domingo, 11 de outubro de 2026

NOTÍCIA: A ESTRUTURA DO TEXTO JORNALÍSTICO - FRAGMENTO - ALFREDINA NERY - COM GABARITO

 Notícia: A estrutura do texto jornalístico – Fragmento

          Alfredina Nery

        [...] A notícia é o relato do fato, com texto, geralmente, mais simples, seco. Você vai entender como funciona.

        Você acredita que a notícia que ouvimos no rádio, assistimos na TV, lemos no jornal impresso ou na Internet é um fato em si ou é uma interpretação de um fato? Para responder isso, observe por alguns segundos a figura reproduzida acima. O que você vê? Uma vaca? Se você respondeu que sim, a sua resposta estava quase certa. Não se trata de uma vaca, mas de uma representação de uma vaca, não é? Com a linguagem escrita acontece a mesma coisa: ela representa algo, como objetos, valores, ideias. Logo, a notícia não é o fato em si, mas sim uma interpretação desse fato, certo?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqykFMjCBssXVpOdw1Qg0oJKrHUzz0OnoSrbV8rfMwA0xVB9GW7DLkxPVbgpkbQ9jumnbQ6IMFUjxUrmdVtOBiDTMHy_aaYziYUU98wXJ0C4hTBwObeEwCe-rwlcyQSzZJnbVLeDG12woNcZ7vk1IYTGboJ1eGdkXf2c8JW9J9gWHI2am9ORInfvytnyM/s320/images.png


        [...]

        Linguagem coloquial

        A linguagem do jornal é, preferencialmente, coloquial (próxima à maneira como falamos). Isso acontece intencionalmente, como forma de se aproximar e se adequar ao leitor, ao buscar uma comunicação mais eficiente.

        Outra característica da linguagem jornalística é sua tentativa de mostrar imparcialidade, neutralidade sobre aquilo que relata. [...]

        Em uma notícia, os eventos não são ordenados por sua sequência temporal como em uma história, ou seja, o jornalista não tem a pretensão de relatar os fatos na ordem em que, supõe-se, ocorreram. Os eventos são apresentados pelo interesse, na perspectiva de quem conta e, principalmente, pelo que o leitor/ouvinte/telespectador/internauta pode considerar mais importante. É evidente que quem informa faz uma seleção prévia dos eventos a serem destacados, relatando-os em função do evento principal e da ideologia do jornal.

        [...]

        Por mais que informe ser imparcial, ou que afirme traduzir com exatidão a veracidade dos fatos, a imparcialidade absoluta numa notícia é impossível, pois o redator tem que escolher o que vai contar – que acontecimentos, dentre outros, pode se transformar em uma notícia que venda mais. Determinado "o quê", ainda há "o como", isto é, como atingir o leitor de maneira mais direta, o que implica uma determinada seleção de vocabulário, destaque para o tipo de letra, tamanho da notícia, lugar em que a notícia vai aparecer no jornal, abordagem etc.

        É necessário compreender que o jornalismo não retrata nem cria fatos, e sim constrói visões dos fatos. O jornal legitima uma opinião sobre. Nesse quadro, a notícia é uma construção de visões e não os fatos em si.

NERY, Alfredina. Redação – notícia – A estrutura do texto jornalístico. UOL Educação. São Paulo, [s/d]. disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/redacao---noticia-a-estrutura-do-texto-jornalistico.htm. Acesso em: 31 mar. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 49.

Entendendo a notícia:

01 – De acordo com o texto, qual é a diferença entre a notícia e o fato em si? Utilize o exemplo da figura da vaca mencionado pela autora para explicar essa relação.

      A notícia não é o fato em si, mas sim uma representação ou interpretação do fato. Assim como a figura da vaca descrita no texto não é o animal real, mas uma imagem que o representa, a linguagem escrita da notícia representa acontecimentos, ideias e valores, construindo uma visão da realidade e não a própria realidade.

02 – Por que o jornalismo prefere utilizar uma linguagem mais coloquial em suas publicações? Qual é a intenção por trás dessa escolha?

      A linguagem coloquial (próxima à fala do dia a dia) é usada intencionalmente para aproximar o veículo de comunicação do seu leitor, garantindo uma adequação ao público-alvo e tornando a comunicação mais direta, acessível e eficiente.

03 – Como os eventos são ordenados em uma notícia? Eles seguem uma linha do tempo cronológica? Justifique sua resposta com base no texto.

      Os eventos não seguem uma ordem cronológica/temporal (como ocorre em histórias narrativas). Na notícia, os fatos são ordenados pelo grau de interesse e relevância, destacando-se em primeiro lugar aquilo que o leitor, ouvinte ou telespectador considera mais importante ou o que a linha editorial do veículo decide priorizar.

04 – O texto afirma que a imparcialidade absoluta em uma notícia é impossível. Quais motivos a autora apresenta para sustentar essa afirmação?

      A imparcialidade absoluta é impossível porque o jornalista precisa constantemente fazer escolhas: decidir o que será relatado (quais fatos viram notícia e trazem mais vendas) e como será contado (escolha do vocabulário, tamanho do texto, destaque da fonte, posição no jornal e linha ideológica do veículo).

05 – O que significa a expressão "o quê" e "o como" citada no fragmento no contexto da produção jornalística?

      O "o quê" refere-se à seleção dos acontecimentos que serão transformados em notícia. Já o "o como" refere-se às escolhas formais e estilísticas de apresentação dessa notícia (como atingir o leitor, tamanho da letra, vocabulário utilizado, posição na página ou site e a abordagem adotada).

06 – Segundo a autora, qual é o papel do jornalismo na sociedade no que diz respeito aos acontecimentos do dia a dia? O jornalismo cria, retrata ou constrói os fatos?

      O jornalismo não retrata nem cria os fatos; ele constrói visões sobre os fatos. Ao fazer escolhas e interpretações sobre a realidade, o jornalismo legitima e difunde uma determinada perspectiva ou opinião sobre os acontecimentos.

