domingo, 18 de novembro de 2018

RECEITA: BOLO DE MANDIOCA - COM QUESTÕES GABARITADAS


Receita: Bolo de mandioca


Ingredientes:
01 kg de mandioca.
01 pacote de coco ralado 500 gr.
02 xícaras (chá) de açúcar.
04 ovos.
02 colheres (sopa) de margarina ou manteiga.
01 vidro de leite de coco 200 ml.
01 colher (café) de sal.
Modo de preparo:
Descasque a mandioca e rale.
Junte 02 copos de água à mandioca ralada e esprema em um pano.
Depois de espremida, coloque a mandioca em uma tigela, acrescente o coco ralado, o açúcar, o sal, os ovos previamente batidos, a manteiga e, por último, o leite de coco (reserve duas colheres).
Asse em forno quente, em um forma grande, redonda, bem untada.
Quando começar a dourar e ficar firme, retire um pouco do forno, regue com o leite de coco reservado e polvilhe com açúcar.
Deixe dourar bem e teste com um palito para ver se está assado.

·        Obs.: Esta receita é influência da cultura indígena.

Entendendo a receita:
01 – Quais são as partes que formam essa receita?
      Os ingredientes e o modo de preparo.

02 – Qual é o principal ingrediente desta receita?
      É a mandioca.

03 – Você conhece esse ingrediente por outro nome? Em caso afirmativo, escreva qual.
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Macaxeira, aipim, etc.

04 – Onde podemos encontrar receitas culinárias?
      Podemos encontrar nos livros de receitas ou em Site de receitas.

05 – Releia um trecho da receita e circule as vírgula.
        “[...] acrescente o coco ralado, o açúcar, o sal, os ovos previamente batidos, a manteiga [...]”
Nesse trecho, a vírgula está empregada com a função de:
·        Separar os ingredientes.
·        Explicar os ingredientes.

06 – Qual é a importância de observar com atenção as medidas de cada ingrediente?
      Para que o bolo saia perfeito. Fique de acordo com a receita.

07 – Você sabe de quem herdamos o uso da mandioca?
      Resposta pessoal do aluno.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES): MUITO ROMÂNTICO - CAETANO VELOSO - COM GABARITO

Música(Atividades): Muito Romântico

                                                                         Caetano Veloso

Não tenho nada com isso nem vem falar
Eu não consigo entender sua lógica
Minha palavra cantada pode espantar
E a seus ouvidos parecer exótica

Mas acontece que eu não posso me deixar
Levar por um papo que já não deu, não deu
Acho que nada restou pra guardar ou levar
Do muito ou pouco que houve entre você e eu

Nenhuma força virá me fazer calar
Faço no tempo soar minha sílaba
Canto somente o que pede pra se cantar
Sou o que soa eu não douro a pílula

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo o mundo podendo brilhar num cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico

                                                Composição: Caetano Veloso
Entendendo a canção:

01 – Já no primeiro verso “Não tenho nada com isso nem vem falar”; o eu lírico usa um adverbio de negação, por quê?
      Ele deixa transparecer incompreensão, ou ainda uma atitude inconformada, de revolta.

02 – Em que versos o eu lírico assume sua revolta demonstrando ciência de sua brutalidade e alteração?
      “Minha palavra cantada pode espantar – e ao seus ouvidos parecer exótica”.

03 – Com base no que foi estudado a respeito dos aspectos do romantismo como estado de alma e estilo literário, assinale cada uma das afirmativas com V (verdadeira) ou F (falsa).
( ) É comum encontrarmos traços de romantismo até na literatura dos nossos dias, a exemplo desses versos, em que o eu lírico mostra seu estado de alma romântico.
( ) Como estado de alma, o romantismo encontra-se unicamente concentrado no Romantismo Literário (primeira metade do século XIX).
( ) Pela temática explorada, o compositor Caetano Veloso integra o estilo de época chamado Romantismo.
( ) Não há qualquer distinção entre romantismo (estado de espírito) e Romantismo (estilo de época).
( ) Fuga da realidade por meio da imaginação, comportamento baseado na liberdade, na emoção e na idealização da realidade definem o estado de alma romântico.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
a)   V – F – F – F – V.
b)   F – F – F – F – V.
c) V – F – F – V – F.
d) V – V – V – V – V.
e) F – V – F – V – F.

