sábado, 18 de maio de 2019

FILME(ATIVIDADES): TROPA DE ELITE - JOSÉ PADILHA - COM SINOPSE E QUESTÕES GABARITADAS

Filme(ATIVIDADES): TROPA DE ELITE

Data de lançamento 12 de outubro de 2007 (1h 55min)
Direção: José Padilha
Gêneros AçãoDramaSuspense
Nacionalidade Brasil

SINOPSE E DETALHES

        1997. O dia-a-dia do grupo de policiais e de um capitão do BOPE (Wagner Moura), que quer deixar a corporação e tenta encontrar um substituto para seu posto. Paralelamente dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pela honestidade e honra ao realizar suas funções, se indignando com a corrupção existente no batalhão em que atuam.

Entendendo o filme:

01 – O filme mostra a trajetória de dois amigos de infância, Neto e Matias, que entram na polícia e passam, posteriormente, a integrar o BOPE (Batalhão de Operações Especiais).
a)   O que frustra os dois jovens, quando entram como aspirantes na polícia?
A corrupção que existe na polícia.

b)   Justifique sua resposta anterior com exemplos.
O desaparecimento de peças e de motor de carros da polícia; a corrupção de policiais graduados, que tiram dinheiro dos comerciantes, em troca de segurança, e de traficantes, em troca de omissão.

c)   O que acontece com os policiais que tentam mudar esse quadro? Justifique sua resposta.
São colocados em trabalhos considerados inferiores, como a cozinha.

d)   Você considera ética a estratégia de Neto e Matias para conseguir dinheiro a fim de comprar peças para a mecânica da polícia? Por quê?
Resposta pessoal do aluno.

02 – Matias divide-se entre a vida como policial e a vida como estudante de Direito. Num seminário na universidade, entra em conflito com os colegas quando acusam a polícia de ser violenta com os mais pobres e com a classe média. Quem tem razão: Matias ou os demais estudantes? De que lado você ficaria nessa discussão?
      Resposta pessoal do aluno.

03 – No filme, Maria e seus amigos fazem um trabalho social numa das favelas do Rio de Janeiro. Por outro lado, são consumidores de drogas ilícitas; Duda chega, inclusive, a vender drogas na universidade.
a)   Do ponto de vista do filme, até que ponto é viável a convivência entre universitários voluntários e os traficantes?
Pela ótica do filme, não é viável essa convivência, pois, na prática, mostra-se falsa a afirmativa de que os traficantes têm “consciência social” e aceitam o trabalho voluntário de universitários.

b)   O narrador, o capitão Nascimento, afirma: “Quantas crianças a gente vai ter de perder para o tráfico só pra um playboy enrolar um baseado?”. Como você vê a ação dos universitários na favela, considerando essa frase de Nascimento?
Resposta pessoal do aluno.

c)   Você concorda com a reação de Matias ao abordar a passeata contra a violência, depois que seu amigo Neto é assassinado pelo tráfico?
Resposta pessoal do aluno.

04 – O capitão Nascimento, protagonista do filme, é uma personagem complexa, retratada sob diferentes ângulos. Caracterize-o do ponto de vista:
a)   Profissional: Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Profissional dedicado, competente, mas que desrespeita os direitos do cidadão, tanto os da própria polícia quanto os dos criminosos.

b)   Moral: Incorruptível, comprometido com a causa que abraçou.

c)   Pessoal e psicológico: Estressado, em conflito entre a vida familiar e a profissional. Por um lado, mostra-se violento e cruel no exercício da profissão; por outro lado, mostra-se humano e sensível à vida familiar e a alguns fatos do trabalho (como no caso da mãe que lhe pede o corpo do filho morto).

05 – Poucos policiais conseguem chegar ao fim do processo de seleção do BOPE. Do seu ponto de vista, e considerando o contexto apresentado pelo filme, é necessário tanto rigor na escolha? Há exagero nos métodos de seleção? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

06 – Tropa de elite teve grande repercussão, fora e dentro do Brasil, por causa do modo como retrata a polícia carioca. O capitão Nascimento comenta no início do filme:
        “--- No Rio de Janeiro, quem quer ser policial tem de escolher: ou se omite, ou vai para a guerra”.
        Na sua opinião, essas opções apresentadas por Nascimento são reducionistas ou são realistas?
      Resposta pessoal do aluno.

