quarta-feira, 19 de setembro de 2018

MENSAGENS ESPÍRITAS - O BEM É INCANSÁVEL - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ESPÍRITO E MATÉRIA - PARA REFLEXÃO


O bem é incansável

        “E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.” – Paulo. (2ª Epístola aos Tessalonicenses, 3:13.)

        É muito comum encontrarmos pessoas que se declaram cansadas de praticar o bem. Estejamos, contudo, convictos de que semelhantes alegações não procedem de fonte pura.
        Somente aqueles que visam determinadas vantagens aos interesses particularistas, na zona do imediatismo, adquirem o tédio vizinho da desesperação, quando não podem atender a propósitos egoísticos.
        É indispensável muita prudência quando essa ou aquela circunstância nos induz a refletir nos males que nos assaltam, depois do bem que julgamos haver semeado ou nutrido.
        O aprendiz sincero não ignora que Jesus exerce o seu ministério de amor sem exaurir-se, desde o princípio da organização planetária. Relativamente aos nossos casos pessoais, muita vez terá o Mestre sentido o espinho de nossa ingratidão, identificando-nos o recuo aos trabalhos da nossa própria iluminação; todavia, nem mesmo verificando-nos os desvios voluntários e criminosos, jamais se esgotou a paciência do Cristo que nos corrige, amando, e tolera, edificando, abrindo-nos misericordiosos braços para a atividade renovadora.
        Se Ele nos tem suportado e esperado através de tantos séculos, por que não poderemos experimentar de ânimo firme algumas pequenas decepções durante alguns dias?
        A observação de Paulo aos tessalonicenses, portanto, é muito justa. Se nos entediarmos na prática do bem, semelhante desastre expressará em verdade que ainda nos não foi possível a emersão do mal de nós mesmos.
Mensagens Espírita: O livro dos Espíritos

ALLAN KARDEC – Tradução Matheus R. Camargo
Perguntas e respostas

ESPÍRITO E MATÉRIA
21 – Será que, assim como Deus, a matéria existe desde toda a eternidade, ou ela foi, em algum momento, criada por ele?
      Só Deus o sabe. Entretanto, há uma coisa que vossa razão vos deve mostrar: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais distante que imagineis o início da ação de Deus, podereis compreendê-lo um segundo na ociosidade?

22 – Define-se geralmente a matéria como aquilo que tem extensão, que pode causar impressão aos nossos sentidos e que é impenetrável. Essas definições são exatas?
      São exatas do vosso ponto de vista, porque só falais a partir do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que vos são desconhecidos; ela pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil a ponto de não causar nenhuma impressão aos sentidos. No entanto, é sempre matéria, embora não o seja para vós.

22.a) Que definição podeis dar da matéria?
      A matéria é o laço que prende o espírito; é o instrumento que ele usa e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.
      De acordo com esse ponto de vista, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário com ajuda do qual e sobre o qual o Espírito atua.

23 – O que é espírito?
      O princípio inteligente do Universo.

23.a) Qual é a natureza íntima do espírito?
      Não é fácil analisar o Espírito por meio da vossa linguagem. Para vós, ele não é nada, porque não é uma coisa palpável; mas para nós é alguma coisa. Sabei que o nada é um vazio, e o vazio não existe.

24 – O espírito é sinônimo de inteligência?
      A inteligência é um atributo essencial do espírito, mas ambos se confundem em um princípio comum, de maneira que, para vós, trata-se de uma mesma coisa.

25 – O espírito é independente da matéria ou é apenas uma propriedade dela, como as cores são propriedades da luz e o som uma propriedade do ar?
      Ambos são distintos; mas é preciso a união do espírito e da matéria para que esta se torne inteligente.

25.a) Essa união é igualmente necessária para a manifestação do espírito? (Aqui, entendemos por espírito o princípio de inteligência, deixando de lado as individualidades designadas com esse nome).
      É necessária para vós, porque não sois providos de órgãos para perceber o espírito sem a matéria; vossos sentidos não são apropriados para isso.

26 – Pode-se conceber o espírito sem a matéria e a matéria sem o espírito?
      Sim, sem dúvida, através do pensamento.

