domingo, 11 de outubro de 2026

RESUMO: MEU PÉ DE LARANJA LIMA - FRAGMENTO - JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS - COM GABARITO

 Resumo: Meu Pé de Laranja Lima – Fragmento

            José Mauro de Vasconcelos

        O livro é dividido em duas partes, a primeira conta a história do menino Zezé e suas travessuras.

        Zezé era um menino travesso que vivia aprontando e, consequentemente, quando pego levava surras e mais surras tanto do pai quanto do irmão mais velho, Totó. Às vezes, até da sua irmã, mas ela era mais carinhosa e protetora dele.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi5cNaLmoOD7mUoO4oJlsAvBcjRywNYGz2Ue2OC14xL1LaCbajSw_90ERnQj7ownfssP3LHTHxxCRi-YgAxVqkM09xZThFDpV-vbvc3ajS5EqE9MPsf6do8poL4r5jlo3EOeol8ijMcuBdFw9gRg7_rcd5P1QvAaKSm-5m4boYER5F6f7Yy3rRGJDy-8QY/s320/images.jpg


        Zezé era tão traquino que diziam que ele “tinha o diabo no corpo”. [...] Contudo, também era um menino esperto, inteligente e que aprendeu a ler sozinho aos cinco anos.

        Ele e sua família viviam em uma casa confortável, mas o pai perdeu u emprego e eles foram obrigados a mudar para um lugar mais humilde. Sua mãe, que antes era dona de casa, teve que ir trabalhar na cidade.

        A casa nova tinha várias árvores ao seu redor e cada um poderia escolher uma para ser “sua”. Por ter ficado por último, Zezé ficou com um minguado pé de laranja lima.

        A princípio, não gostou, mas com o tempo foi pegando apreço pela árvore, a ponto de nomeá-la de Minguinho. Quando estava sozinho, a chamava na forma íntima de “Xururuca”.

        Um dia, após pegar carona no carro luxuoso do Portuga, que não gostou da situação, Zezé levou uma baita surra e prometeu se vingar.

        No entanto, o menino foi cativado pela atenção e carinho dados por Manuel Valadares.  Nasceu então uma relação afetuosa entre os dois, o que Zezé não encontrava na sua família.

        Ninguém sabia dessa amizade. Por uma fatalidade do destino, Manuel Valadares sofre um atropelamento e falece. Uma tristeza arrebate fortemente Zezé, que acaba adoecendo.

        Para piorar a vida do menino, decidem cortar “Minguinho”. A árvore estava crescendo demais, algo que não era esperado.

        A situação da família mudou quando o pai de Zezé conseguiu um emprego. Apesar das mudanças e da chegada da nova idade, seis anos, Zezé não se esqueceu da tragédia com sua árvore. [...]

GUIA ESTUDO. Meu Pé de Laranja Lima. Disponível em: www.guiaestudo.com.br/meu-pe-de-laranja-lima. Acesso em: 31 mar. 2022. Adaptado.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 20-22.

Entendendo o resumo:

01 – Que fato modifica por completo a vida da família retratada na sinopse?

      A família gozava de conforto, mas, com a perda do emprego do pai, eles passaram a ter uma vida mais humilde.

02 – A figura familiar apresentada no texto como protetora do menino Zezé é:

a) O pai.

b) O irmão Totó.

c) A mãe.

d) Sua irmã.

03 – Na história de infância do protagonista, é constante a presença da surra que o garoto levava da família. A partir desse fato, responda ao que se pede.

a) De acordo com o resumo da história, o que levava a família a ter um comportamento violento com o menino Zezé, que acabava em frequentes surras?

      De acordo com o resumo, o que levava a família a ter um comportamento violento com Zezé era o fato de o menino ser travesso e aprontar bastante. Por esse motivo, ele levava várias surras.

b) Observando a época em que o livro foi escrito (1968) e o momento atual, no qual as crianças estão protegidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e demais aparos da lei, como tal comportamento familiar violento presente na história do livro seria visto hoje e quais seriam as consequências de tais atos?

      À luz dos direitos da criança presentes no ECA e em demais formas de lei, mesmo em se tratando da família, ela seria, sim, responsabilizada por atos de agressão à criança, respondendo legalmente sobre o ocorrido. Afinal, de acordo com o ECA, cabe à família e à sociedade o amparo à criança, o que não pressupõe correções violentas físicas e/ou psicológicas.

04 – Leia novamente o trecho a seguir:

        “A casa nova tinha várias árvores ao seu redor e cada um poderia escolher uma para ser “sua”. Por ter ficado por último, Zezé ficou com um minguado pé de laranja lima.”

Assinale a alternativa que apresenta as palavras sinônimas para o termo em destaque:

a) farto, volumoso.

b) franzino, diminuído.

c) grande, frondoso.

d) encontrado, achado.

05 – Explique o sentido da expressão destacada, que foi usada para definir o comportamento do menino.

        Zezé era tão traquino que diziam que ele “tinha o diabo no corpo”.

      O sentido da expressão aponta o fato de o menino ser travesso, irrequieto, agitado.

06 – Leia novamente o trecho retirado do texto e assinale o termo que equivale à expressão destacada:

        “A princípio, não gostou, mas com o tempo foi pegando apreço pela árvore, a ponto de nomeá-la de Minguinho.”

a) Se acostumando.

b) Se animando.

c) Se afeiçoando.

d) Se entristecendo.