07 – Segundo alguns críticos, ao explorar o ledo pessoal, familiar e humano de Nascimento, um policial incorruptível, o filme leva o espectador a se identificar com a personagem e, por consequência, à aprovar os seus comportamentos, inclusive a tortura de traficantes. Na sua opinião, isso realmente ocorre? Justifique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.

ROMANCE: GRANDE SERTÃO: VEREDAS - (FRAGMENTO) - JOÃO GUIMARÃES ROSA - COM GABARITO

Romance: Grande Sertão: veredas –(fragmento)
                  João Guimarães Rosa

        De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp’ro, não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de especular ideia. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso...


        Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum. Nenhum! – é o que digo. O senhor aprova? Me declare tudo, franco – é alta mercê que me faz: e pedir posso, encarecido. Este caso – por estúrdio que me vejam – é de minha certa importância. Tomara não fosse... Mas, não diga que o senhor, assisado e instruído, que acredita na pessoa dele?! Não? Lhe agradeço! Sua alta opinião compõe minha valia. Já sabia, esperava por ela – já o campo! Ah, a gente, na velhice, carece de ter sua aragem de descanso. Lhe agradeço. Tem diabo nenhum. Nem espírito. Nunca vi. Alguém devia de ver, então era eu mesmo, este vosso servidor. Fosse lhe contar... Bem, o diabo regula seu estado preto, nas criaturas, nas mulheres, nos homens. Até: nas crianças – eu digo. Pois não é ditado: “menino – trem do diabo”? E nos usos, nas plantas, nas águas, na terra, no vento... Estrumes. ... O diabo na rua, no meio do redemunho...
        Hem? Hem? Ah. Figuração minha, de pior pra trás, as certas lembranças. Mal haja-me! Sofro pena de contar não... Melhor, se arrepare: pois, num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá a mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca-doce pode de repente virar azangada – motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas – vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. E que isso é? Eh, o senhor já viu, por ver, a feiura de ódio franzido, carantonho, nas faces duma cobra cascavel? Observou o porco gordo, cada dia mais feliz bruto, capaz de, pudesse, roncar e engolir por sua suja comodidade o mundo todo? E gavião, corvo, alguns, as feições deles já representam a precisão de talhar para adiante, rasgar e estraçalhar a bico, parece uma quicé muito afiada por ruim desejo. Tudo. Tem até tortas raças de pedras, horrorosas, venenosas – que estragam mortal a água, se estão jazendo em fundo de poço; o diabo dentro delas dorme: são o demo. Se sabe? E o demo – que é só assim o significado dum azougue maligno – tem ordem de seguir o caminho dele, tem licença para campear?! Arre, ele está misturado em tudo.
        Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente, aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria de amor – compadre meu Quelemém, diz. Família. Deveras? É, e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é ... Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem os depois – e Deus, junto. Vi muitas nuvens.

                                          15. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982. p. 11-2.
Entendendo o romance:

01 – De acordo com o romance, qual o significado das palavras abaixo:

·        Abrenúncio: do latim abrenuntio, interjeição que tem o sentido de “credo”, “Deus me livre”.

·        Manaíba: do tupi, muda de mandioca.

·        Assisado: que tem siso, juízo; ajuizado.

·        Moquém: grelha feita de varas usada para secar ou assar carne e peixe.

·        Azougue: do árabe, pessoa muito viva e esperta.

·        Peçonha: veneno.

·        Campear: andar pelo campo, procurar.

·        Carantonho: cara grande e feia.

·        Quicé: do tupi, o mesmo que “faca velha”.