04 – Analise os seguintes versos:
a)   “Mas acontece que eu não posso me deixar / Levar por um papo que já não deu, não deu.”
O eu lírico afirma que não pode ser abalar por uma conversa muito mal assimilada, de difícil aceitação, cujo conteúdo não é revelado.

b)   “Acho que nada restou pra guardar ou levar / Do muito ou pouco que houve entre você e eu”.
Com esse verso a relação que unia o protagonista ao destinatário da canção (provavelmente uma mulher, com certeza uma pessoa que foi muito querida).

05 – Em que versos o coração do eu lírico, com sua alma de poeta busca aquietar a alma?
      “Canto somente o que pede para se cantar.”

06 – O último verso da canção “Noutras palavras sou muito romântico”, o que o eu lírico explica?
      Explica o estado de espírito do protagonista, justifica suas colocações evidenciando sua passionalidade, que tende ao sofrimento e a exacerbação dos assuntos passionais.


CRÔNICA: PECHADA - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Crônica: PECHADA
                     

   O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de "Gaúcho". Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado. 
        – Aí, Gaúcho! 
        – Fala, Gaúcho! 
        Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações? 
        – Mas o Gaúcho fala "tu"! – disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato. 
        – E fala certo – disse a professora. – Pode-se dizer "tu" e pode-se dizer "você". Os dois estão certos. Os dois são português. 
        O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara. 
        Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera. 
        – O pai atravessou a sinaleira e pechou. 
        – O que? 
        – O pai. Atravessou a sinaleira e pechou. 
        A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo. 
        – O que foi que ele disse, tia? – quis saber o gordo Jorge. 
        – Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou. 
        – E o que é isso? 
        – Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu. 
        – Nós vinha... 
        – Nós vínhamos. 
        – Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto. 
        A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito. 
        "Sinaleira", obviamente, era sinal, semáforo. "Auto" era automóvel, carro. Mas "pechar" o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que "pechar" vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido: Pechada. 
        – Aí, Pechada! 
        – Fala, Pechada!
                                                                                              Luís Fernando Veríssimo
Entendendo a crônica:

01 – Rodrigo, o aluno novo, logo recebe o apelido de Gaúcho quando entra naquela escola.
a)   O que os colegas mais estranham em Rodrigo?
Seu sotaque diferente.

b)   Essa escola fica no Rio Grande do Sul ou em outro Estado brasileiro? Por quê?
Esta escola não pertence ao Rio Grande do Sul. Porque no texto cita que o aluno é recém chegado do Rio Grande do Sul.

02 – Dos colegas da sala, o gordo Jorge era o que mais insistia em rir e debochar de Rodrigo. Por que você acha que ele agia desse modo?
      Porque Jorge não se conformava com o sotaque do gaúcho, ele achava engraçado o jeito de Rodrigo falar.

03 – Quando Rodrigo, ao contar por que chegou atrasado, diz "Nós vinha...", a professora o interrompe dizendo "Nós vínhamos". Por que você acha que ela disse isso?
      Porque Rodrigo estava falando de forma incorreta.

04 – Rodrigo conta que seu pai "atravessou a sinaleira e pechou". A professora não conhecia a palavra pechar, mas conseguiu descobrir o sentido dela.
a)   Como foi que ela descobriu o significado da palavra?
Ela deu a oportunidade que o próprio Rodrigo explicasse.

b)   Qual é a origem dessa palavra, que hoje também pertence ao português?
É de origem espanhola.

05 – A professora ensina à classe que, apesar de o país inteiro falar português, de um lugar para o outro existem muitas variações.
a)   Que palavras a professora provavelmente usaria em lugar de tu, sinaleira e auto?
Você, semáforo e carro ou automóvel.

b)   Na sua região, as palavras coincidem com as usadas pela professora ou com as usadas por Rodrigo?
Com as palavras usadas pela professora.

06 – Rodrigo acabou sofrendo preconceito em razão de falar português de modo diferente do falado pela maioria. Você já viveu ou presenciou uma situação parecida com essa? Comente-a.
      Resposta pessoal do aluno.



POEMA: CANÇÃO DO MENINO - MARIA DINORAH - COM GABARITO

Poema: CANÇÃO DO MENINO
                  
             Maria Dinorah
Pra falar a verdade,
nunca tive um pijama.
Pra quê,
se nunca tive cama ?

Verdade verdadeira,
nunca tive um brinquedo.
Apenas tive medo.

Mas hoje há tanto frio,
tanta umidade,
que invento um cobertor
de sol poente
e um pijama  de sonho
em cama quente.

