sábado, 26 de setembro de 2020

PERSONAGENS DO FOLCLORE BRASILEIRO - COM GABARITO

LENDA: Personagens do folclore brasileiro

          CURUPIRA

        A imaginação popular descreve o Curupira como um bicho em forma de moleque, mas muito feio, peludo e de orelhas grandes.

        O Curupira tem os calcanhares virados para frente e os pés virados para trás. Assim, quando seus rastros parecem indicar que ele foi para um lado, ele foi em sentido contrário. É por isso que ninguém consegue encontra-lo na floresta.

        É um ser protetor dos animais e das árvores da selva Amazônica. Conta-se que, durante as tempestades na floresta, é possível ouvir batidas nos troncos das grandes árvores. É o Curupira, que, batendo nelas com um pedaço de pau, verifica se elas vão aguentar o vento.

        Ele castiga sem dá as pessoas que, apenas por simples diversão, matam os animais da floresta e seus filhotes, mas protege os caçadores que caçam apenas o que precisam para se alimentar; protege também os pescadores que se arriscam nos rios na época das grandes chuvas.

 Texto baseado em: http://200.197.201.111/amazonlife/site/faqs/faq105.csp - 4/1/2002.

 

          CAIPORA (ou Caapora)

        O Caipora é um ser protetor dos animais da floresta. Ele os defende e chega a espancar os cachorros dos caçadores. Anda sempre montado num porco selvagem e, durante a noite, observa, escondido, o movimento dos caçadores na mata. Para apavorar quem tem a intenção de matar os animais da floresta, o Caipora assobia fininho e atira pedras. Diz a lenda que ele bate nos cachorros dos caçadores com um cipó para que eles não tenham mais vontade de ajudar seus donos a encontrar os bichos que estes pretendem matar.

        Dizem que um dos poucos jeitos de ficar livre do Caipora é colocar um pedaço de fumo de corda num pau oco. O Caipora vem, pega o fumo, mastiga-o, fica meio tonto e perde toda a vontade de perseguir os caçadores e seus cachorros naquela noite.

Texto baseado em: http://www.terravista.pt/ferNoronha/2152/Piaui/Folclore/Duendes.htm - 4/1/2002.

          BOIÚNA

        A lenda da Boiúna fala de uma cobra imensa que vive no fundo de grandes lagos, rios e igarapés, num lugar chamado boiaçuquara que, na língua dos índios, significa “morada da cobra grande”. Seu corpo é muito brilhante e, à noite, reflete a luz da lua. Seus olhos brilham no escuro como se fossem duas luzes, por isso enganam os pescadores, que, pensando tratar-se das luzes de um barco, aproximam-se da cobra e são devorados por ela.

Texto baseado em: http://200.19.2201.111/amazonlife/site/faqs/faq/105.csp - 4/1/200222.

Fonte: Língua Portuguesa. Entre palavras – Edição renovada. Mauro Ferreira. 5ª série. Ed. FTD – São Paulo – 1ª edição – 2002. P. 123/5 e Manual do professor 38-9.

Entendendo os textos:

01 – Qual o ponto em comum entre os três trechos que você ouviu?

      Os três fazem referência a personagens de lendas brasileiras.

02 – Em relação ao Curupira:

a)   Quais são suas características físicas, isto é, como é a aparência dele?

É um moleque, feio, peludo, de orelhas grandes e que tem os calcanhares virados para a frente e os pés virados para trás.

b)   Ele ataca e castiga qualquer pessoa que encontra dentro da floresta? Justifique.

Não. Ele castiga quem entra na floresta para destruí-la, para matar sem necessidade os animais e seus filhotes. Por outro lado, protege os caçadores e pescadores que tiram da floresta somente o pouco de que precisam para sobreviver.

03 – Em relação ao Caipora:

a)   O que ele faz para assustar e espantar da floresta os caçadores?

Ele assobia fininho, joga pedras e bate com um cipó nos cachorros dos caçadores.

b)   Você conseguiu criar em sua cabeça uma imagem de como é a aparência do Caipora? Justifique.

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Não, porque o texto não informa como é o Caipora; não dá informações sobre o tamanho, a forma, a cor dele, etc.

04 – O último trecho lido faz referência a uma imensa cobre.

a)   Como ela se chama e como ela é?

Chama-se Boiúna. Ela é muito grande, tem o corpo muito brilhante e seus olhos parecem duas luzes.

b)   Segundo o texto, a cobra vive num lugar chamado boiaçuquara. O que significa essa palavra na língua dos índios?

Significa “morada da cobra grande”.

c)   De que maneira a cobra atrai suas presas, isto é, as pessoas que ela ataca?

