domingo, 22 de março de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: PROMOÇÃO X MITIFICAÇÃO DA LEITURA - BRITTO. L.L. E BARZOTTO V.H. - COM GABARITO

 ARTIGO DE OPINIÃO: PROMOÇÃO X MITIFICAÇÃO DA LEITURA

                                                     (BRITTO, L. L. e BARZOTTO, V. H.

 

Este é o quadro: crendo que a questão da leitura é um problema pessoal, de gosto e interesse, que pode ser resolvido através do estímulo e do proselitismo*, constrói-se um movimento em que, na tentativa de interferir no comportamento dos sujeitos, de modo a fazê-los leitores, se combinam sedução e persuasão intelectual, através da vinculação da leitura ora a um valor maior (leitura de ilustração; leitura redentora) ora a um apelo emocional (leitura hedonista; leitura de entretenimento), e da criação de estratégias e ambientes favorecedores de "práticas leitoras" (sensibilização, ambiência, atração, contação de história, dramatização, etc.).

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghQ9373zey1qqIyOLLLmNDicmQ9UbBS1F4B5-s3tWhuehKyfhIGh-NF-U2TLkmxZZo6hHLVQW_Awf1Z3BXZI5keqougwkCv4apEKiY1j7qFV3PJEvy80gLQcbmaUVqt_K8kxws4IUaflEOZsWU5avl2BvYbD_8NogKhPdbu2ZGhVPC5ITl3gu2KxrvnGA/s1600/LEITURA.jpg


A promoção da leitura, vista desde uma perspectiva não-ingênua, é um problema político e não apostólico. O leitor não é um sujeito desarraigado de sua condição de classe, que encontra na leitura uma forma de redenção individual. O que está em questão é o direito do cidadão de ter acesso (material e intelectual) à informação escrita e à cultura letrada e não um comportamento de avaliação subjetiva. Ninguém fica necessariamente bom porque lê, nem faz sentido apelos morais para que as pessoas leiam. (...)

Do mesmo modo que, no que diz respeito à saúde, cabe ao Estado garantir uma rede de atenção integral ao cidadão (hospitais, médicos, medicamentos) e garantir o investimento em pesquisa e produção, compete ao Estado garantir o direito à leitura, através da instalação de bibliotecas, salas de leitura e aparelhamento das escolas; da formação e remuneração apropriada aos profissionais ligados à leitura (bibliotecários, professores); e do estímulo à produção intelectual cultural e científica. (...)

Se queremos promover a leitura efetivamente, como bem público, como marca de cidadania, temos de abandonar visões ingênuas de leitura e investir no conhecimento objetivo das práticas de leitura e num movimento pelo direito de poder ler. O excluído de fato da leitura não é o sujeito que sabe ler e que não gosta de romance, mas o mesmo sujeito que, no Brasil de hoje, não tem terra, não tem emprego, não tem habitação.

A questão da leitura na sociedade contemporânea é uma questão político-social e não de gosto ou prazer!

 

(BRITTO, L. L. e BARZOTTO, V. H. "Em Dia: Leitura & Crítica". Campinas: Associação de Leitura do Brasil, agosto de 1998.)

Entendendo o texto

01. De acordo com o texto, qual é a visão "ingênua" que se tem sobre a leitura?

a. Que a leitura é um direito de todos os cidadãos garantido pelo Estado.

b. Que a leitura é um problema de gosto pessoal que se resolve apenas com estímulos e festas.

c. Que a leitura deve ser ensinada apenas nas bibliotecas públicas. d. Que ler é importante para conseguir um bom emprego no futuro.

02. Os autores afirmam que a promoção da leitura não deve ser vista como algo "apostólico", mas sim como um problema:

a. Religioso e espiritual.

b. Emocional e de entretenimento.

c. Político e de direito do cidadão.

d. De falta de criatividade dos professores.

03. O que o texto defende que o Estado deve fazer para garantir o direito à leitura?

a. Obrigar todas as pessoas a lerem pelo menos um livro por mês. b. Criar propagandas na TV dizendo que ler faz as pessoas ficarem bonitas.

c. Instalar bibliotecas, equipar escolas e pagar bem os professores e bibliotecários.

d. Distribuir apenas livros de romance e contos de fadas para as crianças

04. Segundo o texto, quem é o verdadeiro "excluído" da leitura no Brasil?

a. O cidadão que não tem acesso a direitos básicos como terra, emprego e habitação

b. A pessoa que sabe ler, mas prefere ver televisão ou jogar videogame.

c. O estudante que não gosta de ler os livros clássicos da literatura.

d. Os professores que não têm tempo de ler durante o intervalo das aulas.

