domingo, 12 de abril de 2026

NOTÍCIA: MORFOSSINTAXE - FLÁVIA DE BARROS CARONE - COM GABARITO

 Notícia: Morfossintaxe

            Flávia de Barros Carone

        Quando o falante de uma língua depara um conjunto de duas palavras, intuitivamente é levado a sentir entre elas uma relação sintática, mesmo que estejam fora de um contexto mais esclarecedor.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEighEqMl5LNKWfFfVsqiQ2LcaL7lLFlbvuQT2e9XT_siHRyfqTuJtti7LwFHaGVEiH7jlfiCoWoppCPDQ93JWng66To8GAsITsy6NQW25tyslT4DwgxAzSwucmd3q8OnGQcBoVFtxH3bQZoEAMiUS4qdDl4prYkQmegpJ6WSGza4vn1cq8WsRUZf1z2oh8/s1600/MORFO.png


        Assim, além de captar o sentido básico das duas palavras, o receptor atribui-lhes uma gramática – formas e conexões. Isso acontece porque ele traz registrada em sua mente toda a sintaxe, todos os padrões conexionais possíveis em sua língua, o que o torna capaz de reconhece-los e identifica-los. As duas palavras não estão, para ele, apenas dispostas em ordem linear: estão organizadas em uma ordem estrutural.

        A diferença entre ordem estrutural e ordem linear torna-se clara se elas não coincidem, como nesta frase que um aluno criou em aula de redação, quando todos deviam compor um texto para outdoor, sobre uma fotografia da célebre cabra de Picasso: “Beba leite de cabra em pó!”. Como todos rissem, o autor da frase emendou: “Beba leite em pó de cabra!”.

        Pior a emenda do que o soneto.

Flávia de Barros Carone. Morfossintaxe, 1986. Adaptado.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 200.

Entendendo a notícia:

01 – O que acontece intuitivamente quando um falante se depara com um conjunto de duas palavras, segundo o texto?

      O falante é levado a sentir uma relação sintática entre elas, mesmo que não haja um contexto maior. Além de entender o significado das palavras, ele atribui a elas uma "gramática", ou seja, formas e conexões baseadas nos padrões que já conhece.

02 – O que permite que o receptor identifique padrões conexionais em sua língua?

      Isso ocorre porque o falante já traz registrada em sua mente toda a sintaxe e os padrões possíveis de sua língua. Isso o torna capaz de reconhecer e organizar as palavras em uma ordem estrutural, e não apenas como uma lista linear.

03 – Qual é a diferença fundamental entre "ordem linear" e "ordem estrutural" mencionada pela autora?

      Ordem linear é a simples disposição das palavras uma após a outra na frase. Já a ordem estrutural é a organização lógica e hierárquica entre essas palavras, que define como elas se relacionam e qual sentido o conjunto produz.

04 – Por que a frase “Beba leite de cabra em pó!” causou riso nos alunos?

      Por causa de uma falha na ordem estrutural que gerou ambiguidade. A posição da expressão "em pó" logo após "cabra" sugere, na estrutura da frase, que a própria cabra é que está em pó, e não o leite.

05 – Por que a autora afirma que, na tentativa de correção (“Beba leite em pó de cabra!”), a emenda foi pior que o soneto?

      Porque a nova frase continua soando estranha ou gerando confusão sintática. Embora tente aproximar "em pó" de "leite", a estrutura "leite em pó de cabra" ainda cria uma conexão incomum, mostrando que a simples troca linear de palavras nem sempre resolve o problema de clareza da estrutura profunda da frase.

 

NOTÍCIA: KKKKK, JAJAJA, 5555: AS CURIOSAS FORMAS DE DIGITAR RISADAS EM VÁRIAS LÍNGUAS - FRAGMENTO - BBC-BRASIL - COM GABARITO

 Notícia: Kkkkk, jajaja, 5555: as curiosas formas de digitar risadas em várias línguas – Fragmento

        Quase ninguém sabe, mas o riso em espanhol é separado por vírgulas: ja,ja,ja,ja.

        Ao contrário do que normalmente é visto em bate-papos ou nas redes sociais hispânicas – jajajaja –, o uso de vírgula é uma recomendação feita pela Real Academia Espanhola (RAE) para onomatopeias como o riso.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjDvsO7KaALM5RZ8pNclbERxalBH621JBNFYlvDTwV7xVkwJjpsxgdsm6GKs5bkme0sxbZAWR9PoKTa9LMcOrnl7dKk_Oq7tqTykFJB1No-3zdmEje4Mk4Iyvr-AO4SutBjRIPbWCZdjrmxkOwr9kyM13T_6KTLOXhUwA02ZmHZf2MoW5gK38G494NlKpo/s1600/JAJAJA.jpg
 

        Já no português, a expressão se traduz como uma sequência de letras "k", que acabam produzindo uma onomatopeia de risada: kkkkkk. Uma maneira alternativa de rir no idioma é "rsrsrs", [...]. Mas além do português e dos nossos vizinhos do espanhol, outras línguas têm formas peculiares de rir na internet.

        Em francês, o riso é escrito como "hahaha", mas também é comum encontrar um "mdr" como abreviação de mort de rire, ou seja, morrer de rir, de certa forma, parecido com o "lol", abreviação de laughing out loud (rindo bem alto), comum nos países de língua inglesa. Em italiano, a diferença está na ordem das letras, que começam com um "a" precedendo o "h", para formar um "ahahah".

        Se em alguma ocasião você encontrar uma mensagem informal em tailandês – um idioma da família Tai-Kadai predominante no sudeste da Ásia – com vários números 5, não estranhe. Não é um recado cifrado. Uma sequência deste número – 555555 – é como o riso é expresso por escrito, já que a pronúncia do numeral é quase idêntica ao "ja" em espanhol. E quanto mais cincos houver, mais graça o interlocutor deseja transmitir. Outra maneira curiosa de expressar o riso é encontrada no japonês. A palavra warai é usada na grafia do idioma e, dela, tira-se apenas a letra "w", que é repetida para indicar risos: wwwwww.

Kkkkk, jajaja, 5555: as curiosas formas de digitar risadas em várias línguas.BBC-Brasil, 5 set. 2019. Disponível em:  https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49574751. Acesso em: 15 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 217.

Entendendo a notícia:

01 – De acordo com a Real Academia Espanhola (RAE), qual é a forma gramaticalmente correta de escrever o riso em espanhol?

      A recomendação oficial da RAE é que o riso seja escrito como uma onomatopeia separada por vírgulas, ou seja: "ja, ja, ja, ja". Isso difere do uso comum em redes sociais, onde as pessoas costumam digitar de forma contínua ("jajajaja").

