terça-feira, 12 de maio de 2026

NOTÍCIA: O ALGORITMO DA ÁGORA - FRAGMENTO - BERNARDO ESTEVES - COM GABARITO

 Notícia: O ALGORITMO DA ÁGORA – Fragmento

        A política dos extremos no YouTube

Bernardo Esteves 

        [...]

        Quanto mais tempo o usuário ficar assistindo a vídeos no YouTube, maior será a quantidade de anúncios que ele verá, e maior a receita do Google e dos criadores. Os espectadores são estimulados a maximizar o tempo gasto na plataforma. Quando um vídeo acaba de ser exibido, outro escolhido automaticamente começa a passar segundos depois, a menos que o usuário desabilite essa configuração definida por padrão. À direita da tela principal, há uma seleção de recomendações de vídeos dentre os quais o usuário pode escolher o próximo; ele pode descer o quanto quiser a barra de rolagem que o serviço continuará a lhe oferecer sugestões sem fim.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_bfd6RfnzRl_dKWkBwKEy2pSczQVCNKWz8zqjjlKQBR6eHkiYFbhO8mHjYY_rKQJyS9cARio22Ylb8E8JQBwmzRF9GksvBJ7HR6Wgg5Nt6_DTrtZOzlbZacbdMLE7bs756E9UlBaPaSrTtt9cvfHaRkfED2plDQwL6jpOM6JDvwIAUL8nV6wieB7M5aE/s1600/%C3%81GORA.jpg


        A escolha do vídeo reproduzido de forma automática, assim como as sugestões na coluna da direita e na página inicial, são feitas por um algoritmo – ou seja, um conjunto de regras computacionais que levam em conta uma série de comportamentos do usuário para gerar aqueles resultados. Pessoas que acessarem a mesma página simultaneamente receberão recomendações distintas, a depender de sua localização e de seu histórico de uso do YouTube (os vídeos que viu e com os quais interagiu). Para quem navega vinculado a uma conta do Google, o cálculo possivelmente levará em consideração as informações que a empresa coleta de cada usuário – as buscas que faz, os sites que acessa, os lugares que visita, os contatos, a agenda.

        A ferramenta de recomendação foi lançada em 2010 e vem sendo incrementada desde então com a incorporação de sistemas robustos de inteligência artificial. Ela é a fonte de 70% do tráfego do YouTube, de acordo com dados da própria empresa. Taborda explicou que o sistema leva em conta tanto o que o usuário está assistindo naquele momento quanto o seu padrão habitual na plataforma. [...]

        Há cerca de três anos o algoritmo do YouTube passou a ser questionado com base em relatos surpreendentes publicados na imprensa. No começo de 2018, o programador francês Guillaume Chaslot, que havia trabalhado na equipe responsável pelo sistema de recomendação do Google, disse ao jornal The Guardian que o grupo era orientado a fazer os usuários passarem mais tempo – e assistirem a mais anúncios – no YouTube. Um teste feito pelo Wall Street Journal com um programa que Chaslot desenvolveu simulando o sistema de recomendação do YouTube levou à conclusão de que o algoritmo acaba conduzindo os usuários a canais com teorias da conspiração e vídeos enganosos.

        Quando um atirador matou 58 pessoas num festival em Las Vegas, em 2017, o YouTube passou a recomendar aos usuários vídeos de teorias da conspiração para explicar a tragédia, conforme relatou o site noticioso BuzzFeed. Após um experimento em que foi exposta a vídeos que defendiam a supremacia da raça branca ou negavam o Holocausto, a pesquisadora Zeynep Tüfekçi comparou o YouTube a um buraco no qual os usuários se embrenhavam seduzidos pela ilusão de descobrir novos segredos e verdades mais profundas. “O YouTube pode ser um dos mais poderosos instrumentos de radicalização do século XXI”, escreveu a estudiosa das redes sociais da Universidade da Carolina do Norte, num artigo de 2018 para o New York Times.

        [...]

ESTEVES, Bernardo. O algoritmo da ágora. Piauí, edição 160, jan. 2020. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-algoritmo-da-agora. Acesso em: 11 maio 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 145-146.

Entendendo a notícia:

01 – Qual é o principal objetivo financeiro por trás da estratégia do YouTube de manter o usuário o maior tempo possível na plataforma?

      O objetivo é maximizar a receita de publicidade. Quanto mais tempo o usuário assiste a vídeos, maior é a quantidade de anúncios exibidos, o que aumenta o faturamento tanto do Google quanto dos criadores de conteúdo.

02 – De acordo com o texto, quais critérios o algoritmo utiliza para personalizar as recomendações de vídeos para cada usuário?

      O algoritmo leva em conta o comportamento do usuário, como a localização geográfica, o histórico de vídeos assistidos e as interações realizadas. Para usuários logados em contas do Google, o cálculo também considera buscas feitas, sites acessados, lugares visitados, agenda e contatos.

03 – Qual é a importância estatística da ferramenta de recomendação para o tráfego total do YouTube?

      A ferramenta de recomendação é extremamente relevante, sendo responsável por 70% de todo o tráfego da plataforma, segundo dados da própria empresa citados no texto.

04 – Por que a pesquisadora Zeynep Tüfekçi comparou o YouTube a um "buraco" e o classificou como um instrumento de radicalização?