É bom brincar de gente.
                                          MARIA DINORAH
Entendendo o poema:
01 – Quem é o autor do poema?
      Uma criança (menor abandonado).

02 – O eu lírico termina o poema dizendo “É bom brincar de gente”. O que transmite este verso?
      Transmite a sensação de que o homem não parece gente porque deixa crianças dormirem ao relento.

03 – Que faz o eu lírico para romper com o sofrimento que ele quer que evole?
      Inventa um cobertor e uma cama quente.

04 – O que o eu lírico nos transmite nesse poema?
      Que através das palavras o sentimento humano que deveria haver em nós, seres humanos.

05 – Complete: O poema está dividido em 14 versos e 04 estrofes.

06 – Encontre as metáforas nas alternativas abaixo:
a)   Nunca tive um brinquedo.
b)   Hoje, faz tanto frio.
c)   Cobertor de sol poente.
d)   Pijama de sonhos.

07 – A autora quis chamar atenção no texto para mostrar:
a)   A realidade feliz das crianças.
b)   O desajuste social da autora.
c)   Que o menino do poema tem brinquedos.
d)   Os problemas de como vivem certas crianças no país e no mundo.

08 – É correto afirmar que o menino do poema.
a)   Vivia numa casa majestosa.
b)   Tinha frio, mas possuía um cobertor.
c)   Possuía muitos brinquedos, mas não tinha medo.
d)   A pobreza e a miséria tornavam-o infeliz.

     


LENDA: COBRA-GRANDE - AUTOR DESCONHECIDO - COM GABARITO

Lenda: Cobra-Grande

        A Cobra-Grande, Boiúna ou Boiaçu é uma cobra de proporções gigantescas. Pode ser escura, ou, segundo alguns, ter as cores vermelha, preta e amarela. Seus olhos, fora da água, têm uma luz própria, forte e brilhante, que hipnotiza e paralisa suas vítimas e desnorteia os navegantes. Do seu rastro fundo no chão surgem os rios e igarapés. Seu apetite é voraz e, além de atacar em terra, faz virar canoas e até barcos grandes. Matá-la atrai coisas ruins. Quem a vê fica cego, quem a ouve fica surdo e quem a segue fica louco. Muitos que a viram voltaram mudos, e assombrados. Não existe nela nada da sensualidade de tantos outros mitos. Não se transforma em homem ou mulher, não seduz, não ajuda. Ataca sempre para matar. Também é mágica. Transforma-se em navio, vapor ou canoa, e quando sente a aproximação de outra embarcação, voa e desaparece. Pode fazer o barulho de um motor de barco ou ser silenciosa como todo réptil. Nas águas, parece um imenso tronco de árvore a boiar na superfície.

Cobra Grande. Autor desconhecido. (ADAPTADO)
Entendendo a lenda:
01 – O gênero textual lido é:
a) Jornal.
b) Piada.
c) Biografia.
d) Lenda.

02 – Qual a finalidade desse tipo de texto?
a) Instruir o leitor.
b) Narrar uma história ao leitor.
c) Explicar a origem de algo.
d) Informar algo.

03 – Boiúna ou Boiaçu é:
a) homem.
b) mulher.
c) cobra.
d) tronco de árvore.

04 – De acordo com o texto, a cobra parece ser:
a) amiga.
b) perigosa.
c) companheira.
d) tranquila.

05 – Segundo o texto, quais são as cores que a cobra pode ter?
      Pode ter as cores vermelha, preta e amarela.

06 – O que pode acontecer se alguém olhar para a cobra grande?
      A pessoa corre o risco de ficar cego.

07 – Leia a frase: “Seus olhos, fora da água, têm uma luz própria, forte e brilhante, que hipnotiza e paralisa suas vítimas e desnorteia os navegantes”. Das alternativas abaixo, quais delas são adjetivos?
a) Olhos.
b) Brilhante.
c) Água.
d) Forte.

08 – Qual o sinônimo da palavra brilhante?
a) Branco.
b) Escuro.
c) Reluzente.
d) Assustador.