02 – Por que o número "5" é utilizado para representar risadas na Tailândia?

      O uso do "55555" ocorre porque a pronúncia do número cinco em tailandês é quase idêntica ao som de "ja". Assim, repetir o número cria uma sonoridade semelhante a uma gargalhada, e quanto mais números são usados, maior é a intensidade do riso.

03 – Qual é a origem da forma de rir "wwwwww" utilizada no Japão?

      Essa forma deriva da palavra japonesa warai (que significa riso ou sorriso). Os internautas passaram a utilizar apenas a letra inicial "w" de forma repetida para indicar que estão rindo.

04 – No francês, além do tradicional "hahaha", quais outras expressões são comuns e o que elas significam?

      É muito comum o uso da abreviação "mdr", que significa mort de rire (morrer de rir). O texto também menciona que essa expressão se assemelha ao "lol" (laughing out loud) utilizado nos países de língua inglesa.

05 – Qual é a particularidade do riso em italiano mencionada no texto em comparação com outras línguas que usam o "h"?

      A diferença principal está na ordem das letras. Enquanto muitas línguas começam com o "h" (hahaha), no italiano a letra "a" precede o "h", formando a sequência "ahahah".

 

 

REPORTAGEM: ARTE NA RUA PODE AJUDAR RECUPERAÇÃO DO SETOR NO PÓS-PANDEMIA, DIZ PRODUTOR CULTURAL - JORGE FREIRE - COM GABARITO

 Reportagem: Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural

        Jorge Freire aposta que solução da crise nessa área passa pela ocupação de espaços públicos

        RIO — O futuro das artes pode estar no caminho de volta às suas origens. Ruas, praças, parques e outros espaços ao ar livre ocupados com espetáculos de dança, música e teatro é o que o ator e produtor cultural Jorge Freire espera ver quando a pandemia da Covid-19 passar e o artista puder ir aonde o povo está. Esse cenário democratizaria o acesso às manifestações artísticas no momento em que tudo leva a crer que os ingressos para eventos estarão com os preços elevados, efeito inevitável da redução das plateias em locais fechados. Mas para que o desejo deste morador da Tijuca se torne realidade, é preciso que haja políticas públicas nesse sentido.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlasgkI-_fyPcUvPz-NH5tjT-lV1a-H1rak_5ETV94AeKrI-hQnCefa8al8mDF4C9-M1CQr8nzxBq03nMGElqntXPPQ4sAenqcYwUZs20p0IjKTtZUsCnYIB6mzYanQqjkCMGaP_SzhYLq5K-tWTdNiLQnku1p8qwPs5NbPg0MaeGKleSoy5z0Vjrp6fM/s320/RUA.jpg 


        — A ocupação do espaço público é uma vocação natural do carioca, sobretudo nos subúrbios. Acredito que a reconstrução do setor pós-pandemia pode estar no incentivo à efervescência cultural que acontece, por exemplo, em Madureira, e que pode se fazer presente em outros bairros da Zona Norte. A Praça Varnhagem, na Tijuca, tem uma grande ebulição gastronômica, mas pode ganhar investimentos públicos em economia criativa. Por que não? O acesso à cultura é um direito constitucional que sob hipótese alguma está abaixo de outros direitos, como saúde e educação. A capacidade criativa brasileira é nosso maior patrimônio cultural, e é dever dos governantes potencializá-la.

        Mais do que um direito constitucional, a cultura é uma necessidade básica para a existência humana e um motor de peso para a economia nas esferas municipal, estadual e federal, assegura Freire:

        — A arte é essencial não só para nos salvar do tédio imposto por essa crise causada pelo novo coronavírus, mas também para nos levar à reflexão, nos unir como povo, pavimentar uma identidade nacional que faz o retrato do que somos. Não podemos perder a dimensão que a cultura tem, em especial no Rio, onde o turismo, o carnaval, a música, são importantes vetores econômicos no campo do entretenimento. Não dá para abrir mão da cultura, achar que esse setor é algo menor. Não é! O que seriam dos Estados Unidos se não fosse o cinema americano? Foi a sétima arte que levou para o mundo inteiro a vontade de consumir o que eles consomem.

        Como cidadão, ator e produtor cultural, Freire luta para que a cultura seja colocada no patamar que lhe é de direito.

        — A certeza que fica em meio a essa crise é que, mais do que nunca, as políticas culturais precisam entrar em curso. Financiamento público para a arte é uma questão urgente para que se possa recomeçar. Esse setor paga imposto, movimenta a economia, enfim, merece respeito por parte de qualquer governo. Só para se ter uma ideia em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), a cultura arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira. A cultura é bem público feito por particular, então a expectativa é que o estado assuma a sua função de fazer valer a Constituição — diz.

        Apesar de ser um crítico das políticas públicas em relação ao setor, Freire vê com bons olhos o auxílio emergencial que vai beneficiar profissionais da cultura e pequenos espaços de espetáculos:

        — Essa é uma ajuda necessária e mais do que bem-vinda, porque muita gente dessa área está enfrentando uma grave crise financeira, muitos com risco até de passar fome. Mas não posso deixar de registrar que o dinheiro é pouco diante de todas as perdas que tivemos.

JESUS, Regiane. Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural. O Globo, 15 jul. 2020. Disponível em: https://oglobo.com/rio/bairros/arte-na-rua-pode-ajudar-recuperacao-do-setor-no-pos-pandemia-diz-produtor-cultural-1-24523336. Acesso em: 22 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 230-231.

Entendendo a reportagem:

01 – Qual é a principal aposta de Jorge Freire para a recuperação do setor cultural após a pandemia?

      A principal aposta é a ocupação de espaços públicos ao ar livre, como ruas, praças e parques, com espetáculos de dança, música e teatro. Para ele, o futuro das artes pode estar justamente no retorno às suas origens, onde o artista vai "aonde o povo está".

02 – Por que a ocupação de espaços abertos é vista como uma forma de democratizar o acesso à cultura no pós-pandemia?

      Porque a tendência é que os ingressos para eventos em locais fechados fiquem mais caros, devido à redução obrigatória das plateias por questões de segurança. A arte na rua elimina essa barreira financeira, permitindo que mais pessoas tenham acesso às manifestações artísticas.

03 – Quais regiões do Rio de Janeiro são citadas como exemplos de vocação para a ocupação do espaço público?

      O produtor cita os subúrbios da Zona Norte, com destaque para a efervescência cultural de Madureira e a ebulição gastronômica da Praça Varnhagem, na Tijuca, sugerindo que estes locais deveriam receber investimentos públicos em economia criativa.