27 – Haveria, assim, dois elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito?
      Sim, e acima de tudo isso, Deus, o Criador, o Pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas é preciso acrescentar, ao elemento material, o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, esta muito rudimentar para que o espírito possa agir sobre ela. Embora possamos, sob um determinado ponto de vista, classificar o fluido universal como elemento material, ele se distingue por propriedades especiais. Se fosse precisamente matéria, não haveria razão para que o espírito também não o fosse. Ele encontra-se entre o espírito e a matéria; é fluido, assim como a matéria é matéria. Pelas inúmeras combinações que estabelece com ela, e sob a ação do espírito, o fluido universal é suscetível de produzir uma infinita variedade de coisas das quais conheces apenas uma pequena parte. Por ser o agente empregado pelo espírito, esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de divisão, e nunca adquiriria as propriedades que lhe dá a gravidade.

27.a) Seria esse fluido aquilo que chamamos de eletricidade?
      Dissemos que ele é suscetível a inúmeras combinações. O que chamais de fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que é, precisamente, apenas uma matéria mais perfeita, mais sutil, que se pode considerar como independente.

28 – Já que o próprio espírito consiste em alguma coisa, não seria mais exato, e menos controverso, designar esses dois elementos gerais pelos termos matéria inerte e matéria inteligente?
      As palavras pouco nos importam. Cabe a vós formular a linguagem de maneira a vos entenderdes. Vossas controvérsias advêm quase sempre do fato de não vos entenderdes quanto às palavras, porque a vossa linguagem é incompleta para exprimir o que não vos toca os sentidos.
      Um fato incontestável domina todas as hipóteses; vemos matéria que não é inteligente; vemos um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a conexão dessas duas coisas não são desconhecidas. Que elas tenham ou não uma origem comum, pontos de contato necessários; que a inteligência tenha existência própria, ou que ela seja uma propriedade, um efeito; que seja, até mesmo, segundo a opinião de alguns, uma emanação da Divindade – é o que ignoramos: elas nos aparecem distintas, e é por isso que as admitimos formando dois princípios constituintes do Universo. Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras, que governa todas elas, e que elas se distingue por atributos essenciais: é a essa inteligência suprema que chamamos Deus.





TEXTO: TURISMO ECOLÓGICO - REVISTA OS CAMINHOS DA TERRA - COM GABARITO

Texto: Turismo ecológico
           Um potencial do nosso país

        A noite está escura na bacia do Rio Ariaú. Um grupo de visitantes segue num pequeno barco a motor sobre as águas calmas desse afluente do Rio Negro, no coração da Amazônia Brasileira. Na proa, dois guias vão de pé, focando com poderosas lanternas as margens e a água negra. De repente, o foco se fixa em duas brasas cintilantes. O pequeno barco acelera e o guia, num ímpeto, atira-se ao rio num demorado mergulho. As pessoas ficam atônitas até que o homem, um caboclo nativo da Amazônia, reaparece sob o foco da lanterna. Com ele, um pequeno jacaré preso pelo pescoço. O que se segue, então, são alguns minutos de interjeições de espanto e flashes fotográficos, até que o animal seja devolvido, são e salvo, às águas do Ariaú.
        A focagem de jacarés é uma das atividades prediletas de quem se aventura pelo mundo verde da Amazônia. Nos últimos anos, um número crescente de visitantes, principalmente estrangeiros, tem vindo ao Brasil em busca das belezas e emoções da floresta tropical. Eles chegam dos Estados Unidos, da Europa e do Japão e já somaram, só no ano passado, mais de 35 mil pessoas. Para recebe-los, os nove Estados brasileiros que compõem a Região Amazônica já criaram uma razoável rede de serviços especializada no turismo ecológico. A maior parte dessa estrutura está no Amazonas, nas proximidades de Manaus. Ali, onze hotéis se especializaram em oferecer aos visitantes um contato direto – e seguro – com a imensidão verde da Floresta Amazônica.
        Em hotéis ecológicos, como o Amazon Lodge, muitos animais silvestres já se acostumaram com a presença humana.

                                                      Os caminhos da terra, ano 3, n° 5.
Entendendo o texto:

01 – Assinale, no verbete do dicionário Aurélio, o sentido em que a palavra atônitos foi usada no texto:
        Atônito: (Do lat. attonitu.) Adj. 1. Espantoso, pasmado, admirado, assombrado: “O goiano olhava atônito aquele xadrez de divisas e perguntava: - Tanta cerca, guardando o quê? (Rachel de Queiroz, A Donzela e a Moura Torta, p. 25). 2. confuso, perturbado, tonto.