07 – A partir da leitura do texto, por que é importante que o leitor/consumidor de notícias desenvolva um olhar crítico ao ler um jornal impresso, assistir à TV ou navegar pela Internet?

      Porque, ao entender que a notícia não é a verdade neutra e absoluta, mas uma construção influenciada pela ideologia do meio de comunicação, interesses comerciais e seleções do redator, o leitor crítico consegue identificar o ponto de vista apresentado, questionar o que foi omitido ou destacado e formar sua própria opinião consciente.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: COZINHA DOS IMIGRANTES - FRAGMENTO - MARINA HECK E ROSA BELLUZZO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Cozinha dos imigrantes – Fragmento

       Marina Heck e Rosa Belluzzo

        [...]

        Meu pai era da família Mattar e minha mãe, da família Haiek. Eles se conheceram em São Paulo. Na época, os imigrantes vinham praticamente sem nada. O pessoal se reunia, alugava uma casa grande e cada um dava o que podia para pagar o aluguel, além de se ajudar mutuamente com as outras despesas. Eu já não me lembro com certeza, mas parece que meu pai foi morar na casa da família de minha mãe. E lá se apaixonou por ela.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-kILqH2YRxith4uZkNUAy7yPWRAa41GVuzCXbHJdpURf7ZdanwWodedP1LedtnkMP9cJL_xexfwwD9JnYS8-MoJEH1ObJtLlqEs6tRdtgGo6kTTDJsxhlSnigEk1pztY22KsyEFnNbsAMaZcO9FFSj0KM7FOpnGYmf10zyIENKylh2eXFtWiPDOoEIMs/s320/images.jpg


        Por não ter o menor tino comercial, meu pai se tornou professor aqui no Brasil, valendo-se do que aprendeu no seminário. Primeiro, lecionou em um colégio árabe já existente em São Paulo. Mais tarde, quando a vida melhorou, abriu sua própria escola. No início, ela se chamou Colégio Moderno Sírio e, depois, Ginásio Nacional de Ciências e Letras. Nós sempre moramos no colégio, que ficava na rua São Joaquim (bairro da Liberdade), onde é atualmente o Hospital Santa Helena.

        [...] No Ginásio Nacional de Ciências e Letras havia um grande refeitório para os alunos, professores e também a nossa família. Eu me lembro que a refeição era mista, com arroz e feijão e alguns pratos árabes. Meus pais sempre preservaram a cultura árabe, tanto na culinária quanto nos ensinamentos da língua e dos costumes.

        [...]

In: Marina Heck e Rosa Belluzzo. Cozinha dos imigrantes – memórias & receitas. São Paulo, DBA/Melhoramentos, 1999. p. 152.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 164.

Entendendo o artigo:

01 – Como o texto descreve a estratégia de sobrevivência e apoio mútuo adotada pelos imigrantes ao chegarem a São Paulo?

      O texto relata que, como os imigrantes vinham praticamente sem recursos, eles se uniam para alugar uma casa grande em conjunto. Cada um contribuía com o que podia para o aluguel e despesas gerais, estabelecendo uma rede de solidariedade e acolhimento mútuo fundamental para a adaptação no novo país.

02 – De que maneira a trajetória profissional do pai do narrador foi moldada pela sua falta de "tino comercial" e pelo conhecimento prévio adquirido em sua terra de origem?

      Por não levar jeito para o comércio, o pai recorreu aos conhecimentos adquiridos em seu período no seminário para se tornar professor no Brasil. Ele começou lecionando em uma escola árabe já estabelecida em São Paulo e, com a melhoria de sua condição financeira, fundou sua própria instituição de ensino (o Colégio Moderno Sírio, mais tarde Ginásio Nacional de Ciências e Letras).

03 – Como o trecho evidencia a integração entre a cultura brasileira e a identidade cultural dos imigrantes por meio da alimentação cotidiana?

      A integração é evidenciada no refeitório do ginásio, onde serviam refeições "mistas", combinando a base da culinária brasileira (arroz e feijão) com pratos tradicionais árabes. Isso demonstra a convivência harmoniosa entre a assimilação dos hábitos locais e a preservação das origens.

04 – Quais eram os pilares mantidos pelos pais do narrador para garantir a preservação da memória e da identidade cultural árabe no ambiente familiar?

      Os pais mantinham a cultura viva por meio da culinária (preparo e consumo de pratos típicos), do ensino da língua e da transmissão dos costumes e tradições originais para os filhos no dia a dia.

05 – Qual é a relação espacial identificada pelo narrador entre a moradia da família e a vida profissional do pai, e onde se localizava essa estrutura na cidade de São Paulo?

      A família morava no próprio colégio administrado pelo pai. A instituição e a residência ficavam na Rua São Joaquim, no bairro da Liberdade, em São Paulo — local onde posteriormente passou a funcionar o Hospital Santa Helena.

 

FÁBULA: DO ASNO DE BURIDAN - FRAGMENTO - JEAN BURIDAN - COM GABARITO

 Fábula: Do Asno de Buridan – Fragmento

          Jean Buridan

        [...]

        Um asno, vítima da fome e da sede, depois de longa caminhada, encontrou um campo de viçoso feno ao lado do qual corria um regato de límpidas águas. Consumido pela fome e pela sede, começou a hesitar, não sabendo se antes comia o feno e depois bebia da água ou se antes saciava a sede e depois aplacava a fome. Assim, perdido na indecisão, morreu de fome e de sede.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzdHT5TrKLfuzfuchaZpIyqqhzmCf3TyN5oLsNUhWYGyWjVI5jQxGI5OcEi23jKcdTqoRVU7djN2A8LSfyt2JHzsrQbemQS_ehs4gl2vg5tL0yx1GhxoNA1CCYqa3D0WH3rQlIwB5jdwMQ-lfJERChmLqMyho8IG-mGCCFaQjIEnqj9z2abBYXps9MetQ/s320/images.jpg


        [...]