07 – O que justifica a relação afetuosa que o menino Zezé teria desenvolvido por Manuel Valadares, de acordo com a leitura?

      O menino teria desenvolvido uma relação afetuosa por Manuel Valadares por causa da atenção e do carrinho que o homem dispensava ao garoto, sentimentos que ele não encontrava em casa.

08 – Qual o acontecimento surge no final da história e volta a transformar a vida da família, dessa vez de forma positiva, revertendo o quadro inicial do enredo?

a) A família se muda para outra cidade.

b) A mãe deixa a fábrica onde trabalhava.

c) A família revê o modo como trata o menino.

d) O pai arruma um novo emprego.

 

 

NOTÍCIA: UFF INAUGURA PRIMEIRO MUSEU DE MEMES DO BRASIL - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Notícia: UFF inaugura primeiro Museu de Memes do Brasil – Fragmento

        [...]

        Mas, afinal, o que são memes?

        Criado na década de 1970, o conceito de meme surgiu ainda muito antes da internet, através do biólogo Richard Dawkins, em seu livro “The Selfish Gene”. Dawkins utilizou a palavra fazendo um paralelo com o termo “gene”, para expressar a ideia de replicação e evolucionismo cultural.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgCbV8B7UO4H0ggwAT8fHDQPMj_m5gaKgFRd6VfVMvy2N4d7fE67el4w1QB_hShs-I9gAH180r3IBq5It1_89CxgpkpUmbORRUDN1i1nONOw6grmOl6JDM4BSKQL0DRC7Ijt8S3r5Ud_85k0zwnzgdZVCJQRxVDKi4J5IxobE0Nc-pQ3YiI70m2j37YOjc/s320/images.jpg


        Com o tempo, muitos outros pesquisadores de campos tão diversos quanto a Psicologia, a Filosofia e a Sociologia estudaram o tema, mas só em fins da década de 1990, com a popularização da internet, algumas comunidades virtuais se apropriaram do termo, que passou então a ser compreendido como um conteúdo que circula pelas redes digitais.

        A ressignificação da palavra meme motivou o crescimento dessa nova forma de cultura digital, fazendo com que pesquisadores da Comunicação e da Ciência da Informação também se interessassem pelo tema, criando uma comunidade efervescente de produção de conhecimento em todo o mundo.

        Não há, entretanto, uma fórmula precisa para o surgimento dos memes e nem para a sua popularização, afinal, a espontaneidade é uma de suas principais características. Propondo conexões entre os mais diversos conteúdos, os memes são complexos informacionais que só significam em conjunto, ou seja, são contextuais, como explica a pesquisadora da área, Limor Shifman. [...]

        Importância Social

        [...]

        Os memes exigem uma experiência [...] completamente diferente da habitual, pois é preciso saber ler as referências culturais ali embutidas. As gerações atuais, que já nascem imersas na internet e nas redes sociais, possuem domínio não só da compreensão, mas também da criação dessas mídias, que são inseridas nos mais diversos contextos comunicativos.

        [...]

ASSESSORIA DE IMPRRENSA. UFF inaugura primeiro Museude Memes do Brasil. UFF – Universidade Federal Fluminense. Rio de Janeiro, 18 abr. 2017. Disponível em: www.uff.br/?q=noticias/18-04-2017/uff-inaugura-primeiro-museu-de-memes-do-brasil. Acesso em: 31 mar. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 76.

Entendendo a notícia:

01 – Quando e por quem foi criado o conceito de "meme" originalmente, e qual era a intenção inicial do autor ao propor essa palavra?

      O conceito foi criado na década de 1970 pelo biólogo Richard Dawkins em seu livro The Selfish Gene ("O Gene Egoísta"). Ele utilizou o termo fazendo um paralelo com a palavra "gene" para explicar a ideia de replicação e evolução no âmbito cultural.

02 – Como e quando ocorreu a mudança no significado da palavra "meme" até chegar ao sentido que conhecemos hoje na internet?

      O termo passou a ser reapropriado no final da década de 1990 com a popularização da internet, quando comunidades virtuais começaram a usá-lo para definir conteúdos que circulavam pelas redes digitais. Essa ressignificação atraiu o interesse de pesquisadores da Comunicação e da Ciência da Informação.

03 – Segundo o texto, existe uma fórmula exata para a criação e a popularização dos memes? Quais são suas principais características de acordo com a pesquisadora Limor Shifman?

      Não existe uma fórmula precisa ou exata. A espontaneidade é uma de suas principais características. Segundo Limor Shifman, os memes são "complexos informacionais" que dependem do contexto e do conjunto para fazerem sentido (são contextuais).

04 – De acordo com o trecho sobre "Importância Social", qual habilidade ou conhecimento específico é exigido para que uma pessoa consiga interpretar e compreender um meme?

      É necessário saber ler e reconhecer as referências culturais embutidas no conteúdo do meme, o que exige uma experiência de leitura diferente da habitual.

05 – Por que as gerações atuais possuem maior 

NOTÍCIA: PRESENÇA FEMININA NO ENSINO SUPERIOR - FRAGMENTO - UBS BRAND STUDIO - COM GABARITO

 Notícia: Presença feminina no Ensino Superior – Fragmento

          UBS BRAND STUDIO

        Mulheres são mais instruídas, mas enfrentam barreiras em certas áreas

        O público feminino é maioria no Ensino Superior brasileiro. Em 2020, 838.152 mulheres ingressaram em uma universidade e 518.339 concluíram a graduação contra, respectivamente, 668.996 e 359.890 homens. Os dados, divulgados em fevereiro de 2022, são do Censo da Educação Superior 2020, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação (MEC).