02 – Escreva, no barco, qual o nome dado ao bico e a traseira?
      O bico chama-se PROA, e a traseira chama-se POPA.

03 – Reescreva a frase e substitua o adjetivo prediletas por um sinônimo.
“A focagem de jacarés é uma das atividades prediletas de quem se aventura pelo mundo verde da Amazônia.”
      A focagem de jacarés é uma das atividades preferidas de quem se aventura pelo mundo verde da Amazônia.

04 – Pesquise e escreva abaixo o sentido de outras palavras do texto que lhe ofereçam alguma dificuldade de entendimento.
      Resposta pessoal do aluno.

05 – O texto se constitui, na sua maior parte, de narração de fatos. O narrador:
(   ) Se inclui na narração.
(X) Narra os fatos como um observador externo, como alguém que apenas “presencia” e narra.

06 – O narrador cita vários elementos e aspectos da paisagem, para situar o leitor no cenário. Ele usa os recursos da adjetivação para caracterizar esses elementos. Preencha as lacunas com os adjetivos usados pelo narrador.
a)   A noite se apresenta escura.
b)   O barco é pequeno.
c)   As águas estão calmas.
d)   As lanternas dos guias são poderosas.
e)   Um guia consegue dar um mergulho demorado, deixando as pessoas atônitas.
f)    O número de visitantes nos últimos anos é crescente.
g)   Ali, onze hotéis oferecem ao visitante um contato direto e seguro com a imensidão verde da Floresta Amazônica.

07 – O narrador diz que os turistas se manifestaram com “interjeições de espanto” diante de uma cena. Que interjeições poderiam ter sido pronunciadas por eles?
      Ah! Oh! Que maravilha! Espetacular! Bravo! Puxa! Caramba! Nossa! Boa! Muito bem! Incrível!

08 – O que você entendeu pela expressão “turismo ecológico” que aparece no título e que está sendo muito usada hoje em dia?
      Turismo de contato com a natureza, turismo que estimula o amor à natureza, o seu conhecimento e preservação.

09 – O ato de o nativo capturar o jacaré, mostra-lo aos turistas e depois devolvê-lo ao ambiente está de acordo com o título do texto? Por quê?
      Está de acordo com as normas do turismo ecológico, que procura conhecer, admirar, mas preservar.

10 – Que aspecto do texto mais chamou sua atenção? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.




terça-feira, 18 de setembro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES): SOL DE PRIMAVERA - BETO GUEDES - COM QUESTÕES GABARITADAS

ATIVIDADES COM A Música: Sol de Primavera

                                         Beto Guedes
Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender

                       Composição: Beto Guedes / Ronaldo Bastos

Entendendo a canção:
01 – Esta canção tem haver com o fim da Ditadura no Brasil?
      Sim, nos versos: “Já choramos muito / muitos se perderam no caminho.” Refere-se as pessoas que foram mandadas para o exílio fora do Brasil.

02 – O momento que atravessamos no país é marcado por muita insatisfação, mas também pela intolerância e o ódio de alguns. O que esta canção pode nos trazer?
      Pode trazer em sua luz a formulação que nos leve a uma saída digna para a situação que vivemos.

03 – Nos versos: “Quando entrar setembro / E a boa nova andar nos campos”. O que o eu lírico quis dizer?
      É uma época de renovação, onde os campos se vestem de flores e anunciam outra época mais que, que é o verão.

04 – O autor quando compôs esta canção não poderia imaginar o quê?
      Que ela inspiraria tantas pessoas e causaria um sentimento tão forte de renovação nas pessoas, que sempre usam esta música para relembrar momentos de mudança e de vitória.

05 – Que figura de linguagem há nos versos: “E a boa nova andar nos campos / Quero ver brotar o perdão.”
      Personificação (prosopopeia).