        Moral: De muito pensar morreu um burro!

Fábula de Buridan, filósofo da Idade Média.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 97.

Entendendo a fábula:

01 – Qual é o dilema central enfrentado pelo asno na narrativa e qual foi o motivo de sua incapacidade de tomar uma decisão?

      O dilema central do asno é decidir por qual necessidade básica começar: se deve primeiro comer o feno viçoso para apaziguar a fome ou beber a água límpida para saciar a sede. Ele foi incapaz de decidir porque ambos os estímulos (fome e sede) e as recompensas (comida e água) tinham exatamente o mesmo peso e atratividade, gerando um estado de paralisia deliberativa devido ao equilíbrio perfeito entre as duas escolhas.

02 – O desfecho do texto apresenta um resultado trágico para o personagem. De que maneira a conclusão da história ilustra as consequências da indecisão extrema?

      A conclusão — em que o asno morre de fome e de sede ao lado da comida e da água — ilustra que a hesitação excessiva e a busca por uma escolha ideal podem levar à inação absoluta. A história mostra de forma alegórica que a incapacidade crônica de decidir pode ser mais prejudicial do que fazer uma escolha imperfeita ou arbitrária.

03 – Sob uma perspectiva filosófica e racional, qual é a crítica que essa parábola faz ao conceito de livre-arbítrio e à tomada de decisão puramente lógica?

      A parábola critica a ideia de que a razão humana (ou a tomada de decisão) funciona de forma puramente mecanicista. Se a mente dependesse apenas de uma razão matemática onde duas opções são rigorosamente iguais em valor, ela ficaria infinitamente bloqueada (sem motivo para escolher 'A' em vez de 'B'). O texto demonstra que o livre-arbítrio exige a capacidade de agir mesmo quando não há uma vantagem racional evidente entre as alternativas.

04 – Qual é a ironia presente na situação vivida pelo asno em relação ao ambiente em que ele se encontrava?

      A ironia reside no fato de que o asno morreu de privação (fome e sede) em um ambiente de extrema abundância, cercado por tudo aquilo de que precisava para sobreviver (feno viçoso e água limpa). O obstáculo para a sua sobrevivência não foi a escassez de recursos materiais, mas sim uma limitação mental de sua própria capacidade de escolha.

05 – Como a fábula do "Asno de Buridan" pode ser aplicada a situações do cotidiano da vida moderna?

      A fábula pode ser aplicada a situações em que o excesso de opções equivalentes gera paralisia por análise (o chamado overthinking). Na vida moderna, ocorre frequentemente quando uma pessoa consome tempo e energia preciosos tentando decidir entre duas oportunidades de carreira, produtos de consumo semelhantes ou caminhos de vida igualmente vantajosos, acabando por perder ambas as oportunidades devido à demora em agir.

CRÔNICA: O EDIFÍCIO DA CRUZ VERMELHA - LIMA BARRETO - COM GABARITO

 Crônica: O EDIFÍCIO DA CRUZ VERMELHA

           Lima Barreto

         Nos últimos dias do mês passado, o Rio-Jornal deu-nos uma larga notícia sobre as coisas da Cruz Vermelha Brasileira. O começo da notícia é tão de lamúrias a ponto de pro­vocar lágrimas.

        Diz e repete que essa sociedade humanitária “vive esque­cida, cinicamente alimentada pelo entusiasmo inarrefecível de diminuto grupo de patrícios, utopistas na condenação injustifi­cável de indivíduos acanhados no seu modo de ver.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtOYsrmVRtcAAJEfSCEsybvPCrqVyH0phu7-ETNs8CjUGi-nxXNMfFpZZNjK4S9WHPzdt5e4TqmpUp96JrMbmS1SqwBlhIllx08FyYOTRlsWXX2Xhi1xsRCOgzieN3fNePQqbgMWemyF88zdsdx85HEqdeK1cz2Q-hwQK84ubWUVj1dpIDMS1pPo1Y4dU/s1600/images.jpg


        “Ignorada, trabalhando em silêncio e cônscia de sua modéstia, pelo criminoso descaso que lhe votam os responsáveis, os espetaculosos promotores de festas de caridade em benefício dos infelizes europeus e quiçá a população em geral, ela, no cenário da vida da cidade, só surge nos transes difíceis e horríveis como os dolorosos e negros dias da pandemia gripal.”

        Segundo me consta, essa história da Cruz Vermelha é destinada a socorrer feridos de guerra. Ora, o Brasil há muito tempo não se mete em guerra.

        Sendo assim, como é então que querem que a nossa Cruz Vermelha seja conhecida? Não há de querer ela que, para se ostentar ao grande público, haja, de ano em ano, uma guerra com o Brasil. Longe, portanto, de se lastimar, a Cruz Vermelha deve exultar com a sua obscuridade!

        Entretanto, ela não é assim tão total como diz o Rio-Jornal.

        Há meses, houve lá uma eleição de diretoria. Dias antes, muitos mesmo, os apedidos dos jornais e outras seções vi­nham cheios dela. O eixo da disputa era ter o presidente mandado em missão ao Paraná e outros lugares uma parteira, como portadora de credenciais da associação. Sem cobras e lagartos e todos os leitores de jornais, que são o verdadeiro público do Rio de Janeiro, se não tinham notícia da “Cruz Vermelha”, vieram a tê-la com o escândalo jornalístico.

        Eu não sei bem que utilidade pode ter uma parteira para tratar feridos de guerra. Creio bem que os ferimentos de que essas especialistas podem curar, não se adquirem na guerra, mas fora dela, em cura de partos, que por eufemismo ou outra figura de retórica, chamam de batalha, guerra de amor, os singulares combates em que os estragos redundam em trabalho para os obstetras.

