sexta-feira, 20 de março de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: GERAÇÃO CANGURU - GILBERTO DIMENSTEIN - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Geração Canguru

                Gilberto Dimenstein

 

        Ao mapear novas tendências de consumo no Brasil, publicitários acreditam ter detectado a "Geração Canguru". São jovens bem-sucedidos profissionalmente, têm entre 25 e 30 anos de idade e vivem na casa dos pais. O interesse neles é óbvio: compõem um nicho de consumidores com alto poder aquisitivo.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj25MSf4vvsp1lDHGYNh9fO_kni_fWpdeuMM_z8L3j7T_PNI7_qqF_8r-b7m8ycvrm8cIPz8LBW6wzrLmJF_SA7Xhx5SSVeAs3y8ZMbyZviUTIGFcQR5JdBkBObtJdpbk_nd7YY8NT8wBC4lZOzNgNPlubcZ1F5FMOub9PT7plelpFnBNxIA4B4Z3ucWQk/s1600/CANGURU.jpg

        Ainda na "bolsa" da mãe, eles mostram que mudaram as fronteiras entre o jovem e o adulto. Até pouquíssimo tempo atrás, um marmanjão de 30 anos, enfiado na casa dos pais, seria visto como uma anomalia, suspeito de algum desequilíbrio emocional que retardou seu crescimento.

         O efeito "canguru" revela que pais e filhos estão mutuamente mais compreensivos e tolerantes, capazes de lidar com suas diferenças. Para quem se lembra dos conflitos familiares do passado, marcados pelo choque de gerações, os "cangurus" até sugerem um grau de civilidade. Não é tão simples assim.

         Estudos de publicitários divulgados nas últimas semanas indicam um lado tumultuado – e nem um pouco saudável – dessa relação familiar. Por trás das frias estatísticas sobre tendência do mercado, a pergunta que aparece é a seguinte: até que ponto os brasileiros mais ricos estão paparicando a tal ponto seus filhos que produzem indivíduos com baixa autonomia?

         Ao investigar uma amostra de 1.500 mães e filhos, no Rio e em São Paulo, a TNS InterScience concluiu que 82% das crianças e dos adolescentes influenciam fortemente as compras das famílias. A pressão é especialmente intensa nas classes A e B, cujas crianças, segundo os pesquisadores, empregam cada vez mais a estratégia das birras públicas para ganhar, na marra, o objeto de desejo.

         Com medo das birras, as mães tentam, segundo a pesquisa, driblar os filhos e não levá-los às compras, especialmente nos supermercados, mas, muitas vezes, acabam cedendo. Os responsáveis pelo levantamento da InterScience atribuem parte do problema ao sentimento de culpa. Isso porque, devido ao excesso de trabalho, os pais ficam muito tempo longe de casa e querem compensar a ausência com presentes.

         Uma pesquisa encomendada pelo Núcleo Jovem da Abril detectou que muitos dos novos consumidores vivem uma ansiedade tamanha que nem sequer usufruem o que levam para casa. Já estão esperando o produto que vai sair. É ninfomania consumista. Jovens relataram que nunca usaram, nem mesmo uma vez, roupas que adquiriram. Aposentam aparelhos eletrodomésticos comprados recentemente porque já estariam defasados.

         Psicólogos suspeitam que essa atitude seja uma fuga para aplacar a ansiedade e a carência, provocadas, em parte, pela falta de limite. Imaginando-se modernos, pais tentam ser amigos de seus filhos e, assim, desfaz-se a obrigação de dizer não e enfrentar o conflito. O resultado é, no final, uma desconfiança, explicitada pelos entrevistados, ainda maior em relação aos adultos.

         Outro estudo, desta vez patrocinado pela MTV, detectou um início de tendência entre os jovens de insatisfação diante de pais extremamente permissivos. Estão demandando adultos mais pais do que amigos. Para complicar ainda mais a insegurança das crianças e dos adolescentes, a violência nas grandes cidades leva os pais, compreensivelmente, a pilotar os filhos pelas madrugadas, para saber se não sofreram uma violência. Brincar nas ruas está desaparecendo da paisagem urbana, ajudando a formar seres obesos, presos ao computador.

         Há pencas de estudo mostrando como a brincadeira, dessas em que nos sujamos, ralamos o joelho na árvore, ajuda a desenvolver a criatividade, o senso de autonomia e de cooperação. É um espaço de estímulo à imaginação.

         Todos sabemos como é difícil alguém prosperar, com autonomia, se não souber lidar com a frustração. Muito se estuda sobre a importância da resiliência – a capacidade de levar tombos e levantar como um elemento educativo fundamental.

         Professores contam, cada vez mais, como os alunos não têm paciência de construir o conhecimento e desistem logo quando as tarefas se complicam um pouco. Por isso, entre outras razões, os alunos decepcionam-se rapidamente na faculdade que exige mais foco em poucos assuntos.

         Os educadores alertam que muitos jovens têm dificuldade de postergar o prazer e buscam a realização imediata dos desejos; respondem exatamente ao bombardeamento publicitário, inclusive na ingestão de álcool, como vamos testemunhar, mais uma vez, nas propagandas de cerveja neste verão. Daí o risco de termos "cangurus" que fiquem cada vez mais na bolsa (e no bolso) dos pais.

