domingo, 4 de abril de 2021

TIRA: AMOR! AMOR! ZIRALDO - COM GABARITO

 Tira: Amor! Amor!


Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 61.

Entendendo a tira:

01 – As palavras de Maluquinho se dirigiam à menina? Como você percebeu isso?

      Não. Porque ele passa direto por ela e se dirige às flores.

02 – Então, o que fez a menina se enganar?

      A maneira como ela fala e as palavras que usa, além do fato de passar muito perto dela, esticando os braços na direção da garota.

03 – A fala de Maluquinho faz você se lembrar de que tipo de declaração?

      De uma declaração de amor.

04 – Além da fala, que outros elementos levam o leitor a concluir que se trata de uma declaração do tipo que você identificou na atividade 3?

      As palavras e a expressão física: os gestos, a maneira de andar e olhar, a emoção representada pelas palavras em destaque nos quadrinhos, o ponto de exclamação, entre outros elementos.

05 – Leia o primeiro quadrinho em voz alta. Como a maioria de seus colegas leu a frase?

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Leia novamente a primeira fala de Maluquinho, agora modificada.

        “Amor? Amor?”

a)   Nesse caso, a menina continuaria a entender da mesma maneira o que o menino diz? Por quê?

Não. Porque ao usar essas palavras em tom de interrogação, a menina não poderia toma-las como uma declaração de amor.

b)   O que faz com que possamos compreender o que os outros querem dizer são somente as palavras? Explique sua resposta.

Não são apenas as palavras, mas o modo como são ditas, por exemplo, a entonação, a combinação delas, a expressão facial e corporal de quem falou e até mesmo a situação de comunicação em que foram usadas.

 







POESIA POPULAR: A QUADRINHA - COM GABARITO

 Poesia popular: A quadrinha

1ª quadrinha

 Sou pequenina

 Criança mimosa

 Trago nas faces

        As cores da rosa.

CLÁUDIO, Afonso; NEVES, Luiz Guilherme Santos. Trovas e cantares capixabas. Brasília: Ministério de Educação e Cultura; Secretaria de Assuntos Culturais; Fundação Nacional de Arte; Instituto Nacional do Folclore, 1980.

2ª quadrinha

        Sou jardineiro imperfeito,

        Pois no jardim da Amizade,

        Quando planto amor-perfeito

        Nasce sempre uma saudade...

TAVARES, Adelmar. In: OTÁVIO, Luiz. Meus irmãos, os trovadores: coletânea de trovas de autores brasileiros. Rio de Janeiro: Casa Editora Vecchi, 1956.

Fonte da imagem:https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DoM4j8wqSRBc&psig=AOvVaw1SGUtYX83KTOTodonxrEPf&ust=1617666770225000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCMjGzdLk5e8CFQAAAAAdAAAAABAE


3ª quadrinha

        Quero cantar, ser alegre,

        Que a tristeza não faz bem;

        Ainda não vi a tristeza

        Dar de comer a ninguém.

MOTA, Armor Pires. Oliveira do Bairro: chão de memórias, usos e costumes. Oliveira do Bairro: Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, 1995.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 51.

Entendendo a quadrinha:

01 – Em qual das quadrinhas lidas todos os versos apresentam rimas?

      Na segunda quadrinha.

02 – Em sua opinião, que sentimento o eu lírico da segunda quadrinha expressa ao se caracterizar como “jardineiro imperfeito”? Explique.

      Resposta pessoal do aluno.

03 – Copie da primeira quadrinha dois adjetivos e uma locução adjetiva.

      Adjetivos: pequenina e mimosa.

      Locução adjetiva: da rosa.

04 – Leia novamente a terceira quadrinha.

a)   Copie dessa quadrinha um adjetivo e um substantivo abstrato.

Adjetivo: alegre. Substantivo abstrato: tristeza.

b)   Qual adjetivo dá origem ao substantivo abstrato copiado no item anterior e também expressa oposição ao adjetivo presente na quadrinha?

O adjetivo triste.

RELATO/BIOGRAFIA: MANOEL DE BARROS - COM GABARITO

 Relato: Manoel de Barros

        Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no futuro. Que eu não queria ser doutor. Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras. Que eu queria era ser fraseador. Meu pai ficou meio vago, depois de ler a carta. Minha mãe inclinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e não doutor. Então, o meu irmão mais velho perguntou: Mas esse tal de fraseador bota mantimento em casa? Eu não queria ser doutor, eu só queria ser fraseador. Meu irmão insistiu: Mas se fraseador não bota mantimento em casa, nós temos que botar uma enxada na mão desse menino pra ele deixar de variar. A mãe baixou a cabeça um pouco mais. O pai continuou meio vago. Mas não botou enxada.