04 – Como Jorge Freire justifica a importância da cultura em relação aos direitos garantidos pela Constituição?

      Ele afirma que o acesso à cultura é um direito constitucional que não deve ser considerado inferior a outros direitos, como saúde e educação. Freire ressalta que é dever dos governantes potencializar a capacidade criativa brasileira, que ele define como nosso "maior patrimônio".

05 – Qual é o argumento econômico utilizado pelo produtor para defender o investimento no setor cultural?

      Freire destaca que a cultura é um importante vetor econômico que movimenta o entretenimento, o turismo e o carnaval. Ele revela um dado comparativo relevante: em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), o setor cultural arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira.

06 – Que exemplo internacional é citado no texto para ilustrar a influência da arte na economia e no consumo?

      O produtor cita o cinema americano (a sétima arte). Ele argumenta que foi através dos filmes que os Estados Unidos conseguiram exportar para o mundo inteiro o desejo de consumir seus produtos e sua cultura.

07 – Qual é a opinião de Jorge Freire sobre o auxílio emergencial destinado aos profissionais da cultura?

      Ele vê o auxílio como uma medida necessária e bem-vinda, já que muitos profissionais enfrentam uma crise financeira grave. No entanto, faz uma ressalva crítica: pontua que o valor destinado é pequeno diante de todas as perdas sofridas pelo setor durante a pandemia.

 

 

CARTA AO LEITOR: O FUTURO DA EDUCAÇÃO - FRAGMENTO - VEJA - COM GABARITO

 Carta ao Leitor: O futuro da educação – Fragmento

          É caminho sem volta: recursos tecnológicos precisam urgentemente ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens brasileiros

        “Eduquem as crianças, e não será necessário punir os adultos”, escreveu o filósofo e matemático grego Pitágoras (570 a.C.-495 a.C.), numa frase que atravessou milênios sem nunca ter perdido sua perturbadora relevância. A educação, não há dúvida, é o melhor termômetro para medir o avanço de qualquer sociedade, longa estrada a ligar o passado, o presente e o futuro das civilizações. A pandemia do novo coronavírus, que tem forçado a humanidade a se reinventar, mexeu com os alicerces de quase tudo, na economia, no trabalho, na diversão — mas poucas transformações foram mais ruidosas do que a transposição das salas de aula para a casa dos alunos. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYuKmI5LHGWZpyIr9iIu82dTUXAGDw63BVZdGwMA3i4T7EDSvT2uWqpYqj8j21qb7HS68uN_3dS5YlSibv48I7baBQG_ynwqSoJNJZbMdTl2RuVj48Y5sttTw8S7-8Vhk3Hrazb9TTXJoFXk4-_GASJ2839NVVQtVQMTFcTwkhi4CBLo_ACypLcEXmQ7o/s1600/LEITOR.jpg


O ensino on-line, compulsório e emergencial, pegou de surpresa as instituições educacionais, professores e pais — e expôs, inapelavelmente, as mazelas históricas do sistema brasileiro, da infância à idade adulta. [...] Uma pesquisa do Instituto Península com 7 700 professores do ensino fundamental ao médio mostra que 83% deles se sentem despreparados para preleções a distância. Vire-se a câmera de videoconferência para o outro lado, e o que se percebe, no cotidiano doméstico, são famílias tensas, estudantes desatentos, cansados, invariavelmente distraídos com outros atrativos – sobretudo os menores. É assim nos colégios privados, e pior, muito pior, nos públicos. [...].

        Os tropeços, contudo, podem servir de amarga experiência para o que virá em seguida, com correções e um olhar inédito, mais cuidadoso [...]. Não será fácil, e desde já há uma indagação: como recuperar o conteúdo perdido? Uma reportagem desta edição de VEJA, coordenada pela editora Sofia Cerqueira, mergulha nas dificuldades atuais e mostra as saídas possíveis do que virá amanhã. Sabe-se que a rotina será feita de medidas de segurança, com máscaras, distanciamento, revezamento de presença etc. Mas haverá uma outra mudança, inevitável: o uso de recursos tecnológicos, estes com os quais ainda não aprendemos a lidar — e que precisam urgentemente ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens brasileiros. É caminho sem volta, que países como a Finlândia e a Coreia do Sul já trilham há algum tempo, muito antes do surto. Trata-se, enfim, de aproveitar o momento para iniciar o salto educacional tão esperado, eternamente adiado, como se a máxima de Pitágoras pudesse ser apagada. Não pode. Não há futuro para um país sem educação de qualidade.

Carta ao leitor: O futuro da educação. Veja, Edição 2693, 1 jul. 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/revista-veja/carta-ao-leitor-o-futuro-da-educacao. Acesso em: 16 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 222.

Entendendo a carta:

01 – Como a frase de Pitágoras é utilizada para fundamentar o argumento central do texto?

      A frase "Eduquem as crianças, e não será necessário punir os adultos" serve para enfatizar que a educação é a base de qualquer sociedade civilizada. O autor a utiliza para mostrar que investir no ensino não é apenas uma escolha pedagógica, mas a única forma de garantir o futuro e o progresso de um país, evitando problemas sociais maiores no futuro.

02 – Segundo o texto, o que a pandemia do novo coronavírus "expôs inapelavelmente" em relação ao sistema de ensino brasileiro?

      A pandemia expôs as mazelas históricas do sistema educacional brasileiro, da infância à idade adulta. O ensino on-line emergencial revelou a falta de preparo das instituições e dos professores, além das dificuldades das famílias e a desigualdade profunda entre o ensino público e o privado.

03 – Quais dados o texto apresenta para ilustrar o despreparo dos docentes e as dificuldades dos alunos com o ensino a distância?

      O texto cita uma pesquisa do Instituto Península, indicando que 83% dos professores de ensino fundamental e médio se sentem despreparados para dar aulas remotas. Além disso, descreve o lado dos alunos como um cenário de famílias tensas e estudantes desatentos, cansados e distraídos, especialmente os mais novos.

04 – O autor defende que o uso de recursos tecnológicos na educação é uma escolha temporária ou definitiva? Justifique.

      É defendido como uma mudança definitiva e inevitável, um "caminho sem volta". O autor afirma que esses recursos precisam ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens, seguindo o exemplo de países como Finlândia e Coreia do Sul, que já adotavam essas tecnologias muito antes da crise sanitária.

05 – Qual é a visão do autor sobre os "tropeços" e as dificuldades enfrentadas durante a transposição das salas de aula para a casa?

      O autor acredita que as dificuldades podem servir como uma "amarga experiência" para o futuro. O objetivo seria aproveitar o momento de crise para realizar correções, adotar um olhar mais cuidadoso e dar o "salto educacional" que o Brasil sempre adiou, visando finalmente uma educação de qualidade.