CONTO: A MENINA E AS BALAS - GEORGINA MARTINS - COM GABARITO


Conto: A MENINA E AS BALAS
                               Georgina Martins

        Todos os dias a menininha estava lá: vendia doces na porta de uma lanchonete, perto de uma pracinha, onde brincam quase todas as crianças da redondeza. Mas ela não brincava, só vendia doces. Mesmo porque ela não era moradora do bairro. Sempre chegava por volta das quatro da tarde e ficava até os doces acabarem. Nos finais de semana ela chegava mais tarde, mas nunca faltava. Devia ter uns oito anos e, às vezes, distraía-se olhando as crianças brincarem.
        Quando eu era menina, queria ter uma fábrica de doces só para poder comer todos os doces que eu quisesse; naquela época eu era muito pobre, e quase nunca sobrava dinheiro lá em casa para comprar doces. A menininha não comia nenhum.
        Ficava lá até vender todos. Será que algum dia ela já desejou ter uma fábrica de doces só pra ela?
        Todas as vezes que eu passava por ela pensava nessas coisas. Eu também desejava ter uma fábrica de leite condensado, só para poder furar todas as latinhas que quisesse. Eu sempre gostei de furar latinhas de leite condensado, e quando sobrava algum dinheiro lá em casa, minha mãe dava um jeito de comprar uma latinha de leite condensado. Mas, como ela não sabia cozinhar, nunca preparava nada com as latinhas, e eu furava todas, sempre escondido dela, que fingia não saber.
        Eu nunca pensava em vender os doces das fábricas dos meus sonhos, só pensava em comê-los. Acho que os doces não foram feitos para serem vendidos por crianças, foram feitos para serem comidos por elas. Mas aquela garotinha não comia nenhum, mesmo quando não conseguia vendê-los.
        Um dia, resolvi perguntar se ela não tinha vontade de comê-los, e ela me respondeu que seu irmão menor trabalhava em uma mercearia e que também não podia comer nada sem pagar. Ela me disse que os doces não eram dela: ela os pegava em uma lojinha em Japeri, perto de sua casa; no final do dia, acertava as contas com o seu Alberto, o dono da loja. Adorava chupar balas e queria muito ter bastante dinheiro para poder comprar um monte de uma vez. Mas não tinha. Nem tinha pracinha perto da casa dela, mas achava ótimo poder brincar com as amigas na rua mesmo.
        Uma noite, quando eu voltava do cinema, passei pela menina e percebi que ela estava com muito sono, quase cochilando; a lanchonete já ia fechar e ela ainda tinha alguns doces na caixa. Eu tinha acabado de assistir a um filme sobre crianças, um filme iraniano que eu adoro e que foi um dos filmes mais bonitos que eu já vi: chama-se Filhos do paraíso, e conta a história de dois irmãos, um menino e uma menina; o menino perde o único par de sapatos que a irmã possuía e os pais deles não têm como comprar outro.
        Acho que todas as crianças do mundo deveriam assistir a esse filme.
        Contei o dinheiro que eu tinha na bolsa e cheguei à conclusão de que dava para pagar todos os doces que ainda restavam. Depois de ver um filme como aquele, eu achava impossível deixar uma menininha daquelas cochilando no meio da rua, numa noite fria.
        — Olhe só, vou lhe dar esse dinheiro. Dá pra comprar todos os doces que você tem aí, e você não precisa nem me dar os doces, pode ficar com eles e vendê-los amanhã.
        Ela me olhou sem entender direito e disse que eu tinha que levar os doces.
        — Mas, menina, é a mesma coisa: você ganha o dinheiro e ainda fica com os doces; é muito melhor pra você...
        — Melhor nada, minha mãe diz que eu não posso voltar pra casa enquanto não vender tudo.
        — Mas você vai vender, vai levar o dinheiro que levaria se tivesse vendido tudo.
        — Tia, você não entendeu, eu não posso voltar com doce pra casa, senão eu apanho da minha mãe e do meu padrasto. Preciso ajudar em casa, minha mãe trabalha muito, lá em casa tem muita gente pra comer, tenho seis irmãos... é por isso que eu vendo doces.
        — Já entendi, mas eu só estou querendo lhe ajudar, você leva o dinheiro e ainda sobra doce pra amanhã.
        — Mas não pode sobrar nada, minha mãe falou. Por que a senhora não quer levar os doces?
        — Pra ajudar você! Amanhã, quando você for lá na loja do seu Alberto, você vai precisar comprar menos doces e vai ter mais dinheiro.
        — Não, tia, não é assim. Eu não estou pedindo o seu dinheiro, estou vendendo doces e tenho que vender tudo, minha mãe falou. Por favor, leva os doces.
        — Minha querida, vou lhe explicar direitinho: eu vou lhe pagar por todos os doces que tem aí, mas não vou levá-los, assim você vai poder vendê-los pra outras pessoas.
        — Tia, você não entende mesmo, hein? Minha mãe vai brigar comigo, ela fica muito braba quando eu faço alguma besteira. Já falei que ela disse que eu não posso voltar com nada pra casa. O meu padrasto, quando eu chego em casa, faz as contas e quando sobra doce ele me bate. Ele sempre conta quanto dinheiro tem e tem que ter tudo certinho.
        Percebi que não adiantava nada tentar convencê-la, ela já estava ficando nervosa de tentar me explicar o seu problema. Dei-lhe o dinheiro e tive que levar todos aqueles doces, que ela, rapidamente, enfiou em minha bolsa.
        Ao ver-se livre deles, seus olhinhos brilharam de contentamento e ainda pude ouvi-la falando sozinha, muito indignada com a minha pouca compreensão a respeito do seu problema:
        — Que tia burra, não entende nada de vender doces. Vai ver que ela nunca trabalhou, porque nem sabe fazer conta!
                                                                                Georgina Martins.
Entendendo o texto:

01 – O texto lido começa assim: “Todos os dias a menininha estava lá.” Não sabemos quem é essa menininha. Mas, aos poucos, o texto vai nos dando informações sobre ela. Encontre os seguintes dados sobre essa personagem:
a) Idade: Aproximadamente 8 anos.
b) Parentes: Mãe, padrasto e irmão menor.
c) Obrigações: Vender todos os doces antes de voltar pra casa.
d) Desejos: Ela queria ter muito dinheiro para comprar muitos doces.

02 – Além da menininha, no texto há outra personagem, a que conta os fatos. Essa narradora-personagem diz que também foi pobre quando criança. Responda: qual era o sonho dela quando menina?
      O sonho dela, quando era menina, era ter uma fábrica de doces para poder comer todos os doces que quisesse.

03 – Assinale qual(is) alternativa(s) a seguir mostram o que a narradora personagem pretendia.
(A) Proteger a menina.
(B) Aumentar a venda de doces.
(C) Ajudar a garotinha a ganhar mais dinheiro.
(D) Despertar o interesse dos pais da menina.

04 – Por que o mais importante para a menina era vender todos os doces?
      Para a menina, era importante vender todos os doces, pois a mãe dela dizia que não poderia sobrar nada. Quando sobram doces, a mãe briga com ela e ela apanha do padrasto.

05 – Numere os fatos na ordem que ocorreram no texto e marque abaixo sua opção:
(3) Certa noite uma boa senhora que já vinha observando a criança, quis ajudá-la pagando todos os doces, sem leva-los.
(2) Sua família era muito pobre e precisava trabalhar, assim também como seu irmão.
(4) A menininha não compreendeu a atitude da compradora e disse não poder aceitar por medo de apanhar em casa.
(1) Todos os dias uma menininha vendia doces nas ruas de um bairro para um certo comerciante, não comendo nem um doce e não brincando com outras crianças.
(5) A boa senhora vendo que nada adiantava, deu-lhe o dinheiro, recebeu os doces e a criança saiu contente, porém indignada sem compreender a bondade da amiga.
· A sequência correta é:
(A) 3, 1, 4, 2 e 5
(B) 3, 2, 4, 1 e 5
(C) 2, 3, 4, 1 e 5
(D) 3, 2, 5, 4 e 1

06 – Marque a opção que melhor substituir a palavra destacada na frase: “... e ainda pude ouvi-la falando sozinha, muito INDIGNADA com a minha pouca compreensão a respeito do seu problema.”
(A) Chateada
(B) Desinteressada
(C) Disfarçada
(D) Revoltada

07 – Como vimos em nossas aulas, o tempo e o espaço são elementos essenciais para a construção de uma narrativa. A respeito desses elementos, responda:
a) É possível definir o tempo em que se desenrola os acontecimentos narrados no texto? Se sim, retire do texto um fragmento que comprove sua resposta.
      Os principais acontecimentos se desenrolam em uma noite, quando a narradora voltava do cinema. Isso pode ser observado no trecho “Uma noite, quando eu voltava do cinema, passei pela menina e percebi que ela estava com muito sono, quase cochilando; a lanchonete já ia fechar e ela ainda tinha alguns doces na caixa.”

b) No texto lido, é possível determinar o espaço onde a história narrada acontece? Explique.
      A história acontece, principalmente, na porta de uma lanchonete, onde a menina vendia os doces.

