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domingo, 9 de junho de 2024

FILME(ATIVIDADES): INTERESTELAR: A APOSTA MAIS ARRISCADA DE NOLAN-(FRAGMENTO) - COM GABARITO

 Filme(Atividades): Interestelar: a aposta mais arriscada de Nolan – Fragmento  

        Interestelar tinha tudo para ser o melhor filme de ficção científica da história e entrar para aquelas seletas listas de melhores filmes de todos os tempos. Christopher Nolan na direção, Hans Zimmer com a trilha sonora e, no elenco, uma constelação: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Michael Caine, Matt Damon, Casey Affleck, Topher Grace. E, principalmente, uma ideia genial.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqb3_e3qKkkpZF-ZzzvmRq2zakP9GO6QvIShW6GZzmBZ6Luv3Cmy2Z3P6unXoM-HMEm6yMp31vl0f5YviifJltFFMPSWRdOsDywjGrGeecxRUFO25AM85iwintFb70yO1BvQxnhn2B4zHQqD6AKkY3gXxFsE8Q9xp5JDhUnxf70s4Dq7Kzo_sCt1WeUSg/s320/FILME.jpg


        [...]

        O primeiro ato é apenas bom. Foi o primeiro momento em que comecei a sentir certo desapontamento. Apesar de Mackenzie Foy ser uma atriz extraordinária e conseguir criar uma personagem ótima para Murphy, a filha de Cooper, essa parte do filme não se sustenta. Com um ar “spielbergiano”, o drama familiar acaba se mostrando fraco e Nolan não consegue exprimir sua marca. O roteiro não consegue criar o vínculo necessário. Outro momento, em que Cooper começa a entrar em sua jornada interestelar, é mal aproveitado e aleatório. Porém, o que mais incomodou foram as atuações sem grça de Lithgow e, principalmente, Michael Caine. Atores ótimos delimitados em personagens sem grandes aproveitamentos na trama. Enfim, o começo não convence.

        O segundo ato, porém, resgata todo o fôlego perdido no começo do filme. É o melhor momento do longa e deixa o espectador boquiaberto em inúmeras passagens. Aqui, destaque para as cenas de computação gráfica e, principalmente, para o trabalho impecável de Hans Zimmer com a trilha sonora. Autor das músicas de filmes como Rain Man, Gladiador, Sherlock Holmes e a trilogia nova de Batman, o compositor dá uma verdadeira aula. Consegue mesclar silêncio e momentos de som ensurdecedor.

        [...].

MANS, Matheus. Publicada em: 20 nov. 2014. Disponível em: http://literatortura.com/2014/11/interestelar-aposta-maisarriscada-de-nolan. Acesso em: 20 out. 2015. (Fragmento).

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 347.

Entendendo o filme:

01 – A primeira informação sobre o filme é dada por seu título. O que o interlocutor deduziria sobre um filme chamado Interestelar? De que forma os conhecimentos de morfologia ajudariam você nessa dedução?

      O título Interestelar propõe que o enredo envolve aventuras no espaço sideral, como sugerem o radical -estel-, que remete a “estrelas”, e o prefixo -inter, que significa “entre”.

02 – Qual o sentido denotativo de constelação? Esse é o sentido usado no texto? Justifique.

      Constelação significa “conjunto de estrelas”. No texto, é empregado conotativamente para se referir a um grupo de atores consagrados.

03 – O que há em comum entre as palavras interestelar e constelação?

      São termos que partilham o radical –(e)stel-, isto é, palavras formadas a partir de “estrela”.

04 – As obras artísticas costumam estabelecer relações interdiscursivas. Segundo a resenha, qual discurso é retomado pelo diretor de Interestelar?

      O resenhista vê traços da obra do diretor Steven Spielberg no filme de Christopher Nolan.

05 – A referência a esse discurso é feita por meio de uma palavra derivada. Qual é ela? Explique a função de seu sufixo.

