quinta-feira, 17 de setembro de 2020

CRÔNICA: VENDO COM OS OUVIDOS - JOSÉ ROBERTO TORERO - COM GABARITO

 

CRÔNICA: Vendo com os ouvidos



Sucesso que os rádios de todos os tipos fazem em Arapiraca tem motivos variados, inclusive o "vistal"


JOSÉ ROBERTO TORERO


VIAJADO LEITOR , rodada leitora, depois de andar 2.753 km pelas esburacadas estradas brasileiras, finalmente cheguei a Arapiraca para ver uma das partidas de abertura da Série C do Brasileiro. O jogo era ASA (Associação Sportiva Arapiraquense, para os íntimos) x Petrolina.


Eu poderia falar dos bons acarajés vendidos no estádio, da lama do gramado, do quase milagroso goleiro Genílson, do Petrolina, que defendeu até pênalti, do resultado de 1 a 0 para o time local, dos salários dos jogadores (entre R$ 1.500 e R$ 2.000, não tão ruins quanto eu esperava) ou dos torcedores-ciclistas que assistem ao jogo sobre suas bicicletas. Mas o que mais me impressionou foram os rádios. Muitos torcedores assistiram ao jogo com seus aparelhos grudados ao ouvido. Muitos mesmo. É uma mania local. Mania que já foi comum no Sul e no Sudeste, mas que hoje é exceção na parte de baixo do país.
Vi rádios de todos os tipos pelo estádio Coaracy da Mata Fonseca: pretos, prateados e coloridos, modernos e antigos, pequenos como um celular e grandes como um notebook. Alguns torcedores os escutavam bem colados ao ouvido, outros preferiam deixá-lo um tanto longe e com o volume no máximo. Mas os do lado não se incomodavam. Pegavam carona.
Os motivos para o sucesso do rádio em Arapiraca são variados. A resposta mais comum foi que, como os times mudam muito de jogador hoje em dia, só assim se pode saber o nome de quem está com a bola.
Mas houve outras, várias outras. Antonio Feliciano Sobrinho, 71, tem uma razão vital. Ou melhor, vistal. "É que os meus olhos andam meio ruins, só assim que eu sintonizo quem é quem."
Antonio Barbosa, que gastou R$ 45 num vistoso Motobras, diz que o rádio é bom porque assim ele fica sabendo o que está acontecendo nos outros jogos da rodada.
Cícero da Silva, 44, que está em seu oitavo rádio, escuta-o num tom altíssimo e grita para conversar com os que estão à sua volta. Sua explicação é que o rádio deixa o jogo mais animado, com mais emoção.
Valdir Francisco, 43, já é caso de "audiente fanaticus". É apaixonado por AM desde seu primeiro Motoradio. E mesmo agora, com um moderno aparelho, continua ouvindo rádio das 20h às 24h, todos os dias.
José Cavalcanti, 43, teoriza e diz que há dois tipos de torcedores: o que assiste aos jogos e o que acompanha futebol. Ele se considera do segundo grupo e por isso acha o rádio fundamental. Só assim ele pode acompanhar o entorno do futebol, as opiniões, quem está entrando na partida, quem está saindo, e por quê.
Em seu pequenino Livstar, Cavalcanti também gosta de ouvir entrevistas. "É para ver se os técnicos e os jogadores têm um bom retrato da partida." Porém, curiosamente, na hora daquele longo gooooool dos locutores brasileiros, ele não escuta seu aparelho. "Aí a gente está comemorando, até tira ele do ouvido."
Mas a resposta mais eloquente talvez tenha sido a de um senhor de uns 60 anos que nem quis escutar minha pergunta. Com o radinho colado ao ouvido, ele me disse: "Você me desculpe, mas agora não posso falar, viu? Tenho que escutar o que eu estou vendo".

São Paulo, terça-feira, 08 de julho de 2008 Folha de S.Paulo Esportetorero@uol.com.br

ESTUDO DO TEXTO

1)   O texto inicia relatando uma viagem.    

      a)   Por que o autor do texto foi para Arapiraca?

     Para assistir a uma partida de futebol.

 b)   Essa cidade era distante de onde ele estava? Como o leitor fica sabendo disso?

     Sim. O autor utiliza o advérbio “finalmente” para dizer que andou 2753 Km.

 c)   Como o autor qualifica as estradas?

          O que ele deixa transparecer nesse modo de qualificar?  

             Qualifica como esburacadas. Ele faz uma crítica ao mau estado de conservação das estradas brasileiras.   

      2)   O jogo ocorreu no Estádio Coaracy da Mata Fonseca, na cidade de Arapiraca, e fazia parte do Campeonato Brasileiro da Série C.

a)   Que times estavam competindo? Você já ouviu falar deles?

