sexta-feira, 16 de novembro de 2018

CRÔNICA: A PIPOCA - LYGIA BOJUNGA NUNES - COM QUESTÕES GABARITADAS

Crônica: A PIPOCA  - (Lygia Bojunga Nunes)


        Falaram pouco até chegar no morro.
        O caminho que subiam era estreito. O Tuca foi na frente. Quase correndo. Feito querendo escapar da discussão que crescia lá dentro dele: um Tuca dizendo que amigo-que-é-amigo não tá ligando se a gente mora aqui ou lá; o outro Tuca não acreditando e cada vez mais arrependido da ideia de comer pipoca.
        E atrás dos dois lá ia o Rodrigo, querendo assobiar para disfarçar. Querendo mas não podendo: já estava botando a alma pela boca de tanto subir.
        Quantas vezes, com a luz de tudo que é barraco se espalhando pelo morro, o Rodrigo tinha escutado dizer:
        Que bonito que é favela de noite! As luzes parecem estrelas.
        E o Rodrigo ia olhando cada barraco, cada criança, cada bicho, vira-lata, porco, rato, olhando tudo que passava: bonito? estrela? cadê?!
        Quando chegaram no alto o Rodrigo estava sem fôlego. O Tuca parou:
        — Eu moro aqui. — Entrou.
        Só os irmãos pequenos estavam em casa. Quatro. O Tuca foi apresentando cada um. Os grandes ainda estavam “lá embaixo se virando”; e a irmã mais velha tinha saído.
        — Mas e a pipoca? — o Tuca quis logo saber — ela esqueceu que ia fazer pipoca pra gente?
        — Não, — um irmão explicou — ela já fez. Mas ficou com medo da gente comer tudo antes de você chegar e então guardou ali — espichou o queixo pra uma porta que estava fechada. Fez cara de sabido e piscou o olho: — A chave tá na vizinha...
        Enquanto o garoto falava o Rodrigo ia olhando pro barraco: dois cômodos pequenos, um puxado lá fora pro fogão e pro tanque, e a tal porta fechada que o garoto tinha mostrado e que devia ser um outro quarto; ou quem sabe o banheiro? Juntando tudo o tamanho era menor que a cozinha da casa dele; e eram onze morando ali! e mais a mãe?!
        Uma vez o Tuca tinha contado pro Rodrigo:
       “O meu pai era marinheiro. Só aparecia em casa de vez em quando. Um dia não apareceu mais.”
       “Ele morreu?”
       “Ninguém sabe.”
       “E a tua mãe?”
       “Ela mora lá com a gente. Mas quem faz de mãe lá em casa é a minha irmã mais velha.”
       “Por quê?”
       “É que a minha mãe... é doente.”
       “O que ela tem?”
       “Tem lá umas coisas. Mas a minha irmã é a pessoa mais legal que eu já vi até hoje: aguenta qualquer barra.”
        Lá pelas tantas o Tuca quis acabar com a discussão que continuava dentro dele:
        — Vam’embora, Rodrigo. Você agora já sabe onde eu moro e se quiser aparecer a casa é sua.
        — Mas e a pipoca? — o Rodrigo perguntou.
        Não precisou mais nada: a criançada desatou a falar na pipoca, a querer a pipoca, a pedir a pipoca.
       Uma barulhada! O Tuca ficou olhando pro chão. De repente saiu correndo. Pegou a chave na casa da vizinha. Abriu a porta que estava trancada.
        Era um quarto com uma cama, um armário velho de porta escancarada e uns colchões no chão.
        Tinha uma mulher jogada num colchão.
        Tinha uma panela virada no colchão.
        Tinha pipoca espalhada em tudo.
        A criançada logo invadiu o quarto e começou a catar pipoca do chão.
        Ninguém ligou pra mulher querendo se levantar do colchão.
        O Rodrigo estava de olho arregalado.
        O Tuca olhou pra ele. Olhou pra mulher. Olhou pras pipocas sumindo.
       — Pronto, — ele resolveu — você não vai comer pipoca do chão, vai? então não tem mais nada pra gente fazer aqui. — Empurrou o Rodrigo pra fora do barraco. — Agora você já sabe o caminho. Desce por lá. — Apontou.
        O Rodrigo estava atarantado:
        — Lá onde?
        — Vem! eu te mostro. — E desceu correndo na frente. Num instantinho chegou na curva que ele tinha mostrado. Respirou fundo. Lembrou do perfume do talco. Olhou pro lado: estava um lameiro medonho naquele pedaço do morro: tinha chovido forte na véspera e uma mistura de água e de lixo tinha empoçado ali.
        O Rodrigo chegou de língua de fora: o Tuca tinha descido tão depressa que mais parecia um cabrito.
        — Pô cara! — ele reclamou — assim não dá. Você quase me mata nessa des...
       Mas o Tuca já tinha virado pra ele de cara feia e já estava gritando:
        — Não precisa me dizer! Eu sei muito bem que não dá. Como é que vai dar pra gente ser amigo com você cheirando a talco...
        — Eu?!
        — ... e eu aqui nesse lixo todo. Não precisa me dizer, tá bem? eu sei, EU SEI, que não dá. Você que ainda não sabe de tudo. Quer saber mais, quer? quer? — Pegou o Rodrigo pela camisa. — Quando a minha irmã tranca minha mãe daquele jeito é porque a minha mãe já tá tão bêbada que faz qualquer besteira pra continuar bebendo mais. — Começou a sacudir o Rodrigo. — Você olhou bem pra cara dela, olhou? pena que ela não estava chorando e gritando pra você ver. Ela chora e grita (feito neném com fome) pedindo cachaça por favor.
        — Me solta Tuca!
        — Solto! solto sim. Mas antes você vai ficar igual a mim. — E botou toda a força que tinha pra derrubar o Rodrigo no lameiro.
       [...] E quando sentiu os pés se encharcando se atirou pro lameiro levando o Rodrigo junto. Aí largou.
        O Rodrigo levantou num pulo. Não precisava tanta pressa: ele já estava imundo, pingando lixo.
       O Tuca levantou devagar. E de cabeça baixa foi subindo o morro de volta pra casa.