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEeTzvliS0imq2L_-lANv2uOA5LiUfTd5JGPRHCLOzkI1nadyLHwtSX4l3z8ueY91I-z2jtlh9ETpR6xqqxonFFvrJ7-RtrUFPCJhIKg6MOgd_efsQd5Jp42kfiNJuMNm9SrlTfB1yxX_8Hg6XnT5zfZj-LWc14oZPyTkyFntqqLR6EFMrSgWO_IWAEus/s320/images.jpg


        Apesar do maior acesso, as brasileiras ainda são minoria em áreas ligadas às Ciências Exatas. Elas representam apenas 13,3% dos alunos de Computação e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e 21,6% dos cursos de Engenharia e profissões relacionadas. O retrato está presente na pesquisa Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil, divulgada em março de 2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

        – Esse desequilíbrio está ligado ao fato de que esses cursos e espaços de trabalho foram vistos, durante muitos anos, como voltados para o público masculino. Mas nós, mulheres, temos condições de desenvolver as competências pessoais e profissionais necessárias para a função. Dessa forma, resta enfrentarmos os desafios para que haja mais igualdade e oportunidade – afirma a Diretora Acadêmica da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Adriana Ziemer Gallert.

        Mudar a estrutura e o pensamento retrógrado do mercado corporativo é fundamental para que mais mulheres possam cursar aquilo que desejam – e sem preconceito. E o ideal é que essa transformação comece já dentro da faculdade.

        [...]

RBS BRASN STUDIO. Presença feminina no Ensino Superior: Veja dados. GZH Educação. Porto Alegre, 15 mar. 2022. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/conteudo-publicitario/2022/03/presença-feminina-no-ensino-superior-veja-dados-c10qztnlz00260165ab1b14kw.html. Acesso em: 31 mar. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 51-52.

Entendendo a notícia:

01 – De acordo com os dados do Censo da Educação Superior de 2020 apresentados no texto, qual é a situação da participação das mulheres no Ensino Superior brasileiro em comparação à dos homens?

      As mulheres são maioria no Ensino Superior brasileiro. No ano de 2020, o número de ingressantes (838.152) e de concluintes (518.339) do sexo feminino superou o número de ingressantes (668.996) e de concluintes (359.890) do sexo masculino.

02 – Apesar de representarem a maioria no Ensino Superior, em quais áreas acadêmicas a presença feminina ainda é considerada minoria, segundo a pesquisa do IBGE divulgada em 2021? Cite as porcentagens mencionadas.

      As mulheres ainda são minoria em áreas ligadas às Ciências Exatas. Elas representam apenas 13,3% dos alunos nos cursos de Computação e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e 21,6% nas áreas de Engenharia e profissões correlatas.

03 – Segundo Adriana Ziemer Gallert, diretora acadêmica da Ulbra, a que se deve o desequilíbrio na presença de mulheres em cursos como Engenharia e Tecnologia?

      O desequilíbrio ocorre porque esses cursos e os respectivos espaços de trabalho foram historicamente vistos e construídos como ambientes voltados para o público masculino. A diretora reforça que as mulheres possuem capacidade total de desenvolver as competências necessárias, restando superar barreiras socioculturais por mais igualdade.

04 – Com base no texto, qual é a mudança necessária no mercado corporativo para garantir a inclusão de mais mulheres nos cursos de sua escolha, e onde essa transformação deve ser iniciada?

      É necessário transformar a estrutura e combater o pensamento retrógrado e o preconceito do mercado corporativo. O texto ressalta que o ideal é que essa mudança comece a ser promovida já dentro do ambiente universitário/faculdade.

05 – Qual é a contradição principal (paradoxo) apontada pelo título e pelo desenvolvimento do texto em relação à situação educacional e profissional das mulheres no Brasil?

      A contradição está no fato de que, embora as mulheres sejam mais instruídas e constituam a maioria dos estudantes e formandos na graduação, elas ainda enfrentam barreiras e sub-representação significativa em áreas estratégicas de exatas e tecnologia, demonstrando que o maior acesso à educação superior não elimina automaticamente as desigualdades de gênero em determinados setores.

 

 

NOTÍCIA: A ESTRUTURA DO TEXTO JORNALÍSTICO - FRAGMENTO - ALFREDINA NERY - COM GABARITO

 Notícia: A estrutura do texto jornalístico – Fragmento

          Alfredina Nery

        [...] A notícia é o relato do fato, com texto, geralmente, mais simples, seco. Você vai entender como funciona.

        Você acredita que a notícia que ouvimos no rádio, assistimos na TV, lemos no jornal impresso ou na Internet é um fato em si ou é uma interpretação de um fato? Para responder isso, observe por alguns segundos a figura reproduzida acima. O que você vê? Uma vaca? Se você respondeu que sim, a sua resposta estava quase certa. Não se trata de uma vaca, mas de uma representação de uma vaca, não é? Com a linguagem escrita acontece a mesma coisa: ela representa algo, como objetos, valores, ideias. Logo, a notícia não é o fato em si, mas sim uma interpretação desse fato, certo?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqykFMjCBssXVpOdw1Qg0oJKrHUzz0OnoSrbV8rfMwA0xVB9GW7DLkxPVbgpkbQ9jumnbQ6IMFUjxUrmdVtOBiDTMHy_aaYziYUU98wXJ0C4hTBwObeEwCe-rwlcyQSzZJnbVLeDG12woNcZ7vk1IYTGboJ1eGdkXf2c8JW9J9gWHI2am9ORInfvytnyM/s320/images.png


        [...]