Ela usa o brilho dos olhos para enganar os pescadores. Eles pensam que são as luzes de um barco, aproximam-se e são devorados pela cobra.

05 – Você conhece alguma lenda? Se conhece, conte-a a seus colegas.

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Todos os povos do mundo têm suas lendas. Em sua opinião, por que elas existem e para que elas servem?

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: As lendas são explicações fantasiosas para fatos cuja compreensão lógica ultrapassa os conhecimentos de um determinado grupo social. Contar/ouvir histórias é uma forma de diversão, de educação e de relacionamento social cultivada há séculos. As lendas são, por isso, importantes para preservar os vínculos culturais de um povo; reforçar os elos entre as gerações e preservar a identidade coletiva do grupo social.

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

TEXTO: UMA LEMBRANÇA PARA GUARDAR COM CARINHO(FRAGMENTO O PEQUENO NICOLAU) - GOSCINNY - COM GABARITO

 Texto: Uma lembrança para guardar com carinho

                                                           Goscinny

   Hoje de manhã todo mundo chegou muito contente na escola, porque nós vamos tirar uma fotografia da classe, que vai ficar de lembrança para a gente guardar por toda a vida, como a professora disse. Ela também disse para todo mundo vir bem limpo e penteado. Eu entrei no pátio do recreio cheio de brilhantina na cabeça. Todos os meus amigos já estavam lá e a professora estava brigando com o Godofredo, que veio vestido de marciano. O Godofredo tem pai muito rico, que compra todos os brinquedos que ele quer. O Godofredo estava dizendo para a professora que ele queria de todo jeito ser fotografado de marciano e que, senão, ele ia embora. O fotógrafo também já estava lá com a máquina, e a professora disse para ele andar logo, porque senão a gente ia perder a aula de matemática. O Agnaldo, que é o primeiro da classe e o queridinho da professora, disse que seria uma pena não ter aula de matemática, porque ele gosta muito e tinha feito todos os problemas. O Eudes, um colega muito forte, queria dar um soco no nariz do Agnaldo, mas o Agnaldo usa óculos e a gente não pode bater nele tanto quanto gostaria. A professora começou a gritar que nós éramos insuportáveis, que se continuasse assim não ia ter mais fotografia e que ia todo mundo para a classe. Aí o fotógrafo disse: “Vamos, vamos, calma, calma. Deixe que eu sei como se fala com criança, vai dar tudo certo.”

       O fotógrafo resolveu que a gente tinha que ficar em três filas: a primeira fila sentada no chão, a segunda em pé em volta da professora, que ia ficar sentada numa cadeira, e a terceira, em pé em cima de uns caixotes. Esse fotógrafo tem boas ideias mesmo. Fomos buscar os caixotes que estavam no porão da escola. Foi muito divertido, porque não havia muita luz no porão e o Rufino enfiou um saco velho na cabeça e ficou gritando: “UUU! Eu sou um fantasma”. E aí a gente viu a professora chegar. Ela não parecia muito contente, então nós saímos depressa com os caixotes. O único que ficou foi o Rufino. Com aquele saco ele não via o que estava acontecendo e continuava gritando: “UUU! Eu sou um fantasma”, e foi a professora que tirou o saco da cabeça dele. O Rufino levou um baita susto. Quando chegou de novo no pátio, a professora largou a orelha dele e bateu com a mão na testa e disse: “Mas vocês estão imundos.” Era verdade, a gente tinha se sujado um pouco fazendo palhaçadas no porão. A professora estava zangada, mas aí o fotógrafo disse que não fazia mal, que dava tempo da gente se lavar enquanto ele arrumava os caixotes e a cadeira para a foto. O único que estava com a cara limpa era o Agnaldo, e fora ele também o Godofredo, porque ele estava com a cabeça dentro do capacete de marciano, que parecia um aquário. O Godofredo disse para a professora: “Está vendo só, professora, se todos tivessem vindo vestidos como eu não tinha acontecido nada disso.” Eu vi que a professora estava com muita vontade de puxar as orelhas do Godofredo, mas não tinha jeito de segurar, no aquário. Essa roupa de marciano é um arranjo incrível!

(Goscinny. O Pequeno Nicolau. Martins Fontes, São Paulo, 1986)

ENTENDENDO O TEXTO 

1. A pessoa que está contando essa história é

(A) o Godofredo, um dos alunos.

(B) o fotógrafo que vai fotografar a classe.

(C) a professora da classe.

(D) um dos alunos da classe.

 

2 "Hoje de manhã todo mundo chegou muito contente na escola, porque nós vamos tirar uma fotografia da classe, que vai ficar de lembrança para a gente guardar por toda a vida". Nesse trecho, as palavras grifadas, todo mundonós, e a gente representam

(A) os alunos da classe.

