segunda-feira, 5 de novembro de 2018

TEXTO: O COMEÇO DO ADEUS DO MANEZINHO DA ILHA - JUCA KFOURI - COM QUESTÕES GABARITADAS


Texto: O começo do adeus do Manezinho da Ilha
                          
                Juca Kfouri

        Guga começa a se despedir do tênis hoje, ali pelas 21h, na Bahia, mais exatamente na Copa do Sauipe, no Torneio Aberto do Brasil. 
        Seu adversário será o argentino Carlos Berlocq, que acaba de ser quadrifinalista no Aberto de Viña del Mar, no Chile.
     O argentino é o favorito e o próprio Guga é quem diz que ganhar ou perder, agora, não tem mais a menor importância.
        Ele quer ter apenas o prazer de jogar, presente que se deu antes de abandonar definitivamente a raquete, encerramento prematuro da carreira por problemas físicos.
        Mas carreira que já está para sempre na história do tênis mundial, como tricampeão em Roland Garros.
        E carreira do melhor jogador brasileiro de tênis de todos os tempos, o único que chegou a ser número 1 do mundo e por quase um ano.
        Hoje, como ontem e como amanhã, é dia de bater palmas para Gustavo Kuerten, o Guga, quatro letras como Pelé, como Zico, como Mané, ele que sempre gostou de ser chamado de Manezinho da Ilha.

                                    Juca Kfouri. Disponível em: http://www.blogolhada.com.br.
                                                                                                    Acesso em: 4 nov.2011.
Entendendo o texto:
01 – O cronista, sem rodeios, anuncia que o jogador argentino Carlos Berloncq é favorito no jogo contra Guga. Que efeito de sentido essa afirmação pode causar no leitor? Justifique sua resposta.
      Essa afirmação pode acentuar a ideia da importância de Guga como atleta, visto que uma possível derrota no jogo é vista como algo pequeno diante de suas qualidades e de seus feitos.

02 – Observe:
        “Seu adversário será o argentino Carlos Berlocq, que acaba de ser quadrifinalista no Aberto de Viña del Mar, no Chile.”
        “E carreira do melhor jogador brasileiro de tênis de todos os tempos, o único que chegou a ser número 1 do mundo e por quase um ano.”
        É significativo que o texto use orações subordinadas adjetivas para tratar de ambos os jogadores. Qual é a função dessas orações?
      Qualificá-los, mostrar seus atributos.

03 – Como se classifica cada uma dessas orações subordinadas adjetivas?
      A primeira é adjetiva explicativa, a segunda é adjetiva restritiva.

04 – Por que é importante que a crônica explique ao leitor quem é Carlos Berlocq?
      Porque provavelmente nem todos os leitores o conhecem, ao contrário do que sucede com Guga. Além disso, porque essa explicação é o que permite ao leitor entender que esse tenista poderá vencer Guga.

05 – Responda com base nos dois trechos acima:
a)   Qual é o antecedente da oração “que chegou a ser número 1 do mundo”?
O antecedente é o termo único.

b)   Qual é o antecedente da oração “que acaba de ser quadrifinalista”?
O antecedente é o termo o argentino Carlos Berlocq.

c)   Qual das duas orações subordinadas adjetivas é sintaticamente indispensável à frase: a que se refere a Carlos Berlocq ou a que se refere a Guga?
A oração “que chegou a ser número 1 do mundo” é indispensável: a oração “que acaba de ser quadrifinalista” poderia ser retirada da frase sem prejuízo sintático.

d)   Que relação se poderia ver entre a importância sintática de cada uma dessas orações e o valor que o comentarista atribui a cada jogador?
Seria possível pensar que, assim como a oração subordinada adjetiva que se refere a Guga é sintaticamente indispensável à frase e exprime atributos de um jogador que é único, o próprio jogador é um atleta indispensável no cenário esportivo brasileiro e com uma carreira única.

06 – Qual é a construção sintática utilizada pelo cronista para indicar a singularidade da carreira de Guga? Em outras palavras: de que modo ele atesta que não se trata de uma carreira qualquer?
      O cronista indica a singularidade da carreira de Guga especificando-a por meio de outra oração subordinada adjetiva restritiva: ela é uma “carreira que já está para sempre na história do tênis mundial.”