 

sábado, 4 de abril de 2026

PARÁBOLA: O BAMBU AMADO - COM GABARITO

 Parábola: O Bambu amado


Um belo dia, numa plantação qualquer de bambus, o vento resolveu soprar e a brisa mansa desse ventinho permitia que o bambuzal se mexesse bastante desordenadamente de um lado para o outro e vice versa...era uma boa para os bambus que além de refrescar aproveitassem para dar uma destorcidinha no que estava parado!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEix-lFJWgh6R94L6gEikMqy6U_Vo8jgNxeJEV6gulJGZcBikVSJoO-liSu6PwbeeyWpJAA3v0ZPjCmDNyPU4BLwGYE9InK9rN4U90Nqin3bzVsKEwXoyexmNsgxieVHYED22hmZvVAADnZ8kQbcWSc4ySC7_s99GGdnVnBMlDamh_RNUI48T-o3dL0zYsQ/s1600/BAMBU.jpg


Mas como todo bambuzal que se preze, este não era diferente: havia um dono desse bambuzal que neste dia coincidentemente chegou junto com o vento. Qual foi a surpresa do bambuzal em ver o seu dono, todos no mesmo instante ficaram cheios de Alegria e destemor pois aquele que cuidava com tanto carinho deles chegava com seu sorriso para olhar sua estimada plantação! Porem havia no mesmo lugar ao lado um campo ermo, de difícil plantação, terra ressequida pertencente ao mesmo dono.
No bambuzal existia um bambu que era muito mais bonito e vivente que os outros. Existia nele uma diferença patente sobre o restante dos bambus que muitas vezes incomodava, mas era natural nele e, devido também toda a sua dedicação ao dono, se tornava cada vez mais diferente e bonito.
A Felicidade desse bambu era ver seu dono chegando e contemplando-o com esmero.
Porém, num certo dia de vento também, o bambu amado (porque amava demais também) foi surpreendido por seu dono tão querido numa proposta que há muito tempo ele esperava. Era chegada a hora do bambu servir e servir com a mesma dedicação que tinha desde o seu nascimento.
O dono do bambu chegou lá pelas 5 da tarde, olhou seu bambu amado, acariciou-o e lhe disse:

“BAMBU AMADO, CHEGOU O SEU TEMPO DE ME SERVIR E ESTE É O MOMENTO!”
O bambu ficou entusiasmadíssimo com tal proposta e na mesma correria que amava o dono, apressou-se em dizer: “SIM AMADO DONO, SE ME CHEGOU A HORA ESTOU AQUI!”

O dono sabia desse sim e logo amou mais ainda o bambu. Contudo, o dono do bambu teve que lhe falar sobre esse serviço especial e continuou dizendo: “MAS PARA QUE ME SIRVA, BAMBU AMADO, TENHO QUE LHE TIRAR DO LUGAR EM QUE VOCÊ ESTÁ!”
O bambu estranhou pois sabia que isso iria prejudicá-lo muito mas no mesmo instante disse ao dono: SABE DAS COISAS MEU DONO, E SABE DE MIM, ME ALEGRO E FAÇA COM QUE EU LHE SIRVA BEM!
O dono mais alegre ainda continuou: BAMBU AMADO, NÃO BASTA QUE TE ARRANQUE DE SEU LUGAR MAS VOU PRECISAR CORTÁ-LO COM UM FACÃO PARA PARTI-LO AO MEIO!
Surpreso, o bambu se pôs a tentar entender tal proposta e começou a fica um pouco triste pois sua beleza, seu encanto, suas firmezas, seu apoio, tudo seria tirado e isso lhe faria não ser mais o bambu que outrora brilhou! Porém, mesmo entristecido e sem entender precisou toda sua alegria já comprometida na satisfação que seu dono teria de um sim e não pensou mais: “SE ASSIM É QUE PRECISAS DE MIM QUE EU POSSA LHE ALEGRA, EIS-ME AQUI...PRONTO!”

O dono sabia disso e percebia que o bambu não estava tão alegre quanto o início da conversa, mas sabia da fidelidade do amado bambu. Não obstante o dono logo lhe disse sem muitas palavras: “AMADO BAMBU, MESMO QUE ME SIRVA AINDA PRECISO DIZER: NÃO LHE BASTA QUE O ARRANQUE E O CORTE COM UM FACÃO, É PRECISO QUE EU O SEQUE E DESCARACTERIZE TEUS JEITOS DE BAMBU, TUA BELEZA E MESMO TODA TUA ALEGRIA!”
O bambu, no silencio entristecido, derramava uma lágrima de dor profunda e de desentendimento. Já não sabia mais o porquê  disso tudo nem o porquê  de seu dono lhe queria assim. O maior sofrimento do bambu era por não entender esse amor que criou, permitiu que fosse o mais lindo e vistoso e de uma hora pra outra lhe pedia quase que a própria morte.
Qual foi sua surpresa antes de responder ao dono o mesmo indagou: “MAS AMADO BAMBU, MESMO DEPOIS DISSO TUDO VOU PRECISAR TIRA-TE A VIDA E NUNCA MAIS SERAS UM BAMBU!”

Foi nesse instante que o bambu simplesmente parou e não disse uma só palavra! Mas seu dono continuou: “CONTUDO, BAMBU AMADO, VOU ARRANCAR-LHE O CORAÇÃO E TUDO O QUE NELE TEM, GUARDAREI ETERNAMENTE COMIGO E NUNCA ELE ME SERÁ ROUBADO. DE TUA CASCA TIRAREI O MELHOR: TEU CORAÇÃO...TEU TESOURO...TUA VIDA...SERÁS MAIS MEU DO QUE NESSA CONDIÇÃO DE BAMBU!”
Foi aí que o pobre bambu entendeu não os motivos do dono mas o tipo de Amor com Ele o amava e sustentado por esse desentendimento que compreende todas as coisas, o bambu se voltou em prantos mas com um suave e sereno e lhe disse bem baixo mas convictamente: “ENTENDO QUE ME ENTENDES, MEU DONO E TANTO QUE ME ROUBAS O MELHOR! SOU TEU PRISIONEIRO E FAZ DE MIM O QUE PRECISAS!”

Foi aí que o dono consumou seus desejos: Arrancou o bambu, cortou-lhe ao meio com um facão, secou-o e descaracterizou-o e já sem vida nenhuma física lhe tirou o coração e guardou-o consigo para que nunca mais fosse roubado! E o que era um vistoso e lindo bambu se tornava dois simples pedaços de coisa ressecada. Contudo, aquele nada se tornava o veículo de água para que se levasse umidade ao outro solo do dono que precisava de plantação e assim o saudoso bambu era o que de mais precioso o dono tinha!
Acredito que o dono também chorava nesse instante até de saudade do bambu mas tinha seu coração guardado e isso bastava ao dono!