ASA (Associação Sportiva Arapiraquense) x Petrolina.

Resposta pessoal.

 b)   Esses times estão entre os principais da cidade? Com base no texto, é possível afirmar que esses times têm torcida?

Sim, o narrador afirma que havia muitos torcedores no estádio.   

3)   Releia este trecho do segundo parágrafo.

“Eu poderia falar dos bons acarajés vendidos no estádio, da lama do gramado, do quase milagroso goleiro Genilson, do Petrolina, que defendeu até pênalti, do resultado de 1 a 0 para o time local, dos salários dos jogadores (entre R$1.500 e R$2.000, não tão ruins quanto eu esperava) ou dos torcedores ciclistas que assistem ao jogo sobre suas bicicletas.[...]

           a)   O que o autor considera curioso em relação ao uso da bicicleta pelos torcedores?

O fato de assistirem a partida em cima de suas bicicletas.

b)   Que outros detalhes são enumerados no trecho?

A venda de acarajé no estádio, a lama do gramado, a situação do goleiro do time do Petrolina, o resultado do jogo e o salário dos jogadores.    

4)   Qual o assunto principal do texto?

                O hábito de ir ao estádio com um rádio de pilha.

 5)   Conforme o autor, “os motivos para o sucesso do rádio em Arapiraca são variados”.

a)   Um dos espectadores adverte que há dois tipos de torcedores: “o que assiste aos jogos e o que acompanha futebol”. Qual é a diferença entre esses tipos?

O primeiro apenas se interessa pelas partidas em si, pelo que acontece dentro de campo, enquanto o segundo se interessa pelos bastidores, pelas notícias sobre o esporte, pela opinião dos técnicos, etc.

b)   Para outro torcedor, o rádio torna a partida mais animada e emocionante. Em sua opinião, por que isso ocorre?

Resposta pessoal.

c)   O que motivos tão diferentes revelam sobre o uso do rádio no estádio?

Revelam que o rádio tinha funções importantes, era essencial para aqueles torcedores, que o utilizavam por diferentes motivos.

d)    Qual seria a importância do rádio para os torcedores que não estão no estádio?

Ele permite acompanhar a narração do jogo e os comentários dos jornalistas e repórteres que estão no estádio.

EDITORIAL: GENTILLI, A CENSURA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO - VICTOR AMATUCCI - COM GABARITO

 EDITORIAL: GENTILLI, A CENSURA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Qualquer discussão, para que posso ocorrer de maneira civilizada, precisa de bases comuns das quais partir. Vamos estabelecer então algumas definições, a fim de identificar se a condenação do humorista ele foi condenado por injúria.

Injúria (substantivo feminino): ato ou efeito de injuriar. Injustiça, aquilo que é injusto; tudo o que é contrário ao direito. Dito ou ato insultuoso, ofensivo. Ato ou efeito de danificar; dano. JURÍDICO (TERMO) ilícito penal praticado por quem ofende a honra e a dignidade de outrem.

Para efeitos práticos, o que nos serve de definição são os itens 3, 4 e 5, ou seja, “ato insultoso, ofensivo”, que causou dano à honra e dignidade da deputada. Ao menos é isso que está implícito quando se diz que ele foi condenado por injúria (se a justiça entendesse que ele não ofendeu, ele seria inocentado). Ok, isso é óbvio. Verifiquemos, então, o que significa “liberdade de expressão”. Diz a Constituição Federal, em seu artigo 5º:

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou a imagem.

 

E quais os fatos que levaram à condenação?

 O humorista foi notificado, extrajudicialmente, por uma deputada. Ela pedia que ele retirasse de seu Twitter algumas declarações que considerou ofensivas. A Constituição afirma que é livre a manifestação do pensamento, mas que é assegurado o direito de resposta, além de indenização por dano material, moral ou à imagem. O que fez o humorista ao receber a notificação?

Ele não se manifestou publicamente através de nota ou advogado. Ele não escreveu um tweet. Ele fez um vídeo e publicou. No vídeo, ele pega a notificação rasga, coloca dentro da cueca, tira da cueca, coloco num envelope, escreve “com cheirinho especial” e põe no correio de volta.

O que é Censura?

Censura (substantivo feminino): ação ou efeito de censurar. Análise, feita por censor, de trabalhos artísticos, informativos, etc.,ger. Com base em critérios morais ou políticos, para  julgar a conveniência de sua liberação à exibição pública, publicação ou divulgação. POR METONÍMIA restrição à publicação, exibição, et., feita com base nessa análise. POR METONÍMIA comissão ou repartição encarregada dessa análise.

VictorAmatucci.abr 12, 2019. Editorial, Todas. Disponível em: https://www.imprenca.com/2019/04/12/editorial-gentilli-a-censura-e-liberdade-de-expressao/.Acesso em: 23/07/2020.