        Agora, eu me lembro – e por lealdade declaro – que, há muitos anos, li a nomeação do doutor Abel Parente para médico parteiro da Guarda Nacional. Mas, isto foi no Filhote da Gazeta. Além disto, a eleição da diretoria foi um sucesso que causou inveja ao Honório Pimentel, de Santa Cruz.

        A notícia que traz o endemoninhado Rio-Jornal, se alonga em outras considerações; e, até, estampa um cliché do edi­fício projetado para a sede de todos os serviços que a Cruz quer prestar ao país, à cidade, na paz e na guerra.

        É olhá-lo para se chegar logo à conclusão de que quem o projetou não é arquiteto, nem mesmo engenheiro: é um marceneiro.

Os senhores conhecem essas espécies de cômodas de escritório, em cujas gavetas se guardam papéis? Pois é assim a maneira do tal edifício da Cruz. Os franceses chamam a tal móvel chiffonnier, creio eu; e o edifício da sociedade é perfeitamente semelhante a ele, mas inteiramente feio, porque, além das muitas gavetas e descomunal altura, ainda tem mais torrezinhas, uma cúpula central, uns cocurutos, absurdos e con­traproducentes, que não lhe deixam totalmente ver a sua estética abracadabrante de caixão.

        O Rio-Jornal nos informa também de várias coisas sobre esse monumento “gótico”. Diz ele: “O edifício planejado, uma vez construído, marcará o início de uma nova fase na vida da sociedade.   Seu custo ficará aproximadamente por 20.000:000$000.”

        Se o “caixão” da Cruz Vermelha já era pretensioso no seu número de andares, ainda mais se mostra ser, dado que uma coisa não supusesse a outra, no custo. Qual é o edifício público do Brasil que custa isso? Nenhum. Algumas igrejas e conventos do Rio, uma ou outra, podem ser avaliados nisso; mas que tempo levaram a ser construídos? A Candelária, por exemplo, levou mais de cem anos; e verdadeiramente não está acabada.

        Ora, Cruz Vermelha!, isto é muito para tua alma! O mesmo jornal ainda nos dá outros detalhes curiosos sobre o formidável “caixão”.

        Ei-los:

        “Ocupando uma área de 6.000 m2, tendo de altura, do subsolo ao último andar, 125 metros, sendo a máxima 142 metros, ele comportará vinte andares, onde ficarão instalados, de acordo com todos os preceitos das construções modernas e exigências de higiene, todo o aparelhamento necessário a um hospital de primeira ordem, desde os mais delicados gabinetes, enfermarias, quartos particulares e de observação, até um grande frigorífico para receber a carne, o peixe, aves, frutas, e legumes, destinados ao consumo de um mês.”

        O senhor Taumaturgo de Azevedo, que disputa ao senhor Câmara o número de “crachás” universitários; que é doutor em uma porção de coisas; o senhor Taumaturgo de Azevedo devia saber, como todos sabem, que, atualmente, é aconselha­da pelos higienistas de todo o mundo a construção de hos­pitais em pavilhões nivelados. Os motivos são óbvios e estão ao alcance da mais mediana inteligência que tenha a mais mediana cultura. Como é então, que o senhor Taumaturgo (será por causa do nome?) quer fazer um hospital moderno ao jeito dos antigos?

        Com tanto dinheiro, ele pode construir a sede propriamente da sociedade e o hospital em lugares separados, tanto mais que ele tem o frisante exemplo do Hospital Central do Exército, maravilhoso entre as nossas coisas chatas, já pela construção, já pelo pessoal, e onde estive dois meses excelentemente, do que tenho muitas saudades. De resto, essas edificações brutas e estúpidas, como quer ser a tal para a Cruz Vermelha, não devem ser consentidas na nossa cidade.

Há quem conteste que o tipo sky-scraper nova-iorquino nasceu de condições peculiares à grande cidade do Hudson.

        Não foram determinados pelo subsolo granítico de New York, nem pelo encarecimento progressivo dos terrenos da ilha de Manhattan, onde se acumula toda a intensa vida da imen­sa cidade; entretanto, se não foram tais fatores os principais, eles devem ser levados em linha de conta.

        Entre nós, porém, nenhum deles pode prevalecer e não devíamos permitir a construção de semelhantes faróis cívicos, em uma cidade semeada e bordada de colinas, morros quase serras, que ainda estão mais ou menos arborizadas e que de­vem estar sempre, dando-lhe a sua beleza especial, o seu cachet de grandeza, e a sua simplicidade de horizontes, os quais nós perderemos, pobres e mesquinhas formigas humanas que somos!, se tais chatezas se vierem multiplicar.

        O sky-scraper define o americano. É a arrogância do parvenu e a estupidez do arrivista que não sabe esperar pelo tempo e outras circunstâncias mínimas para ter personalidade. Faz o grande, o desmedido; gesticula, berra, veste-se com cores vivas, arreia-se de brilhantes e pérolas, de todas as joias, enfim, para parecer fidalgo, poderoso e original. É um estudo a fazer.

        Só o tempo faz o que o tempo não destrói; e seremos muito tolos se imitarmos os americanos nas suas idiotices e pretensões com o descomunal.

        Se nós tivéssemos um Conselho Municipal, se apelaria para ele. Mas o tal conselho que temos não ama a cidade, nem é composto de gente dela. O único carioca que lá existe e pode ter algum amor pelo Rio de Janeiro, é o coronel Bran­dão; mas esse mesmo é português de nascimento. Os outros são cubanos, mexicanos, hondurenses – gente que, por bem ou pela força, tem de gravitar em torno da republica do dó­lar. É inútil esperar qualquer coisa dessa gente que, não contente de estar sob o guante americano, ainda procura nar­cótico jesuítico para se anular, e o vai impingir às crianças, nas escolas, à força do poder do Estado, julgando legítimo isso, porque sofrera também império semelhante que destruiu nela a rebeldia indispensável ao progresso humano, mas a deixou, em compensação, viver à tripa forra.

        Estão se cevando, mas é pena que o seja inútilmente... A antropofagia já passou de moda em toda a humanidade.

