domingo, 10 de setembro de 2017

REPORTAGEM(FRAGMENTO): O CLIMA EM MUTAÇÃO - DARLENE MENCONI, ISTOÉ. - COM GABARITO

O clima em mutação

        O que dizem os cientistas sobre as chuvas na Europa e o fogo que destruiu florestas no Brasil e em Portugal         

           Furacões cada vez mais constantes. Chuvas torrenciais como as que provocaram deslizamento de terra e enchentes na Suíça, Alemanha e Áustria. E que soaram o alarme na Romênia, onde milhares ficaram desabri­gados e mais de três dezenas morreram arrastadas pelas enxurradas. A lista de catástrofes climáticas da semana passada inclui ainda o verão mais quente dos últimos 15 anos na Península Ibérica. Só em Portugal, foram mobilizados quatro mil bombeiros, quase mil veículos e 40 aeronaves para conter a fúria das chamas que destruíram uma área verde do tamanho de 30 mil campos de futebol
          No Brasil, a má notícia ficou por conta das chamas que engoliram metade de um parque nacional na ilha Bandei­rante, no Paraná. São todos sinais da tão anunciada mudança climática, certo?
         A resposta é sim e não. Quando se trata de prever o clima, não há certezas absolutas. "É impossível garantir de pés juntos que o aumento na incidência desses even­tos extremos não seja consequência da mudança climática", diz o pesquisador - Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP). "Mas também é impossível garantir que seja", completa.
        Estudar o clima é uma atividade com­plexa por vários motivos. Primeiro porque as análises meteorológicas levam muitas coisas em consideração, como a quantidade de poluentes emitidos pelas chaminés e a capacidade de as florestas em absorver esses gases causadores do efeito estufa, que criam uma capa protetora e impedem o calor do Sol de voltar ao espaço. Também não existe um único sistema de previsão climática, o que inviabiliza análises comparativas.
         Por último, é impossível colocar em prática experimentos de longo prazo. A verdade é que não há conhecimento suficiente para garantir as flutuações do clima no médio e longo prazo. Diante da tamanha ignorância, os cientistas alertam, é importante cuidado com o que lançamos na atmosfera. "Não pode­mos tratar como uma gigantesca lata de lixo porque isso cedo ou tarde pode trazer sérias consequências", avisa Artaxo. Ele compara o clima da Terra a um doente:
     "Enquanto não se sabe qual é a doença, o melhor remédio é não abusar"
      [  ... ]

DARLENE MENCONI. ISTO É. 21 set 2005
(Fragmento).

 Vocabulário:

Torrenciais – abundantes/excessivas
Incidência – ocorrência
Inviabiliza – impede/impossibilita
Flutuações – mudanças

Interpretação de texto:

1.Este texto é trecho de uma reportagem publicada numa revista.
a) Qual o título?
     O clima em mutação.

b) Quem escreveu?
     Darlene Menconi.

c) Em qual revista foi publicado?
     Foi publicado ne revista ISTO É.

2..Qual é o assunto abordado no texto? Assinale a alternativa correta:

(   ) poluição ambiental                                               (   ) ecologia

(   ) chuvas e queimadas na América do Norte          X ) mudanças climáticas Brasil e exterior

3.O que os cientistas já concluíram a esse respeito? Assinale a alternativa correta:

(   ) a culpa é só do ser humano

(   ) o ser humano não tem culpa do que acontece

( X ) que ainda não há conhecimento suficiente para explicar as causas dessas mudanças climáticas.

(   ) é um problema da própria natureza


4.As informações da reportagem foram obtidas junto a um especialista. Qual o nome dele?
     Paulo Artaxo.

5.Por que os cientistas nos aconselham a tratar a natureza com maior respeito?
     Porque cedo ou tarde, pode trazer sérias consequências.

6.Na sua opinião, como o homem tem tratado a natureza? O que tem contribuído para que ocorram tantas mudanças climáticas?
     Resposta pessoal do aluno.

7. Cite um problema ambiental recente que foi amplamente divulgado pela mídia (qual, em que local e as consequências).

     Resposta pessoal do aluno. Podendo ser: O desastre de Mariana em Bento Rodrigues, MG. Prejuízo incalculável ao meio ambiente e a população. (Sam Marco).