      O termo spielbergiano contém o sufixo -ano, responsável por sugerir a ideia de “semelhante” ou “comparável”.

06 – O crítico menciona seu “desapontamento” diante do filme. O que o provoca?

      Segundo o crítico, o filme traz um drama familiar fraco, momentos mal aproveitados e atuações decepcionantes de alguns bons atores.

07 – O vocábulo desapontamento formou-se a partir de uma palavra da língua inglesa, disappointment, e por isso os puristas sugerem o uso de decepção em seu lugar. Você concorda com essa posição? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

08 – No segundo parágrafo, o “desapontamento” é substituído por uma sensação inversa. Que vocábulo do texto a traduz melhor? Como ele é formado?

      O vocábulo boquiaberto, formado pelo processo de composição por aglutinação: boca + aberta (com alterações fonológicas).

09 – A palavra identificada no item anterior tem por base uma metonímia. Explique essa ideia.  

      Ficar de boca aberta é uma reação física que expressa a noção de encantamento, admiração. A metonímia está na apresentação do efeito (a boca aberta) pela causa (a admiração).

10 – A palavra extraordinária contém o prefixo extra-, cujo sentido é “na parte de fora, externamente”. Explique de que modo o prefixo altera o significado de ordinário.

      O radical é -ord-, que tem seu sentido (“ordinário”, “comum”) alterado para “fora do comum”, com a inclusão do prefixo extra-. Assim, algo extraordinário é algo que está “além do comum”, “além do ordinário”.

11 – Extraordinário passou pelo mesmo processo de formação de ensurdecedor? Justifique sua resposta.

      Não. Ensurdecer é um termo formado por derivação parassintética, enquanto extraordinário é formado por derivação prefixal e sufixal (ordinária existe, mas surdecedor não).

12 – A expressão som ensurdecedor forma, com uma palavra que a antecede no texto, uma figura de linguagem. Escreva o nome dessa figura no caderno e explique sua função na composição do elogio ao produtor musical Hans Zimmer.

      Trata-se da antítese, constituída pela oposição silêncio X som ensurdecedor, sugerindo a harmonia da trilha sonora do filme e a maestria de Zimmer ao executá-la.

 

 

POEMA: PARADA CARDÍACA - PAULO LEMINSKI - COM GABARITO

 Poema: Parada cardíaca

               Paulo Leminski

Essa minha secura

essa falta de sentimento

não tem ninguém que segure,

vem de dentro.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjPV5T7msNuJgXhRCE2SHqWzGtxpF_VhHX6nOxp0xElRNGM-mvB0i28XRvW4xwBuKrQJycnFhav3wUSSLXwDuMhlL7HB9JIysT2duTxN9iCG29c01rHZN5QOWJkJ-fIDUlqQ49tEQq0Tm_Cx0codCbxUFxTJeuYf_wzKprGMnhAyNtbADGy518nQ6443ZM/s1600/SEGURA.jpg

Vem da zona escura

donde vem o que sinto.

Sinto muito,

sentir é muito lento.

Paulo Leminski. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 203.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 317.

Entendendo o poema:

01 – Que verso esclarece o significado da expressão metafórica "minha secura".

      O segundo verso.

02 – Explique a imagem “Zona Escura” Para representar o que "vem de dentro".

      Zona escura sugere uma área não conhecida dentro do eu lírico.

03 – O poema explora os dois sentidos da expressão sinto muito. Quais são eles?

      Sinto muito pode indicar um sentimento intenso ou equivaler à expressão empregada para desculpar-se.

04 – Qual dos sentidos de sinto muito é coerente nesse contexto? Por quê?

      A expressão sinto muito foi empregada com o valor de “desculpe-me”, já que o poema sugere sua dificuldade de sentir, tornando incoerente a referência a um sentimento intenso.

05 – Como deve ser entendido o título do poema? Que figura de linguagem o constrói?

      “Parada cardíaca” é uma metáfora e, nesse contexto, sugere que o coração, entendido tradicionalmente como a sede do sentimento, não está funcionando, logo não tem capacidade de sentir.