        Dessa forma, não temos nós, cariocas, que amamos o nosso lindo Rio de Janeiro, para quem apelar e o senhor Tau­maturgo poderá impunemente arranhar – só, não! – furar céu, a menos que Deus não faça, como fez com os atrevidos da torre de Babel; castiga-lo bem castigado! É ainda uma esperança...

Hoje, Rio, 10-7-1919.

Entendendo a crônica:

01 – Por que o narrador considera irônica e injustificada a “lamúria” do Rio-Jornal sobre a Cruz Vermelha Brasileira viver no esquecimento e na obscuridade?

      O narrador argumenta que a Cruz Vermelha é uma instituição voltada primordialmente para o socorro a feridos de guerra. Como o Brasil vivia um período prolongado de paz, seria absurdo desejar que a instituição estivesse constantemente em evidência — o que exigiria a ocorrência de guerras frequentes. Para o cronista, longe de se lamentar, a instituição deveria exultar com a sua obscuridade, pois ela era o reflexo direto da paz no país.

 

02 – Qual escândalo envolvendo a eleição da diretoria da Cruz Vermelha é relembrado por Lima Barreto para provar que a instituição não era tão desconhecida assim?

      O autor relembra que a disputa eleitoral da entidade ganhou as páginas dos jornais devido à denúncia de que o presidente da instituição havia enviado uma parteira ao Paraná (e a outros locais) investida de credenciais oficiais da associação. O cronista ironiza a situação ao questionar a utilidade de uma obstetra para tratar ferimentos de guerra, fazendo trocadilhos sobre as "batalhas de amor" e os partos.

 

03 – Como o cronista descreve a arquitetura do projeto do novo edifício da Cruz Vermelha e qual comparação depreciativa ele utiliza?

      Lima Barreto afirma que o projeto não parecia ter sido feito por um arquiteto ou engenheiro, mas sim por um marceneiro. Ele compara o formato do prédio a um chiffonnier (uma cômoda alta de escritório cheia de gavetas), apelidando o edifício de "caixão". Além disso, critica os adereços estéticos do projeto, como cúpula central, torrezinhas e "cocurutos absurdos", classificando a estrutura como feia e pretensiosa.

 

04 – Por que Lima Barreto critica a escolha de construir um hospital em formato de arranha-céu (sky-scraper) com vinte andares?

      O autor aponta que os higienistas e a medicina moderna da época recomendavam a construção de hospitais em pavilhões nivelados ao solo, e não em edifícios verticais massivos. Ele argumenta que, com o orçamento exorbitante previsto, seria mais sensato separar a sede administrativa do hospital, citando como exemplo positivo o Hospital Central do Exército.

 

05 – Qual é a crítica do autor à importação do modelo americano de arranha-céus (sky-scrapers) para a paisagem do Rio de Janeiro?

      Lima Barreto considera o sky-scraper uma manifestação da "arrogância do parvenu" e do gosto americano pelo desmesurado. Ele defende que a geografia do Rio de Janeiro, caracterizada por colinas e morros arborizados, perderia sua beleza natural, sua grandeza e a simplicidade de seus horizontes se fosse dominada por edifícios gigantescos que bloqueassem a paisagem.

 

06 – Como a crônica avalia a atuação do Conselho Municipal em relação à proteção do patrimônio e da estética da cidade do Rio de Janeiro?

      O cronista expressa total descrédito no Conselho Municipal, afirmando que seus membros não amavam a cidade nem eram verdadeiramente ligados a ela. Ele ironiza a composição do Conselho ao dizer que era formado por estrangeiros desinteressados que gravitavam em torno da influência americana e que não moveriam uma palha para impedir deformações urbanísticas na capital.

 

07 – A qual passagem bíblica o narrador recorre no desfecho da crônica para expressar sua última esperança contra a construção do edifício?

      Diante da falta de apoio das autoridades públicas para impedir a obra de Taumaturgo de Azevedo, o narrador recorre à história da Torre de Babel. Ele expressa a esperança de que Deus intervenha e castigue a pretensão dos construtores por tentarem "furar o céu" com uma edificação desmedida e desnecessária.

 

 

HISTÓRIA: HOMEM-ARANHA (HQ) - FRAGMENTO - LEGADO DA MARVEL - COM GABARITO

 História: Homem-Aranha (HQ) – Fragmento

        O Homem-Aranha, personagem lançado em 1962 pela Marvel, revolucionou os quadrinhos e, em pouco tempo, o super-herói conquistou a admiração de pessoas de todas as cidades.

        [...]

        Protagonizando diversos filmes, séries e jogos de muito sucesso, o herói fez sua estreia em agosto de 1962 na edição #15 dos quadrinhos antológicos da Amazing Fantasy! Criação da era de prata dos quadrinhos, o herói foi criado por duas lendas: Steve Ditko e Stan Lee.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh9K_LLR23MtLoNK8RXk-BGpBD-3Aq1VadKLbGJR1RrMvK49OraNOReHVSx52oTdYH4Hg-55PA5O-nRizNNXSBasXG5fKKDQ6Gu5wtQFPwAiT2aZWJbC8QQhxLNtmo9JsO0CAAonihf-dBFShil21RYoLgj0FkDWEZ6WY5AkRDZe_WeWBthoqzNnXIUS5A/s320/images.jpg


        O sucesso foi tanto que, pouco tempo depois, em março de 1963, tivemos o início de sua primeira série solo nas HQs com o icônico O Espetacular Homem-Aranha. O que fez do Homem-Aranha tão revolucionário foi o fato de praticamente todo o herói da época ser um adulto, cabendo aos adolescentes e mais jovens apenas o papel de coadjuvante ou auxiliar do herói adulto.

        Buscando atingir e dialogar com um novo público, o herói da Marvel trazia histórias lidando ao máximo com as consequências de sua identidade secreta, as mudanças de vida durante a adolescência e todos os temas pessoais com que os jovens poderiam se identificar. Dito e feito, dando um ar de humildade e de responsabilidade que é o que diferencia o Aranha de todo herói até hoje.