CARTA DO LEITOR: FICAR OU NAMORAR? ROSELY STEIL - COM GABARITO

CARTA DO LEITOR

Leia o artigo abaixo da Revista Mundo Jovem de 20/10/10.

FICAR OU NAMORAR?

 Muitos adolescentes atualmente estão optando por ficar ao invés de namorar, pois ficar é uma felicidade momentânea já que no relacionamento mais sério você poderá encontrar a felicidade, mas também a tristeza advinda das dificuldades de uma relação a dois.
    O namoro foi substituído pelo ato de ficar, que significa basicamente beijar, abraçar... O risco que os jovens correm quando optam por este tipo de relação é quando este tipo de namoro rápido ultrapassa os beijos e abraços e acaba na cama. No outro dia aquela felicidade momentânea já passou, se o casal não estava preparado para o ato sexual em si, e nenhum deles pensou na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis ou uma gravidez indesejada, poderá ter como resultado uma doença ou na melhor das situações uma gravidez, e ai? Como faço? Assumo perante a sociedade? Ou procuro uma forma de me livrar deste problema bem rapidinho? Grande dor de cabeça para o casal, pois tanto uma DST´S ou uma gravidez indesejada poderá ocorrer deixando assim o casal que queria apenas um pouco de divertimento com uma bomba na mão, e sem saber como resolver. Muitas vezes sobra apenas para a garota resolver esta solução sozinha, ainda ouve do parceiro de um dia só, que “este filho não é meu”, poderá ser de outro qualquer, e ai? aí vem o medo, o aceite da família para esta nova situação. Geralmente são os homens os mais adeptos do “ficar”, normalmente as mulheres ficam presas ao sentimento, os homens são mais racionais pensam apenas em satisfazer seus desejos, enquanto as mulheres querem viver uma grande paixão, e, é ai que mora o perigo.

Rosely Steil- Pedagoga CREAS- Coordenadora Municipal do Fórum Catarinense de Combate a Violência e a Exploração Sexual Infanto-Juvenil. 


Exemplo de uma carta do leitor sobre esse artigo acima:

Ficar ou Namorar?

        Eu concordo com o artigo da coordenadora Rosely publicado na Mundo Jovem do mês passado, pois para mim, ficar é só uma curtição e pode terminar mal para os jovens inexperientes que inventarem de ir além... Já namorar é uma coisa mais séria, ou seja, é um ato de responsabilidade acho que é bem melhor namorar, porque você assume um compromisso, se sente protegida. Agora “ficar” eu não gosto; você beija “aqui, ali e lá” e depois os próprios que pedem para ficar com você, saem falando mal. “Ah!!!, sabe aquela ali? já catei, tracei até não querer mais.” E quando você sai na rua ficam todos olhando, com olhar estranho, e acabam chamando até de” safada” para não dizer outras coisas.
      Eu nunca fiquei, pois acho que sou muito nova e outra, pra que? Se alguma vez for ficar com alguém, vou namorar sério.

           BiancaThais Cardoso 13 anos 7ªB. 21/11/10 Cuiabá, MT.
                         e-mail: bianca.thais@hotmail.com                              

ATIVIDADE:
      Sobre o artigo e a carta do leitor acima, responda as questões abaixo:
1 – Onde e quando o artigo “Ficar ou Namorar” foi publicado?
      Foi publicado na Revista Mundo Jovem, em 20/10/2010.

2 – Sobre o que trata esse artigo?
      Trata-se de uma relação entre duas pessoas jovens, ficar ou namorar.

3 – Qual a opinião da autora sobre esse assunto?
      Que muitos jovens estão optando por ficar em vez de namorar.

4 – Qual o risco que os jovens correm com essa história de “ficar”?
      É quando esse tipo de ficar, ultrapasse os beijos e abraços e acaba na cama.

5 – Quais problemas podem surgir depois de uma relação sexual entre pessoas muito jovens e inexperientes?
      Se não estavam preparados para a relação. Estarão sujeito a uma doença sexualmente transmissíveis de uma gravidez indesejável.

6 – Na maioria das vezes, para quem termina sobrando uma gravidez indesejada? Por que só para essa pessoa?
      Normalmente, sobra para a garota resolver sozinha. E ainda ouvir o rapaz dizer “este filho não é meu”.