 

domingo, 26 de maio de 2024

MÚSICA(ATIVIDADES): JUÇARA - PAULO PADILHA - COM GABARITO

 Música(Atividades): Juçara

             Paulo Padilha

Juçara sara, que o pessoal repara
Todo mundo tá querendo ver a Juçara sarar
Juçara jura que essa gripe não tem cura
Juçara menina pura, Juçarinha sara, cura
Será que Ju sarará

Tá jururu Juju

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjH6D78SGruU0hS2v155esDjX-i1SG-AT6ncx-HsJlQsrKQVY6SqeIjPD2d3HuE_G6JcGsytuuDBy_hwPXd6L_kU5KqjKajZtlBfT_E9vl0hlWUpSVtWII7BfIQopcmW8oq1i8JTgSifhPYg1DdyQajoFbjcvcPb5iJC6ClOJqk0QYp_8qZ75UZVFGgD3I/s320/baile-do-padilha.jpg

Que tá na cara, Juçara, o pessoal repara
Geralmente a gripe sara na hora de namorar
Juçara sara, Juçara, Juçara cura
Juçara menina pura, jura Çara, sara jura,
Jura que Ju sarará

Tá jururu Juju

Juçara
Sara Juçara que eu te pego no metrô do Jabaquara
Jura, sara, sai da cama e vem cantar
Juçara
Juçara canta e os seus males espanta
Juçara cura a garganta, Juçara Juju levanta
Que o show vai começar

Saracoteia Juçara
Saracoteia que sar
Juçara agora resolveu me dar o fora
Juçara tá indo embora, Juçara não quer cantar
Na cara dura, Juçara menina pura
Juçara, juçara santa já se curou da garganta
Agora Juçara canta mas só pensa em namorar

Caramba Juçara, para de paquerar
Caramba, Juçara, que o show vai começar

Jurubatuba, jurubeba, jerimum, girabrequim
Jerusalém, jacarandá, jacurici
Juçara, Jacira, Jacinto, Jacy
Jerônimo, Geraldo, Jeremias, Juraci...

 

Composição: Paulo Padilha. Disponível em: http://letras.mus.br/paulo-padilha/375788. Acesso em: 13 ago. 2015.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 269-270.

Entendendo a música:

01 – O que o eu lírico pede a Juçara? E qual aa explicação da moça para não o atender?

      O eu lírico pede a Juçara que volte a cantar com ele, mas ela alega que está doente.

02 – É possível identificar outra razão para o comportamento de Juçara? Qual?

      Sim. A moça seria namoradeira e pouco comprometida com as obrigações.

03 – Descreva como o compositor explora as sílabas do nome da personagem no primeiro e no terceiro versos da canção.

      No primeiro verso, explora a igualdade sonora das sílabas ça e ra com a forma do verbo sarar, além de estabelecer uma equivalência sonora (rima interna) de Juçara com repara. No terceiro, aproveita as sílabas ju e ra para introduzir a forma verbal jura, que cria uma rima interna com cura.

04 – Explique como se produzem os efeitos sonoros do verso “Será que Ju sarará”.

      O produtor do texto usa a primeira sílaba do nome Juçara como apelido e transforma as duas últimas na terceira pessoa do singular do verbo sarar no futuro do presente. Essa forma retoma, parcialmente, a palavra será, que abre o verso.

05 – O verso “Tá jururu Juju” é usado como refrão. O que significa? De que figura de linguagem ele faz uso?

      Significa que Juju (Juçara) está triste, desanimada, sem forças. Faz uso de uma assonância.

06 – As duas últimas palavras do verso “Juçara sara, Juçara, Juçara cura” sugerem, pela identidade do som, outra palavra da língua. Qual é ela? Explique como seu significado se articula com o sentido da canção.

      “Juçara cura” sugere a palavra saracura, usada para referir-se a uma “diversão muito intensa” ou a um ato de travessura, ações que podem ser associadas à namoradeira Juçara.