07 – O texto aproxima o tênis do futebol e compara Gustavo Kuerten a alguns dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos.
a)   Qual é o fato linguístico que permite o estabelecimento dessas relações? Através de que tipo de oração ele é expresso no texto?
Guga “que sempre gostou de ser chamado de Manezinho da Ilha”, e esse apelido, rememorado por meio de uma oração subordinada adjetiva restritiva, é a ponte utilizada na crônica para aproximá-lo de craques do futebol cujos nomes, assim como o seu, têm quatro letras: Mané (no caso, Mané Garrincha), Zico, Pelé.

b)   Qual é a importância desses paralelos em um país onde, em comparação ao futebol, o tênis é um esporte que mobiliza pouco o público e a imprensa?
Eles realçam a posição de Guga entre os melhores atletas nacionais, já que o situam entre aqueles mais conhecidos, de maior prestígio, considerados insuperáveis e inesquecíveis.

domingo, 4 de novembro de 2018

CRÔNICA: DELÍRIOS DE HONESTIDADE - WALCYR CARRASCO - COM QUESTÕES GABARITADAS


Crônica: DELÍRIOS DE HONESTIDADE
              
                  Walcyr Carrasco

        Outro dia eu estava pensando em como seria o mundo se as pessoas fossem realmente honestas. Inclusive no mais prosaico cotidiano. Eu me imagino entrando em uma dessas churrascarias de luxo. Sento-me à mesa e peço um filé bem passado ao garçom. Ele me alerta:
        — Não aconselho. O filé hoje está uma sola de sapato.
        — Peço o quê?
        — Peça licença e vá para outro lugar. Olhe bem o cardápio. Pelo preço de um bife o senhor compra mais de um quilo no açougue. Quer jogar seu dinheiro fora?
        Vou para outro e escolho: salmão. O garçom:
        — Se o senhor quiser, eu trago. Mas salmão, salmão, não é. É surubim, alimentado de forma a ficar com a carne rosada. Ainda quer?
        — Nesse caso fico com escargots.
        — Lesmas, quer dizer? Por que não vai catar no jardim?
        Ou então entro numa butique de griffe. Experimento um jeans, que está apertadinho na barriga. O vendedor aproxima-se:
        — Ficou bom? Ah, não ficou, não, está apertado e não tenho um número maior.
        — Acho que dá... ando pensando em fazer regime.
        — Pois compre depois de obter algum resultado. Se bem que não sei, não... essa barriga parece coisa consolidada.
        — Eu quero o jeans. Quero e pronto!
        --- Não vou deixar que cometa essa loucura. Aliás, falando francamente, o que o senhor viu nesse jeans, que nem cai bem nas suas adiposidades? Só pode ser a etiqueta. Meu amigo, ainda acredita em griffe?
        Corro à casa de chocolates e peço um dietético. A mocinha no balcão:
        — Confia nessa história de dietético? Ou só quer calar a sua consciência?
        — E se eu quiser confiar, estou proibido?
        — Pois saiba que engorda. Menos que o chocolate comum, mas engorda. E o senhor não me parece em condição de fazer concessões a doces. Não vou contribuir para o seu auto-engano, jamais poria esse chocolate nas suas mãos. Vá à feira e peça um jiló.
        Resolvo trocar de carro. Passeio pela concessionária, escolho:
        — Este vermelho, que tal?
        — O motor funde mais dia, menos dia — alerta o vendedor.
        — Parece tão bonitinho...
        — Desculpe, mas você acha que a lataria anda sozinha? Já alertei o dono da loja, este carro está péssimo. Fique com aquele.
        — Mas é velho e horroroso!
        — Pode ser, mas anda. Está decidido, leve aquele. E não discuta!
        O embate com a honestidade absoluta também poderia ser uma galeria de arte.
        — Gostei daquele — aponto o quadro à marchande.
        — Está precisando de pano de chão?
        — Não... é que... bem, posso não entender de arte, mas achei bonito.
        — Sinceramente, o senhor não entende mesmo. Isso aqui é um horror. Não vale a tinta que gastou. Está exposto porque o dono da galeria insistiu. Leve aquele, é valorização na certa.
        — Aquele? É muito sombrio... eu queria alguma coisa alegre e ...
        — Não insista. Sombrio ou não, vou embrulhar. Faça o cheque, é melhor pra você.
        E numa loja de móveis? Mostro as cadeiras que me interessam. O decorador:
        — É amigo de algum ortopedista?
        — Está precisando de um? Posso indicar...
        — Você é quem vai precisar. Essas cadeiras vão desmontar na terceira vez em que alguém se sentar. Fratura na certa.
        — Caras assim e desmontam? Eu devia chamar o Procon.
        — Se quiser, eu chamo para o senhor!
        Pior seria alguma vaidosa querendo fazer plástica. O cirurgião examina:
        — Hum... hum...
        — Meu nariz vai ficar bom, doutor?
        — Se a senhora se contenta em trocar uma picareta por um parafuso, fica! Agora, se ambiciona uma melhora significativa, o melhor é morrer e reencarnar de novo. Pode ser tenha mais sorte.
        A paciente sai chorando. Eu, que vivo me irritando com vendedores, chego a uma conclusão: quero comprar o jeans que me oprime a barriga, o chocolate que não emagrece e o quadro colorido. Deliciar-me com as pequenas fantasias. Feitas as contas, delírios de honestidade podem transformar-se em pesadelos cruéis. Os pequenos enganos abrem as comportas dos pequenos sonhos e adoçam o dia-a-dia.

