segunda-feira, 26 de novembro de 2018

POESIA: CIDADEZINHA QUALQUER - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO


Poesia: Cidadezinha qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar... as janelas olham.
Êta vida besta, meu Deus.

                                                   Carlos Drummond de Andrade.
Entendendo a poesia.
01 – Qual é o assunto do poema?
      O poema fala de uma vida pacata numa cidadezinha de interior.

02 – A primeira estrofe do poema compõe-se predominantemente de substantivos. Sublinhe-os a seguir:
a)   Casas entre bananeiras.”
b)   Mulheres entre laranjeiras.”
c)   Pomar amor cantar.”

03 – Explique o título do poema.
      Várias cidades do interior do país encaixam-se na descrição feita pelo poeta em seu poema.

04 – Ninguém tem pressa na cidadezinha. Que palavra é usada para exprimir essa ideia?
      A palavra “Devagar”.

05 – O autor do poema é Carlos Drummond de Andrade. E quem é o eu lírico?
      O eu lírico é alguém que vive em uma cidadezinha do interior.

06 – Os poemas podem ser descritivos, narrativos ou argumentativos. Qual é o tipo do poema analisado? Por quê?
      É um poema narrativo, pois conta fatos que ocorrem na cidadezinha. Embora o último verso seja uma opinião do eu lírico sobre a cidade.

07 – Que figuras de linguagem aparece no poema acima?
      A personificação das janelas em “Devagar... as janelas olham.”

08 – Leia o poema e assinale a alternativa correta:
a)   O poema denuncia de forma irônica e com uma linguagem sintética a monotonia e o tédio que predominam em pequenas cidades do interior.
b)   O poema mostra com sentimento piedoso o desajuste existencial do homem diante da vida.
c)   O poema retrata de modo triste e melancólico a desventura amorosa do poeta na cidade de Itabira, onde nasceu.
d)   Predomina no poema um sentimento de nostalgia do passado, por meio de uma linguagem muito simples e pouco elaborada esteticamente.
e)   Há no poema uma preocupação de ordem social e política que sintetiza o “Sentimento do mundo” do eu lírico.

09 – O título do texto “Cidadezinha qualquer”, refere-se a uma cidade:
a)   Desconhecida.
b)   Do poeta.
c)   Imaginária.
d)   Metrópole.

10 – De acordo com o poema, assinale a opção correta:
a)   Em vida besta, o adjetivo expressa a lentidão das pessoas ao se locomoverem.
b)   A palavra um, diante de homem, cachorro, burro, é um artigo, pois a ideia do autor é a de especificar quantidade.
c)   O uso das reticências indica a falta de palavras que não foram escritas, mas que são facilmente perceptíveis ao leitor.
d)   Com a presença do vocativo no poema, está presente uma das funções da linguagem, que é a fática.
e)   As reticências poderiam ser substituídas por uma exclamação, pois essa pausa, após a palavra devagar revela uma comoção.

11 – Todas as características modernistas citadas abaixo podem ser identificadas no poema de Drummond, exceto:
a)   Reaproveitamento do popular e do coloquial, uso de uma linguagem simples, fácil, próxima da expressão oral.
b)   Concepção do poético como um texto aberto, um discurso que oferece multiplicidade de sentidos e interpretações.
c)   Crítica ao mundo rural, ao universo primitivo, distante do progresso, da civilização mecânica e industrial.
d)   Exploração do imprevisível, do inesperado; o corte brusco, a fragmentação de ideias possibilita o surgimento do humor.
e)   Interesse pelo homem comum, ordem social e pela vida cotidiana.


CONTO: O GALO CISCADOR - TÚLIO BULCÃO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Conto: O Galo Ciscador

        Chico não gostava de viver preso, obrigado a comer milho e ração. E certo dia... Descobriu!
        Podia ciscar. Ciscar?
        É, escavava e afofava a terra, com as unhas, à procura de outros alimentos.
        Aranhas, besouros, minhocas, grilos, joaninhas, pulgões, lesmas, lacraias, lagartas, raízes, sementes, brotinhos e tudo mais que encontrava.
        Logo ficou sabendo, eram deliciosos.
        No princípio todos estranharam o cisca-cisca do Chico. Teve muito bate-boca e muito bate-bico. Mas, aos poucos, foram aprendendo a ciscar e gostando muito. Virou moda. Era todo mundo lá cisca, cisca, cisca, cisca.
        O dono do galinheiro não gostou.
        Eita, homem ranzinza, sempre resmungando. Implicou com o Chico e com todos os seus amigos...
        — Este galinheiro é meu. Berrava o homem ranzinza, sempre brigando.
        E berrava ranzinza, ranzinza, ranzinza, ran...
        — Este galinheiro é meu!
        Berrava ranzinza, brigão, resmungão, até que proibiu tudo.