        Linguagem coloquial

        A linguagem do jornal é, preferencialmente, coloquial (próxima à maneira como falamos). Isso acontece intencionalmente, como forma de se aproximar e se adequar ao leitor, ao buscar uma comunicação mais eficiente.

        Outra característica da linguagem jornalística é sua tentativa de mostrar imparcialidade, neutralidade sobre aquilo que relata. [...]

        Em uma notícia, os eventos não são ordenados por sua sequência temporal como em uma história, ou seja, o jornalista não tem a pretensão de relatar os fatos na ordem em que, supõe-se, ocorreram. Os eventos são apresentados pelo interesse, na perspectiva de quem conta e, principalmente, pelo que o leitor/ouvinte/telespectador/internauta pode considerar mais importante. É evidente que quem informa faz uma seleção prévia dos eventos a serem destacados, relatando-os em função do evento principal e da ideologia do jornal.

        [...]

        Por mais que informe ser imparcial, ou que afirme traduzir com exatidão a veracidade dos fatos, a imparcialidade absoluta numa notícia é impossível, pois o redator tem que escolher o que vai contar – que acontecimentos, dentre outros, pode se transformar em uma notícia que venda mais. Determinado "o quê", ainda há "o como", isto é, como atingir o leitor de maneira mais direta, o que implica uma determinada seleção de vocabulário, destaque para o tipo de letra, tamanho da notícia, lugar em que a notícia vai aparecer no jornal, abordagem etc.

        É necessário compreender que o jornalismo não retrata nem cria fatos, e sim constrói visões dos fatos. O jornal legitima uma opinião sobre. Nesse quadro, a notícia é uma construção de visões e não os fatos em si.

NERY, Alfredina. Redação – notícia – A estrutura do texto jornalístico. UOL Educação. São Paulo, [s/d]. disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/redacao---noticia-a-estrutura-do-texto-jornalistico.htm. Acesso em: 31 mar. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 49.

Entendendo a notícia:

01 – De acordo com o texto, qual é a diferença entre a notícia e o fato em si? Utilize o exemplo da figura da vaca mencionado pela autora para explicar essa relação.

      A notícia não é o fato em si, mas sim uma representação ou interpretação do fato. Assim como a figura da vaca descrita no texto não é o animal real, mas uma imagem que o representa, a linguagem escrita da notícia representa acontecimentos, ideias e valores, construindo uma visão da realidade e não a própria realidade.

02 – Por que o jornalismo prefere utilizar uma linguagem mais coloquial em suas publicações? Qual é a intenção por trás dessa escolha?

      A linguagem coloquial (próxima à fala do dia a dia) é usada intencionalmente para aproximar o veículo de comunicação do seu leitor, garantindo uma adequação ao público-alvo e tornando a comunicação mais direta, acessível e eficiente.

03 – Como os eventos são ordenados em uma notícia? Eles seguem uma linha do tempo cronológica? Justifique sua resposta com base no texto.

      Os eventos não seguem uma ordem cronológica/temporal (como ocorre em histórias narrativas). Na notícia, os fatos são ordenados pelo grau de interesse e relevância, destacando-se em primeiro lugar aquilo que o leitor, ouvinte ou telespectador considera mais importante ou o que a linha editorial do veículo decide priorizar.

04 – O texto afirma que a imparcialidade absoluta em uma notícia é impossível. Quais motivos a autora apresenta para sustentar essa afirmação?

      A imparcialidade absoluta é impossível porque o jornalista precisa constantemente fazer escolhas: decidir o que será relatado (quais fatos viram notícia e trazem mais vendas) e como será contado (escolha do vocabulário, tamanho do texto, destaque da fonte, posição no jornal e linha ideológica do veículo).

05 – O que significa a expressão "o quê" e "o como" citada no fragmento no contexto da produção jornalística?

      O "o quê" refere-se à seleção dos acontecimentos que serão transformados em notícia. Já o "o como" refere-se às escolhas formais e estilísticas de apresentação dessa notícia (como atingir o leitor, tamanho da letra, vocabulário utilizado, posição na página ou site e a abordagem adotada).

06 – Segundo a autora, qual é o papel do jornalismo na sociedade no que diz respeito aos acontecimentos do dia a dia? O jornalismo cria, retrata ou constrói os fatos?

      O jornalismo não retrata nem cria os fatos; ele constrói visões sobre os fatos. Ao fazer escolhas e interpretações sobre a realidade, o jornalismo legitima e difunde uma determinada perspectiva ou opinião sobre os acontecimentos.

07 – A partir da leitura do texto, por que é importante que o leitor/consumidor de notícias desenvolva um olhar crítico ao ler um jornal impresso, assistir à TV ou navegar pela Internet?