7 – Segundo o artigo, qual o objetivo dos homens numa relação? E o das mulheres?
      Os homens pensam em apenas satisfazer seus desejos. Enquanto as mulheres querem viver um grande amor.

8 – Quem escreveu esta carta de leitor, onde e quando?
      Foi escrita por Bianca Thais Cardoso. Em Cuiabá, em 21/11/10.

9 – Sobre o que trata a carta?
      Sobre a diferença em “ficar” ou “namorar”.

10 – A autora da carta é a favor ou contra o que Rosely defendeu no seu artigo?
      É a favor.

11 – Qual foi o objetivo desta carta:
      (    ) agradecer    (    ) reclamar     (    ) elogiar  
      X ) tecer um comentário.

12 – Por que a autora da carta diz que não gosta de “ficar”?
      Por ser uma curtição momentânea e pode terminar muito mal.

13 – Quais foram as informações pessoais que a autora da carta colocou no final da carta? É importante colocar essas informações no final da carta de leitor? Por que?
      “Ah!!!, sabe aquela ali? Já catei, tracei até não querer mais.”
      SIM. Porque serve de alerta para outras jovens se prevenirem.





sábado, 9 de setembro de 2017

TIPOS DE LEITURA - JUVÊNCIO JOSÉ BARBOSA

TIPOS DE LEITURA

        Cabe ao profissional de educação, neste sentido o professor, selecionar o tipo de leitura mais indicado para cada situação de modo a poder obter melhores resultados no processo de ensino e aprendizagem. Vejamos de seguida os diferentes tipos de leitura existentes:

        Segundo BARBOSA (1994:121), os tipos de leitura dividem-se essencialmente em, leitura de informação – na qual destina-se basicamente no conhecimento de determinado conteúdo por parte do leitor, sem uma preocupação com a retenção da informação;
leitura de consulta – aquela dirigida para situações emergentes e imediatas, como por exemplo, a consulta de dicionários, enciclopédias, guias e endereços;
leitura de para a ação – caracteriza-se por ser uma leitura rápida, seletiva, em que o leitor realiza-a de forma espontânea, esta realiza-se por exemplo, nas placas de sinalização, cartazes, manuais de instrução;
leitura de reflexão – destina-se a apreensão de conteúdos diversos, esta envolve o trabalho intelectual, realizada em teses, ensaios, obras literárias, revistas científicas;
leitura de distração – como o próprio nome sugere, destina-se ao lazer, sem portanto, existir uma finalidade científica propriamente dita, ajuda a passar o tempo, exigindo do leitor o domínio perfeito do ato de ler;
e a leitura de linguagem poética – que segundo BARBOSA visa criar prazer no leitor pela sonoridade com que são lidas as palavras, esta dirige-se a leitura de poemas.

       

LAKATOS & MARCONI (1992:20) também apresentam cinco tipos de leitura que se consubstanciam nas apresentadas por BARBOSA, neste contexto, apresenta os seguintes tipos de leitura:
scanning – sendo aquela leitura que procura um determinado tópico da obra através do índice;
skimming – realizada nos títulos, subtítulos e ilustrações das obras;
do significado – que centra-se na busca do conteúdo principal, deixando os secundários, lendo por isso de forma uniforme, sem voltar;
do estudo – esta caracteriza-se por ser mais completa, o leitor, lê, relê, apoia-se de dicionários e elabora resumos;
critica – aquela que tem como finalidade a formação de um ponto de vista sobre o conteúdo lido, recorrendo portanto, a avaliação do conteúdo veiculado pelo texto quanto a solidez da argumentação.

       

Os tipos de leitura vão ser selecionados de acordo com os objetivos que pretendemos alcançar, porém, há ainda a necessidade de frisar que aos tipos de leitura arrolados pelos autores acima agregam-se as modalidades de leitura, para mediá-las no processo de ensino e aprendizagem, neste caso, GOMES aponta as seguintes:

leitura silenciosa – na qual não há interferência dos órgãos vocais, esta possibilita maior interiorização, a memorização, compreensão e rapidez na leitura, possibilita ainda a visualização do conteúdo do texto;
e a leitura oral individual – sendo portanto, um dos melhores meios de aperfeiçoar a leitura, geralmente em contexto de sala de aula, sugere-se ao professor para apresentar uma “leitura modelo”, para os alunos que não possuem ainda uma pratica na leitura.