(Lygia Bojunga Nunes. Tchau. 3. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1987. p. 38-42.)
Entendendo o texto:

01 – Tuca e Rodrigo são dois amigos da escola. Rodrigo, que mora num luxuoso apartamento, vai conhecer o barraco do amigo, numa favela. No 2o parágrafo do texto, o narrador se refere ao nervosismo de Tuca.
a)   Que comportamento do menino mostra seu nervosismo?
Ele ir à frente, quase correndo.

b)   Por que, segundo o texto, havia dois Tucas dentro dele?
Pois dentro dele ficou meio dividido, um arrependido pela ideia de ir comer pipoca e o outro de que amigo que é amigo não liga pra essas coisas.

02 – Releia o 5° parágrafo do texto. Nele é descrito tudo o que Rodrigo vê.
a)   Pela mistura dos elementos enumera­dos, o que se pode dizer das condições de higiene daquele lugar?
Era péssima, pois era tudo desorganizado.

b)   Por que se pode dizer que Rodrigo, até aquele dia, tinha sido ingênuo em relação ao morro?
Pois ele já tinha ideia que na favela seria tudo desorganizado, pois já que na casa dele era tudo arrumado.

03 – Com a frase "Uma vez o Tuca tinha contado pro Rodrigo", o narrador introduz o flash-back narrati­vo, isto é, conta fatos que ocorreram no passado. Assim, ficamos sabendo que o pai de Tuca havia sumido e que a mãe dele era doente.
a)   Que tipo de problema tem a mãe de Tuca?
A mãe de Tuca era alcoólatra.

b)   Que diferença há entre Tuca dizer "ela mora com a gente" e "a gente mora com ela"?
“Ela mora com a gente” quer dizer que os irmãos que sustentam ela (mãe), e “Agente mora com ela”, estaria querendo dizer que ela sustentava a família.

c)   Quem sustenta a casa? Retire do texto um trecho que justifique sua resposta.
A irmã de Tuca.

d)   Quem cuida da organização da casa?
A irmã da Tuca.

