quarta-feira, 19 de junho de 2019

CONTO: O MEU AMIGO PINTOR - (FRAGMENTO) - LYGIA BOJUNGA - COM GABARITO

Conto: O meu amigo pintor – Fragmento
                 
                   Lygia Bojunga
        [...] 

        O meu amigo mora, quer dizer morava no apartamento aqui em cima. Eu ia lá jogar gamão com ele, a gente conversava, e ele tinha um relógio de parede que batia hora e meia-hora também. O meu pai e a minha mãe reclamavam "ô, mas que coisa enjoada essa bateção!" E a minha irmã me perguntava " será que o teu amigo nunca vai se esquecer de dar corda no relógio não?"
        Mas cada um é de um jeito, não é? E eu gostava demais de ouvir o relógio batendo. De noite ainda mais. [...]
        Pra mim, ouvir o relógio batendo era que nem ouvir o meu amigo andando. [...]

    Lygia Bojunga. O meu amigo pintor. 22. ed. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2004.

Entendendo o conto:

01 – Retire trechos do fragmento que exemplifiquem a língua informal. 
      "Ô, mas que coisa enjoada essa bateção!"; a expressão “a gente”; “se esquecer de dar corda no relógio não?”; “ouvir o relógio batendo era que nem ouvir o meu amigo andando.”

02 – Identifique o verbo do primeiro período do trecho é classifique-os. 
      Mora/morava: verbo intransitivo.

03 – Quais são os complementos verbais do verbo jogar? Classifique-os. 
      “Gamão”: objeto direto; “com ele”: objeto indireto.

04 – Como é classificado o verbo conversar nesse fragmento?
      Verbo intransitivo.

05 – Retire do trecho uma oração que contenha um verbo transitivo direto e outro com um verbo transito indireto. 
      “Ele tinha um relógio de parede que batia hora e meia-hora também.” / “E eu gostava demais de ouvir o relógio batendo.”
     