ENTENDENDO O EDITORIAL

1)   Qual fato ocorreu em torno da produção desse editorial?

A condenação judicial do humorista Danilo Gentilli por uma suposta ofensa a uma deputada brasileira.

 

2)   O texto apenas relata os fatos ou apresenta uma opinião a respeito da questão tratada?

Também apresenta opinião uma vez que é característica do gênero textual editorial.

3)   Transcreva a opinião do autor em relação ao fato relatado.

“Qualquer discussão, para que possa ocorrer de maneira civilizada, precisa de algumas bases comuns das quais partir”.

 “...censura é uma análise feita antes da publicação de qualquer coisa, não depois. A condenação, portanto, não pode ser chamada de censura.”

 “Depois ele publicou um vídeo obviamente ofensivo”.

 “O vídeo não sofreu censura.”

4)   Qual é o seu posicionamento sobre a condenação de Danilo Gentilli? Você acredita que ele feriu o limite da liberdade de expressão ou foi apenas censurado?

         Resposta pessoal.

5)   Qual é o limite entre a liberdade de expressão e a ofensa?

A liberdade de expressão não deve ser defendida apenas para as pessoas que pensam igual a você. Sentir-se ofendido é algo pessoal. Considerando que o condenado em questão é um humorista, suas piadas podem ofender uma pessoa e outra não.

Todos têm a liberdade de expressão, de opinião e manifestação, pois não pode haver a censura prévia, ou seja, você não pode ser impedido de dizer algo, mas deve estar consciente que se alguém sentir-se ofendido, terá o total direito de se defender inclusive judicialmente e será ela, a justiça, que decidirá se você cometeu um crime de calúnia, injúria, difamação.

A Constituição afirma que é livre a manifestação do pensamento, as que é assegurado o direito de resposta, além de indenização por dano material, moral ou à imagem.

 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

MÚSICA(ATIVIDADES): BROTO LEGAL - CELLY CAMPELLO - COM GABARITO

 Música(Atividades): Broto Legal

                      Celly Campello

Olha que broto legal
Garoto fenomenal
Fez um sucesso total
E abafou no festival
E quando ele entrou
O broto logo me olhou
Pra mim sorrindo piscou
E pra dançar então tirou

O broto então
Se revelou
Mostrou ser maioral
A turma toda até parou
No rock'n roll
Nós dois demos um show

Puxei o broto pra cá
Virei o broto pra lá
A turma toda gritou
Rock'n roll!
E rock continuou

Olha que broto legal
Garoto fenomenal
Fez um sucesso total
E abafou no festival
E quando ele entrou
O broto logo me olhou
Pra mim sorrindo piscou
E pra dançar então tirou

O broto então
Se revelou
Mostrou ser maioral
A turma toda até parou
No rock'n roll
Nós dois demos um show

Puxei o broto pra cá
Virei o broto pra lá
A turma toda gritou
Rock'n roll!
E rock terminou
E rock terminou

Composição: H. Earnhart / Renato Corte Real.

Entendendo a canção:

01 – A letra da canção trata de um evento envolvendo jovens. Qual é ele?

      Um festival ou uma festa com dança.

02 – No contexto dessa canção, a palavra broto é uma gíria. O que ela significa?

      Uma pessoa jovem, geralmente bonita.

03 – Qual o sentido comum de broto? Existe alguma semelhança entre esse sentido e o da gíria?

      A noção de algo novo é a ideia comum aos dois sentidos de broto; na canção, indica uma garota jovem; fora dela, costuma significar o estágio inicial de uma planta.

04 – A gíria broto, que já foi muito utilizada pelos jovens, hoje está em desuso. Que outra gíria tem sido usada no lugar dela?

      Mina, gata, etc.

 

POEMA: MINHA SOMBRA - JORGE DE LIMA - COM GABARITO

 Poema: MINHA SOMBRA

        Jorge de Lima

De manhã
a minha sombra
Com meu papagaio e o meu macaco
Começam a me arremedar.
E quando saio
A minha sombra vai comigo
Fazendo o que eu faço
Seguindo os meus passos.

Depois é meio-dia.
E a minha sombra fica do tamaninho
De quando eu era menino.
Depois é tardinha.
E a minha sombra tão comprida
Brinca de pernas de pau.

Minha sombra , eu só queria
Ter o humor que você tem,
Ter a sua meninice,
Ser igualzinho a você.

E de noite quando escrevo,
Fazer como você faz,
Como eu fazia em criança:
Minha sombra
Você põe a sua mão
Por baixo da minha mão,
Vai cobrindo o rascunho dos meus poemas
Se saber ler e escrever.

Jorge de Lima

Entendendo o poema:

01 – De acordo com o poema, a sombra imita o menino:

a)   De manhã.

b)   Ao meio-dia.

c)   À tardinha.

d)   À noite.