(B) as pessoas em geral e a professora.

(C) os alunos, a professora e o fotógrafo.

(D) todas as pessoas da cidade.

 

3. O narrador comenta: “Essa roupa de marciano é um arranjo incrível”! porque

(A) com o capacete parece um aquário.

(B) ele acha essa roupa uma fantasia bonita e gostaria de ter uma.

(C) o capacete não deixa que a professora puxe as orelhas de quem está com ele.

(D) o capacete protege o rosto e o aluno não precisa se lavar.

 

4- No trecho "e foi a professora que tirou o saco da cabeça dele", a palavra grifada quer dizer:

(A) do Rufino.

(B) do Godofredo.

(C) do velho.

(D) do Agnaldo.

 

5- Quando o fotógrafo diz "eu sei como se fala com criança", ele quer

(A) fazer uma brincadeira com a professora.

(B) mostrar que pode, com calma, organizar as crianças para a foto.

(C) mostrar que é preciso ser rigoroso com as crianças.

(D) que as crianças tenham medo dele.

 

6) Em “O fotógrafo resolveu que a gente tinha que ficar em três filas:...” os dois pontos servem para

(A) pôr em dúvida a arrumação dos alunos.

(B) obrigar os alunos a ficar em filas.

(C) perguntar como seria cada fila.

(D) apresentar a explicação de como será cada fila.

Fonte: Saresp- LP-6EF- Manha

terça-feira, 22 de setembro de 2020

BIOGRAFIA: LÁZARO RAMOS - COM GABARITO

 Biografia: Lázaro Ramos

        O ator, escritor, apresentador e cineasta Luís Lázaro Sacramento Ramos ou como é mais conhecido Lázaro Ramos já conquistou seu lugar de prestígio no cenário da teledramaturgia e cinema brasileiro.

        Lázaro Ramos nasceu em 1978 em Salvador, Bahia. Aos 15 anos, entrou para o Bando de Teatro Olodum, formado por atores afrodescendentes. Hoje atua em cinema, teatro e TV.

        O ator e escritor é um ativista dos direitos humanos e de conscientização contra o racismo, tendo sido nomeado, em 2009, embaixador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). É também um dos criadores do projeto social Ler é Poder, em sua cidade natal, cujo objetivo é incentivar a leitura. Lázaro escreveu quatro livros infantis: As paparutas (2000), A velha sentada (2010), O caderno de rimas de João (2015) e Cadernos sem rimas de Maria (2018).

          Quem é Lázaro Ramos

        O soteropolitano nasceu em 01 de novembro de 1978 e cresceu em meio ao cenário pobre, porém, rico em cultura na periferia de Salvador. Foi justamente ali que o ator descobriria seu talento e chegaria a ocupar seu lugar no meio artístico.

        Com apenas 10 anos de idade Lázaro Ramos aprendeu teatro na escola e já se apresentava como ator mirim em eventos escolares. Não demorou muito e engajou-se no projeto Bando do Teatro Olodum que integrava jovens às artes cênicas através do teatro e cinema.

        O grupo teatral formado por atores negros era dirigido por Márcio Meirelles que sempre notou o talento nato de Lázaro Ramos.

        Neste tempo o aprendiz de artes cênicas e futuro ator global se dividia entre um laboratório de análises clínicas onde trabalhava para ajudar a sustentar a casa, haja vista, ser filho único e sua mãe estar doente.

        Ao passar em testes pela Rede Globo para o papel de Foguinho na novela Cobras e Lagartos o ator ganhou a simpatia nacional e se tornou um fenômeno. A novela levada ao ar em 2007 garantiu a Lázaro Ramos uma indicação ao Emmy por sua excelente interpretação.

        Mas para chegar até o ano de 2007 e a uma novela da Globo o ator teve que fazer diversas peças desde 1993 quando na peça “A Máquina” ganhou notoriedade no eixo Rio – São Paulo. Foi justamente desta época que ele aproximou-se de grandes atores e diretores.

        Antes de chegar a novela Cobras e Lagartos a estreia de Lázaro Ramos foi na micros-série Pastores da Noite que lhe rendeu elogios dos principais diretores globais. Ao juntar-se a Wagner Moura, Lúcio Mauro Filho e outros atores da emissora Lázaro participou da série Sexo Frágil.

        O papel de Lázaro Ramos assim como os demais se dividia em interpretar um homem e uma mulher.

        O ator é um ativista dos direitos humanos e de conscientização contra o racismo. Casado com a atriz Taís Araújo tem dois filhos João Vicente de Araújo Ramos e Maria Antônia.

Entendendo a biografia:

01 – Você reconhece a pessoa na fotografia?