      Porque, ao entender que a notícia não é a verdade neutra e absoluta, mas uma construção influenciada pela ideologia do meio de comunicação, interesses comerciais e seleções do redator, o leitor crítico consegue identificar o ponto de vista apresentado, questionar o que foi omitido ou destacado e formar sua própria opinião consciente.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: COZINHA DOS IMIGRANTES - FRAGMENTO - MARINA HECK E ROSA BELLUZZO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Cozinha dos imigrantes – Fragmento

       Marina Heck e Rosa Belluzzo

        [...]

        Meu pai era da família Mattar e minha mãe, da família Haiek. Eles se conheceram em São Paulo. Na época, os imigrantes vinham praticamente sem nada. O pessoal se reunia, alugava uma casa grande e cada um dava o que podia para pagar o aluguel, além de se ajudar mutuamente com as outras despesas. Eu já não me lembro com certeza, mas parece que meu pai foi morar na casa da família de minha mãe. E lá se apaixonou por ela.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-kILqH2YRxith4uZkNUAy7yPWRAa41GVuzCXbHJdpURf7ZdanwWodedP1LedtnkMP9cJL_xexfwwD9JnYS8-MoJEH1ObJtLlqEs6tRdtgGo6kTTDJsxhlSnigEk1pztY22KsyEFnNbsAMaZcO9FFSj0KM7FOpnGYmf10zyIENKylh2eXFtWiPDOoEIMs/s320/images.jpg


        Por não ter o menor tino comercial, meu pai se tornou professor aqui no Brasil, valendo-se do que aprendeu no seminário. Primeiro, lecionou em um colégio árabe já existente em São Paulo. Mais tarde, quando a vida melhorou, abriu sua própria escola. No início, ela se chamou Colégio Moderno Sírio e, depois, Ginásio Nacional de Ciências e Letras. Nós sempre moramos no colégio, que ficava na rua São Joaquim (bairro da Liberdade), onde é atualmente o Hospital Santa Helena.

        [...] No Ginásio Nacional de Ciências e Letras havia um grande refeitório para os alunos, professores e também a nossa família. Eu me lembro que a refeição era mista, com arroz e feijão e alguns pratos árabes. Meus pais sempre preservaram a cultura árabe, tanto na culinária quanto nos ensinamentos da língua e dos costumes.

        [...]

In: Marina Heck e Rosa Belluzzo. Cozinha dos imigrantes – memórias & receitas. São Paulo, DBA/Melhoramentos, 1999. p. 152.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 164.

Entendendo o artigo:

01 – Como o texto descreve a estratégia de sobrevivência e apoio mútuo adotada pelos imigrantes ao chegarem a São Paulo?

      O texto relata que, como os imigrantes vinham praticamente sem recursos, eles se uniam para alugar uma casa grande em conjunto. Cada um contribuía com o que podia para o aluguel e despesas gerais, estabelecendo uma rede de solidariedade e acolhimento mútuo fundamental para a adaptação no novo país.

02 – De que maneira a trajetória profissional do pai do narrador foi moldada pela sua falta de "tino comercial" e pelo conhecimento prévio adquirido em sua terra de origem?

      Por não levar jeito para o comércio, o pai recorreu aos conhecimentos adquiridos em seu período no seminário para se tornar professor no Brasil. Ele começou lecionando em uma escola árabe já estabelecida em São Paulo e, com a melhoria de sua condição financeira, fundou sua própria instituição de ensino (o Colégio Moderno Sírio, mais tarde Ginásio Nacional de Ciências e Letras).

03 – Como o trecho evidencia a integração entre a cultura brasileira e a identidade cultural dos imigrantes por meio da alimentação cotidiana?

      A integração é evidenciada no refeitório do ginásio, onde serviam refeições "mistas", combinando a base da culinária brasileira (arroz e feijão) com pratos tradicionais árabes. Isso demonstra a convivência harmoniosa entre a assimilação dos hábitos locais e a preservação das origens.

04 – Quais eram os pilares mantidos pelos pais do narrador para garantir a preservação da memória e da identidade cultural árabe no ambiente familiar?

      Os pais mantinham a cultura viva por meio da culinária (preparo e consumo de pratos típicos), do ensino da língua e da transmissão dos costumes e tradições originais para os filhos no dia a dia.

05 – Qual é a relação espacial identificada pelo narrador entre a moradia da família e a vida profissional do pai, e onde se localizava essa estrutura na cidade de São Paulo?

      A família morava no próprio colégio administrado pelo pai. A instituição e a residência ficavam na Rua São Joaquim, no bairro da Liberdade, em São Paulo — local onde posteriormente passou a funcionar o Hospital Santa Helena.

 

FÁBULA: DO ASNO DE BURIDAN - FRAGMENTO - JEAN BURIDAN - COM GABARITO

 Fábula: Do Asno de Buridan – Fragmento

          Jean Buridan

        [...]

        Um asno, vítima da fome e da sede, depois de longa caminhada, encontrou um campo de viçoso feno ao lado do qual corria um regato de límpidas águas. Consumido pela fome e pela sede, começou a hesitar, não sabendo se antes comia o feno e depois bebia da água ou se antes saciava a sede e depois aplacava a fome. Assim, perdido na indecisão, morreu de fome e de sede.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzdHT5TrKLfuzfuchaZpIyqqhzmCf3TyN5oLsNUhWYGyWjVI5jQxGI5OcEi23jKcdTqoRVU7djN2A8LSfyt2JHzsrQbemQS_ehs4gl2vg5tL0yx1GhxoNA1CCYqa3D0WH3rQlIwB5jdwMQ-lfJERChmLqMyho8IG-mGCCFaQjIEnqj9z2abBYXps9MetQ/s320/images.jpg


        [...]

