terça-feira, 24 de outubro de 2017

MÚSICA: BEIJAR NA BOCA - CLAUDIA LEITE - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

Música: Beijar Na Boca
                       Claudia Leite
                                     Composição: Blanch Van Gogh / Roger Tom

Eu estava numa vida de horror
Com a cabeça baixa sem ninguém me dar valor
Eu tava atrás (tchururu) da minha paz (tchururu)

Agora que mudou a situação
Choveu na minha horta vai sobrar na plantação
Deixei pra trás (tchururu), pois tanto faz (tchururu)

(Refrão)
Eu quero mais é beijar na boca
Eu quero mais é beijar na boca (eu quero mais).
Eu quero mais é beijar na boca
E ser feliz daqui pra frente... pra sempre (2x)

Já me livrei daquela vida tão vulgar
Me vacinei de tudo que podia me pegar
Corri atrás (tchururu) Quem tenta faz (tchururu)

Eu ando muito a fim de experimentar
Meter o pé na jaca sem ter que me preocupar
Eu quero mais, mais, mais, mais...

(Refrão)
Eu quero mais é beijar na boca
Eu quero mais é beijar na boca (eu quero mais).
Eu quero mais é beijar na boca
E ser feliz daqui pra frente... pra sempre (2x)

Eu estava numa vida de horror
Com a cabeça doida sem ninguém me dar valor
Andava atrás (tchururu) da minha paz (tchururu)

Agora que mudou a situação
Choveu na minha horta vai sobrar na plantação
Deixei pra trás (tchururu), pois tanto faz (tchururu)

(Refrão)
Eu quero mais é beijar na boca
Eu quero mais é beijar na boca (eu quero mais).
Eu quero mais é beijar na boca
E ser feliz daqui pra frente... pra sempre (2x)


ENTENDENDO A MÚSICA

1 - A letra da música conta uma história. Diante dessa afirmativa, podemos dizer que temos um narrador de 1° ou 3° pessoa? Identifique no texto um trecho que comprove sua resposta.
      Narrador em 1ª pessoa do singular “EU”.
      “Eu estava numa vida de horror”.

2) Quantos personagens há na história narrada?
      Há apenas a narradora.

3) A partir da segunda estrofe há uma mudança no estado inicial da personagem? Que mudança ocorre?
      Sim. “Choveu na minha horta vai sobrar na plantação.”
      Não está mais sozinha.

4) Qual é o tempo verbal predominante na segunda estrofe? Explique a utilização desse tempo verbal?
      O tempo verbal é Pretérito Perfeito do Indicativo.
      É usado para indicar uma ação que ocorreu num determinado momento do passado.

5) O que significa: “Meter o pé na jaca”? 
      É uma expressão popular que significa cometer excessos, exceder os limites, exagerar na dose.

6) Explique as expressões: “Choveu na minha horta vai sobrar na plantação”.
      Significa que muitos homens foram atrás dela e que como são tantos que até vão sobrar!

7) Qual a linguagem utilizada nessa canção?
      A linguagem é a metáfora.

8) Por que a personagem estava numa vida de horror?
      Porque estava deprimida, sem ninguém e ou namorado.

9) O que a personagem deseja?
      Ela quer é beijar na boca.

10) Como era a situação da personagem no início da narrativa?
      A música retrata uma pessoa que estava triste, deprimida, mas resolveu mudar de vida e partiu beijando muito.



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

POEMA: O OVO DE GALINHA - JOÃO CABRAL DE MELO NETO - COM GABARITO

POEMA: O OVO DE GALINHA
                 João Cabral de Melo Neto
                    I
Ao olho mostra a integridade
De uma coisa num bloco, um ovo.
Numa sé matéria, unitária,
Maciçamente ovo, num todo.

Sem possuir um dentro e um fora,
Tal como as pedras, sem miolo:
E só miolo: o dentro e o fora
Integralmente no contorno.



No entanto, se ao olho se mostra
Unânime em si mesmo, um ovo,
A mão que o sopesa descobre
Que nele há algo suspeitoso:


Que seu peso não é o das pedras,
Inanimado, frio, goro;
Que o seu é um peso morno, túmido,
Um peso que é vivo e não morto.


                         II
O ovo revela o acabamento
A toda mão que o acaricia,
Daquelas coisas torneadas
Num trabalho de toda a vida.

E que se encontra também noutras
Que entretanto mão não fabrica:
Nos corais, nos seixos rolados
E em tantas coisas esculpidas.

Cujas formas simples são obra
De mil inacabáveis lixas
Usadas por mãos escultoras
Escondidas na água, na brisa.