FÁBULA: DE UM QUATI CHAMADO CHICO - VALDIR PACCINI - COM GABARITO

Fábula: De um Quati chamado Chico             

            VALDIR PACCINI

    Este texto faz parte de um projeto de livro que está sendo executado em parceria com DIMER J. WEBBER, denominado provisoriamente MITOLOGIA CASCAVELENSE.
   Cortando a região sul de Cascavel, há um pequeno riacho batizado com o nome de Rio Quati. Não à toa, o nome foi dado em homenagem ao simpático e atrevido mamífero da família dos procionídeos, que até hoje habita as imediações.
        Os quatis de Cascavel são, portanto, a maior prova de que é possível conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente. Além disso, mostram que é possível ao homem conviver em harmonia com a natureza. Vejamos a história real do Chico, um quati muito esperto.
        Nas proximidades do atual aeroporto de Cascavel, por onde passa o Rio Quati, há várias chácaras e sítios com reservas de florestas nativas, onde os referidos bichos fazem, até hoje, seus costumeiros passeios em busca de alimentação e também de lazer. Num desses sítios, uma lotada de uns trinta quatis aparecia com bastante frequência, intrigando o caseiro.
        Chico era um quatizinho muito simpático nascido a uns dez quilômetros ao norte da região do aeroporto, na mesma época em que também vieram à luz, naquela morada, outros quatizinhos de ambos os sexos. Tão logo iniciou suas primeiras atividades independentes, mas ainda muito jovem para se defender das emboscadas impostas pela vida e pelos caminhos por onde andava, seus pais, como o são quase todos, lhe orientavam dizendo na linguagem quatinês:
        – Cuidado com essas escapadas! Escolha bem as suas companhias! Veja bem com quem você anda! Não vá se meter em encrencas! E Chico, já se achando maduro o suficiente, respondia:
        – Não se preocupem. Sei o que estou fazendo! Posso me cuidar sozinho.
        Além de seus pais, havia também a Chica, uma quatizinha da mesma idade que gostava muito dele e tentava mantê-lo o mais próximo possível, sob sua guarda e proteção, como fazem as mães, as esposas, as namoradas, etc. Mas Chico, se sentindo diferente de todos, meio intransigente, meio contestador, meio dono do próprio nariz alongado, apesar de sentir certa paixão por Chica, teimava fazer tudo do jeito que sua adolescência prescrevia.
        Saía sem pedir permissão. Demorava voltar para casa. Vivia intensamente a sua liberdade. Nada era capaz de detê-lo, até que numa incursão feita pelo grupo ao sítio daquele caseiro incomodado, Chico acabou sendo preso em uma armadilha previamente arrumada para ele.
        No começo ele sentiu-se privado de sua tão preciosa liberdade. Imaginou que seus companheiros viessem lhe salvar, mas demorariam muito tempo a voltar. Com o curso dos dias ele foi se ambientando e passou a apreciar a comida diferente que o caseiro lhe servia. Acabou viciado, de modo que se sentia muito bem quando vinham lhe oferecer a comida caseira. Perdeu o contato com seus companheiros de passeio, mas a sua docilidade foi se tornando tão clara que conquistou a liberdade.
        Durante alguns meses Chico ficou por ali, ao redor da casa, convivendo com o caseiro e sua família, como se fosse um cão. O jovem quati estava totalmente domesticado e parecia ter esquecido para sempre suas origens, até que um belo dia, o grupo de quatis que o havia extraviado meses antes, resolveu aparecer na propriedade.
        O caseiro pensou que, devido ao fato de Chico ter se acostumado com a nova vida, jamais ousaria voltar para o seu bando. Contudo, o quatizinho se mostrou hesitante. Volvia seus olhos brilhantes entre a lotada e o caseiro, demonstrando o cruel dilema entre ficar ou partir. E o instinto ou a natureza do bichinho sopesou no último momento. Quando o grupo já se deslocava visando partir, Chico saiu correndo visando alcançá-lo. E se foi com os seus entes como quem se vai para nunca mais voltar!
        O sentimento do caseiro e de sua família foi qual a perda de um ente próximo e querido. Ele que era acostumado a sacrificar alguns animais silvestres para servir de alimentação, prometeu que jamais imolaria qualquer outro ser vivo.
        Contudo, em torno de um mês mais tarde, Chico voltou sozinho. Quando avistado ao longe, se mostrava trôpego, triste, cansado, enfim todo estropiado. Chegou-se à conclusão de que seu reingresso no grupo fora recusado, e de que, por conta de sua insistência, tivera recebido como reprimenda uma série de violência física advinda de seus próprios pares.
        O caseiro o abrigou mais uma vez, como quem recebe o filho pródigo. Deu-lhe carinho, alimento e tratamento. Contudo, alguns dias mais tarde, o grupo de quatis fez nova incursão naquele sítio e Chico de maneira irreprimível decidiu acompanhá-lo em nova tentativa de regresso.
        Nessas alturas da história, Chico já era um quati adulto e com a experiência de perambular sozinho pelas margens do Rio Quati. Presume-se que ele tenha sido aceito de volta ao seu habitat devido a sua persistência, à sua capacidade de superar desafios, e ao conhecimento que adquirira no relacionamento com o ser humano. O que se sabe, com certeza, é que Chico retornara muitas vezes ao sítio, tal qual um parente que vem nos visitar de vez em quando, inicialmente em companhia da amada Chica, e depois, além dela, trazia consigo alguns quatizinhos que pareciam ser seus filhotes.                
        Moral da história: A desobediência do jovem é natural, assim como é natural a qualquer ser vivo aprender as lições que a vida ensina.

Entendendo a fábula:

01 – Quais são os personagens dessa fábula?
      Chico, o caseiro, Chica e o grupo de quatis.

02 – Todas as ações da fábula se passam no mesmo dia? Explique.
      Não, pois o Chico teve no sítio em vários momentos de sua vida.

03 – Que outro título você daria à fábula?
      Resposta pessoal do aluno.