02 – Que tema é abordado no poema?

      Saudades da infância.

03 – O eu lírico conta algo que:

a)   Está acontecendo no presente.

b)   Aconteceu em um passado bem próximo.

c)   Aconteceu num passado distante.

d)   Acontecerá num futuro bem próximo.

04 – Em que versos o eu lírico revela que gostaria de ser alegre como na infância?

      “Minha sombra, eu só queria
       Ter o humor que você tem,
       Ter a sua meninice,
       Ser igualzinho a você.”

05 – Quem era a sombra no poema?

      A criança que era o eu lírico.

 

QUADRO: MULHER EM LÁGRIMAS - PABLO PICASSO - COM GABARITO

 

Quadro: Mulher em lágrimas



  PICASSO, Pablo. Mulher em lágrimas. Óleo sobre tela: color, 60x49cm, Tate Gallery, Londres.

Fonte: Língua Portuguesa. Linguagens no Século XXI. 5ª série. Heloísa Harue Takazaki. Ed. IBEP. 1ª edição, 2002. p. 79-80.

Entendendo o quadro:

01 – Que figura está representada nessa obra?

      Uma figura feminina.

02 – O que a expressão do rosto do personagem está sugerindo?

      Tristeza profunda, desespero, dor, sofrimento, angústia, aflição extrema, tormento.

03 – Que motivos podem levar alguém a chorar assim?

      A perda de alguém.

04 – Você conhece outras obras de Pablo Picasso? Quais? Comente-as.

      Resposta pessoal do aluno.

05 – Como foi representada a figura humana?

      Toda desarticulada, quebrada, com os olhos fora das órbitas.

06 – Observe as cores. São suaves ou não?

      Há muitas cores: vermelho, roxo, laranja, verde, amarelo, branco. Todas são gritantes.

07 – Que elementos o quadro podem sugerir a ideia de morte?

      O chapéu, a cor roxa, o amarelo da pele do rosto, a roupa preta.

08 – É possível reconhecer uma face humana na tela. No entanto, essa forma de representa-la revela traços de semelhança tal como a fotografia? Explique.

      Não. A face parece convertida a uma espécie de ser monstruoso.

09 – Por que o artista escolheu esta “algazarra colorida” para representar a dor, a morte, o luto?

      A explosão de cores pode significar uma forma desesperada de gritar, de protestar, de dor.

 

 

REPORTAGEM: LENÇÓIS MARANHENSES - LU GOMES - REVISTA VIAGEM E TURISMO - COM GABARITO

 Reportagem: Lençóis Maranhenses

                     Lu Gomes

          Viajar é, ao mesmo tempo, uma diversão e um aprendizado. Em uma viagem, sempre tomamos contato com alguma novidade: um modo de vida diferente do nosso, uma beleza natural ou um pouco de história.

          As viagens ampliam nossa capacidade de ver e de compreender o mundo, a vida e as pessoas. E, quando não podemos viajar, a leitura é a melhor forma de conhecer lugares interessantes.

        A pista de concreto rachado vai chegando aos pedaços e o bimotor pousa trepidando no “aeroporto” de Barreirinhas, no sertão do Maranhão.

        [...]

        Esta modorrenta cidade está atraindo visitantes de todos os cantos do Brasil e sua fama já se propaga pelo exterior. Deve ser enrolado para um francês pronunciar o nome Barreirinhas, mas ele consegue e está vindo para cá. Quanto aos alemães, então, nem se fala – já existe até panfleto turístico traduzido para a língua de Goethe. Plantada numa curva do Rio Preguiça, Barreirinhas finalmente está entrando para o mapa turístico nacional e o seu progresso é visível: a pista de pouso está sendo estendida para 1.100 metros para suportar aviões de maior capacidade, a rua que leva ao centro está em processo de pavimentação e as inevitáveis cadeiras brancas de plástico moldado, uma verdadeira praga nos quatro cantos do planeta, já tomaram conta da cidade – sem dúvida, um sinal de que Barreirinhas está se globalizando, ainda que da pior maneira.

        Mas ninguém vem até aqui só pelos ares dessa cidadezinha de 25.000 habitantes. Os turistas estão chegando para conhecer o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, um lugar único no país. Por uma área que se estende por 70 quilômetros de litoral e avança 50 quilômetros continente adentro, espalha-se uma peculiar formação de dunas intercaladas, na maior parte do ano, por lagoas de água doce e cristalina. As dunas estendem-se brancas como lençóis – daí o nome – e são formadas pela ação do vento que sopra do mar, empurrando-as para o continente. Alcançam até 30 metros de altura. Já as lagoas são resultado das chuvas, que caem de dezembro a julho. A água é uma delícia: nem fria nem quente. Dá vontade de passar o dia inteiro nadando. Os Lençóis Maranhenses podem ser interpretados como o único deserto brasileiro (afinal, é tudo areia) ou como a maior praia do país, já que tem o tamanho da cidade de São Paulo. Um lugar, no mínimo, especial. Não existe nada igual no Brasil.