No entretanto, o ovo, e apesar
Da pura forma concluída,
Não se situa no final:
Está no ponto de partida.
[...]
               João Cabral de Melo Neto. Obra completa. Rio de Janeiro.
            Aguilar, 1994. p. 302-3. By Herdeiros de João de Melo Neto.

Goro: choco, podre.
Seixo: cascalho.
Sopesar: calcular com a mão o peso de alguma coisa.
Túmido: dilatado, intumescido.

Interpretação do texto:

1 – O poeta escolheu como motivo de seu poema um elemento do mundo físico: o ovo de galinha. Que aspectos desse elemento mais impressionam o eu poético?
      O acabamento perfeito e o peso.

2 – Sopesar o ovo leva a sentir nele um “peso vivo”. Como você entendeu essa característica do objeto descrito?
      No poema, o peso é classificado como “morno”, “túmido”. Comente com os alunos que o eu poético exemplifica cada característica que percebe no objeto descrito.

3 – A palavra acabamento remete à ideia de objeto concluído. Que metáforas do poema designam:
a – O agente desse acabamento;
      “... mãos escultoras/escondidas na água, na brisa”.

b – A ferramenta utilizada por esse agente;
      “... mil inacabáveis lixas”.

c – A contradição que o eu poético identifica nesse acabamento.
      “No entretanto, o ovo, e apesar/da pura forma concluída,/não se situa no final:/está no ponto de partida”.
Professor(a): as ideias de partida e acabamento são antitéticas.

4 – Como você entendeu a contradição exposta pelo eu poético na estrutura do ovo?
      Ovos encerram matrizes de novas vidas; são, por isso, ponto de partida, não de chegada, embora sua forma pareça já concluída, esculpida.

5 – Pense nos cinco sentidos humanos. Na descrição do ovo, quais desses sentidos são privilegiados?
      O tato e a visão.

6 – Esse poema é constituído de cinco partes, das quais transcrevemos duas. A estrutura de cada uma delas é idêntica: São dezesseis versos distribuídos em quatro estrofes. Logo, cada estrofe tem quatro versos. Esse tipo de preocupação formal é bem diferente da que predominou entre os modernistas da primeira fase. Explique essa afirmativa em seu caderno.
      A liberdade formal foi a reivindicação fundamental dos modernistas da primeira fase.


POEMA ENJOADINHO - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

POEMA ENJOADINHO
Vinícius de Moraes

Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabe-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como o queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho,
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos.
Melhor não tê-los
Noite de insônia
Cãs prematuros
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabe-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
                                   Vinícius de Moraes. Poesia completa & prosa.
                                              Rio de Janeiro: Aguilar, 1987. p. 261-2.
Que de consulta: quanta consulta.

1 – A reflexão do poeta é conduzida por um dilema. Qual? Explique-o.
      Ter ou não ter filhos. Não ter é não enfrentar aborrecimentos, mas também é renunciar a saber como é ser pai.

2 – O eu lírico alterna sua opinião entre as oposições que constituem o dilema. A que conclusão ele chega, finalmente? Como a Justifica?
      Que é melhor ter os filhos, porque não há como saber o que é não ser pai sem ser. Sem ter filhos, como conhece-los para saber que seria melhor não os ter tido?

3 – A conjunção porém no 47° verso introduz a conclusão do poeta. Essa conclusão é predominantemente lógica ou emocional? Justifique.
      A repetição da interjeição que expressa o tom subjetivo, emocional da conclusão.

4 – Interprete os efeitos de sentido que se obtêm pela pontuação, nestes versos:
      Filhos... Filhos? (Verso 1):
      Expressasse a dúvida, marcada pela hesitação (reticências e ponto de interrogação).

      Filhos? filhos. (Verso 26):
      Retoma-se a dúvida (ponto de interrogação) e imediatamente vem a resposta afirmativa. (Ponto final).

5 – Analise as duas grandes enumerações do poema: Uma expõe motivos para não ter filhos; a outra, motivos para os ter. A que universo de preocupações parecem pertencer esse motivos?
      Os motivos expostos referem-se ao dia-a-dia, aos problemas e às alegrias do quotidiano.

6 – Observe a métrica dos quatro primeiros versos do poema:
- Fi-lhos... Fi-lhos? (3 sílabas poéticas)
- Me-lhor-não-tê-los! (4 sílabas poéticas)
- Mas-se-não-os-te-mos (4 sílabas poéticas)
- Co-mo-sa-bê-lo? (4 sílabas poéticas)

Esses versos curtos, com alguma variação, repetem-se no poema todo. Que efeito sonoro resulta do fato de os versos serem curtos?
      Resposta pessoal do aluno. O ritmo do poema, graças aos versos curtos, reforça o caráter descontraído com que o tema é tratado. Essa estrutura reforça o significado do adjetivo do título (enjoadinho).