POEMA: APELO - DORIVAL COUTINHO DA SILVA - COM GABARITO

Poema: Apelo

Eu quero no meu canto
A juventude ativa,
A geração roupa-nova
De ideais a toda prova,
Contestadora!
Juventude que questiona,
Mas também se posiciona.

Eu quero no meu canto
A juventude exigente,
Que cria, se aperfeiçoa


Interior e exteriormente,
Inovadora!
Geração que busca o crédito
Pelo verdadeiro mérito.

Eu quero no meu canto
A juventude potente,
Saudável de corpo e mente,
De pés no chão!
A juventude forte,
Que ao álcool diz não,
Que ao fumo diz não,
E à droga, mil vezes NÃO!

Eu quero a juventude
No meu canto.

                                   Dorival Coutinho da Silva (especial para este livro).

Entendendo o poema:
01 – Explique o sentido do título do poema.
      Apelo: inovação, convite, sugestão, convocação.

02 – Quais são os vários apelos que o poeta dirige à juventude?
      Ele convoca os jovens para a atividade, para mudanças, questionamentos, saúde.

03 – Escreva algumas linhas dizendo o que você entende por:
a)   “Juventude ativa.”
Resposta pessoal do aluno.

b)   “Juventude que questiona.”
Resposta pessoal do aluno.

c)   “Juventude contestadora.”
Resposta pessoal do aluno.

d)   “Juventude que se posiciona.”
Resposta pessoal do aluno.

e)   “Juventude de pés no chão.”
Resposta pessoal do aluno.



CRÔNICA: SEGURANÇA - LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - COM GABARITO

Crônica: Segurança
           Luís Fernando Veríssimo

        O ponto-de-venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as mais belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança. Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados. 
        Mas os assaltos começaram assim mesmo. Os ladrões pulavam os muros. 
        Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês. 
        Mas os assaltos continuaram. 
        Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar. 
        Mas os assaltos continuaram.
        Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram engradadas.
        Mas os assaltos continuaram. 
        Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das saídas. Para sair, só com um exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno. 
        Mas os assaltos continuaram.
        Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos. 
        E ninguém pode sair. 
        Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua. 
        Mas surgiu outro problema. 
        As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade. 
        A guarda tem sido obrigada a agir com energia.

            Luís Fernando Veríssimo, in Veja, 27 mar. 1985.
Entendendo a crônica:
01 – A que tipo de condomínio se refere o texto?
      O texto se refere a um condomínio de pessoas de classe alta, pois nele encontramos belas casas com piscinas, jardins e um sistema de segurança máxima.

02 – Você sabe o que é circuito fechado de tevê a que alude o texto?
      É um sistema com uma central de tevê que capta imagens de várias câmeras colocadas em lugares estratégicos.

03 – Os visitantes e os moradores deviam identificar-se ao entrar e ao sair do condomínio. Você sabe o que significa o termo identificar-se?
      Significa apresentar documentos pessoais.

04 – Cite alguns documentos pessoais de identificação.
      Eis alguns: carteira de identidade, carteira de trabalho, carteira de motorista, registro de nascimento e título de eleitor.

05 – Faça uma relação dos obstáculos que os assaltantes teriam de vencer para entrar nas casas dos condôminos.
      Saltar o muro, desviar dos fios de alta-tensão, enfrentar a patrulha de guardas, esquivar-se dos cães, passar por três cercas diferentes, arrebentar as grades das janelas das casas...

06 – Com tal sistema sofisticado de segurança, os condôminos conseguiram finalmente proteger o seu patrimônio, mas, por outro lado, perderam algo muito importante. O que eles perderam é de suma importância. O que foi?
      A liberdade. A liberdade de poder sair e entrar no condomínio sem medo de serem assaltados, a liberdade de curtir a vida livremente.

07 – Ao final das contas, quem são realmente as pessoas livres nessa história?
      São os assaltantes, que podem agir e se movimentar livremente.

08 – Que outro título você daria ao texto?
      Resposta pessoal do aluno.

09 – De acordo com o texto, o que significa as palavras abaixo:
·        Crachá: cartão com dados pessoais que se usa no peito, em empresas, congressos, etc., para fins de identificação.
·        Condômino: dono, juntamente com outras pessoas, co-proprietário.
·        Condomínio: posse exercida juntamente com outros proprietários.
·        Expressa: categórica, decisiva, terminante.