04 – Numa fábula há sempre uma crítica a determinado tipo de comportamento que se deveria evitar. Nessa fábula a crítica refere-se a que tipo de atitude?
      Refere-se as atitudes de Chico que se sentia diferente de todos, meio intransigente, meio contestador, meio dono de seu próprio nariz.

05 – A moral desta fábula apresenta uma reflexão sobre o comportamento humano. Você acredita que existam pessoas que agem assim? Justifique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.

06 – Você seria capaz de lembrar de alguma situação da vida real onde o contexto da fábula se aplicaria?
      Resposta pessoal do aluno.

07 – Qual o desfecho (situação final) da fábula?
      O Chico foi aceito de volta ao seu habitat, devido sua persistência e a capacidade de superar desafios, mas sempre voltava ao sítio, da qual um parente que vem visitar de vez enquanto, acompanhado de Chica e seus quatizinhos.


TEXTO: UMA COISA GRANDE MESMO - RICARDO GUIMARÃES - COM GABARITO

Texto: Uma coisa grande mesmo
                                 
                     Ricardo Guimarães

        Difícil falar de sustentabilidade para pessoas que não querem, não gostam e têm dificuldade de pensar no futuro. Mas a pauta do mundo hoje é essa, goste ou não, queira ou não. Porque sustentabilidade é isto: trazer o futuro para o presente. É resolver os seus problemas e realizar seus sonhos hoje sem comprometer os sonhos de quem ainda nem nasceu.
         Para quem é jovem e brasileiro, então, a dificuldade de incluir o futuro nas suas decisões é maior ainda. Vou explicar começando pelo que temos em comum: Brasil. Vivemos numa região do planeta que é muito boa e generosa com as nossas condições de vida. Para nós, humanos, para as plantas e para os animais.
         Aprendi isso no livro de Eduardo Giannetti, “O Valor do amanhã”. Ele diz que uma árvore No hemisfério norte, como por exemplo o carvalho, tem que armazenar energias no verão para atravessar o inverno, senão morre. Uma palmeira nos trópicos, onde o inverno é quente, não tem esse mecanismo de armazenagem porque não precisa.
         Isto é, nós, que vivemos nos trópicos, tendemos naturalmente a não esquentar a cabeça com o inverno, isto é, com o futuro. Daí para essa tendência virar atitude, cultura, estilo de vida, não custa nada. Conclusão: o brasileiro é cabeça fresca por natureza.
         O mesmo acontece quando temos pouca idade. Quando jovens, temos tanto para viver no presente e tanto futuro pela frente, que não temos nenhuma motivação nem espaço na cabeça para pensar no futuro. Dizem que o máximo de futuro que a maioria dos jovens consegue pensar é três ou quatro dias. Mais praticamente, o tempo da próxima balada ou o prazo para entregar o trabalho da escola.  
         Normal. De verdade, a gente só começa a pensar no futuro para valer quando casamos e temos filhos. Aí é que se começa a pensar sério na vida, fazer planos, poupar, essas coisas.
         Então, para jovens brasileiros, sustentabilidade é papo cabeça, abstrato, que só vira realidade quando vê crianças morrendo de falta de água, ursinho morrendo de falta de frio, peixe morrendo de falta de ar, floresta morrendo de falta de inteligência humana e boate fechando por falta de energia elétrica para a guitarra e o ar-condicionado.
         Estou falando isso para mostrar o tamanho do desafio para um jovem dos trópicos entender o que de fato está por trás da sustentabilidade e poder se preparar para contribuir na virada deste jogo que está pondo em risco o seu próprio futuro.
         Não adianta chorar o leite derramado, a árvore derrubada e colocar a culpa nas gerações passadas. É bola pra frente. Tem mais é que entender o que os outros não entenderam e reinventar nosso estilo de vida a partir de uma nova consciência. A nova consciência diz que o tamanho do “aqui, agora” tem que ser muito grande, tão grande que não fique nada de fora. Nenhuma criança, nenhum urso, nenhum buriti, ninguém, não importa se é do hemisfério norte ou sul, se é muçulmano ou judeu, se é do passado, do futuro ou do presente. Porque tudo é interdependente.
         É uma coisa grande mesmo. Muito maior do que o aqui, agora da minha geração, que muita gente entendeu que era pequeno e curto e acabou detonando sua saúde em poucos anos, destruindo sua vida e privando o futuro do seu talento. Muitos amigos, muitos músicos geniais foram destruídos por essa má compreensão do “aqui, agora”.
         Minha geração pagou caro para aprender, mas corrigiu o erro em tempo e colocou um big e um long na frente do here e do now. São só dois adjetivos, mas fazem toda a diferença na hora de sonhar um sonho que não vira pesadelo, na hora de escolher uma profissão que não vira um mico.
         Vamos combinar: para sustentabilidade não existe futuro nem passado, só existe o presente, um presente eterno, um presente tão grande que só cabe na nossa consciência, e se está na consciência vira estilo de vida. Então, a saída é acordar para essa nova consciência. Como cantam Céu e Beto Villares na sua “Roda”: “Caiu na roda, ou acorda ou vai dançar”.