        Moral: De muito pensar morreu um burro!

Fábula de Buridan, filósofo da Idade Média.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 97.

Entendendo a fábula:

01 – Qual é o dilema central enfrentado pelo asno na narrativa e qual foi o motivo de sua incapacidade de tomar uma decisão?

      O dilema central do asno é decidir por qual necessidade básica começar: se deve primeiro comer o feno viçoso para apaziguar a fome ou beber a água límpida para saciar a sede. Ele foi incapaz de decidir porque ambos os estímulos (fome e sede) e as recompensas (comida e água) tinham exatamente o mesmo peso e atratividade, gerando um estado de paralisia deliberativa devido ao equilíbrio perfeito entre as duas escolhas.

02 – O desfecho do texto apresenta um resultado trágico para o personagem. De que maneira a conclusão da história ilustra as consequências da indecisão extrema?

      A conclusão — em que o asno morre de fome e de sede ao lado da comida e da água — ilustra que a hesitação excessiva e a busca por uma escolha ideal podem levar à inação absoluta. A história mostra de forma alegórica que a incapacidade crônica de decidir pode ser mais prejudicial do que fazer uma escolha imperfeita ou arbitrária.

03 – Sob uma perspectiva filosófica e racional, qual é a crítica que essa parábola faz ao conceito de livre-arbítrio e à tomada de decisão puramente lógica?

      A parábola critica a ideia de que a razão humana (ou a tomada de decisão) funciona de forma puramente mecanicista. Se a mente dependesse apenas de uma razão matemática onde duas opções são rigorosamente iguais em valor, ela ficaria infinitamente bloqueada (sem motivo para escolher 'A' em vez de 'B'). O texto demonstra que o livre-arbítrio exige a capacidade de agir mesmo quando não há uma vantagem racional evidente entre as alternativas.

04 – Qual é a ironia presente na situação vivida pelo asno em relação ao ambiente em que ele se encontrava?

      A ironia reside no fato de que o asno morreu de privação (fome e sede) em um ambiente de extrema abundância, cercado por tudo aquilo de que precisava para sobreviver (feno viçoso e água limpa). O obstáculo para a sua sobrevivência não foi a escassez de recursos materiais, mas sim uma limitação mental de sua própria capacidade de escolha.

05 – Como a fábula do "Asno de Buridan" pode ser aplicada a situações do cotidiano da vida moderna?

      A fábula pode ser aplicada a situações em que o excesso de opções equivalentes gera paralisia por análise (o chamado overthinking). Na vida moderna, ocorre frequentemente quando uma pessoa consome tempo e energia preciosos tentando decidir entre duas oportunidades de carreira, produtos de consumo semelhantes ou caminhos de vida igualmente vantajosos, acabando por perder ambas as oportunidades devido à demora em agir.

CRÔNICA: O EDIFÍCIO DA CRUZ VERMELHA - LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: O EDIFÍCIO DA CRUZ VERMELHA

           Lima Barreto

         Nos últimos dias do mês passado, o Rio-Jornal deu-nos uma larga notícia sobre as coisas da Cruz Vermelha Brasileira. O começo da notícia é tão de lamúrias a ponto de pro­vocar lágrimas.

        Diz e repete que essa sociedade humanitária “vive esque­cida, cinicamente alimentada pelo entusiasmo inarrefecível de diminuto grupo de patrícios, utopistas na condenação injustifi­cável de indivíduos acanhados no seu modo de ver.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtOYsrmVRtcAAJEfSCEsybvPCrqVyH0phu7-ETNs8CjUGi-nxXNMfFpZZNjK4S9WHPzdt5e4TqmpUp96JrMbmS1SqwBlhIllx08FyYOTRlsWXX2Xhi1xsRCOgzieN3fNePQqbgMWemyF88zdsdx85HEqdeK1cz2Q-hwQK84ubWUVj1dpIDMS1pPo1Y4dU/s1600/images.jpg


        “Ignorada, trabalhando em silêncio e cônscia de sua modéstia, pelo criminoso descaso que lhe votam os responsáveis, os espetaculosos promotores de festas de caridade em benefício dos infelizes europeus e quiçá a população em geral, ela, no cenário da vida da cidade, só surge nos transes difíceis e horríveis como os dolorosos e negros dias da pandemia gripal.”

        Segundo me consta, essa história da Cruz Vermelha é destinada a socorrer feridos de guerra. Ora, o Brasil há muito tempo não se mete em guerra.

        Sendo assim, como é então que querem que a nossa Cruz Vermelha seja conhecida? Não há de querer ela que, para se ostentar ao grande público, haja, de ano em ano, uma guerra com o Brasil. Longe, portanto, de se lastimar, a Cruz Vermelha deve exultar com a sua obscuridade!

        Entretanto, ela não é assim tão total como diz o Rio-Jornal.

        Há meses, houve lá uma eleição de diretoria. Dias antes, muitos mesmo, os apedidos dos jornais e outras seções vi­nham cheios dela. O eixo da disputa era ter o presidente mandado em missão ao Paraná e outros lugares uma parteira, como portadora de credenciais da associação. Sem cobras e lagartos e todos os leitores de jornais, que são o verdadeiro público do Rio de Janeiro, se não tinham notícia da “Cruz Vermelha”, vieram a tê-la com o escândalo jornalístico.