Entendendo o texto

 

01. Qual era a principal característica que diferenciava o "bambu amado" dos outros bambus da plantação?

a. Ele era o mais alto e conseguia ver o que acontecia fora do bambuzal.

b. Ele era o mais bonito, vivente e possuía uma dedicação extrema ao seu dono.

c. Ele era o único capaz de resistir aos fortes ventos que sopravam às 5 da tarde.

d. Ele tinha a capacidade de falar e aconselhar os outros bambus menos experientes.

02. Por que o bambu começou a ficar triste durante a conversa com o dono?

a. Porque percebeu que o dono gostava mais do campo ermo e seco do que dele.

b. Porque o dono chegou atrasado para o momento da colheita e o vento já tinha passado.

c. Porque o dono revelou que, para servir, o bambu teria que perder sua beleza, sua forma e sua identidade original.

d. Porque ele não queria ser transformado em um objeto de decoração para a casa do dono.

03. Qual foi a condição final imposta pelo dono que deixou o bambu em silêncio e profunda dor?

a. A exigência de que o bambu deveria ser plantado em outra terra muito distante.

b. O fato de que o dono iria retirar-lhe a vida, tirar o seu coração e ele nunca mais seria um bambu.

c. A notícia de que ele seria vendido para outro proprietário que não cuidava bem das plantas.

d. A necessidade de o bambu aprender a crescer sem a ajuda da brisa e do sol.

04. O que o dono fez com o "coração" (o interior) do bambu após cortá-lo?

a. Jogou-o no campo ermo para que servisse de adubo para a nova plantação.

b. Devolveu-o à terra para que um novo e mais bonito bambu pudesse nascer.

c. Guardou-o eternamente consigo para que nunca fosse roubado.

d. Transformou-o em sementes para distribuir por todo o bambuzal.

05. Qual foi o propósito final do sacrifício do bambu, conforme revelado no desfecho da história?

a. Tornar-se um ornamento de luxo que o dono exibiria com orgulho.

b. Servir de lenha para aquecer o dono durante os dias de vento frio.

c. Provar aos outros bambus que a obediência é o único caminho para a beleza.

d. Tornar-se um canal (veículo) de água para levar umidade e vida ao solo seco e ermo do dono.

terça-feira, 31 de março de 2026

PARÁBOLA: ABUNDÂNCIA E PENÚRIA - COM GABARITO

 Parábola: Abundância e Penúria

 

Duas pequenas ilhas, uma em frente da outra, separadas pelo mar. Uma era a Abundância: era fértil e produzia, em grande quantidade, fruta e trigo dourado; a outra era a Penúria: pedregosa e estéril, tinha pouca água e a fruta e o trigo eram ali escassos.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiTuuqIdV89aqdrBKYyPrr59yZvv_67nloyJm2Mtjz2PwfFpjnapm85BUUyqMtOQOVe_cbU8kU1MJCDhApfRvaUwPNLKyG9SFL9dKKq841CendKjbdPQeQviHkWTtPtjV4LWiJLs8zi9E8gH7o7rmY9Tr7wrhCGGhSX8QXNwjERSiB0svGlRjVcThQ13lI/s1600/OI.jpg 


Os habitantes da Penúria eram todos pobres e era para eles muito difícil prover à sua mísera subsistência. Entre os habitantes da Abundância, havia o senhor Interesse, que amiúde subia a um pequeno outeiro para contemplar a Penúria, que estava do outro lado. Homem bondoso desfazia o que eu é preciso e poderíamos dar-nos ao luxo de repartir tudo com a Penúria. Vou convidá-los a unir-se a nós.
O senhor interesse desceu depressa o outeiro e atirou-se à água. Como era excelente nadador, chegou em poucas horas à desolada praia da Penúria. Os ilhéus depressa se juntaram à volta dele, surpreendidos com a visita de um estrangeiro. Perguntaram-lhe o que queria.
- Vim convidá-los todos a irem comigo para a Abundância, respondeu amavelmente. Ali poderias participar de grande riqueza que a nossa ilha fértil produz. É só descansar um pouco; amanhã de manhã iremos, como espero, todos juntos.
Os cidadãos da Penúria puseram-se a discutir a proposta do senhor Interesse e depressa chegaram a uma conclusão: todos deveriam aceitar o seu generoso convite. Na manhã seguinte, ao raiar do dia, estavam todos prontos para se meterem ao mar. Alguns dos habitantes da Penúria levaram consigo pequenas bolsas, em que tinham metido os seus bens mais preciosos: dinheiro, pedras resplandecentes e joias. Postas as bolsas ao ombro, seguiam animadamente o senhor Interesse através do mar.
Este, uma vez regressado à sua ilha da Abundância, sentiu-se aliviado e satisfeito pelo êxito da missão. Começou a contar com regozijo os vizinhos da Penúria que tinham conseguido alcançar com ele terra firme.
Então, com grande horror de sua parte, ao terminar de contar, deu-se conta, demasiado tarde, de que os únicos que tinham completado a travessia eram as crianças e outras pessoas que não traziam bolsas e tiracolo, todos os outros se tinham afogado.

Entendendo o texto

 

01. Qual era a principal diferença geográfica entre as duas ilhas mencionadas?

a) a abundância era deserta e a penúria era densamente povoada. b) a abundância era fértil e produzia frutos, enquanto a penúria era pedregosa e estéril.

c) a penúria ficava no alto de uma montanha e a abundância ficava ao nível do mar.

d) as duas ilhas eram idênticas, mudando apenas o nome de seus governantes.

02. O que motivou o senhor Interesse a nadar até a ilha da Penúria?

a) o desejo de conquistar novas terras e tornar-se o rei daquela região.

b) a necessidade de fugir da abundância por causa de uma grande seca.

c) a sua bondade e a vontade de convidar os pobres para partilharem a riqueza de sua ilha.

d) a busca por joias e pedras resplandecentes que só existiam na outra margem.

03. Como os habitantes da Penúria reagiram à proposta feita pelo estrangeiro?

a) ficaram desconfiados e expulsaram o senhor interesse da praia. b) discutiram a proposta e decidiram aceitar o convite generoso.

c) pediram uma semana para pensar antes de abandonar suas casas.

d) aceitaram ir, mas apenas se o senhor interesse lhes desse barcos para a travessia.