                                                   Ricardo Guimarães – Revista MTV
Entendendo o texto:

01 – Antes de ler esse artigo, o que você já sabia a respeito de sustentabilidade? Explique.
      Resposta pessoal do aluno.

02 – Ao explicar o desinteresse dos jovens brasileiros pela sustentabilidade, o autor apresenta duas justificativas.
a)   Quais são elas e a que características estão relacionadas, segundo o texto?
A explicação para os jovens brasileiros não se preocuparem está justamente no fato de serem jovens e serem brasileiros. O texto procura fazer o leitor reconhecer que “o brasileiro é cabeça fresca por natureza” e que os jovens não “têm” nenhuma motivação nem espaço na cabeça para pensar no futuro.

b)   Você concorda com esse ponto de vista do autor? Justifique.
Resposta pessoal do aluno.

03 – Releia o segundo e o terceiro parágrafos do texto.
a)   O articulista afirma: “Aprendi isso no livro do Eduardo Giannetti, O valor do amanhã”. A que informação apresentada no livro de Giannetti se refere o termo isso?
O termo refere-se ao fato de que “[...] Vivemos numa região do planeta que é muito boa e generosa com as nossas condições de vida. Para nós, humanos, para as plantas e para os animais.”

b)   Que outro ensinamento, presente no mesmo livro, é reproduzido no artigo?
O ensinamento a respeito do carvalho, árvore do hemisfério Norte que tem de armazenar energias no verão para atravessar o inverno, e da palmeira, árvore dos trópicos que sobrevive de modo diferente, pois o clima e o ambiente são favoráveis.

c)   Quando o autor do artigo insere a referência a Eduardo Giannetti em seu texto, que tipo de argumento está usando? Que efeito sobre o leitor se espera com o uso desse tipo de argumento?
Trata-se do argumento baseado na autoridade, que busca aumentar a credibilidade do texto.

04 – Além da faixa etária, que outras características podem ser associadas ao público para o qual o artigo foi escrito? Explique sua resposta.
      O texto foi escrito para um jovem favorecido economicamente, um jovem que não precisa pensar na própria subsistência e, por isso, pode ter como únicas preocupações as baladas e os trabalhos escolares.

05 – Qual estratégia é adotada no artigo para alcançar o seu objetivo?
      O articulista enfatiza os defeitos dos jovens, generalizando seu comportamento e reprovando sua postura alienada, autocentrada e pouco racional. Esse modo de enxergar o jovem explica certo tom agressivo presente em todo o texto e a opção de persuadir o leitor por meio do choque.

06 – Qual o tema central do artigo?
      A sustentabilidade.

07 – O autor generaliza os jovens como alienados. Transcreva um trecho que comprove sua resposta.
      “Difícil falar de sustentabilidade para pessoas que não querem, não gostam e têm dificuldade de pensar no futuro”.

08 – Em sua opinião, essa é uma estratégia eficaz para atingir o leitor?
      Resposta pessoal do aluno.