        Depois de deixar ficar os tipos de leitura alinhados por alguns autores, espero que os senhores professores comentem, dizendo quais os tipos e modalidades de leitura tem usado nas aulas de língua portuguesa (leitura). Podem ainda sugerir outros tipos de leitura que não foram indicados neste artigo. Deixem ainda ficar as vossas experiências sobre o ensino da leitura nas classes iniciais.


 Pré-Leitura

          É comum se achar que após a leitura de uma obra ou de um texto teremos a nossa disposição uma compreensão plena no final desta tarefa, existe aí um grande equívoco, pois isso só é realmente possível em duas condições extremas: se o texto ou a obra em questão forem muito singelos, ou, se o leitor for muito eficiente.
          Vemos inúmeros relatos de pessoas que afirmam ler uma determinada página e ao final não conseguem entender ou interpretar na íntegra o que foi lido, isso evidencia que esse leitor não está plenamente preparado para o exercício da leitura, seu cérebro ainda está em fase de adaptação cognitiva e as áreas responsáveis pela leitura profícua não foram devidamente ativadas, ficando essas informações na memória de trabalho, sendo, portanto, de conteúdo volátil se perdendo na própria estrutura do sistema de assimilação, reconhecimento e arquivo de dados.

      A Pré-leitura ou scanning tem a função de realizar um reconhecimento exploratório preliminar da leitura, é uma passagem visual rápida pelo texto sem a pretensão da fixação ou da compreensão plena do escrito.
       Nesta oportunidade é muito importante que o leitor comece a relacionar as palavras cujo significado ele não conheça para posteriormente encontrar seus sinônimos, o que tornará mais fácil e proveitosa no momento da releitura. Isso pode ser feito grifando as palavras, escrevendo-as em separado ou no local reservado no próprio escrito.
        Outro procedimento a ser tomado para orientar o leitor naquilo em que sua atenção deve estar voltada é denominado de skimming.

      O skimming é uma ação pré-cognitiva onde o indivíduo, numa visão macro, busca no próprio texto, sumário, ilustrações, capas, contracapa, títulos, subtítulos, resumos, etc. Elementos que possa lhe dar uma noção daquilo que ele vai ler, dando-lhe uma boa ideia sobre o tema abordado. Esse procedimento estimula a organização do pensamento e rebusca na memória lembranças de assuntos correlativos com o tema, sendo responsável por uma boa parcela do entendimento inicial do texto.

        As palavras-chaves são vocábulos que contém a ideia integral do texto, isso facilita a localização dos possíveis assuntos onde se encontram os argumentos ou partes do assunto que se pretende focar.

        Exemplificando: vamos supor que um aluno tenha sido incumbido de fazer um trabalho de história com o tema “A Revolução Pernambucana de 1817”, o primeiro passo é encontrar uma fonte correspondente à matéria: História; História do Brasil; História de Pernambuco; História das Revoluções Pernambucanas; “a Revolução Pernambucana de 1817”. 
     O skimming, nesta acepção, funcionou como argumento de busca utilizando as seguintes palavras-chaves: história, revolução, pernambucana e 1817.
        De posse da fonte e com o texto em mãos procede-se a pré-leitura, a leitura e posteriormente a realização do trabalho.

       Assim, a pré-leitura pretende instigar um clima de interesse investigativo que possibilita ao leitor, o vislumbre de aumentar seus conhecimentos, obter maiores informações ou fazer uma análise crítica dessa literatura sem o compromisso inicial de especular questões de ordem semântica, gramatical, ortográfica ou estrutural do texto.
      Por essas razões é interessante para uma melhor compreensão e fixação do texto, uma leitura preambular rápida procurando fazer uma breve apreciação do que está escrito, procurando deter nas palavras mais difíceis e pouco usuais buscando seus sinônimos e relacionando-os com o sentido que se quer denotar, em seguida partir para uma leitura mais atenta.


