sábado, 3 de novembro de 2018

POEMA: ISPINHO E FULÔ - PATATIVA DO ASSARÉ - COM GABARITO

Poema: Ispinho e fulô
          Patativa do Assaré


É nascê, vivê e morre
Nossa herança natura
Todos tem que obedecê
Sem tê a quem se quexá
Foi o autô da Natureza
Com o seu pudê e grandeza
Quem traçou nosso caminho
Cada quá na sua estrada
Tem nesta vida penada
Pôca fulô e muito ispinho.

Até a propa criança
Tão nova e tão atraente
Conduzindo a mesma herança
Sai do seu berço querida.
Se passa aquele anjo lindo
Hora e mais hora se rindo
E algumas horas chorando,
É que aquela criatura
Já tem na inocença pura
Ispinho lhe cutucando.

Fora da infancia
No seu uso de razão
Vê muntas fulô caída
Machucada pelo chão,
Pois vê neste mundo ingrato
Injustiça, assassinato
E uns aos outros presseguindo
E assim nós vamo penando
Vendo os ispinho omentando
E as fulô diminuindo.

[...]
           Patativa do Assaré. Ispinho e fulô. São Paulo: Hedra, 2005. p. 25-26.
Entendendo o poema:
01 – Que ideia a respeito da vida está presente na primeira estrofe do poema?
      A primeira estrofe apresenta o ciclo da vida como fato que deve ser aceito, com seus momentos de dor mais numerosos que os de alegria: “Cada quá na sua estrada / Tem nesta vida penada / Pôca fulô e muito ispinho.”

02 – Para comprovar essa ideia, o poema vai descrevendo os vários estágios da vida. Quais são apresentados na segunda e terceira estrofes?
      A segunda e terceira estrofes apresentam, respectivamente, a infância e a adolescência.

03 – A variedade linguística utilizada pelo poeta é caracterizada pelo registro, na escrita, de formas típicas da linguagem oral.
a)   Como são registrados no dicionário os substantivos que compõem o título?
Os substantivos ispinho e fulô correspondem, no dicionário, a espinho e flor.

b)   Outras palavras recebem grafia diferente da que é prescrita pela norma-padrão. Encontre no texto exemplos de: supressão do r final, supressão do l final e supressão do i dos encontros vocálicos.
Supressão do r final: nascê, vive, morre, obedecê, tê, quexá, autô, pudê.
Supressão do l final: naturá, quá.
Supressão do i dos encontros vocálicos: quexá, propa, inocença, infança, muntas.

04 – A poesia matuta reflete o pensamento e a linguagem do homem do campo. Observe os versos abaixo:
        “Vendo os ispinho omentando
         E as fulô diminuindo.”
a)   Além das peculiaridades ortográficas, qual é a peculiaridade sintática que se pode observar nesse fragmento?
A concordância nominal não é a prescrita pela norma-padrão: nem todos os nomes concordam com o substantivo ao qual se referem.

b)   De acordo com a norma-padrão, a concordância nominal se dá em gênero (masculino / feminino) e em número (singular / plural). Nos exemplos analisados, qual desse itens recebe tratamento diferente daquele proposto pela norma-padrão?
A concordância em número.


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

REPORTAGEM SOBRE MEIO AMBIENTE - CLAUDIO ÂNGELO - COM QUESTÕES GABARITADAS


Reportagem sobre meio ambiente

     Desde os anos 70, quando os partidos verdes começaram a despontar na Europa e o Greenpeace surgiu para protestar contra testes nucleares, o movimento ambientalista nunca foi seriamente questionado em sua sacrossanta missão de salvar a Terra. Nem havia por quê: os dados da tragédia — florestas desaparecendo, espécies se extinguindo a rodo e os mares subindo devido ao efeito estufa — pipocam nos noticiários para dizer que a humanidade está destruindo o planeta. Ninguém em sã consciência (salvo um ou outro presidente dos EUA) poderia ser contra os cuidados com a combalida saúde global.
        Nada mais normal, portanto, do que reagir com incredulidade a qualquer um que venha dizer que o planeta nunca esteve tão bem, obrigado, e que um futuro radiante aguarda a humanidade, mesmo depois de todos os seus pecados contra a Mãe Natureza. Mas é justamente disso que o dinamarquês Bjorn Lomborg tenta (e, até certo ponto, consegue) convencer o leitor em The Skeptical Environmentalist. As coisas estão melhorando. E o fim do mundo não está próximo.
        O livro de Lomborg cumpre a saudável tarefa de destoar ao dessacralizar as ONGs ecológicas. Ao caracterizá-las — não sem um certo exagero — como mais um grupo de lobby brigando por verbas, o autor quebra um tabu e abre um debate que, para a maior parte das pessoas, ainda soa algo herético. (...)
ANGELO, Claudio. Folha de S. Paulo, 26 jun. 2001. Caderno Mais!