09 – O que a expressão “dizem que” revela a respeito das fontes consultadas pelo articulista ao afirmar que os jovens só pensam no presente?
      Essa expressão revela que ele se baseou no senso comum.

10 – A que se refere o pronome isso no início do oitavo parágrafo no texto?
      O pronome isso refere-se a todo o pensamento articulado nos parágrafos anteriores (exceto o parágrafo de introdução).
     

terça-feira, 18 de junho de 2019

MÚSICA(ATIVIDADES): O BURACO DO ESPELHO - ARNALDO ANTUNES - COM GABARITO

Música(Atividades): O Buraco do Espelho
                                  Arnaldo Antunes

O buraco do espelho está fechado
Agora eu tenho que ficar aqui
Com um olho aberto, outro acordado
No lado de lá onde eu caí

Pro lado de cá não tem acesso
Mesmo que me chamem pelo nome
Mesmo que admitam meu regresso
Toda vez que eu vou a porta some

A janela some na parede
A palavra de água se dissolve
Na palavra sede, a boca cede
Antes de falar, e não se ouve

Já tentei dormir à noite inteira
Quatro, cinco, seis da madrugada
Vou ficar ali nessa cadeira
Uma orelha alerta, outra ligada

O buraco do espelho está fechado
Agora eu tenho que ficar agora
Fui pelo abandono abandonado
Aqui dentro do lado de fora

                        Composição: Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra

Entendendo a canção:

01 – O eu lírico demonstra que conflito nessa canção?
      O conflito interno que atinge um nível maior do que o considerado normal, onde o sujeito já é excluído da sociedade.

02 – De quem o eu lírico tenta escapar na letra da canção?
      Escapar do próprio espelho.

03 – Que figura de linguagem encontramos no seguinte verso: “Fui pelo abandono abandonado”?
      Pleonasmo.

04 – Que elementos metafóricos que passam a noção de passagem para o outro lado, o eu lírico cita na canção?
      Espelho, janela e porta.

05 – Analise o excerto a seguir:
        “O buraco do espelho está fechado
         Agora eu tenho que ficar agora
         Fui pelo abandono abandonado
         Aqui dentro do lado de fora.”

        Assinale a alternativa que apresenta a função da linguagem predominante nestes versos.
a)   Poética.
b)   Metalinguística.
c)   Fática.
d)   Conativa.


POESIA: A BORDO DO RUI BARBOSA - CHICO BUARQUE & VALLANDRO KETING - COM GABARITO

Poesia: A Bordo do Rui Barbosa
       
      Chico Buarque & Vallandro Keting


A bordo do Rui Barbosa
O marinheiro João
Chamou seu colega Cartola
E pediu
Escreve pra mim uma linha
Que é pra Conceição
Tu é anarfa? disse o amigo
E sorriu com simpatia


Mas logo depois amoitou
Porque era anarfa também
Mas chamou Chiquinho
Que chamou Batista
Que chamou Geraldo
Que chamou Tião
Que decidiu
Tomou copo de coragem
Copo e meio
E foi pedir uma mãozinha
Para o capitão
Que apesar de ranzinza
É homem bem letrado
É homem de cultura
E de fina educação
Pois não
Assim fez o velhinho
Por acaso bem disposto
Bem humorado
Bem remoçado
Às custas de uma velhinha
Que deixara lá no cais
E João encabulado
Hesitou em ir dizendo
Abertamente assim
O que ia fechado
Bem guardadinho
No seu coração
Mas ditou...
E o capitão boa gente
Copiou com muito jeito
Num pedaço de papel
"Conceição...
No barraco Boa Vista
Chegou carta verde
Procurando "Conceição"
A mulata riu
E riu muito
Porque era a primeira vez
Mas logo amoitou
Conceição não sabia ler
Chamou a vizinha Bastiana
E pediu
"Qué dá uma olhada
Que eu tô sem ócros
Num xergo bem
"Bastiana também sofria da vista
Mas chamou Lurdinha
Que chamou Maria
Que chamou Marlene
Que chamou Yayá
Estavam todas sem óculos
Mas Emília conhecia
Uma tal de Benedita
Que fazia o seu serviço
Em casa de família
E tinha uma patroa
Que enxergava muito bem
Mesmo a olho nu
E não houve mais problemas
A patroa, boa gente
Além de fazer o favor
Achou graça e tirou cópia
Para mostrar às amigas
Leu pra Benedita
Que disse à Emília
Que disse à Yayá
Que disse à Marlene
Que disse à Maria
Que disse à Lurdinha
Que disse à Bastiana
Que disse sorrindo
À Conceição
O que restou do amor
O que restou da saudade
O que restou da promessa
O que restou do segredo de João
Conceição
Eu ti amo muito
Eu tenho muita sodade
E vorto assim que pudé
João