      A fotografia é de Lázaro Ramos.

02 – Se você a conhece, o que sabe dele?

      Ele é ator, diretor e apresentador, com trabalhos em televisão, cinema e teatro, além de escritor.

03 – Por que, em sua opinião, a fotografia aparece em destaque na capa?

      Resposta pessoal do aluno.

04 – O título do livro pode remeter à expressão: “estar na pele de alguém”. Você conhece o significado dela? Que outra expressão poderia substituí-la?

      Estar na posição de; estar na situação de.

05 – Além de compor a expressão “estar na pele de alguém”, o que a palavra pele pode significar no título e que relação ela ajuda a estabelecer entre esse título e a fotografia?

      O livro trata de temas como preconceito racial e afirmação de identidade, com trechos autobiográficos.

06 – O título da obra e a fotografia do autor despertam sua curiosidade de leitor? Justifique sua resposta.

      Resposta pessoal do aluno.

 

CRÔNICA: OS HOMENZINHOS DE GRORK - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - COM GABARITO

 Crônica: OS HOMENZINHOS DE GRORK

                 Luís Fernando Veríssimo

        A ficção científica parte de alguns pressupostos, ou preconceitos, que nunca foram devidamente discutidos. Por exemplo: sempre que uma nave espacial chega à Terra vinda de outro planeta, é um planeta mais adiantado do que o nosso. Os extraterrenos nos intimidam com suas armas fantásticas ou com sua sabedoria exemplar. Pior do que o raio da morte é o seu ar de superioridade moral. 

        A civilização deles é invariavelmente mais organizada e virtuosa do que a da Terra e eles não perdem a oportunidade de nos lembrar disto. Cansado de tanta humilhação, imaginei uma história de ficção diferente. Para começar, o Objeto Voador Não Identificado que chega à Terra, descendo numa planície do Meio-Oeste dos Estados Unidos, chama a atenção por um estranho detalhe: a chaminé.

        ― Vi com estes olhos, xerife. Ele veio numa trajetória irregular, deu alguns pinotes, tentou subir e depois caiu como uma pedra.

        ― Deixando um facho de luz atrás?

        ― Não, um facho de fumaça. Da chaminé.

        ― Chaminé? Impossível. Vai ver o alambique do velho Sam explodiu outra vez e sua cabana voou.

        ― Não. Tinha o formato de um disco voador. Mas com uma chaminé em cima.

        O xerife chama as autoridades estaduais, que cercam o aparelho. Ninguém ousa se aproximar até que cheguem as tropas federais. Um dos policiais comenta para outro:

        ― Você notou? A vegetação em volta...

        ― Dizimada. Provavelmente um campo magnético destrutivo que cerca o disco e...

        ― Não. Parece cortada a machadinha. Se não fosse um absurdo eu até diria que eles estão colhendo lenha.

        Nesse instante, um segmento de um dos painéis do disco, que é todo feito de madeira compensada, é chutado para fora e aparecem três homenzinhos com machadinhas sobre os ombros. Os três saem à procura de mais árvores para cortar. Estão examinando as pernas de um dos policiais, quando este resolve se identificar e aponta um revólver para os homenzinhos.

        ― Não se mexam ou eu atiro.

        Os homenzinhos recuam, apavorados, e perguntam: 

        ― Atira o quê?

        ― Atiro com este revólver.

        O policial dá um tiro para o chão como demonstração. Os homenzinhos, depois de refeitos do susto, aproximam-se e passam a examinar a arma do policial, maravilhados. Os outros policiais saem de seus esconderijos e cercam os homenzinhos rapidamente. Mas não há perigo. Eles querem conversa. Para facilitar o desenvolvimento da história, todos falam inglês.

        ― Vocês não conhecem armas, certo? ― quer saber um Policial. ― Estão num estágio avançado de civilização em que as armas são desnecessárias. Ninguém mais mata ninguém.

        ― Você está brincando? ― responde um dos homenzinhos. ― Usamos machadinhas, tacapes, estilingue, catapulta, flecha, qualquer coisa para matar. Uma arma como essa seria um progresso incrível no nosso planeta. Precisamos copiá-la!

        Chegam as tropas federais e diversos cientistas para examinarem os extraterrenos e seu artefato voador. Começam as perguntas. De que planeta eles são? De Grork. Como é que se escreve? Um dos homenzinhos risca no chão: GRRK.

        ― Deve faltar uma letra ― observa um dos cientistas. ― O "O".

        ― O "O"?

        ― Assim ― diz o cientista da Terra, fazendo uma roda no chão.