Entendendo o texto:
01 – Segundo o texto, é correto afirmar:
a) O autor do texto, Claudio Ângelo, questiona as ONGs ecológicas pela sua posição radical em relação à avaliação da saúde do planeta.
b) O autor do texto procura mostrar que, apesar de a humanidade ter atacado a Mãe Natureza, o fim do mundo não está próximo. 
c) O livro de Lomborg questiona a postura das ONGs ecológicas, mostrando os efeitos dos testes nucleares no meio ambiente. 
d) O livro de Lomborg defende que a saúde do planeta não está tão abalada quanto muitos supõem. 
e) Lomborg mostra em seu livro que devemos desconfiar de quem venha dizer que o planeta nunca esteve tão bem. 

02 – Observando a forma como é organizado o texto, é correto afirmar que nele predomina a intenção de:
a) questionar, e a continuação mais coerente com o fragmento acima é tratar dos impactos ambientais que colocam em xeque a saúde do planeta. 
b) argumentar, e a continuação mais coerente com o fragmento acima é desenvolver o tema de que as ONGs precisam cumprir melhor seu papel. 
c) informar, e a continuação mais coerente com o fragmento acima é apresentar como o livro de Lomborg trata as questões ecológicas. 
d) descrever, e a continuação mais coerente com o fragmento acima é caracterizar os acidentes ambientais que ameaçam a saúde do planeta. 
e) narrar, e a continuação mais coerente com o fragmento acima é apresentar os fatos que corroboram as atitudes das ONGs ecológicas. 

03 – O texto apresenta várias opiniões. Assinale a alternativa em que a correspondência entre a opinião e seu detentor é correta:
a) Alguns presidentes dos EUA costumam colocar-se contra os cuidados que são tomados para salvar o planeta — opinião de Lomborg. 
b) Lomborg exagera um pouco ao dizer que as ONGs ecológicas só brigam por verbas — opinião do autor do texto. 
c) Em relação à saúde global, as coisas estão melhorando e o fim do mundo não está próximo — opinião do autor do texto. 
d) Lomborg consegue, até certo ponto, convencer o leitor de que o planeta nunca esteve tão bem — opinião das ONGs ecológicas. 
e) O movimento ambientalista nunca foi seriamente questionado — opinião de Lomborg.

04 – Compare o uso de travessões no primeiro e no terceiro parágrafos. É correto afirmar que eles têm a função de isolar um conteúdo para, respectivamente:
a) explicar os dados da tragédia – criticar o papel das ONGs. 
b) evidenciar a opinião de Claudio Ângelo – explicar o papel das ONGs. 
c) descrever os dados da tragédia – esclarecer a posição de Lomborg. 
d) apontar os fatos que contradizem a opinião das ONGs – desmentir a opinião do autor. 
e) enumerar os dados da tragédia – inserir a opinião de Claudio Ângelo. 