      Ela fez essa comparação após realizar experimentos em que foi exposta a conteúdos extremistas (como supremacia branca e negação do Holocausto). Segundo Tüfekçi, o algoritmo seduz o usuário com a ilusão de descobrir "segredos" e "verdades profundas", conduzindo-o a conteúdos cada vez mais radicais.

05 – Qual foi a conclusão do teste realizado pelo Wall Street Journal utilizando o programa desenvolvido pelo ex-funcionário Guillaume Chaslot?

      O teste concluiu que o algoritmo de recomendação do YouTube acaba conduzindo sistematicamente os usuários a canais que promovem teorias da conspiração e vídeos com informações enganosas.

 

NOTÍCIA: CAÇADORES DE MENTIRAS - FRAGMENTO - CONSUELO DIEGUEZ - COM GABARITO

 Notícia: Caçadores de mentiras – Fragmento

        Comer alho cru? Beber álcool puro? Aviões chineses aspergindo o vírus? Eis o incansável trabalho dos checadores na pandemia

Consuelo Dieguez

        Por volta das oito da manhã, a jornalista Cristina Tardáguila acompanhava, ainda na cama, as notícias que pipocavam em seu celular sobre a evolução da pandemia no mundo, quando uma informação do Washington Post arrancou-a do repouso. Era sexta-feira, 17 abril. O jornal norte-americano informava que a China acabara de recalcular o número de mortos pela covid-19 na cidade de Wuhan. Em vez das 2.579 vítimas fatais informadas inicialmente, o país admite, agora, que as mortes chegavam a 3.869.Tardáguila saltou da cama e imediatamente passou a compartilhar os novos números com quase duas centenas de checadores de notícias, todos associados à Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN, sigla em inglês), que congrega 88 organizações de checagem em 47 países.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEih89Bmtw7x3MEIO__Xy4Qb72hEtgJFOPa5S-DH99yLx98UOM7070eNVaM4P-DOPAjNFetzqSqkalwCfnD6NOyFZsIxc95ElbBhvaV5jGD2o5dVvOOxGfAKk1nLQ5wt81irPTZtziLENd54n7sllS3RCvtHyD023Xz85EOs1e8KaLCb4netA7A-qqHxOU4/s1600/COVID.jpg


        A revisão dos dados de mortes na China, que Tardáguila passou a compartilhar freneticamente naquela manhã, era de importância crucial para os checadores. É graças ao trabalho deles que centenas, milhares de notícias falsas, erradas, manipuladas ou incompletas são diariamente denunciadas e, eventualmente, bloqueadas para que não se disseminem pela internet, em plataformas como Facebook, Twitter, Google, YouTube, WhatsApp e Instagram. Desde que o novo vírus surgido na China se espalhou pelo mundo, uma tempestade de fake News se abateu sobre as redes sociais, impondo aos checadores o desafio inédito de verificar informações a respeito de uma doença desconhecida. A maior dificuldade era, e ainda é, a falta de uma base robusta de dados científicos à qual os checadores possam recorrer para desmentir falsidades.

        [...]

        Bases de dados confiáveis são a principal ferramenta de trabalho de correção. É a elas que os checadores recorrem para saber, por exemplo, se os políticos falam a verdade sobre resultados de suas administrações, se são corretas as citações de agentes públicos ou privados sobre saúde, educação, emprego, inflação, desmatamento, segurança, arte, etc. É a base de dados que permite dizer se informações médicas e científicas divulgadas por leigos na internet correspondem à realidade, ou se fotos e vídeos foram ou não adulterados. [...].

DIEGUES, Consuelo. Caçadores de mentiras. Piauí, jun. 2020. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/cacadores-de-mentiras. Acesso em: 3 maio 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 139.

Entendendo a notícia:

01 – Qual foi o fato específico que motivou a jornalista Cristina Tardáguila a iniciar seu trabalho frenético na manhã de 17 de abril?

      O fato foi a notícia publicada pelo Washington Post informando que a China havia recalculado o número de mortos por Covid-19 em Wuhan, elevando a cifra de 2.579 para 3.869 vítimas fatais.

02 – O que é a IFCN e qual a sua importância no contexto apresentado pela notícia?

      A IFCN (Rede Internacional de Verificação de Fatos) é uma organização que congrega 88 instituições de checagem em 47 países. Sua importância reside na coordenação global de checadores para denunciar e bloquear notícias falsas, manipuladas ou incompletas em grandes plataformas digitais.

03 – Segundo o texto, qual foi o maior desafio enfrentado pelos checadores de notícias especificamente durante a pandemia do novo coronavírus?

      O desafio inédito foi verificar informações sobre uma doença ainda desconhecida, somado à falta de uma base robusta de dados científicos à qual os profissionais pudessem recorrer para desmentir as falsidades com segurança.

04 – Além da saúde, quais outras áreas são citadas como objeto de verificação dos checadores de fatos?

      O texto menciona que os checadores verificam falas de políticos e agentes públicos sobre administração, educação, emprego, inflação, desmatamento, segurança e arte.

05 – Por que as "bases de dados confiáveis" são descritas como a principal ferramenta de trabalho dos checadores?

      Porque são essas bases que fornecem o parâmetro da realidade. Elas permitem confirmar se citações são corretas, se informações médicas correspondem aos fatos e se materiais audiovisuais (fotos e vídeos) sofreram algum tipo de adulteração.