        O homenzinho examina o "O". As possibilidades da forma são evidentes. A roda! Por que não tinham pensado nisso antes? Voltarão para o Grork com três ideias revolucionárias: o revólver, a roda e a vogal. Querem saber onde estão, exatamente. Nunca ouviram falar na Terra. Sempre pensaram que seu planeta fosse o centro do universo e aqueles pontinhos no céu, furos no manto celeste. Sua viagem era uma expedição científica para provar que o planeta Grork não era chato como muitos pensavam e que ninguém cairia no abismo se passasse do horizonte. Sua intenção era navegar até o horizonte.

        E como tinham vindo parar na Terra?

        Pois é. Alguma coisa deu errado.

        Tinham descido na Terra, porque faltara lenha para a caldeira que acionava as pás que moviam o barco. Então aquilo era um barco? Bom, a ideia fora a de fazer um barco. Só que em vez de flutuar, ele subira. Um fracasso. Os homenzinhos convidam os cientistas a visitarem a nave. Entram pelo mesmo buraco de madeira da nave, que depois é tapado com uma prancha e a prancha pregada na parede. Outra boa ideia que levarão da Terra é a da dobradiça de porta.

        O interior da nave é todo decorado com cortinas de veludo vermelho. Há vasos com grandes palmas, lustres, divãs forrados com cetim. Um dos homenzinhos explica que também tinham um piano de cauda, mas que o queimaram na caldeira quando faltou lenha. Tudo do mais moderno.

        ― E que mensagem vocês trazem para o povo da Terra? ― pergunta um dos cientistas.

        Os homenzinhos se entreolham. Não vieram preparados. Mas como a Terra os recebeu tão bem, resolvem revelar o segredo mais valioso da sua civilização. A fórmula de transformar qualquer metal em ouro.

        ― Vocês conseguiram isso? ― espanta-se um cientista.

        ― Ainda não ― responde um homenzinho ― mas é só uma questão de tempo. Nossos cientistas trabalham sem cessar na fórmula, queimando velas toda a noite.

        ― Velas? Lá não há eletricidade?

        ― Elequê?

        ― Eletricidade. Energia elétrica. As coisas lá são movidas a quê?

        ― A vapor. É tudo com caldeira.

        ― Mas isso não é incômodo?

        ― Às vezes. O barbeador portátil, por exemplo. Precisa de dois para segurar. Mas o resto...

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre, L&PM. 1984.

Fonte: Língua Portuguesa. Entre palavras – Edição renovada. Mauro Ferreira. 5ª série. Ed. FTD – São Paulo – 1ª edição – 2002. P. 166-170.

Entendendo a crônica:

01 – O autor resolveu escrever uma história de ficção diferente. Por que ele tomou essa decisão?

      Porque ele se cansou de ser humilhado pela superioridade dos extraterrenos das histórias tradicionais de ficção.

02 – Indique algumas diferenças entre a história criada pelo autor e as histórias tradicionais de ficção científica.

      Ele inverte os papeis: os humanos, que nas histórias comuns são mais atrasados, sentem-se e agem como superiores; os visitantes, normalmente mais inteligentes e avançados, são atrasados e primitivos: usam machadinha, não conhecem a roda, viajam de “barco a vapor”, etc.

03 – Identifique a primeira situação do texto que permite ao leitor concluir que a história terá um caráter humorístico.

      A primeira situação de humor do texto é a discrição da espaçonave: tem chaminés, faz uma trajetória irregular e dá pinotes.

04 – Como o narrador caracteriza os visitantes quanto aos aspectos físico e cultural? Com que intenção ele os imagina assim?

      Ele diz que os visitantes são baixinhos, meio ingênuos e culturalmente muito atrasado. O narrador os imagina assim porque a intenção dele é justamente desvalorizar os visitantes.

05 – Um dos policiais, quando começou a conversar som os homenzinhos, fez uma suposição. Ela estava correta? Justifique.

      Não. O policial supôs que os homenzinhos fizessem parte de uma civilização adiantada, que não usava mais armas, mas isso é negado por um dos ETs. O extraterrestre afirma que, para matar, eles usavam armas primitivas (tacape, flecha, etc.).

06 – Os homenzinhos se mostraram entusiasmados com três “ideias” que julgaram “revolucionárias”.

a)   O que é uma ideia ou uma invenção revolucionária?

É algo absolutamente novo, que surpreende pela originalidade, pela inventividade e que muda totalmente determinados conceitos.

b)   Que ideias os homenzinhos julgaram revolucionárias?

O revólver, a roda e a letra “o”.

c)   O fato de os extraterrestres não conhecerem as três invenções citadas no texto sugere ao leitor que caraterística de sua civilização?

Ela é muito atrasada, se comparada com a nossa, que já usa essas invenções há muito tempo.