07 – O fonema /a/ predomina na canção, mas ocorre também a exploração enfática de dois outros sons vocálicos. Quais são eles?

      O fonema /u/, de Juçara, que aparece por exemplo em cura, jura e pura, e o fonema /ã/, presente em canta, garganta, espanta, caramba e levanta.

08 – A última estrofe se encaixa na canção pelo aspecto sonoro. Use seus conhecimentos a respeito de fonemas para explicar isso.

      A última estrofe pode ser considerada uma brincadeira sonora estimulada pelo nome Juçara; por isso, nela são apresentados outros nomes próprios, todos deles iniciados pelo fonema /3/, representado pelas letras j ou g.

09 – Além da temática popular, a canção se vale de palavras e expressões típicas da linguagem informal. Cite algumas delas.

      Poderiam ser citadas tá na cara, jururu, dar o fora, caramba.

sábado, 25 de maio de 2024

CONTO: CURSO SUPERIOR - MARCELINO FREIRE - COM GABARITO

 Conto: Curso Superior

           Marcelino Freire

        O meu medo é entrar na faculdade e tirar zero eu que nunca fui bom de matemática fraco no inglês eu que nunca gostei de química geografia e português o que é que eu faço agora hein mãe não sei.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiOKEZ-Mrexo7NM1rFl2YltVY4spyhNaxzur8d0L3RWlf9f_NCJnnAS7gghrF6OJpXfn4auKrtQ7tlCxmHN3Kyr6vn4Ua61Q96Ga7xeLQJKH8q4i8ZvoQKD8Bk-vbDryCHghBuYqmun6leEi2d0a3GbQXHdjXIK-TVPxX43e4grR-DB-bVv5317xH5SAac/s1600/FACULDADE.jpg

        O meu medo é o preconceito e o professor ficar me perguntando o tempo inteiro por que eu não passei por que eu não passei por que eu não passei por que fiquei olhando aquela loira gostosa o que é que eu faço se ela me der bola hein mãe não sei.

        O meu medo é a loira gostosa ficar grávida e eu não sei como a senhora vai receber a loira gostosa lá em casa se a senhora disse um dia que eu devia olhar bem para a minha cara antes de chegar aqui com uma namorada hein mãe não sei.

        O meu medo também é do pai da loira gostosa e da mãe da loira gostosa e do irmão da loira gostosa no dia em que a loira gostosa me apresentar para a família como o homem da sua vida será que é verdade será que isso é felicidade hein mãe não sei.

        O meu medo é a situação piorar e eu não conseguir arranjar emprego nem de faxineiro nem de porteiro nem de ajudante de pedreiro e o pessoal dizer que o governo já fez o que pôde já pôde o que fez já deu a sua cota de participação hein mãe não sei.

        O meu medo é que mesmo com diploma debaixo do braço andando por aí desiludido e desempregado o policial me olhe de cara feia e eu acabe fazendo uma burrice sei lá uma besteira será que vou ter direito a uma cela especial hein mãe não sei.

FREIRE, Marcelino. Curso superior. Contos negreiros. Rio de Janeiro: Record, 2005. p. 97.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 209-210.

Entendendo o conto:

01 – Explique por que o narrador-personagem teme fracassar no curso universitário.

      Ele acredita ter tido uma formação ruim em várias disciplinas.

02 – Como é possível ao leitor construir a personalidade do personagem?

      A personalidade do personagem é construída com base nas imagens que visualizamos no decorrer de sua vida.

03 – Cursar a universidade incluiria o personagem em um ambiente distinto daquele em que vive, possibilitando a ele estabelecer outras relações sociais. Que efeito tem no texto a imagem da “loira gostosa” em relação à dificuldade de inclusão do personagem nesse novo ambiente?

      Na lógica do conto, a figura da “loira gostosa” contrasta com a do personagem, e um relacionamento amoroso com ela provocaria reações negativas tanto do grupo social da moça quanto do dele, uma vez que se pressupõe um olhar preconceituoso das pessoas diante de relacionamentos multiétnicos.