 

CONTO: O DRAGÃO QUE ERA LAGARTO - FRAGMENTO - FLÁVIO DE SOUZA - COM GABARITO

 Conto: O dragão que era lagarto – Fragmento

           Flávio de Souza

        Existiu certa vez, no reino da Brondolândia, uma princesa que foi aprisionada numa torre de cristal por um mago. Isso aconteceu com a pobre princesa porque seu pai, o rei Brondo, era muito mau e o mago cansou de ver os camponeses maltratados. Mas a jovem poderia ser salva se um bravo príncipe matasse o dragão que ficava tomando conta da porta da torre.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiy-0ZJstVi-X9_2ET85HRd65TgY1T2P0dw0nn2Km7XnuoQE1yxWJi-bltiV61Ii6H82ha6OqyMx66SjIEz6irjLb4IsytaTycyBAyE4UgLiS1G5L2dnzCm00Q_DmxJSdWCLvaPGbyipbWlUYky-99_2rX3HhH3bJ0nrJ_L-isslsio08nhG6ofm319u8k/s1600/DRAGAO.jpg


        A princesa vivia chorando e puxando os cabelos, desesperada, porque já estava na hora de se casar e nada de um príncipe aparecer para tirá-la da prisão de cristal. Ela olhava lá para baixo, todo dia, por um binóculo que o mago tinha dado de presente para ela, na esperança de que o dragão tivesse ido embora. Mas, que nada! Lá estava ele, com sua cara amedrontadora.

      Acontece que esse dragão era um lagarto. Por isso que o mago, que não era bobo nem nada, tinha dado um binóculo para a princesa. Ampliado pelas lentes, o lagarto ficava parecendo um bicho grande, e sua cara simpática e sorridente, a de um monstro ameaçador. O lagarto, que não queria perder seu emprego, ficava escondido até a princesa olhar para ele com o binóculo e aí fazia umas caretas para assustá-la.

        Um dia, a princesa avistou um príncipe que passava a cavalo lá longe, numa colina. Ela pegou o microfone do gravador que o mago também tinha dado de presente, ligou no amplificador e gritou alucinada:

        -- Socorro! Socorro! Gentil príncipe, venha me salvar! Aqui, no alto desta torre de cristal! Sou uma bela princesa, sei ler, escrever, cozinhar! Salve-me deste castigo matando o dragão que fica...

        Nem bem ouviu a princesa dizer “dragão”, o príncipe, que antes parecia estar muito interessado, saiu galopando a toda velocidade, olhando para os lados, como se não tivesse ouvido nada.

        -- Que droga! – disse a princesa.

        “Que alívio”, pensou o lagarto. “Se o príncipe aparece, ou morro ou perco o emprego!” [...]

        No outro dia, mais um príncipe passou por ali e a princesa uma vez mais fez seu pedido. Esse príncipe veio tranquilo e, não vendo dragão nenhum, já ia abrindo a porta da torre de cristal quando ouviu uma voz dizer assim:

        -- Ei, psiu, psiu!

        -- Quem me chama? – perguntou o príncipe.

        -- Sou eu – respondeu o lagarto, saindo do esconderijo. – Chegue perto, eu não posso falar alto, a princesa não pode me ouvir!

        O príncipe se abaixou-se e o lagarto explicou então seu problema. O príncipe ficou com pena do bicho perder seu emprego e, fingindo ter ficado apavorado, fugiu gritando assim:

        -- Oh, que bicho terrível! Socorro, um dragão! Oh, não posso com ele, nem com faca ou facão!

        A princesa, que já tinha preparado sua bagagem pensando que ia ser salva, ficou triste. Aí ficou brava. Então ficou fula da vida e resolveu ela mesma descer e lutar com o dragão.

        Quando viu o lagarto, teve vontade de rir. Mas fechou a cara, chutou o bicho para longe e, pegando sua mala e sacolas, saiu feliz pela floresta, a caminho da cidade do reino, pronta para arranjar um príncipe para se casar.

        Chegando lá, foi logo conversar com umas princesas que lavavam o cabelo na beira de um rio e ficou sabendo da terrível realidade:

        -- Os príncipes hoje em dia não querem mais casar com princesas comuns!

        -- Eles só se interessam por princesas “difíceis”!

        -- Só estão arrumando marido as princesas presas em torres, cavernas e grutas guardadas por leões, ursos e dragões! 

        -- Mas está caro contratar esses bichos! 

        -- E o preço do aluguel de torres, cavernas e grutas está altíssimo!

        A princesa nem pensou duas vezes. Voltou correndo para o lugar da floresta onde ficava sua torre de cristal. O lagarto ainda estava por lá, com cara de quem não sabe o que vai fazer na vida. Ela conversou com o lagarto, prometendo que, se conseguisse casar, iria convidá-lo para morar em seu castelo. O bicho concordou, sorrindo simpático como só os lagartos sabem sorrir. E a princesa pôs seu plano em prática. Comprou uma lente de aumento bem grande para o lagarto ficar atrás e parecer enorme. Contratou um artista de circo para ensinar o seu “dragão” a soltar fogo pela boca. E colocou placas por toda a floresta, onde se lia:

        “Atenção! Nesta direção existe uma torre de cristal, guardada por terrível dragão, onde mora uma gentil princesa com intenções de se casar!”