         P.S. – Em todos esses anos lidando com educação comunitária, posso assegurar que uma das melhores coisas que as escolas de elite podem fazer por seus alunos é estimulá-los ao empreendedorismo social. É um notável treino para enfrentar desafios. Enfrentam-se em asilos, creches e favelas os limites e as carências. Conheci casos e mais casos de alunos problemáticos que mudaram sua cabeça ao desenvolver uma ação comunitária e passaram, até mesmo, a valorizar o aprendizado curricular.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd121205.htm

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o texto, quem faz parte da chamada "Geração Canguru"?

A) Crianças que gostam de animais selvagens e da natureza.

B) Jovens de 25 a 30 anos, bem-sucedidos, que ainda moram na casa dos pais.

C) Pais que decidem morar na casa dos filhos para ajudá-los com as despesas.

D) Pessoas que viajam muito para a Austrália a trabalho.

02 – Por que o autor utiliza o termo "Canguru" para descrever esses jovens?

A) Porque eles são muito rápidos e atletas como os cangurus.

B) Porque eles gostam de se vestir com roupas esportivas.

C) Porque, assim como o filhote de canguru, eles continuam "na bolsa" (dependendo) dos pais por mais tempo.

D) Porque eles têm o hábito de saltar de um emprego para outro.

03 – Segundo o artigo, qual é um dos motivos para os pais darem tantos presentes e não imporem limites aos filhos?

A) O desejo de que os filhos se tornem colecionadores de objetos caros.

B) A falta de dinheiro, que os faz comprar apenas o necessário.

C) O sentimento de culpa por passarem muito tempo longe de casa devido ao trabalho.

D) A orientação dos psicólogos para que os pais sejam apenas amigos dos filhos.

04 – O texto menciona que o excesso de mimos e a falta de limites podem causar um problema nos jovens. Que problema é esse?

A) O aumento da inteligência e da criatividade.

B) A dificuldade de lidar com frustrações e a baixa autonomia (capacidade de se virar sozinho).

C) O desejo de sair de casa o mais rápido possível para morar sozinho.

D) A melhora no desempenho escolar e nas tarefas difíceis.

05 – Qual é a crítica principal que o autor faz em relação ao consumo dos jovens atuais?

A) Que os jovens compram apenas o que é essencial para a sobrevivência.

B) Que os jovens estão comprando demais, às vezes sem nem usar o que levam para casa (consumismo exagerado).

C) Que os jovens não sabem usar a internet para fazer compras.

D) Que os jovens preferem economizar dinheiro para o futuro.

 

 

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

ENTREVISTA: "LUGAR DE NEGRO É EM TODO LUGAR" - FRAGMENTO - VANDA MENEZES - COM GABARITO

 Entrevista: “Lugar de negro é em todo lugar” Fragmento

                 Entrevista com Vanda Menezes

        Ecos da resistência negra na Serra da Barriga, em Alagoas, terra de Zumbi dos Palmares, correm nas veias de Vanda Menezes, militante negra e feminista há 30 anos. Psicóloga e perita criminal da Polícia Civil de Alagoas, Vanda já foi Secretária de Estado da Mulher e, hoje, integra a Rede Mulher e Democracia.

        [...]

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjHQPTYepIq3aiOofsXDEMVTXlKT7Sxig4P4ja1-4sJhPf6MO72vFilDYi4JlmqLDcXawknt1GjQAwd2-GlbhrAE-7dQPlBXRYwE5ppG2N7p7j30OvwI_AEF0Xl4UXHE5IpFH3OonGyItURvRbvpSMXlw3rtV7kNwEnitJKpwrxYTus1tDGhJV_iSR9tHo/s320/NEGROS.jpg


        Como você avalia as conquistas do movimento negro e, mais especificamente, do movimento de mulheres negras, nos últimos vinte anos no Brasil?

        Para o movimento negro, a conquista foi ter levado o país a refletir sobre o racismo, e questionar o mito da democracia racial brasileira. Ter transformado o dia 20 de novembro em uma data cívica para debater essa questão, a questão do preconceito, da discriminação racial e do racismo. Para o movimento de mulheres negras, [a conquista] foi constituir-se em um segmento organizado da sociedade civil brasileira e levar o movimento de mulheres e o movimento feminista a considerar os efeitos do racismo e da discriminação racial sobre a agenda de direitos das mulheres brasileiras – na saúde, na educação, no trabalho, nos meios de comunicação, entre outros assuntos.

         [...]

        De que formas o racismo à brasileira se mostra mais efetivo e difícil de ser combatido?

        O racismo no Brasil se mostra mais difícil de combater porque existe uma incrível resistência de assumi-lo como um problema social, moral e ético contra as pessoas que descendem daquelas que tiveram a experiência da escravidão. Em minha opinião, esse é um dos mais importantes pontos de partida para compreender a resistência do racismo no Brasil. A população negra – escrava e liberta – foi intencionalmente excluída do projeto de nação que a República desenhou para o país com o fim das relações escravistas de produção e organização social. É por isso, também, que o 20 de novembro, relembrando a saga do Quilombo dos Palmares, é tão importante para a organização social e política da população negra.

        [...]

Fonte: “Lugar de negro é em todo lugar” - Entrevista com Vanda Menezes. Observatório Brasil da igualdade de gênero, [s.d.]. Disponível em: http://www.observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/201clugar-de-negro-e-em-todo-lugar201d-entrevista-com-vanda-menezes. Acesso em: 21 set. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 26.

Entendendo a entrevista:

01 – Quem é Vanda Menezes e qual a sua ligação histórica mencionada no texto?

