quarta-feira, 26 de setembro de 2018

POEMA: SORTILÉGIO - HILDA HILST - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

Poema: Sortilégio


Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.

Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.

                                                                              Hilda Hilst.
Entendendo o poema:
01 – Explore o título do poema, associando-o ao seu conteúdo:
      O título significa um ato de magia realizado por feiticeiro, bruxaria, trama.

02 – Pesquise sinônimos para as palavras abaixo:
Aquietá-los: ficarem calmos, tranquilos, sossegados.

Lúcidos: que compreendem com facilidade; racionais, conscientes.

03 – Qual é o principal assunto do poema?
      O poder da magia, bruxaria, adivinhação e da profecia.

04 – Você acha mesmo que as palavras têm assim tanto poder? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno. Possível resposta: As palavras têm poder de trazer consequências boas ou ruins dependendo da forma com que são mencionadas.

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FÁBULA: A QUEIXA DO PAVÃO (SÉRIES INICIAIS) - ESOPO - COM GABARITO

Fábula: A QUEIXA DO PAVÃO
                       
                           Esopo

        Chateado porque tinha uma voz muito feia, um pavão foi se queixar com a deusa Juno.
        --- É verdade que você não sabe cantar – disse a deusa. – Mas você é tão lindo, para que se preocupar com isso?
        Só que o pavão não queria saber de consolo.
        --- De que adianta beleza com uma voz destas?
        Ouvindo aquilo, Juno se irritou.
        --- Cada um nasce com uma coisa boa. Você tem beleza, a águia tem força, o rouxinol canta. Você é o único que não está satisfeito. Pare de se queixar. Se recebesse o que está querendo, com certeza ia achar outro motivo para reclamar.

        MORAL DA HISTÓRIA: Em vez de invejar os talentos dos outros, aproveite o seu ao máximo.

Entendendo a fábula:
01 – Explique com suas palavras o que a deusa Juno respondeu ao pavão.
      Resposta pessoal do aluno.

02 – Por que o pavão estava chateado?
      Porque tinha uma voz muito feia.

03 – A quem o pavão foi se queixar?
      Foi queixar a Deusa Juno.

04 – Quais as características do pavão, da águia e do rouxinol?
      Pavão tem a beleza.
      Águia tem a força.
      Rouxinol canta.

05 – Você concorda com a moral dessa fábula? Justifique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.

06 – Você já sentiu inveja de alguém? De quem? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.


TEXTO: O HOMEM E A CRUZ (SÉRIES INICIAIS) - COM GABARITO

Texto: O HOMEM E A CRUZ

        Certo homem fez uma aposta. Ofereceu a todos os concorrentes uma soma avultada em dinheiro e outros prêmios. A aposta consistia em levar uma cruz até a um lugar marcado. Dentre muitos que se ofereceram, um tomou a dianteira e levava com muita facilidade e leveza a sua cruz. Havia se distanciado muito dos companheiros e eis que já cansado, para e corta um pedaço de sua cruz, trapaceando.
        Chegando perto ao local, a multidão em festa aplaudia o vencedor. Eis a decepção. Um abismo se apresenta entre a multidão que aplaude o atleta vencedor. Uma ordem é dada pelo organizador:
        --- Coloque sua cruz sobre o abismo. Foi feita sob medida...
        --- Eu cortei..." Decepção...”

 Entendendo o Texto:
01 – O homem que ofereceu a aposta, na verdade, pode ser interpretado como:
(  ) o trabalho                     
(X) a vida                             
(  ) o prazer                       
(  ) o problema 
(  ) o Amor.

02 – O texto encera com uma moral. Qual seria?
(a) As cruzes de nossa vida são feitas sob medida.
(b) Se você quer vencer, encontre um jeitinho.
(c) Não adianta muita luta. Você pode conseguir o que quer se for arteiro.
(d) Na vida, tudo tem uma saída, basta ser esperto.
(e) Tentar outra saída, é melhor que arriscar tudo.

03 – A soma avultada em dinheiro e outros prêmios no texto se referem a...
(a) vida eterna           
(b) salvação 
(c) liberdade     
(d) confiança                      
(e) paz

04 – A cruz citada no texto pode ser interpretada como as:
(a) dificuldades      
(b) amizades 
(c) penitências    
(d) espertezas                
(e) apostas

05 – Numa outra relação interpretativa, o outro lado do abismo pode representar o paraíso. O que representaria o abismo, lugar certo para aqueles que trapaceiam?
      O Inferno.