04 – Rodrigo é convidado para ir comer pipoca na casa de Tuca; mas a pipoca é apenas uma desculpa para eles se conhecerem melhor e estreitarem a amizade.
a)   Por que Tuca, em casa, fica nervoso e deseja descer o morro antes mesmo de comerem a pipoca?
Porque ele estava com vergonha da mãe dele.

b)   Que sentimento Tuca revela sentir no momento em que abre a porta do quarto?
Desprezo e uma vergonha.

05 – Tuca desce o morro em disparada. Em certo momento, Rodrigo diz: "assim não dá. Você quase me mata nessa des...".
a)   Provavelmente, do que Rodrigo iria reclamar? Por quê?
Da descida, porque ele estava correndo demais.

b)   O que Tuca supôs que Rodrigo estivesse pensando sobre a Situação?
Ele pensou que Rodrigo já sabia que não iria ter pipoca.

c)   Por esse episódio, pode-se dizer que a discussão que existia dentro de Tuca, no começo do texto, continua agora? Por quê?
Porque ele não queria perder a amizade com o Rodrigo.

06 – No final do texto, Tuca joga Rodrigo na lama. Um pouco antes, sentira um cheiro de talco no amigo.
a)   A que se associa o talco?
Associa-se a limpeza.

b)   A que se associa a lama?
A lama se associa a sujeira.

c)   Se Tuca vive num ambiente de lama e Rodrigo cheira a talco, por que, na sua opinião, Tuca teria forçado Rodrigo a cair na lama?
Para ele sentir como é viver em meio a “pobreza”, em meio a sujeira.

07 – “O Tuca levantou devagar. E de cabeça baixa foi subindo o morro de volta pra casa."
a)   O que as expressões devagar e de cabeça baixa revelam quanto ao estado emocional de Tuca?
Tuca ficou triste quanto a sua vida, pois o amigo tinha uma vida “melhor”, além de ficar com vergonha.

b)   O que você acha que ele devia estar pensando, enquanto subia o morro?
Que a vida de Rodrigo era “melhor” do que a vida dele.

c)   E Rodrigo, enquanto voltava para seu apartamento?
Ele certamente pensava em logo se limpar e pensava na sujeira que ele presenciou, além de pensar, também, que foi rude com o “amigo”.

08 – No contato com Tuca, Rodrigo — um garoto até certo ponto ingênuo — aprendeu muitas coisas.
a)   Em algum momento, Rodrigo manifestou preconceito em relação à pobreza de Tuca? Se não, o que sentiu?
Não, ele não se manifestou oralmente, mais sim interiormente.

b)   Você acha que, depois dessa experiência, os dois vão continuar a ser amigos?
Resposta pessoal do aluno.



HISTÓRIA: JULY E SUA NINHADA DE CACHORRINHOS - PARA SÉRIES INICIAIS - COM GABARITO

História: July e sua ninhada de cachorrinhos

        O gato Pitoco está curioso com o barulho que vem lá do galpão da fazenda. Mas ele deveria mesmo é ficar preocupado.
        A verdade é que a cachorrinha July deu cria: 10 filhotinhos. Ela está tão feliz com seus pequeninos sapecas, que fica sorrindo e abanando o rabo o tempo inteiro. Os filhotinhos mamam com vontade na mamãe July. E os outros de barriguinha cheia, ficam brincando, maravilhados com o mundo colorido, cheio de bichinhos, flores e borboletas.
        Eles mamam por seis semanas. Depois passam a comer uma ração especial para filhotes com muitas vitaminas. Assim, os sapequinhas não aguentam ficar parados.
        Precisam de alguns ossinhos para mastigar, é que os dentinhos deles desenvolvem muito depressa.
        Vejam só! É só deixar esses peraltas à vontade, que logo um faz xixi marcando o território, outro fica mordendo e cheirando uma bota velha, e os demais fazem a maior bagunça! Tem até aquele que, de tão cansado, se estica todo para tirar um belo cochilo.
        Ah! Mas quando o Zeca aparece, os filhotinhos ficam mais maluquinhos ainda. Abanam os rabinhos e pedem, latindo, para o menino brincar com eles. E Zeca, que é um bom menino, não vai recusar esse pedido. Ele gosta demais de todos os cachorros.
        Nossa! Esses cachorrinhos pulam e correm o dia todo, por todos os lugares da fazenda. E, assim, não vai sobrar muito para o gato Pitoco, não é mesmo?
        O gato Pitoco fica assustado, e nem pode caçar o ratinho que vive na fazenda. O gato se esconde bem escondidinho, porque aqueles cachorrinhos parecem perigosos para ele.
        E quando Pitoco resolve aparecer, os cachorrinhos latem só de brincadeira. Mas Pitoco nem quer saber. Sai em disparada! Parece que os filhotinhos de July vão se divertir um bocado com o Pitoco. Coitadinho!
                                                                               Todolivro.
Entendendo a história:
01 – Qual o título do texto?
      July e sua ninhada de cachorrinhos.