        Meia hora depois, surgiu um príncipe muito chique, com armadura brilhante e cacho de plumas coloridas no alto do capacete. A princesa gritou, fingindo estar desesperada, e ligou uma máquina de fazer fumaça para o príncipe não enxergar direito o lagarto aumentado pela lente. O príncipe se enfiou fumaça adentro e deu alguns golpes de espada no ar. O lagarto deu uns pulos, soltou fogo pela boca e gritou:

        -- Ai, ai, estou ferido! Morro, oh, morro, mas satisfeito por ter lutado com tão valente príncipe!

        Então o bicho se jogou no chão, fazendo-se de morto. O príncipe abriu orgulhoso a porta da torre e nem teve que subir, porque a princesa desceu correndo e se jogou nos braços dele, dizendo:

        -- Muito obrigada, meu herói! Que grande cavalheiro és tu! Salvaste-me da besta-fera e só me resta casar contigo em troca de tão belo e generoso ato!

        E, assim, a princesa conseguiu se casar. Poco tempo depois da lua-de-mel, o porteiro de seu castelo veio informar:

        -- Está lá na porta um pequeno bicho, estranho, verdinho, sorrindo de modo simpático, dizendo ter laços de amizade com vossa majestade...

        E foram todos felizes para sempre. A princesa e seu príncipe. Seus filhinhos, parentes e vizinhos. E o simpático amigo que veio para uma visitinha e nunca mais se foi. De vez em quando, o príncipe olha para o lagarto e tem a impressão de que o conhece de algum lugar.

Flávio de Souza. Príncipes e princesas, sapos e lagartos. São Paulo, FTD, 1994.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 24-27.

Entendendo o conto:

01 – Qual era o verdadeiro motivo de a princesa estar presa em uma torre de cristal?

      Ela foi aprisionada por um mago porque seu pai, o Rei Brondo, era um homem muito mau e o mago estava cansado de ver como ele maltratava os camponeses.

02 – Como o mago conseguiu enganar a princesa para que ela acreditasse que um simples lagarto era um dragão terrível?

      O mago deu a ela um binóculo de presente. Através das lentes, a imagem do lagarto era ampliada, fazendo-o parecer um bicho enorme e transformando sua cara simpática na de um monstro ameaçador.

03 – Por que o lagarto ajudou o segundo príncipe a fingir que estava apavorado em vez de deixá-lo abrir a torre?

      O lagarto explicou ao príncipe que não queria perder seu "emprego" de guardião da torre. O príncipe sentiu pena do bicho e fingiu estar com medo para que o lagarto pudesse continuar em seu posto.

04 – O que a princesa descobriu ao conversar com as outras moças na beira do rio após fugir da torre?

      Ela descobriu que o "mercado de casamentos" havia mudado: os príncipes modernos só queriam casar com princesas "difíceis", ou seja, aquelas que estavam presas e protegidas por feras, pois isso trazia status de herói ao pretendente.

05 – Quais recursos a princesa utilizou para "modernizar" o lagarto e a torre para atrair um novo pretendente?

      Ela comprou uma lente de aumento gigante para o lagarto ficar atrás, contratou um artista de circo para ensiná-lo a soltar fogo, instalou placas de propaganda pela floresta e usou uma máquina de fumaça para dificultar a visão do príncipe.

06 – Como termina o confronto entre o "príncipe chique" e o lagarto?

      Foi uma encenação. O príncipe deu golpes de espada no ar dentro da fumaça e o lagarto fingiu estar ferido de morte, elogiando a valentia do príncipe para que este se sentisse orgulhoso e resgatasse a princesa.

07 – O que aconteceu com o lagarto após o casamento da princesa?

      A princesa cumpriu sua promessa. O lagarto foi até o castelo, foi recebido pela princesa e passou a morar lá com a família real, vivendo "feliz para sempre" com eles, apesar de o príncipe desconfiar que já o conhecia de algum lugar.

 

 

 

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

NOTÍCIA: CRISTO REDENTOR É ELEITO UMA DAS SETE NOVAS MARAVILHAS DO MUNDO - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Notícia: Cristo Redentor é eleito uma das sete novas maravilhas do mundo – Fragmento

        O Cristo Redentor foi o terceiro anunciado como uma das sete novas maravilhas do mundo. O primeiro foi a Grande Muralha da China. Os nomes dos vencedores foram revelados neste sábado (7 jul. 2007) na cerimônia de anúncio do concurso, realizada em Lisboa (Portugal).

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg_9EvTBQi6yHu8uzuHJFD4adlwXZyhCZpm_GFG9JXgbtfl4zijOFP4xZRKAIXdHCAkOFgiEjJsiVRsxEtICm5X8eRSgKa-VPqvQdm_fzmFB_nyTfA-guNIeQcUO_k2aEUx8mbpfxeSST5a2jeiYZP8PWA69TO-ZD76ww7xkEX-np_S77j5lExK1gcwoAw/s1600/images.jpg


        O Monumento de Petra, na Jordânia, foi o segundo anunciado das novas sete maravilhas. O quarto foi a cidade inca de Machu Picchu. A pirâmide de Chichén Itzá, no México, foi o quinto nome dito pelos apresentadores. O Coliseu de Roma foi o sexto, e o sétimo e último anunciado como nova maravilha foi o Taj Mahal, na Índia.