        [...]

        O sol estava de rachar a moringa, como se diz por aqui, quando saí para conhecer a Lagoa Azul, um dos passeios mais famosos da região. Uma picape com tração nas quatro rodas me levou até lá em menos de uma hora. O lugar estava cheia de gente (ou seja, tinha umas 40 pessoas), mas bastou atravessar algumas dunas para encontrar uma praia inteirinha para mim. E que praia! No dia seguinte, fui visitar a ainda mais exuberante Lagoa Bonita, um tanto inacessível, embora esteja a menos de dez quilômetros de distância. Chega-se por uma trilha arenosa [...].

        Depois de chacoalharmos por uma hora e quinze minutos, e de cruzarmos riachos e cajueiros, chegamos ao fim da trilha e estacionamos próximo a um imenso paredão de areia. É preciso estar em boas condições físicas para encarar essa rampa quase vertical. Eu não estava, mas fui assim mesmo. Uma das coisas mais admiráveis no ser humano é que somos capazes de fazer qualquer sacrifício por um pouco de diversão.

        Quase enfartei, mas valeu a pena. O lugar estava intocado. Até onde a vista alcançava, não se via ninguém – só uma infinita sucessão de dunas e lagoas verdes. E mesmo as próprias pegadas na areia logo desapareceriam, apagadas pelo vento. Sozinho naquela imensidão, parecia que eu estava num daqueles cenários surrealistas de Salvador Dalí. Só faltavam os relógios derretendo.

        Ficamos lá a tarde inteira, vendo o planeta girar, caminhando pelas dunas e mergulhando nas tépidas lagoas [...].

        Só fomos embora quando o pôr-do-sol tingiu o céu de vermelho. Não dava para ficar mais, porque a balsa que cruza o Rio Preguiça para de funcionar às 18h30. Já estava escuro quando chegamos à beira do rio, meia hora atrasados. Felizmente, nosso guia havia avisado ao balseiro e ele estava à nossa espera. Embarcamos na balsa de madeira e, enquanto ela era puxada por uma corda, em direção a Barreirinhas, deitei-me no capô da caminhonete. E durante os 15 minutos da travessia fiquei contemplando o céu mais estrelado que já vi. Foi o final de um dia perfeito, desses para se guardar na memória como um tesouro.

        Dos quatro dias que passei em Lençóis, dois foram dedicados à exploração do Rio Preguiça. O nome se deve à lentidão das suas águas escuras – o rio é tão lento que, às vezes, nem se sabe em qual direção está indo. A razão é a maré da praia onde o Preguiça deságua, que, de tão forte, detém a correnteza do rio. Num dos dias, fui de lancha voadeira até a foz do rio, a 50 quilômetros de distância da cidade. Ao longo do caminho, dunas vão surgindo e abrindo belas praias em meio a manguezais e restingas. Vassouras, uma delas, abriga uma aldeia de pescadores – meia dúzia de choupanas feitas de pau de mangue e cobertas por folhas de carnaúba. O fim da linha é o vilarejo de Atins, na margem esquerda, onde o rio preguiçoso encontra o mar bravio. De lá pode-se ir a pé até as dunas, numa caminhada de 40 minutos. Também na margem esquerda, um pouco antes de Atins, quase em frente ao pequeno povoado de Caburé, fica o Farol de Mandacaru, de cujo topo (vá com calma: são 160 degraus!) se tem uma visão deslumbrante da foz do rio. O almoço acontece nos restaurantes das pousadas de Caburé. Não há muito o que escolher: peixe, camarão ou caranguejo – mas quem precisa de mais do que isso? E, de sobremesa, um doce de coco de deixar cozinheiro francês salivando.

        Como o passeio pelo rio leva um dia inteiro, os pacotes turísticos da região costumam oferecer um pernoite em Caburé, na Pousada do Paulo, que não tem nem luz elétrica. Um barulhento gerador funciona até a meia noite – apenas o tempo necessário para gelar a cerveja e garantir a novela das oito. Depois, silêncio total e luz de velas. A hospitalidade é de primeira, mas as acomodações são espartanas. Como, aliás, na maioria dos lugares dessa região belíssima, mas selvagem.