05. Qual é a conclusão principal dos autores sobre a leitura na sociedade atual?

a. Que ler é um prazer individual e ninguém deve interferir nisso.

b. Que a leitura é uma questão político-social e um direito de acesso à informação.

c. Que as pessoas só vão ler se as histórias forem dramatizadas com fantasias.

d. Que a leitura serve apenas para tornar as pessoas mais "boas" e educadas.

 

 

POEMA: CANÇÃO DO AMOR PERFEITO - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

 POEMA: CANÇÃO DO AMOR PERFEITO

                Cecília Meireles

O tempo seca a beleza,

seca o amor, seca as palavras.

Deixa tudo solto, leve,

desunido para sempre

como as areias nas águas.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg70A2M7Sf1GtqM2B720a7bKtSaNo8entPFAQEfd8XI3LQOsd_teryLbDifxSuX_vCwsAf4ShMwcMfv6B_us2835EseM1RYGygxIzjBWnbFf3WC8FQBXS6CToLBgD1mqhdPcP9gXmErcSYWG4AcEhWoghVtL_l1kqTls3a4QExAaJhs31cCv5zdozmKaIA/s1600/CECILIA.jpg 
 

O tempo seca a saudade,

seca as lembranças e as lágrimas.

Deixa algum retrato, apenas,

vagando seco e vazio

como estas conchas das praias.

 

O tempo seca o desejo

e suas velhas batalhas.

Seca o frágil arabesco,

vestígio do musgo humano,

na densa turfa mortuária.

 

Esperarei pelo tempo

com suas conquistas áridas.

Esperarei que te seque,

não na terra, Amor-Perfeito,

num tempo depois das almas.

 

            (MEIRELES, C. "Antologia poética". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.)

Entendendo o texto

01. De acordo com a primeira estrofe, o que o tempo faz com a beleza, o amor e as palavras?

a. Ele faz com que fiquem mais fortes e unidos.

b. Ele os "seca", deixando tudo solto e desunido.

c. Ele os transforma em pedras preciosas no fundo do mar.

d. Ele faz com que as pessoas esqueçam como falar. Resposta: B

02. Na segunda estrofe, o autor compara o que sobra das lembranças (um retrato seco e vazio) com qual elemento da natureza?

a. Com as nuvens do céu.

b. Com as flores do campo.

c. Com as conchas das praias.

d. Com as árvores da floresta.

03. O uso constante da palavra "seca" ao longo do poema serve para mostrar que o tempo:

a. Desgasta e apaga os sentimentos e as coisas vivas.

b. É como uma chuva que limpa tudo.

c. Ajuda as plantas a crescerem mais rápido.

d. Deixa as pessoas mais felizes e animadas. Resposta: B

04. Na última estrofe, a voz que fala no poema diz que vai "esperar pelo tempo". O que ela espera que aconteça com o "Amor-Perfeito"?

a. Que ele nunca mude e continue sempre igual.

b. Que ele seja plantado na terra para virar uma flor.

c. Que o tempo também o seque, mas em um momento "depois das almas".

d. Que ele desapareça imediatamente para não sofrer.

05. Qual é o sentimento principal que o poema transmite sobre a passagem do tempo?

a. Alegria e entusiasmo com as novidades.

b. Melancolia e uma sensação de que nada dura para sempre.

c. Raiva e revolta contra a natureza.

d. Medo de animais que vivem na água e na areia.

 

 

 

 

CRÔNICA DA ABOLIÇÃO - MACHADO DE ASSIS - COM GABARITO

 Crônica da abolição

Machado de Assis

 Eu pertenço a uma família de profetas “après coup”*, “post factum”, “depois do gato morto”, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtmy9sD277cbnrjwVJl-qr9tNxUk-2eysCjiCcxOhe-th2iqnYtZtEzxknbH7EkOOwY_iiBxyxPIsLuc155lc2fCAkioM6XZ0TtbguyJLctYDVChL1dHmRhXIjQsLtGlsHPs4Qqra7YJOMqtIfAJIVWUdkJynUQeWk89r446aHdxrv-5RhojEAPpXSTG8/s320/Praca-Quinze-Rio-de-Janeiro-Jean-Baptiste-Debret.jpg


Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

No golpe do meio (“coupe do milieu”, mas eu prefiro falar a minha língua) levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado.

Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo: fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

            — Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que...

            — Oh! meu senhô! Fico.

            — Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente.

Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

            — Artura não qué dizê nada, não, senhô...

            — Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.

            — Eu vaio um galo, sim, senhô.

            — Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente e (Deus me perdoe!) creio que até alegre. [...]