        O concurso, promovido por uma fundação suíça, recebeu votações pela internet e por mensagens telefônicas. Ao total, o concurso recebeu cerca de 100 milhões de votos.

        A iniciativa não tem apoio unânime e a Unesco, que se dedica ao patrimônio mundial, decidiu não participar do evento. De origem privada, o projeto pretende completar a lista das sete maravilhas definidas por volta de 200 a.C.

        As maravilhas da Antiguidade são: o Templo de Ártemis, os Jardins Suspensos da Babilônia, o Mausoléu de Halicarnasso, o Colosso de Rodes, o Farol de Alexandria, a Estátua de Zeus e a Grande Pirâmide do Egito. Somente esta última existe até hoje.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u310220.shtml. (Fragmento). Acesso em: 2 fev. 2011.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 13.

Entendendo a notícia: 

01 – Em que data e local foram revelados os vencedores do concurso das Novas Sete Maravilhas do Mundo?

      Os nomes foram revelados no sábado, dia 7 de julho de 2007, durante uma cerimônia realizada em Lisboa, Portugal.

02 – Qual foi a ordem de anúncio do Cristo Redentor e qual monumento foi anunciado logo antes dele?

      O Cristo Redentor foi o terceiro monumento anunciado. O monumento anunciado imediatamente antes (o segundo) foi o Monumento de Petra, na Jordânia.

03 – Como foi feita a votação para a escolha dos monumentos e quantos votos foram registrados no total?

      A votação foi promovida por uma fundação suíça e ocorreu através da internet e de mensagens telefônicas, somando cerca de 100 milhões de votos.

04 – Qual é o posicionamento da Unesco em relação a essa iniciativa?

      A iniciativa não teve apoio unânime e a Unesco decidiu não participar do evento, que possui origem privada.

05 – Segundo o texto, qual é a única maravilha da Antiguidade que ainda existe nos dias de hoje?

      A Grande Pirâmide do Egito é a única das maravilhas originais que ainda existe.

 

NOTÍCIA: O KUARUP É UMA FESTA PARA CELEBRAR A MEMÓRIA DOS MORTOS - FRAGMENTO - COM GABARITO

 Notícia: O Kuarup é uma festa para celebrar a memória dos mortos – Fragmento

          Apresentação de luta

        O Kuarup é um ritual de homenagem aos mortos ilustres, celebrado pelos povos indígenas da região do Xingu, no Brasil. [...]

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1r7pTE88qzyb2fUZmf7LRg_drr7lQ-Qk0quka4u_Pd8tzr2ybM2QWVINkfNX1fN8MpieRfHf0aWCoT29nHjQBv5247hzkeuisvPx-DRQVN5BXB8I7LGeqa0eyIJuG6lDXoPTFC3VsMjirLQ7iL11cD0zDROSt45Vw5r1i5G8-4abp6QGp9Tpe6uTJ_Mk/s320/kuarupnaopode.jpg


        Os troncos feitos da madeira “kuarup” são a representação concreta do espírito dos mortos. Corresponderia à cerimônia de finados, dos brancos. Entretanto, o Kuarup é uma festa alegre, onde cada um coloca a sua melhor vestimenta na pele. Na visão dos índios, os mortos não querem ver os vivos agindo de forma triste ou feia.

        O Kuarup da tribo Kuikuro

        Os Kuikuros (região do Rio Kuluene) realizam uma cerimônia do mais profundo sentimento humano todo ano, no mês de maio, e sempre em uma noite de lua cheia. Os índios desta tribo convidam as tribos amigas para evocarem juntas as almas dos mortos ilustres. Ainda durante a noite, trazem da floresta várias toras de madeira, conforme o número dos que desapareceram. Essas toras são organizadas em linha reta, no centro do terreiro em frente às malocas. Cada tora recebe a pintura das respectivas insígnias que, em vida, os distinguiam como pajés, guerreiros, caçadores, ou até mesmo aqueles que mais descendentes legaram à comunidade. Enquanto são executados estes trabalhos, alguns homens com arco e flecha entoam hinos aos mortos.

        Preparação do tronco

        Tudo pronto, aos gritos de há-há, vão os homens às malocas e de lá voltam acompanhados das mulheres e crianças. As mulheres, de cabelos soltos, trazendo algumas frutas e guloseimas, em largas folhas de palmeira, outras, ricos cocares, plumagem de coloridos vivos, braceletes e colares. Aproximam-se em passos harmoniosos dos kuarupes e, em voz baixa como um sussurro, travam com eles um pequeno diálogo, que parecem exprimir toda a gratidão, falando-lhes das saudades que deixaram, oferecendo-lhes ao mesmo tempo os frutos e guloseimas.

        Ao cair da noite, os homens trazem da floresta archotes de palha incendiados, cuja luz faz brilhar os corpos untados de urucum em reflexos metálicos que desenham toda a beleza dos seus corpos.

        [...]

O Kuarup é uma festa para celebrar a memória dos mortos. Museu do Índio, [s.d.]. Disponível em: http://www.museudoindio.gov.br/educativo/pesquisa-escolar/968-o-Kuarup-e-uma-festa-para-celebrar-a-memória-dos-mortos. Acesso em: 28 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 292-293.

Entendendo a notícia:

01 – O que representa o ritual do Kuarup para os povos indígenas do Xingu?