04 – O medo do personagem se estende para o período posterior à formatura. O que o aflige?

      O fato de, na opinião dele, o diploma não ser suficiente para obter um emprego e o respeito dos demais grupos sociais.

05 – Em geral, os contos apresentam uma situação inicial que é desequilibrada, por exemplo, por um fato.

a)   Qual é a situação inicial nesse conto? Ela está explícita?

A situação inicial, que não está explícita mas pode ser deduzida do contexto, é a de um jovem que está concluído a educação básica e pode ter acesso ao curso superior graças à política de cotas.

b)   O que desestabiliza a situação inicial?

A possibilidade de entrada no curso superior, a reflexão sobre as dificuldades que o personagem enfrentará e as dúvidas sobre o resultado do processo.

c)   Os vários conflitos imaginados pelo personagem são sintomas de um conflito maior. Qual?

O conflito entre o jovem negro e a sociedade preconceituosa.

 

segunda-feira, 13 de maio de 2024

MÚSICA(ATIVIDADES): A LINHA E O LINHO - CAETANO VELOSO, GILBERTO GIL E IVETE SANGALO - COM GABARITO

 MÚSICA(ATIVIDADES): A LINHA E O LINHO

                                          Caetano Veloso, Gilberto Gil e Ivete Sangalo

 É a sua vida que eu quero bordar na minha

Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsCCZSq31WX0TcKYCtrXlkYhNDswAmOefLnMbOBw_RButByKCe1rmdSxOgn4wrbhkPfwDteVo1xj-kGjH1bmZhljBSUkadU4PiTYkkXf_xykE-a5NhcvnFNf1OaprZiD7h3jfnxWCrfZARY8Dm7zng39IGHz3_a-CoUQm60vZqAbdFbtVjiqI0Nj_P9HA/s320/Bordado.jpg

O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza

 

Entendendo o texto

01. Qual é o tema principal abordado na música "A Linha e o Linho"?

a) As estações do ano.

b) A importância da amizade.

c) A construção de um relacionamento amoroso.

d) O amor pela natureza.

02. Que figura de linguagem é utilizada na frase "Como se eu fosse o pano e você fosse a linha"?

a) Metáfora.

b) Hipérbole.

c) Personificação.

d) Metonímia.

03. Qual elemento é comparado à agulha do real nas mãos da fantasia na música?

a) Uma pena.

b) Uma folha seca.

c) Uma flor.

d) Uma estrela.

04. Segundo a música, qual é o papel do linho em relação à linha?

a) Representar a realidade.

b) Representar a fantasia.

c) Ser o protagonista da história.

d) Simbolizar a jornada.

05. Como é descrita a relação entre os personagens na música? a) Como uma colcha de cama.

b) Como uma toalha de mesa.

c) Como uma correnteza.

d) Como um ninho da beleza.

 

domingo, 12 de maio de 2024

POEMA: A UMA SENHORA NATURAL DO RIO DE JANEIRO, ONDE SE ACHAVA ENTÃO O AUTOR - BASÍLIO DA GAMA - COM GABARITO

 Poema: A uma senhora natural do Rio de Janeiro, onde se achava então o autor

               Basílio da Gama

Já, Marfiza cruel, me não maltrata
Saber que usas comigo de cautelas,
Qu'inda te espero ver, por causa delas,
Arrependida de ter sido ingrata.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEje-__tkzEaBV-IReOOeHkp68HGqOGrKzctAWZSeCAYX4FH8UfmsLzXOT7L_GdthMBb-RelVYeTlLK-XLWvn9cKsLUYC4Ehk4H5hVRvbSapQX0pDGYiFi4ZodMkO42NbBt4I3Uuu3JKP2lpzP1R7gS2uqjpjriqKzL2I5Z3oYSX1O2LLQVRm9JtMjk32nY/s1600/olhos.jpg



Com o tempo, que tudo desbarata,
Teus olhos deixarão de ser estrelas;
Verás murchar no rosto as faces belas,
E as tranças d'oiro converte-se em prata.