        Talvez por isso, Caburé tornou-se o posto avançado dos jovens mochileiros, que marcam seus caminhos por onde não há nem estradas. Os mais ousados até partem de Caburé para passar a noite acampados no parque. A novidade nos Lençóis Maranhenses, porém, é que agora já dá para curtir as dunas, praias e lagoas da região sem precisar ser um desbravador de fronteiras. No final de cada passeio, você sempre pode voltar para o ar-condicionado e a  comidinha caprichada de Barreirinhas – basta combinar com o guia que o levou. E, no final da viagem, quando estiver voando para São Luís, terá tantas histórias para contar quanto qualquer outro explorador desse inusitado deserto brasileiro – um deserto diferente, que tem água por todas as partes.

Lu Gomes. Revista Viagem e Turismo. São Paulo, Abril, setembro e 2.000.

Fonte: Língua Portuguesa. Entre palavras – Edição renovada. Mauro Ferreira. 5ª série. Ed. FTD – São Paulo – 1ª edição – 2002. P. 190-6.

Entendendo a reportagem:

01 – Em relação ao conteúdo geral do texto:

a)   Qual a finalidade, isto é, para que serve esse texto?

O texto serve para mostrar como é um lugar, narrar o que a pessoa (o autor) fez e o que sentiu enquanto esteve lá.

b)   Cite alguma coisa que você aprendeu ao ler esse texto.

Resposta pessoal do aluno.

02 – Releia: “... e as inevitáveis cadeiras brancas de plástico moldado, uma verdadeira praga nos quatro cantos do planeta, já tomaram conta da cidade – sem dúvida, um sinal de que Barreirinhas está se globalizando, ainda que da pior maneira.”

a)   O autor faz uma referência elogiosa ou depreciativa (desfavorável) às cadeiras brancas de plástico?

A referência é depreciativa. Ele compara a presença desse tipo de cadeira com uma praga, algo ruim que se espalha rapidamente pelos “quatro cantos do planeta”, isto é, que existe em todo lugar.

b)   Globalização é um processo econômico, comercial e de comunicação que envolve os países do mundo. Por que, segundo o autor, Barreirinhas está se “globalizando” de uma maneira ruim?

O autor ironiza a ideia de “globalização”, dando a entender que as cadeiras de plástico – objetos “globalizados”, já que usados em todo lugar – são desnecessárias em Barreirinhas.

03 – Esse texto é uma relato objetivo (racional, frio) ou subjetivo, isto é, que exprime as emoções, as reações e o modo pessoal de o autor se referir ao lugar visitado?

      O texto é um relato subjetivo. O autor revela opiniões, reações e emoções. Ele se mostra encantado com a beleza o lugar, com a simplicidade das coisas, com a hospitalidade das pessoas, com o sabor da comida, etc.

04 – Em uma das páginas iniciais da revista da qual foi transcrito o texto, há a seguinte informação:

        “Viagem e Turismo não aceita convites nem cortesias para viajar. Todas as despesas são pagas pela revista, que também procura viajar anonimamente. Assim, nos igualamos aos demais turistas e acrescentamos liberdade às nossas reportagens. Exatamente como você, leitor, faria”. Por que você acha que a revista julga importante dar essas informações aos seus leitores?

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: As informações deixam claro que:

·        As análises (elogios, críticas, etc.) apresentadas nas reportagens são imparciais.

·        Os lugares são realmente como apresentados, isto é, não foram “preparados” para receber os repórteres e fotógrafos.

05 – Na sua opinião, os moradores e os comerciantes da região dos Lençóis Maranhenses ficaram contentes, satisfeitos com a publicação dessa reportagem em uma revista de circulação nacional? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Você gostaria de viajar par o lugar descrito no texto? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

 

 

     

CONTO: CAPÍTULO ZERO E MEIO - PEDRO BANDEIRA - COM GABARITO

 Conto: CAPÍTULO ZERO E MEIO


        Pedro Bandeira

        A uma vez, há muitos, muitos anos atrás mais vinte e cinco anos, uma senhora de cabelos negros como o ébano, onde já começavam a aparecer alguns fios brancos como a neve, bem da cor da pele dela, que também era branca como a neve.

        O nome da tal senhora era Branca Encantado. Nos tempos de solteira, o sobrenome dela era "De Neve", mas, depois que se casou com o Príncipe Encantado, Dona Branca passou a usar o sobrenome do marido.

        Dona Branca estava com uma barriga enorme, esperando o seu sétimo filho, para ser afilhado do sétimo anãozinho, que vivia reclamando pelo fato de todos os outros anões já serem padrinhos de filhos de Dona Branca e faltar um para ser afilhado dele.

        Dali a uma semana ia fazer vinte e cinco anos que Dona Branca havia se casado para ser feliz para sempre. E, como você sabe, quem fica vinte e cinco anos casado com a mesma pessoa faz uma bruta festa para comemorar as Bodas de Prata.