      Vanda Menezes é psicóloga, perita criminal, militante negra e feminista há 30 anos, tendo sido Secretária de Estado da Mulher em Alagoas. O texto destaca que nela correm os "ecos da resistência negra na Serra da Barriga", terra de Zumbi dos Palmares, reforçando sua ancestralidade e ligação com a luta quilombola.

02 – Segundo a entrevistada, qual foi a principal conquista do movimento negro no Brasil nas últimas duas décadas?

      A principal conquista foi levar o país a refletir sobre o racismo e questionar o "mito da democracia racial". Além disso, destaca-se a transformação do dia 20 de novembro em uma data cívica para debater o preconceito e a discriminação.

03 – Como Vanda Menezes descreve a contribuição específica do movimento de mulheres negras para o feminismo brasileiro?

      O movimento de mulheres negras conseguiu se organizar como um segmento da sociedade civil e forçou o movimento feminista geral a considerar como o racismo e a discriminação racial afetam a agenda de direitos das mulheres (saúde, educação, trabalho, etc.), trazendo uma perspectiva interseccional.

04 – Por que, na visão da psicóloga, o racismo no Brasil é tão difícil de ser combatido?

      Porque existe uma resistência muito grande da sociedade em assumir o racismo como um problema social, moral e ético. Ela aponta que a dificuldade reside no fato de a população negra ter sido intencionalmente excluída do projeto de nação desenhado pela República após o fim da escravidão.

05 – Qual a importância simbólica do Quilombo dos Palmares e do dia 20 de novembro citada no fragmento?

      O 20 de novembro, ao relembrar a saga do Quilombo dos Palmares, funciona como um marco de resistência. É uma data fundamental para a organização social e política da população negra, servindo como contraponto à exclusão histórica e como momento de debate sobre a igualdade.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: OS JOVENS E A CIÊNCIA NO BRASIL - FRAGMENTO - ANTÔNIO GOIS - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Os jovens e a ciência no Brasil – Fragmento

        Por Antônio Gois – 24/06/2019 • 04:30

        A maioria dos jovens brasileiros diz demonstrar interesse por temas científicos e valorizar o trabalho dos cientistas. Sete em cada dez afirmam que a atividade traz para a humanidade muitos benefícios e 60%, mesmo sabendo que os recursos públicos são limitados e que gastar mais com uma área pode significa aplicar menos em outra, defendem ampliar investimentos no setor. Apesar dessa boa imagem, poucos, mesmo entre aqueles que frequentam o ensino superior, são capazes de citar o nome de um cientista ou de uma instituição de pesquisa. E mais da metade deles deu respostas erradas à maioria de perguntas básicas de conhecimento científico.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjVolgLdfx__5hxlsnBl7mD7LnIW_dKBC0YIYH0qMgn51-Kuobl2a53rexv0RMNLb6dGNj58RdhG62FWBp21QFrQSrKm_2ww53w4ft-N1sClNRR8-UX4vMfnPJrR2bV7Px6hNlQiDdpz2uoKtLbkS8eSG75YdWCzbAHDrAyemZyiffyIrdK9bLOFR6gMgg/s1600/JOVENS.png


        Esses são dados de uma pesquisa que o INCT-CPCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia) divulga hoje na Fiocruz. Ela foi feita entre os meses de março e abril deste ano com uma amostra de dois mil brasileiros representativa da população de 15 a 24 anos. O levantamento envolveu também uma etapa qualitativa, em que pesquisadores conversaram com mais profundidade com grupos de jovens a respeito dos resultados da pesquisa nacional, e sobre como identificam notícias falsas sobre temas científicos.

        [...]

        Na pesquisa qualitativa, jovens comentaram que, em vez de buscarem ativamente informações sobre ciência e tecnologia, o mais comum é que eles “tropecem” nessas informações, o que reforça a necessidade de ter estratégias mais ativas de levar informação qualificada a esse público. Essa é uma tarefa ainda mais relevante considerando que 69% dos entrevistados disseram ser difícil ou muito difícil saber se uma notícia em ciência e tecnologia é falsa ou verdadeira. Um dado interessante, destacado pelo pesquisador Yurij Castelfranchi, é que entre jovens que relataram terem nos últimos 12 meses visitado museus, bibliotecas, parques ambientais ou participado de eventos científicos, o percentual dos que relatam dificuldade em identificar notícias falsas cai para 44%. 

        Há muitos outros dados da pesquisa que merecem ser aprofundados, para aproveitar melhor o interesse declarado dos jovens em ciência e com o objetivo de capacitá-los para tomar melhores decisões sobre sua vida e sobre o planeta, sempre baseadas nas melhores evidências científicas. 

GOIS, Antônio. Os jovens e a ciência no Brasil. O Globo, 24 jun. 2019. Disponível em: https://blogs.oglobo.globo.com/antonio-gois/post/os-jovens-e-a-ciencia-no-brasil.html. Acesso em: 26 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 68.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a principal contradição apresentada no primeiro parágrafo sobre a relação dos jovens brasileiros com a ciência?

      A contradição reside no fato de que, embora a maioria dos jovens (7 em cada 10) demonstre interesse e valorize o trabalho científico, poucos conseguem citar o nome de um cientista ou instituição de pesquisa, e mais da metade errou perguntas básicas de conhecimento científico.

02 – De acordo com os dados da pesquisa, qual é a postura dos jovens em relação ao investimento público em ciência?