      O Kuarup é um ritual de homenagem aos mortos ilustres. Ele é representado concretamente por troncos feitos da madeira que dá nome ao ritual ("kuarup"), os quais simbolizam o espírito daqueles que faleceram.

02 – Qual é a principal diferença de sentimento entre o Kuarup e a cerimônia de finados dos "brancos"?

      Ao contrário da cerimônia dos brancos, que costuma ser marcada pelo luto e tristeza, o Kuarup é uma festa alegre. Os indígenas acreditam que os mortos não querem ver os vivos agindo de forma triste ou feia, por isso todos utilizam suas melhores vestimentas e pinturas.

03 – Como são escolhidos e preparados os troncos de madeira para a cerimônia na tribo Kuikuro?

      Os índios trazem da floresta várias toras de madeira, em uma quantidade correspondente ao número de pessoas que morreram. No centro do terreiro, cada tora recebe pinturas das insígnias que distinguiam o falecido em vida, como marcas de pajé, guerreiro ou caçador.

04 – Qual é o papel das mulheres durante o momento de preparação do tronco?

      As mulheres aproximam-se dos troncos (kuarupes) com passos harmoniosos e, em voz baixa, travam um pequeno diálogo com eles. Elas expressam gratidão, falam das saudades que deixaram e oferecem presentes como frutas e guloseimas em folhas de palmeira.

05 – Em que período do ano e sob quais condições climáticas/astronômicas o Kuarup costuma ser realizado pelos Kuikuros?

      A cerimônia é realizada anualmente no mês de maio, ocorrendo sempre em uma noite de lua cheia.

 

ENTREVISTA: VOLUNTARIADO - ALMANAQUE NISSEI - COM GABARITO

 Entrevista: Voluntariado

        No dia das mães, André esteve em visita no Centro de Amparo ao Idoso Jesus Maria José, tendo oportunidade de estar junto e ajudar nas tarefas do asilo. Nesse dia, ganhou uma amiga muito especial, Dona Ana, com quem ficou o tempo todo e conquistou seu coração. Depois da visita, se preocupou em levar presentes para ela e retornar para visita-la com sua família.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2YqUsOTwmmJbJla9_V-mC147CpsBzKAOLqXvGXExzidqwi-PJJEqNfT-vH2ZybCGWgNfi9hOnXObCDC9-iVRgMnDNruOWXSeS2bmWQdi5-Z9kWDC9cdOrzOK6UbmgDJwMWe_tDQWrxIR96zI1T8Jp-Pl_qLVYyFS29ilCFSytRP-ZVgMlXT7PhzovOeI/s320/voluntariado.jpg 


        Uma experiência marcante para uma criança de oito anos, André Ermoso Correia.

        As palavras de André: “Um dia vou ser um idoso também”.

        Nissei: Como foi para você visitar o asilo?

        André: Essa atitude mostrou o amor que eu tenho. Ser solidário é bom, imagina se você estivesse no lugar de um idoso, de uma criança sem pai, você se sentiria só. Sinto orgulho de mim mesmo, de poder ajudar alguém.

        Nissei: O que representa um idoso para você?

        André: Idoso é uma pessoa especial que já foi criança, adulta e hoje precisa de carinho e atenção mais do que nunca.

        Nissei: Dê uma palavra para os idosos.

        André: Aproveitem a vida como sempre aproveitaram.

Almanaque Nissei. Guia da melhor idade, Curitiba, n 1, jul. 2007.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 26.

Entendendo a entrevista:

01 – Em qual ocasião André visitou o Centro de Amparo ao Idoso e o que ele fez durante a visita?

      A visita ocorreu no Dia das Mães. Durante o tempo que passou lá, André teve a oportunidade de ajudar nas tarefas do asilo e fazer companhia aos residentes.

02 – Quem André conheceu no asilo e como ele demonstrou seu carinho após a primeira visita?

      Ele conheceu a Dona Ana, que se tornou uma amiga especial. Após a visita, ele se preocupou em levar presentes para ela e retornou ao local acompanhado de sua família para visitá-la novamente.

03 – Qual frase dita por André demonstra que ele consegue se colocar no lugar dos idosos pensando no próprio futuro?

      A frase é: “Um dia vou ser um idoso também”. Isso mostra a capacidade de empatia e a consciência de André sobre o ciclo da vida.

04 – De acordo com a entrevista, o que André sente ao poder ajudar alguém e qual o seu argumento sobre ser solidário?

      Ele sente orgulho de si mesmo. André argumenta que ser solidário é importante porque ninguém gostaria de se sentir sozinho, convidando as pessoas a imaginarem como se sentiriam se estivessem no lugar de um idoso ou de uma criança sem pais.

05 – Qual é a definição de "idoso" para André e qual mensagem ele deixa para eles?

      Para ele, o idoso é uma pessoa especial que já passou por várias fases da vida e que agora precisa de mais carinho e atenção do que nunca. Sua mensagem final é para que eles aproveitem a vida como sempre aproveitaram.