04. Por que muitos habitantes da Penúria decidiram levar bolsas ao ombro durante a travessia?

a) para carregar mantimentos e água para a longa viagem a nado. b) para transportar pedras da ilha estéril que seriam usadas em construções.

c) para garantir que seus bens mais preciosos, como dinheiro e joias, fossem com eles.

d) porque o senhor interesse os obrigou a levar todo o lixo da ilha.

05. Qual foi o trágico desfecho da travessia para os que carregavam as bolsas?

a) eles se afogaram devido ao peso das riquezas que tentaram carregar.

b) eles chegaram exaustos e tiveram seus bens roubados na chegada.

c) eles se perderam no mar porque as bolsas taparam sua visão.

d) eles decidiram voltar para a penúria no meio do caminho por arrependimento.

 

 

PARÁBOLA: O POTE RACHADO - COM GABARITO

 Parábola: O Pote Rachado

 Aquele homem ganhava a vida a carregar água. Dois potes grandes, pendurados nas pontas de uma vara, que ele apoiava no pescoço. Todos os dias era este o trabalho daquele aguadeiro: carregar os potes de água, do poço até à casa do seu patrão.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhY43Wl2uss7SuLCvXL-xqQGb_cWqvZC0DZO186SMRS4daNVaukhfJImbwaz_ghyphenhyphenTaYhimnvS9C3FasaTD6NxJlptW_n9_4gmZBAwer7eInpZrChzWaOXk_jsJIhIvZgumCvz5C1J6bsIKHosMMOrABhZvJ_sij01KLzFtQ79ycEQEVIH8JW3wL2LnkAPs/s1600/POTE.jpg


Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito. Quando o aguadeiro chegava à casa do seu patrão, depois de uma longa e penosa viagem, um dos potes estava cheio, enquanto o pote rachado trazia só metade da água. Esta foi a sina que se repetiu ao longo de dois anos... o aguadeiro a entregar um pote e meio de água na casa do seu patrão.
O pote que era perfeito estava orgulhoso da sua façanha. O outro, porém, cada vez vivia mais envergonhado da sua imperfeição, por se sentir incapaz de produzir tanto quanto o outro. Depois de carregar durante dois anos esse sentimento de culpa, o pote rachado desabafou a sua amargura com o aguadeiro, na beira do poço:
Estou envergonhado... e quero pedir desculpas...
Desculpas, porquê? – Perguntou o homem.
Nestes dois anos, apenas consegui chegar ao destino com meia carga de água, pois esta rachadura faz com que ela vaze pelo caminho. Por causa deste meu defeito, tu precisas de fazer mais viagens a carregar água e isso aumenta o teu trabalho...
O homem ficou triste e compadecido daquele velho pote... e disse:
Quando regressarmos a casa, quero que prestes atenção à beira do caminho.
De fato, à medida que iam subindo a montanha, o velho pote rachado foi percebendo uma trilha de flores, exuberantes e belas, na beira do caminho. Achou lindo... pois nunca reparado nelas... mas isso ainda não foi suficiente para o fazer esquecer a sua angústia e, no fim da viagem, novamente pediu desculpas ao aguadeiro pela sua imprestabilidade. E o aguadeiro, paciente, explicou ao pote:
Notaste que ao longo do caminho, havia uma trilha de flores... e essa trilha era apenas do teu lado. De fato, quando eu percebi a tua rachadura, logo nas primeiras viagens, tirei proveito desse teu defeito e resolvi lançar sementes ao longo do caminho. Cada dia, ao passar, a tua rachadura deixava vazar água que regava as plantas. E, durante estes dois anos, eu tive a possibilidade de sentir o perfume das flores e apreciar a sua beleza, enquanto fazia o meu trabalho!

Entendendo o texto

 

01. Qual era o motivo da tristeza e da vergonha do pote rachado?

a) ele sentia inveja da beleza das flores que cresciam no caminho. b) ele acreditava que sua rachadura prejudicava o trabalho do aguadeiro, entregando menos água.

c) ele não gostava da vara que o aguadeiro usava para carregá-lo todos os dias.

d) ele tinha medo de que o patrão o trocasse por um pote mais novo e mais bonito.

02. Durante quanto tempo a rotina de entregar apenas um pote e meio de água se repetiu?

a) por apenas alguns meses, até o pote ser consertado.

b) durante um ano inteiro de viagens penosas.

c) ao longo de dois anos.

d) por tempo indeterminado, já que o texto não menciona datas.

03. O que o aguadeiro fez ao perceber a rachadura do pote, logo nas primeiras viagens?

a) decidiu ignorar o defeito e continuar trabalhando normalmente.

b) plantou sementes de flores apenas do lado do caminho onde o pote rachado passava.

c) tentou tapar a rachadura com barro para não desperdiçar água. d) pediu ao patrão que comprasse um pote perfeito para substituir o velho.

04. Qual foi a reação do pote rachado ao ver as flores na beira do caminho pela primeira vez?

a) ele sentiu-se imediatamente curado de sua angústia e parou de pedir desculpas.

b) ele achou as flores bonitas, mas continuou se sentindo triste por sua "imprestabilidade".

c) ele ficou com raiva por ter que carregar água para flores em vez de para o patrão.

d) ele não conseguiu ver as flores porque estava muito ocupado chorando.

05. Qual é a principal lição de moral que o aguadeiro tenta ensinar ao pote no final da história?

a) que a perfeição é a única forma de agradar ao patrão e ter sucesso no trabalho.

b) que devemos esconder nossos defeitos para que ninguém perceba nossas falhas.

c) que mesmo nossas imperfeições podem criar algo belo e útil se soubermos aproveitá-las.

d) que é melhor carregar flores do que carregar água em um deserto.

 

 

PARÁBOLA (TRADIÇÃO ORAL DO ORIENTE MÉDIO): A CARAVANA - FOLCLORE ÁRABE/PERSA - COM GABARITO

 Parábola (Tradição oral do Oriente Médio): A Caravana
                   (Folclore Árabe/Persa)


Uma caravana do deserto caminhava penosamente num terreno árido, poeirento e pedregoso. As pessoas que a compunham tinham toda fé absoluta no guia e, confiadamente, entregavam-lhe a ele todas as decisões. Gostavam de o fazer, sobretudo quando, devido ao intenso calor do sol, ele decidiu que viajassem de noite, reservando o dia para dormir.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjl1LqgmvtnI0A_0ZxWlbOwPhtGwi-AaIkHLxYKfK8AqpYR0UYvUJQ6uWu_0Sk2HVyfFAGEvkLyIyXa1FCDLXBF8ogcK_s1Zp9-E1WzBsbJceYOk0f_q4vVUJgKAz8rrDs1ffx3B9D9X2iDr0y-tvoGQ9TnQ9PBZZniH4P953aP5tRVgaWECpdpIlk4sCQ/s320/CAMELO.jpg
 


Certa noite, após uma jornada particularmente esgotada, o guia de repente, exclamou:

- Alto. Deter-nos-emos aqui por alguns momentos. Como veem, atravessamos neste momento, um terreno invulgarmente pedregoso. Quero que se abaixem e apanhem todas as pedras que condigam alcançar. Talvez consigam encher as bolsas e levá-las assim cheias para casa. Vamos depressa! Prosseguiu batendo as palmas, tendes apenas cinco minutos; passados eles, retomaremos a marcha.