Manoel de Barros – Memórias inventadas. São Paulo: Alfaguara, 2018.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 41-2.

Entendendo o relato:

01 – O que o poeta Manoel de Barros quis dizer ao afirmar que, desde cedo, já queria ser fraseador?

      Ele quis dizer que desde menino já queria ser poeta.

02 – Que frase do texto confirma que Manoel de Barros se descobriu poeta quando era adolescente?

      “O poeta nasceu de treze”.

03 – Releia o trecho a seguir.

        “[...] escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no futuro. Que eu não queria ser doutor. Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras.” Responda:

a)   Quais profissões o poeta descarta ao afirmar que não queria ser “doutor de curar”, “doutor de fazer casa” nem “doutor de medir terras”?

As profissões de médico e de engenheiro.

b)   Na carta que escreveu aos pais, o autor afirma a eles o que não quer ser antes de contar o que queria ser no futuro. Em sua opinião, que motivo o levou a usar essa estratégia?

Resposta pessoal do aluno.

04 – Ao receberem a carta, pai, mãe e irmão tiveram reações diferentes. Identifique a reação de cada um.

      O pai ficou meio vago, a mãe abaixou a cabeça e o irmão questionou a possibilidade de se ganhar a vida como fraseador.

05 – Releia esta pergunta do irmão do poeta.

        “Mas esse tal de fraseador bota mantimento em casa?”.

a)   Ao fazer essa pergunta, que tipo de preocupação o irmão manifesta?

Manifesta preocupação com a remuneração do trabalho e se ele pode garantir a sobrevivência.

b)   Ao manifestar essa preocupação, o irmão de Manoel também revela sua opinião sobre o trabalho dos poetas. Qual seria essa opinião?

O irmão de Manoel provavelmente considera que esse trabalho não remunera o suficiente para garantir a sobrevivência de quem o pratica e dos que dele eventualmente dependem. Pode até considerar que ser poeta não é um trabalho.

06 – Na sociedade em que vivemos, há quem considere o poeta um artista, uma pessoa de grande sensibilidade, alguém que lida bem com as palavras. Mas há também aqueles que o consideram um sonhador, alguém que não tem os pés no chão ou julguem que sua atividade é irrelevante. O que você pensa sobre esse assunto?

      Resposta pessoal do aluno.

07 – O pai seguiu o conselho do irmão do poeta? O que o pai demonstrou com essa atitude?

      Não. Com essa atitude, o pai demonstrou respeitar a decisão do filho.

 

terça-feira, 30 de março de 2021

POESIA: IDENTIDADE - PEDRO BANDEIRA - COM GABARITO

 Poesia: Identidade

             Pedro Bandeira

Às vezes nem eu mesmo
sei quem sou.
Às vezes sou.
"o meu queridinho",
às vezes sou
"moleque malcriado".
Para mim
tem vezes que eu sou rei,
herói voador,
caubói lutador,
jogador campeão.
Às vezes sou pulga,
sou mosca também,
que voa e se esconde
de medo e vergonha.
Às vezes eu sou Hércules,
Sansão vencedor,
peito de aço
goleador!

Mas o que importa
o que pensam de mim?
Eu sou quem sou,
eu sou eu,
sou assim,
sou menino.

BANDEIRA, Pedro. Cavalgando o arco-íris. 4. Ed. São Paulo: Moderna, 2009.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 45-7.


Entendendo a poesia:

01 – Quantas linhas há na poesia “Identidade”?

      Vinte e cinco linhas.

02 – Essas linhas encontram-se agrupadas ou separadas por espaços em branco?

      As linhas 1 a 19 estão separadas das linhas 20 a 25 por um espaço em branco.

03 – Quantos versos formam a poesia “Identidade”? E quantas estrofes?

      A poesia é formada por 25 versos e duas estrofes.

04 – Leia a fonte que indica o livro do qual essa poesia foi retirada e responda às questões a seguir.

a)   De que livro essa poesia foi retirada?

Do livro Cavalgando o arco-íris.

b)   Qual é o nome do autor da poesia?

Pedro Bandeira.

c)   Pedro Bandeira é um autor adulto. Mas a voz que fala na poesia não é a de um adulto. Considerando essa afirmação, responda: A quem podemos atribuir a fala do texto? Qual verso traz essa indicação?

A um menino. O último verso.

05 – Releia os versos a seguir.