Walcyr Carrasco. O golpe do aniversariante. São Paulo, Ática, 1989.
Entendendo a crônica:
01 – Nessa crônica, o narrador-personagem imagina algumas situações que aconteceriam a partir de uma suposição, uma condição.
a)   Que suposição o faz imaginar tais situações que desencadeiam a narrativa?
Ele imagina que como seria o mundo se as pessoas fossem realmente honestas, ainda mais no prosaico cotidiano.

b)   Com base nessa suposição, o que o narrador-personagem, provavelmente, pensa sobre a sinceridade das pessoas?
Ele pensa que com sinceridade as pessoas que trabalham no comércio vão parar de querer vender seu produto, e sim analisar se o produto é de boa qualidade.

02 – No texto, as situações são apresentadas ao leitor por meio de diálogos entre narrador-personagem e seus interlocutores imaginários.
a)   Em sua opinião, por que esse recurso foi utilizado?
Foi utilizado para criar um tom de realidade nas situações.

b)   Qual dos diálogos apresentados, em sua opinião, é o mais improvável de acontecer na vida real?
Dentre os diálogos apresentados o mais improvável seria na churrascaria de luxo, quando o seu cliente pede um “escargots” e o garçom fala para ele não aceitar, pois era um surubim, alimentado de forma a ficar com a carne rosada.

03 – Para ilustrar o ponto de vista defendido na crônica, o narrador-personagem imagina-se numa churrascaria de luxo, pedindo um bife ao garçom.
a)   Que expressão o garçom usa para referir-se ao bife?
A expressão que ele usa é um alerta de que o bife está uma sola de sapato, ou seja, duro.

b)   Essa expressão é uma metáfora. Qual o seu significado no texto?
Essa expressão significa que o bife está duro ou ruim.

c)   Ao mostrar-se preocupado com o preço dos pratos, o que fica implícito (escondido) sobre o garçom?
O garçom está preocupado se o cliente vai desperdiçar o dinheiro.

04 – Ao correr à casa de chocolates, o narrador-personagem se depara com uma mocinha que se recusa a atendê-lo.
a)   O que revelam os argumentos da mocinha sobre o produto?
Os argumentos da mocinha revelam que o narrador não está em boa forma, ou seja, ele está gordo.

b)   O que dá o tom humorístico à fala da personagem?
É quando ela fala que o cliente não está em condição de fazer concessões a doces.

c)   Há uma crítica implícita nesse trecho. O que está sendo criticado?
Sim. Está sendo criticado a forma física do cliente.

05 – Outra situação imaginada pelo narrador-personagem é a da mulher à procura de um cirurgião plástico.
a)   Qual palavra é empregada para referir-se à mulher que quer fazer plástica?
A palavra usada é “vaidosa”.

b)   A partir dessa palavra, o que fica subentendido sobre a opinião do autor a respeito de cirurgia plástica?
É de que todos querem ficar bonitos e vaidosos hoje em dia.

06 – O autor do texto trata com humor e ironia a inversão dos papéis entre consumidor e vendedor. Que efeito esse recurso provoca no leitor?
      Que o vendedor mente para poder vender sua mercadoria, mostra o quanto as pessoas não são sinceras.

07 – Releia o último parágrafo do texto. Depois de imaginar essas situações do cotidiano, a que conclusão chega o narrador-personagem? Você concorda com essa conclusão? Por quê?
      Ruim, pois ele não adquiriu os produtos que ele queria. Sim, eu concordo, porque todas as pessoas têm ilusões, as quais as fazem quererem viverem melhores.