MACHADO DE ASSIS

http://portal.mec.gov.br 

Entendendo o texto

01. Por que o narrador decide alforriar (libertar) o jovem Pancrácio na segunda-feira antes da lei ser votada?

a. Porque ele sempre foi contra a escravidão e esperava por esse momento.

b. Para parecer um "profeta" que previu a lei e ganhar fama de bondoso antes dos outros.

c. Porque Pancrácio pediu a liberdade para poder se casar.

d. Porque ele não tinha mais dinheiro para sustentar o escravo.

02. Como foi a comemoração da liberdade de Pancrácio organizada pelo patrão?

a. Uma festa simples apenas para a família na cozinha.

b. Uma missa na igreja da cidade em agradecimento a Deus.

c. Um dia de folga para que Pancrácio pudesse visitar seus parentes.

d. Um jantar solene, chamado de banquete, com discursos e brindes de champanhe.

03. O que o narrador ofereceu a Pancrácio para que ele continuasse trabalhando na casa após ser libertado?

a. Uma sociedade nos negócios da família.

b. Apenas moradia e comida, sem pagamento em dinheiro.

c. Um pequeno ordenado (salário), que ele disse que poderia crescer no futuro.

d. Uma casa própria nos fundos do terreno.

04. No dia seguinte à liberdade, o narrador dá um "peteleco" em Pancrácio. Qual foi a justificativa dada pelo patrão para esse ato?

a. Ele afirmou que era um "impulso natural" e que isso não tirava o direito civil de liberdade de Pancrácio.

b. Ele disse que o peteleco era uma forma de carinho.

c. Ele alegou que Pancrácio o havia agredido primeiro.

d. Ele disse que agora que Pancrácio era livre, precisava apanhar para aprender a trabalhar.

05. Qual é a principal ironia presente no final do texto, quando o narrador fala sobre os chutes e puxões de orelha que dá em Pancrácio?

a. A ironia de que Pancrácio agora é quem manda no patrão.

b. A ironia de que, embora Pancrácio seja legalmente livre, a sua condição de vida e o tratamento agressivo do patrão continuam os mesmos.

c. A ironia de que o patrão ficou pobre após libertar o escravo.

d. A ironia de que Pancrácio ficou muito rico com o salário que recebeu.

06. Como Pancrácio reage ao tratamento do patrão (pontapés e insultos) após a abolição, segundo o narrador?

a. Ele reage com violência e tenta bater no patrão.

b. Ele decide ir embora da casa imediatamente.

c. Ele recebe tudo humildemente e o narrador acredita que ele fica até alegre.

d. Ele denuncia o patrão para as autoridades da época.

07. O que Machado de Assis pretende criticar com esta crônica?

a. A rapidez com que a Lei Áurea foi aprovada.

b. O comportamento de pessoas que se diziam "boazinhas" e abolicionistas, mas mantinham preconceitos e práticas violentas.

c. A falta de festas e banquetes na cidade do Rio de Janeiro.

d. A dificuldade de se encontrar bons empregados domésticos naquela época.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: PREVISÕES DE ESPECIALISTAS - HÉLIO SCHWARTSMAN - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Previsões de especialistas

                                 HÉLIO SCHWARTSMAN

  A mídia nos bombardeia diariamente com as previsões de especialistas sobre o futuro. Esses experts mais erram do que acertam, mas nem por isso deixamos de recorrer a eles sempre que o horizonte se anuvia. Como explicar o paradoxo?

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhETgDHueEuEydgufmR_KB4kWMPfBdYGS6FEfzXX9WeMQn55JhaCyxWZyOUOIgi-ioMPKzmRC0w6RhL9Fy7WaqqYY7_P6dkpi6PHg0QAq3FMorGuWH5Z0vfGFxK0r8TKfGBAn2DHxsYyXsI-PI-uJH4hS8rI5bVkcfPxJC5ZYEyYkSo3OafcozBASnZ45E/s1600/dan.jpg 


Uma boa tentativa é o recém-lançado livro do escritor e jornalista Dan Gardner. As passagens mais divertidas do livro são sem dúvida aquelas em que o autor mostra, com exemplos e pesquisas científicas, quão precária é a previsão econômica e política.

Num célebre discurso de 1977, por exemplo, o então presidente dos E.U.A., Jimmy Carter, ancorado nos conselhos dos principais experts do planeta, conclamou os americanos a reduzir drasticamente a dependência de petróleo de sua economia, porque os preços do hidrocarboneto subiriam e jamais voltariam a cair, o que inevitavelmente destruiria o “American way”. Oito anos depois, as cotações do óleo despencaram e permaneceram baixas pelas duas décadas seguintes.

