domingo, 26 de julho de 2026

CRÔNICA: A ATITUDE SUSPEITA - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - COM GABARITO

 Crônica: A atitude suspeita

            Luís Fernando Veríssimo

 

        Sempre me intriga a notícia de que alguém foi preso “em atitude suspeita”. É uma frase cheia de significados. Existiriam atitudes inocentes e atitudes duvidosas diante da vida e das coisas e qualquer um de nós estaria sujeito a, distraidamente, assumir uma atitude que dá cadeia!

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbWtE2rSwYe0ed3QojaHCEDi9QZ8ZPXRUpYIpwIqs-f45QAxaFyejenkfCPI1blPhkwgHOW-fM4Nzaq5I1CXMIVbFo4EQbQnl6VHKVU3I45gf6bwxeFtCTHv38___EMagl_fIlnIrZv_1phlaYTkJzRddCFDgFlTwiSn8Ei46IY079q5jkv3hed44h0hE/s320/images.jpg 


     -- Delegado, prendemos este cidadão em atitude suspeita.

        -- Ah, um daqueles, é? Como era a sua atitude?

        -- Suspeita.

        -- Compreendo. Bom trabalho, rapazes. E o que é que ele alega?

        -- Diz que não estava fazendo nada e protestou contra a prisão.

        -- Humm. Suspeitíssimo. Se fosse inocente não teria medo de vir dar explicações.

        -- Mas eu não tenho o que explicar! Sou inocente!

        -- É o que todos dizem, meu caro. A sua situação é preta. Temos ordem de limpar a cidade de pessoas em atitudes suspeitas.

        -- Mas eu estava só esperando o ônibus!

        -- Ele fingia que estava esperando um ônibus, delegado. Foi o que despertou a nossa suspeita.

        -- Ah! Aposto que não havia nem uma parada de ônibus por perto. Como é que ele explicou isso?

        -- Havia uma parada sim, delegado. O que confirmou a nossa suspeita. Ele obviamente escolheu uma parada de ônibus para fingir que esperava o ônibus sem despertar suspeita.

        -- E o cara-de-pau ainda se declara inocente! Quer dizer que passava ônibus, passava ônibus e ele ali fingindo que o próximo é que era o dele? A gente vê cada uma...

        -- Não senhor delegado. No primeiro ônibus que apareceu ele ia subir, mas nós agarramos ele primeiro.

        -- Era o meu ônibus, o ônibus que eu pego todos os dias para ir para casa! Sou inocente!

        -- É a segunda vez que o senhor se declara inocente, o que é muito suspeito. Se é mesmo inocente, por que insistir tanto que é?

        -- E se eu me declarar culpado, o senhor vai me considerar inocente?

        -- Claro que não. Nenhum inocente se declara culpado, mas todo culpado se declara inocente. Se o senhor é tão inocente assim, por que estava tentando fugir?

        -- Fugir, como?

        -- Fugir no ônibus. Quando foi preso.

        -- Mas eu não estava tentando fugir. Era o meu ônibus, o que eu tomo sempre!

        -- Ora, meu amigo. O senhor pensa que alguém aqui é criança? O senhor estava fingindo que esperava um ônibus, em atitude suspeita, quando suspeitou destes dois agentes da lei ao seu lado. Tentou fugir e...

        -- Foi isso mesmo. Isso mesmo! Tentei fugir deles.

        -- Ah, uma confissão!

        -- Porque eles estavam em atitude suspeita, como o delegado acaba de dizer.

        -- O quê? Pense bem no que o senhor está dizendo. O senhor acusa estes dois agentes da lei de estarem em atitude suspeita?

        -- Acuso. Estavam fingindo que esperavam um ônibus e na verdade estavam me vigiando. Suspeitei da atitude deles e tentei fugir!

        -- Delegado...

        -- Calem-se! A conversa agora é outra. Como é que vocês querem que o público nos respeite se nós também andamos por aí em atitude suspeita? Temos que dar o exemplo. O cidadão pode ir embora. Está solto. Quanto a vocês...

        -- Delegado, com todo o respeito, achamos que esta atitude, mandando soltar um suspeito que confessou estar em atitude suspeita é um pouco...

        -- Um pouco? Um pouco?