- Os viajantes, que apenas desejavam um prolongado descanso e um sono repousante, pensaram que o guia tinha enlouquecido.
- Pedras? Disseram eles. Quem pensa ele que somos nós? Uma cáfila de camelos?
Somente alguns fizeram o que o guia sugerira: meteram nas bolsas uns quatro punhados de pedras soltas
- Bem, cheia! Disse o guia. Toca a andar de novo!
Enquanto continuavam a difícil caminhada, durante o resto da noite, todos se encontravam demasiado cansados para se darem ao incomodo de falar. Mas todos continuavam a perguntar a si mesmos eu poderia significar as estranhas ordens daquele guia.
Quando o sol se levantou no horizonte, a caravana deteve-se de novo. Todos armaram as suas tendas. Os poucos viajantes que tinham apanhado as referidas pedras puderam vê-las nitidamente pela primeira vez. Assombrados, começaram a gritar:
- Santo Deus! Todas elas são cores diferentes! E como brilham! Realmente são pedras preciosas!
Mas essa sensação de júbilo depressa deu lugar à outra de depressão e abatimento:
- Porque não tivemos bom senso de seguir as ordens do guia? Se assim fosse, teríamos apanhado a maior número de pedras possível!

Entendendo o texto


01. Qual era a principal característica da relação entre os viajantes e o guia no início do texto?

a) os viajantes desconfiavam de todas as rotas escolhidas pelo guia.

b) os viajantes tinham fé absoluta no guia e confiavam-lhe todas as decisões.

c) o guia era obrigado a seguir as ordens impostas pelos viajantes. d) a caravana viajava apenas durante o dia para evitar o frio da noite.

02. Por que a maioria dos viajantes reagiu com desdém à ordem de recolher pedras?

a) porque as pedras eram pesadas demais para os camelos carregarem.

b) porque eles já tinham as bolsas cheias de comida e água para a viagem.

c) porque o guia deu apenas um minuto para que eles fizessem a colheita.

d) porque eles estavam exaustos e acharam que a ordem do guia não fazia sentido.

03. O que aconteceu quando o sol nasceu e a caravana parou novamente?

a) o guia admitiu que estava louco e pediu desculpas aos viajantes. b) as pedras recolhidas transformaram-se em pó devido ao calor do sol.

c) os viajantes descobriram que as pedras eram, na verdade, pedras preciosas.

d) a caravana percebeu que tinha voltado para o mesmo lugar de onde partiu.

04. Qual sentimento substituiu a alegria daqueles que haviam recolhido as pedras?

a) medo de serem assaltados por outros viajantes da caravana.

b) raiva do guia por ele não ter explicado claramente o valor das pedras.

c) abatimento por não terem tido o bom senso de colher a maior quantidade possível.

d) alívio por não terem enchido demais as bolsas, evitando o cansaço.

05. Qual é a lição central transmitida por esta parábola?

a) que devemos aproveitar as oportunidades e confiar na sabedoria, mesmo sem entender o motivo imediato.

b) a importância de descansar durante o dia para trabalhar melhor à noite.

c) a necessidade de questionar sempre as ordens de quem está na liderança.

d) que o deserto é um lugar perigoso onde pedras comuns podem enganar a visão.


PARÁBOLA: A BOMBA D'ÁGUA - AUTORIA DESCONHECIDA - COM GABARITO

 Parábola: A bomba d’água

                 Autoria desconhecida


Um homem estava perdido no deserto, prestes a morrer de sede.
Eis que ele chegou a uma cabana velha, desmoronando, sem janelas, sem teto.
Andou por ali e encontrou uma pequena sombra onde se acomodou, fugindo do calor do sol desértico.
Olhando ao redor, viu uma velha bomba de água, bem enferrujada.
Ele se arrastou até a bomba, agarrou a manivela e começou a bombear, a bombear, a bombear sem parar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2NYa7TOX8rZm5hS_GIFTfvp0ai15a75CIbiQbFx6pPC_uspjDCU8KGKU7kVm3Kz0nC4dD-drw5U1WC2ILsRW90iy0PNLCYQHDlvSNl3ldyAQsCwi6p-DmfBHu0o_TJ9K3Ldo5CkDjj4mi9iuujNMGBPPg9m8d3aEUw5as7RIWSx-MdW_xWfFg3m9-HDs/s320/bomba-para-poco-artesiano-03.jpg


Nada aconteceu.
Desapontado, caiu prostrado, para trás.
E notou que ao seu lado havia uma velha garrafa. Olhou-a, limpou-a, removendo a sujeira e o pó, e leu um recado que dizia:
"Meu Amigo, você precisa primeiro preparar a bomba derramando sobre ela toda água desta garrafa.
Depois faça o favor de encher a garrafa outra vez antes de partir, para o próximo viajante.
" O homem arrancou a rolha da garrafa e, de facto, lá estava a água.
A garrafa estava quase cheia de água!
De repente, ele se viu num dilema.
Se bebesse aquela água, poderia sobreviver.
Mas se despejasse toda aquela água na velha bomba enferrujada, e ela não funcionasse morreria de sede.
Que fazer Despejar a água na velha bomba e esperar vir a ter água fresca, fria, ou beber a água da velha garrafa e desprezar a mensagem Com relutância, o homem despejou toda a água na bomba.
Em seguida, agarrou a manivela e começou a bombear... e a bomba e pôs-se a ranger e chiar sem fim. E nada aconteceu!
E a bomba foi rangendo e chiando.
Então, surgiu um fiozinho de água, depois, um pequeno fluxo e finalmente, a água jorrou com abundância! Para alívio do homem a bomba velha fez jorrar água fresca, cristalina.
Ele encheu a garrafa e bebeu dela ansiosamente.
Encheu-a outra vez e tornou a beber seu conteúdo refrescante.
Em seguida, voltou a encher a garrafa para o próximo viajante.
Encheu-a até o gargalo, arrolhou-a e acrescentou uma pequena nota:
"Creia-me, funciona.
Você precisa dar toda a água antes de poder obtê-la de volta.
" Várias lições preciosas podemos extrair desta estória ...
Quantas vezes temos medo de iniciar um novo projeto pois este demandará um enorme investimento de tempo, recursos, preparo e conhecimento.
Quantos ficam parados satisfazendo-se com pequenos resultados, quando poderiam conquistar significativas vitórias.
E você...
O que falta para despejar esta garrafa de água que você guarda e está prestes a beber e conseguir água fresca em abundância de uma nova fonte.