Alguém pode alegar que Gardner escolhe de propósito alguns exercícios de futurologia que deram errado apenas para ridicularizar a categoria toda.

Para refutar essa objeção, vamos conferir algumas abordagens do problema.

Em 1984, uma revista britânica pediu a 16 pessoas que fizessem previsões sobre taxas de crescimento, câmbio, inflação e outros dados econômicos. Quatro dos entrevistados eram ex-ministros de finanças; quatro eram presidentes de empresas multinacionais; quatro, estudantes de economia de Oxford; e quatro, lixeiros de Londres. Uma década depois, as predições foram contrastadas com a realidade e classificadas pelos níveis de acerto. Os lixeiros terminaram empatados com os presidentes de corporações em primeiro lugar. Em último, ficaram os ministros – o que ajuda a explicar uma ou outra coisinha sobre governos.

A razão para tantas dificuldades em adivinhar o futuro é de ordem física. Nós nos habituamos a ver a ciência prevendo com enorme precisão fenômenos como eclipses e marés. Só que esses são sistemas lineares ou, pelo menos, sistemas em que dinâmicas impostas pelo caos podem ser desprezadas. E, embora um bom número de fenômenos naturais seja linear, existem muitos que não o são. Quando o homem faz parte da equação, pode-se esquecer a linearidade.

Nossos cérebros também trazem de fábrica alguns vieses que tornam nossa espécie presa fácil para adivinhos. Procuramos tão avidamente por padrões que os encontramos até mesmo onde não existem. Temos ainda compulsão por histórias, além de um desejo irrefreável de estar no controle. Assim, alguém que ofereça numa narrativa simples e envolvente a previsão do futuro pode vendê-la facilmente a incautos. Não é por outra razão que oráculos, profecias e augúrios estão presentes em quase todas as religiões.

Como diz Gardner, “vivemos na Idade da Informação, mas nossos cérebros são da Idade da Pedra”. Eles não foram concebidos para processar o papel do acaso, no cerne do conhecimento científico atual. Nós continuamos a tratar as falas dos especialistas como se fossem auspícios** divinos. Como não poderia deixar de ser, frequentemente quebramos a cara.

 

HÉLIO SCHWARTSMAN

Adaptado de www1.folha.uol.com.br, 30/06/2011

 

Entendendo o texto

 

01. Qual é o paradoxo apresentado pelo autor logo no primeiro parágrafo?

a. Os especialistas sempre acertam, mas ninguém acredita neles.

b. Os especialistas erram com frequência, mas as pessoas continuam recorrendo a eles.

c. A mídia não gosta de especialistas, mas é obrigada a contratá-los.

d. O futuro é fácil de prever, mas os jornalistas complicam as explicações.

02. O exemplo do discurso do presidente Jimmy Carter em 1977 serve para mostrar que:

a. Até mesmo os principais especialistas do mundo podem errar previsões sobre o petróleo.

b. Os políticos sempre sabem o que vai acontecer com a economia.

c. Os Estados Unidos nunca dependeram de petróleo estrangeiro.  d. O "American Way" foi destruído conforme a previsão dos especialistas.

03. No experimento realizado pela revista britânica em 1984, qual grupo de pessoas obteve o mesmo nível de acerto que os presidentes de multinacionais?

a. Os ex-ministros de finanças.

b. Os estudantes de economia de Oxford.

c. Os lixeiros de Londres.

d. Os editores da própria revista.

04. De acordo com o texto, por que é mais fácil prever eclipses e marés do que fenômenos econômicos?

a. Porque os fenômenos naturais são lineares e precisos, enquanto fenômenos que envolvem o homem são caóticos e não lineares.

b. Porque os astrônomos estudam mais do que os economistas.

c. Porque o sol e a lua são objetos pequenos e fáceis de observar. d. Porque a ciência ainda não inventou aparelhos para medir a economia.

05. O autor afirma que nosso cérebro traz "vieses de fábrica". O que isso significa na prática?

a. Que nascemos sabendo tudo sobre matemática e estatística.

b. Que temos uma tendência natural de procurar padrões e histórias simples, o que nos torna alvos fáceis para adivinhos.

c. Que nossos cérebros são modernos demais para entender as religiões antigas.

d. Que somos incapazes de aprender coisas novas sobre o futuro.

06. Qual é o significado da frase de Dan Gardner: “vivemos na Idade da Informação, mas nossos cérebros são da Idade da Pedra”?

a. Que, apesar de termos muita tecnologia, nossa biologia ainda busca segurança e padrões da mesma forma que nossos ancestrais faziam.

b. Que não temos computadores suficientes para processar dados.

c. Que os homens das cavernas faziam previsões melhores do que os especialistas atuais.

d. Que o cérebro humano está diminuindo de tamanho com o passar do tempo.