      Mesmo cientes de que os recursos públicos são limitados e que o investimento em uma área pode afetar outras, 60% dos jovens defendem a ampliação dos investimentos no setor científico.

03 – Como a maioria dos jovens brasileiros costuma ter acesso a informações sobre ciência e tecnologia, segundo a etapa qualitativa da pesquisa?

      Os jovens relataram que não buscam ativamente essas informações; o mais comum é que eles "tropecem" nelas de forma casual. Isso indica a necessidade de estratégias mais ativas para levar informação qualificada a esse público.

04 – Qual é a principal dificuldade apontada por 69% dos entrevistados em relação ao consumo de notícias científicas?

      A grande maioria (69%) afirmou que considera difícil ou muito difícil distinguir se uma notícia sobre ciência e tecnologia é verdadeira ou falsa (fake news).

05 – Que fator parece contribuir para que o jovem tenha mais facilidade em identificar notícias falsas, conforme destacado pelo pesquisador Yurij Castelfranchi?

      O contato direto com espaços de conhecimento. Entre os jovens que visitaram museus, bibliotecas, parques ambientais ou eventos científicos nos últimos 12 meses, o percentual de dificuldade em identificar notícias falsas cai de 69% para 44%.

 

 

NOTÍCIA: AGIR DE FORMA EGOÍSTA NÃO GARANTE RESULTADOS MELHORES - SABRINA BRITO - COM GABARITO

 Notícia: Agir de forma egoísta não garante resultados melhores, diz estudo

         Segundo nova pesquisa, hostilidade e frieza não levam a cargos melhores ou carreiras mais bem-sucedidas

        Por Sabrina Brito – 1 set 2020

        De acordo com uma nova pesquisa, publicada no último dia 31 no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences, ao contrário do que pode se pensar, agir de modo egoísta no âmbito profissional não leva a uma carreira de maior sucesso. O estudo foi feito com base no acompanhamento dos participantes e de seus empregos ao longo de 14 anos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhP3rxfMIv72wg4xVCVEgl8C-FMl36mD4LiSDdzivq8zu2Wlx6W4S4-CBRgrsxU4Cm2pdIsOpvQ9q10nhp5-RF5cuqSuXcw9w4N8L5rcncNLpzJT9mw3ojxP2gQPgD_XmPDmsr7c6duZwxFHxMdFmT90DfMS48SY11a74JUmKaaTxhX9SDl9ZA_ueFfEjo/s320/EGO.jpg


        Os cientistas consideraram como “desagradáveis” indivíduos que possuíssem algumas das seguintes características: falta de abertura a novas experiências, pouca conscientização, hostilidade, frieza, conduta neurótica, entre outras. Segundo as conclusões dos pesquisadores, independentemente do contexto, nenhum tipo de desagradabilidade ou egoísmo resultou em vantagens profissionais — nem mesmo nas culturas organizacionais mais extremas.

        Isso não significa, é claro, que indivíduos egoístas não chegam a posições de poder. O que o estudo aponta é que, de forma geral, eles não obtêm esses empregos mais rapidamente do que os demais. Ou seja, o comportamento individualista não traz impactos positivos no âmbito profissional.

        De acordo com os coordenadores da pesquisa, isso indica que empresas colocam pessoas desagradáveis e pessoas generosas em cargos superiores com a mesma frequência, o que possibilita que os indivíduos menos fáceis de lidar, em suas posições de poder, causem dano à organização. Para eles, o estudo contesta a ideia de que é preciso ser hostil para ter sucesso — imagem que, segundo os cientistas, foi reforçada pelo comportamento incisivo de personalidades como Steve Jobs.

BRITO, Sabrina. Agir de forma egoísta não garante resultados melhores, diz estudo. Veja, 1º set. 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/ciencia/agir-de-forma-egoista-nao-garante-resultados-melhores-diz-estudo/. Acesso em: 26 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 74.

Entendendo a notícia:

01 – Qual é a principal conclusão do estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences?

      A pesquisa concluiu que, ao contrário do senso comum, agir de forma egoísta, hostil ou fria no ambiente de trabalho não garante uma carreira mais bem-sucedida nem acelera a chegada a cargos de poder.

02 – Como os cientistas envolvidos na pesquisa definiram um indivíduo como "desagradável"?

      Foram considerados desagradáveis aqueles que apresentavam características como falta de abertura a novas experiências, pouca conscientização, hostilidade, frieza e conduta neurótica.

03 – O estudo afirma que pessoas egoístas não chegam a posições de poder? Explique.

      Não. O estudo esclarece que pessoas egoístas podem, sim, chegar a cargos altos, mas elas não alcançam essas posições mais rapidamente do que pessoas generosas. O comportamento individualista, portanto, não oferece uma vantagem competitiva ou impacto positivo na ascensão profissional.

04 – De acordo com os coordenadores da pesquisa, qual é o risco de as empresas promoverem pessoas com perfis "desagradáveis"?

      Como as empresas promovem pessoas desagradáveis e generosas com a mesma frequência, o risco é que esses indivíduos difíceis de lidar, ao atingirem posições de poder, acabem causando danos à organização devido ao seu comportamento.

05 – Qual figura histórica é mencionada no texto como um exemplo que ajudou a reforçar a ideia (contestada pelo estudo) de que é preciso ser hostil para ter sucesso?

      O texto menciona Steve Jobs, cujo comportamento incisivo e estilo de liderança ajudaram a consolidar a imagem de que a hostilidade seria um ingrediente necessário para o sucesso extraordinário.