Leitura Fragmentada

        Muitas pessoas afirmam que não gostam de ler porque isso lhes causa fadiga, ou ao terminar um texto não conseguem compreender seu conteúdo, acham-se dispersas, desconcentradas e sentem que não houve um aproveitamento satisfatório das informações contidas nesses escritos.
    Não estamos falando aqui nos casos comprovados de dislexia, ou de qualquer transtorno de ordem patogênica relacionados com a leitura e a escrita. Reportamo-nos da falta do exercício mental e da constância exigidas quando optamos pelo hábito de ler.
     Isso acontece por diversas razões, à principal ocorre pela falta de disciplina e continuidade que esse costume exige. Dessa forma a pessoa lê, compreende as palavras uma a uma: separadamente, mas não conseguem associar o sentido na construção das frases, parágrafos e por fim o texto.
      Com a dificuldade presente nessa associação de palavras, frases e parágrafos as mensagens e as informações ali contidas perdem seu senso e o escrito vira um emaranhado literário incompreensível e enfadonho: é o ler sem compreender.

      O mecanismo cognitivo responsável por essa dificuldade já foi comentado anteriormente quando versamos sobre as relações da memória de trabalho e memória intermediaria. Em virtude da precariedade da leitura, a decifração ocorre com poucas unidades significativas que vão se perdendo com o passar do tempo, então apenas as informações que forem mais usuais ficam retidas nos níveis superiores da cognição, portanto em fragmentos.

      Alguns autores definem esse tipo de leitura como decifratória, que tem como principal característica o pequeno esforço empregado no ato e a atenção geralmente dispersa em verter o texto escrito em elementos mentalmente compreensíveis e decifráveis.
        Outro motivo contundente é que os textos contidos nos livros, jornais e revistas, embora estejam em nosso idioma, nem sempre usam palavras que estão na linguagem usual das pessoas, ou seja, é muito comum o uso de enunciados carregados de expressões de erudição lexical, pidgins, regionalismos, vocábulos próprios de determinadas profissões, etc., tudo isso dificulta a compreensão e interpretação desses escritos.
        Outra razão preponderante se encontra na obrigatoriedade imposta pelas instituições de ensino, testes vestibulares, provas classificatórias de certos cargos profissionais, que compelem as pessoas de lerem livros pouco populares e de difícil compreensão em nome da cultura de elite. Na realidade isso prova nada, pelo contrário se perde um tempo precioso na aplicação e correção de exames que não medem nem o potencial nem as competências de um indivíduo, apenas cria um grau de dificuldade efêmera e improdutiva.
     Tudo isso causa desmotivação no hábito de ler, principalmente quando não se vislumbra objetivos práticos e concretos, que possam levar um fim produtivo, ninguém investe naquilo que não lhe traga resultados e desenvolvimento.


Leitura Integral
     Chamamos de leitura integral a forma de ler com plena compreensão e interpretação do que está escrito. Esse tipo de leitura é caracterizado pelo amadurecimento e pela condição disciplinar alcançada pelo cérebro no exercício contínuo e perseverante do ato de ler e que eleva de forma eficaz o condicionamento intelectual.
     Nessa fase o indivíduo tem a capacidade de associar perfeitamente as frases e parágrafos, compreender sistematicamente e de forma coerente todo conteúdo, inclusive com a condição de memorizar ou absorver determinados trechos, frases ou citações.
    Todavia, é importante salientar que mesmo com a percepção efetiva no exame de um escrito a formação critica sob o assunto poder bastante prejudicada, devido ao fato de que a criticidade depende do cabedal de conhecimentos anteriores do assunto em questão.
    Neste caso em particular, a associação é ao nível cognitivo que dá ao leitor elementos de comparação do assunto abordado com as matérias previamente conhecidas juntamente com a opinião já formada, constituindo assim um encadeamento de ideias na formação de um novo pensamento ou no desenvolvimento e maturação dos conceitos e informações existentes.
      Isso implica dizer que para que o indivíduo tenha a criticidade apurada e assisada (ajuizada) é necessário muita leitura e muito estudo dentro de um determinado assunto para que possa obter elementos efetivos das diferenças e relações contextuais.
     Dessa forma não devemos confundir a leitura integral com a leitura corrida, enquanto uma se atenta aos detalhes e a compreensão do texto, a outra só se detém em elementos decifratórios e automatizados.