        Às vezes sou.
        "o meu queridinho",
        às vezes sou
        "moleque malcriado".

        Os versos destacados acima aparecem entre aspas. Isso acontece porque o eu lírico:

a)   Quer dar destaque a duas maneiras de ser que ele atribui a si mesmo.

b)   Pretende mostrar duas maneiras de ser que ele atribui a si mesmo e que se opõem.

c)   Destaca duas maneiras de ele ser na voz de outras pessoas.

06 – Em que situação o eu lírico é considerado “o meu queridinho”?

      Provavelmente, quando faz coisas boas e as pessoas elogiam o comportamento dele.

07 – E em qual situação ele é considerado “moleque malcriado”?

      Provavelmente, quando responde mal às pessoas, principalmente aos adultos.

08 – Reproduza a poesia “Identidade” em uma folha à parte. Escreva os itens a seguir ao lado dos versos da poesia a que cada um deles corresponde.

·        Como os outros veem o menino – Corresponde ao trecho que vai do 3° ao 6° verso.

·        Como o menino se vê – Corresponde ao trecho que vai do 7° ao 19° verso.

·        O menino rejeita a opinião dos outros a seu respeito – Corresponde ao 20° e 21° verso.

·        O menino se aceita como é – Corresponde aos quatro últimos versos.

09 – Na poesia que você reproduziu, circule a expressão que indica que o menino vai falar sobre como ele se vê?

      Os alunos deverão circular a expressão “Para mim”.

10 – O menino fala que é “rei”, “herói”, “caubói” e “mosca”.

a)   Essas identidades fazem parte da imaginação ou da realidade do menino? Por quê?

Elas fazem parte da imaginação dele, pois são identidades irreais.

b)   Podemos dizer que essas palavras estão relacionadas à identidade dele? Por quê?

Sim, pois o eu lírico revela que se vê dessa maneira: como rei, herói, caubói e mosca.

 

 

 

BIOGRAFIA: JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 BIOGRAFIA(FRAGMENTO): JOSÉ PAULO PAES


  Poeta, ensaísta, jornalista e tradutor, José Paulo Paes nasceu em 22 de julho de 1926 em Taquaritinga, SP. Transferiu-se para Curitiba em 1944, onde conviveu com vários intelectuais da época, dentre eles o poeta Glauco Flores de Brito e Dalton Trevisan. Iniciou sua carreira literária com o livro O aluno.

    Retornou a São Paulo em 1949, e após trabalhar em uma indústria farmacêutica, iniciou sua carreira como editor na Editora Cultrix, onde permaneceu por mais de vinte anos. Autodidata no aprendizado das línguas inglesa, francesa, italiana, alemã, espanhola, dinamarquesa e grega, dedicou-se à tradução de vários autores de literatura fantástica, poesia erótica e poetas gregos modernos.

        No início de sua carreira como editor, aproximou-se de Cassiano Ricardo e do grupo da poesia concreta, chegando a colaborar na Revista Invenção e partilhar de algumas ideias sob a óptica do humor e do laconismo da economia verbal, recursos que usou para tornar mais acurada a ponta satírica de sua poesia.

        A partir de 1984, José Paulo Paes passa a escrever também poemas lúdicos para o público infanto-juvenil, trabalhando com conceitos em dicionários. Para ele "a palavra é o brinquedo que não gasta, pois quanto mais se brinca com elas mais novas ficam".

        José Paulo Paes faleceu em 9 de outubro de 1998 aos 72 anos. 

Fonte:https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_a_l/josepaulopaes/index.php?p=159

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 33-4.

Entendendo a biografia:

01 – O texto lido apresenta linguagem visual e verbal. Explique por quê?

      O texto apresenta uma foto do biografado e imagens das capas de algumas de suas obras (linguagem visual) e é composto por palavras (linguagem verbal).

02 – Qual é a função da foto que acompanha a biografia?

      Ilustrar o texto, mostrando para o leitor a imagem da pessoa retratada.

03 – As informações sobre o poeta são dadas por meio de alguns temas. Identifique cinco desses temas.

      Os temas revelam o nome completo, o nascimento, o trabalho como editor e poeta, a relação do poeta com as palavras, o falecimento e o nome de algumas de suas obras.

04 – A quem textos como esse normalmente se dirige?

      Aos leitores que apreciam a obra do poeta, pesquisadores de literatura, estudante, entre outros.

05 – Na biografia, afirma-se que para José Paulo Paes:

        [...] "a palavra é o brinquedo que não gasta, pois quanto mais se brinca com elas mais novas ficam". Como você entende essa forma de o poeta definir a palavra?