 

POESIA: PARA IR À LUA - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

 Poesia: Para ir à lua

           Cecília Meireles

Enquanto não têm foguetes
para ir à Lua
os meninos deslizam de patinete
pelas calçadas da rua.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjZhyZGyDMpUfcWYXCeSEILev8SVMGKjz2DZZHYeM_fS-Q9aPVv7opvmDCOOqbVTlqblUL-cq52UxXPp_Y5dngNTAEyJALMTEMzoOLArgTpoLeRQErGX3pYtmNIi-mIb7NpSB5rOtFPlFfCilYHGk8Ycja8Fa92ezubrgSr4pGLYjNC0HaJJxQAh71jwI/s320/Lua-chega-ao-perigeu-1024x683.jpg

Vão cegos de velocidade:
mesmo que quebrem o nariz,
que grande felicidade!
Ser veloz é ser feliz.

Ah! se pudessem ser anjos
de longas asas!
Mas são apenas marmanjos.

Cecilia Meireles. Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 56.

Entendendo a poesia:

01 – O que os meninos utilizam como alternativa para "ir à lua" enquanto não possuem foguetes?

      Os meninos utilizam seus patinetes para deslizar pelas calçadas da rua.

02 – Qual é a sensação que o ato de andar em velocidade provoca nos meninos, segundo o poema?

      Provoca uma sensação de grande felicidade. O poema afirma explicitamente que "ser veloz é ser feliz".

03 – O que o texto sugere que pode acontecer com os meninos devido à "cegueira" da velocidade?

      O texto sugere que eles correm o risco de se machucarem, mencionando que podem chegar a "quebrar o nariz" no percurso.

04 – No final do poema, qual é o desejo impossível que o autor expressa em relação aos meninos?

      O desejo de que eles pudessem ser anjos de longas asas, o que lhes permitiria voar de verdade.

05 – Como a autora descreve os meninos na última estrofe e o que isso indica?

      Ela os chama de "apenas marmanjos". Isso indica um contraste entre o sonho de voar (como anjos ou em foguetes) e a realidade física e humana dos garotos, que estão limitados ao chão.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: A RAIVA DE SER ÍNDIO - FRAGMENTO - DANIEL MUNDURUKU - COM GABARITO

 Artigo de opinião: A RAIVA DE SER ÍNDIO – Fragmento

        Por Daniel Munduruku

        A gente não pede para nascer, apenas nasce. Alguns nascem ricos, outros pobres; outros brancos, outros negros; uns nascem num país onde faz muito frio, outros em terras quentes; enfim, nós não temos muita opção mesmo. O fato é que, quando a gente percebe, já nasceu. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEjOWdQyQCmU06vPCfzxHC4_EdwNrED0JeRLYC1DNQxFH26k_azznE5DoeVYqDyKOLcLX2CXMi86HUZ7f5VaYWIkf8jrwiEdghUuLo0jfIGRg4mHGv2LoZdgzbheTrk3hllcMdTf-_XqHh4xY6JDFUoLqegBk9bVVGwuOhraCjogMnppWDu3Ewi_5t0po/s1600/INDIO.jpg


        Eu nasci índio. Mas não nasci como nascem todos os índios. Não nasci numa aldeia, rodeada de mato por todo lado. com um rio onde as pessoas pescam peixe quase com a mão de tão límpida que é a água. Não nasci dentro de uma Uk’a Munduruku. Eu nasci na cidade. Acho que dentro de um hospital. E nasci numa cidade onde a maioria das pessoas se parece com índio: Belém do Pará.

        [...]

        Só não gostava de uma coisa: que me chamassem de índio. Não. Tudo menos isso! Para meu desespero, nasci com cara de índio, cabelo de índio (apesar de um pouco loiro), tamanho de índio. Quando entrei na escola primária, então, foi um deus-nos-acuda. Todo mundo vivia dizendo: “Olha o índio que chegou à nossa escola”.

        Meus primeiros colegas logo, logo se aproveitaram pra me colocar o apelido de Aritana. Não precisa me dizer que isso me deixou fulo da vida e foi um dos principais motivos das brigas nessa fase da minha história – e não foram poucas brigas, não. Ao contrário, briguei muito e, é claro, apanhei muito também.

        E por que eu não gostava que em chamassem de índio? Por causa das ideias e imagens que essa palavra trazia. Chamar alguém de índio era classificá-lo como atrasado, selvagem, preguiçoso.  

        E, como já contei, eu era uma pessoa trabalhadora que que ajudava meus pais e meus irmãos e isso era uma honra para mim. Mas era uma honra que ninguém levava em consideração. Para meus colegas só contava a aparência… e não o que eu era e fazia.

        [...]

Daniel Munduruku. A RAIVA DE SER ÍNDIO. 15.01.2017. https://www.xapuri.info/cultura/daniel-munduruku-indio/.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 302.

Entendendo o artigo:

01 – Onde o autor nasceu e por que ele afirma que não nasceu "como nascem todos os índios"?

      Daniel Munduruku nasceu na cidade (provavelmente em um hospital em Belém do Pará), e não em uma aldeia cercada de mato, rios límpidos ou dentro de uma Uk’a (casa) tradicional Munduruku. Ele destaca essa diferença para mostrar que a identidade indígena não está presa apenas ao cenário da floresta.

02 – Qual era o sentimento do autor em relação à palavra "índio" durante sua infância?

      Ele sentia rejeição e "desespero" ao ser chamado de índio. Embora reconhecesse suas características físicas (rosto, cabelo e tamanho), ele não aceitava o rótulo e chegava a brigar frequentemente com os colegas por causa disso.