Esta história foi escrita por Túlio Bulcão e faz parte do livro:
O galo ciscador, Editora do Brasil.
Entendendo o conto:

01 – Quem é o personagem principal dessa história?
a) As aranhas.
b) O dono do galinheiro.
c) Chico.
d) Os besouros.

02 – Qual foi a grande descoberta de Chico?
a) Que poderia comer besouros.
b) Que podia ciscar para procurar outros alimentos.
c) Que podia voar por cima da cerca.
d) Que não gostava de milho.

03 – Marque a alternativa que corresponde ao título do texto.
a) O homem ranzinza.
b) Cisca, cisca.
c) O galo que sabia ciscar.
d) O galo ciscador.

04 – Quais alimentos alternativos Chico descobriu?
      Aranhas, besouros, minhocas, grilos, joaninhas, pulgões, lesmas, lacraias, lagartas, raízes, sementes, brotinhos e tudo mais que encontrava.  

05 – O dono do galinheiro gostou da nova moda? O que ele fez?
      Não. Ele berrava, brigava, até que proibiu tudo.

06 – Quem escreveu essa história?
      Foi escrita por Túlio Bulcão.

07 – Complete o texto abaixo com os advérbios de tempo.
        Hoje      agora      amanhã      ontem
a) Hoje vou colher os ovos no galinheiro.
b) O dono do galinheiro venderá as galinhas amanhã.
c) Ontem Chico ciscou, ciscou a procura de alimentos.
d) O dono do galinheiro até agora não resmungou de nada.

08 - Ligue as palavras de acordo com os quadrados abaixo.
a) amanhã
b) longe
c) não
d) talvez
(c) negação
(d) dúvida
(a) tempo
(b) lugar.

09 – Qual era a frase que o dono do galinheiro dizia?
      “Este galinheiro é meu!”

10 – De acordo com o conto, qual foi a moda lançada pelo Chico?
      Foi cisca, cisca. Ciscar pra cá, ciscar pra lá.






CRÔNICA: O NARIZ - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Crônica: O nariz
                  