07 – Existe um recurso de linguagem que permite afirmar alguma coisa de modo que o leitor (ou ouvinte) entenda de forma diferente, geralmente de forma contrária. Esse recurso chama-se ironia. No texto, várias vezes o autor emprega a ironia. Veja, por exemplo, o trecho destacado:

        “Os homenzinhos se entreolham. Não vieram preparados. Mas como a Terra os recebeu tão bem, resolvem revelar o segredo mais valioso da sua civilização.” Releia o texto do 8° parágrafo até o 18° parágrafo e explique por que o trecho destacado acima é irônico.

      Porque os homenzinhos não foram bem recebidos; ao contrário: a recepção foi agressiva e hostil.

08 – A alquimia, ciência primitiva que surgiu há mais de dois mil anos, acreditava ser possível transformar qualquer metal em ouro. Baseando-se nessa informação, responda: o que o narrador insinua, isto é, diz de forma indireta, a respeito dos cientistas de Grork?

      Ele insinua que os cientistas de Grork são tão atrasados e ultrapassados quanto os alquimistas, porque eles – os cientistas de Grork – ainda acreditam ser possível transformar qualquer metal em ouro.

09 – Releia a questão 4 e depois responda: você julga que o narrador conseguiu o que ele pretendia inicialmente? Justifique.

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Sim. Os fatos e situações dessa “história de ficção” criam uma imagem caricaturesca, ridícula dos homenzinhos, no aspecto físico e, principalmente, no aspecto intelectual e científico.

     

CONTO: O MENINO E O CEDRO - ADONIAS FILHO - COM GABARITO

 Conto: O MENINO E O CEDRO

Adonias Filho

      Era de fato maior que um gigante, dez vezes gigante, de tão alto que, no outono, se encontrava com as nuvens. Duzentos metros, a altura. O tronco, de casca cheia de rugas, com as raízes no coração da terra, daria madeira para cem casas. Os galhos imensos, sempre com enormes flores brancas, carregados de folhagem, sombreavam a mata embaixo. [...]

      A guerra, entre Nico e o Vermelho, ainda não terminara. Grilim, quatro dias depois, saberia que o pai não se renderia com facilidade. Nico esperou que o sol subisse no céu e, quando esquentou de alimentar uma queimada, voltou ao cedro. Levou, desta vez, uma enxada e uma garrafa de querosene. Conseguiria com o fogo o que não conseguiria com o machado. Capinou em volta do cedro e, feito o pequeno aceiro, envolveu-o com gravetos que embebeu no querosene. Riscou o fósforo e a fogueira logo cresceu a queimar o cedro por baixo. Não havia como salvar-se e, em um ou dois dias, sem qualquer suporte, cairia. Vendo o fogo tão aceso que já comia o tronco, a fumaça subindo, retornou a casa para esperar o barulhão da queda.

        –– Peça para mil estacas – disse à mulher, já em casa, a lavar as mãos.

        Uma hora depois, sempre a primeira a descobrir as coisas, Manió apurou o faro e sentiu o cheiro da fumaça. Latiu alto e, a saltar, puxou Grilim pelo braço como a mostrar a fumaça que vinha do cedro. Ambos correram, o menino e a cachorra, e viram a fogueira que acabaria por derrubar o Vermelho. O pai, trabalho do pai, o pai sabia como vencer as árvores! Ele, Grilim, não podia permitir aquilo e nem deixar que o cedro caísse. Tinha, pois, que apagar o fogo.

        –– Apagar o fogo, e depressa! – disse, a gritar, para que Manió ouvisse. [...]

        Grilim contornou o oitão da casa para alcançar o rio e, alcançando-o, apanhou o balde que ali ficava, sobre as pedras, onde a mãe lavava a roupa. E, com ele cheio, retornou ao cedro e derramou a água no fogo. Repetiu o trabalho inúmeras vezes, até que viu o fogo esmorecer, enfraquecendo, e apagar-se de uma vez.

        Nico, ao regressar das plantações, foi direto ao cedro. Queria calcular o tempo que o fogo gastaria para jogá-lo no chão. E, dando com o fogo gastaria para jogá-la no chão. E, dando com o fogo apagado, logo achou que aquilo fosse serviço de Grilim. Não pensou um segundo para concluir que um motivo bastante forte prendia o filho ao cedro. Não pedira e não insistira para que não o derrubasse e não fizesse as estacas? A tristeza que dele se apossara, quando decidira derrubar o Vermelho, parecia coisa de feitiço. Não devia, pois, contrariar a vontade do mundo. A alegria do filho, embora precisasse de dinheiro, valia muito mais que todas as moedas de ouro.

        Percebeu, ao entrar em casa, que Grilim, de tão desconfiado, se escondia pelos cantos. [...]