05 – “Os narradores, embora de espaços diferentes – escolas rurais, escolas de favelas, escolas de grandes e pequenas cidades – contam, em uníssono, a história da educação paulista, mas que não é diferente da educação gaúcha, potiguar ou mato-grossense.” (PROLEITURA, jun. 1998.)
Que alternativa reescreve o texto acima sem alterar o sentido?

a) Os narradores, porque procedem de espaços diferentes, contam, em uníssono, a história da educação paulista, embora ela seja diferente da educação gaúcha, potiguar ou mato-grossense.
 b) Os narradores, procedentes portanto de espaços diferentes, contam, em uníssono, a história da educação paulista, que porém não é diferente da educação gaúcha, potiguar ou mato-grossense. 
c) Os narradores, quando de espaços diferentes, contam, em uníssono, a história da educação paulista, que, por isso, não é diferente da educação gaúcha, potiguar ou mato-grossense. 
d) Os narradores, apesar de procedentes de espaços diferentes, contam, em uníssono, a história da educação paulista, que não é, todavia, diferente da educação gaúcha, potiguar ou mato-grossense. 
e) Os narradores, que todavia são de espaços diferentes, contam, em uníssono, a história da educação paulista, mas não são diferentes de gaúchos, potiguares ou mato-grossenses. 

06 – No jornal de um supermercado aparece um cliente pronunciando-se a respeito da loja: “Compro no supermercado X a 28 anos, pois sou bem tratado pelos funcionários e lá encontro toda a mercadoria que preciso”.
Observe como o depoimento do cliente foi reescrito:
I - Compro no supermercado X há 28 anos, pois lá sou bem tratado pelos funcionários e encontro toda a mercadoria de que preciso.
II - Compro no supermercado X à 28 anos, pois sou bem tratado pelos funcionários, onde encontro toda a mercadoria que preciso.
III - Compro no supermercado X há 28 anos, pois sou bem tratado pelos funcionários e lá encontro toda a mercadoria cuja qual preciso.

Segue(m) as normas da língua padrão:
a) Apenas a versão I.
b) Apenas as versões I e III. 
c) Apenas a versão III. 
d) Apenas as versões I e II. 
e) Apenas as versões II e III.




FÁBULA: A RAPOSA E O CORVO - ESOPO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Fábula: A raposa e o corvo
           Esopo


      Um dia um corvo estava pousado no galho de uma árvore com um pedaço de queijo no bico quando passou uma raposa.
        Vendo o corvo com o queijo, a raposa logo começou a matutar um jeito de se apoderar do queijo.
       
        Com esta ideia na cabeça, foi para debaixo da árvore, olhou para cima e disse:
        --- Que pássaro magnífico avisto nessa árvore! Que beleza estonteante! Que cores maravilhosas! Será que ele tem uma voz suave para combinar com tanta beleza! Se tiver, não há dúvida de que deve ser proclamado rei dos pássaros.
        Ouvindo aquilo o corvo ficou que era pura vaidade. Para mostrar à raposa que sabia cantar, abriu o bico e soltou um sonoro “Cróóó!” .
        O queijo veio abaixo, claro, e a raposa abocanhou ligeiro aquela delícia, dizendo:
        --- Olhe, meu senhor, estou vendo que voz o senhor tem. O que não tem é inteligência!
        Moral: Cuidado com quem muito elogia.
                                                                              Fábulas de Esopo
Entendendo a fábula:

01 – Qual é o título do texto?
      A raposa e o Corvo

02 – O que o Corvo conseguiu arranjar e onde ele foi?
      Um pedaço de queijo e foi parar num galho da árvore.

03 – Do que a Raposa decidiu se apoderar?
      Do pedaço de queijo.

04 – O que disse a Raposa para bajular o Corvo?
      Que pássaro magnífico avisto nessa árvore! Que beleza estonteante! Que cores maravilhosas! Será que ele tem uma voz suave para combinar com tanta beleza! Se tiver, não há dúvida de que deve ser proclamado rei dos pássaros.

05 – O que fez o Corvo ao escutar os elogios da Raposa?
      Ouvindo aquilo o corvo ficou que era pura vaidade. Para mostrar à raposa que sabia cantar, abriu o bico e soltou um sonoro “Cróóó!”.

06 – O que aconteceu com o queijo do Corvo?
      Ao abrir o bico para cantar, o queijo caiu.

07 – Qual era a intenção da Raposa ao elogiar o Corvo?
      Roubar o pedaço de queijo.

08 – A moral da história é:
(  ) Devemos elogiar os amigos.
(X) Cuidado com quem muito elogia.
(  ) Todos os amigos são falsos.