        Feliz com tudo isso, Dona Branca tricotava um casaquinho de lã para o principezinho que ia nascer, sozinha no grande salão do castelo, forrado de mármore cor-de-rosa e veludo vermelho. Os filhos maiores estavam na escola e os menores com as amas.

        O Príncipe Encantado, como sempre, estava caçando. Foi aí que a grande porta do salão abriu-se e entrou Caio, o lacaio, anunciando:

        -- Alteza, a Senhorita Vermelho acaba de chegar ao castelo e pede...

        -- Chapeuzinho?! – interrompeu Dona Branca. – Que ótimo! Peça para ela entrar. Vamos, Caio, rápido!

        Caio, o lacaio, inclinou-se numa reverência e foi buscar a visitante.

        Chapeuzinho Vermelho era a mais solteira das amigas de Dona Branca e uma das poucas que não era princesa. A história dela tinha terminado dizendo que ela ia viver feliz para sempre ao lado da Vovozinha, mas não falava em nenhum príncipe encantado. Por isso, Chapeuzinho ficou solteirona e encalhada ao lado de uma velha cada vez mais caduca.

        Dona Chapeuzinho entrou com a cestinha pendurada no braço e com o capuz vermelho na cabeça. Dona Branca correu para abraçar a amiga.

        -- Querida! Há quanto tempo! Como vai a Vovozinha?

        -- Branca, querida!

        As duas deram-se três beijinhos, um numa face e dois na outra, porque o terceiro era para ver se Chapeuzinho desencalhava.

        -- Minha amiga Branca! Por que você tem esses olhos tão grandes?

        -- Ora, deixe de besteira, Chapéu!

        -- Ahn... quer dizer... desculpe, Branca. É que eu sempre me distraio... – atrapalhou-se toda a Chapeuzinho. – Sabe? É que eu estou sempre pensando na minha história. Ela é tão linda, com o Lobo Mau, tão terrível, e o Caçador, tão valente...

        -- Até que a sua história é passável, Chapéu – comentou dona Branca, meio despeitada. – Mas linda mesmo é a minha, que tem espelho mágico, maçã envenenada, bruxa malvada, anõezinhos e até caçador generoso...

        -- Questão de gosto, querida...

        Dona chapeuzinho sentou-se confortavelmente, colocou a cestinha ao lado dela, não largava aquela bendita cestinha, tirou um sanduíche de mortadela e pôs-se a comer (aliás, Dona Chapeuzinho tinha engodado muito desde aquela aventura com o Lobo Mau).

        -- Aceita, um brioche? – ofereceu a comilona, de boca cheia.

        -- Não, obrigada.

        -- Quer uma maçã?

        -- Não! Eu detesto maçã!

        Dona Chapeuzinho acabou o lanche e olhou para a amiga com aquele olhar que as comadres usam quando estão conversando por cima do muro do quintal.

        -- Menina, você não imagina o que aconteceu...

        Dona Branca arregalou os olhos negros como ébano:

        -- Aconteceu? O que foi que aconteceu? Ah, vamos, conta logo! Sou doida por uma fofoca. Vai ver foi aquela sirigaita da Gata que...

        -- Branca, Branca! – censurou Chapeuzinho, balançando a cabeça. – Você sabe que Cinderela Encantado detesta ser chamada de Gata Borralheira...

        -- Ah, deixa pra lá. Continue!

        Olhando em volta, para ver se ninguém a ouvia, Chapeuzinho perguntou:

        -- O Príncipe está no castelo?

        -- O Príncipe? Que Príncipe?

        -- O Príncipe Encantado. Seu marido.

        -- Ah, não está não. Foi à caça.

        -- Pois então vamos ao assunto. Eu falei com Rapunzel Encantado e ela me disse que o Príncipe...

        -- Príncipe? Que Príncipe?

        -- O Príncipe Encantado. Marido da Rapunzel.

        -- Ah...

        -- Pois é. O marido da Rapunzel encontrou-se com o Príncipe...

        -- O Príncipe? Que Príncipe?

        -- O Príncipe Encantado. Marido da Cinderela.

        -- Ah...

        A família Encantado tinha fornecido muitos príncipes para casar com as heroínas dos contos de fada. Por isso, quase todas as princesas tinham o mesmo sobrenome e eram cunhadas entre si. É claro que isso trazia uma certa confusão.

        -- Resumindo: o Príncipe da Rapunzel encontrou-se com o Príncipe da Cinderela, que tinha passado pelo castelo da Feiurinha...

        -- A Feiurinha! – exclamou Dona Branca. – Há quanto tempo não vejo minha querida Feiurinha Encantado...

        -- Pois é exatamente essa a fofoca: há muito tempo ninguém vê a Feiurinha!

        -- Ela desapareceu?

        -- Isso mesmo. O Príncipe deve estar desconsolado...

        -- Que Príncipe?

        -- O Príncipe Encantado. Marido da Feiurinha.