 

NOTÍCIA: O QUE PENSAM OS BRASILEIROS SOBRE OS NOSSOS POVOS INDÍGENAS - FRAGMENTO - LEONARDO BARROS SOARES - COM GABARITO

 Notícia: O que pensam os brasileiros sobre os nossos povos indígenas – Fragmento

          Leonardo Barros Soares

        Às vésperas das festividades de 500 anos do “descobrimento” do Brasil, o Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com o IBOPE, realizou a primeira e única pesquisa de opinião sobre os povos indígenas brasileiros de caráter nacional. Devido à sua singularidade temática e sobretudo aos achados surpreendentes por ela constatados, configura-se como uma pesquisa valiosa para os estudiosos do tema no país. Como se trata de uma época “pré-redes sociais” o que, portanto, significa para muitos uma época quase ágrafa, sem registros de existência, vale a pena recuperar suas principais afirmações.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiZX-Lex4tVXb-2RVNGV_xKkjjMO9YOabySAh53Yfb8buwHdXkED9UFJGSmsDq-LvRRW2d_lPynri21JKT5Kv5VSyddN7bZIYscnOZe6bsA4tR5B2jnHnjzYiYHzXLV15EaEHfllwfTGNJEi_-wVt4Uc5NEm2PjtsIMJ8PrYOlvUfkmiGnBcMJ7rBJ9H6w/s320/INDIOS.jpg


        No que se refere à imagem difusa que os brasileiros e brasileiras têm sobre os povos indígenas, as respostas conformaram um quadro surpreendentemente positivo: 88% dos respondentes concordaram que os índios conservam a natureza e vivem em harmonia com ela; 78% consideraram que os índios são bons, mas que aprendem coisas ruins com os brancos. Apesar dos 36% que consideram os índios violentos e perigosos, 89% concordam com a afirmação de que eles o são apenas com quem invade suas terras. Mais de 80% não considera os índios nem preguiçosos nem ignorantes, apenas com culturas distintas e formas de trabalho diferenciadas.

        Incrível? Pois ainda tem mais.

        No bloco de perguntas relativas aos direitos dos povos indígenas, 92% dos respondentes afirmaram concordar com a ideia de que os povos indígenas devem ter o direito de viver em suas terras de acordo com seus costumes; quando perguntados sobre a famosa expressão “muita terra para pouco índio”, apenas 22% concordaram com ela, ao passo em que os demais consideraram que há ou uma quantidade de terras razoável ou pequena para as necessidades dos povos indígenas. Além disso, 70% dos entrevistados não consideraram que os índios que “falam português e se vestem como nós” devessem perder o direito sobre as terras tradicionais. Convenhamos, são dados muito impressionantes, que demonstram claramente que a maioria dos brasileiros concordava, nos anos 2000, com a ideia de direitos territoriais indígenas.

        Na sequência, no bloco de questões relativas a problemas enfrentados pelos povos indígenas e providências a serem tomadas pelo estado brasileiro, a invasão de terras indígenas pelos brancos foi considerado o principal problema, seguido do desrespeito para com seus valores e culturas e as doenças contraídas em contatos com a sociedade circundante.

        Para 14% dos respondentes, a “solução” (final?) para estes problemas seria deixar os índios serem extintos (massacrados, em outras palavras). Felizmente, 82% recusaram esta opção. A maioria também não achava que os índios devessem ser “preparados para viver como nós”, mas que poderiam ter uma educação que mesclasse a educação formal dos brancos com as formas tradicionais de conhecimento de cada sociedade. Implantar programas de saúde e educação, demarcação de terras e programas econômicos foram apontados como medidas importantes a serem adotas pelo estado para que os povos indígenas pudessem continuar a viver e prosperar em sua condição singular.

        Por fim, no bloco das questões relativas ao futuro dos povos indígenas, 78% dos brasileiros e brasileiras tinham respondido que se interessavam muito pelo tema. 45% criam que os povos indígenas permaneceriam em suas terras no futuro e conservariam suas culturas, ao passo em que 21% consideravam que eles migrariam cada vez mais para as cidades e assimilariam os costumes dos brancos.

        O quadro traçado por esta pesquisa, realizada às barbas do século XXI, apresentava um quadro da opinião pública nacional amplamente favorável aos povos indígenas brasileiros. Há uma franca desconsideração dos estereótipos coloniais seculares do índio como preguiçoso, violento e ignorante. O próprio Márcio Santilli, que apresentou a pesquisa, comenta com incredulidade os resultados. Realmente, é algo que não deixa de impressionar os estudiosos do tema.

        Seria interessante discutir a pesquisa e seus achados à luz da conjuntura da época, algo ao qual não me disporei a fazer aqui. De imediato, no entanto, se impõe a realização de uma nova pesquisa, dezenove anos depois, para aferir a variação da opinião pública a respeito dos índios desde então. Muita água rolou, nós sabemos: as inúmeras mobilizações indígenas em todo o Brasil, a construção de Belo Monte, a carta coletiva dos Guarani-Kaiowá, a morte de indígenas em situações de conflitos territoriais, [...].

        Por fim, cabe questionar essa própria ideia acima anunciada: [...]. Na esfera etnoalucinatória da grande mídia e das redes sociais, tendemos a achar que a vaca já foi para o brejo há muito tempo e nada mais pode ser feito. Em meio ao tóxico ambiente das polêmicas midiáticas e do senso comum galopante, é muito bom poder trabalhar com dados concretos que nos confrontam com uma realidade inesperada. Conhecer pode ajudar a superar o fatalismo com que lidamos com a questão indígena no Brasil.