02 – O texto conta a história de quem?
      De July e seus dez filhotes que nasceram no galpão da fazenda e o gato Pitoco tinha medo dos cachorrinhos.

03 – Quais são os personagens da história?
      July, seus filhotes, gato Pitoco e Zeca.

04 – July deu cria a quantos filhotinhos?
      Nasceram 10 filhotes.

05 – Por quanto tempo os filhotinhos mamam? E depois, do que se alimentam?
      Mamam por seis semanas e depois passam a comer uma ração especial para filhotes.

06 – Em que locais se passa a história?
      No galpão da fazenda e todos os lugares da fazenda.

07 – Que reação tem os filhotes quando Zeca aparece?
      Ficam mais maluquinhos ainda, abanam os rabinhos e pedem latindo, para o menino brincar com eles.

08 – Por que os filhotinhos precisam mastigar?
      Porque seus dentes se desenvolvem muito rápido.

09 – Por que o gato de esconde bem escondidinho?
      Porque aqueles cachorrinhos parecem perigosos para ele.

10 – Qual a situação do gato Pitoco?
      Ele vive assustado e nem pode caçar o ratinho que vive na fazenda.





terça-feira, 13 de novembro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES): A VOLTA DA ASA BRANCA - LUIZ GONZAGA E ZÉ DANTAS - COM QUESTÕES GABARITADAS


ATIVIDADES COM A Música: A VOLTA DA ASA BRANCA

                              Luiz Gonzaga e Zé Dantas
Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da prantação

A seca fez
Eu desertar da minha terra
Mas felizmente
Deus agora se alembrou
De mandar chuva
Pr'esse sertão sofredor
Sertão das muié séria
Dos homes trabaiador

Rios correndo
As cachoeira tão zoando
Terra moiada
Mato verde, que riqueza
E a asa branca
Tarde canta, que beleza
Ai, ai, o povo alegre
Mais alegre a natureza

Sentindo a chuva
Eu me arrescordo de
Rosinha A linda flor
Do meu sertão pernambucano
E se a safra
Não atrapaiá meus pranos
Que que há, o seu vigário
Vou casar no fim do ano.
Luiz Gonzaga. São Paulo, Moderna, 2007. Mestres da Música no Brasil.
JATOBÁ, Roniwalter. O jovem Luiz Gonzaga. São Paulo, Nova Alexandria, 2009.
Entendendo a canção:

01 – Esta canção é a segunda parte de “Asa Branca”, continuação de que estrofe?
      “Eu te asseguro, não
       Chore não viu, que
       Eu voltarei viu,
       Meu coração.”

02 – Do que trata a canção?
      Trata sobre migração de retorno de cidades grandes para o sertão.

03 – Que significa “Asa Branca voltou”?
      Que indica sinais de chuva, o que permite que as plantações e a criação de gado voltem a funcionar no sertão. O que permite que o sertanejo volte para a sua terra natal.

04 – Como é formada a canção?
      É formada por estrofes de quatro versos, obtendo sempre o mesmo tipo de rima.

05 – Ao se reproduzir o falar regional, você observa alguns processos associados a fatores geográficos. Retire da letra da música as palavras em que houve:
a)   A substituição do lh pelo i.
Atrapalha / atrapaia.
Mulher / muié.
Trabalhar / trabaiador.
Molhada / moiada.

b)   A substituição do l pelo r em grupo consonantal (consoante + l).
Prantação / plantação.
Pranos / planos. 