CRÔNICA: IRMÃO DE ENXURRADA - MURILO CISALPINO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Crônica: IRMÃO DE ENXURRADA

 - https://www.blogger.com/u/4/blog/post/edit/7220443075447643666/7878168433573465070#
       Fico lembrando dele esperneando no berço. Ele era uma coisica ainda mais estranha do que é hoje. Não, muito mais estranha: hoje ele é gente, fala, acha coisas sobre mim, sobre os outros irmãos, sobre a dona da padaria.
        Antes ele era... um ... um montinho que se mexia também estranhamente.
        Eu ficava horas olhando para ele. As mãozinhas minúsculas, que de tão minúscula ele nem sabia que tinha. Na verdade, acho que ele realmente não sabia para o que elas serviam. Elas navegavam no ar, aquelas titiquinhas de dedos sem entender nada, parecendo uma sementinha viva.
        E mijava e fazia cocô sem parar – meu Deus do céu, como sujava as fraldas esse cara! Minha mãe falava a língua dos bebês. “Ih, gachinha da mamãe tá de caquinha de novo? Tadim, gente! Quetarindo, hein? Quetarindo, sem-vergonha da mãe, hein?” Muito chato. Eu achava que ela era meio pancada. Comigo ela não falava assim. Nem com os outros meus irmãos.
        A gente fazia uma besteirinha de nada, como quebrar um vaso, um vidro da janela, ficar na rua até mais tarde, brigar no colégio... e o pau comia – ah, se o pau comia! Mas com ele era aquele nhe-nhe-nhém, aquele tatibitate sem fim.
[...]
        Teve um tempo em que ele engatinhava. Rodava pela casa toda, gugu pra cá, dadá pra lá, passando debaixo dos móveis, debaixo das pernas da gente – um saco! Porque, de vez em quando, a gente tropeçava nele. E o moleque chorava. Ele não tinha a menor solidariedade. Chorava mesmo.
        Esgoelava-se, o bostinha! E sobrava pra gente, é claro. Na maioria das vezes era sem querer que a gente tropeçava nele.
        E um dia que ele engoliu a cabeça de um bonequinho do Forte Apache?
        Ou foi o rabinho de um cavalo? Não lembro exatamente o que foi que ele engoliu, mas lembro do problemão que foi. Ele engasgou, e acho que ele não sabia tossir, ou era burrinho demais para isso, ou estava só de implicância comigo, sei lá. Minha mãe veio correndo porque gritei lá do meu quarto:
        “Mãe, o Augusto engoliu uma coisa aqui tá ficando roxo, mas eu não dei nada pra ele comer; ele é que pegou, esse burro. Eu falei pra ele não comer mas ele comeu assim mesmo. Mas não fui eu não, viu, mãe?” Não adiantou nada.
        Fiquei uma semana sem poder brincar com o Forte Apache por causa dele. E olha que ele nem morreu nem nada.
[...]
        Até que tinha um ar interessante, o meu irmão mais novo. Os cabelos muito pretos, muito lisos, caindo-lhes sobre os olhos. Que eram enormes, com cílios longos como os das meninas. Um rosto radiante, o tempo todo.
        Um corpo miúdo, mas socado. Bisbilhotava tudo, sempre de orelha em pé.
[...]
        – Como foi que eu nasci?
        – Hein?
        – Como foi que eu nasci? Quero saber...
        Então era isso. Viu os cachorrinhos e ficou curioso. Era minha oportunidade.
        – E eu sei lá! Nem mamãe sabe.
        – Como que mamãe não sabe? Eu não sou filho dela?
        – Olha, cara, acho melhor você conversar isso com ela. Depois, sabe, não era pra você saber, não era pra te contar nada...
        – Contar o quê?
        – Bem, na verdade, você não é irmão-irmão, da gente. Você é irmão, assim, por acaso.
        – É?
        – É.
        – Conta...
        – Um dia estava chovendo demais. Era de tarde mas parecia de noite. Tudo preto, sabe? Relâmpago, trovão, enxurrada que parecia um rio e...
        – O que é enxurrada?
        – Mas é besta mesmo... Enxurrada, cara: aquele tantão de água que escorre pela rua quando chove. Lembra outro dia, a gente ficou sentado no meio-fio lá de casa, com o pé numa água que descia a rua... Fizemos barquinho com formiga dentro, lembra?
        – Lembro.
        – Aquela água chama enxurrada.
        – Ah...
        – Pois como eu estava contando, chovia. E fez enxurrada. Mamãe tinha saído pra comprar pão, eu acho. Quando ela vinha voltando, viu uma coisa que parecia uma gente, descendo pela enxurrada. Esperou chegar perto...
        Sabe o que era?
        – [...]
        – Era você. Todo sujo, fedendo. Magricela. Aí ela ficou com pena e pegou você. Disse pra gente: “Achei esse neném na enxurrada, tadinho!
        Vamos cuidar dele como se fosse da família.” Nós também ficamos com dó de você e resolvemos te tratar como irmão de verdade... Foi assim.
        – [...]
        – Tá chateado? Liga não. Até que a gente gosta de você, mesmo sendo irmão de enxurrada.
        – [...]
        Tump, tump, tump... Passávamos pela esquina onde havia uma padaria.
        Sempre havia alguns amigos por lá comendo maria-mole. Maria-mole é horrível, mas vinha com revolvinho de plástico ou estrela de xerife, grudados nela. Estavam lá, três amigos meus, encostados na guarita alaranjada dos motoristas de ônibus.
        – Olha, o “pouca-sombra”!
        – E aí, já deu uns tapas nesse porcaria?
        Zombavam do meu irmão mais novo. Achavam, com certeza, que eu iria rir também.
        Me aproximei, tranquilo, um sorrisinho safado no rosto. Meu irmão, quieto, cabeça baixa. Eles, os caras, falavam outras gracinhas. Fui chegando, chegando... Dei um tapaço no primeiro que alcancei. Ele saiu catando cavaco e caiu de cara no chão.
        – Ninguém se mete com meu irmão mais novo, tá falado? Quem se meter com ele vai se ver comigo. Zero a zero?
        Silêncio. Continuamos andando pra casa. Meu irmão mais novo, calado.
        Eu, calado. A merendeira: tump, tump, tump...
        Ele não contou a história da enxurrada para minha mãe.