POEMA: PENSAMENTO - ARNALDO ANTUNES - COM GABARITO

Poema: PENSAMENTO
          Arnaldo Antunes
           
Pensamento vem de fora
E pensa que vem de dentro
Pensamento expectora
O que no peito penso.
Pensamento a mil por hora,
Tormento a todo momento.
Por que é que eu penso agora
Sem o meu consentimento?
Se tudo o que comemora
Tem o seu impedimento,
Se tudo aquilo que chora
Cresce com seu fermento.
Pensamento, vá embora,
Desapareça no vento.
E não jogarei sementes
Em cima do seu cimento.
Arnaldo Antunes. Tudos. São Paulo; Iluminuras, 2000.
Entendendo o poema:

01 – Leia atentamente o significado da palavra expectorar:
        Expectorar = Expelir do peito; expulsar pela boca secreção proveniente do aparelho respiratório.
a) Explique os versos: pensamento expectora / o que no peito penso.
      O pensamento coloca para fora os sentimentos escondidos no peito, às vezes, sentimentos ruins.

b) De acordo com a primeira frase do poema, de onde vem o pensamento?
      O pensamento vem de fora para dentro, isto é, surgem no peito primeiro, no coração. É sentimento e depois pensamento.

c) Dessa forma, é mais sentimento ou raciocínio?
      É mais sentimento, emoção.

02 – Marque a frase que explica o significado da palavra em negrito nos versos: “Por que é que eu penso agora / sem o meu consentimento”?
A) O pensamento tem vida própria e o eu poético não o controla.
B) Falar bem o que sente, sem censura.
C) Sentir de acordo com o pensamento, sem controle.

03 – O que é que cresce com seu fermento?
      O sofrimento, aquilo que o eu poético chora.

04 – Marque a frase que explica os versos: “E não jogarei sementes / em cima do seu cimento”.
A) Não gosta de ver crescer as plantinhas em lugares impróprios.
B) Parece não querer mais ter os pensamentos dos quais se desfez.
C) Querer ficar só e sem pensar por alguns momentos.

05 – Defina:
a) POESIA: Poesia é o nome geral para a arte de criar imagens e de inventar novos sentidos para os fatos do mundo. A poesia está presente em várias formas de expressão, como a pintura, o cinema, a música, o poema.

b) POEMA: Poema é o texto organizado em versos. Cada linha do poema é um verso e um conjunto de versos é uma estrofe.

c) EU LÍRICO: A voz que se expressa num poema é o eu lírico ou eu poético.

d) RITMO: O ritmo é construído pelo modo como as sílabas tônicas e as sílabas átonas estão dispostas nos versos.




TEXTO: O DIA DO CÃO - ELIFAS ANDREATO - COM QUESTÕES GABARITADAS


Texto: O Dia do Cão

                 Alimento no Oriente, companheiro no Ocidente. O dia 04 de outubro, considerado o dia do cão

        “O melhor amigo do homem” começou a ser domesticado há 12 mil anos. Descende do lobo (Canis lupus), que traz características semelhantes: lealdade, instinto de caça e guarda.
        Estudos indicam que os primeiros cães, Canis Lupus familiaris, sugiram na Ásia. Eles teriam se aproximado de nós atrás de comida. Apegados aos humanos, protegiam-nos ao avisar da chegada de estranhos. Restos mais antigos da amizade foram encontrados em Israel, fósseis de 10 mil anos de uma criança abraçada a um cachorro.
        Espalhados pelo mundo, cães foram representados em pinturas pré-históricas em cenas de caça e guerra. Braço direito do guerreiro, obediente. No Egito eram mumificados. No ritual representavam deuses e recebiam homenagens. Em regiões da China, Coreia, Indonésia, Vietnã, serve de alimento. Carne de cachorro preparada como qualquer outra. [...]

       Elifas Andreato e outros. O melhor do Almanaque Brasil de cultura popular.
Curitiba: Positivo, 2004. p. 96.
Entendendo o texto:
01 – Ao longo do texto, várias palavras e expressões foram empregadas para referir-se aos cães. Copie-as no caderno.
      Alimento no Oriente, companheiro no Ocidente; O melhor amigo do homem; Cães; Eles; Cachorro; Braço direito do guerreiro.