        Eu não sei bem que utilidade pode ter uma parteira para tratar feridos de guerra. Creio bem que os ferimentos de que essas especialistas podem curar, não se adquirem na guerra, mas fora dela, em cura de partos, que por eufemismo ou outra figura de retórica, chamam de batalha, guerra de amor, os singulares combates em que os estragos redundam em trabalho para os obstetras.

        Agora, eu me lembro – e por lealdade declaro – que, há muitos anos, li a nomeação do doutor Abel Parente para médico parteiro da Guarda Nacional. Mas, isto foi no Filhote da Gazeta. Além disto, a eleição da diretoria foi um sucesso que causou inveja ao Honório Pimentel, de Santa Cruz.

        A notícia que traz o endemoninhado Rio-Jornal, se alonga em outras considerações; e, até, estampa um cliché do edi­fício projetado para a sede de todos os serviços que a Cruz quer prestar ao país, à cidade, na paz e na guerra.

        É olhá-lo para se chegar logo à conclusão de que quem o projetou não é arquiteto, nem mesmo engenheiro: é um marceneiro.

Os senhores conhecem essas espécies de cômodas de escritório, em cujas gavetas se guardam papéis? Pois é assim a maneira do tal edifício da Cruz. Os franceses chamam a tal móvel chiffonnier, creio eu; e o edifício da sociedade é perfeitamente semelhante a ele, mas inteiramente feio, porque, além das muitas gavetas e descomunal altura, ainda tem mais torrezinhas, uma cúpula central, uns cocurutos, absurdos e con­traproducentes, que não lhe deixam totalmente ver a sua estética abracadabrante de caixão.

        O Rio-Jornal nos informa também de várias coisas sobre esse monumento “gótico”. Diz ele: “O edifício planejado, uma vez construído, marcará o início de uma nova fase na vida da sociedade.   Seu custo ficará aproximadamente por 20.000:000$000.”

        Se o “caixão” da Cruz Vermelha já era pretensioso no seu número de andares, ainda mais se mostra ser, dado que uma coisa não supusesse a outra, no custo. Qual é o edifício público do Brasil que custa isso? Nenhum. Algumas igrejas e conventos do Rio, uma ou outra, podem ser avaliados nisso; mas que tempo levaram a ser construídos? A Candelária, por exemplo, levou mais de cem anos; e verdadeiramente não está acabada.

        Ora, Cruz Vermelha!, isto é muito para tua alma! O mesmo jornal ainda nos dá outros detalhes curiosos sobre o formidável “caixão”.

        Ei-los:

        “Ocupando uma área de 6.000 m2, tendo de altura, do subsolo ao último andar, 125 metros, sendo a máxima 142 metros, ele comportará vinte andares, onde ficarão instalados, de acordo com todos os preceitos das construções modernas e exigências de higiene, todo o aparelhamento necessário a um hospital de primeira ordem, desde os mais delicados gabinetes, enfermarias, quartos particulares e de observação, até um grande frigorífico para receber a carne, o peixe, aves, frutas, e legumes, destinados ao consumo de um mês.”

        O senhor Taumaturgo de Azevedo, que disputa ao senhor Câmara o número de “crachás” universitários; que é doutor em uma porção de coisas; o senhor Taumaturgo de Azevedo devia saber, como todos sabem, que, atualmente, é aconselha­da pelos higienistas de todo o mundo a construção de hos­pitais em pavilhões nivelados. Os motivos são óbvios e estão ao alcance da mais mediana inteligência que tenha a mais mediana cultura. Como é então, que o senhor Taumaturgo (será por causa do nome?) quer fazer um hospital moderno ao jeito dos antigos?

        Com tanto dinheiro, ele pode construir a sede propriamente da sociedade e o hospital em lugares separados, tanto mais que ele tem o frisante exemplo do Hospital Central do Exército, maravilhoso entre as nossas coisas chatas, já pela construção, já pelo pessoal, e onde estive dois meses excelentemente, do que tenho muitas saudades. De resto, essas edificações brutas e estúpidas, como quer ser a tal para a Cruz Vermelha, não devem ser consentidas na nossa cidade.

Há quem conteste que o tipo sky-scraper nova-iorquino nasceu de condições peculiares à grande cidade do Hudson.

        Não foram determinados pelo subsolo granítico de New York, nem pelo encarecimento progressivo dos terrenos da ilha de Manhattan, onde se acumula toda a intensa vida da imen­sa cidade; entretanto, se não foram tais fatores os principais, eles devem ser levados em linha de conta.

        Entre nós, porém, nenhum deles pode prevalecer e não devíamos permitir a construção de semelhantes faróis cívicos, em uma cidade semeada e bordada de colinas, morros quase serras, que ainda estão mais ou menos arborizadas e que de­vem estar sempre, dando-lhe a sua beleza especial, o seu cachet de grandeza, e a sua simplicidade de horizontes, os quais nós perderemos, pobres e mesquinhas formigas humanas que somos!, se tais chatezas se vierem multiplicar.

        O sky-scraper define o americano. É a arrogância do parvenu e a estupidez do arrivista que não sabe esperar pelo tempo e outras circunstâncias mínimas para ter personalidade. Faz o grande, o desmedido; gesticula, berra, veste-se com cores vivas, arreia-se de brilhantes e pérolas, de todas as joias, enfim, para parecer fidalgo, poderoso e original. É um estudo a fazer.