02 – Riobaldo, o narrador, conta sua história a um interlocutor que está presente, mas cuja voz não se manifesta explicitamente na narrativa.
a)   Identifique um trecho do texto em que a fala de Riobaldo leva em conta a presença do interlocutor.
“O senhor vê”; “Explico ao senhor”; etc.

b)   No trecho: “Hem? Hem? Ah. Figuração minha [...]”, o que o interlocutor deve ter perguntado a Riobaldo?
Deve ter perguntado o que foi que Riobaldo disse. (Riobaldo deve ter tido uma fantasia e dito “O diabo na rua, no meio do redemunho...”).

03 – Riobaldo afirma que, antes, quando era jagunço, não tinha tempo para fantasiar, mas agora, aposentado (de “range rede”), dera para especular ideias. Qual é o assunto que lhe interessa?
      A existência ou não do demônio.

04 – O excerto lido, embora narrativo, apresenta uma estrutura dissertativo-argumentativa, isto é, o narrador desenvolve uma ideia central com argumentos e, no final, chega a uma conclusão.
a)   Qual é a tese ou ideia central – apresentada no 2° parágrafo – que o narrador pretende desenvolver?
A de que o diabo vive dentro dos homens (e das coisas), é o lado sombrio de cada um.

b)   O exemplo da mandioca fundamenta a tese adequadamente? Por quê?
Sim, pois sendo ela uma mandioca-doce, boa para comer, pode tornar-se uma mandioca venenosa, o que prova que o mal está dentro das coisas e das pessoas.

05 – Segundo o 3° parágrafo, o mal está nas coisas: nas aves, nos animais, nas pedras, está misturado em tudo.
a)   De acordo com o último parágrafo, o que pode combater o mal?
O sofrimento e o amor.

b)   “Tudo é e não é ...”. Que sentido tem essa frase no contexto? Os argumentos expostos fundamentam essa afirmação?
Para o pensamento dialético de Riobaldo, tudo é relativo, depende do ponto de vista – o que fica claro com o exemplo da cachoeira. Os demais argumentos também comprovam a relatividade do bem e do mal.

c)   Compare a conclusão com a tese. Há coincidência ou contradição entre elas?
Há coincidência. Para Riobaldo o diabo vige nos crespos do homem, isto é, o mal e o bem estão dentro de cada ser.

06 – Não a chega a ficar claro em Grande sertão se Riobaldo fizera ou não um pacto com o demônio. A própria personagem tem dúvida se houve ou não o pacto.
a)   Considerando a etapa da vida em que se encontra Riobaldo, por que essa questão lhe interessa tanto?
Porque, como Riobaldo já tem uma idade avançada, se o demônio existe, ele em breve levará sua alma.

b)   Pela conclusão a que chega, Riobaldo tem motivos para continuar se preocupando?
Não, pois, de acordo com a tese da personagem, o diabo não existe como pessoa, mas se manifesta no lado ruim de cada ser.

c)   Na sua opinião, Riobaldo acredita em seus próprios argumentos?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Talvez não, pois, se acreditasse, não teria necessidade de argumentar sobre seu ponto de vista e querer saber a opinião do interlocutor.

07 – A linguagem regionalista de Guimarães Rosa é um dos traços da originalidade da obra.
a)   O excerto lido é uma narração oral ou escrita? Identifique no texto marcas que justifiquem sua resposta.
Trata-se de uma narração oral, conforme as marcas de oralidade: “e pois?”; “explico”; “Não?”; “Ah”; “Hem? Hem?”; etc.

b)   Com a ajuda do glossário apresentado no final do texto, comente a linguagem do autor, levando em conta a seleção vocabular, a estruturação sintática e a melodia das frases.
A linguagem do autor se caracteriza por apresentar um vocabulário de origem diversa, expressões regionais, prosódia típica do homem sertanejo.

POEMA: A CASA DO BERÇO AZUL - CORA CORALINA - COM QUESTÕES GABARITADAS

Poema: A Casa do Berço Azul
           Cora Coralina

“Dona Marcionilha e seu Chico Fiscal.

Era a casa deles.
Gostavam de flores, de vasos e de roseiras.
Um quintal muito grande de fruteiras fartas e escolhidas.


Criação de lebres e de coelhos, da meninada.
Gaiolas dependuradas.
Alçapões. Balanços pelos galhos.
Meninos brincando.
Meus e deles.
Passarinhos.
Frutas maduras pelos galhos, pelo chão.
Geração passada...