            Luís Fernando Veríssimo

       Era um dentista respeitadíssimo. Com seus quarenta e poucos anos, uma filha quase na faculdade. Um homem sério, sóbrio, sem opiniões surpreendentes, mas de uma sólida reputação como profissional e cidadão. Um dia, apareceu em casa com um nariz postiço. Passado o susto, a mulher e a filha sorriram com fingida tolerância. Era um daqueles narizes de borracha com óculos de aros pretos, sobrancelhas e bigodes que fazem a pessoa ficar parecida com o Groucho Marx. Mas o nosso dentista não estava imitando o Groucho Marx. Sentou-se à mesa de almoço – sempre almoçava em casa – com a retidão costumeira, quieto e algo distraído. Mas com um nariz postiço.
        – O que é isso? – perguntou a mulher depois da salada, sorrindo menos.
        – Isto o quê?
        – Esse nariz.
        – Ah, vi numa vitrina, entrei e comprei.
        – Logo você, papai…
        Depois do almoço ele foi recostar-se no sofá da sala como fazia todos os dias. A mulher impacientou-se.
        – Tire esse negócio.
        – Por quê?
        – Brincadeira tem hora.
        – Mas isto não é brincadeira.
        Sesteou com o nariz de borracha para o alto. Depois de meia hora, levantou-se e dirigiu-se para a porta. A mulher o interpelou:
        – Aonde é que você vai?
        – Como, aonde é que eu vou? Vou voltar para o consultório.
        – Mas com esse nariz?
        – Eu não compreendo você – disse ele, olhando-a com censura através dos aros sem lentes. – Se fosse uma gravata nova, você não diria nada. Só porque é um nariz…
        – Pense nos vizinhos. Pense nos clientes.
        Os clientes, realmente, não compreenderam o nariz de borracha. Deram risadas (“Logo o senhor, doutor…”), fizeram perguntas, mas terminaram a consulta intrigados e saíram do consultório com dúvidas.
        – Ele enlouqueceu?
        – Não sei – respondia a recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos. – Nunca vi “ele” assim.
        Naquela noite, ele tomou seu chuveiro, como fazia sempre antes de dormir. Depois, vestiu o pijama e o nariz postiço e foi se deitar.
        – Você vai usar esse nariz na cama? – perguntou a mulher.
        Vou. Aliás, não vou mais tirar este nariz.
        – Mas, por quê?
        – Porque não!
        Dormiu logo. A mulher passou metade da noite olhando para o nariz de borracha. De madrugada começou a chorar baixinho. Ele enlouquecera. Era isto. Tudo estava acabado. Uma carreira brilhante, uma reputação, um nome, uma família perfeita, tudo trocado por um nariz postiço.
        – Papai…
        – Sim, minha filha.
        – Podemos conversar?
        – Claro que podemos.
        – É sobre esse seu nariz…
        – O meu nariz, outra vez? Mas vocês só pensam nisso?
        – Papai, como é que nós não vamos pensar? De uma hora para outra, um homem como você resolve andar de nariz postiço e não quer que ninguém note?
        – O nariz é meu e vou continuar a usar.
        – Mas por que, papai? Você não se dá conta de que se transformou no palhaço do prédio? Eu não posso mais encarar os vizinhos, de vergonha. A mamãe não tem mais vida social.
        – Não tem porque não quer…
        – Como é que ela vai à rua com um homem de nariz postiço?
        – Mas não sou “um homem”. Sou eu. O marido dela. O seu pai. Continuo o mesmo homem. Um nariz de borracha não faz nenhuma diferença. Se não faz nenhuma diferença, por que não usar?
        – Mas, mas…
        – Minha filha.
        – Chega! Não quero mais conversar. Você não é mais meu pai!
        A mulher e a filha saíram de casa. Ele perdeu todos os clientes. A recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos, pediu demissão. Não sabia o que esperar de um homem que usava nariz postiço. Evitava aproximar-se dele. Mandou o pedido de demissão pelo correio. Os amigos mais chegados, numa última tentativa de salvar sua reputação, o convenceram a consultar um psiquiatra.
        – Você vai concordar – disse o psiquiatra depois de concluir que não havia nada de errado com ele – que seu comportamento é um pouco estranho…
        – Estranho é o comportamento dos outros! – disse ele. – Eu continuo o mesmo. Noventa e dois por cento do meu corpo continua o que era antes. Não mudei a maneira de vestir, nem de pensar, nem de me comportar. Continuo sendo um ótimo dentista, um bom marido, bom pai, contribuinte, sócio do fluminense, tudo como antes. Mas as pessoas repudiam todo o resto por causa deste nariz. Um simples nariz de borracha. Quer dizer que eu não sou eu, eu sou o meu nariz?
        – É… – disse o psiquiatra. – Talvez você tenha razão…
        O que é que você acha, leitor? Ele tem razão? Seja como for, não se entregou. Continua a usar o nariz postiço. Porque agora não é mais uma questão de nariz. Agora é uma questão de princípios.

Veríssimo, Luís Fernando. O nariz e outras crônicas. São Paulo:
Ática, 1994.p.73-74. Coleção para gostar de ler.
Entendendo a crônica:

01 – A crônica discute vários aspectos da vida social moderna; contudo, um deles se destaca. Das palavras seguintes, qual traduz o assunto central do texto?
Comportamento       • moda      • casamento      • beleza

02 – As três frases a seguir expressam a reação da esposa e da filha diante do comportamento do dentista:
"Passado o susto, a mulher e a filha sorriram com fingida tolerância."
"— O que é isso? — perguntou a mulher depois da salada, sorrindo menos."
"A mulher impacientou-se."
a)     De uma frase para outra, nota-se que o narrador, para demonstrar o processo de irritação da esposa e da filha, empregou o recurso da gradação. Esse recurso consiste em criar um movimento crescente ou decrescente, que acontece aos poucos, em graus. Comparando as partes destacadas nas frases, observa-se uma gradação crescente ou decrescente? 
Observa-se uma gradação crescente.

b)     A partir de que momento o comportamento bem-humorado da mãe e da filha começa a se modificar?
A partir do momento que ele diz que aquilo não é uma brincadeira.