Pois se sabes que a tua formosura
Por força há de sofrer da idade os danos,
Por que me negas hoje esta ventura?

Guarda para seu tempo os desenganos,
Gozemo-nos agora, enquanto dura,
Já que dura tão pouco, a flor dos anos.

GAMA, Basílio da. In: CASTELLO, José Aderaldo. Presença da literatura brasileira: das origens ao Romantismo. 13. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008. p. 119.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 133-4.

Entendendo o poema:

01 – Os dois quartetos do poema são estruturados a partir de uma figura de linguagem, o eufemismo. Transcreva dois exemplos de eufemismo, explicando o efeito de sentido produzido no soneto.

      Possibilidades de respostas: “usas comigo de cautelas”: utilizando esse eufemismo, o eu lírico afirma de maneira mais sutil que Marfiza tem recusado seus convites amorosos, mas que um dia se arrependerá de sua ingratidão. “Teus olhos deixarão de ser estrelas”: Os olhos de Marfiza perderão o brilho (sonhos, perspectivas, desejos, etc.) que, em geral, caracteriza a juventude.

02 – Depois de ler os dois quartetos, é possível compreender a pergunta que o eu lírico faz para Marfiza no primeiro terceto. Explique essa afirmação.

      A pergunta do eu lírico é uma demonstração de sua indignação diante das negativas de Marfiza e diante daquilo que ele considera óbvio: a passagem do tempo e o consequente e inexorável envelhecimento humano.

03 – Que preceito tipicamente árcade está presente de maneira direta no último terceto do poema?

      O carpe diem. A supervalorização de cada minuto da existência. Pelo fato de o dia de amanhã ser incerto, o poeta deveria gozar o momento presente.

04 – Qual é o sentimento predominante do autor em relação à senhora mencionada no poema?

      O autor demonstra esperança e um desejo de reconciliação com a senhora, apesar da sua aparente indiferença.

05 – Como o autor descreve a inevitabilidade do envelhecimento da senhora?

      O autor descreve que os olhos que hoje são estrelas um dia deixarão de brilhar, as faces belas murcharão e as tranças douradas se transformarão em prata devido ao passar do tempo.

06 – Qual é a principal crítica do autor em relação ao comportamento da senhora?

      O autor critica a senhora por negar-lhe uma relação no presente, quando ambos sabem que a juventude e a beleza são passageiras e estão destinadas a serem afetadas pelo tempo.

07 – Como o autor justifica sua solicitação à senhora?

      O autor justifica sua solicitação à senhora ao apontar que, dado o inevitável declínio da beleza com a idade, é sensato desfrutar do presente enquanto ainda são jovens e belos.

08 – Qual é a ênfase principal do autor no último verso do poema?

      No último verso, o autor enfatiza a transitoriedade da juventude e da beleza ("a flor dos anos") e a importância de aproveitar esse tempo efêmero enquanto ainda é possível.

 

terça-feira, 7 de maio de 2024

POESIA: IMPORTUNA RAZÃO, NÃO ME PERSIGAS - MANUEL MARIA DE BARBOSA DU BOCAGE - COM GABARITO

 Poesia: Importuna Razão, não me persigas

            Manuel Maria de Barbosa du Bocage

Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhwHregY4CBKteCk3lkvdztmyP8B0j7ncno5h28D3eda5DK6iz3ni0UgWMNz0jNWHudkoo46zGSqGX3DWWUHmNo86aduN4zFuruuy0NRmZEHj7RWg2BlXtFMHQr6hqxjuAltVi8-XJHMgMl2vUILbRX2Kz0nYnnzXcBVmOiA4XwhfXu71mdFxEfeePzfAg/s320/RAZ%C3%83O.jpg



Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.

É teu fim, teu projeto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.

Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela.