FÁBULA: AS LEBRES E AS RÃS - ESOPO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Fábula: As Lebres e as Rãs
          Esopo


        O Sábio nunca se guia pelas Aparências...
        As lebres, animais tímidos por natureza, sentiam-se oprimidas diante de tanto acanhamento.
        E como viviam, na maior parte do tempo, com medo de tudo e de todos, temendo até a própria sombra, frustradas e cansadas, resolveram dar um fim às suas angústias.
        Então, de comum acordo, decidiram pôr fim às suas vidas. Concluíram que esta seria a única saída para tamanho impasse, e que apenas assim resolveriam, de forma definitiva, todos os seus problemas e limitações.
        Combinaram então que se jogariam do alto de um penhasco, para as escuras e profundas águas de um lago.
        Assim, quando correm para o lago, várias Rãs que descansavam ocultas pela grama à margem do mesmo, tomadas de pavor ante o ruído de suas pisadas, desesperadas, pulam na água em busca de proteção.
        Ao ver o pavor que sentiam as Rãs em fuga, uma das Lebres se volta e diz às companheiras: "Não mais devemos fazer aquilo que combinamos minhas amigas, pois agora sabemos que existem criaturas ainda mais medrosas que nós..."

      Moral da História 1: Julgar que nossos problemas são os mais importantes do mundo é a maior das ilusões...
      Moral da História 2: A ignorância só é capaz de produzir mais ignorância...

                                                                                          Fábula de ESOPO.
Entendendo a fábula:
01 – Qual afinal de contas, era o grande problema das lebres?
      Elas tinham medo de tudo e de todos, até da própria sombra.

02 – Sobre o que elas conversaram e qual a decisão tomada?
      Eles conversavam de que maneira iriam acabar com aquele problema, e decidiram pular do penhasco, nas escuras e profundas águas do lago.

03 – O que aconteceu após a decisão final?
      Elas saíram correndo para pular do penhasco, e perceberam que tinha outros animais que tinham medo igual a eles.

04 – Na fábula, o autor tenta nos fazer compreender algum sentimento, comportamento próprio da natureza humana? Qual seria?
      O medo, a insegurança, a indecisão, etc.

05 – Você seria capaz de descrever, com suas palavras, o significado da Moral da Fábula 1?
      Resposta pessoal do aluno.    
 
06 – Em nossa vida diária, qual a lição que podemos tirar a partir dos ensinamentos do Autor?
      Que devemos confiar mais em nós mesmos, nas nossas capacidades e decisões.

07 – Quem são os personagens da fábula?
      As lebres e a rãs.


CONTO: CEM ANOS DE PERDÃO - CLARICE LISPECTOR - COM GABARITO

Conto: Cem anos de perdão             

                          Clarice Lispector

        O conto se passa em um bairro rico de Recife, próximo a um palacete. Este lugar, que tem a beleza como uma de suas principais características, tem um jardim também muito bonito, que chama a atenção das personagens do conto. A partir daí, a história “começa” (fatos importantes ocorrem).
        Um dia, duas meninas passaram por esse bairro e avistaram tal palacete, que chamava a atenção. Elas queriam se apropriar dele, mas não podiam. Uma delas ficou encantada com uma das rosas que viram neste mesmo lugar, e então, a roubou, tomando cuidado para não ser vista. O enredo basicamente se desenvolve em torno dos pensamentos para tal roubo, já que o desejo por aquela rosa, para esta menina, era tão grande. Enquanto ela pegava as rosas, sua amiga vigiava, para que ninguém as visse. Com o passar do tempo, passaram a roubar não só rosas com frequência, como pitangas também.
        Apesar do narrador dizer que não se arrepende por roubar rosas quando pequena, o leitor nota que ela nunca esqueceu esse fato, conservando em sua memória todos os detalhes (inclusive os emocionais) da primeira vez em que roubou rosas, e procurando desculpar-se ao dizer que tem cem anos de perdão.
        Podemos classificar resumidamente, as partes que constituem o conto, tais como a situação inicial, o conflito, o clímax e o desenlace. A situação inicial é basicamente o fato das duas amigas olharem para os palacetes. O conflito se dá quando uma delas teve o desejo de uma flor. O clímax, por sua vez, é o roubo da flor, pois o resto do conto se baseia em tal ato. Já o desenlace, é o fato das meninas passarem a não roubarem apenas flores, como pitangas também, e isso indica que ambas gostaram e continuaram o que estavam fazendo (roubar).
        Apenas duas personagens fazem parte deste conto e estas são apresentadas ao leitor logo no começo. Ao decorrer deste, alteramos a imagem que tínhamos sobre ambas, pois não imaginaríamos que elas roubariam flores/pitangas, já que no começo, parecem ser inocentes.  Uma destas meninas é a narradora. Ela pode ser caracterizada por uma narradora em primeira pessoa protagonista, e também conta a história através de uma posição central, pois já que não narrou algo momentâneo, está distante dos acontecimentos, mas apesar disto, nos conta detalhadamente tudo o que aconteceu, e então, notamos que todos os eventos, personagens e elementos da história giram ao seu redor.  Já a sua amiga, pode ser caracterizada como uma personagem co-protagonista, pois possui uma relação próxima com o protagonista e o ajuda na busca de seu objetivo, ou seja, no roubo das rosas.
        O espaço em que o conto se passa compromete o que as personagens farão ao decorrer do mesmo, isto é, o que elas fizeram dependeu de onde estavam. Pelo fato de, logo no começo, avistarem um palacete que se situava em um bairro rico, ficaram comovidas com o mesmo e é a partir desta comoção que o conto se desenvolve. 
        Notamos que, para o narrador, a rosa era um desejo inevitável, ou seja, a menina tinha necessidade de possuí-la. Não sabemos ao certo porque ela tinha um desejo tão grande em roubar rosas, talvez para tentar substituir outras necessidades que tinha, como o desejo daqueles palacetes, ou apenas por vontade de cometer um erro.
        Quando a menina se depara com a rosa, se distancia daquilo imposto pela sociedade (cultura), ou seja, da proibição do roubo, e então, a partir daí, os valores, os princípios, as normas, as regras e os costumes são deixados de lado. A menina deseja a rosa, sem medo do que pode acontecer, pois enfrenta com muita naturalidade o fato de ter que roubá-la se quiser possuí-la. Este ato é considerado natural, apesar de parecer errado. A menina então enfrenta o mal e experimenta praticar ações consideradas pela sociedade como criminosas, assim como dito anteriormente.
        Pode-se perceber que esse conto relaciona o ato de roubar flores e pitangas com o erotismo, que não se expressa explicitamente. Ao decorrer da narrativa, imaginamos detalhadamente as descrições deste ato e o conto nos surpreende, pois logo no começo notamos que ele seria simples, mas depois, tudo muda. A autora faz com que nos aprofundemos mais na história narrada, devido ao aprofundamento na descrição detalhada do roubo da rosa e das pitangas, e a predominância da cor vermelha. Esse conto nos comove, pois a menina não queria apenas furtar flores e pitangas.

Entendendo o conto: 
01 – Quais são as personagens principais?
      O Autor, duas meninas, o Jardineiro.

02 – O que acontece na história?
      O texto fala de uma menina que queria uma rosa, mas como o jardineiro não dava, ela decidiu roubar, quando ela finalmente conseguiu, a rosa se espedaçou.

03 – Em que tempo e em que lugar se passa a história narrada?
      Num dia lindo ensolarado, num castelo.

04 – Quem narra? É possível ser identificado? Dá para saber quem está contando a história?
      O narrador-personagem. Sim. Sim porque ao ler podemos identificar que tem uma pessoa contando a história.

05 – O narrador conta de fora ou ele também é um dos personagens?
      Ele também é um personagem.

06 – Há tema (uma situação) abordado por este texto que tem semelhança com uma situação do conto “A Bela e a Fera”. Qual é esta situação?
      Porque assim como a menina roubava as rosas o pai da bela também roubou a rosa do castelo do monstro.

07 – Faça um resumo da História: (Mínimo de 5 linhas, uso suas próprias palavras)
      Num dia lindo, duas meninas estavam brincando na rua, quando uma das meninas viu uma rosa, e fica fascinada com a beleza da rosa, sabendo que o jardineiro é muito cuidadoso com seu jardim. A garota resolveu roubar a rosa com a sua amiga, ela roubou, mais ao roubar a rosa começou a se despedaçar na sua mão.











POEMA: ORAÇÃO SEM NOME - ROSE MARIE MURARO E FREI RAIMUNDO CINTRA - COM GABARITO


Poema: Oração sem nome

          O autor desse poema, quem o sabe? Foi encontrado em pleno campo de batalha, no bolso de um soldado americano desconhecido; do rapaz estraçalhado por uma granada, restava apenas intacta esta folha de papel.

Escuta, Deus:
Jamais falei contigo.
Hoje quero saudar-te. Bom dia! Como vais?
Sabes? Disseram-me que tu não existes,
E eu, tolo, acreditei que era verdade.
Nunca havia reparado a tua obra.
Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas,
Vi teu céu estrelado
E compreendi então que me enganaram.
Não sei se apertarás a minha mão.
Vou te explicar e hás de compreender.
É engraçado: neste inferno hediondo
Achei a luz para enxergar o teu rosto.
Dito isto, já não tenho muita coisa a te contar:
Só que… que… tenho muito prazer em conhecer-te.
Faremos um ataque à meia-noite.
Não sinto medo.
Deus, sei que tu velas…
Há! É o clarim! Bom Deus, devo ir embora.
Gostei de ti… vou ter saudade… Quero dizer:
Será cruenta a luta, bem o sabes,
E esta noite pode ser que eu vá bater-te à porta!
Muito amigos não fomos, é verdade.
Mas… sim, estou chorando!
Vês, Deus, penso que já não sou tão mau.
Bem, Deus, tenho de ir.
Sorte é coisa bem rara.
Juro, porém: já não receio a morte.

Rose Marie Muraro e Frei Raimundo Cintra, As mais belas orações de todos os tempos

Entendendo o poema:
01 – O tratamento com que o jovem soldado se dirigiu a Deus foi um tratamento:
a) familiar
b) irreverente
c) reverencial
d) cerimonioso

02 – Antes da guerra, para o jovem, Deus simplesmente:
a) estava afastado
b) não era considerado um amigo
c) não existia
d) não atendia às suas orações.

03 – A frase que está de acordo com a questão anterior é:
a) “Escuta, Deus”
b) “Disseram-me que tu não existes… e eu, tolo, acreditei”
c) “Muito amigos não fomos”
d) “…vi teu céu estrelado”.

04 – A descoberta de Deus pelo soldado americano veio através:
a) da luta cruenta
b) do soar do clarim
c) da trincheira rasgada por granadas
d) do céu estrelado

05 – O pressentimento da morte aparece numa das expressões do soldado. Que expressão mostra essa possibilidade?
a) “Muito amigos não fomos, é verdade”
b) “…e esta noite pode ser que eu vá bater-te à porta”
c) “Bem, Deus, tenho de ir”
d) “…será cruenta a luta”

06 – “Não sinto medo”. Essa frase pode ser resumida em apenas uma palavra:
a) coragem
b) otimismo
c) ilusão
d) temor

07 – A expressão que melhor traduz o ambiente de guerra é:
a) “Achei a luz…”
b) “…será cruenta a luta”
c) “… inferno hediondo”
d) “Deus, sei que tu velas…”

08 – O encontro com Deus despertou no jovem soldado uma visão de seu mundo interior. Dessa visão, ele concluiu que:
a) “Sorte é coisa bem rara”
b) “… tenho muito prazer em conhecer-te”
c) “Muito amigos não fomos, é verdade”
d) “… já não sou tão mau”

09 – A frase que revela a comoção e o arrependimento do jovem é:
a) “Bom dia!”
b) “Gostei de ti…”
c) “Mas… sim, estou chorando!”
d) “…vou ter saudade”

10 – A alternativa INCORRETA a respeito do texto é:
a) O soldado anônimo, em sua análise existencial, confronta conceitos que antes julgava estarem certos.
b) Por se tratar de um texto poético, há o emprego da linguagem conotativa, como no uso da expressão “inferno hediondo”, para se referir ao cenário da guerra.
c) A palavra oração, presente no título, justifica-se devido ao diálogo proposto pelo jovem com Deus.
d) Caso fosse suprimida a introdução precedente ao poema, a interpretação não seria prejudicada, uma vez que inexistem informações importantes no trecho.

11 – Assinala a alternativa correta sobre as palavras do texto:
a) Se retirarmos o acento de apertarás, originar-se-á uma nova palavra.
b) A palavra ataque é proparoxítona.
c) Compreender recebia acento, mas isso mudou com a Reforma Ortográfica.
d) As únicas monossílabas do texto são: só, já, hás.