        [...]

LEGADO DA MARVEL. Homem-Aranha. Disponível em: www.legadodamarvel.com.br/tag/homem-aranha. Acesso em: 31 mar. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 02.

 

HOMEM-ARANHA – Fragmento

        [...] A história do Homem-Aranha começa quando o tímido Peter Parker, órfão de pai e mãe, que vive com os tios (Bem e May) em Forest Hills, no bairro Nova-Iorquino de Queens (EUA), visita um laboratório onde decorre uma experiência que revolucionará a sua vida, durante a qual uma aranha é atingida por uma potente radiação. Pouco depois, o aracnídeo pica Peter, transferindo-lhe os incríveis poderes de uma aranha (como trepar pelas paredes sem qualquer dificuldade), um sexto sentido (que o avisa dos perigos) e extraordinária agilidade física, contrastando fortemente com a imagem de adolescente reservado e aplicado nos estudos. Na escola, é conhecido como “marrão” e tem um relacionamento [...] complicado com as colegas, devido à sua timidez.

        A oportunidade de tirar partido dos seus novos poderes leva-o a criar uma indumentária especial, em tons de vermelho e um sistema (mecânico) de lança-teias dissimulado no fato (no cinema, as teias são orgânicas), que o fazem deslocar-se sem qualquer dificuldade entre os arranha-céus da sua Nova York natal. Apresenta-se assim em espetáculos e na televisão, no sentido de tirar algum partido econômico e de ajudar os seus tios, que lhe dedicam todo o carinho do mundo, pois vivem modestamente. É precisamente quando sai de um desses espetáculos que acontece algo que mais tarde vai pesar na consciência. Ao dirigir-se para um elevador, nada faz para deter um ladrão que acabara de cometer um assalto, uma vez que não é nada com ele. mais tarde, vem a saber que foi esse mesmo ladrão que assassinara o seu tio Bem. Profundamente arrependido por não ter ajudado a polícia a detê-lo anteriormente, jura a partir daí utilizar os seus extraordinários poderes no combate ao crime, segundo a máxima “[...] um grande poder acarreta uma grande responsabilidade! [...]”.

        [...]

INFOPÉDIA DICIONÁRIOS. Homem-Aranha [em linha]. Porto Editora. Disponível em: www.infopedia.pt/$homem-aranha. Acesso em: 31 mar. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 03.

Entendendo a história:

01 – Com base no primeiro fragmento, quando o personagem Homem-Aranha foi lançado e quem foram os seus criadores?

      O Homem-Aranha foi lançado em agosto de 1962, fazendo sua estreia na edição #15 da revista Amazing Fantasy. Ele foi criado por duas lendas dos quadrinhos: Steve Ditko e Stan Lee.

02 – O que tornou o surgimento do Homem-Aranha algo revolucionário no mercado de quadrinhos da época?

      O Homem-Aranha foi revolucionário porque, até aquele momento, praticamente todos os super-heróis eram adultos, restando aos adolescentes apenas papéis de coadjuvantes ou auxiliares. O Homem-Aranha trouxe um protagonista jovem/adolescente que lidava com os dilemas dessa fase da vida e com as consequências de sua própria identidade secreta.

03 – Como ocorreu a aquisição dos superpoderes de Peter Parker, segundo o segundo fragmento?

      Peter Parker adquiriu seus poderes durante uma visita a um laboratório, onde ocorria uma experiência em que uma aranha foi atingida por uma potente radiação. O aracnídeo picou Peter, transferindo-lhe habilidades como subir em paredes, um sexto sentido de perigo e extraordinária agilidade física.

04 – Qual é a diferença apontada no texto entre os recursos de lançar teias nos quadrinhos e no cinema?

      Nos quadrinhos, Peter Parker utiliza um sistema mecânico de lança-teias dissimulado em seu trajo. Já no cinema, o texto menciona que as teias são orgânicas.

05 – Qual foi a motivação inicial de Peter Parker para criar sua indumentária e se apresentar em espetáculos e na televisão?

      Sua motivação inicial foi financeira: ele buscava tirar partido econômico de seus poderes para ajudar seus tios (Ben e May), que viviam modestamente e lhe dedicavam todo o carinho.

06 – Qual acontecimento trágico gerou um forte sentimento de culpa em Peter Parker e o levou a combater o crime?

      Ao sair de um espetáculo, Peter decidiu não deter um ladrão por achar que aquilo não era problema seu. Mais tarde, ele descobriu que esse mesmo criminoso havia assassinado seu tio Ben. O arrependimento por não ter impedido o assaltante anteriormente o fez jurar usar seus poderes contra o crime.

07 – Qual é a famosa máxima/lição apresentada ao final do texto que passa a guiar as ações do Homem-Aranha?

      A famosa máxima que guia o herói é: “[...] um grande poder acarreta uma grande responsabilidade! [...]”.

 

LOCUÇÃO VERBAL

 Locução Verbal

        Locução verbal é a combinação de um verbo auxiliar com um verbo principal, que desempenha o papel de um único verbo, para indicar uma ação finalizada, ou seja, o texto que deveria estar terminado. Quando isso ocorre, temos uma forma nominal chamada de particípio. Há dois tipos de particípio: os regulares e os irregulares.

·        Regulares: terminados em -do e costumam ser utilizados na voz ativa, com os verbos auxiliares ter e haver.

Quando a diretora chegou, o professor já tinha resolvido o assunto.

Ele havia partido bem cedo, antes que todos acordassem.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAKJ8lD3C-beMiz-Jc0cq7Q_QQeciRpAtDyr6t6tEiUprrIDg4Xn95_N1bS2TWBNq2CVssh_9F02ZKrFyCFhzYus1omLiC5NAMPG0QCMtntaIVPFDm8R9STyQ8hPwNN1jB4DtXhfnaWf3qr2IQUuiLxGYnkRoeQlIq3pzJm9pEJNUk15BW-3vkHZO2onU/s320/images.png


·        Irregulares: costumam ser utilizados na voz passiva, com os verbos auxiliares ser e estar.