Leitura Dinâmica

       Na Leitura Dinâmica, diferentemente das outras formas de ler, utilizam-se métodos e técnicas de leitura que permitem a decifração substanciada, instantânea e em blocos de um juízo ou pensamento na forma integral, evitando-se, portanto, a decifração de uma cadência de ideias sequenciadas e linear, como se dá geralmente na leitura comum.

      Conhecida também como leitura rápida, leitura acelerada, ou nos casos mais avançados: a leitura fotográfica. A leitura dinâmica tem como característica primordial a forma diferenciada da entrada de informações em nossa base neural de conhecimentos. Essa peculiaridade, assim como o próprio ato de ler, pode ser desenvolvida progressivamente através de técnicas especiais e muito treino, pois carece que o cérebro esteja bem adaptado a essas funções que são adquiridas por intermédio de uma neuróbica exaustiva e perseverante.

      Salientamos que nesta acepção não devemos confundir com a leitura corrida: que é o tipo de vocalização textual sem levar em conta o significado e a compreensão do escrito.

       O leitor trivial realiza sua leitura como se fosse um sussurro, decifrando e pronunciando vocalmente ou mentalmente o que a sua percepção visual capta no escrito, ou seja, letra por letra, silaba por silaba, frase por frase, etc., muitas vezes tendo que realizar uma releitura para começar a entender o conteúdo exposto.
       Quando a leitura é dinâmica e já está bem desenvolvida no indivíduo, este decifra o texto em blocos: de palavras, de frases ou parágrafos inteiros. A mente desta pessoa não produz o efeito da vocalização sussurrante, pois o processo se sucede no plano puramente cognitivo; sua visão é lateralmente ampliada, em virtude do desenvolvimento e utilização da visão periférica; e, sua compreensão é instantânea, pois o nível de inferência é elevado. Funciona como quem olha uma fotografia rapidamente e consegue distinguir e assimilar todos os detalhes de uma única vez.

      Alguns autores chamam de visão gestáltica, que conforme o dicionário do Aurélio Buarque de Holanda (1999): “relativo aos fenômenos psicológicos e biológicos, que veio a alcançar domínio filosófico, e consiste em considerar esses fenômenos não mais como soma de elementos por isolar, analisar e dissecar, mas como conjuntos que constituem unidades autônomas, manifestando uma solidariedade interna e possuindo leis próprias, donde resulta que o modo de ser de cada elemento depende da estrutura do conjunto e das leis que o regem, não podendo nenhum dos elementos preexistir ao conjunto”. Isto é, a visão que parte de um todo convergindo para o pontual.
       Em suma, na leitura dinâmica não se vê o texto, mas se compreende a ideia ou o conjunto dessas ideias integralmente e instantaneamente. Na utilização de métodos e técnicas adequados adicionados a exercícios constantes, qualquer pessoa pode adquirir, desenvolver e executar este tipo de leitura.


Leitura Profícua
     A leitura e seu desenvolvimento estão intrinsecamente ligados ao exercício mental e habitual que imprimimos ao cérebro. O processo deve ser gradual, crescente e sistemático até que se chegue a um nível de excelência satisfatório às necessidades do indivíduo.
   Aconselha-se que se comece por edições simples e pequenos escritos, desde que agradáveis ao nosso gosto e associados a temas que estão ao nosso inteiro alcance intelectual, com o objetivo de posteriormente passarmos a adquirir a condição da leitura e interpretação de textos mais complexos, criar simpatia literária ao ponto de se tornar prazeroso esse ato.
   Comparamos a um exercício físico: se o esforço for demasiado aos primeiros dias, o indivíduo será afetado por uma fadiga muscular seguida de dores e consequentemente a desmotivação. Enquanto que se o esforço despendido for paulatino, a musculatura aos poucos irá se adaptando a nova condição resultando num condicionamento satisfatório.
   Para se ler o nosso estado emocional deverá estar apto, sereno e em receptividade aguçada para haurir os inúmeros estímulos e impressões de ordem psíquicas. Consequentemente, não é concebível que um indivíduo escolha um momento de leitura quando esteja preocupado com outras coisas; se encontre cansado de um dia exaustivo; perturbado com problemas do cotidiano; ouvindo música em volume alto; sem conforto ou condições ambientais favoráveis para a atividade, e mesmo assim tirar um bom proveito do conteúdo ora apresentado.
     Portanto, urge atentar para a importância de ações higiênicas para dar uma infraestrutura no momento do ler. É possível tornar a leitura produtiva e bem compreendida apenas observando os fatores externos que influenciam diretamente nessa atividade. Como os seguintes:

Fatores fisiológicos – Ligados diretamente à saúde e bem estar do nosso organismo: boa disposição corporal; estado normal e periódico de repouso; ausência de incômodos orgânicos, acuidade visual, etc.