BOCAGE, Manuel Maria de Barbosa du. In: LAJOLO, Marisa (Seleção de textos, notas, estudos biográficos e críticos). Bocage. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1990. p. 36-37.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 117.

Entendendo a poesia:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Importuna: incômoda, inconveniente.

·        Pejo: sentimento de vergonha.

·        Mitigas: alivias, aplacas.

·        Carpir: lamentar, prantear.

02 – Qual é o tema central da poesia "Importuna Razão, não me persigas"?

      O tema central da poesia é o conflito entre a razão e o amor, em que o eu lírico suplica para que a razão não interfira em seus sentimentos amorosos.

03 – Quem é Marília, mencionada na poesia?

      Marília é a pessoa amada pelo eu lírico, uma figura feminina pela qual o poeta expressa profundos sentimentos e desejos.

04 – Como o eu lírico descreve a interferência da razão em sua vida amorosa?

      O eu lírico descreve a razão como importuna e ríspida, tentando domar ou mitigar seus sentimentos de amor e loucura por Marília.

05 – Qual é a atitude do eu lírico em relação às acusações da razão?

      O eu lírico parece rejeitar as acusações da razão e expressa o desejo de apreciar sua própria loucura, indicando uma preferência pelos sentimentos amorosos em detrimento da lógica racional.

06 – Qual é a ironia presente na expressão "Deixa-me apreciar minha loucura"?

      A ironia está em reconhecer a própria loucura romântica como algo apreciável e legítimo, mesmo que a razão tente reprimi-la ou criticá-la.

07 – Que tipo de dilema emocional o eu lírico enfrenta em relação a Marília?

      O eu lírico enfrenta o dilema emocional de ser atraído por Marília, mesmo reconhecendo injustiça e variabilidade nela, o que contrasta com a racionalidade.

08 – Como o eu lírico expressa seu desejo final em relação a Marília?

      O eu lírico expressa um desejo intenso por Marília, desejando não fugir dela, mas sim lamentar, delirar e até morrer por ela, apesar das contradições percebidas.

 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

POEMA: ACHANDO-SE UM BRAÇO PERDIDO DO MENINO DEUS - GREGÓRIO DE MATOS - COM GABARITO

 Poema: Achando-se um braço perdido do Menino Deus

             Gregório de Matos

          ACHANDO-SE UM BRAÇO PERDIDO DO MENINO DEUS DE N. S. DAS MARAVILHAS, QUE DESACATARAM INFIÉIS NA SÉ DA BAHIA

 

O todo sem a parte não é todo,

A parte sem o todo não é parte,

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga, que é parte, sendo todo.

 

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Em todo o Sacramento está Deus todo,

E todo assiste inteiro em qualquer parte,

E feito em partes todo em toda a parte,

Em qualquer parte sempre fica o todo.

 

O braço de Jesus não seja parte,

Pois que feito Jesus em partes todo,

Assiste cada parte em sua parte.

 

Não se sabendo parte deste todo,

Um braço, que lhe acharam, sendo parte,

Nos disse as partes todas deste todo.

MATOS, Gregório de. In: WISNIK, José Miguel (Sel. E Org.). Poemas escolhidos de Gregório de Matos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 326.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 97-98.

Entendendo o poema:

 01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Sacramento: ritual cristão feito com o intuito de confirmar a fé dos homens em Deus.

·        Assiste: cuida.

02 – Por que Gregório de Matos dedica seu poema ao braço da estátua e não à figura inteira do Menino Jesus?

      Porque o braço da estátua não representa uma parte dela, mas um todo. Dessa forma, o braço representa o Menino Jesus, e não uma parte dele.

03 – A qual figura de linguagem você associaria o poema? Como você chegou a essa conclusão?

      Podemos associar o poema à metonímia porque o poeta utiliza uma parte para representar um todo.

04 – No quarteto inicial do poema, faz-se um complexo jogo com as palavras parte e todo.

a)   Coloque o primeiro verso em ordem direta e explique-o sucintamente.

