terça-feira, 25 de setembro de 2018

POESIA: DESPEDIDA - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

Poesia: Despedida
          CECÍLIA MEIRELES


Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão

- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.

                                                                    Cecília Meireles.
Entendendo a poesia:
01 – De que modo a palavra-título é significada no texto?
      Evoca a busca da solidão como paráfrase da busca da morte.

02 – Qual o tema dessa poesia?
      Tematiza a despedida do locutor do texto poético.

03 – O que poderia ter levado o eu lírico a desejar a solidão?
      Esta vontade é expressa no último verso da primeira estrofe, - “quero solidão” – parafraseia a vontade que o poema não nomeia: a de morrer, e que se concretiza na última estrofe, no abandono do corpo pelo locutor: “Deixo aqui meu corpo.”

04 – Retire da poesia um par de antíteses:
      Bravo / tranquilo.

05 – O locutor (eu lírico) toma a palavra como enunciador-individual. Cite as marcas em 1ª pessoa que saturam o poema individualidade.
      “Por mim”; “deixo”; “quero”; “meu (caminho)”; “viajo”; “(não) ando”; “levo”; “meu (rumo)”; “minha (fronte)”; “meu (amor)”; “minha (imaginação)”; “eu”; “deixo”; “meu (corpo)”; “beijo-te”; “(corpo) meu”.

06 – No verso: "A memória voou da minha fronte." há uma figura de linguagem. Identifique e explique:
      É personificação, que consiste em atribuir a objetos inanimados ou seres irracionais sentimentos ou ações. Próprias dos seres humanos.

07 – Retire do poema todas as palavras que rimam.
      As palavras que rimam são: aquilo / tranquilo – estão / solidão – paisagens / imagens – perguntarão / irmão – nada / desencontrada – coração / mão – fronte / horizonte – imaginação / estarão – terra / guerra – desilusão / solidão.

08 – Como entender este verso: “Que procuras? Tudo. Que desejas? – Nada.”
      Aqui a falta do desejo conduz a busca de “tudo”. Á procura por “tudo” se contrapõe o desejo que não há. Juntos e contraditórios, eles significam o desencanto do locutor (eu lírico).

09 – Em que verso, que o eu lírico no gesto decisivo na busca da solidão no abandono do corpo, há um efeito de separação entre o emocional e o corpo físico?
      “Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.”
www.armazemdetextos.blogspot.com.br


FÁBULA PARA SÉRIES INICIAIS: O CÃO E O OSSO - ESOPO - COM GABARITO


Fábula: O Cão e o Osso

                       Esopo

        Um dia, um cão ia atravessando uma ponte, carregando um osso na boca.
    Olhando para baixo, viu sua própria imagem refletida na água.
       Pensando ver outro cão, cobiçou-lhe logo o osso e pôs-se a latir.
        Mal, porém, abriu a boca, seu próprio osso caiu na água e se perdeu para sempre.

        Moral: Nunca deixes o certo pelo duvidoso. De todas as fraquezas humanas a cobiça é a mais comum, e é todavia a mais castigada.

Entendendo a fábula:
01 – Que tipo de texto é esse?
      Uma fábula.

02 – O que é uma fábula?
      Fábula é uma composição literária em que os personagens são animais que apresentam características humanas, tais como a fala, os costumes, etc. 

03 – Qual é o título do texto?
      O cão e o osso.

04 – Quantos parágrafos possuem no texto?
      Possui 05 parágrafos.

05 – Qual é a moral da história?
     Moral: Nunca deixes o certo pelo duvidoso. De todas as fraquezas humanas a cobiça é a mais comum, e é todavia a mais castigada.

06 – O que o cão estava carregando na boca?
      Estava carregando o osso.

07 – O que ele viu ao olhar para a água?
      Viu sua própria imagem refletida na água.

08 – O que ele cobiçou?
      Cobiçou o osso, que viu na imagem refletida na água.

09 – O que aconteceu com o osso quando ele abriu a boca?
      Quando ele abriu a boca para latir o osso caiu.






CONTO: A FÁBRICA DA LARANJA - MARLENE B. CERVIGLIERI - COM GABARITO

Conto: A Fábrica da Laranja

        -- É tão bonito de se ver, tanto quanto um vaso de flores.
        -- O quê, mamãe?
        -- Uma cesta cheia de frutas.
        -- Frutas, mamãe?
        -- É isso mesmo.
        -- Vou te contar uma estória sobre frutas.
        -- Uma vez havia uma fruteira cheia de frutas na sala de minha avó. Eram tão lindas que eu imaginei que elas conversavam. Encostei minha cabeça na mesa para ouvir a conversa. Sabe o que estava acontecendo? Elas estavam brigando...
        -- Brigando mamãe?
        -- Sim, meu filho, brigando.
        -- Dizia a banana para o mamão:
        -- Você está vermelho demais, é de vergonha eu creio.
        -- Nada disso – respondeu ele – pensa que não vi! Você está cheia de pelos e muito branquinha, por isso tem inveja de mim porque eu sou corado.
        -- Você não sabe nada... – respondeu a banana – não tenho pelos seu bobinho, são as proteções para minha polpa.
        Enquanto isso a pera empurrava o abacaxi reclamando:
        -- Chega pra lá, você está arranhando a minha pele macia e delicada.
        -- Cala a boca, sua chata. – respondeu o abacaxi – você é que quer ficar grudadinha em mim só para sentir o meu perfume gostoso.
        Vamos, fala a verdade!
        A pera se afastou amuada. A ameixa reclamou da grosseria do abacaxi. A maçã foi logo se afastando para não entrar na confusão.
        O melão discutia com o cacho de uva que dizia:
        -- Vou falar com a dona da fruteira. Ela precisa separar as frutas. Estas frutas espinhosas – olhou para o abacaxi – têm de ficar com as de cascas duras amarelas – e olhou para o melão. Senão as frutas delicadas como o mamão, a dona pera, a dona maçã serão esmagadas.
        E assim continuaram a brigar, sem perceber a tristeza da laranja encostadinha neles. Pensava a laranja: 
        -- Ninguém gosta de mim. Sempre escolhem a banana, o mamão e a dona maça. Não devo ter graça nenhuma.
        Nesse momento entraram na sala de jantar, minha vovó, meu irmãozinho menor e o teu tio Pedro.
        Sentaram-se ao meu lado sem se importar comigo ali deitada fingindo que dormia.
        -- Veja Pedro, – disse pegando a laranja na mão – Esta é uma laranja. Quando você a pega na mão, assim, parece que não tem nada, não é mesmo?
        -- Suco vovó.
        -- Não meu querido, não é só isso. Veja o que a vovó vai fazer com uma laranja.
        Pegou a laranja e cuidadosamente tirou a casca. Depois tirou gomo por gomo e colocou no pratinho.
        -- Veja Pedro vou mostrar a você a fábrica de garrafinhas que a laranja tem.
        -- Fábrica de garrafinhas?
        -- Isso mesmo, veja.
        Com cuidado tirou a pele do gomo e foi tirando as garrafinhas cheias de suco.
        -- Que coisa bonita vovó?
        -- E agora vamos à casca. Vamos parti-la em tirinhas e deixá-las de molho e mais tarde farei tirinhas de casca de laranja açucaradas.
        -- Puxa! quanta coisa não é vovó?
        -- Ali, fingindo que dormia, meu filho, aprendi muito. Às vezes você está no meio de tantos e se sente nada. Mas sempre há alguém que vem e mostra a você o seu valor chegando ao seu coração.
        -- Como a laranja mamãe?
        -- Isso mesmo, filho.
        -- Sabe meu querido, devemos comer de todas as frutas. É claro que há alguma que o seu corpinho não aceita.
        -- É, eu sei, por causa da alergia não é mesmo?
        -- Isso meu querido.
        -- Sabe mamãe, lá na escola vamos fazer uma salada de frutas. Vou aproveitar para contar a estória para eles.
        Na fruteira a laranja estava feliz.
        -- Puxa não sabia que eu tinha uma fabriquinha dentro de mim...
        E agora amiguinhos, vamos comer frutas? 

                                                                        Marlene B. Cerviglieri 
Entendendo o conto:
01 – Qual é o título do texto?
      “A fábrica da laranja”.

02 – Quem são as personagens do texto?
      A mamãe; o filho; a vovó; o irmão menor e o tio Pedro.

03 – Quais as frutas que tinha na fruteira?
      Banana; mamão; pera; abacaxi; ameixa; maçã; melão; uva e a laranja.

04 – De acordo com o texto, por que as frutas ficavam brigando entre elas?
      Porque dentro da fruteira o espaço era pequeno e uma amassava a outra.

05 – Qual das frutas que ia falar com a dona da fruteira para separa-las? E como ficaria após a separação?
      Foi o cacho de uva. Iria tirar o abacaxi e o melão da fruteira.

06 – Qual das frutas, se sentia abandonada, isolada das outras?
      A laranja.

07 – O que a vovó quis dizer com: “Veja Pedro vou mostrar a você a fábrica de garrafinhas que a laranja tem”?
      É que cada gomo da laranja, possui várias bolsas cheias de suco, o qual ela chama de garrafinhas de suco.

08 – O que a vovó faz da casca da laranja?
      Ela corta em tirinhas, e faz casca da laranja açucarada.

09 – Por que o filho não pode comer todas as frutas?
      Porque ele tem alergia a alguma fruta.

10 – Na escola eles vão fazer uma salada de frutas, e o que o filho vai aproveitar para dizer?
      Ele vai falar a história da laranja, que ouviu a mãe contar.

11 – Após a história, a laranja estava feliz e o que ela pensava?
     “-- Puxa não sabia que eu tinha uma fabriquinha dentro de mim...”
     






RELATO DE VIAGEM - AMYR KLINK - COM GABARITO

 Relato de viagem 

        O que você vai ler

        O trecho do relato de viagem que você vai ler foi escrito pelo navegador brasileiro Amyr Klink, que já realizou diversas façanhas, como passar um ano inteiro na Antártida e dar a volta ao mundo pela rota mais difícil: a circum-navegação em torno do continente antártico. O texto a seguir faz parte de um livro chamado Cem dias entre céu e mar, em que Amyr Klink relata uma viagem de travessia do Atlântico Sul. O navegador percorreu 7 mil quilômetros, da Namíbia (África) à cidade de Salvador (Brasil), entre 10 de junho e 19 de setembro de 1984. Foi a primeira vez que um homem cruzou sozinho o Atlântico Sul em um barco a remo de 6 metros de comprimento. 
        Durante a travessia, Amyr registrou, dia após dia, os desafios enfrentados e os pensamentos a respeito do que viu.

        Partir 

        A situação a bordo era desoladora. O vento ensurdecedor, o mar difícil, roupas encharcadas, muito frio e alguns estragos. Pela frente, uma eternidade até o Brasil. Para trás, uma costa inóspita, desolada e perigosamente próxima. Sabia melhor que ninguém avaliar as dificuldades que eu teria daquele momento em diante. Estava saindo na pior época do ano, final de outono, e teria pela frente um inverno inteiro no mar. 
[...] 
        Finalmente, meu caminho dependeria do meu esforço e dedicação, de decisões minhas e não de terceiros, e eu me sentia suficientemente capaz de solucionar todos os problemas que surgissem, de encontrar saídas para os apuros em que porventura me metesse. 
        Se estava com medo? Mais que a espuma das ondas, estava branco, completamente branco de medo. Mas, ao me encontrar afinal só, só e independente, senti uma súbita calma. Era preciso começar a trabalhar rápido, deixar a África para trás, e era exatamente o que eu estava fazendo.
[...] 
        Não estava obstinado de maneira cega pela ideia da travessia, como poderia parecer - estava simplesmente encantado. Trabalhei nela com os pés no chão, e, se em algum momento, por razões de segurança, tivesse que voltar atrás e recomeçar, não teria a menor hesitação. Confiava por completo no meu projeto e não estava disposto a me lançar em cegas aventuras. Mas não poder pelo menos tentar teria sido muito triste. Não pretendia desafiar o Atlântico - a natureza é infinitamente mais forte do que o homem -, mas sim conhecer seus segredos, de um lado ao outro. Para isso era preciso conviver com os caprichos do mar e deles saber tirar proveito. E eu sabia como.
[...]
        Uma foca solitária 

        Acordei no dia seguinte sobressaltado, dolorido após o esforço feito na véspera. Mal me lembrava de ter deitado para dormir. Encaixado no fundo da popa, eu não sentia o movimento do barco e só via o horizonte e as estrelas passando rápido pela janelinha. Mas, ao me levantar para ir ao trabalho, percebi que o mar piorara bastante durante a noite. Paciência! Agora era comigo mesmo. Tinha um imenso e desconhecido oceano pela frente que na verdade me atraía, e para trás, gravada na memória, uma fase dura, da qual não sentia a mínima saudade. 
        E comecei a remar. Remar de costas, olhando para trás, pensando para frente. Eu queria me afastar o mais rapidamente possível da costa africana. Avançava com dificuldade, devido às ondas que me molhavam a cada cinco minutos, mas não podia parar. Cada centímetro longe dessa região era de fundamental importância. 
        Sopram ali, o ano todo, ventos implacáveis, que movem as dunas do deserto da Namíbia e carregam a areia fina, deixando os diamantes à flor da superfície. Diamantes da mais alta qualidade (gem quality), lavados pelo mar e polidos pela areia, e em tal extensão que sua exploração é fortemente controlada e delimitada. 
        É a "zona proibida dos diamantes", que isola toda a costa até Walvis Bay e onde qualquer embarcação que se aproxima não tarda a ser apreendida. Nenhum veículo, por terra, ou ar, que ultrapasse seus limites pode sair dali. Por mar, a mesma coisa. Por outro lado, qualquer aproximação, ainda que de emergência, é impraticável, pois não existe em enorme extensão de litoral um único abrigo ou enseada acessível, ou livre de arrebentação. 
        Ao mesmo tempo, eu navegava na região que detém o recorde do maior número de naufrágios junto à costa, em tempo de paz, até 1945, de todo o continente africano. Não sem razão. Zona de ressurgência fria, com turbulências térmicas e ondas acima da altura média para sua latitude, a navegação por essas águas é dificultada por fenômenos anormais surgidos com as bruscas variações de temperatura.
[...] 
        De fato, nada colaborava para que eu achasse normal a paisagem à minha volta. Ondas completamente descontroladas, águas escuras, tempo encoberto, um barulho ensurdecedor. Por onde andariam as tranquilas águas azuis do Atlântico de que tanto ouvi falar? Sem dúvida, longe da África. 
[...]
        No fim do dia, ao me levantar para amarrar os remos e jogar a biruta no mar, antes de ir dormir, olhei para o horizonte e, em vez de mar, como imaginava, o que vi? As dunas do deserto! Durante a noite, enquanto dormia, o barco derivara de volta e eu me encontrava novamente junto à costa. 
[...] 
        Naquela mesma noite fui acordado diversas vezes por ondas que golpeavam o barco com impressionante violência. O mar parecia ter enlouquecido e não havia mais nada que eu pudesse fazer a não ser permanecer deitado e rezar. Choques tremendos, um barulho assustador, tudo escuro; adormeci. E acordei, deitado no teto, quase me afogando em sacolas e roupas que me vieram à cabeça. Tudo ao contrário: eu havia capotado. Indescritível sensação. Estaria sonhando ainda? 
        Não. Alguns segundos, outra onda e tudo voltava à posição normal em total desordem! 
        Mal tive tempo de analisar o que se passou, e o mundo deu novamente uma volta completa, tão rápida que nem cheguei a sair do lugar. Lembrei-me da blusa verde, que ganhei da Anne Marie, solta no cockpit, e dos remos - estariam ainda inteiros no seu lugar? Impossível descobrir naquele momento. Precisava tirar a água primeiro. Não havia tempo para pensar. Sem que eu parasse um minuto de acionar a alavanca da bomba, o dia começou a nascer e pude então perceber o tamanho da encrenca. 
[...] 
Amyr Klink. Cem dias entre céu e mar. 3. ed. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995. p. 21-22 e 47-50.
Glossário

Arrebentação: choque das ondas ou lugar onde elas se quebram. 
Biruta: aparelho para indicar a direção do vento. 
Cockpit: local destinado aos pilotos de carros de corrida ou em algumas embarcações. 
Derivar: desviar da rota. 
Desolador: que apresenta aparência de isolamento, desamparo e aflição. 
Enseada: pequena baía na costa do mar, que serve de porto a embarcações. 
Hesitação: indecisão, dúvida. 
Inóspito: desfavorável à vida; difícil. 
Latitude: distância de um ponto do globo terrestre em relação à linha do Equador. 
Obstinado: inflexível; que defende uma opinião ou propósito, mesmo quando contrários à razão; teimoso. 
Popa: parte de trás de uma embarcação. 
Ressurgência: movimento ascendente de águas profundas para a superfície. 
Sobressaltado: bastante agitado; inquieto.

Entendendo o texto:

01 – Com base nas informações do texto e da seção O que você vai ler, responda. 
a) O relato trata de que viagem?    
      De uma travessia do oceano Atlântico (Atlântico Sul). 

b) Quem está realizando a viagem?   
      Amyr Klink.

c) Quem está relatando essa viagem?   
      O próprio Amyr Klink.

d) Qual é o veículo utilizado na viagem? 
      Um barco a remo de 6 metros de comprimento.

e) Como é a região por onde Amyr Klink passou? 
      É uma região perigosa, com ressurgências e turbulências, ondas com altura acima da média e com variações de temperatura.

02 – O texto que você leu apresenta duas partes: em uma delas, Amyr Klink fala dos sentimentos dele em determinado momento da viagem e, em outra, apresenta uma situação de perigo que enfrentou. Quais os títulos dessas duas partes respectivamente? 
      A parte do texto em que o navegador revela medos, apreensões e certezas tem o título “Partir”. Na outra parte, o título é “Uma foca solitária”, em que Amyr Klink relata o momento em que o barco fica à deriva e capota.

03 – Releia a primeira parte do texto. Como Amyr Klink se sentia em relação à viagem a que se lançou? 
      Embora estivesse com medo, ele se sentia capaz de solucionar todos os problemas que surgissem, de encontrar saídas para os apuros em que porventura se metesse, sentia confiança em seu projeto, mas tinha consciência dos desafios, a serem superados.

04 – Amyr Klink planejou a viagem antes de realizá-la. Retire do texto um trecho. 
      “Não estava obstinado de maneira cega pela ideia da travessia, como poderia parecer – estava simplesmente encantado. Trabalhei nela com os pés no chão e, se em algum momento, por razões de segurança, tivesse que voltar atrás e recomeçar, não teria a menor hesitação.” 

05 – Na primeira parte do texto, Amyr Klink demonstra respeito à natureza. Transcreva a passagem que mostra a visão do autor sobre seu relacionamento com a natureza.
      “Não pretendia desafiar o Atlântico – a natureza é infinitamente mais forte do que o homem –, mas sim conhecer seus segredos, de um lado para o outro. Para isso era preciso conviver com os caprichos do mar e deles saber tirar proveito. E eu sabia como.”

06 – Releia o título da segunda parte do texto. Que significado ele tem, levando em conta o que foi relatado por Amyr Klink?   
      Esse título faz uma comparação do navegador com um animal marinho e indica que Amyr Klink estava navegando sozinho, tal como uma foca solitária. 

07 – Mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaria na viagem, há situações, na segunda parte do texto, em que o autor se vê apreensivo e surpreso. 
a) De qual região era fundamental que Amyr Klink se afastasse rapidamente? Por quê? 
      Da costa africana, pois nessa região sopram ventos implacáveis o ano todo e porque se tratava de uma região recorde em naufrágios, de todo o continente africano até 1945. 

b) Qual perigo ele estaria correndo se não se afastasse logo dessa região? Justifique sua resposta. 
      A embarcação de Amyr Klink poderia ser aprendida se ele se aproximasse da “zona proibida dos diamantes”. Além disso, uma aproximação, mesmo que emergencial, seria impraticável, pois nessa região não existe um único abrigo ou lugar acessível para ancorar a embarcação que seja livre de arrebentação.

c) Como Amyr Klink se sente ao avistar as dunas do deserto da Namíbia? 
      Ele fica surpreso, pois não esperava que a embarcação mudasse de rota e ele, em vez de ver o mar, voltasse a ver a costa. 

d) Por que ele demonstra esse sentimento? 
      Após remar durante um dia inteiro, ele esperava ter alcançado o alto-mar, mas, ao avistar as dunas, compreendeu que ainda não tinha conseguido se afastar da costa africana. 

e) O que aconteceu com o barco que deixou o navegador totalmente incapacitado para agir? 
      Durante uma noite, o barco foi golpeado por ondas extremamente violentas e capotou. Só quando o barco voltou a posição normal o navegador pôde tomar as providências necessárias. 

08 – Com base no texto lido, é possível imaginar as situações que o navegador enfrentou nessa fase da viagem? Por quê?   
      Sim, pois o texto dá muitas informações e descrições que nos possibilitam saber como era o barco e imaginar as condições climáticas, os principais perigos e quais desafios o navegador estava enfrentando. 

09 – Você acredita que Amyr Klink teve sucesso em sua travessia? Justifique sua resposta.   
      Resposta pessoal do aluno.

10 – Se você fosse realizar uma viagem como essa de Amyr Klink, o que seria necessário saber? 
      Espera-se que os alunos mencionem a necessidade de conhecimentos marítimos e de navegação, fazer um planejamento da viagem, realizar uma pesquisa sobre a região a ser visitada, etc. 


TEXTO: A MANIA NACIONAL DA TRANSGRESSÃO LEVE - MICHAEL KEPP - COM GABARITO

Texto: A mania nacional da transgressão leve

   Pequenos delitos são transgressões leves que passam impunes e, no Brasil, estão tão institucionalizados que os transgressores nem têm ideia de que estão fazendo algo errado. Ou então acham esses "mini-abusos" irresistíveis, apesar de causarem "mini-danos" e/ ou levarem a delitos maiores. Esses maus exemplos são também contagiosos. E, em uma sociedade na qual proliferam, ser um cidadão-modelo exige que se reme contra uma poderosa maré ou que se beire a santidade.
        Alguns pequenos delitos – fazer barulho em casa a ponto de incomodar os vizinhos ou usar as calçadas como depósito de lixo e de cocô de cachorro – diminuem a qualidade de vida em pequenas, mas significativas, doses. Eles ilustram a frase do escritor Millôr Fernandes: "Nossa liberdade começa onde podemos impedir a dos outros".
Apesar de os delitos pequenos estarem institucionalizados demais para notar ou serem tentadores demais para resistir, dizer "não" a eles beneficia a sociedade como um todo. E um "não" vigoroso o bastante pode alertar os distraídos e os fracos de espírito para que, em uma sociedade que se guia pela "lei de Gerson", nossa bússola moral possa nos apontar o caminho
        No ano passado, o grupo de adolescentes que furou a enorme fila para assistir ao show gratuito de Naná Vasconcelos, na qual eu e outros esperávamos por horas, impediu nossa liberdade. Os jovens receberam os ingressos gratuitos que, embora devessem ser nossos, se esgotaram antes de chegarmos à bilheteria.

       
A frase de Millôr também cai como uma luva para o casal que recentemente pediu a um amigo -na minha frente, na fila das bebidas, no intervalo de uma peça- que comprasse comes e bebes para ambos. O fura-fila indireto me irritou não só porque demorou mais para me atenderem mas também porque o segundo ato estava prestes a começar. Qual é a diferença deles para os motoristas que me ultrapassam pelo acostamento nas estradas e depois furam a fila, atrasando a minha viagem? E que dizer daqueles motoristas que costuram atrás das ambulâncias?
        Outros pequenos delitos causam danos porque representam uma pequena parte da reação em cadeia que corrói o tecido social. Os brasileiros que contribuem para a rede de consumo de drogas não são apenas os que as compram mas até os que as consomem de vez em quando em festas. Uma simples tragada liga você, mesmo que de modo ínfimo, ao traficante e à bala perdida, mas atos aparentemente tão inócuos e difíceis de condenar nos forçam a pensar no que constitui um pequeno delito.
        Por exemplo, que dano social pode ser causado pelo roubo de "lembrancinhas" -de toalhas e cinzeiros de hotel a cobertores de companhias aéreas? Bem, os hotéis e companhias aéreas compensam o custo de substituir esses objetos aumentando levemente o preço. Os varejistas fazem o mesmo para compensar as perdas com pequenos furtos.
        Outros pequenos delitos são mais fáceis de classificar, mas igualmente tentadores de cometer. Veja o caso da pessoa que não diz ao caixa que recebeu por engano uma nota de R$ 50 em vez da correta nota de R$ 10. Ou do garoto que obedece ao trocador, passa por baixo da roleta e lhe passa uma nota de R$ 1 em vez de pagar à empresa de ônibus R$ 1,60. Esse suborno não é igual a pagar à polícia uma propina para se safar? Essas caixinhas não seriam também crias do famoso caixa dois, que já virou uma instituição?
        Um dos meus vizinhos disse que alguns desses pequenos delitos, como vários tipos de caixa dois, são fruto da necessidade. Ele escreve, embora não assine, monografias para que universitários preguiçosos/ocupados terminem seus cursos. É assim que põe comida na mesa. Apesar de defender sua atividade antiética dizendo que "a fome também é antiética", ele bem que poderia perder 20 quilos.
        Outro vizinho vendeu sua cobertura no Rio com uma vista espetacular da floresta da Tijuca porque descobriu que, no prazo de um ano, um arranha-céu seria construído, acabando com a vista e desvalorizando o imóvel em R$ 50 mil. Ele disse isso aos compradores? Não. E eu também não considero esse delito tão pequeno diante do valor do prejuízo.
        Apesar de os delitos pequenos estarem institucionalizados demais para notar ou serem tentadores demais para resistir, dizer "não" a eles beneficia a sociedade como um todo. E um "não" vigoroso o bastante pode alertar os distraídos e os fracos de espírito para que, em uma sociedade que se guia pela "lei de Gerson", nossa bússola moral possa nos apontar o caminho.

MICHAEL KEPP. Folha de São Paulo.
São Paulo, 26 ago. 2004. Folha Equilíbrio.
Entendendo o texto:
01 – Observe a página em que o artigo lido foi publicado. Quem assina o artigo lido? 
      Michael Kepp.