Essa atitude não será aceita!

O torneio de tênis já está ganho.

        Assim como o infinitivo e o gerúndio, o particípio também é uma forma nominal e, por isso, pode funcionar, em alguns contextos, como adjetivo. Observe o exemplo a seguir.

      Aquele trabalhador é aplicado em seu dia a dia. (sentido de interessado).

        Como você acompanhou, as formas nominais do verbo desempenham funções de substantivo, de adjetivo e de advérbio. Elas podem ser divididas em três tipos: infinitivo, gerúndio e particípio.

·        Infinitivo: aproxima-se da função de substantivo. Pode ser classificado como pessoal e impessoal.

·        Infinitivo pessoal (flexionado). Ex.: Acho essencial eles aprenderem isso.

·        Infinito impessoal (não flexionado). Ex.: Rir é o melhor remédio.

·        Gerúndio: aproxima-se da função de advérbio e de adjetivo e indica ideia de ação em continuidade no momento em que se fala. Ex.: Minha mãe está correndo de um lado para o outro.

·        Particípio: em alguns contextos, aproxima-se da função de adjetivo e indica a ideia de ação finalizada, concluída. O particípio pode ser classificado como regular e irregular.

·        Particípio regular: com terminação invariável, como nos exemplos a seguir.

Já tinham entregado a encomenda quando eu cheguei.

Ela havia sorrido para mim naquela manhã.

·        Particípio irregular: com terminação variável, como nos exemplos a seguir:

O inocente foi solto naquela manhã.

A inocente foi solta naquela manhã.

NOTÍCIA: RAYSSA LEAL VENCE PRÊMIO DE ESPÍRITO OLÍMPICO DA OLIMPÍADA DE TÓQUIO - FRAGMENTO - LINCOLN CHAVES - COM GABARITO

 Notícia: Rayssa Leal vence prêmio de espírito olímpico da Olimpíada de Tóquio – Fragmento

Lincoln Chaves | Agência Brasil – 12/08/2021 – 21:37 h | Atualizada em 06/12/2021 – 15:18

        A skatista Rayssa Leal foi eleita, em votação on-line, a atleta que melhor representou os valores olímpicos, entre todas as modalidades, na Olimpíada de Tóquio (Japão). A votação organizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), em parceria com um patrocinador, [...].

        Como prêmio, a Fadinha pôde escolher uma instituição social para receber uma doação de US$ 50 mil (cerca de R$ 262 mil). A jovem de 13 anos, medalhista de prata do skate street feminino em Tóquio, selecionou a ONG Social Skate, da cidade de Poá (SP), que visa a inclusão social por meio da modalidade e atende em torno de 150 crianças e adolescentes.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgwHUtDp1DPYOwdWk6xs_vgGu8YoWQ-mlElfaJH_iYpgW1iSX6ZHz3houdygxZGPAKFNYjCboDovfLSSOKqQoTI-Rh17E-1iaRSLHxIQZqMq0ZKT1kTB_OMTmdFccDvruk6aL3suwR8xFm86rRvl7i-8lkSeI2ybLFz0tqb1cGxvW_msnTzroDKBsIjU0o/s320/images%20(1).jpg 


        Durante a competição do skate street, Rayssa chamou atenção por vibrar a cada manobra das adversárias e abraçar efusivamente a japonesa Nishiya Momiji, que ficou com o ouro na disputa com a própria brasileira. Entre as eliminatórias e as finais, a brasileira também roubou a cena ao gravar uma dancinha com a filipina Margielyn Didal, que ficou em sétimo lugar.

        Além de Rayssa, o Brasil foi ao pódio outras duas vezes no skate em Tóquio. Kelvin Hoefler foi o segundo colocado no street masculino, enquanto Pedro Barros também levou a prata, mas no park masculino.

CHAVES, Lincoln. Rayssa Leal vence prêmio de espírito olímpico dos Jogos de Tóquio. Agência Brasil. Brasília, 12 ago. 2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/esportes/noticia/2021-08/rayssa-leal-vence-premio-espirito-olimpico-da-olimpiada-de-toquio. Acesso em: 31 mar. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 62.

Entendendo a notícia:

01 – Qual foi o prêmio conquistado pela skatista Rayssa Leal descrito na notícia, por quem ele foi promovido e qual foi a forma de escolha da vencedora?

      Rayssa Leal foi eleita a atleta que melhor representou os valores olímpicos na Olimpíada de Tóquio. A premiação foi organizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em parceria com um patrocinador, e a escolha foi feita por meio de votação on-line.

02 – Qual foi a recompensa recebida por Rayssa Leal ao vencer a premiação e qual destino a atleta deu a esse benefício?

      A premiação dava o direito de indicar uma instituição social para receber uma doação de US$ 50 mil (aproximadamente R$ 262 mil). Rayssa escolheu a ONG Social Skate, localizada em Poá (SP), que trabalha com a inclusão social de cerca de 150 crianças e adolescentes por meio do skate.

03 – De acordo com o texto, quais atitudes concretas de Rayssa Leal durante a competição demonstraram a vivência dos "valores olímpicos" e chamaram a atenção do público?

      Rayssa destacou-se por vibrar com as manobras das próprias adversárias, abraçar calorosamente a japonesa Nishiya Momiji (que conquistou a medalha de ouro na mesma disputa) e gravar uma dancinha descontraída com a filipina Margielyn Didal entre as etapas da competição.

04 – Além de Rayssa Leal, quais outros atletas brasileiros conquistaram medalhas no skate durante os Jogos Olímpicos de Tóquio? Indique os nomes, as modalidades e os resultados obtidos.