07. Qual é a conclusão do autor sobre a forma como tratamos as falas dos especialistas?

a. Que devemos segui-las cegamente, pois são como avisos divinos.

b. Que a economia se tornou uma nova religião oficial.

c. Que frequentemente "quebramos a cara" porque tratamos opiniões de especialistas como verdades absolutas, ignorando o papel do acaso.

d. Que os especialistas deveriam ser proibidos de falar na televisão.

 

 

 

POEMA: O SOBREVIVENTE - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: O sobrevivente

              Carlos Drummond de Andrade

 

            Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.

            Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.

            O último trovador morreu em 1914.

            Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

           

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgxuygoD3TP9_j9DhAeNFHdFWBDd4NgMlGAc3ijmsBWY_0AZw0DljSvD0VmC2SAJjvaQIc7y_Uw4Od5ozbxoPHtBy3h0pL9C1Qnq586er3yXxPoHw0uZRJpLLtlOi_wQHKo5rv_bqbHzWUBPvslZOAzJ1pzB6qf9rWPR-XND1jDIKZ2e-274pGeNJEYYaI/s1600/CARLOS.jpg

            Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.

            Se quer fumar um charuto aperte um botão.

            Paletós abotoam-se por eletricidade.

            Amor se faz pelo sem-fio.

            Não precisa estômago para digestão.

           

            Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta

            muito para atingirmos um nível razoável de cultura.

            Mas até lá, felizmente, estarei morto.

           

            Os homens não melhoraram

            e matam-se como percevejos.

            Os percevejos heroicos renascem.

            Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.

            E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

 

            (Desconfio que escrevi um poema.)

 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

Entendendo o texto 

01. Por que o eu lírico (quem fala no poema) afirma ser "impossível" compor um poema "a essa altura da evolução"?

a. Porque as pessoas esqueceram como escrever à mão.

b. Porque não existem mais papéis ou canetas no mundo moderno. c. Porque a poesia foi proibida por uma lei internacional em 1914.

d. Porque ele acredita que a humanidade se tornou mecânica e perdeu a sensibilidade poética.

02. O poema menciona que existem "máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples". Qual é a crítica do autor nesse trecho?

a. Ele está elogiando como a tecnologia facilita a vida das pessoas.  b. Ele critica o exagero tecnológico que substitui gestos humanos e simples por botões e eletricidade.

c. Ele sugere que as pessoas deveriam aprender a consertar essas máquinas.

d. Ele afirma que as máquinas são necessárias para o amor e a digestão.

03. Na estrofe que fala sobre os homens que "matam-se como percevejos", o autor está se referindo a qual aspecto da humanidade?

a. À violência e à falta de valor que se dá à vida humana, especialmente em tempos de guerra.

b. À higiene pessoal e ao cuidado com os insetos.

c. Ao fato de os homens estarem ficando cada vez menores.

d. À inteligência dos seres humanos, que supera a dos insetos.

04. O que o autor quer dizer com o verso: "Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado"?

a. Que o mundo está ficando vazio porque as pessoas estão morrendo.

b. Que não há mais espaço físico para construir casas no planeta. c. Que as máquinas expulsaram os homens de suas moradias.

d. Que, embora o mundo esteja difícil e ruim de se viver (inabitável), a população continua crescendo.

05. No final do poema, entre parênteses, o autor escreve: "(Desconfio que escrevi um poema.)". Qual é o efeito dessa frase? a. Ela mostra que o autor esqueceu o que estava fazendo durante a escrita.

b. Ela cria uma ironia, pois, após dizer que era impossível escrever poesia, ele percebe que acabou criando uma.

c. Ela serve para pedir desculpas ao leitor por ter escrito um texto tão longo.

d. Ela indica que o texto, na verdade, é uma notícia de jornal e não um poema.

 

CRÔNICA: AS DESCONTROLADAS - JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS - COM GABARITO

 Crônica: As descontroladas

                    JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS

 As primeiras mulheres que passaram na calçada da Rio Branco chamavam-se melindrosas. Eram um tanto afetadas, com seu vestido de cintura baixa e longas franjas, mas a julgar por uma caricatura célebre de J. Carlos tinham sempre uma multidão de almofadinhas correndo atrás. O mundo, cem anos depois, mudou pouco no essencial. Diz-se agora que o homem “corre atrás do prejuízo”. De resto, porém, a versão nacional do assim caminha a humanidade segue o mesmo cortejo de sempre pela Rio Branco — com o detalhe que as mulheres trocaram as franjas pelo cós baixo da calça da Gang. E, evidentemente, não são mais chamadas de melindrosas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZrjmclQnGXumjDfjUrd-eeF4OD9ts8u17wl9BS73NmyJQ64lPytzLoM6nqOZe2c3ztYPtAY3oFF0XWInIn_v6S1FuL1iQnwKX8u_XKHIdXnpxxIZ3YNiRFeHjlYdYH9tijpzJ_Pzyp0qC1YhCKMcm4_SkzEDO9P3i9_uhOdQQkgBZ47I3EW08Of460wY/s1600/mulheres.jpg