        –– Grilim!

        O menino, muito pálido, se voltou para o pai. Era certo, como a luz do candeeiro, que a bronca explodiria. Manió também se voltou, a cabeça baixa, fingindo que estava assustada. A pergunta de Nico veio em voz leve:

        –– Por que você apagou o fogo?

        –– O Vermelho, pai, é nosso amigo –– Grilim disse, perdendo o medo, a explicar. –– Vosmecê, pai, ainda não entendeu. Ele conhece a gente e ouve tudo o que se fala.

        –– O Vermelho vai ficar ali, de pé, até que Deus assim queira. — E, com a voz um pouco emocionada, pediu: –– Amanhã, logo cedo, diga a ele que peço desculpas.

        Grilim levou a mão aos olhos para enxugar as lágrimas. Não sabia o que dizer e como agradecer. Pensou apenas que o pai era o melhor de todos os homens. Recuou um passo e, com suavidade agora no semblante, recuou outro passo. E, finalmente, disse:

        –– Vamos dormir, Manió.

FILHO, Adonias. O menino e o cedro. São Paulo: FTD, 1993.

Fonte: Língua Portuguesa. Entre palavras – Edição renovada. Mauro Ferreira. 5ª série. Ed. FTD – São Paulo – 1ª edição – 2002. P. 44-7.

Entendendo o conto:

01 – O texto é contado por um narrador ou por um narrador-personagem? Justifique.

      É contado por um narrador, pois ele não participa dos acontecimentos; ele não é nenhuma das personagens que aparecem na história.

02 – Reescreva os acontecimentos na ordem em que ocorrem no texto.

(7) Grilim chorou de emoção ao saber que o cedro não seria cortado.

(3) Manió sentiu o cheiro de fumaça e avisou Grilim.

(1) Nico foi ao cedro levando uma enxada e uma garrafa de querosene.

(5) Nico concluiu que Grilim gostava muito do cedro.

(4) Grilim apagou o fogo carregando água do rio com um balde.

(6) Nico disse a Grilim que o cedro não seria cortado.

(2) Nico juntou gravetos ao redor do cedro, jogou querosene e pôs fogo.

03 – Na seção ouvir, você aprendeu que o cedro é uma árvore que pode ter até trinta metros de altura.

a)   Leia novamente o primeiro parágrafo do texto “O menino e o cedro” e retire dele as afirmações exageradas.

“Maior que um gigante, dez vezes gigante”; “Tão alto que [...] se encontrava com as nuvens”; “duzentos metros, a altura”; “madeira para cem casas”.

b)   Esses exageros revelam as impressões de quem em relação à altura da árvore: do narrador ou do próprio Grilim?

As impressões são do próprio Grilim, que, por ser ainda criança e admirar o tamanho do cedro, pensava que a árvore era muito maior do que na realidade.

04 – Nico, enquanto lavava as mãos, disse à mulher: “— Peça para mil estacas”. O que ele estava querendo dizer com isso?

      Ele estava dizendo à mulher que o cedro era muito grande e que, com a madeira dele, seria possível fazer mil estacas.

05 – Grilim ficou surpreso com o modo como o pai reagiu ao que ele havia feito?

      Grilim pensou que o pai ficaria bravo; no entanto aconteceu algo oposto: Nico falou com calma, prometeu não cortar o Vermelho e aceitou a justificativa do menino.

06 – Que justificativa o menino usou para tentar convencer o pai a não cortar o Vermelho?

      Grilim disse ao pai que o Vermelho era amigo deles, que os conhecia e ouvia tudo o que diziam.

07 – Costuma-se dizer que as situações difíceis e problemáticas que acontecem em nossa vida nos ajudam a crescer, porque nos tornam mais experientes, mais capazes de entender e resolver outras situações.

a)   Na sua opinião, Grilim e Nico cresceram com o conflito que aconteceu entre eles? Por quê?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Sim, porque Nico concluiu que a felicidade do menino era mais importante que o dinheiro.

b)   Procure recordar-se de uma situação que você tenha vivido e que o (a) ajudou a crescer. Conte-a aos colegas.

Resposta pessoal do aluno.

08 – Quando um escritor cria uma história, procura despertar no leitor certas reações (riso, alegria, esperança, medo, etc.). Como você se sentiu ao terminar a leitura desse texto? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

     

CONTOS: CONTO DE FADAS MODERNINHO - LIVRO: LÍNGUA PORTUGUESA ENTRE PALAVRAS - COM GABARITO

 Contos: Conto de fadas Moderninho

             Texto escrito para esta unidade.