Para refletir!

 

Entendendo o texto

01. Qual era o dilema central enfrentado pelo homem ao encontrar a garrafa com água?

a. Decidir se usava a água para limpar a bomba enferrujada ou para se refrescar do calor.

b. Escolher entre beber a água para garantir a sobrevivência imediata ou arriscá-la na bomba para obter água em abundância.

c. Determinar se a água da garrafa estava potável ou se estava contaminada pela sujidade da cabana.

d. Escolher entre guardar a garrafa para o próximo viajante ou levá-la consigo na jornada pelo deserto.

02. O que aconteceu logo após o homem ter despejado a água na bomba e começado a bombear?

a. A água jorrou imediatamente, fria e cristalina.

b. A bomba partiu-se, deixando o homem desesperado e sem água. c. A bomba fez barulhos de ranger e chiar, e nada aconteceu num primeiro momento.

d. O homem desmaiou de cansaço antes de ver o resultado do seu esforço.

03. Que ação o homem tomou após saciar a sua sede e antes de partir?

a. Levou a garrafa cheia consigo para garantir que não passaria sede novamente.

b. Quebrou a bomba para que ninguém mais tivesse de enfrentar o mesmo dilema.

c. Escreveu uma nota a dizer que a mensagem original era mentira e que ele quase morreu.

d. Encheu a garrafa para o próximo viajante e acrescentou uma nota confirmando que o método funciona.

04. Na mensagem final que o homem escreveu, qual é a principal lição transmitida?

a. De que a água do deserto é mais fresca do que a água das cidades.

b. De que é necessário dar algo (investir/arriscar) antes de poder receber algo de volta.

c. De que nunca se deve confiar em recados deixados por estranhos em cabanas velhas.

d. De que a sorte favorece apenas aqueles que têm força física para manusear bombas velhas.

05. Segundo a reflexão final do texto, o que a "garrafa de água" simboliza na vida das pessoas?

a. Os pequenos recursos ou confortos que retemos por medo de arriscar em algo maior.

b. A sede física que sentimos quando não planeamos bem as nossas viagens.

c. O conhecimento técnico necessário para consertar equipamentos antigos.

d. A ganância de querer guardar tudo para si mesmo sem pensar no futuro.

 

PARÁBOLA SUFI (UMA VERTENTE MÍSTICA DO ISLÃ): A PEREGRINAÇÃO - COM GABARITO

 Parábola Sufi (uma vertente mística do Islã): A Peregrinação

Tradição árabe e islâmica clássica

 

O xeique Abd Allah Mubarak, encontrava-se um dia em Meca. Viu em sonho dois anjos que tinham baixado do céu e perguntavam quantos peregrinos tinham ido a Meca nesse ano.
- "Seiscentos mil" - disse um dos anjos.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDMtVCvTF3G24RZBlQCaIIDXeM383yej9IfQ7rW9fsx-GFc7OjYjgjf7h4OMVB5Qt6dYRzJOWsB9_GqAlaytB6bIDh51U-olwEP1ZgMz2-NHe18Qin-F9_Pk9BDM-nSlNK4Kaw_9fQ3CdwxsA3dYw7IxfZL-XTIzvB5X3nG-wffcyTuLlIMOPtshZCiKc/s320/MECA.jpg


- "E a quantos lhes foi aceite a peregrinação que fizeram"? - perguntou o outro.
- "Nenhum" - respondeu o primeiro. "Contudo há em Damasco um homem chamado Ali ben Mufiq, que não veio em peregrinação a Meca; mas a sua peregrinação foi aceite e foi-lhe concedida a graça destes seiscentos mil peregrinos.
Logo que acordou, o xeique decidiu ir a Damasco procurar aquele homem. Assim que o encontrou contou-lhe o seu sonho.
Era um velho, que depois de escutar o relato pôs-se a chorar. E contou que trinta anos atrás, depois de ter economizado com muitas dificuldades, trezentas e cinquenta moedas de ouro para ir a Meca, descobriu que os seus vizinhos tinham fome. E tinha-lhes entregado esse dinheiro dizendo-lhes:
"Tomai! essa quantia é para as vossas necessidades. Essa será a minha peregrinação".

Entendendo o texto


01. Qual foi a revelação feita pelos anjos no sonho do xeique Abd Allah Mubarak?

a. Que todos os 600 mil peregrinos de Meca tiveram suas preces atendidas.

b. Que a peregrinação de nenhum dos 600 mil presentes em Meca foi aceita.

c. Que Ali ben Mufiq estava em Meca e era o peregrino mais santo de todos.

d. Que o xeique deveria parar de viajar para Damasco imediatamente.

02. Por que Ali ben Mufiq não foi a Meca, apesar de ter economizado dinheiro por trinta anos?

a. Porque ele perdeu o dinheiro em uma viagem para Damasco.

b. Porque ele decidiu que era velho demais para a longa jornada.

c. Porque ele deu suas economias para vizinhos que passavam fome.

d. Porque ele foi roubado pouco antes de iniciar sua partida.

03. O que Ali ben Mufiq quis dizer com a frase: "Essa será a minha peregrinação"?

a. Que ele planejava visitar seus vizinhos todos os anos em vez de ir a Meca.

b. Que o ato de caridade substituiria o ritual religioso da viagem física.

c. Que o dinheiro dado aos vizinhos seria devolvido para ele viajar no ano seguinte.

d. Que ele estava desistindo de sua fé e não faria mais peregrinações.

04. Como o xeique Abd Allah Mubarak reagiu ao sonho que teve?

a. Ele ignorou o sonho por considerar que anjos não falam com humanos.

b. Ele ficou em Meca tentando convencer os peregrinos a serem pessoas melhores.

c. Ele decidiu viajar até Damasco para encontrar o homem mencionado pelos anjos.

d. Ele começou a distribuir moedas de ouro para todos os pobres de Meca.

05. Qual é a principal mensagem ou "moral" transmitida por este conto?

a. A importância de economizar dinheiro por longos períodos para realizar sonhos.

b. A ideia de que sonhos com anjos sempre indicam o local de tesouros escondidos.

c. A crítica aos xeiques que viajam muito sem necessidade.

d. A ideia de que a essência da religião reside no amor ao próximo e na caridade prática.