02 – O tema do texto são os cães. Qual é o assunto, ou quais são os assuntos, de cada parágrafo? Há ligação entre eles?
      1° parágrafo: características dos cães;
      2° parágrafo: origem dos cães;
      3° parágrafo: significado dos cães em diversas culturas e épocas.
      Não há ligação entre eles, salta-se de um aspecto a outro sem transição.

03 – No texto há períodos que indicam a origem do cão e seu tempo de domesticação. Escreva um período composto por coordenação com essas informações.
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O cão surgiu, provavelmente, na Ásia e começou a ser domesticado há 12 mil anos.

04 – O parágrafo a seguir, baseado no texto, trata da lealdade do cão. Leia-o.
        “É possível que os cães tenham se aproximado dos seres humanos atrás de comida; posteriormente apegaram-se a eles; adotaram uma postura protetora.”
a)   Copie o parágrafo completando-o com dois conectivos coordenativos.
“É possível que os cães tenham se aproximado dos seres humanos atrás de comida; mas / porém posteriormente apegaram-se a eles e adotaram uma postura protetora.”

b)   Como se classificam as orações iniciadas por esses conectivos?
Respectivamente, oração coordenada sindética adversativa e oração coordenada sindética aditiva.

c)   Quantas e quais orações há nesse período?
Há quatro orações: “É possível”; “Que os cães tenham se aproximado dos seres humanos atrás de comida”; “mas/porém posteriormente apegaram-se a eles”; “e adotaram uma postura protetora.”

05 – Leia os períodos a seguir.
I – Os primeiros cães surgiram na Ásia.
II – Parece que os primeiros cães surgiram na Ásia.
III – Os primeiros cães surgiram na Ásia; contudo, hoje se espalham pelo mundo.
IV – O provável é que os primeiros cães tenham surgido na Ásia.

a)   Separe os períodos em três grupos: o dos períodos simples, o dos períodos compostos e o dos períodos compostos por subordinação.
Período simples: I; Período composto por coordenação: III; Períodos compostos por subordinação: II e IV.

b)   Os períodos compostos por subordinação apresentam uma oração subordinada com valor de adjetivo, substantivo ou advérbio?
Com valor de substantivo.

06 – Copie os períodos abaixo e escreva a parte destacada de outras duas formas, sem alterar seu sentido. As três versões juntas devem apresentar a parte destacada em forma de oração desenvolvida, de oração reduzida e de adjunto adverbial.

a)   O cão tem traços semelhantes aos do lobo por ser parente dele.
O cão tem traços semelhantes do lobo porque é parente dele. O cão tem traços semelhantes do lobo por seu parentesco com ele.

b)   Algumas raças adaptam-se melhor como animais de estimação, porque têm características como docilidade e afetuosidade com os seres humanos.
Algumas raças adaptam-se melhor como animais de estimação por terem características como docilidade e afetuosidade com os seres humanos.
Algumas raças adaptam-se melhor como animais de estimação por causa de características como docilidade e afetuosidade com os seres humanos.



CONTO: RESTOS DO CARNAVAL - CLARICE LISPECTOR - COM GABARITO

Conto: Restos do carnaval
              Clarice Lispector

        Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.
        No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.
        E as máscaras? Eu tinha medo mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.
        Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça – eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável – e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.
        Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.
        Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga – talvez atendendo a meu apelo mudo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel – resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.
        Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas – à ideia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha – mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quanto ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola. Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem.
        Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.
        Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge – minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa – mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil – fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.
        Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me.
        Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.
        Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos, de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.

 Clarice Lispector, no livro “Felicidade clandestina”. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Entendendo o conto:

01 – “Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança.”
O excerto anterior apresenta uma figura de estilo denominada:
a) perífrase.
b) anacoluto.
c) metonímia.
d) antonomásia.

02 – Os “restos do carnaval” a que se refere a autora, no título do texto, pode ser entendido como um(a)
a) referência à fantasia feita para ela com as sobras de papel crepom da fantasia da amiga.
b) encantamento pela atmosfera que tomava toda a cidade após as festividades carnavalescas.
c) referência à festa simples e pouco alegre que era destinada à narradora em épocas carnavalescas.
d) referência às migalhas de felicidades às quais ela se agarrava para viver diante da crueldade mundana.