      Os outros medalhistas brasileiros foram Kelvin Hoefler, que conquistou a medalha de prata no skate street masculino, e Pedro Barros, que também garantiu a prata no skate park masculino.

05 – A atitude de Rayssa Leal com suas adversárias contraria a ideia tradicional de rivalidade no esporte. O que essa postura ensina sobre o verdadeiro sentido do espírito esportivo e das competições?

      A postura de Rayssa mostra que o esporte vai além da busca pela vitória individual, promovendo empatia, respeito, celebração do talento alheio e companheirismo. Ela exemplifica que é possível competir em alto nível mantendo a amizade e a alegria, transformando a disputa em um momento de união e inspiração coletiva.

 

 

NOTÍCIA: SKATE TERÁ 1º CENTRO OLÍMPICO DE TREINAMENTO EM SP ATÉ FIM DE 2022 - AGÊNCIA BRASIL - COM GABARITO

 Notícia: Skate terá 1º Centro Olímpico de Treinamento em SP até fim de 2022

        Complexo em Campinas terá pistas de street, de park e de half pipe

Agência Brasil – Publicado em 18/08/2021 – 12:44 – Rio de Janeiro

        Após o sucesso do skate brasileiro nas Olimpíadas de Tóquio (Japão) – três prata com Kelvin Hoefler, Rayssa Leal e Pedro Barros, na estreia da modalidade nos Jogos – os atletas ganharão o primeiro Centro Olímpico voltado ao esporte sobre quatro rodinhas. O complexo com mais de 3.100 metros quadrados será erguido na cidade de Campinas (SP), até o final de 2022. Esta é a previsão da Confederação Brasileira de Skate (CBSK), que firmou uma parceria com a prefeitura da cidade paulista, o Ministério da Cidadania e Secretaria Especial do Esporte. 



Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjK3zDyHkw3lrh7YS5_RE9nsFTOf5spEdx_OTvGqkCyOzZHeMn9_2g49A7b88G4rH-nllYz8VIy8n4LL60B5C2gmhp8cFfqkg5QBu_dDsukFZoPjJ_2uWa0k9KrxHcPDK5JDtEvtT_ohB-QcX_g9xnToVtjR6V6lvzf-NpM2PXuA5WPShbS-J4wloLU1Ck/s320/images%20(1).jpg



        Além de pistas de street, park e half pipe (vertical), o Centro Olímpico também terá locais para atividades administrativas e multidisciplinares (academia, fisioterapia, alojamento e alojamento). O complexo será construído em terreno disponível no Centro Esportivo de Alto Rendimento na cidade paulista, onde já ocorrem treinos de natação, atletismo, tênis e saltos ornamentais.

        “O Centro Olímpico nos permitirá trabalhar com um planejamento mais assertivo e de acordo com os objetivos para a Seleção Brasileira de Skate e o ciclo de Paris 2024. Devido à necessidade de pistas adequadas e de um ambiente mais seguro em relação à pandemia, houve um desgaste muito grande nessa logística nos últimos anos, além do investimento financeiro, para que conseguíssemos oferecer a melhor estrutura para os skatistas se prepararem para os Jogos em Tóquio. É uma conquista importantíssima para o skate brasileiro e suas futuras gerações”, disse Eduardo Musa, presidente da CBSk, em nota da entidade.

        A CBSK será responsável pelo projeto, que será doado ao município de Campinas para licitação. De acordo com a entidade, o Ministério da Cidadania investirá R$ 8 milhões no complexo, que serão repassados à prefeitura da cidade paulista, meio da Secretaria Especial do Esporte.

RODRIGUES, Cláudia Soares. Skate terá 1º Centro Olímpico de Treinamento em SP até fim de 2022. Agência Brasil. Rio de Janeiro, 18 ago. 2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/esportes/noticia/2021-08/skate-tera-1º-centro-olimpico-de-treinamento-em-sp-ate-fim-de-2022. Acesso em: 31 mar. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 67.

Entendendo a notícia:

01 – O que motivou a criação do primeiro Centro Olímpico de Treinamento de Skate e em qual localidade brasileira o complexo será construído?

      A construção foi motivada pelo sucesso do skate brasileiro nas Olimpíadas de Tóquio, onde o país conquistou três medalhas de prata (com Kelvin Hoefler, Rayssa Leal e Pedro Barros). O complexo será construído na cidade de Campinas (SP), no Centro Esportivo de Alto Rendimento.

02 – Quais entidades e órgãos governamentais estabeleceram a parceria para viabilizar a construção do Centro Olímpico e qual o valor total que será investido pelo Ministério da Cidadania?

      A parceria foi firmada entre a Confederação Brasileira de Skate (CBSk), a Prefeitura de Campinas, o Ministério da Cidadania e a Secretaria Especial do Esporte. O Ministério da Cidadania investirá R$ 8 milhões na obra.

03 – Além das pistas de skate para as modalidades street, park e half pipe (vertical), quais outras infraestruturas e serviços o complexo oferecerá aos atletas?

      O local contará com infraestrutura para atividades administrativas e multidisciplinares, incluindo academia, fisioterapia e alojamento para os skatistas.

04 – De acordo com o presidente da CBSk, Eduardo Musa, quais eram as principais dificuldades enfrentadas na preparação dos atletas antes dessa conquista e qual é o grande objetivo do novo centro?

      Antes do centro, havia falta de pistas adequadas, preocupações com a segurança devido à pandemia e um alto custo financeiro e logístico para conseguir estruturas adequadas de treino. O objetivo do novo centro é permitir um planejamento mais assertivo focado na Seleção Brasileira e no ciclo olímpico de Paris 2024, além de beneficiar futuras gerações do esporte.

05 – A notícia destaca que o Centro Esportivo de Alto Rendimento de Campinas já atende a outras modalidades. Quais são os outros esportes praticados nesse mesmo local?

      O espaço já é utilizado para treinos de natação, atletismo, tênis e saltos ornamentais.