        Agora, é trabalhar para que tenhamos outra pesquisa desta natureza em breve.

SOARES, Leonardo Barros. O que pensam os brasileiros sobre os nossos povos indígenas? Amazônia: notícia e informação, 23 jul. 2019. Disponível em: https://amazonia,org.br/2019/07/o-que-pensam-os-brasileiros-sobre-os-nossos-povos-indigenas/. Acesso em: 05 nov. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 82-83.

Entendendo a notícia:

01 – Qual é a importância histórica da pesquisa mencionada no texto?

      A pesquisa é considerada valiosa por ser a primeira e única de caráter nacional sobre a opinião dos brasileiros em relação aos povos indígenas. Além disso, ela foi realizada em uma época "pré-redes sociais", registrando um momento histórico cujos dados surpreenderam os estudiosos do tema.

02 – Como a maioria dos brasileiros entrevistados percebia a relação entre os indígenas e a natureza?

      A percepção foi amplamente positiva: 88% dos respondentes concordaram que os indígenas conservam a natureza e vivem em harmonia com ela.

03 – O texto apresenta dados que confrontam estereótipos coloniais. Quais são eles?

      A pesquisa revelou que mais de 80% dos brasileiros não consideravam os índios preguiçosos ou ignorantes, mas sim detentores de culturas e formas de trabalho diferenciadas. Além disso, 89% acreditavam que a violência indígena só ocorria contra quem invadia suas terras.

04 – Qual foi a reação da maioria dos entrevistados em relação à tese de que há "muita terra para pouco índio"?

      Apenas 22% dos entrevistados concordaram com essa expressão. A grande maioria considerou que a quantidade de terras destinadas aos indígenas é razoável ou até pequena para suas necessidades.

05 – Segundo o levantamento, o fato de um indígena falar português e vestir roupas ocidentais deveria afetar seus direitos territoriais?

      Não para a maioria. 70% dos entrevistados afirmaram que o indígena que utiliza a língua portuguesa e se veste "como nós" não deve perder o direito sobre suas terras tradicionais.

06 – Quais foram os principais problemas enfrentados pelos povos indígenas apontados pelos entrevistados e quais soluções foram sugeridas para o Estado?

      O principal problema citado foi a invasão de terras por brancos, seguido pelo desrespeito cultural e doenças. Como soluções, a maioria defendeu a demarcação de terras, programas de saúde, economia e uma educação que mesclasse o ensino formal com os conhecimentos tradicionais.

07 – Por que o autor defende a realização de uma nova pesquisa dezenove anos depois?

      O autor argumenta que "muita água rolou" desde os anos 2000, citando eventos como a construção de Belo Monte, conflitos territoriais e a morte de indígenas. Ele acredita que é necessário aferir como a opinião pública variou após quase duas décadas de novas mobilizações e mudanças no cenário nacional.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: CULPA IRRADIADA - FOLHA DE S.PAULO - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Culpa irradiada

 

         Cinco anos depois de uma cápsula com césio-137 radiativo ter sido exposta num ferro velho em Goiânia, matando quatro pessoas e causando lesões físicas em pelo menos 16, os responsáveis pelo incidente foram finalmente condenados pela Justiça.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgtD8NG9pjD50bXUD6M618ZvlS59vGax8xGTMSYHvTc24RqjdfMy9nlCxjegwc2RVQgblA4_X0ja3nzO02CM6TfX8VxU51vJ1tIU__2sAFgBrdOv8dCE6EH0FF-Cu8gS-LN2f0hvSQoYV0X4_R1RwpJva4Wrpsp05eB8NUIjP6KQe78SXQOLIlYmpql14s/s320/CESIO.jpeg


      Apesar da morosidade excessiva do processo - marca infelizmente tradicional do Judiciário brasileiro -, não deixa de ser digno de nota o fato de que não prevaleceu, desta vez, a impunidade tão corriqueira no país.

       Os acusados - três sócios do instituto de onde o césio foi retirado e o técnico responsável -, a quem cumpria guardar o produto radiativo, foram condenados por homicídio e lesões corporais culposos.

         Embora ainda caiba recurso, merece destaque desde já a punição cominada pelo juiz. Em lugar de uma contraproducente sentença de prisão - lamentavelmente comum mesmo para condenados que não oferecem risco social -, o magistrado optou pela prestação de serviços, tornando o cumprimento da pena útil, em vez de oneroso, para a comunidade.  

(Folha de S. Paulo, 8/8/92.)

 

Questões sobre o texto

 

01. Qual é o tema central abordado no texto?

a. A descrição técnica dos danos causados pelo césio-137 em Goiânia.

b. A condenação judicial dos responsáveis pelo acidente radiológico após cinco anos.

c. Uma crítica generalizada contra a falta de hospitais para tratar vítimas de radiação.

d. O histórico detalhado da vida dos sócios do instituto envolvido. E) A defesa da prisão perpétua para crimes de lesão corporal.

02. Segundo o autor, qual é uma característica "tradicional" e negativa do Judiciário brasileiro mencionada no texto?

a. A severidade excessiva das penas.

b. A rapidez na resolução de crimes ambientais.

c. A morosidade (demora) excessiva dos processos.

d. A recusa em aceitar recursos das defesas.

e. A priorização de crimes financeiros em detrimento de crimes contra a vida.