03 – O último carnaval traz à memória da autora os carnavais de sua infância. Na primeira parte do texto, ela nos fala daqueles carnavais em geral. Na segunda parte, de "um carnaval diferente dos outros". O que fez a diferença?
     O carnaval foi diferente porque, pela primeira vez, ela poderia se fantasiar e participar da festa (6º parágrafo)
     —"Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida, eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma". 

04 – A afirmação "eu fora desencantada" (décimo parágrafo) resume o sentimento da autora diante do modo como tudo acabou acontecendo naquele carnaval diferente. Como podemos interpretar a afirmação? 
      O incidente quebrou o encanto de ter ganhado a fantasia.

05 – No último parágrafo, a autora nos diz: "Só horas depois é que veio a salvação". Por que o gesto do menino acabou sendo tão importante para a menina? 
      Ela se considerou reconhecida com o gesto do menino quando nada mais restava da festa que quase tinha acontecido.

06 – No nono parágrafo, a autora nos diz que coisas piores lhe aconteceram e ela perdoou, mas que o acontecido naquele carnaval diferente "não posso sequer entender agora". Por quê? 
      Ela ainda não entende que, na vida, tudo resulte de um jogo de dados de um destino irracional. 

07 – No segundo parágrafo, a autora diz: "Ah, está se tornando difícil escrever." Qual é a razão para esse desabafo da autora neste ponto do texto?
      As lembranças de que tão pouco era suficiente para deixá-la feliz na infância deixam seu coração escuro ('apertado') e ela sente dificuldades de pôr estes sentimentos no papel.

08 – “… Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge – minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa – mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil – fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.”
Todo esse segmento é uma exemplificação do período anterior, através do termo:
a) orgulho.
b) irracional.
c) impiedoso.
d) jogo de dados.

09 – O trecho que inicia a história principal da narrativa é:
a) “Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância…”
b) “Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar.”
c) “Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco.”
d) “Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.”

10 – No trecho “… economizava-as com avareza para durarem…”, o pronome destacado retoma o termo:
a) várias fantasias.
b) altas horas da noite.
c) duas coisas preciosas.
d) máscaras de rosa escarlate.

11 – No excerto “Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.”, predomina a linguagem:
a) coloquial.
b) pejorativa.
c) denotativa.
d) conotativa.

12 – “Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.”  
Os termos sublinhados anteriormente exercem entre si uma ação:
a) similar.
b) antitética.
c) recíproca.
d) qualitativa.

13 – Relacione as colunas de acordo com o sinônimo das palavras empregadas no texto e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
(1) Ávida.                           (4) Triste.                          
(2) Avareza.                       (5) Arrebatamento.
(3) Acedia.                         (1) Sôfrega.
(4) Melancólico.                 (3) Anuía.
(5) Êxtase.                         (2) Sovinice.
a) 4 – 1 – 5 – 2 – 3
b) 5 – 1 – 2 – 4 – 3
c) 1 – 4 – 3 – 5 – 2
d) 4 – 5 – 1 – 3 – 2.



quinta-feira, 1 de novembro de 2018

MÚSICA: PONTA DE AREIA - MILTON NASCIMENTO - COM QUESTÕES GABARITADAS


Música: Ponta de Areia
                                    Milton Nascimento

Ponta de areia ponto final
Da Bahia-Minas estrada natural
Que ligava Minas ao porto ao mar
Caminho de ferro mandaram arrancar
Velho maquinista com seu boné

Lembra o povo alegre que vinha cortejar
Maria fumaça não canta mais
Para moças flores janelas e quintais
Na praça vazia um grito, um ai
Casas esquecidas viúvas nos portais

                         Composição: Fernando Brant / Milton Nascimento

Entendendo a canção:
01 – De que se trata esta canção?
      É um lamento do poeta pela via férrea onde a Maria-fumaça que circulava em direção a um porto no Oceano Atlântico. A Estrada de Ferro Bahia e Minas.

02 – Que significa o verso: “Caminho de ferro mandaram arrancar”?
      Significa que uma página da história descarrilou.

03 – Em que versos o poeta retrata o “sentimento urbano”?
      “Lembra o povo alegre que vinha cortejar / Maria fumaça não canta mais.”