02 – O texto está escrito em que pessoa? Dê um exemplo que comprove sua resposta. 
      O texto está em primeira pessoa. Possibilidades: "eu e outros esperávamos", "nossa liberdade", "na minha frente", "me irritou", "me ultrapassam". "minha viagem"

03 – Abaixo, os delitos estão divididos em quatro grupos. Localize no artigo e transcreva dois exemplos de cada grupo de delito.

Grupo A - Que prejudicam a qualidade de vida de outras pessoas e impedem sua liberdade.
      Furar fila, ultrapassar pelo acostamento. Fazer barulho, "costurar' atrás de ambulâncias. Jogar lixo nas calcadas, não recolher da calçada o cocô do cachorro. 

Grupo B - Que perturbam as relações sociais e causam danos à sociedade toda.
      Consumir drogas (que são vendidas por meio de uma rede de tráfico e violência), roubar "lembrancinhas" de hotel ou de companhia aérea. 

Grupo C - Que são tentadores.
      Não revelar engano de troco ou dividir o roubo" do dinheiro da passagem com o trocador. Pagar propina ou dar "caixinhas" a polícia para escapar da punição por delito cometido.

Grupo D - Que são justificados como fruto da necessidade. 
      Fazer um trabalho ilegal (fazer monografias no lugar de universitários, que pagam por elas). Esconder do comprador o defeito do que está sendo vendido. 

04 – Explique a frase: "Esses maus exemplos são também contagiosos".
      Espera-se que o aluno perceba que muitas vezes imitamos outras pessoas praticando os mesmos delitos. 

05 – Releia este trecho do texto. 
        “[...] ser um cidadão-modelo exige que se reme contra uma poderosa maré ou que se beire a santidade.” Qual é essa “poderosa maré”?
      Maré dos maus exemplos, das transgressões leves. 

06 – Em seu dia a dia, você observa algum dos delitos apontados no texto? Qual ou quais? Você considera leve(s) esse(s) delito(s)? Por quê? Conversem a respeito da opinião do autor do texto sobre o que ele considera "mania nacional. 
      Resposta pessoal do aluno.

07 – O autor do texto revela-se irônico e sarcástico, isto é, faz zombaria, mostra o que há por trás das situações e dos comportamentos que menciona. Sobre o vizinho que faz trabalhos para estudantes preguiçosos/ocupados e diz que "a fome também é antiética", qual é a ironia feita pelo autor? 
      Diz que o vizinho “bem que poderia perder 20 quilos”. 

08 – No texto, o autor empregou recursos estilísticos, como a linguagem figurada. Releia os seguintes trechos: 
        “[...] ser um cidadão-modelo exige que se reme contra uma poderosa maré ou que se beire a santidade. 
        Apesar de os delitos pequenos estarem institucionalizados demais para notar [...] dizer "não" a eles beneficia a sociedade como um todo. E um "não" vigoroso o bastante pode alertar os distraídos e os fracos de espírito para que, em uma sociedade que se guia pela "lei de Gerson", nossa bússola moral possa nos apontar o caminho.”
Relacione as alternativas que correspondam aos significados de: 
[B] "que se reme contra uma poderosa maré"; 
[C] "que se beire a santidade"; 
[A] "alertar os distraídos [...] para que [...] nossa bússola moral possa nos apontar o caminho". 
a) Conhecer as regras e saber as atitudes corretas para ensinar aos outros a melhor forma de agir. 
b) Fazer diferente daqueles que praticam pequenos delitos. 
c) Ser extremamente correto, ter conduta exemplar. 

09 – Releia: “Pequenos delitos são transgressões leves que passam impunes e, no Brasil, estão tão institucionalizados que os transgressores nem têm ideia de que estão fazendo algo errado”. Qual das palavras abaixo pode substituir institucionalizado?
a)   São aceitos.
b)   São de instituições.
c)   São comuns.
d)   São crimes.