        -- Suspeita.

 

Entendendo a crônica:

01 – Quando o delegado pergunta "Ah, um daqueles, é?". O que ele quis dizer com isso?

      Que era um daqueles criminosos, um daqueles suspeitos.

02 – Por que se declarar inocente é algo suspeito?

      Porque todo culpado se diz inocente.

03 – Qual a teoria do delegado sobre as pessoas se declararem culpadas ou inocentes?

      Nenhum inocente se declara culpado, mas todo culpado se declara inocente.

04 – O homem tentou mesmo fugir de ônibus? Explique.

      Não, era o ônibus que ele pegava todos os dias.

05 – Por que a atitude dos policiais também era suspeita?

      Porque eles fingiam que esperavam o ônibus e estavam vigiando o homem.

06 – E por que a atitude do delegado também era suspeita?

      Porque ele mandou soltar o suspeito.

07 – A expressão "atitude suspeita" significa:

a) atitude previsível                           

b) atitude criminosa

c) atitude comum                              

d) atitude duvidosa.

 

CARTA DE D.PEDRO I - IN: JOÃO ARMITAGE - COM GABARITO

 Carta de D. Pedro I

         Em 1831, ao deixar definitivamente o Brasil para assumir o trono de Portugal, D. Pedro I escreveu a seu filho D. Pedro II a seguinte carta:

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgUg9sUQP9fMZguvwKdl452rW6_ScqLSSFxY9MiBQk8fdvisuVsVXMrPAeGzDme25rwY1WTGyT2scOvl-PT3fn4pExwO5glg1FF2vMCqqnzsqeQ11BH-SGZfE8yZ2gWqEbGHcbBCV5Dkwop83M61uSv1J_5HNtVg4G3TNhBsZfSxGjAnhgN7BFH-FfNlBE/s320/images.jpg 

Carta a D. Pedro II

D. Pedro I

 

        Meu querido filho, e meu imperador:

        Muito lhe agradeço a carta que me escreveu, eu mal a pude ler, pois que as lágrimas eram tantas que me impediam a ver; agora que me acho, apesar de tudo, um pouco mais descansado, faço esta para lhe agradecer a sua, e para certificar-lhe que enquanto vida tiver as saudades jamais se extinguirão em meu dilacerado coração.

        Deixar filhos, pátria e amigos, não pode haver maior sacrifício; mas levar a honra ilibada, não pode haver maior glória. Lembre-se sempre de seu pai, ame a sua mãe, e a minha pátria, siga os conselhos que lhe derem aqueles que cuidarem na sua educação, e conte que o mundo o há de admirar, e que me hei de encher de ufania por ter um filho digno da pátria.

        Eu me retiro para a Europa: assim é necessário para que o Brasil sossegue, e que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz.

        Adeus, meu amado filho, receba a bênção de seu pai que se retira saudoso e sem mais esperança de o ver.

 

                        Ass. D. Pedro de Alcântara

 

                        Bordo da Nau Warspite

                        12 de abril de 1831

 

In: JOÃO ARMITAGE. História do Brasil. Rio de Janeiro: Zélio Valverde, 1943. P. 313.

 

Entendendo a carta:

01 – Quem é o remetente e o destinatário dessa carta?

      O remetente é D. Pedro de Alcântara (D. Pedro I). O destinatário é seu filho (D. Pedro II).

02 – Essa é a primeira carta trocada entre eles?

      Não. Esta é uma carta-resposta.

03 – Onde estava D. Pedro I ao escrever essa carta?

      A bordo de um navio, a Nau Warspite.

04 – Além de na introdução, existe um outro vocativo nessa carta? Onde?

      Sim. Na despedida: “Meu amado filho”.

05 – Procure no dicionário o que significam as palavras “ilibada” e “ufania”? há mais alguma palavra que você não conheça nessa carta?

      Ilibada: pura; ufania: honra, orgulho, dignidade.

06 – Qual o propósito da carta?

      Responder a carta do filho e aconselhá-lo.

07 – Segundo a carta, quando pai e filho pretendem se reencontrar? 

      Nunca. D. Pedro I não tem mais esperanças de ver o filho.

 

OLIVEIRA, Gabriela Rodella de. Português: a arte da palavra, 6º ano/ Gabriela Rodella de Oliveira, Flávio Nigro Rodrigues, João Rocha Campos; [ilustração Adolar, Jean Galvão, Roberto Weigand, Samuel Casal]. – 1. Ed. – São Paulo: Editora AJS Ltda, 2009.

 

sábado, 25 de julho de 2026

TIRINHA - ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS - COM GABARITO

 Orações Subordinadas Substantivas

 

Leia a tira a seguir, de Fernando Gonsales, e responda às questões 1 e 2.


     

(Níquel Náusea — Nem tudo que balança cai. São Paulo: Devir, 2003. P. 12.)

Entendendo a tirinha:

01 – No 1º quadrinho da tira, na fala do beija-flor, há uma oração subordinada substantiva. Identifique-a e classifique-a.

      Oração subordinada substantiva: “que o beija-flor bate a asa setenta vezes por segundo”

      Classificação: Oração subordinada substantiva objetiva direta.

      Explicação: Ela completa o sentido do verbo transitivo direto "Sabia" (oração principal: "Sabia [isso]?"), sem preposição exigida pelo verbo.

 

02 – O humor da tira é construído a partir da quebra de expectativa provocada pela resposta negativa do ratinho.

a) Qual era a expectativa do beija-flor ao fazer a pergunta ao ratinho?

      A expectativa do beija-flor era que o ratinho ficasse impressionado com a sua habilidade e o achasse uma criatura incrível.

b) Por que o beija-flor é quem sai surpreendido nessa conversa?

      Porque, em vez de admirar a velocidade do beija-flor, o ratinho transfere o mérito para a pessoa que conseguiu contar tantas batidas de asas por segundo. Assim, a resposta inesperada do ratinho "desinfla" o orgulho do beija-flor.

FÁBULA: CÃO! CÃO! CÃO! - MILLÔR FERNANDES - COM GABARITO

 Fábula: CÃO! CÃO! CÃO!

           Millôr Fernandes

 

        Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou apenas que ele, amigo, viesse acompanhado por um cão. Cão não muito grande, mas bastante forte, de raça indefinida, com toda efusão. “Quanto tempo!”. O cão aproveitou as saudações, se embarafustou casa adentro e logo o barulho na cozinha demonstrava que ele tinha quebrado alguma coisa. O dono da casa encompridou um pouco as orelhas, o amigo visitante fez um ar de que a coisa não era com ele. “Ora, veja você, a última vez que nos vimos foi...” “Não, foi depois, na...” “E você, casou também?” O cão passou pela sala, o tempo passou pela conversa, o cão entrou pelo quarto e novo barulho de coisa quebrada. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjFZrD3W8J0b5Sz6SkzuuOJQH1BvdYq2mKhyphenhyphen_bfK9O1xommjmkjKVTYE4i9Shdo-HJySCzVn0zJ-9_srqMdCqJknbEIKp1x809y0YqBKXFBpryRODQHJTJjp1I1LPr2HPp5eyxg4se63ceaSHjv_uUlaFiWg_RMkn1ZElIFIlY5f-pm2Uxb0jQPnJVo9Ck/s320/images.jpg


Houve um sorriso amarelo por parte do dono da casa, mas perfeita indiferença por parte do visitante. “Quem morreu definitivamente foi o tio... Você se lembra dele?” “Lembro, ora, era o que mais... não?” O cão saltou sobre um móvel, derrubou o abajur, logo trepou com as patas sujas no sofá ( o tempo passando) e deixou lá as marcas digitais de sua animalidade. Os dois amigos tensos, agora preferiam não tomar conhecimento do dogue. E, por fim, o visitante se foi. Se despediu, efusivo como chegara, e se foi. Mas ainda indo, quando o dono da casa perguntou: “Não vai levar o seu cão?” “Cão? Cão? Cão? Ah, não! Não é meu, não. Quando entrei, ele entrou naturalmente comigo e eu pensei que fosse seu. Não é seu, não?”

 

        MORAL: Quando notamos certos defeitos nos amigos, devemos sempre ter uma conversa esclarecedora.

 Entendendo a fábula:

01 – Quais são os personagens da história?

      Os dois amigos e o cão.

02 – O autor não utilizou travessões para indicar os diálogos. Que recurso Millôr Fernandes usou para representar as falas dos personagens?
      Aspas.
03 – O cão era vira-lata. Que expressão do texto indica isso?

      De raça indefinida.

04 – Enquanto os amigos conversavam, o cão passou por três cômodos da casa. Indique quais são os cômodos e o que o cão fez em cada um deles.

      Cozinha (quebrou algo), quarto (quebrou algo), sala (derrubou o abajour e deixou suas marcas no sofá).


05 – Por que os amigos foram ficando tensos à medida que o tempo ia passando?

      Porque o cachorro estava quebrando tudo e ninguém fazia nada.
06 – O que significa o sorriso amarelo do dono da casa no meio de sua conversa com o amigo?

      Que ele estava sem graça.

07 – Por que nenhum dos amigos reagiu às destruições do cachorro?

      Porque o cão não era de nenhum dos dois.

08 – Que fato é responsável pelo humor do texto?

      Que um fica achando que o cão era do outro e não era de ninguém.

 

FÁBULA: O LOBO E O CÃO - RUTH ROCHA - COM GABARITO

 Fábula: O lobo e o cão

            Ruth Rocha

 

        Certo dia, um Lobo só pele e osso encontrou um cão gordo, forte e com o pelo muito lustroso enquanto andava pela estrada. Via-se bem que não passava fome. O Lobo, admirado, quis saber onde é que ele conseguia obter tanta comida.

        -- Se me seguires ficarás tão forte como eu – respondeu o cão. – O homem dar-te-á restos saborosos.

        -- Mas o que preciso fazer em troca? – quis saber o Lobo.

        -- Muito pouco, na verdade – respondeu o Cão. – Uivar aos intrusos, agradar ao dono e adular os seus amigos. Só por isto receberás carne e outras iguarias muito bem cozinhadas. De vez em quando, receberás também festas no dorso.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtbgVjA0huxfiSRoBVvW3Lymw4a3-qg3hVre6qyZzeNHf7cFoN3tL2bP0vGra-L5JW0boeJ3XNEZP6RuXBh7kwUn_jo4LCg7LhMIZ-JTlOYj2Q9ORWP8gy569of5t6Hdlxi2eLsJyqdofb6g5aLCkKYKiQTliRW2geO9K-okwm44bOuXN3qz6uBCXL5z4/s320/images.jpg


        O Lobo ficou encantado com a ideia e meteram-se ambos ao caminho. A dada altura, o Lobo reparou que o cão tinha o pescoço esfolado.

        -- O que tens no pescoço? – perguntou.

        -- Nada de grave. É da argola com que me prendem – explicou o Cão.

        -- Preso? Então não podes correr quando queres? – exclamou o Lobo. – Esse é um preço demasiado elevado: não troco a minha liberdade por toda a comida do mundo.

        Dito isto, desatou a correr o mais depressa que pode para bem longe dali.

        Moral da história: A tua liberdade não tem preço.

 

Entendendo a fábula:

01 – Qual era a diferença física entre o lobo e o cão no início da história?

      O lobo estava extremamente magro, descrito como "só pele e osso", enquanto o cão era gordo, forte e tinha o pelo muito lustroso, demonstrando que se alimentava bem.

 

02 – O que o cão disse que o lobo precisaria fazer para receber comida saborosa e carinho do dono?

      O lobo precisaria fazer pouca coisa: uivar para os intrusos, agradar ao seu dono e adular os amigos dele. Em troca, receberia carne, comida bem cozinhada e carinho no dorso.

 

03 – O que fez com que o lobo mudasse de ideia e desistisse de acompanhar o cão?

      O lobo reparou que o cão tinha o pescoço esfolado por causa da corrente/coleira e descobriu que ele ficava preso, não tendo a liberdade de correr quando quisesse.

 

04 – Qual é o ensinamento (a moral) trazido por essa fábula?

      A moral da história é que "a tua liberdade não tem preço". Ela mostra que nenhuma fartura, conforto ou segurança vale o custo de perder a própria independência.

 

05 – Na frase “Esse é um preço demasiado elevado: não troco a minha liberdade por toda a comida do mundo”, o que a palavra “demasiado” significa no contexto?

      A palavra "demasiado" significa excessivo, muito grande ou alto demais. O lobo quis dizer que ficar preso era um custo alto demais a se pagar apenas por comida.

 

 

 

 

MÚSICA(ATIVIDADES): VEJA BEM, MEU BEM - LOS HERMANOS - COM GABARITO

 Música (Atividades): Veja bem, meu bem 

            Los Hermanos

 

Veja bem, meu bem

Sinto te informar que arranjei alguém

pra me confortar.

Este alguém está quando você sai

E eu só posso crer, pois sem ter você

nestes braços tais.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhdZnx_C_F8u6cd-WKZdGg4JicuXHoDzauRS6gkzN4PLGX-DzZw0pfjqebMSFoP1qEFBLRX4pP31ptYNI2S0szuddOT_syRi66olZHDVQFGcqz6GMXrMgRmYZb2jjRYYwLJP1lOLezlxQcu5qT3wHHWz0QIj51ktM7a263qdqfAVRIaZxC7yscWdrrOsZk/s320/images.jpg 

Veja bem, amor.

Onde está você?

Somos no papel, mas não no viver.

Viajar sem mim, me deixar assim.

Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

 

Enquanto isso, navegando vou sem paz.

Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.

 

E eu nunca vou te esquecer amor,

Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.

 

Veja bem além destes fatos vis.

Saiba, traições são bem mais sutis.

Se eu te troquei não foi por maldade.

Amor, veja bem, arranjei alguém

chamado saudade.

Composição: Marcelo Camelo.

 Entendendo a música:

01 – A palavra “bem” aparece duas vezes no título da música. Explique em que sentido ela é usada em cada uma dessas vezes.

      O bem de “veja bem” faz parte de uma expressão que significa “preste atenção em”, “escute atentamente”, ou seja, funciona como advérbio de intensidade. Já o “bem” de “meu bem”, é uma expressão carinhosa para denominar algo ou alguém, isto é, funciona como substantivo.

 02 – Como você acha que o “eu” da canção está se sentindo? Que passagens do texto te levaram a concluir isso?

      Se sente sozinho quando menciona palavras como “confortar” e “solidão” ou quando faz perguntas como “onde você está?”. Se sente também angustiado porque admite estar “sem paz”.

 03 – O eu lírico da música insinua que está se relacionando com uma outra pessoa. Explique de que maneira o compositor constrói essa expectativa e como ele rompe com ela.

      O eu parece estar se relacionando com uma pessoa física na medida em que a nomeia a como um “alguém”. No entanto, no último verso, ele revela que esse “alguém” é na verdade um sentimento: a saudade.

 04 – Explique o verso: “Somos no papel, mas não no viver”.

      Ele quis dizer que estava casado legalmente, “no papel”, mas não sentia que o relacionamento estivesse bem a ponto de ser considerado um casamento.

 05 – No primeiro verso da quinta estrofe da canção, o autor faz referência a “fatos vis”. Na sua opinião o que seria um fato vil e quais deles são apontados na música?

      Fatos vis são situações tristes, indignas, ruins. Uma delas, por exemplo, é o fato de o eu se sentir sozinho quando seu parceiro viaja, sai ou não está. Por essa razão é que afirma estar com o outro “no papel”, mas não no viver.

06 – A música trata de uma separação? Justifique sua resposta.

      Não, porque ele afirma ainda amar a esposa quando diz: “E eu nunca vou te esquecer” e quando explica que as traições são bem mais sutis do que pensamos. Isso pode indicar que ele não está traindo de fato e, sim, só sentindo saudades, já que é ao lado desta que ele se encontra a maior parte do tempo.

 07 – Você acha que o relato presente na música foi de fato realizado diante de uma pessoa concreta ou aconteceu de outra maneira? Qual? Justifique sua resposta.

      É provável que o interlocutor sinta-se surpreendido ao perceber que o parceiro estivesse dando termino ao relacionamento, por afirmar que tinha arranjado outra pessoa para confortá-lo. No entanto, deveria se sentir aliviado ao saber, ao final do texto, que esse alguém não era uma pessoa física e sim um sentimento, a saudade.

 08 – Se você fosse o interlocutor desse texto, quais seriam suas reações no decorrer da leitura e como você responderia a ele?

      Resposta pessoal do aluno.

 

POEMA: TREM SUJO DA LEOPOLDINA - SOLANO TRINDADE - COM GABARITO

 Poema Trem sujo da Leopoldina 

           Solano Trindade

 

Trem sujo da Leopoldina
Correndo correndo
Parece dizer
Tem gente com fome
Tem gente com fome
Tem gente com fome

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1Ok8Hc3xWMKadblM7-Ts2aAbjaE9iri5Pdd1AukyhR4kOlyHAeXfEAjKvDBYwvVIG80qvLVBkKCUskS90Pegn5scL9UpyrRcit3I1BnmlEwIE8enhDmN2ljnn1nmQYZMk2h9NdqEmWwJPmxji-y-iAveuWA6JnnvDhMGUayGI6KYRdwgJR6fP1nCIJLQ/s320/Leopoldina.jpg 

Piiiiii

Estação de Caxias
De novo a dizer
De novo a correr
Tem gente com fome
Tem gente com fome

 

Tem gente com fome

 

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso

 

Carlos Chagas
Triagem, Mauá

Trem sujo da Leopoldina
Correndo correndo
Parece dizer

 

Tem gente com fome
Tem gente com fome
Tem gente com fome

 

Tantas caras tristes
Querendo chegar
Em algum destino
Em algum lugar

 

Trem sujo da Leopoldina
Correndo correndo
Parece dizer
Tem gente com fome

Tem gente com fome
Tem gente com fome

 

Só nas estações
Quando vai parando
Lentamente começa a dizer
Se tem gente com fome
Dá de comer
Se tem gente com fome
Dá de comer

Se tem gente com fome
Dá de comer

Mas o freio de ar
Todo autoritário manda o trem calar
Psiuuuuuuuuu.

 

Entendendo o poema:

01 – O que o trem parece dizer enquanto corre pelos trilhos?

      O trem parece repetir incessantemente a frase: "Tem gente com fome / Tem gente com fome / Tem gente com fome".

 

02 – Ao longo do poema, são citados vários nomes próprios em sequência. O que representam esses nomes (como Caxias, Vigário Geral, Olaria, Ramos)?

      Eles representam os nomes das estações e localidades por onde o trem da Estrada de Ferro Leopoldina passa no subúrbio do Rio de Janeiro.

 

03 – Como são descritas as pessoas que viajam no trem e qual é o desejo delas?

      O poema descreve os passageiros como tendo "caras tristes", cujo único desejo é "querer chegar em algum destino, em algum lugar".

 

04 – Qual é a reivindicação ou apelo que surge quando o trem começa a parar nas estações?

      O poema clama por solidariedade e ação diante da miséria, com a mensagem: "Se tem gente com fome, dá de comer".

 

05 – O que acontece no final do poema quando o trem tenta expressar a fome das pessoas, e qual é o significado disso?

      O "freio de ar" do trem, descrito como "todo autoritário", manda o trem calar com um som de silenciamento ("Psiuuuuuuuuu"). Isso simboliza a censura, o abafamento dos problemas sociais e a tentativa de silenciar a voz daqueles que denunciam a fome e a pobreza.

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA - SEDUC/MT - QUIZ - 6º ANO EF - 2º BIMESTRE - COM GABARITO

 LÍNGUA PORTUGUESA SEDUC/MT-2026- 6º EF -2º BIMESTRE  QUIZ

 


Questão 01  

Leia o texto.

 

PLUFT: Mamãe!

MÃE: O que é, Pluft?

PLUFT: (Sempre com a boneca de pano) Mamãe, gente existe?

MÃE: Claro, Pluft. Claro que gente existe.

PLUFT: Mamãe, tenho tanto medo de gente! (Larga a boneca.)

MACHADO, Maria Clara. Pluft, o fantasminha.

Ilustração Marcus Moraes. 15. ed. Rio de. Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

Considerando o contexto e mantendo o sentido, a palavra "medo", em destaque no texto, pode ser substituída por

a.   "raiva".

b.   "pavor".

c.   "angústia".

d.   "melancolia".

Questão 02 

Leia o texto.

 

Vento – Deixem-me dormir, criaturas desagradáveis.

Pedro – Quem é criatura desagradável?

Maria – Acho que somos nós.

Pedro (brincalhão, levantando a voz) – Os incomodados que se mudem.

Vento (furioso) – O quê?

Pedro (provocador) – Disse: os incomodados que se mudem.

Vento – Olhem aqui, pirralhos, ou vocês me deixam dormir em paz ou...

Pedro – Ou o quê? Aqui por acaso é propriedade sua?

Maria – Pedro, não provoca.

Pedro – A praia é pública, a rua é pública, o espaço é público, a atmosfera é pública...

Maria – A estratosfera é pública... [...]

Vento – Vocês querem não é?

(Dá uma lufada de sopro sobre os meninos, que caem no chão [...])

MACHADO, Maria Clara. A menina e o vento. In: A menina e o vento e outras peças. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

No trecho, o uso da palavra em destaque apresenta um prefixo que indica

a.   intensificação.

b.   afirmação.

c.   negação.

d.   exceção.

Questão 03 

Leia o texto.
 

Alguém andava assaltando nosso galinheiro. A cada dia sumia uma galinha. Quem faria isso, estando a casa cercada por paredes de imensos edifícios? Não havia muro para saltar. Nem grades para pular. E na casa só morávamos eu, meus pais, tio Clarimundo e Noca, a velha empregada. Um enigma muito enigmático, sim. Sherlock Holmes chegou e hospedou-se no quarto dos fundos. Ele, seu boné xadrez, seu cachimbo, lógico, e mais logicamente sua lupa, que aumentava tudo. [...]

Por fim, restou apenas uma galinha.

À hora do almoço o famoso detetive, sentindo-se velho e fracassado, sofreu uma crise, chorando na frente de todos. Nós nos comovemos muito com a situação. Um homem daqueles derramar lágrimas... Noca, então, deu um passo à frente e confessou:

— Eu que roubava as galinhas. Dava às famílias pobres duma favela.

Sherlock enxugou imediatamente as lágrimas na manga do paletó.

— Já sabia. Fingi chorar para que ela confessasse.

— Então desconfiava de Noca? — perguntou tio Clarimundo.

— Encontrei penas de galinha no quarto dela. Elementar, Clarimundo. [...]

REY, Marcos. In: PRIETO, Heloísa (Org.). Vice-Versa ao Contrário: histórias clássicas recontadas. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1993.

 

Pelas ações descritas e pelas escolhas de palavras do narrador, Sherlock Holmes parece um(a)

a.   versão modernizada do detetive, adaptada à realidade brasileira.

b.   mestre da dedução, que utiliza métodos científicos para solucionar o caso.

c.   detetive abatido pela idade e marcado pelo fracasso, porém ainda dedutivo.

d.   representação fiel do detetive, com suas habilidades clássicas de observação.

Questão 04  

Leia o texto.

 

O grupo dos Karas estava completo. Haviam sido convocados pelo K desenhado na mão esquerda de Miguel, o sinal de emergência máxima.

Crânio tirou sua famosa gaitinha do bolso e ficou passando-a pelos lábios, sem soprar, lentamente.

Calú quebrou o silêncio, sem se preocupar com o tom de voz, pois o forro do vestiário era bem espesso e não deixava vazar nenhum som:

 — O que houve, Miguel?

Com os olhos nas cópias de jornal, ainda sentado como um sacerdote budista, Miguel falou pausadamente:

— É uma emergência máxima. Está na hora de os Karas...

Um ruído veio do alçapão. Por um décimo de segundo, os Karas se entreolharam. O grupo estava completo. Quem estaria invadindo o esconderijo?

BANDEIRA, Pedro. A droga da obediência. São Paulo: Moderna, 2014.

No trecho, nota-se que o grupo estava em um local secreto a partir das escolhas lexicais, como em

a.   “Haviam sido convocados pelo K desenhado na mão esquerda de Miguel, o sinal de emergência máxima.”

b.   “Crânio tirou sua famosa gaitinha do bolso e ficou passando-a pelos lábios [...].”

c.   “Calú quebrou o silêncio, sem se preocupar com o tom de voz [...].”

d.   “Um ruído veio do alçapão. [...] Quem estaria invadindo o esconderijo?”