CRÔNICA: POLICIAIS PAULISTANOS - WALCYR CARRASCO - COM GABARITO


CRÔNICA: Policiais paulistanos
                Walcyr Carrasco

        Sempre fui fã de romances policiais. Conheço pessoas para quem a leitura só pode ser séria, para quebrar a cabeça. Penso o contrário. Um bom livro também ajuda a relaxar. Até agora fãs de mistérios como eu eram obrigados a deglutir penhascos ingleses ou correrias por Los Angeles e Nova York. Há algum tempo surgiu uma safra de romances policiais cujo cenário é São Paulo, com seus bairros e tipos humanos. O último é Morte nos Búzios, de Reginaldo Prandi. Não nego. Conheço o Reginaldo há uns... puxa, trinta anos! (É nessas horas que vejo como o tempo passa.) Para mim, sempre foi o tipo acabado do intelectual. Professor titular de sociologia da USP, passou anos estudando as religiões afro-brasileiras. Fez teses. Há uns meses, encontrei-me com ele em um evento literário.
        – Vou lançar um policial! – contou-me.
        Estranhei. Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives. Quanto mais escrever! Assim que saiu, enviou para minha casa. Não nego, sou exigente. Adolescente, já era fã de Sherlock Holmes. Mas adorei Morte nos Búzios. Reginaldo misturou seus conhecimentos sobre as religiões afras com a imaginação. Os crimes acontecem a partir das previsões de uma mãe-de-santo da Freguesia do Ó. Aos poucos, o delegado Tiago Paixão começa a descobrir suspeitos entre os frequentadores do terreiro.

                                   Walcir Carrasco. Veja São Paulo, 20.09.2006.
Entendendo o texto:
01 – Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal.
(A) Há algum tempo surgiu vários romances policiais cujo cenário é São Paulo.
(B) Já fazem uns trinta anos que conheço o Reginaldo!
(C) É nessas horas que vejo com que rapidez passa os dias.
(D) Até agora, obrigavam-se fãs de mistérios a deglutir penhascos ingleses.
(E) Conheço pessoas para quem a leitura têm de ser séria.

02 – Quanto ao emprego de pronome, segundo a norma culta, a frase – ... encontrei-me com ele em um evento literário. – pode ser reescrita da seguinte forma:
(A) ...encontrei-no em um evento literário.
(B) ...encontrei ele em um evento literário.
(C) ...encontrei-o em um evento literário.
(D) ...encontrei-lhe em um evento literário.
(E) ...encontrei-lo em um evento literário.

03 – Assinale a alternativa em que o termo em destaque tem a mesma função sintática que a expressão destacada na frase: – Vou lançar UM POLICIAL!
(A) Penso o contrário.
(B) ... contou-me.
(C) Sempre fui fã de romances policiais.
(D) ... surgiu uma safra de romances policiais.
(E) Um bom livro também ajuda a relaxar.

04 – Articulando as duas orações do período – Não nego, sou exigente. – obtém-se, sem perda do significado:
(A) Não nego, mas sou exigente.
(B) Não nego que sou exigente.
(C) Não nego em que sou exigente.
(D) Não nego de que sou exigente.
(E) Não nego qual sou exigente.

05 – Analise os períodos.
I. É nessas horas que vejo como o tempo passa.
II. Assim que saiu, enviou para minha casa.
A oração destacada em I exerce função sintática de ________; a destacada em II expressa circunstância de _______. Os espaços devem ser preenchidos, respectivamente, com:
(A) sujeito ... consequência
(B) complemento nominal ... conformidade
(C) aposto ... causa
(D) predicativo ... condição
(E) objeto direto ... tempo.

06 – Analise as afirmações.
I – O substantivo fã tem o mesmo emprego que o substantivo vítima na forma masculina e na feminina.
II. Está correta, quanto à grafia, a frase: Um bom livro também ajuda a relaxar, mas se fosse um mal livro, isso não aconteceria.
III. O plural de mãe-de-santo é mães-de-santo. Está correto o que se afirma apenas em.
(A) I.        (B) II.       (C) III.       (D) I e II.       (E) II e III.

07 – Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives. Quanto mais escrever!
        Assinale a alternativa em que a frase, reescrita numa linguagem formal, mantém os sentidos propostos no texto.
(A) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, tanto que não lhes escrevem.
(B) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, mas que não as escrevem.
(C) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, embora que não lhes escrevem.
(D) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, porque não as escrevem.
(E) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, muito menos que as escrevem.

08 – “... passou anos estudando as religiões afro-brasileiras”. Os termos que fazem o plural da mesma forma que religião (religiões) são:
(A) capitão e mamão.
(B) cirurgião e negação.
(C) limão e pão.
(D) mão e pão.
(E) mamão e cidadão.

09 – Assinale a frase correta quanto ao uso do sinal indicativo da crase.
(A) Reginaldo associou seus conhecimentos sobre as religiões afras à imaginação.
(B) Tão logo o livro foi publicado, chegou à mim.
(C) Pouco à pouco, o delegado Tiago Paixão descobriu suspeitos entre os frequentadores do terreiro.
(D) Não acreditei que Reginaldo se dedicasse à um livro policial.
(E) À vida passa rápido, já conheço Reginaldo há uns trinta anos.

10 – Assinale a alternativa correta quanto à regência verbal.
(A) