAR - LYA LUFT - COM GABARITO

 ARTIGO DE OPINIÃO: Falar, calar

                                          Lya Luft

        Hoje eu falo de silêncio. Eu, que amo as palavras, hoje fico nos espaços brancos e nas entrelinhas. Fico ausente, estou ausente embora de longe siga pelo milagre da tecnologia tudo o que acontece onde me leem neste instante.

        Ausente presente como tantas vezes tantas pessoas.

        Nas histórias que relato ou invento, hoje não me interessam tanto as tramas e os personagens: somos todos sombras que andam de um lado para o outro, aparecem e desaparecem em quartos, corredores, jardins. Caem de escadas, jogam-se no poço, naufragam como rostos ou ratos.

        A mim seduzem palavras e silêncios, e jeitos de olhar. O formato de uma boca melancólica, ou o baixar de uma pálpebra que esconde o desejo de morrer ou de matar, ódio ou desamparo, hipocrisia, ah, o olhar sorrateiro, o estrábico olhar dos mentirosos.

        A mim interessam as coisas que normalmente ninguém valoriza. Porque o real está no escondido. Por isso escrevo: para esconjurar o avesso das coisas e da vida, de onde nos vem o medo, que impulsiona como a esperança.

        Nas relações amorosas, sou fascinada pela fração de segundo, o lapso mínimo em que os olhares se desencontram e a palavra que podia ser pronunciada se recolhe por pusilanimidade, egoísmo ou autocompaixão. E a cumplicidade se rompe e a gente se sente sozinha.

        O caminho do desencontro é ladrilhado de silêncios, quando se devia falar, e de palavras quando melhor teria sido ficar calado: e a gente sabia, ah, sim, sabia. Pior: é ladrilhado de gestos que não foram feitos quando o outro precisava.

        E no silêncio o peso da omissão, cumplicidade com o erro, se agiganta.

        [...]

Revista Veja, 7/9/2005.

Fonte: Língua Portuguesa. Viva Português. 9° ano. Editora Ática. Elizabeth Campos. Paula Marques Cardoso. Silvia Letícia de Andrade. 2ª edição. 2011. P. 136-7.

Entendendo o texto:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Esconjurar: afastar ou exorcizar; fazer desaparecer.

·        Pusilanimidade: característica de quem é pusilânime (covarde).

02 – Comparem os períodos, depois façam o que se pede no caderno:

·        “Hoje eu falo de silêncio.”

·        “Eu, que amo as palavras, hoje fico nos espaços brancos e nas entrelinhas.”         

          a)   Classifiquem os períodos em relação ao número de orações.

          O primeiro período é simples e o segundo é composto.

    b)   A autora se caracteriza por meio de uma oração subordinada adjetiva explicativa. Escreva essa oração.

Que amo as palavras.

c)   Qual oração do segundo período:

·        Se opõe à ideia de silencia?

Que amo as palavras.

·        Se refere ao silêncio?

Eu hoje fico nos espaços brancos e nas entrelinhas.

03 – A autora declara que está ausente-presente como tantas pessoas. A palavra ou expressão que melhor indica esse estado é:

a)   Melancolia.

b)   Pusilanimidade.

c)   Silêncio.

d)   Ódio.

04 – Por meio de antíteses, a autora mostra um pouco de sua desilusão. Os pares de palavras que indicam isso são:

a)   Falar x calar.

b)   Ausente x presente.

c)   Aparecem x desaparecem.

d)   Palavras x silêncios.

e)   Tramas x personagens.

05 – A oração subordinada que expressa um fato oposto à ideia da oração principal, confirmando assim as ideias contidas nas questões 2 e 3, é:

a)   “[...] embora de longe siga pelo milagre da tecnologia tudo [...]” (subordinada adverbial concessiva).

b)   “[...] que acontece [...]” (subordinada adjetiva restritiva).

c)   “[...] onde me leem neste instante.” (Subordinada adverbial locativa).

06 – Em seu texto a autora procura explicar o objetivo, a finalidade de sua profissão. A oração subordinada adverbial que indica isso é:

a)   “Porque o real está no escondido.” (Adverbial causal).

b)   “[...] para esconjurar o avesso das coisas e da vida [...]” (Adverbial final).

