CONTO: QUEM SABE É O JARDINEIRO
António Torrado
Era
uma vez um rei que tinha, à roda do palácio, onde vivia, um enorme pomar muito
bem tratado. Imensos jardineiros cuidavam desse pomar, que era a vaidade do
rei.
Árvores de fruto de todas as espécies, algumas vindas de terras distantes,
transformavam, na Primavera, o pomar num jardim magnífico, onde sobressaíam o
cor-de-rosa, o azul, o branco e o amarelo das flores, sobre o verde fresco das
folhas.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0NlifHfrF38fgIPUYQwaCkQEVAGsLuwBAHZ3znroGgjG5XmNZ6_3_O2d2hecs7uU0Ju2iq-eHZEOhmbfiCFCt71br95rwPRY5-vC2z3QIv6aroAdhT6pW3rruUcuh9As9atDtwKlDKQ_up_83R_ulAnSAPQJGh7poTnJLx3KI5w309IUS85JucesVGpY/s320/passaro.jpgE, quando os frutos começavam a ganhar forma, o perfume que inundava o pomar quase entontecia.
Estava, um dia, o rei a mostrar o pomar a uns primos, príncipes de reinos vizinhos, quando viu, caídos de um pessegueiro uns tantos frutos meio apodrecidos.
Mandou logo chamar o chefe dos jardineiros e perguntou-lhe, muito irritado:
- Explique-me este desleixo. Quem é o responsável?
- Foram os pássaros, Majestade, que bicaram os frutos mais apetitosos - explicou o jardineiro.
- Pássaros? - exclamou o rei. - Como se atrevem a entrar nos meus domínios e a bicar as minhas riquezas?
- Os pássaros têm asas e não conhecem muros - respondeu o jardineiro.
- Pois vou eu ensiná-los - indignou-se o rei. - Que podem os pássaros contra mim?
E o rei foi para o palácio, onde ditou um decreto para ser espalhado pelo reino, em que mandava matar todos os pássaros, passarinhos e passarocos, sem escapar um. As ordens do rei tinham de se cumprir. Foi uma mortandade.
No ano seguinte, realmente, já não havia pássaros atrevidos a bicar nos frutos do pomar real. Mas, em contrapartida, uma praga aflitiva de lagartas e insectos destruiu as colheitas, minou os frutos, empobreceu o reino.
- Como se explica isto? - perguntou o rei ao jardineiro. - Depois de guerrearmos os pássaros, temos agora de guerrear os mosquitos e as lagartas. Como se dá batalha às lagartas?
Sorrindo, o velho jardineiro respondeu:
- Para guerrear as lagartas, temos de nos aliar aos pássaros. São eles que as comem, mais às larvas e a todos os bichinhos miúdos da natureza.
- Podias ter explicado isso mais cedo - comentou o rei, fazendo-se esquecido.
Logo ali mandou anular o decreto, que tinha apagado as asas dos céus do reino. Os pássaros já podiam, de novo, voar livremente. E poisar onde lhes apetecesse.
Assim é que estava certo.
António Torrado
a)
a falta de flores coloridas durante a primavera.
b)
a presença de jardineiros que não estavam trabalhando.
c) a visão de alguns frutos meio apodrecidos caídos no chão.
d)
a invasão de príncipes vizinhos que queriam roubar o pomar.
02. Qual foi a explicação
dada pelo jardineiro para o estado dos frutos?
a)
o excesso de sol que havia queimado a casca dos pêssegos.
b) os pássaros que bicaram os frutos mais apetitosos.
c)
a falta de água para regar as árvores vindas de terras distantes. d) a presença
de lagartas que haviam corroído o pomar.
03. Qual foi a medida
drástica tomada pelo rei para proteger suas "riquezas"?
a) ditou um decreto mandando matar todos os pássaros do reino.
b)
mandou construir muros mais altos para impedir a entrada de intrusos.
c)
ordenou que os jardineiros vigiassem o pomar durante toda a noite.
d)
decidiu vender todos os frutos antes que os pássaros os bicassem.
04. O que aconteceu no
reino no ano seguinte à execução do decreto real?
a)
o pomar tornou-se o mais produtivo e rico de toda a região.
b)
os jardineiros foram demitidos por não terem mais trabalho.
c)
os primos do rei voltaram para celebrar a ausência de passarinhos.
d) uma praga de lagartas e insetos destruiu as colheitas e
empobreceu o reino.
05. Qual lição o
jardineiro ensinou ao rei no final da história?
a)
que os pássaros são inimigos naturais de todos os reis.
b)
que é necessário usar venenos mais fortes contra os mosquitos. c) que, para combater as lagartas, é preciso se aliar aos
pássaros, pois eles as comem.
d)
que o rei deveria plantar apenas árvores que não atraíssem insetos.
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