06 – Retire da letra da música os versos que:
a)   Apresentam o motivo pelo qual o eu lírico saiu de sua terra.
“A seca fez / Eu desertar da minha terra.”

b)   Caracterizam os habitantes do sertão.
“Sertão das muié séria / Dos homes trabaiador.”

07 – A que termo os versos “A linda flor / Do meu sertão pernambucano” fazem referência?
      Refere-se a Rosinha sua amada.

08 – Que versos fala da felicidade do homem em ver suas terras tão lindas, verdes, molhadas e produtivas com a chegada da Asa Branca e consequentemente das chuvas, e ainda retrata um ponto muito importante que é a felicidade da natureza e o homem, mostrando que o homem e a natureza trabalham juntos?
      “Rios cortendõ, as cachuera tão, zuándo / Terra moiada, mato verde, quiriqueza / E a Asa Branca à tarde canta qui beleza / Ah, alo povo alegre / Mais alegre a natureza.”

09 – Assinale a alternativa em que o verbo fazer está flexionado na terceira pessoa do singular pelo mesmo motivo que no primeiro verso de “A volta da asa-branca”.
a)   Fez anos que não nos viámos.
b)   Ele faz anos depois de amanhã.
c)   Faz-se necessário deixar o tempo passar.
d)   Isso não fará falta a ninguém.
e)   Ontem, ela faria três anos de casada.

10 – Que temas foram abordados na canção?
·        Clima.
·        Migração.
·        Regionalização (nordeste-sertão).

POEMA: SÁBADO - ANTÔNIO MÁRCIO S. VASCONCELOS - COM GABARITO

Poema: SÁBADO

QUE FAZER HOJE?
AMAR ... DORMIR...
SENTIR SAUDADES
NÃO SEI.

ASSISTIR AO JOGO?
IR AO SHOPPING
NÃO VIVO NA CIDADE GRANDE

OUVIR Músicas?
SENTAR NA PRAÇA?
NÃO SEI...

VOU ENCONTRAR UM AMOR?
VOU ENCONTRAR UM AMIGO?
TAMBÉM NÃO SEI...


A VIDA É MINHA,
MAS NÃO DOMINO OS MOMENTOS,
NEM CONTROLO A MONOTONIA.

SEI QUE HOJE É SÁBADO,
MAIS UM SÁBADO NA VIDA,
E TUDO PODE ACONTECER!
                                                 
                                        Antônio Márcio Silva Vasconcelos

Entendendo o poema:

01 – Leia o poema e responda as questões abaixo:
a)   Justifique o uso do sinal de interrogação na primeira estrofe, no verso de número 1.
O eu lírico inicia o poema com uma pergunta.

b)   Quantas estrofes e quantos versos há no poema?
Há seis estrofes e dezenove versos.

c)   O gênero textual " POEMA" é um texto literário ou não literário?
É um texto literário.

02 – Retire do poema os verbos escrito na:
a)   1ª conjugação: amar – sentar – encontrar – controlar.
b)   2ª conjugação: fazer – acontecer.
c)   3ª conjugação: dormir – sentir – assistir – ouvir.

03 – Conforme estudado em sala de aula esse tipo de texto apresenta característica subjetiva ou objetiva.
      No poema tem características objetivas e subjetivas.

04 – Na sua opinião porque o título do poema é " Sábado"?
      Ele demonstra que não sabe o que fazer no sábado.

05 – Na sua opinião que tipo de sentimentos o eu lírico expressa no poema.
      Porque é o dia que as pessoas costumam passear, e também pelo conteúdo do poema.

06 – Em que tempo o texto foi escrito? Exemplifique.
      Está escrito na primeira pessoa do singular. “Não vivo na cidade grande”.     

07 – “NEM CONTROLO A MONOTONIA" a expressão grifada refere-se:
(X) Rotina ou vazio.
(  ) Alegria ao extremo.
(  ) Agitação todos finais de semana.

08 – Retire do poema 03 ações realizadas pelo poeta.
·        Assistir ao jogo?
·        Ouvir músicas?
Sentar na praça?