A Casa do Berço Azul...
Minha casa amiga...

De dois em dois anos descia do alto da parede da despensa,
onde ficava ancorado, o barquinho de uma nova vida,
prestes a chegar.
Vinha para a terra o pequenino barco.
Seu Chico tomava de um pincel e uma lata de tinta
e repintava o berço, sempre de azul. Renovava o pequeno colchão,
o pequeno travesseiro cheio de paina fina e nova.
Pela casa, panos macios, flanelas,
claros agasalhos, camisinhas, bordados delicados,
rendas, e sempre ela tricotando um xaile de lã azul,
que mostrava sorrindo e feliz às suas amigas.”

Cora Coralina. Meu livro de cordel. São Paulo: Global, 1996.
Entendendo o poema:
01 – Como o eu lírico compõe as lembranças trazidas pela memória?
      Por meio da narração dos fatos passados e da descrição dos elementos, pessoas e objetos, que faziam parte dessa geração a antiga.

02 - Além do saudosismo, que outros sentimentos o poema evoca no leitor?
      O texto nos transmite uma sensação de nostalgia e melancolia, ao lembrar um passado feliz e distante, que hoje parece inalcançável. Restam as doces recordações e, a partir delas, também um sentimento de perda ante a realidade.

03 – Que objetos se destacam, no poema, como elementos evocadores de memória? Por quê?
      A casa e o berço. A casa representa o mundo feliz e seguro da infância, e o berço guarda a essência, a semente de vida que alegrava essa casa, povoada de lembranças ternas do passado.

04 – A cor azul apresenta alguma simbologia no texto? Esclareça sua resposta.
      Sim. O berço e o xaile azul parecem envolver a criança recém-nascida, como o céu azul enlaçando os anjos.

05 – De que forma se criou uma imagem bem viva e real do passado?
      Ao compor gradativamente as cenas passadas, a autora enumerou as pessoas e os objetos, verso por verso, e foi montando aos poucos o ambiente familiar, produzindo assim uma visão bem próxima e fotográfica de um lar abençoado.

06 – Retire do texto alguns  substantivos.
         Casa - flores - vasos - roseiras - lebres - coelhos - gaiolas - alçapões - passarinhos - frutas - barco.

07 – Explique por que o texto pode ser chamado um “poema substantivo”. Transcreva trechos que comprovem sua resposta.
      Os versos são formados, na maioria, por palavras ou frases substantivas (ou nominais), que não têm verbo, em que se destacam nomes de pessoas ou de objetos: “Dona Marcionilha e seu Chico Fiscal”, “gaiolas dependuradas”, “passarinhos”, “geração passada”, etc.

08 – O emprego dos nomes de pessoas e de objetos foi importante para a criação do poema. Por meio deles, Cora Coralina idealizou um mundo poético, vivido no passado. Identifique alguns nomes que contêm maior significado dentro desse contexto.
      Sugestões: Dona Marcionilha, Chico Fiscal, meninada, meninos, passarinhos, amigas, casa, quintal, balanços, berço, barquinho. (Ainda: flores, roseiras, lebres, coelhos, gaiolas, agasalhos, bordados, renda, xaile, terra, pincel, lata, tinta, colchão, travesseiro, etc.)


CARTA: NUNCA ANTES, NESTE PAÍS... O ESTADO DE S.PAULO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Carta: Nunca antes, neste país...