7 – Se você não for pai/mãe: o ponto de vista expresso no poema o impressionou? Se você tivesse que enfrentar o dilema de tornar-se ou não pai/mãe algum dia levaria em conta os argumentos expostos pelo eu lírico? Ou essa questão nunca foi um dilema e já está resolvida em sua cabeça?
      Resposta pessoal do aluno.



POEMA: JOSÉ - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

JOSÉ
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
A luz apagou,
O povo sumiu,
A noite esfriou,
E agora, José?
E agora, você?
Você que é sem nome,
Que zomba dos outros,
Você que faz versos,
Que ama, protesta?
E agora José?

Está sem mulher,
Está sem discurso,
Está sem carinho,
Já não pode beber,
Já não pode fumar,
Cuspir já não pode,
A noite esfriou,
O dia não veio,
O bonde não veio,
O riso não veio,
Não veio a utopia
E tudo acabou
E tudo fugiu
E tudo mofou,
E agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
Seu instante de febre,
Sua gula e jejum,
Sua biblioteca,
Sua lavra de ouro,
Seu terno de vidro,
Sua incoerência,
Seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
Quer abrir a porta,
Não existe porta;
Quer morrer no mar,
Mas o mar secou;
Quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
Se você gemesse,
Se você tocasse
A valsa vienense,
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro, José!

Sozinho no escuro
Qual bicho do mato,
Sem teogonia,
Sem parede nua     
Para se encostar,
Sem cavalo preto
Que fuja a galope,
Você marcha, José!
José, para onde?
                             Carlos Drummond de Andrade. Idem, ibid. p. 130.
                                                                                              ByGraña.
                                         Drummond/www.carlosdrummond.com.br.

Lavra: terreno de mineração de onde se extrai ouro ou diamante.
Teogonia: conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso de um povo politeísta.
Utopia: projeto irrealizável; quimera; fantasia.

Interpretação do texto:
1 – Em sua opinião, por que o enunciador escolheu o nome José para o seu interlocutor no poema?
      Resposta pessoal do aluno. Por se tratar do nome próprio mais comum no Brasil. Por isso, pode simbolizar o homem comum.

2 – Segundo o eu lírico, José teria possibilidades de mudar sua situação.
          a)Em que estrofe estão nitidamente sugeridas essas possibilidades? Explique.
Na quinta estrofe o eu lírico faz uma relação de hipóteses que permitiriam a José recuperar-se de um destino que nada reservou a ele.

b)Qual a hipótese mais extremada, entre as sugeridas?
    “Se você morresse...”

3 – Pode-se entender que José é uma criatura abandonada. Nessa perspectiva, que significado adquire, em sua opinião, o verso “a noite esfriou”, repetido no poema?
      Resposta pessoal do aluno. A repetição desse verso sugere que, para José, o abandono pode representar até sofrimento físico.

4 – O interlocutor se chama José. No entanto, no oitavo verso da primeira estrofe o eu lírico afirma: “você que é sem nome”. Existe uma contradição nesse verso? Justifique sua resposta.
      Não existe contradição. O nome é um dos traços mais marcantes da identidade social de uma pessoa; o nome José, pelo que já se viu na primeira questão, não chega a individualizar o homem. Ele se dissolve numa multidão de outros seres na mesma situação.

5 – O texto lido foi escrito na época da Segunda Grande Guerra (1939 – 1945). Partindo dessa informação, como você interpreta o tom geral do poema?
      O poema revela o desencanto e a falta de perspectiva do homem comum.



domingo, 22 de outubro de 2017

TEXTO LITERÁRIO: COMO UM TRAPEZISTA DE CIRCO(CAPITÃES DE AREIA) - JORGE AMADO - COM GABARITO

COMO UM TRAPEZISTA DE CIRCO

    Fora demasiada audácia atacar aquela casa da rua Rui Barbosa. Perto dali, na praça do Palácio, andavam muitos guardas, investigadores, soldados. Mas eles tinham sede de aventura, estavam cada vez maiores, cada vez mais atrevidos. Porém havia muita gente na casa, deram o alarme, os guardas chegaram. Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Brandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançaram. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora a polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. Os guardas vêm nos seus calcanhares. Sem-Pernas sabe que eles gostarão de o pegar, que a captura de um dos Capitães da Areia é uma bela façanha para um guarda. Essa será a sua vingança. Não deixará que o peguem, não tocarão a mão no seu corpo. Sem-Pernas os odeia como odeia a todo mundo, porque nunca pôde ter um carinho. E no dia que o teve foi obrigado a abandonar porque a vida já o tinha marcado demais. Nunca tivera uma alegria de criança.
        Se fizera homem antes dos dez anos para lutar pelo mais miserável das vidas: a vida de criança abandonada. Nunca conseguira amar ninguém, a não ser a este cachorro que o segue. Quando os corações das demais crianças ainda estão puros de sentimentos, o do Sem-Pernas já estava cheio de ódio. Odiava a cidade, a vida, os homens. Amava unicamente o seu ódio, sentimento que o fazia forte e corajoso apesar do defeito físico. Uma vez uma mulher foi boa para ele. Mas em verdade não o fora para ele e sim para o filho que perdera e que pensava que tinha voltado. De outra feita outra mulher se deitara com ele numa cama, acariciara seu sexo, se aproveitara dele para colher migalhas do amor que nunca tivera. Nunca, porém, o tinham amado pelo que ele era, menino abandonado, aleijado e triste. Muita gente tinha odiado. E ele odiara a todos. Apanhara na polícia, um homem ria quando o surravam. Para ele é este homem que corre em sua perseguição na figura dos guardas. Se o levarem, o homem rirá de novo. Não o levarão. Vem em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo.
        A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.
                                      Jorge Amado. Capitães de areia. São Paulo:
                                                Companhia das letras, 2009. p. 242-3.

Abalar: fugir.
Picula: pega-pega (brincadeira infantil).

Interpretação do texto:

1 – Nessa narrativa, as personagens são nomeadas só por seus apelidos. Dê sua opinião: que motivo pode ter levado o escritor a nomear as personagens com apelidos?
      Resposta pessoal do aluno.

2 – Segundo o narrador, qual a origem do ódio que Sem-Pernas nutre contra tudo e todos?
      A origem está no fato de ele ter sido uma criança abandonada.

3 – De que maneira Sem-Pernas “se vinga” do mundo?
      Cometendo suicídio diante da polícia e dos transeuntes.

4 – A partir da linha 7, o texto se concentra em uma personagem. O que tem isso a ver com o título do capítulo?
      O capítulo concentra-se no suicídio de Sem-Pernas, que se lança do alto da cidade como um trapezista.

5 – Existe uma ironia entre o título do capítulo e a personagem Sem-Pernas. Explique.
      A ironia está no fato de um adolescente aleijado comportar-se como trapezista.

6 – Releia esta passagem do texto, quando Sem-Pernas pensa nos policiais que o perseguem: “Eram homens, de pernas maiores que as suas [...]”. Se retirarmos a vírgula da frase (Eram homens de pernas maiores que as suas...), ocorre alguma alteração de sentido? Explique.
      Sim. A vírgula garante a oposição criança-homens. Sem a vírgula, o garoto estaria se incluindo na condição de homem (adulto).

7 – Na cidade onde você mora há crianças de rua? Existe algum programa social de amparo a essas crianças? Discuta o assunto com os colegas.
      Resposta pessoal do aluno.




TEXTO LITERÁRIO: MENINO DE ENGENHO -JOSÉ LINS DO REGO - COM GABARITO

TEXTO LITERÁRIO: MENINO DE ENGENHO
                                        José Lins de Rego

   Eu tinha uns quatro anos no dia em que minha mãe morreu. Dormia no meu quarto, quando pela manhã acordei com um enorme barulho na casa toda. Eram gritos e gente correndo para todos os cantos. O quarto de dormir de meu pai estava cheio de pessoas que eu não conhecia. Corri para lá e vi minha mãe estendida no chão e meu pai caído em cima dela como um louco. A gente toda que estava ali olhava para o quadro como se estivesse a assistir a um espetáculo. Vi então que minha mãe estava toda banhada em sangue, e corri para beijá-la, quando me pegaram pelo braço com força. Chorei, fiz o possível para livrar-me. Mas não me deixaram fazer nada. Um homem que chegou com uns soldados mandou estão que todos saíssem, que só podia ficar ali a Polícia e mais ninguém. Levaram-me para o fundo da casa, onde os comentários sobre o facto eram os mais variados. O criado, pálido, contava que ainda dormia quando ouvira uns tiros no primeiro andar. E, correndo para cima, vira o meu pai ainda com o revolver na mão e a minha mãe ensanguentada. “O doutor matou a Dona Clarisse! Por quê?” Ninguém sabia compreender. O que eu sentia era uma vontade desesperada de ir para junto de meus pais, de abraçar e beijar minha mãe. Mas a porta do quarto estava fechada, e o homem sisudo que entrara não permitia que ninguém se aproximasse dali. O criado e a ama, diziam, estavam lá dentro em interrogatório. O que se passou depois não me ficou bem na memória.
        À tarde o criado leu para a gente da cozinha os jornais com os retratos grandes de minha mãe e meu pai. Ouvi como se aquilo fosse uma história de Trancoso. Pareciam-me tão longe, já, os factos da manhã, que aquela narrativa me interessava como se não fossem os meus pais os protagonistas. Mas logo que vi na página de um dos jornais a minha mãe, estendida, com os cabelos soltos e a boca aberta, caí num choro convulsivo. Levaram-me estão para a praça que ficava perto de minha casa. Lá estavam outros meninos do meu tamanho e eu brinquei com eles a tarde toda. As crianças é que conversavam muito sobre o meu pai e a minha mãe, contando umas às outras coisas a que eu não prestava atenção, pois no que eu cuidava era nos meus brinquedos com os amigos. Na hora de dormir foi que senti de verdade a ausência da mãe. A casa vazia e o quarto dela fechado. Um soldado tomando conta de tudo. As criadas da vizinhança queriam vir conversar por ali. O soldado não consentia. Deitaram-me a dormir, sozinho. E o sono demorou a chegar. Fechava os olhos, mas faltava-me qualquer coisa. Pela minha cabeça passavam, às pressas e truncados, os sucessos do dia. Então começava a chorar baixinho para o travesseiro, um choro abafado, de quem tivesse medo de chorar.
                                            José Lins do Rego. Menino de Engenho.
                                                   Rio de Janeiro: José Olimpyo, 2006.

Interpretação do texto:

1 – Imagine que, em uma aula expositiva. O(a) professor(a) de Biologia explica aos alunos o funcionamento de uma estrutura orgânica do corpo humano. Supondo essa situação, responda:
a)   Existe interação face a face entre alunos e professor(a)?
Sim.

b)   O(A) professor(a) e os alunos podem recorrer a expressões mimogestuais?
Sim.

c)   A entoação expressiva é um elemento desejável ou indesejável nessa situação? Por quê?
Desejável, pois permite sinalizar a (in)compreensão do que se comunica.

2 – Lembre-se da situação em que assistimos a um telejornal. Nesse caso:
a)   Existe algum tipo de interação face a face entre o apresentador e os espectadores? Em caso afirmativo, como é essa interação?
Sim. Os espectadores veem o apresentador. A interação face a face ocorre para um dos interlocutores.

b)   Pode-se afirmar que o telejornal apresenta uma situação dialogal? Por quê?
Não. Porque os interlocutores não podem interferir na comunicação (levantar uma questão ou assaltar o turno, por exemplo).

c)   É possível a algum dos participantes dessa interação o recurso ao mimogestrual? Por quê?
Sim. Ao apresentador. Mas, devido ao nível de formalidade, a expressão mimogestual se restringe ao mínimo.

d)   Existe o assalto do turno?
Não.

3 – Imagine esta situação: você está ouvindo uma rádio e chega o momento em que uma propaganda vai ser feita pelo locutor da rádio e transmitida por essa emissora. Nesse caso:
a)   Quem são os interlocutores?
O locutor da propaganda e os ouvintes.

b)   Existe entoação expressiva? Em caso afirmativo, que função ela desempenha?
Sim. Por meio dela o locutor pode exprimir uma gama de sentimentos e emoções. Essa entoação supre a falta de expressão corporal e dos gestos.

c)   Quais características do oral estão ausentes nesse tipo de interação?
A interação dialogal é a principal delas.

d)   Existe expressão corporal? Em caso afirmativo, que função ela desempenha?
Não existe.  
   
e)   Os interlocutores podem interferir na comunicação?
Não.

4 -  Imagine uma conversa telefônica entre duas pessoas. Nesse caso:
a)   Como se inicia a interação oral?
Um dos interlocutores se expressa vocalmente (ele diz, por exemplo, “alo”).

b)   Há marcadores de oralidade nessa interação?
Sim. De diversos tipos: hesitação, assalto do turno, sobreposição, pausas, entoação expressiva. Só não há gestos e expressão corporal.

c)   Existe o assalto do turno?
Sim.

5 – Tendo em mente suas respostas anteriores, como você definiria um diálogo?
      Resposta pessoal do aluno.