Fatores ambientais – Estão associados às boas condições do espaço físico ao nosso redor: luminosidade, temperatura ambiente, ventilação, sonoridade, conforto e ausência de elementos dispersantes, por exemplo, uma janela voltada para uma rua movimentada ou o movimento de animal de estimação.

Fatores psicológicos – relacionados com o momento emocional de um indivíduo, para incentivar a atenção, motivação, emoção, etc.

Fatores metodológicos – envidar métodos, processos e técnicas para que a leitura seja a mais produtiva possível. O exercício e a disciplina diária podem coligir para produção e desenvolvimento dessas técnicas.

Fatores intelectuais – Referem-se aos conhecimentos adquiridos pelo indivíduo, é inegável que quanto maior a coletânea de informações e vocábulos que um indivíduo é portador mais fácil será a interpretação e compreensão dos textos.


     Desta forma poderemos solver o máximo de informações sem que isso seja um suplício traumatizante e aversivo, a leitura faz parte do desenvolvimento intelectual humano, pois é a pedra basilar dos estudos e da transmissão de conhecimentos.


FONTE: BARBOSA, Juvêncio José. Alfabetização e Leitura. São Paulo: Cortez, 1994 – 2,ed. Ver – (Colecção magistério. 2º grau. Série formação do professor; v 16)

POEMA PARA SÉRIES INICIAIS: LEILÃO DE JARDIM - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO


Poema: Leilão de Jardim
Cecília Meireles

Quem me compra um jardim com flores
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis
nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é meu leilão!)

COMPREENDENDO O POEMA
1)   Qual o título do poema?
Leilão de Jardim.

2)   Qual a sua autora?
Cecília Meireles.

3)   Quais os bichinhos que são citados no poema?
Borboletas; passarinhos; lagarto; sapo; cigarra; grilinho; caracol.

4)   O que é um leilão?
É a oferta de um objeto, para ver quem paga o melhor preço.

5)   Retire o que se pede:
a)   Uma palavra com rr:
Cigarra.

b)   Duas palavras com nh:
Ninhos – passarinhos.

c)   Uma palavra com ch:
Chão.

6)   Complete de acordo com o poema:
Quem me compra este caracol?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

7)   Encontre as rimas e ligue!
1-Flores                               jardineiro-5
2-Passarinhos                     chão-6
3-Caracol                             primavera-4
4-Hera                                 sol-3
5-Formigueiro                      cores-1
6-Canção                             ninhos-2

8)   É possível leiloar “um jardim com flores e borboletas de muitas cores”?
(   ) sim                 (X) não

9)   O que está sendo leiloado?
O Jardim.

10)              Que mensagem Cecília Meireles quis transmitir com este poema?
A mensagem transmitida, é uma crítica, por estar sendo destruído os parques e jardins.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

MÚSICA(ATIVIDADES): MEUS BONS AMIGOS - BARÃO VERMELHO - COM ANÁLISE/GABARITO

MEUS BONS AMIGOS    

  
 Barão Vermelho
Meus bons amigos, onde estão?
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida
De forma diferente
Às vezes me pergunto
Malditos ou inocentes?

Nossos sonhos, realidades
Todas as vertigens, crueldades
Sobre nossos ombros
Aprendemos a carregar
Toda a vontade que faz vingar
No bem que fez pra mim
Assim, assim
Me fez feliz, assim

O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo
E imperfeito

Meus bons amigos, onde estão?
Notícias de todos quero saber
Sobre nossos ombros
Aprendemos a carregar
Toda a vontade que faz vingar
No bem que fez pra mim
Assim, assim
Me fez feliz, assim

O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo
E imperfeito
Não, não, não
O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo
E imperfeito

COMPREENDO A MÚSICA
1 – Quantas estrofes e quantos versos o texto apresenta?
      Apresenta cinco estrofes e trinta e cinco versos.