        Vivendo em um país onde as pessoas parecem não mais se preocupar em cumprir suas obrigações, testemunho, aos 85 anos, que hoje a ética tem pouco valor e obter vantagens a qualquer custo passou a ser regra. Fui surpreendido por uma conta da [empresa]* [...] cobrando R$ 124,23, por uma ligação para Curitiba, em 21/12, com vencimento em 6/2. Não fizemos tal ligação nem conhecemos ninguém que more lá. Contatei 4 vezes a empresa, sem solução. Na última, o funcionário ameaçou protestar meu nome, se eu não pagar a conta, e que discutiria o ressarcimento após eu pagá-la. Pelo jeito, não são apenas os sequestradores que dão golpes pelo telefone. Não devo e não temo. Me recuso a pagar, já entrei no PROCON e peço ajuda ao jornal.
        A [empresa] responde:
        “Não identificamos irregularidades na cobrança. Os clientes podem nos contatar no [...] (telefonia fixa) e [...] (telefonia móvel). O site do fale conosco é [...]. Ou então devem ir à loja mais próxima.”
        O leitor comenta:
        Além de incompetentes e desonestos, são mentirosos. Até hoje dia (18), ninguém me contatou para esclarecer a cobrança descabida.
        A [empresa] enviou à coluna, no dia 20, resposta igual à enviada no dia 17, ratificando-a. No dia 23, o leitor confirmou que não recebeu telefonemas da empresa e que irá esperar a solução do PROCON. Ele também agradeceu à coluna o envio da queixa a empresa.

                                                (O Estado de S. Paulo, 27/06/2008)

        *Para preservar a identidade dos interlocutores, suprimimos a identificação do remetente e o nome da empresa.

Entendendo a carta:
01 – A carta argumentativa de reclamação, como o nome sugere, apresenta uma reclamação a respeito de algum problema, enquanto a carta argumentativa de solicitação pede a solução de um problema. Quando apresenta simultaneamente uma reclamação e uma solicitação é chamada de carta argumentativa de reclamação e de solicitação. Como você classifica a carta lida? Justifique sua resposta.
      É uma carta argumentativa e de solicitação, pois apresenta uma reclamação (cobrança indevida de ligação) e uma solicitação (pedido de ajuda ao jornal).

02 – As cartas de reclamação ou de solicitação são, normalmente, endereçada a órgãos públicos, como ministérios, secretarias do município, PROCON, etc. Considerando que a carta lida foi publicada em um jornal, que o jornal também publicou a carta da empresa e, ainda, o comentário do leitor à resposta dada, levante hipóteses:

a)   Por que o jornal publica esse tipo de carta e exerce o papel de intermediador entre as partes?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Como forma de tornar públicos problemas que os cidadãos comuns enfrentam no dia-a-dia e que nem sempre são alvo de notícias ou reportagens jornalísticas e/ou para fazer valer os direitos de seus leitores. É exercer o papel de intermediador talvez por conhecer as formas de fazer chegar as cartas aos destinatários e como forma de prestar um serviço aos seus clientes.

b)   Qual a intenção do locutor desse tipo de carta ao se servir do jornal para publicar sua reclamação e/ ou solicitação?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Tornar público um problema que atinge não só a ele mesmo, mas também a outras pessoas; porque confia no jornal e sabe que ele se encarregará de fazer sua reclamação e/ou solicitação chegar ao órgão público para a qual dirige sua carta e que, assim, há possibilidade de receber resposta ou uma solução para seu problema.

c)   No caso da carta lida, por que a parte criticada, a empresa, respondeu ao remetente da carta usando o mesmo veículo que o leitor, isto é, o jornal?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Como forma de retratação perante o público, mostrando que é uma empresa confiável, que atende a seus clientes, que está aberta a críticas, que toma providências, etc.

03 – Para ser atendido, o remetente de uma carta argumentativa de reclamação ou de solicitação necessita apresentar argumentos convincentes. Na carta lida:
a)   De que argumentos o remetente se serve para convencer seu interlocutor?
Ele afirma que vive em um país onde as pessoas não se preocupam com o cumprimento de suas obrigações e onde a ética tem pouco valor; argumenta não ter feito a ligação telefônica cobrada, porque não conhece ninguém em Curitiba, cidade para onde a ligação foi feita; argumenta que não são apenas os sequestradores que dão golpes por telefone; e, ainda, diz que se recusa a pagar a conta porque não teme a cobrança, já que ela é indevida.

b)   Releia a resposta dada pela empresa. A argumentação do remetente foi suficiente para que a carta atingisse seu objetivo?
Não, pois a empresa responde que não há irregularidade na conta.