03 – Observe esta descrição que o narrador faz do dentista:
"Era um dentista respeitadíssimo. [...] Um homem sério, sóbrio, sem opiniões surpreendentes, mas de uma sólida reputação como profissional e cidadão."
Compare-a, agora, com estes pensamentos da esposa:
"Uma carreira brilhante, uma reputação, um nome, uma família perfeita"
a)      Em algum momento esses fragmentos demonstram os sentimentos e desejos do dentista como pessoa? Justifique.
Não, em nenhum momento pensaram em seus sentimentos e desejos, sempre pensavam em sua carreira, reputação e em seu nome. 

b)      De acordo com o texto, o que é mais importante para a sociedade: o que o indivíduo realmente é ou o que ele parece ser?
O que ele parece ser. Uma prova disso, é que quando o dentista chegou ao seu consultório, com o nariz postiço todos começaram a abandoná-lo (até mesmo sua secretária que trabalhava com ele a 15 anos).

04 – O mundo do dentista, até o episódio do nariz postiço, resumia-se a dois elementos básicos: a família esposa e filha) e a profissão (incluindo aí seus clientes e sua secretária).
a)   Que comportamento têm essas pessoas quando ele insiste em agir de modo diferente?
Ninguém aceita, todos começam a abandoná-lo.

b)   De modo geral, tal qual ocorreu no caso do dentista, pode-se dizer que a sociedade reserva um único destino a todos aqueles que ousam ser diferentes. Qual é esse destino?
Sim, a sociedade tem preconceito e o destino é que todos acabam sendo excluído.

05 – A esposa suspeita que o marido tenha enlouquecido, os amigos o aconselham a procurar um psiquiatra. O psiquiatra conclui que ele está bem, apesar de apresentar um "comportamento estranho".
a)    Que argumentos contrários o dentista apresenta diante da opinião do psiquiatra sobre seu comportamento?
O argumento contrário utilizado pelo dentista, é dizer, que estranho é o modo que agem as outras pessoas, ele continuava o mesmo, apenas usando um nariz postiço.

b)    No final da crônica, o narrador afirma que o dentista continua a usar o nariz: "agora não é mais uma questão de nariz. Agora é uma questão de princípios". Qual a diferença entre uma questão de nariz e uma questão de princípios?
A diferença é que “a questão do nariz” ele usava simplesmente por gostar e “a questão de princípios” ele o usa para ver até quando as pessoas vão ficar longe dele e se vão voltar a ser amigos dele.

06 – O dentista diz ao psiquiatra: "Quer dizer que eu não sou eu, eu sou o meu nariz?". E o psiquiatra responde: "É... [...] Talvez você tenha razão...". E o narrador nos propõe uma questão: "O que é que você acha, leitor? Ele tem razão?".
Então dê sua opinião: O que é ser diferente? Somos o que somos ou o que parecemos ser?
      Ser diferente é ser como o dentista, querer ser do seu jeito não do jeito que os outros o querem (quem quer agradar a todos, não agrada ninguém). Somos o que nós somos.

07 – Você já ouviu a canção a seguir, de Rita Lee e Arnaldo Baptista, que fez sucesso na voz de Ney Matogrosso?

BALADA DO LOUCO
Dizem que sou louco
Por pensar assim [...]
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu.
Sim, sou muito louco
Não vou me curar
Já não sou o único
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz.

Nessa letra de música, o eu lírico — isto é, a voz que se expressa no texto e que não é necessariamente o autor — nega-se a se "curar" e diz ter encontrado a paz?
a)   Você acha que o dentista também encontrou a paz?
Sim, ele sempre foi feliz, mas do seu jeito.

b)   Releia os três últimos versos da Balada do louco. Você acha que ser diferente pode trazer felicidade?
Sim. Eu acho que ser louco pelo jeito de vestir, andar, ser, ou fazer qualquer outra coisa pode trazer grandes felicidades.