(CISALPINO, Murilo. In: RAMOS, Ricardo et alii. Irmão mais velho, irmão mais novo.
São Paulo: Atual, 1992, p. 64-71).
Entendendo o texto:

01 – Quem narra a história é o irmão mais velho. Que idade provavelmente ele tem? Justifique sua resposta.
      Provavelmente ele tem 11 anos.

02 – No início do texto, o irmão mais velho descreve o irmão mais novo como "coisica", montinho", "uma sementinha viva".
a)   Por que, na sua opinião, ele ficava horas olhando-o no berço?
Porque ele achava que o bebê se mexia estranhamente.

b)   Que tipo de sentimento, provavelmente, ele tinha pelo irmão?
Ele sentia amor pelo seu irmão.

03 – A partir do segundo parágrafo do texto, o menino passa a chamar o irmão de "pancada", "um saco", "meleca", "bostinha" e "burro".
a)   Que sentimento, na sua opinião, o irmão mais velho revela, agora, em relação ao irmão mais novo?
Sentia raiva, vontade de esganá-lo.

b)   Por que seu sentimento mudou?
Porque se acontecesse alguma coisa com seu irmão mais novo, era ele que levava a culpa.

04 – Sempre que um irmão sente ciúme do outro, achando que está em segundo plano quanto ao carinho dos pais, a tendência é ele ver a situação de modo exagerado e se fazer de vítima. Você acha que esse é o caso do irmão mais velho? Por quê?
      Sim, porque ele sentia ciúme do outro irmão.

05 – No final da história, o comportamento do irmão mais velho surpreende o leitor.
a)   Qual é esse comportamento?
Esse comportamento foi que ele defendeu seu irmão e não juntou-se aos seus amigos que estavam zombando de seu irmão.

b)   Na sua opinião, qual é a razão dessa mudança de comportamento?
Na minha opinião a razão dele ter mudado seu comportamento foi para defender o seu irmão.

06 – O irmão mais novo não conta à mãe a história da enxurrada.
Por que, na sua opinião, ele escondeu essa história de irmão de enxurrada?
      Na minha opinião ele escondeu essa história de irmão de enxurrada, porque ele estava com medo de sua mãe.

07 – O irmão mais velho, ao contar a Augusto a história que inventou, termina dizendo que gosta dele, mesmo ele sendo "irmão de enxurrada", expressão que é o título do texto. Por que, nessa situação, ele chama Augusto desse modo?
      Porque ao contar a história ele falou que o menino veio da enxurrada, então falou que Augusto era irmão dele, mais de enxurrada.

08 – Leia este trecho:
"Lembra outro dia, a gente ficou sentado no meio-fio lá de casa, com o pé numa água que descia a rua... Fize­mos barquinho com formiga dentro, lembra?"
Considerando esse contexto, que outro sentido, figurado, ganha a expressão "irmão de enxurrada"?
      Irmão adotivo.