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Qual tema você acrescentaria a essa biografia?

      Resposta pessoal do aluno.

       

 

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS : MENINO MALUQUINHO - ZIRALDO - COM GABARITO

 Histórias em Quadrinhos: Menino Maluquinho

               Ziraldo


ZIRALDO. As melhores tiradas do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2000.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 14-5.

Entendendo a história:

01 – Você já ouviu falar do Menino Maluquinho? O que sabe sobre ele?

      Resposta pessoal do aluno.

02 – O personagem principal dessa história vive um conflito. Qual é esse conflito?

      Ele tem dificuldade para escolher um visual para sair.

03 – O Menino Maluquinho, ao escolher o boné, acaba optando por um visual mais antigo ou mais moderno? Por que você acha que ele fez essa opção?

      Ele opta por um visual mais moderno. Provavelmente porque bonés são muito usados pelos garotos de sua geração.

04 – Ao usar o boné por cima da panela, o que o personagem demonstra? Isso provoca humor no texto?

      Demonstra que, mesmo usando um visual novo, ele não deixa de ser quem é, ou seja, afirma sua identidade colocando o boné sobre a panela. O humor pode consistir no fato de ele usar o boné sobre a panela.

05 – Em sua opinião, Maluquinho gosta de ser quem é? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Observe com atenção os gestos e as expressões faciais de Maluquinho nos seis primeiros quadrinhos e responda:

a)   O que as diferentes posições dos braços e das mãos sugerem sobre o personagem?

Sugerem que o personagem está em dúvida sobre alguma coisa.

b)   As expressões faciais do garoto combinam com o que ele está dizendo? Justifique sua resposta.

Sim. As expressões faciais mostram que o personagem está refletindo sobre seu visual, pois Maluquinho se observa atentamente no espelho.

07 – Para construir esse texto, o autor usou imagens e palavras. Em sua opinião, se as imagens fossem retiradas, o texto transmitiria as mesmas ideias? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

08 – Às vezes você também se sente como o Menino Maluquinho? Observando a si mesmo, que conflitos você considera comuns na sua idade? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

     







REPORTAGEM: O HOMEM DE 6 MILHÕES DE ANOS - GABRIELA CARELLI - COM GABARITO

 Reportagem: O homem de 6 milhões de anos

        Fósseis do mais antigo ancestral humano são descobertos no Quênia e podem ser a chave para chegar ao elo perdido

                        Gabriela Carelli

        Desde que Charles Darwin estabeleceu que o homem e o macaco tinham um ancestral comum, os cientistas lançaram-se numa corrida em busca do elo perdido, a criatura que marca a divisão entre as duas espécies. Na semana passada, pesquisadores franceses e quenianos chefiados pelo paleontólogo Martin Pickford, do Collège de France, anunciaram ter chegado bem perto desse ponto ao descobrir ossos fossilizados de um hominídeo datado de 6 milhões de anos. O achado ocorreu durante escavações na área de Baringo, no Quênia, em 25 de outubro de 2000, e tem implicações assombrosas.

        Ainda sem catalogação e apelidado apenas de Homem do Milênio, o fóssil do hominídeo é 1,5 milhão de anos mais antigo que os restos do mais velho ancestral humano conhecido, encontrado na Etiópia em 1994. A novidade não para por aí: a equipe afirma que a criatura está num estágio evolutivo mais avançado que o de vários outros hominídeos que viveram em períodos mais recentes.

        Caso confirmada, a hipótese pode descartar linhagens inteiras de homens-macacos que se julgava serem ancestrais humanos. “Seis milhões de anos é exatamente a época em que se acredita ter acontecido a separação entre o homem e os macacos”, diz o antropólogo Walter Neves, da Universidade de São Paulo. “Se a datação for confirmada, Pickford fez uma descoberta sem precedentes.”

        O paleontólogo do Collège de France e sua colega Brigitte Senut, do Museu de História Natural de Paris, encontraram de fato peças importantes. Ao anunciar a descoberta, eles exibiram em Nairóbi, capital do Quênia, um fêmur esquerdo perfeitamente conservado. O osso mostra que o Homem do Milênio tinha pernas fortes. Isso o capacitava a andar ereto. Pelo comprimento dos ossos, calcula-se que o hominídeo era da altura de um chimpanzé. Mas os dentes e a estrutura da mandíbula encontrados, segundo Pickford, o remetem diretamente ao homem moderno. A dentição é bem similar à nossa: pequenos caninos e molares completos. Essa configuração dentária possibilita uma dieta à base de frutas e vegetais, com ingestão ocasional de carne. “Tudo parece inédito, mas antes de qualquer afirmação é necessária uma avaliação precisa, pois os fósseis pertencem a um período muito incerto”, disse a Veja Chris Stringer, titular da cadeira de origem humana do departamento de paleontologia do Museu de História Natural de Londres, ao comentar os detalhes dos fósseis. Tanta cautela faz sentido. Afinal, leva-se muito tempo para provar se os restos são mesmo de um hominídeo.