        -- Ah...

        -- Dona Branca interpretou à sua maneira o desaparecimento da Feiurinha.

        -- Será... será que ela abandonou o marido?

        -- E fugiu com outro? Acho difícil. A essa altura não existe mais nenhum Príncipe Encantado solteiro. Eu que o diga! Estou cansada de ser solteirona e aguentar aquela Vovó caduca. Tenho procurado feito louca, mas só encontro príncipe casado...

        Dona Branca raciocinou:

        -- Então, se Feiurinha desapareceu, isso significa que ela pode estar correndo perigo. E, se isso for verdade, será a primeira vez que uma de nós corre perigo desde que casamos para sermos felizes para sempre!

        -- Menos eu... – suspirou Dona Chapeuzinho. 

        [...]

       Pedro Bandeira. O fantástico mistério de Feiurinha. São Paulo, FTD, 1993.

Fonte: Língua Portuguesa. Entre palavras – Edição renovada. Mauro Ferreira. 5ª série. Ed. FTD – São Paulo – 1ª edição – 2002. P. 86-90.

Entendendo o conto:

01 – Pelo título do texto é possível prever que a história terá um conteúdo humorístico? Justifique.

      Sim. O “número” “zero e meio”, por não existir, dá uma informação absurda e antecipa, assim, a ocorrência de situações humorísticas.

02 – Logo no primeiro parágrafo, o que o narrador insinua, isto é, dá a entender de maneira indireta, a respeito da senhora de cabelos negros? Transcreva desse parágrafo trechos que confirmem sua resposta.

      O narrador insinua que ela está ficando velha. Trechos: “muitos anos atrás mais vinte e cinco anos”; “onde já começavam a aparecer alguns fios brancos como a neve” e a própria palavra “senhora”.

03 – Releia: “...Dona Branca tricotava um casaquinho de lã para o principezinho que ia nascer, sozinha no grande salão do castelo, forrado de mármore cor-de-rosa e veludo vermelho. Os filhos maiores estavam na escola e os menores com as amas.

        O Príncipe Encantado, como sempre, estava caçando.”. Ao usar a expressão “como sempre”, o narrador faz uma insinuação meio maldosa a respeito do príncipe. Explique-a.

      O narrador insinua que o príncipe não faz nada. Ele apenas se diverte, caçando.

04 – Releia este trecho do diálogo.

        “-- Minha amiga Branca! Por que você tem esses olhos tão grandes?

        -- Ora, deixe de besteira, Chapéu!”.

a)   Na história original, a quem Chapeuzinho faz a pergunta?

Essa pergunta ela faz ao Lobo Mau.

b)   Por que Branca diz para Chapéu deixar de besteira?

No diálogo com Branca, Chapéu faz uma pergunta que, na história original, ela faz ao Lobo. Como elas estão em outra história, a pergunta não faz sentido, é uma “besteira”.

05 – Releia esta passagem do texto.

        “-- Aceita, um brioche? – ofereceu a comilona, de boca cheia.

        -- Não, obrigada.

        -- Quer uma maçã?

        -- Não! Eu detesto maçã!”

a)   Quem pergunta “— Quer uma maçã?”?

Chapeuzinho pergunta a Branca.

b)   Quem responde “— Não! Eu detesto maçã!”?

Branca de Neve.

c)   O que aconteceu na história original dessa personagem que a levou a detestar maçã?

Na história original, Branca de Neve come a maçã envenenada e dorme profundamente.

06 – Chapeuzinho afirma que “Cinderela Encantado detesta ser chamada de Gata Borralheira...”. Lembre-se da história original de Cinderela e explique por que ela detesta esse apelido.

      Porque, na história original, esse apelido maldoso foi dado a ela antes de se casar com o príncipe, quando ainda era pobre e vivia sempre suja.

07 – Releia os dois últimos parágrafos e responda.

a)   O que Dona Chapéu quis dizer com “— Menos eu...”?

Ela quis dizer que ela era a única que não tinha se casado com um príncipe para ser feliz para sempre.

b)   Que sentimento Dona Chapéu revela ao suspirar?

Ela revela desânimo, decepção, frustação, etc.

08 – O narrador diz que Branca de Neve e Chapeuzinho são fofoqueiras. Releia este parágrafo.

        “Dona chapeuzinho sentou-se confortavelmente, colocou a cestinha ao lado dela, não largava aquela bendita cestinha, tirou um sanduíche de mortadela e pôs-se a comer (aliás, Dona Chapeuzinho tinha engodado muito desde aquela aventura com o Lobo Mau).” O que esse trecho permite concluir a respeito do próprio narrador? Justifique.

      Que ele também é fofoqueiro. Ele interrompe o que está contando para fazer comentários negativos sobre Dona Chapéu.