03. Os responsáveis pelo incidente foram condenados por quais crimes?

a. Homicídio doloso (com intenção de matar) e furto qualificado.

b. Crime ambiental e formação de quadrilha.

c. Omissão de socorro e prevaricação.

d. Homicídio e lesões corporais culposos (sem intenção de matar). e. Apenas danos materiais ao ferro-velho em Goiânia.

04. Qual é a opinião do autor sobre a sentença de prestação de serviços imposta pelo juiz?

a. Ele considera a pena insuficiente diante da gravidade das mortes.

b. Ele a vê como positiva, classificando-a como útil para a comunidade, em vez de onerosa.

c. Ele acredita que a prisão seria o único meio de garantir o risco social.

d. Ele afirma que a prestação de serviços é uma forma de impunidade disfarçada.

e. Ele discorda do juiz, alegando que o cumprimento da pena será contraproducente.

05. No trecho "Embora ainda caiba recurso...", a conjunção em destaque estabelece uma relação de:

a. Consequência, indicando que o recurso será aceito obrigatoriamente.

b. Adição, somando uma nova punição à sentença anterior.

c. Concessão, introduzindo uma ideia que não impede o destaque positivo da punição atual.

d. Causa, explicando o motivo pelo qual o juiz determinou a prestação de serviços.

e. Condição, sugerindo que a punição só vale se não houver recurso.

 

 

 

MÚSICA(ATIVIDADES): PRECISO ME ENCONTRAR - ANTÔNIO CANDEIA FILHO - COM MARISA MONTE

 Música(Atividades): Preciso me encontrar

                   Autor: Antônio Candeia Filho

 

Deixe-me ir, preciso andar

vou por aí a procurar

rir pra não chorar

quero assistir ao sol nascer

ver as águas dos rios correr

ouvir os pássaros cantar

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg0z3S9pqb1z69gyLxGy-bQuyGvNlhQhQc_6RFx31Pa98a4m-aas_9fe5DfMZEsHnM77IRKKwUSFrfGBrDHqhTmuY31eoMiu3k5HeYiPT63JQ2Uy6xhrk67U4R17gdGo6cFoL9A13OePc-g_0pFc-1f7o49WW6xfuNKoJHjtOnIsDwxFP1uDg-cBPbbZxI/s320/MARISA.jpg


eu quero nascer, quero viver

deixe-me ir, preciso andar

vou por aí a procurar

rir pra não chorar

se alguém por mim perguntar

diga que eu só vou voltar

quando eu me encontrar

quero assistir ao sol nascer

ver as águas dos rios correr

ouvir os pássaros cantar

eu quero nascer, quero viver

deixe-me ir, preciso andar

vou por aí a procurar

rir pra não chorar.

(CANDEIA (Antônio Filho), "Preciso me encontrar". In: encarte do disco  Marisa Monte, 1989)

 

Entendendo o texto

 

01. Sobre o estado emocional e o desejo do eu lírico, qual a interpretação correta para o verso "rir pra não chorar"?

a. O eu lírico sente-se genuinamente alegre e quer compartilhar essa felicidade com o mundo.

b. Trata-se de uma antítese que revela um esforço para mascarar a tristeza ou o sofrimento através de uma aparência de alegria.

c. Indica que o eu lírico está confuso e não sabe distinguir entre o choro e o riso.

d. Demonstra que a jornada de autodescoberta é, desde o início, um caminho de piadas e diversão.

02. No trecho "quero assistir ao sol nascer / ver as águas dos rios correr / ouvir os pássaros cantar", o eu lírico busca a cura para seu dilema através de qual elemento?

a. Da tecnologia e do progresso das grandes cidades.

b. Do isolamento total em um ambiente escuro e silencioso.

c. Da conexão com a natureza e com a simplicidade do ciclo da vida.

d. Da busca por riquezas materiais para preencher seu vazio.

03. Quanto à estrutura de rimas da letra, observe a estrofe: "se alguém por mim perguntar / diga que eu só vou voltar / quando eu me encontrar". Qual a classificação dessa rima?

a. Rimas ricas, pois utilizam classes gramaticais diferentes (substantivo e adjetivo).

b. Rimas pobres, pois rimam verbos no infinitivo da mesma conjugação (perguntar/voltar/encontrar).

c. Rimas brancas, pois não há repetição de sons finais entre os versos.

d. Rimas alternadas, onde o primeiro verso rima apenas com o terceiro.

04. A repetição do verso "Deixe-me ir, preciso andar" cumpre qual função na construção do sentido do texto?

a. Demonstra que o eu lírico está perdido e não sabe para que direção seguir.

b. Indica que o eu lírico está sendo impedido fisicamente por alguém de sair de casa.

c. Reforça a necessidade de autonomia e o caráter urgente da sua busca pessoal por liberdade.

d. Serve apenas para preencher o tempo da melodia, sem impacto no significado da letra.