        A própria datação em 6 milhões de anos ainda precisa ser comprovada com a análise dos ossos. O que se sabe até agora é que os fósseis foram localizados numa camada de terra com essa idade geológica. O Ardipithecus ramidus, atualmente considerado o ancestral mais antigo do homem, com 4,4 milhões de anos, ainda está sendo estudado. Apesar de a maioria dos cientistas acreditar que se trata de um hominídeo, alguns questionam se a criatura não pertence a outro gênero – um meio termo entre um hominídeo e um macaco, sem vínculos com a evolução humana. Neves não descarta essa hipótese nos achados de Pickford. “É estranha uma dentição assim tão próxima da humana. Geralmente, antes dos 2 milhões de anos, ela é muito mais parecida com a dos chimpanzés.”

        A árvore genealógica do homem está longe de ser uniforme. Os cientistas conseguiram encadear de forma cronológica algumas das espécies que fazem parte de nossa cadeia evolucionária, mas há dúvidas sobre como ramos inteiros se extinguiram. Cada nova descoberta abala os alicerces dessa escala, eliminando possibilidades e alterando a configuração dos galhos. Também são pouco claros os motivos da extinção de ramos inteiros, como o do Homo erectus, por muito tempo considerado um dos degraus da evolução humana e agora visto como uma espécie à parte. “Entre 2,5 milhões e 1,5 milhão de anos atrás existiram seis espécies diferentes de hominídeos, tanto na África como na Ásia”, diz o paleontólogo Donald Johanson, descobridor do mais popular fóssil já encontrado, a Lucy, uma fêmea Australopithecus aferensis de 3,2 milhões de anos. “Depois de 35.000 anos só haviam sobrado duas, a nossa e a dos neandertais, que conviveram por cerca de 10.000 anos.” Até hoje não se sabe direito o que aconteceu com os neandertais, mas o fato é que o homem ficou sozinho.

CARELLI, Gabriela. O homem de 6 milhões de anos. Disponível em: http://www.veja.com.br. Acesso em: 16 ago. 2002.

Fonte: Português – Língua e Cultura. Carlos Alberto Faraco. Volume 1. 2. Ed. – Curitiba: Base Editorial, 2010. P. 98-100.

Fonte da imagem - https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fistoe.com.br%2Ffossil-humano-mais-antigo-da-historia-e-encontrado-em-israel%2F&psig=AOvVaw1MBEgwZRCxYnwJify4LeyO&ust=1617230573970000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCNCszsuL2e8CFQAAAAAdAAAAABAD

Entendendo a reportagem:

01 – O texto é, de novo, basicamente informativo. Vamos localizar as informações básicas:

a)   Que fato está sendo noticiado?

A descoberta de ossos fossilizados de um hominídeo datado de 6 milhões de anos.

b)   Qual é a data presumida do fóssil?

6 milhões de anos.

c)   Quem achou?

Pesquisadores franceses e quenianos.

d)   Onde e quando?

Baringo, no Quênia em 25 de outubro de 2.000.

02 – O texto nos diz que o fóssil pode estar muito próximo do elo perdido.

a)   O que designa a expressão elo perdido?

O ser que liga os humanos ao ancestral comum a humanos e outros primatas.

b)   Por que o texto faz esta afirmação?

O fóssil do homem do milênio é 1,5 milhão de anos mais antigo que os restos do mais velho ancestral humano conhecido, encontrado na Etiópia em 1994.

03 – Ao fim do primeiro parágrafo, está dito que a descoberta do fóssil tem implicações assombrosas (detalhadas nos parágrafos seguintes) Quais são elas?

        São os 2° e 3° parágrafos.

04 – A cautela cientifica está, de novo, bem presente neste texto. Localize exemplos.

        4° parágrafo – citação. 5° parágrafo (hipótese, parece, incerto, dúvidas...).

05 – Que dados interessantes traz a reportagem sobre a árvore genealógica do homem?

      6° parágrafo.