O todo não é todo sem a parte. Para o todo ser todo, uma unidade, não poderá faltar nele a parte.

b)   No segundo verso, afirma-se que, sem o todo, isto é, isolada, a parte não é, de fato, uma parte. Nesse caso, o que seria ela?

Ela seria o próprio todo, pois não havendo um todo que ela pudesse compor, não haveria a parte. Dessa forma, o pedaço constituiria um todo.

c)   O que se pode concluir a partir da leitura dos dois últimos versos do primeiro quarteto?

Se o “todo” é formado pela “parte”, conclui-se que a “parte” é o “todo”, ou seja, o braço da imagem encontrado não é simplesmente uma parte dela, mas ela toda.

05 – Releia o poema e, retomando as estrofes, explique de que maneira cada uma delas se articula à conclusão feita no primeiro quarteto.

      Segundo quarteto: da mesma maneira que a “parte” é o “todo”, cada um dos Sacramentos católicos – partes – constituem o todo da fé em Deus. Primeiro terceto: o braço de Jesus não pode ser visto como “parte”, pois ele, mesmo estando estilhaçado em partes, foi feito “todo”. Segundo terceto: o braço não se sabe parte de um todo, por isso “diz”, como se fosse um todo, a fé cristã do povo.

06 – Que mensagem você acha que o eu lírico pretende passar aos fiéis?

      Não importa ao homem de fé que a imagem tenha sido despedaçada. Cada pedaço dela encontrado deveria servir como elemento renovador da fé do cristão.

 

 

POEMA: APÓLOGO DA MORTE - D. FRANCISCO MANUEL DE MELO - COM GABARITO

 Poema: Apólogo da Morte

            D. Francisco Manuel de Melo

Vi eu um dia a Morte andar folgando
por um campo de vivos que a não viam.
Os velhos, sem saber o que faziam,
a cada passo nela iam topando.

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Na mocidade os moços confiando,
ignorantes da Morte a não temiam.
Todos cegos, nenhuns se lhe desviam;
ela a todos co dedo os vai contando.

Então quis disparar e os olhos cerra:
tirou, e errou: Eu, vendo seus empregos
tão sem ordem, bradei: Tem-te, homicida!

Voltou-se, e respondeu: Tal vai de guerra!
Se vós todos andais comigo cegos,
que esperais que convosco ande advertida?

 MELO, D. Francisco Manuel de. In: MOISÈS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 30 ed. São Paulo: Cultrix. 2006. p. 193.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 93.

Entendendo o poema:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Apólogo: narrativa alegórica cujo propósito é interferir no comportamento social e moral humano.

·        Folgando: alegre.

·        Tirou: atirou.

·        Advertida: prudente, com cuidado, com cautela.

02 – Qual é o tema principal do poema "Apólogo da Morte" de D. Francisco Manuel de Melo?

      O poema aborda o tema da inevitabilidade da morte e da indiferença das pessoas em relação a ela.

03 – Como o poeta descreve a presença da Morte entre os vivos?

      O poeta descreve a Morte como uma figura que anda entre os vivos, que são cegos para sua presença e frequentemente a encontram sem perceber.

04 – Quais são os sentimentos e atitudes das diferentes faixas etárias em relação à Morte, conforme retratados no poema?

      Os velhos parecem não reconhecer a Morte e tropeçam nela inadvertidamente, enquanto os jovens confiam na sua juventude e ignoram sua existência, todos sem perceberem sua presença.

05 – Por que o poeta repreende a Morte no poema?

      O poeta repreende a Morte pela forma desordenada como ela atua, sem seguir uma ordem justa ou razoável ao escolher suas vítimas.

06 – Qual é a resposta irônica da Morte à repreensão do poeta?

      A Morte responde de forma irônica, explicando que seu trabalho é como o de um guerreiro durante uma batalha, onde não há tempo para considerações individuais ou advertências, dado que todos estão cegos para sua presença.