04 – Considerando o comentário que o remetente fez à resposta da empresa, responda: A resposta satisfez o remetente? Justifique sua resposta.
      Não. Ele diz que a empresa, além de incompetente, é desonesta e mentirosa, pois até a data da carta de resposta do leitor não havia entrado em contato com ele para prestar esclarecimentos.

05 – A carta de reclamação ou de solicitação tem estrutura semelhante à da carta pessoal. A carta lida, porém, não se mostra de acordo com esse padrão Por que algumas dessas partes das cartas foram suprimidas?
      Porque não há no jornal espaço para publicação integral da carta e, por isso, publica-se somente o essencial.

06 – Observe a linguagem empregada no texto:
a)   Que variedade linguística predomina?
A variedade padrão.

b)   Em que pessoa se coloca o autor da carta?
Na 1ª pessoa do singular.

07 – Agora conclua: Quais são as principais características das cartas argumentativas de reclamação e de solicitação? Responda, levando em conta os critérios a seguir: finalidade do gênero, perfil dos interlocutores, suporte/veículo, tema, estrutura, linguagem.
      Apresentar a autoridades uma reclamação e/ou solicitar a solução de um problema, empregando argumentos com intenção persuasiva. O locutor são os cidadãos m gral; o destinatário são os órgãos públicos e autoridades em geral. Normalmente são veiculadas m papel e sites da internet; às vezes são publicadas em jornais e revistas. Os temas são problemas que dizem respeito a uma pessoa, a um grupo de pessoas ou à população em geral. Apresentam estrutura semelhante à das cartas em geral, com local e data, vocativo, corpo de texto (assunto) despedida e assinatura. Apresentam um ou mais argumentos. Predomina a variedade padrão da língua. Há emprego de pronomes e verbos na 1ª pessoa e formas verbos do presente do indicativo.

POEMA: CANTIGA PARA NÃO MORRER - FERREIRA GULLAR - COM QUESTÕES GABARITADAS

Poema: Cantiga para não morrer
        
     Ferreira Gullar

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.


Ferreira Gullar. Os melhores poemas. Seleção de Alfredo Bosi.
São Paulo: Global, 2002. p. 120.
Entendendo o poema:
01 – Identifique o tema central do poema.
      O término de um relacionamento amoroso.

02. O texto "Cantiga pra não morrer" diz respeito a relacionamento amoroso.

     a)   Que tipo de situação é imaginada pelo eu lírico do texto?

Uma situação de separação entre o eu lírico e a "menina branca de neve", provavelmente a mulher amada.

 b)   Que apelo o eu lírico faz à "moça branca como a neve"?

O eu lírico faz um apelo para não ser esquecido, ou para que ela, de alguma forma, leve-o consigo.

 c)   Dê ao menos duas interpretações ao título do texto.

Entre outras possibilidades, o texto seria uma forma de canto, e cantar seria uma maneira de não morrer, talvez porque o canto possa aliviar a dor do eu lírico; o texto constitui um pedido insistente do eu lírico para não ser esquecido pela amada, o que para ele seria morrer.


03 – Observe a primeira estrofe do poema:
a)   Que circunstância expressa a oração: Quando você for Embora?
Expressa tempo.

b)   O que essa circunstância conota em relação à continuidade do amor?
Conota o término do amor, sinalizando um tempo não muito preciso.

04 – O poema apresenta uma construção paralelística, principalmente se considerarmos o início das estrofes. Observe:
        “Se acaso você não possa”.
        “Se no coração não possa”.
        “E se aí também não possa”.
a)   Qual a circunstância expressa nos três versos?
Condição.

b)   Considerando-se que paralelismo são estruturas de repetição, o que as repetições sugerem no plano do relacionamento entre o eu lírico e a mulher amada?
Sugerem hipóteses para não ser esquecido, no caso de o relacionamento terminar.

05 – Como você justificaria o título do poema?
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Além de o poema sugerir à mulher amada várias formas de não ser esquecido, ele próprio é uma forma de não esquecer a mulher amada, nem ser esquecido por ela, é uma forma de não deixar morrer o amor, imortalizando-o na cantiga.