Elas já atenderam por vários nomes. Uma “uva” era aquela que, de tão suculenta e bem-feita de curvas, devia abrir as folhas de sua parreira e deliciar os machos com a eternidade de sua sombra. Há cem anos as mulheres que circulam pela Rio Branco já foram chamadas de tudo e, diga-se a bem da verdade, algumas atenderam. Por aqui passou o “broto”, o “avião”, o “violão”, a “certinha”, o “pedaço”, a “deusa”, a “boazuda”, o “pitéu”, a “gata” e tantas outras que podem não estar mais no mapa, como as mulatas do Sargentelli, mas já estão no Houaiss eletrônico. Houve um momento que, de tão belas, chegaram a ficar perigosas. Chamavam-nas “pedaço de mau caminho” ou “chave de cadeia”. Algumas, de carne tão tenra, eram “frangas”.

Havia, de um modo geral, um louvor respeitoso na identificação de cada um desses tipos que sucederam as melindrosas. Gosto de lembrar daquela, ali pelo início dos 60, que era um “suco”. Talvez porque sucedesse o tipo de “uva” e fosse tão aperfeiçoada no inevitável processo de evolução da espécie que já viesse sem casca e, principalmente, sem os caroços. Sempre prontinhas para beber. De uns tempos para cá, quando se pensava que na esquina surgiria um vinho de safra especial, a coisa avinagrou. As mulheres ficam cada vez mais lindas mas os homens, na hora de homenageá-las, inventam rótulos de carinho duvidoso. O “broto”, o “violão” e o “pitéu” na versão arroba ponto com 2000 era a “popozuda”. Depois, software 2001, veio a “cachorra”, a “sarada”. Pasmem: era elogio. Algumas continuavam atendendo.

Agora está entrando em cena, perfilada num funk do grupo As Panteras — um rótulo que, a propósito, notou a evolução das “gatas” —, a mulher do tipo “descontrolada”. (...). Não é exatamente o que o almofadinha lá do início diria no encaminhamento do eterno processo sedutivo, mas, afinal, homem nenhum também carrega mais almofadas para se sentar no bonde. Sequer bondes há. Já fomos “pães”. Muito doce, não pegou. Somos todos lamentáveis “tigrões” em nossa triste sina de matar um leão por dia.

Elas mereciam verbetes melhores, que se lhes ajustassem perfeitos, redondos, como a tal calça da Gang. A língua das ruas anda avacalhando com as nossas “minas”, para usar a última expressão em que as mulheres foram saudadas com delicadeza e exatidão — dentro da mina, afinal, cabe tanto a pepita de ouro como a cavidade que se enche de pólvora para explodir e destruir tudo o que estiver em cima.

A deusa da nossa rua, que sempre pisou os astros distraída, não passa hoje de “tchutchuca marombada” ou “popozuda descontrolada”. É pouco para quem caminha nas pedrinhas portuguesas como se São Pedro fosse sobre as águas bíblicas. Algumas delas, uvas do vinho sagrado, santas apenas no aguardo da beatificação vaticana, provocando ainda maior alvoroço, alumbramento e estupefação dos sentidos.

 JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS

O que as mulheres procuram na bolsacrônicas. Rio de Janeiro: Record, 2004.  

 

Entendendo o texto

01. Qual é o tema principal da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos?

a. A história da construção da Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro.

b. A evolução das gírias e apelidos usados pelos homens para se referirem às mulheres ao longo do tempo.

c. Uma crítica severa ao uso de calças jeans de marcas famosas.   d. Um estudo científico sobre a botânica, comparando mulheres a uvas e flores.

02. Segundo o texto, qual era o nome dado às mulheres elegantes que circulavam na Rio Branco há cerca de cem anos?

a. Popozudas.

b. Tchutchucas.

c. Melindrosas.

d. Minas.

03. O autor menciona que, nos anos 60, surgiu o termo "suco". Por que ele considera que essa gíria indicava uma "evolução" em relação ao termo "uva"?

a. Porque o suco é mais caro que a uva no mercado.

b. Porque, metaforicamente, o "suco" já viria pronto, sem casca e sem caroços.

c. Porque as mulheres daquela época não gostavam de comer frutas.

d. Porque o termo "suco" era usado apenas para mulheres que moravam no campo.