05. No verso "Eu quero nascer, quero viver", o uso da palavra "nascer" assume um sentido figurado (conotativo). O que isso representa para o eu lírico?

a. O desejo de voltar a ser uma criança pequena.

b. A necessidade biológica de um novo nascimento físico.

c. Uma metáfora para o renascimento espiritual e o início de uma nova fase de vida.

d. Uma alusão ao fato de que ele ainda não possui documentos de identificação.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: OS MENINOS DO BRASIL - CLÓVIS ROSSI - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Os meninos do Brasil

                              Clóvis Rossi

          SÃO PAULO - Primeiro, foi o "arrastão" nas praias do Rio. Logo depois, nas praias de Fortaleza. Um pouco mais adiante, na festa do Círio de Nazaré, em Belém do Pará. Desceu, em seguida, para a praça da Sé em São Paulo. Chegou ontem a Londrina, no norte do Paraná, cidade em que uma dúzia de lojas foi "arrastada" por bandos de menores movidos a cola de sapateiro.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjQVFcJ55U5kDORCTvbo_l0oofYJ1vqMFf4HJgRUgIkTxsNZ5CZvKeGmMqICDnrmolIX8Sl8ftMmOFo4guZbvQMMl44YtzeY-JrLMQfPQyGdDZuwf3SOXDzPF3Hht0VX70qZuyA760phZBVz_PBlfjYFrMUMXlSqY_oedjC39faz7ONv_SIeI5_Ne9f-Ao/s320/barraca_leme.jpg 


          Vê-se que já não dá sequer para o tolo conformismo de achar que essa espécie de guerrilha urbana está restrita aos grandes centros, depósitos habituais de todos os problemas do subdesenvolvimento. Londrina parece ser apenas uma dessas cidades médias abençoadas pela alta qualidade de vida interiorana.

          É evidente que deve haver, nessa onda de "arrastões", um pouco de modismo. O pessoal vê pela televisão um grupo "arrepiando bacanas" no Rio de Janeiro e resolve fazer a mesma coisa na sua própria cidade. Copiar comportamentos alheios, muito divulgados pela mídia, é um fenômeno até certo ponto corriqueiro.

         O problema é que a matéria-prima para a repetição dos "arrastões" sobra no país. O Brasil, que sempre foi exemplo extremo de má distribuição de renda, tornou-se selvagem nestes muitos anos de estagnação econômica. Se há alguma indústria nacional que não sofre os efeitos da recessão é a fábrica de produzir miseráveis e marginalizados. Da marginalização à marginalidade e dela à brutalidade, a distância costuma ser curta.

        Consequência inevitável; os "bacanas" já estão todos arrepiados. Pior: tornam-se cada vez mais inúteis os discursos sobre a miséria, sobre a infância desamparada, sobre as injustiças sociais. A fábrica de produzir retórica sobre essa temática é, aliás, outro setor que não entrou em recessão.

         Seria altamente conveniente que admitíssemos de uma vez por todas que estamos, todos, desequipados para agir, em vez de discursar a respeito. Não é um problema que se possa resolver apenas por meio do poder público. Não é um problema que a filantropia de meia dúzia vá sequer atenuar. É uma guerra. Não serve de consolo saber que produziu poucas vítimas fisicamente até agora. Todo o país é vítima quando seus "bacanas" começam a odiar os meninos do Brasil.  

(Folha de S. Paulo, 30/10/92.)

 Entendendo o texto

01. De acordo com o primeiro parágrafo, a ocorrência de "arrastões" em Londrina demonstra que:

a) O fenômeno está restrito apenas às capitais litorâneas do país.

b) A criminalidade juvenil deixou de ser um problema exclusivo dos grandes centros urbanos.

c) O policiamento no interior do Paraná é mais ineficiente que no Rio de Janeiro.

d) As cidades com alta qualidade de vida estão imunes aos problemas do subdesenvolvimento.

e) O uso de cola de sapateiro é a única causa da violência em cidades médias.

02. O autor atribui a rápida disseminação do comportamento dos "arrastões" por diversas cidades brasileiras principalmente ao(à):

a) Organização nacional de facções criminosas juvenis.

b) Falta de opções de lazer para os jovens no interior.

c) Influência da mídia e da televisão, que gera um efeito de "modismo" e cópia.

d) Aumento repentino do preço da cola de sapateiro.

e) Inexistência de leis que punam menores de idade.

03. No trecho "Se há alguma indústria nacional que não sofre os efeitos da recessão é a fábrica de produzir miseráveis e marginalizados", o autor utiliza uma metáfora para criticar:

a) O crescimento do setor industrial brasileiro apesar da crise.

b) A eficiência do governo em gerar empregos para a população carente.

c) O agravamento das desigualdades sociais e da pobreza decorrentes da estagnação econômica.

d) A exportação de mão de obra desqualificada para outros países. e) A qualidade dos produtos fabricados nas periferias das grandes cidades.

04. Qual é a principal crítica feita pelo autor no penúltimo parágrafo em relação aos discursos sobre a miséria?

a) Os discursos são necessários para convencer os "bacanas" a serem filantropos.

b) A retórica sobre a injustiça social tornou-se inútil e repetitiva, sem gerar ações práticas.

c) Não existem intelectuais suficientes falando sobre a infância desamparada.

d) Os discursos ajudam a diminuir a violência nas ruas de São Paulo.

e) Apenas o poder público tem o direito de discursar sobre a marginalidade.

05. Ao concluir que "todo o país é vítima quando seus 'bacanas' começam a odiar os meninos do Brasil", Clóvis Rossi sugere que:

a) O ódio entre classes sociais é a solução para acabar com os arrastões.

b) A sociedade deve se armar para combater os menores carentes. c) O problema é meramente policial e deve ser resolvido com repressão física.

d) A ruptura social e o preconceito contra os jovens pobres representam uma derrota para toda a nação.

e) Os "bacanas" são as únicas vítimas reais da situação descrita.