        Conto 1:

        Era uma vez uma linda princesa, que vivia com uma madrasta muito má. A madrasta, com inveja da princesinha, mandou um empregado matar a menina, mas ele a libertou e ela foi pra a floresta, onde passou a morar com alguns amigos. A madrasta, então, preparou um veneno, colocou em uma maçã e, fingindo ser uma boa velhinha, deu a fruta à princesinha, que a comeu e caiu num sono profundo. Um dia, um príncipe encantado, passando pela floresta, apaixonou-se pela princesa, deu-lhe um beijo e ela acordou. Então, os dois se casaram e viveram felizes para sempre.

        Conto 2:

        Ela era uma menina que tinha um apelido. Um dia pegou uma cesta com alimentos e foi levar para uma pessoa da família que morava do outro lado da floresta. No caminho, encontrou um bicho, que, descobrindo aonde a menina estava indo, correu por um atalho da floresta, chegou primeiro à casa do parente da menina, devorou-o e colocou as roupas dele. Depois deitou-se na cama e esperou a menina chegar, para devorá-la. Quando chegou, a menina começou a fazer perguntas a quem estava na cama e percebeu que era uma armadilha. A menina saiu correndo e chamou um caçador. Este matou o bicho e tirou da barriga dele o parente da menina, ainda vivo.

        Conto 3:

        Ela era muito bonita, mas, como a madrasta a obrigava a fazer toda a limpeza da casa, viva esfarrapada e suja, tendo por isso um apelido. Um dia, houve um baile no castelo do reino, mas a moça não poderia ir porque não tinha roupas bonitas. Ela chorava de tristeza quando apareceu uma fada e a vestiu lindamente, inclusive com finíssimos sapatinhos de cristal. Mas a fada recomendou que fosse embora do baile à meia-noite, porque todo o encanto acabaria. Ela foi ao baile, dançou com o príncipe e eles se apaixonaram. Quando deu meia-noite, saiu correndo e na escada do castelo perdeu um dos sapatos. O príncipe saiu pelo reino experimentando o sapatinho no pé das jovens e, quando chegou a vez da personagem, o sapatinho serviu-lhe perfeitamente. Ela e o príncipe se casaram e viveram felizes para sempre.

                                Textos escrito para este livro.

Fonte: Língua Portuguesa. Entre palavras – Edição renovada. Mauro Ferreira. 5ª série. Ed. FTD – São Paulo – 1ª edição – 2002. P. 84-5 e manual do professor 34.

Entendendo os contos:

01 – A respeito do primeiro texto.

a)   Quem é a personagem a que ele se refere?

Branca de Neve.

b)   Quem eram os amigos com quem a princesinha passou a viver na floresta?

Os sete anões.

c)   O que aconteceu quando a princesa comeu a maçã envenenada?

Ela caiu em um sono profundo.

d)   O que despertou a princesa?

O beijo de um príncipe encantado.

02 – A respeito do segundo texto.

a)   Quem é a personagem a que ele se refere?

Chapeuzinho Vermelho.

b)   Para quem ela estava levando os alimentos?

Para a vovozinha.

c)   Quem era a personagem que enganou a menina e depois devorou a parente dela?

O Lobo Mau.

d)   O que ele fez depois de devorar a parente da menina?

Ele deitou-se na cama e esperou a chegada da menina.

e)   Na história original, a menina faz algumas perguntas à personagem que está deitada na cama. Você se lembra de algumas dessas perguntas?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Para que esse nariz tão grande? Para que esses olhos tão grandes? Para que essa boca tão grande? Etc.

03 – Em relação ao terceiro texto.

a)   Qual é o nome da personagem a que ele se refere?

Cinderela.

b)   Você se lembra do apelido da moça na história original?

Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Gata Borralheira.

c)   Esse é um apelido carinhoso ou maldoso?

É um apelido maldoso, que revela desprezo.

d)   Por que ela precisava ir embora do baile à meia-noite?

Porque o encanto acabaria e ela voltaria a ser uma moça pobre e malvestida.

04 – Quase todos os contos de fadas têm um final feliz. Dos três citados, dois terminam exatamente do mesmo modo.

a)   Quais são eles? De que modo terminam?

O da Branca de Neve e o da Cinderela. Nos dois, as personagens casam-se com príncipes e vivem felizes para sempre.

b)   Qual é a diferença entre o final deles e o da outra história?

Na história de Chapeuzinho Vermelho, não aparece nenhum príncipe para se casar com ela.

05 – Muitas pessoas criticam as histórias a que se referem os textos que você leu, afirmando que elas são agressivas e têm cenas de muita violência. Você concorda ou não com essas pessoas? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Se você pudesse mudar alguma coisa em uma dessa histórias, o que mudaria? Como ficaria a “nova” história?

      Resposta pessoal do aluno.