04. O autor faz uma crítica aos apelidos mais recentes, como "cachorra", "popozuda" e "descontrolada". Qual é essa crítica?

a. Ele acha que esses nomes são mais bonitos e modernos que os antigos.

b. Ele acredita que esses nomes ajudam as mulheres a serem mais respeitadas.

c. Ele defende que as gírias atuais são mais precisas cientificamente.

d. Ele afirma que esses rótulos são de "carinho duvidoso" e menos delicados que os do passado.

05. Ao falar sobre o termo "mina", o autor explica que essa expressão era exata e delicada. Por que ele faz essa comparação? a. Porque as mulheres trabalhavam em minas de carvão naquela época.

b. Porque a palavra "mina" pode representar tanto algo valioso (pepita de ouro) quanto algo perigoso e explosivo (pólvora).

c. Porque as mulheres são frias e duras como as pedras das minas.

d. Porque é uma gíria que só existe na cidade de Belo Horizonte.

06. Como o autor descreve a mudança nos apelidos dados aos homens ao longo do tempo?

a. Explica que os homens passaram de "pães" para "tigrões", o que ele considera lamentável.

b. Diz que os homens sempre foram chamados de "almofadinhas".  

c. Afirma que os homens não usam mais gírias entre si.

d. Diz que os homens agora são chamados de "vinhos de safra especial".

07. No último parágrafo, o autor compara o caminhar das mulheres nas "pedrinhas portuguesas" a um evento bíblico. Qual é a intenção dessa comparação?

a. Mostrar que as calçadas do Rio de Janeiro estão mal cuidadas.  

b. Criticar as mulheres que não sabem andar de salto alto.

c. Sugerir que todas as mulheres deveriam frequentar a igreja.

d. Exaltar a beleza e a elegância das mulheres, elevando-as a uma figura quase divina ou sagrada.

 

 

POEMA: GILBERTO MENDONÇA TELES - COM GABARITO

 Poema: Língua

              GILBERTO MENDONÇA TELES

 

Esta língua é como um elástico

que espicharam pelo mundo.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjq5PGnRcDSN9BoiOX5lCAryQXO7c_PxAPAgP8DCY8rRhK_pDv6sNzH-GHICzylEpCmy4CxRmGwbRoM3MBA9ntGzrEXQnKCCVMJu0wxP5rfo90ovgCByyRoFsyrwpT5HFX7oqlLTXFU8UZP2P_IG4lYhyjRr0uUqNFr3zN1fQqwLvcBIngqyX5M36OUT5Q/s320/dicas-portugues-redacao-1-e1691775140396.jpg 

No início era tensa,

de tão clássica.

 

Com o tempo, se foi amaciando,

foi-se tornando romântica,

incorporando os termos nativos

e amolecendo nas folhas de bananeira

as expressões mais sisudas.

 

Um elástico que já não se pode

mais trocar, de tão usado;

nem se arrebenta mais, de tão forte.

 

Um elástico assim como é a vida

que nunca volta ao ponto de partida.

 

GILBERTO MENDONÇA TELES

Hora aberta: poemas reunidos. Rio de Janeiro: José Olympio; Brasília: INL, 1986.  

 

Entendendo o texto

01. No poema, a língua é comparada a um elástico. Qual é o motivo principal dessa comparação?

a. Porque a língua é feita de borracha e pode quebrar facilmente.

b. Porque a língua é pequena e só pode ser usada em um único país.

c. Para indicar que a língua é algo difícil de aprender e muito apertado.

d. Para mostrar que a língua é flexível, se estica pelo mundo e se adapta a diferentes lugares.

 

02. O autor afirma que, no início, a língua era "tensa, de tão clássica". O que isso sugere sobre a língua antigamente?

a. Que ela era mais rígida, formal e seguia regras muito severas.

b. Que ela era muito engraçada e cheia de gírias modernas.

c. Que ninguém conseguia falar a língua porque ela era muito curta.

d. Que ela era falada apenas por pessoas românticas e calmas.

03. O que o poema quer dizer quando fala que a língua foi "incorporando os termos nativos"?

a. Que a língua expulsou as palavras que já existiam nos novos lugares.

b. Que a língua parou de mudar quando chegou às folhas de bananeira.

c. Que a língua portuguesa se misturou e aceitou palavras de povos indígenas e locais (como no Brasil).

d. Que os termos nativos estragaram a beleza da língua clássica.