12 – Em qual dos itens abaixo a acentuação gráfica NÃO está devidamente justificada?
a) será: vocábulo oxítono terminado em A.
b) porém: vocábulo oxítono terminado em EM.
c) há: vocábulo oxítono terminado em A.
d) céu: vocábulo com ditongo aberto.

13 – Assinala a palavra com ditongo aberto que NÃO recebe mais acento:
a) troféu
b) colmeia
c) papeis
d) céu.

14 – Marca a alternativa que preenche as lacunas da frase: Os ______ de ______ exercem as atividades ______.
a) microempresários, Ijuí, tranquilamente
b) micro-empresários, Ijuí, tranquilamente
c) micro-empresários, Ijui, tranquilamente
d) microempresários, Ijuí, tranquilamente

15 – Por serem proparoxítonos, deveriam estar acentuados todos os vocábulos da opção:
a) rubrica, versiculo, hospede
b) arcaico, camera, avaro
c) leucocito, alcoolatra, folclórico
d) periodo, tematico, erudito

16 – Qual dos hiatos NÃO deve ser acentuado?
a) saúde
b) contribuía
c) tainha
d) caído.





TEXTO: EU NÃO CONSIGO MAIS - JUCA KFOURI - COM QUESTÕES GABARITADAS


Texto: Eu não consigo mais
      
                                       Juca Kfouri

        “Eu não consigo mais”
        “Não é que eu não queira jogar mais, é que não consigo mais.”
        Mais claro, sincero, franco, impossível.
      Era Guga, se dirigindo aos torcedores depois de perder na estreia do Torneio Aberto do Brasil, na Costa do Sauípe, por 2 a 0, com parciais de 7/5 e 6/1.
        O nome do vencedor, um tenista argentino, sinceramente, e sem nenhum menosprezo, não interessa.
        Porque sem que tenha culpa disso, ele como é como o forasteiro que ganha o duelo com o velho xerife já sem forças, por mais que tenha sido o melhor do oeste, do sul e do norte e do leste.
       Guga não consegue mais, depois de ter conseguido ser o número 1 do mundo por quase uma temporada inteira.
        Não entender a dor de Guga, não entender o sofrimento de Guga, não entender o prazer de Guga, não entender o esforço de Guga e não entender a despedida de Guga não é só não entender de Guga, é não entender a vida que, como a de Guga, é repleta de altos e baixos.
        A de Guga, aliás, muito mais de altos do que baixos.

              Juca Kfouri. Disponível em: http://blogdofuca.blog.uol.com.br
                                                                                             Acesso em: 0 nov. 2011.
Entendendo o texto:
01 – Na crônica do dia anterior, o jogador argentino fora apresentado através de uma oração subordinada adjetiva explicativa. Já nesse segundo momento, o cronista refere-se a ele “como o forasteiro que ganha o duelo com o velho xerife já sem forças”. Essa oração subordinada adjetiva restritiva singulariza o jogador? Explique sua resposta.
      Não. Ela não singulariza o jogador, pois tem como antecedente “o forasteiro”. Assim, o adversário, que já não era valorizado na crônica anterior, é agora tratado como ainda menos importante.

02 – Por que se pode afirmar que a oração subordinada adjetiva restritiva “que ganha o duelo com o velho xerife já sem forças” tem sentido pejorativo?
      Porque ela remete a uma personagem dos filmes de faroeste que tem por característica ser um falso herói e, portanto, um herói desprezível: é aquele que constrói sua vitória sobre a fraqueza circunstancial do outro e não sabe sua própria força.

03 – Nesse texto, Guga não é qualificado mediante orações subordinadas adjetivas. Para explicar seu sofrimento, seu prazer, sua despedida, o que o cronista qualifica é a vida, que é repleta de altos e baixos. Qual é o efeito criado por essa oração subordinada adjetiva explicativa no texto?  
      Ela traz ao texto o senso comum: qualquer leitor já sentiu na pele que a vida tem momentos de alegria e de tristeza, de sucesso e de fracasso, de expansão e de recolhimento. O cronista, que no texto anterior exaltou Guga por ser mais talentoso, bem-sucedido, esforçado e competente do que a maioria das pessoas, agora desperta a compreensão e a simpatia do público ara com ele, exatamente por ser igual a todos naquilo que é inerente ao ser humano (estar exposto às contrariedades da vida).