2 – Podemos encontrar nessa canção traços do Barroco, através de uma figura de linguagem característica dessa escola literária. Que figura é essa? Comprove com passagens do texto:
      A figura de linguagem é antítese.
      Ex.: Malditos / inocentes.
             Sonhos / realidades.

3 – O texto possui uma linguagem coloquial e há uma palavra que só deve ser usada na oralidade e não na escrita. Que palavra é essa?
      A palavra é ME no início de frase. Segundo as regras gramaticais não se pode começara frase com pronome oblíquo átono, como o ME.

4 – Qual é a principal indagação do poeta?
      Meus bons amigos, onde estão?

5 – Em “Sobre NOSSOS OMBROS aprendemos a carregar” que figura de linguagem o termo em destaque exemplifica? Justifique seu raciocínio:
      Prosopopeia/Personificação -  (atributos humanos ao não-humano).

6 – Reescreva o primeiro e o segundo versos na ordem direta:
      Primeiro verso: Onde estão meus bons amigos?
      Segundo verso: Quero saber notícias de todos.

7 – Faça uma lista dos seus grandes amigos e ao lado de cada nome responda a primeira pergunta da letra da música:
      Resposta pessoal do aluno.

8 – Use a mesma lista da questão anterior e escreve na frente de cada nome duas características (adjetivos), evitando repeti-los:
      Resposta pessoal do aluno.

9 – Diga como você entendeu o questionamento do eu-lírico quando diz “Malditos ou inocentes?”:
      Quando o eu-lírico diz: “Às vezes me pergunto malditos ou inocentes”, ele se pergunta, qual o motivo que os amigos se afastaram, pelas circunstâncias ou propositalmente, sendo falsos amigos.

10 – Qual o sentido da palavra VINGAR, no décimo primeiro verso?
      No sentido de reviver aqueles momentos bons com os amigos.

11 – O texto foi escrito em que pessoa? Justifique sua resposta:
      Eles – 3ª pessoa do plural. De forma impessoal.

12 – Quem é o eu-lírico do texto? Como ele se sente? Quem são seus interlocutores?
      É uma pessoa madura. Se sente nostálgica e frustrada pelo tempo que se passou, e apesar de tudo tem vontade de saber o que seus amigos estão fazendo. Seus interlocutores são seus amigos.

13 – Retire do texto um exemplo de antítese:
      Malditos / inocentes.

14 – Qual o conceito da palavra AMIGO para você?
      Resposta pessoal do aluno.

15 – “O homem pode orgulhar-se de ter muitos amigos, mas há amigo mais chegado do que um irmão”. Você concorda ou não com essa afirmação? Explique:
      Resposta pessoal do aluno.

16 – O título está de acordo com o que diz a canção? Que outro título você daria?
      Resposta pessoal do aluno.

17 – Copie do texto um exemplo de vocativo:
      “Meus bons amigos, onde estão?”


ANÁLISE DA CANÇÃO

        A música pode ser interpretada como uma reflexão do eu lírico em relação aos seus amigos que se afastaram:
        1ª estrofe – Vem o questionamento, “malditos ou inocentes”? O eu lírico se pergunta se os amigos se afastaram pelas circunstâncias da vida, ou propositalmente, sendo falsos amigos.
        2ª estrofe – é dito todos os sonhos que tiveram juntos e a realidade pela qual passaram, o tempo em que foram amigos a amizade era considerada verdadeira o que o fez feliz.
        3ª estrofe – é relatado que o amor sem fim, ou seja, o amor verdadeiro não esconde o medo, nos dá uma dica de que depois de tanto tempo aqueles que eram bons amigos talvez estejam com vergonha de se reaproximar devido a ação do tempo e, quanto mais o tempo passa, torna-se uma reaproximação mais difícil, cada um se considera imperfeito e com vergonha de admitir que estão distantes.
        Apesar de tudo, o narrador tem vontade de saber o que estão fazendo aqueles que considerava amigos, uma certa nostalgia frustrada pelo tempo, já que agora, uma aproximação é praticamente impossível.