FÁBULA: O LOBO VELHO - MONTEIRO LOBATO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Fábula: O LOBO VELHO
          Monteiro Lobato


        Adoecera o lobo e, como não pudesse caçar curtia na cama-de-palha a maior fome de sua vida. Foi quando lhe apareceu a raposa.
        -- Bem-vinda seja, comadre! É o céu que a mandou aqui. Estou morrendo de fome e se alguém não me socorre, adeus, lobo! ...
        -- Pois espere aí que já arranjo uma rica petisqueira – respondeu a raposa com uma ideia na cabeça.
        Saiu e foi a montanha onde costumavam pastar as ovelhas. Encontrou logo uma, desgarrada.
        -- Viva, anjinho! Que faz por aqui, tão inquieta? Está a tremer...
        -- É que me perdi e tremo de medo do lobo.
        -- Medo do lobo? Que bobagem! Pois ignora que o lobo já fez as pazes com o rebanho?
        -- Que me diz?
        -- A verdade, filha. Venho da casa dele, onde conversamos muito tempo. O pobre lobo está na agonia e arrependido da guerra que moveu às ovelhas. Pediu-me que dissesse isto a vocês e as levassem lá, todas, a fim de selarem um pacto de reconciliação.  
        A ingênua ovelhinha pulou de alegria. Que sossego dali por diante, para ela e as demais companheiras! Que bom viver assim, sem o terror do lobo no coração!
        Enternecida disse:
        -- Pois vou eu mesma selar o acordo.
        Partiram. A raposa à frente, conduziu-a à toca da fera. Entraram. Ao dar com o lobo estirado no catre, a ovelhinha por um triz que não desmaiou de medo.
        -- Vamos – disse a raposa -, beije a pata do magnânimo   senhor! Abrace-o, menina!
        A inocente, vencendo o medo, dirigiu-se para o lobo e abraçou-o. E foi-se a ovelha! ...
        Moral: Muito padecem os bons que julgam os outros por si.

Monteiro Lobato, fábulas, 29. ed. São Paulo, Brasiliense, 1981.p.68 ·

Entendendo a fábula:
01 – O que significa “muito padecem os bons que julgam os outros por si’?
        Significa que as pessoas boas, padecem por acreditarem que todos são bons, por não ver maldade nas pessoas.

02 – Em que esse tema se relaciona com a história?
      Este tema se relaciona com a história, porque a ovelha foi inocente em acreditar que o lobo havia feito as pazes com as ovelhas.

03 – Qual é o sentido da expressão utilizada pelo lobo “é o céu que a mandou aqui.”
      Quis dizer: Foi Deus que te enviou aqui.

04 – Observe a expressão: “...respondeu a raposa com uma ideia na cabeça.” Escreva a ideia da raposa.
      “Pois espere aí que já arranjo uma rica petisqueira.”

05 – Chamar a raposa de comadre não quer dizer necessariamente que houve uma cerimônia de batizado, apenas reforça a ideia de que há entre lobo e raposa um clima de:
(X) amizade
(  ) ironia
(  ) respeito
(  ) desconfiança
(  ) fingimento
(  ) falsidade.

06 – Ao se aproximar da ovelhinha a raposa foi logo usando de “lábia”, para ganhar a confiança do pobre animal. Que expressão é essa? E que sentido ela tem no texto?
      Bons argumentos, mentiras com jeito de verdade, para convencer a ovelhinha.
      Tem sentido de convencimento do pacto de reconciliação entre o lobo e o rebanho.

07 – Você já teve situação como esta em que alguém te elogia para depois pedir um favor, ou te enganar de alguma maneira, tirar alguma vantagem?
      Resposta pessoal do aluno.

08 – Com que intenção a raposa usou a palavra filha ao falar com a ovelha?
      Para ter maior intimidade com a ovelhinha e ganhar a sua confiança.

09 – Na vida real existem pessoas ingênuas, de bom coração e que por isso são fáceis de enganar, como a ovelha do texto? Justifique sua resposta.
      Sim. Na vida real existem muitas pessoas boas, simples, sem malícia, sem maldades, enxergam as pessoas como se todos fossem boas e incapazes de lhes fazerem algum mal.