03 – Por que o apelido "Aritana" causava tanta irritação no autor?

      O apelido era usado pelos colegas de escola como uma forma de reforçar o estereótipo e a exclusão. Para o autor, ser chamado por nomes que remetiam à sua origem indígena era o principal motivo de suas brigas, pois ele sentia que sua identidade estava sendo usada contra ele.

04 – Segundo o texto, quais eram os preconceitos carregados pela palavra "índio" naquela época?

      O autor não gostava do termo porque, na visão da sociedade da época, chamar alguém de índio era o mesmo que classificá-lo como atrasado, selvagem e preguiçoso. Eram imagens negativas que não correspondiam à realidade de quem ele era.

05 – Qual era o conflito entre a "aparência" do autor e o seu "comportamento" perante os colegas?

      Enquanto os colegas o julgavam apenas pela aparência indígena (associando-a à preguiça), o autor se considerava uma pessoa muito trabalhadora que ajudava seus pais e irmãos. Ele sentia que sua honra e suas ações não eram levadas em consideração, pois o preconceito dos colegas era baseado apenas em estereótipos visuais.

 

domingo, 3 de maio de 2026

REPORTAGEM: ARTISTAS DE BH GANHAM AS RUAS PARA LEVAR CULTURA AO PÚBLICO E GARANTIR GANHA-PÃO - FRAGMENTO - BERNARDO ALMEIDA - COM GABARITO

 Reportagem: Artistas de BH ganham as ruas para levar cultura ao público e garantir ganha-pão – Fragmento

Bernardo Almeida

Publicado em 01/06/2019 às 21:30.

        “Viver do chapéu” é um desafio motivado pela noção de tornar a arte acessível a todos, pelas necessidades financeiras ou por um movimento natural de quem inicia a carreira artística nas ruas e dali não se imagina fora. Em Belo Horizonte esses artistas estão por toda parte, mas são mais facilmente encontrados em praças, parques, sinais de trânsito ou enchendo de cultura os arredores da feira de artesanato da avenida Afonso Pena, aos domingos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNRpomvJl84E6LwFn7LY5grXtWW9q0qacUYVDbHTw3iJE3qz-qE6CAnXuEAKzHOTmVR592XpKP0FXISKcO8vifpM-qguWGU9hvjlejlybzeHHZE4su78NWY0E5PHSRBVb-hnXg0px_hR_KDyIhQXJqw1AKfpSPzv1mxxafUfPHFtvx_kjZQEEA5JMUoMM/s320/CULTURA.jpg


        As origens e a faixa etária variam, como no caso do saxofonista Tanure Lisboa, de 48 anos. [...]

        Tanure iniciou as apresentações na rua por necessidades financeiras há cinco anos, mesma época em que o violinista e acordeonista Mateus Henrique Vitório, hoje com 22. [...].

        [...] “Vivo de arte de rua, sempre trabalhei com isso. Comecei na época em que estudava. Hoje o gosto musical enveredou muito para sertanejo universitário, funk, e procuro levar (ao público) um Moacyr Braga, uma valsa-choro, baião, músicas francesas e argentinas”, explica Mateus, que recebe reações bastante emotivas no meio do corre-corre. “Muita gente me procura para agradecer, tem quem chore, ou pare para dizer que eu mudei a vida deles”.

        [...]

Bernardo Almeida. Artistas de BH ganham as ruas para levar cultura ao público e garantir ganha-pão. Hoje em dia, 3 jun. 2019. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/Artistas-de-BH-ganham-as-ruas-para-levar-cultura-ao-p%C3%BAblico-e-egarantir-ganha-p%C3%A3o-1.718131. Acesso em: 22 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 240.

Entendendo a reportagem:

01 – De acordo com o texto, o que motiva os artistas de Belo Horizonte a "viver do chapéu"?

      A motivação é variada: passa pelo desejo de tornar a arte acessível a todas as pessoas, por necessidades financeiras imediatas ou, ainda, por ser um movimento natural de quem inicia a carreira nas ruas e opta por permanecer nesse ambiente.

02 – Quais são os locais em Belo Horizonte onde esses artistas de rua são encontrados com maior facilidade?

      Eles estão presentes em toda a cidade, mas concentram-se principalmente em praças, parques, sinais de trânsito e no entorno da feira de artesanato da Avenida Afonso Pena, especialmente aos domingos.

03 – Qual é a principal diferença de perfil mencionada entre os músicos Tanure Lisboa e Mateus Henrique Vitório?

      A principal diferença citada é a faixa etária. Tanure Lisboa tem 48 anos, enquanto Mateus Henrique Vitório tem 22 anos, demonstrando que a arte de rua em BH atrai pessoas de diferentes gerações.

04 – Como o músico Mateus Henrique Vitório busca se diferenciar do cenário musical comercial atual?

      Enquanto o gosto popular atual pende para o sertanejo universitário e o funk, Mateus opta por um repertório mais clássico e diversificado, incluindo gêneros como valsa-choro, baião, músicas francesas, argentinas e obras de Moacyr Braga.

05 – Qual é o impacto do trabalho de Mateus Henrique Vitório no público que circula pelas ruas?

      O impacto é profundamente emocional. Apesar do "corre-corre" da cidade, muitas pessoas param para agradecer, algumas chegam a chorar e há quem relate que a música apresentada mudou suas vidas naquele momento.