Entendendo a poesia:

01 – Que tema é abordado pelo eu lírico?
      O analfabetismo de adultos.

02 – Para quem o marinheiro João queria escrever?
      Para sua amada, Conceição.    

03 – Em relação ao discurso das personagens há presença de discurso:
(   ) Direto.
(X) Indireto.

04 – Qual é a forma textual predominante nessa poesia:
(   ) Versos estruturados de forma harmoniosa.
(X) Versos livres, irregulares.

05 – Qual o significado da palavra anarfa?
      Analfabeto.

06 – Os dialetos estão relacionados às variedades linguísticas, sociais, seja devido à escolaridade, à faixa etária ou ao sexo. Nessa poesia, quais são os personagens que fazem uso desta variedade devido à escolaridade?
      Marinheiro João, Cartola, Chiquinho, Batista, Geraldo, Tião, Conceição, Bastiana, Lurdinha, Maria, Marlene, Yayá, Emília e Benedita.

07 – Afinal, quem escreveu as linhas para João enviar para Conceição?
      O capitão, homem bem letrado.

08 – E quem leu a carta para Conceição?
      Foi a patroa da Benedita, que enxergava muito bem.

09 – Sobre variedades e registros de linguagem, assinale a afirmativa INCORRETA.
a)   Preconceito linguístico é o julgamento negativo dos falantes em função da variedade linguística que utilizam.
b)   A maior ou menor proximidade entre os falantes faz com que usem variedades mais ou menos formais, denominadas registros de linguagem.
c)   Diferenças significativas nos aspectos fonológicos e morfossintáticos da língua marcam as variedades sociais, seja devido à escolaridade, à faixa etária ou ao sexo.
d)   Norma culta ou padrão é a denominação dada à variedade linguística dos membros da classe social de maior prestígio, que deve ser utilizada por todos da mesma comunidade.
e)   Gíria ou jargão é uma forma de linguagem baseada em vocabulário criado por um grupo social e serve de emblema para os membros do grupo, distinguindo-os dos demais falantes da língua.





FÁBULA: LIÇÃO DE ESPERTEZA - ESOPO - COM GABARITO

Fábula: Lição de esperteza                 

             ESOPO

        Um dia um pica-pau, depois de muito voar, sentiu sede.
Pousou em um telhado, olhou em volta, e não viu nem sombra de água. Cansado e sedento como estava, já se preparava para voar, quando viu uma garrafa cheia de água na varanda de uma casa próxima. Quando foi bebe - que decepção! A água só chegava até o gargalo e seu bico pequenino não chegava até ela.
        Pôs-se a dar bicadas na garrafa para fazer um buraquinho, mas em vão, pois, o vidro era mais duro do que o seu bico. Tentou, então, tombar a garrafa, entornar a água, mas a garrafa era muito pesada. Desistiu de tudo e encarapitou-se no corrimão da varanda para pensar um meio melhor. O pica-pau era teimoso, quando queria uma coisa queria mesmo...
        Começou a pensar, a pensar... De repente, bateu as asas de contente: tinha achado a solução para o problema. E pôs-se a executá-la. Apanhou com o bico uma pedrinha no chão e deixou-a cair dentro da garrafa; voltou a apanhar outra, logo apanhou a terceira e, assim, continuou deixando cair pedrinhas dentro da garrafa. A água foi subindo, subindo, até que chegou à boca. Então, o pica-pau pôde beber à vontade.
        Moral da história: "Paciência e raciocínio tudo vencem."