        Só o tempo faz o que o tempo não destrói; e seremos muito tolos se imitarmos os americanos nas suas idiotices e pretensões com o descomunal.

        Se nós tivéssemos um Conselho Municipal, se apelaria para ele. Mas o tal conselho que temos não ama a cidade, nem é composto de gente dela. O único carioca que lá existe e pode ter algum amor pelo Rio de Janeiro, é o coronel Bran­dão; mas esse mesmo é português de nascimento. Os outros são cubanos, mexicanos, hondurenses – gente que, por bem ou pela força, tem de gravitar em torno da republica do dó­lar. É inútil esperar qualquer coisa dessa gente que, não contente de estar sob o guante americano, ainda procura nar­cótico jesuítico para se anular, e o vai impingir às crianças, nas escolas, à força do poder do Estado, julgando legítimo isso, porque sofrera também império semelhante que destruiu nela a rebeldia indispensável ao progresso humano, mas a deixou, em compensação, viver à tripa forra.

        Estão se cevando, mas é pena que o seja inútilmente... A antropofagia já passou de moda em toda a humanidade.

        Dessa forma, não temos nós, cariocas, que amamos o nosso lindo Rio de Janeiro, para quem apelar e o senhor Tau­maturgo poderá impunemente arranhar – só, não! – furar céu, a menos que Deus não faça, como fez com os atrevidos da torre de Babel; castiga-lo bem castigado! É ainda uma esperança...

Hoje, Rio, 10-7-1919.

Entendendo a crônica:

01 – Por que o narrador considera irônica e injustificada a “lamúria” do Rio-Jornal sobre a Cruz Vermelha Brasileira viver no esquecimento e na obscuridade?

      O narrador argumenta que a Cruz Vermelha é uma instituição voltada primordialmente para o socorro a feridos de guerra. Como o Brasil vivia um período prolongado de paz, seria absurdo desejar que a instituição estivesse constantemente em evidência — o que exigiria a ocorrência de guerras frequentes. Para o cronista, longe de se lamentar, a instituição deveria exultar com a sua obscuridade, pois ela era o reflexo direto da paz no país.

 

02 – Qual escândalo envolvendo a eleição da diretoria da Cruz Vermelha é relembrado por Lima Barreto para provar que a instituição não era tão desconhecida assim?

      O autor relembra que a disputa eleitoral da entidade ganhou as páginas dos jornais devido à denúncia de que o presidente da instituição havia enviado uma parteira ao Paraná (e a outros locais) investida de credenciais oficiais da associação. O cronista ironiza a situação ao questionar a utilidade de uma obstetra para tratar ferimentos de guerra, fazendo trocadilhos sobre as "batalhas de amor" e os partos.

 

03 – Como o cronista descreve a arquitetura do projeto do novo edifício da Cruz Vermelha e qual comparação depreciativa ele utiliza?

      Lima Barreto afirma que o projeto não parecia ter sido feito por um arquiteto ou engenheiro, mas sim por um marceneiro. Ele compara o formato do prédio a um chiffonnier (uma cômoda alta de escritório cheia de gavetas), apelidando o edifício de "caixão". Além disso, critica os adereços estéticos do projeto, como cúpula central, torrezinhas e "cocurutos absurdos", classificando a estrutura como feia e pretensiosa.

 

04 – Por que Lima Barreto critica a escolha de construir um hospital em formato de arranha-céu (sky-scraper) com vinte andares?

      O autor aponta que os higienistas e a medicina moderna da época recomendavam a construção de hospitais em pavilhões nivelados ao solo, e não em edifícios verticais massivos. Ele argumenta que, com o orçamento exorbitante previsto, seria mais sensato separar a sede administrativa do hospital, citando como exemplo positivo o Hospital Central do Exército.

 

05 – Qual é a crítica do autor à importação do modelo americano de arranha-céus (sky-scrapers) para a paisagem do Rio de Janeiro?

      Lima Barreto considera o sky-scraper uma manifestação da "arrogância do parvenu" e do gosto americano pelo desmesurado. Ele defende que a geografia do Rio de Janeiro, caracterizada por colinas e morros arborizados, perderia sua beleza natural, sua grandeza e a simplicidade de seus horizontes se fosse dominada por edifícios gigantescos que bloqueassem a paisagem.

 

06 – Como a crônica avalia a atuação do Conselho Municipal em relação à proteção do patrimônio e da estética da cidade do Rio de Janeiro?

      O cronista expressa total descrédito no Conselho Municipal, afirmando que seus membros não amavam a cidade nem eram verdadeiramente ligados a ela. Ele ironiza a composição do Conselho ao dizer que era formado por estrangeiros desinteressados que gravitavam em torno da influência americana e que não moveriam uma palha para impedir deformações urbanísticas na capital.

 

07 – A qual passagem bíblica o narrador recorre no desfecho da crônica para expressar sua última esperança contra a construção do edifício?

      Diante da falta de apoio das autoridades públicas para impedir a obra de Taumaturgo de Azevedo, o narrador recorre à história da Torre de Babel. Ele expressa a esperança de que Deus intervenha e castigue a pretensão dos construtores por tentarem "furar o céu" com uma edificação desmedida e desnecessária.