CONTO: O CACHORRO ENGRAÇADINHO - CECÍLIA MEIRELLES - COM GABARITO

Conto: O cachorro engraçadinho
                        
                 Cecília Meirelles

        Há coisa mais triste que um menino sem irmãos nem companheiros, fechado num apartamento? Foi por isso que a família resolveu arranjar um cachorrinho para brincar com o filho único. Os brinquedos, afinal, são máquinas e acabam por enfastiar; o cachorrinho é um brinquedo vivo, quase humano, o melhor amigo do homem etc. E veio o cachorrinho, muito engraçadinho. Todos os cercaram, encantadíssimos. Dizem que os cães sempre se parecem com os seus donos: este parecia-se com os donos, com os amigos dos donos e até com os empregados da casa. Não se pode ser mais amável. Era pretinho, lustroso, com umas malhas cor de mel em certos lugares do focinho e do corpo. Orelhas sedosas e moles, e um rabinho que o menino logo descobriu poder funcionar como manivela. E assim o utilizou.
        O cachorrinho também parecia contentíssimo, e pulava para cá e para lá, e às vezes parecia um cavalinho em miniatura. Mas era uma miniatura Pinscher.
        Não era só engraçadíssimo; era inteligentíssimo. Se lhe ensinassem, creio que chegaria a atender o telefone. Instalou-se no apartamento como se fosse o seu principal habitante. A vida passou a girar em torno dele. Deram-lhe coleira, casaquinho, osso artificial para brincar, puseram-lhe nome, compraram-lhe biscoitos. Pensando bem, era muito mais feliz que o menino de cuja felicidade se cogitava. Talvez ele até entendesse o que diziam a seu respeito, pois a cozinheira reparou que sua inteligência excedia a das criaturas humanas. Via-o fitar um ponto no vazio, acompanhar uma presença invisível, para a qual latia, demonstrando ser um animal dotado de poderes sobrenaturais: um cãozinho vidente. Nessas condições, nem precisava entender a nossa linguagem: podia captar diretamente os pensamentos...
        O cachorrinho engraçadinho recebia as visitas com grande efusão. Mordia-as de brincadeira nas pernas e nos braços, às vezes puxava um fio de meia - mas era muito engraçadinho - dava saltos verticais que nem um bailarino, e, como estava na muda dos dentes, babava as pessoas com muito entusiasmo e de vez em quando deixava cair por cima delas um de seus dentinhos, tão brancos e primorosos que pareciam de matéria plástica.
        Além de receber as visitas, o cachorrinho engraçadinho sentava-se ao lado delas, acompanhava com os olhos as suas expressões, despedia-se delas com muita gentileza.
        Acostumou-se de tal modo à família que não quis mais dormir sozinho, passou a ocupar o melhor lugar das camas, como ocupava o das poltronas.
        E quis também comer à mesa, escolhendo uma cadeira e colocando as patinhas no lugar que a etiqueta recomenda, e que já bem poucas pessoas conhecem como se pode observar em qualquer restaurante.
        Até certo ponto o cachorrinho engraçadinho foi um divertimento, salvo quando molhava os tapetes ou as almofadas.

Vocabulário:

Artificial: Postiço, fabricado, não natural
Captar: entender, compreender
Cogitar: pensar, raciocinar, imaginar
Dotado: favorecido, beneficiado, que tem o dom natural
Efusão: fervor de amizade, com grande alegria
Enfastiar: entediar, aborrecer
Etiqueta: conjunto de cerimônias no trato de muitas pessoas, regra estilo
Exceder: superar, ultrapassar
Fitar: olhar, fixar a vista, o pensamento, a atenção em alguma coisa.
Lustroso: reluzente, brilhante, polido
Pinscher: raça de cachorro de baixa estatura e de porte pequeno.
Primoroso: perfeito, distinto, excelente
Salvo: exceto, afora
Sedosos: que tem seda, semelhante à seda, peludo, macio.
Sobrenatural: superior ao natural, excessivo, sobre-humano, que excede as forças da natureza, que não tem explicação.
Vidente: que profetiza, que tem a faculdade de visão sobrenatural de cenas futuras.

Entendendo o conto:
01 – Explique com suas palavras as frases abaixo, considerando que o sentido da palavra artificial é o mesmo do texto.
a) Sentia uma alegria artificial.
      Sentia uma alegria superficial.

b) Deram-lhe um osso artificial.
      Deram-lhe um osso falso.

c) Comprei flores artificiais na floricultura.
      Comprei flores de plásticos na floricultura.

d) O cachorrinho tinha uma vida artificial.
      O cachorrinho tinha uma vida não natural.