Entendendo a fábula:

01 – Todas as ações da fábula se passam no mesmo dia? Explique.
      Sim, pelo início da fábula percebe-se que aconteceu em um dia.

02 – Retire da fábula acima alguns verbos de ação praticados pelo personagem.
      Pôs – começou – sentiu – olhou – voar – pousou – viu – preparava – bebe.

03 – Como o autor caracteriza o pica-pau?
      Teimoso, persistente, paciente, autoconfiante, otimista e sábio.

04 – Por que o pica-pau não conseguiu beber a água da garrafa?
      Porque seu bico pequenino não chegava até ela.

05 – Que tipo de tentativas ele fez para conseguir bebe água?
      Pôs-se a dar bicadas na garrafa, tentou tombar a garrafa, mas era muito pesada.

06 – Começou a pensar, a pensar... e achou que solução para ele beber a água?
      Apanhar pedrinhas com o bico e colocar dentro da garrafa, assim a água subia até a boca e ele podia beber água a vontade.

07 – Do seu ponto de vista, você seria capaz d lembrar de alguma situação da vida real onde o contexto da fábula se aplicaria?
      Resposta pessoal do aluno.~

08 – A moral desta fábula apresenta uma reflexão sobre o comportamento humano. Você acredita que existem pessoas que agem assim? Justifique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.


MENSAGEM ESPÍRITA: TRIBULAÇÕES - JOANNA DE ÂNGELIS, PSICOGRAFADA POR DIVALDO FRANCO - PARA REFLEXÃO

TRIBULAÇÕES
Joanna de Ângelis

        Ninguém que se encontre em regime de exceção.
        A vida, na Terra, é feita de experiências evolutivas, em que o processo de crescimento se faz através dos cursos educativos dos sofrimentos.
        Nem todas as tribulações, no entanto, são decorrência da imposição das divinas leis.
        Quando o Espírito se dá conta dos erros cometidos numa etapa, roga a bênção do recomeço sob o açodar dos sofrimentos que o aprimoram, ensinando-o a valorizar a oportunidade e a criar melhores condições para o equilíbrio futuro.
        Entendendo a vida como um processo eterno de evolução, conquista, numa oportunidade, o que noutra não soube considerar e, quando tal ocorre, porque o amor foi desdenhado, é no sofrimento que se aprimora.
        As tribulações solicitadas constituem bênção que deve ser vivida com alegria, mediante o aproveitamento de cada instante, mesmo que, aparentemente, sob a rudeza causticante da agonia.
        Noutras vezes, faz-se imperioso expungir, e os soberanos códigos, ensejando a libertação do calceta que, renitentemente, se entregou ao desvario, convidam-no à reparação expiatória com que conquista a paz, mediante os exercícios mais dolorosos da angústia ou da limitação, das mutilações ou da saudade...
        Afirmou Jesus:
        “No mundo só tereis aflições” em face de ser a Terra, ainda, uma Escola de crescimento, cujos métodos são defluentes das necessidades mais imediatas dos seus educandos.
        Assim, converte cada tribulação em conquista valiosa, insculpindo, no teu mundo íntimo, o seu conteúdo, de modo a não repetires os mesmos erros que ora te jugulam ao carreiro da agonia.
        Sofrendo, valorizarás a alegria e a paz, amando mais seguramente o teu próximo e melhor entendendo as suas dores que são companheiras das tuas.
        Não tendo qualquer compromisso a resgatar, Jesus ofereceu-Se à Vida, experimentando as mais rudes tribulações que se possa imaginar, para que compreendêssemos que, na escalada da evolução, o amor é luz a brilhar perenemente, mesmo quando o sofrimento nos convoca a compreendê-lo e incorporá-lo ao nosso dia-a-dia.

                                     Joanna de Angelis, psicografada por Divaldo Franco, e se encontra no livro Receitas de Paz.