10 – É possível afirmar que existem pessoas em nossa sociedade com comportamento e atitudes semelhantes ao do lobo e da raposa? Argumente sua resposta.
      Sim. Infelizmente temos que conviver no nosso dia-a-dia com pessoas assim.

11 – Certamente, ao escrever esta fábula, Monteiro Lobato teve a intenção de ensinar que não se deve tomar uma decisão sozinho, sem antes ouvir a opinião de pessoas de confiança sobre o assunto. Comente sobre a decisão da ovelha e o que você faria no lugar dela. Quem são as pessoas em quem você confia?
      Resposta pessoal do aluno.

12 – Embora não esteja escrito na fábula que a ovelha morreu, que ela virou refeição do lobo, mas é possível chegar a essa conclusão. Comprove essa afirmativa com uma frase do texto.
      “E foi-se a ovelha! ...”

13 – A moral das fábulas são compostas por frases denominadas provérbios populares. Que outro provérbio poderia ser a moral desta história mantendo o mesmo sentido no texto?
a – Quem vê cara não vê coração
b – Nem tudo o que reluz é ouro
c – Pagar na mesma moeda
d – Cair como um patinho.

TEXTO PARA SÉRIES INICIAIS: UM DIA NA VIDA DE CATARINA - COM QUESTÕES GABARITADAS

Texto: Um dia na vida de Catarina

        Levantei, lavei o rosto, escovei os dentes, troquei de roupa e fui para a escola.
        Voltei na hora do almoço. Comi bem porque estava com muita fome.
        Depois, assisti um pouco de televisão e fia a lição de casa. Então, fui brincar com várias amigas, lá na casa da Verinha.
        Quando já estava escurecendo, me chamaram lá de casa. Era hora de jantar, tomar banho, pôr o pijama e... cama!
        Amanhã começa tudo de novo. Ih, esqueci de passear com a Laica, minha cachorrinha.
                                                              Retirado do livro Descobrir o mundo.

Entendendo o texto:

01 – Catarina brinca com as amigas em que período?
      Na parte da tarde.

02 – Qual é o período que Catarina vai à escola?
      No período da manhã.

03 – Em que horário que Catarina faz a lição de casa?
      Antes de ir brincar, a tarde.

04 – Escreva duas atividades que Catarina faz à noite.
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Jantar e dormir.

05 – O que a Catarina esqueceu de fazer durante o dia?
      De passear com a cachorrinha.

06 – Qual é o nome da amiguinha que ela foi brincar?
      Ela foi na casa da Verinha.

07 – Qual era o nome da sua cachorrinha?
      Chama-se Laica.

domingo, 25 de novembro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES): CLASSE MÉDIA - MAX GONZAGA - COM QUESTÕES GABARITADAS

Atividades com a Música : Classe Média

                     Max Gonzaga

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos"
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote CVC tri-anual
Mas eu "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em Moema
O assassinato é no "jardins"
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida.

                                                   Composição: Max Gonzaga
Entendendo a canção:
01 – A qual classe social pertence o eu lírico do rap?
      A classe média.

02 – Retire do texto dois versos que trazem a ironia.
      “Eu quero é que se exploda a periferia toda”
      “E eu que sou bem informado concordo e faço passeata.”

03 – Muitas vezes o enunciador troca uma palavra por outra criando um efeito inesperado, aproveitando-se, assim, o efeito da surpresa entre o ouvinte e o leitor.
No final da música foi empregado este recurso estilístico. Leia os versos abaixo e interprete-os:
“Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida.”
      Quando o eu lírico diz que é mais fácil condenar quem já cumpre pena, significa que é mais condenar o pobre que mora na periferia, que não tem como se defender, do que o risco que tem bons advogados.

04 – A atitude do eu lírico retrata com fidelidade o comportamento das pessoas da classe média brasileira?
      Sim, retrata uma classe social emergente, preocupada apenas em pagar contas, uma vez, que compra tudo parcelado.

05 – Na sua opinião, esse comportamento de indiferença contribui com a violência do país?
      Resposta pessoal do aluno.