02 – Reescreva as frases, substituindo as palavras sublinhadas por sinônimos. Consulte o vocabulário do texto ou o dicionário.
a) "Os brinquedos, afinal, são máquinas e acabam por enfastiar".
      Os brinquedos, afinal, são máquinas e acabam por entediar-se

b) Pensando bem, era muito mais feliz que o menino de cuja felicidade se cogitava".
      Pensando bem, era muito mais feliz que o menino de cuja felicidade se refletia.

c) "Sua inteligência excedia a das criaturas humanas".
      Sua inteligência superava a das criaturas humanas.

d) "Nem precisava entender a nossa linguagem: podia captar diretamente os pensamentos".
      Nem precisava entender a nossa linguagem: podia compreender diretamente os pensamentos.

03 – “O cachorrinho engraçadinho recebia as visitas com efusão".
a) (  ) timidez
b) (X) fervor de amizade
c) (  ) balançando o rabinho.

04 – “O cachorrinho foi um divertimento, salvo quando molhava os tapetes ou as almofadas".
a) (  ) afora
b) (X) contrário
c) (  ) permitido

05 – “E quis também comer à mesa, escolhendo uma cadeira e colocando as patinhas no lugar que a etiqueta recomenda".
a) (  ) costume
b) (  ) selo de compra
c) (X) normas, regras.

06 – Numere os parênteses de acordo com a ordem dos acontecimentos no texto.
a) (2) Todos ficaram encantadíssimos com o cachorrinho.
b) (1) A família resolveu comprar um cachorrinho para o menino.
c) (4) À medida que o tempo passava, o cachorrinho foi se tornando um membro da família e até sentava-se à mesa.
d) (5) O único fato que contrastava com sua inteligência e o colocava na condição de animal era que molhava os tapetes e as almofadas.
e) (3) O animalzinho se adaptou facilmente ao convívio com a família.

07 – Retire do primeiro parágrafo a pergunta com a qual a autora se dirige ao leitor.
      “Há coisa mais triste que um menino sem irmãos nem companheiros, fechado num apartamento?”      

08 – De acordo com a descrição que a autora faz do cachorrinho, vamos fazer uma ficha com suas características.
a) raça: Pinscher.
b) tamanho: Miniatura.
c) cor: Preto.
d) pelo: Tinha umas malhas cor de mel.
e) focinho e corpo: Possui algumas manchas.
f) orelhas: Sedosas e moles.
g) rabo: Rabinho fino.

09 – Qual a diferença entre brinquedo mecânico e o cachorrinho, segundo o texto?
      O brinquedo mecânico, não tem vida e o menino acabava por enfastiar.
      O cachorrinho, é um brinquedo vivo, quase humano.

10 – A autora descreve muito pouco o ambiente e a família com a qual o cachorrinho foi morar. Observe com atenção todos os detalhes que o texto fornece e responda. Qual é a classe social da família? Por quê?
      Ele parecia contentíssimo, e pulava pra lá e pra cá.

11 – Quando o cachorrinho chegou, puseram-lhe nome. Que nome você daria a ele?
      Resposta pessoal do aluno.

12 – Você concorda que o cachorro é o melhor amigo do homem? Justifique.
      Resposta pessoal do aluno.

13 – Assinale a opção correta. Qual era o comportamento do animalzinho com as visitas?
a) (  ) raivoso, bravo
b) (  ) indiferente, não ligava para nada
c) (X) alegre, contente.

14 – Assinale a opção correta. O cachorrinho do texto é descrito:
a) (  ) pelo menino.
b) (  ) pelos pais.
c) (X) pelo descritor do texto.

15 – Explique a frase: "Os brinquedos, afinal, são máquinas e acabam por enfastiar."
      É que os brinquedos não possui movimento próprios.

16 – Você concorda que um cachorro possa ocupar, dentro de casa, o lugar de uma pessoa? Justifique sua resposta.
      Sim. Porque tem animal que só falta falar; mas, entende tudo o que você fala.

17 – Que outro título você daria ao texto?
      Resposta pessoal do aluno