04. De acordo com a quarta estrofe, por que esse "elástico" (a língua) não se arrebenta mais?

a. Porque ele foi fabricado com um material muito caro.

b. Porque a língua se tornou forte de tanto ser usada e transformada pelas pessoas.

c. Porque as pessoas pararam de falar a língua para que ela não gastasse.

d. Porque ele foi guardado dentro de um livro para ninguém mexer.

05. Na última estrofe, o autor compara a língua com a "vida". Qual é a semelhança entre as duas segundo o texto?

a. Ambas são chatas e nunca mudam o caminho.

b. Ambas são curtas e acabam rapidamente como um elástico velho.

c. Ambas só podem ser entendidas por poetas e professores.

d. Ambas estão sempre mudando e nunca voltam exatamente ao que eram no ponto de partida.

 

POEMA: CASABLANCA - ANA CRISTINA CESAR - COM GABARITO

 Poema: Casablanca

               Ana Cristina Cesar

Te acalma, minha loucura!

Veste galochas nos teus cílios tontos e habitados!

Este som de serra de afiar as facas

não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardias...

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxhPjPmHLc3SIaPQEQ7wwwZp_p_mTYkqAxyvuXc3zmzqX8FsySmMrD_rtvP94C9Siw69xeWsQbDg9VyOojGUQTApUGK_WTiE8MdvxKVSrNBGUkUbG3MWsWPT4C7JHbyo6ukOkHH6UpsYZxZElii5e84IzjdksPxxxlJ72E3pQ8HW9KWk5UMLOIi3SJPeM/s320/Ana-Cristina-Cesar-II.jpg

Estas molas a gemer no quarto ao lado

Roberto Carlos a gemer nas curvas da Bahia

O cheiro inebriante dos cabelos na fila em frente no cinema...

 

As chaminés espumam pros meus olhos

As hélices do adeus despertam pros meus olhos

Os tamancos e os sinos me acordam depressa na madrugada feita de binóculos de gávea

e chuveirinhos de bidê que escuto rígida nos lençóis de pano

 

CESAR, Ana Cristina. A teus pés. São Paulo: Brasiliense, 1982, p.60.

Entendendo o texto

01. Logo no primeiro verso, o eu lírico se dirige à própria "loucura" pedindo calma. Qual figura de linguagem predomina nesse trecho ao falar com um sentimento como se fosse uma pessoa?

a. Personificação (ou Prosopopeia), pois atribui comportamento humano a um sentimento abstrato.

b. Onomatopeia, pois o autor está imitando o som de um grito de loucura.

c. Eufemismo, pois o autor está tentando suavizar uma notícia muito triste.

d. Hipérbole, pois há um exagero evidente sobre o tamanho da loucura.

02. Como se caracteriza a postura do eu lírico em relação ao ambiente que o cerca (o quarto ao lado, o cinema, o som da serra)? a. Uma postura de total indiferença, como se não ouvisse ou sentisse nada.

b. Uma postura de extrema sensibilidade, onde sons, cheiros e movimentos provocam reações físicas e emocionais (como a "taquicardia").

c. Uma postura de felicidade plena e gratidão pelas máquinas modernas.

d. Uma postura de sono profundo, indicando que o eu lírico está sonhando com a Bahia.

03. No verso "Este som de serra de afiar as facas / não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardias", a expressão destacada sugere que:

a. O eu lírico gosta de jardinagem e cultiva flores no quarto.

b. O barulho da serra é mais calmo que o som dos pássaros no canteiro.

c. O eu lírico está em um hospital esperando por uma cirurgia cardíaca.

d. O coração do eu lírico está agitado (acelerado) devido a uma forte ansiedade ou emoção interna.

04. O poema utiliza referências à cultura popular e ao cotidiano ("Roberto Carlos", "cinema", "chuveirinhos de bidê"). Qual é o efeito dessas imagens na estrutura do poema?

a. Elas servem para criar uma narrativa histórica sobre a evolução da música brasileira.

b. Elas criam uma colagem de memórias e sensações fragmentadas, típicas da poesia moderna, unindo o banal ao emocional.

c. Elas provam que o eu lírico não gosta de cinema nem de música romântica.

d. Elas são usadas para confundir o leitor e impedir que o poema seja compreendido.

05. Na última estrofe, o eu lírico menciona termos como "hélices do adeus" e "madrugada feita de binóculos". O que essas metáforas indicam sobre o estado emocional do eu lírico?

a. Um estado de vigilância e despedida, como se estivesse atento a algo que parte ou que precisa ser observado de longe.

b. Um desejo de viajar de navio ou avião para passar as férias em Casablanca.

c. Uma sensação de alegria por acordar cedo com o som dos sinos e tamancos.

d. Uma certeza de que o futuro será claro e sem nenhuma complicação emocional.