10 – Quais os sistemas instalado no condomínio?
      Muros (grades) altas, instalar rede elétrica, sistema de tevê, patrulha, etc.

11 – No final do texto, fala-se de um novo problema. Qual é?
      As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade. 
     



TEXTO: EXPERIMENTE SORRIR, SEMPRE DÁ CERTO! - EDSON PEREIRA DA SILVA - COM GABARITO


Texto: Experimente sorrir, sempre dá certo!
                 
   Autor: Edson Pereira da Silva

        Há muitos anos, declaro em meus treinamentos que as pessoas têm medo do óbvio. Fica-me a sensação de que, na cabeça de algumas pessoas, o óbvio insulta a inteligência. Afinal precisamos de soluções cada vez mais inteligentes.
      Tenho observado, neste meio século de experiência renovada, que, particularmente aos aspectos de relacionamento entre as pessoas – e aqui falo de (o observável, mensurável) – a maior parte das ações facilitadoras e portanto, construtoras de bons relacionamentos, são por excelência óbvias.
        No sábado passado, quando eu e minha esposa realizávamos uma das nossas habituais caminhadas matinais, vivenciamos uma destas situações óbvias, iniciada por um efusivo cumprimento, sucedida imediatamente por um belo e simpático sorriso e uma imediata declaração de reforço, para alavancar positivamente o humor de qualquer pessoa.

        Sorrir melhora a vida

        Passávamos, neste momento, próximo à feira do sábado, que acontece no bairro onde moro em São Bernardo do Campo. Ouvimos um entusiástico Bom Dia! Tivemos nossa atenção imediatamente despertada e, ato contínuo, olhamos. Deparamo-nos com um alegre e simpático sorriso que inevitavelmente provocou nosso sorriso. 
        Um homem de aproximadamente 40 anos que conversava com duas outras pessoas observa-nos, cumprimenta e sorri na forma já descrita, e complementa, fazendo referências aos sorrisos que conseguira obter de mim e de minha esposa:
        “Olha que sorrisos bonitos. Isto sim é que é saber viver”. 
        Imediatamente aponta para um veículo estacionado próximo ao “trailler” dos pastéis e diz:
        “Venham, aproximem-se, venham melhorar ainda mais as suas vidas, vendo, comprando, e comendo os pãezinhos caseiros que tenho para oferecer”.
        Em virtude de outros objetivos que tínhamos, priorizamos continuar nossa caminhada na direção de casa, mas entre nós, comentando sobre o poder que aquele homem demonstrara, de fazer com que nos sentíssemos até constrangidos por não termos parado e, no mínimo, olhado os pãezinhos que tinha para vender.
        Podemos tirar várias lições que queiramos, inclusive sobre vendas, desta passagem. Como o foco é o sorriso, faço questão de reproduzir um texto que me foi entregue por aquele que considero o mestre dos mestres na Oratória, e que foi o responsável pela minha formação e atuação nesta área – mestre Oswaldo Melantonio, sobre a Importância do Sorriso, onde podemos ler:

        Por que sorrir

        “Um sorriso não custa nada, mas faz muito. Enriquece aqueles que o recebem, sem empobrecer aqueles que o dão. Acontece num lampejo e a sua lembrança, às vezes, dura para sempre. Ninguém é tão rico a ponto de dispensá-lo e ninguém é tão pobre que não possa oferecê-lo; porém, ambos se enriquecem com seus benefícios. Ele cria felicidade no lar, favorece a boa disposição e a amizade. É repouso para o fatigado, luz do dia para o desanimado, raio de sol para o triste e o melhor antídoto contra a preocupação. Entretanto, não pode ser comprado, tomado, emprestado ou roubado, pois é algo que não constitui bem terreno para ninguém, até ser doado. Ninguém precisa tanto de um sorriso como aqueles que não têm mais nada para dar.”
        Quer saber se dá certo? Faça! Sorria!

Entendendo o texto:
01 – Há vários tipos de sorriso. Você saberia citar (ou imitar) alguns?
      Sorriso de amor, de ternura, de carinho; Sorriso falso; Sorriso irônico; Sorriso de aprovação, de desaprovação...

02 – Há diferença entre sorriso e gargalhada? Explique.
      Sorriso: é uma manifestação delicada, sem rumor de alegria.
      Gargalhada: é uma manifestação explosiva, barulhenta.