07 – Leiam a reorganização dos períodos do penúltimo parágrafo:

        “O caminho do desencontro é ladrilhado de silêncios, quando se devia falar, e de palavras quando melhor teria sido ficar calado: e a gente sabia, ah, sim, sabia. Pior: é ladrilhado de gestos que não foram feitos quando o outro precisava.”

        Nesse parágrafo a autora marca os desencontros da vida com momentos. Esses momentos são indicados por orações subordinadas adverbiais temporais. Identifiquem-nas.

      Quando se devia falar; quando o melhor teria sido ficar calado; quando o outro precisava.

TEXTO: INVEJA - KÁTIA FERRAS - COM GABARITO

 Texto: Inveja

            Kátia Ferras

        A jornalista Kátia Ferraz, 40, cresceu ouvindo histórias da avó sobre olho gordo e inveja. Cética, ela nunca deu muita bola e achava que se tratava de folclore.

        Casada e recém-formada com pouco mais de 20 anos, criou com o marido duas empresas: uma de assessoria de comunicação e outra que montava cestas de Natal para empresas.

        Como as encomendas não paravam de chegar, os dois alugaram um galpão grande na Vila Maria, na zona norte de São Paulo. De um dia para o outro, tudo começou a dar errado.

        Eles perderam um cliente grande, em Manaus, que cancelou pedidos, não conseguiram pagar os fornecedores, acabaram perdendo outros clientes, o galpão, acumularam mais dívidas e tiveram que vender os próprios carros para pagar os credores.

        -- "Tudo começou com a visita de um amigo nosso e o padrasto dele lá no galpão", conta.

        Segundo Kátia, o padrasto, desempregado na época, ficou impressionado com as instalações e com aquele monte de cestas.

        -- "Nossa, vocês têm tanta coisa aqui! Tão novinhos e já com tudo isso. A vida é assim: contempla uns e outros não", teria dito ele.

        No dia seguinte, o cliente de Manaus cancelou o pedido. Segundo Kátia, foi um efeito dominó violento. "Chegou uma hora em que não tínhamos dinheiro para mais nada. Começamos a brigar muito e até o nosso casamento acabou", diz a jornalista.

        Para piorar, nos meses em que eles foram afundando, o padrasto do amigo repetia, segundo a jornalista, com prazer, "bem que eu avisei".

        Kátia diz que aprendeu a lição e não conta nada sobre seus planos antes de serem realizados. Um negócio, um emprego, uma compra, ela só mostra depois de realizado. "Não existe inveja boa", diz.

        Além de não existir em versão boa, a inveja é, segundo o psiquiatra e doutor em saúde mental Joaquim Lopes Alho Filho, o único dos sete pecados que pressupõe agressão.

        -- "A inveja é a raiz de toda a violência. O indivíduo pensa "ele é e tem o que eu não sou nem tenho'", diz o médico. "Isso é uma fonte de frustração e o sujeito quer destruir o outro por não ter e não ser."

Folha de São Paulo, 21/4/2005.

Fonte: Língua Portuguesa. Viva Português. 9° ano. Editora Ática. Elizabeth Campos. Paula Marques Cardoso. Silvia Letícia de Andrade. 2ª edição. 2011. P. 52-3.

Entendendo o texto:

01 – Na sua opinião, a inveja pode causar muito mal?

      Resposta pessoal do aluno.

02 – De que maneiras ela pode afetar as pessoas envolvidas?

      Resposta pessoal do aluno.

03 – A jornalista narra alguma ação concreta do padrasto do amigo que possa justificar sua conclusão?

      Não. Ela afirma apenas que ele sentiu inveja.

04 – Releiam: “Kátia diz que aprendeu a lição [...]”.

a)   Que lição é essa?

A de que não se deve contar os planos antes de serem realizados.

b)   A lição aprendida por Kátia se baseia em qual raciocínio?

Se ela contar o plano antes de sua realização, ele não dará certo, pois alguém poderá invejá-la.

05 – Que outras causas mais concretas e facilmente comprováveis a jornalista poderia encontrar para o problema da primeira desistência, a da empresa de Manaus?

      A empresa de Manaus poderia estar passando por dificuldades, ou então um concorrente ofereceu cestas mais baratas.

06 – E vocês? Para explicar acontecimentos do seu dia-a-dia (com amigos, com a família...), vocês procuram causas que possam ser comprovadas ou apelam para causas “nebulosas”?

      Resposta pessoal do aluno.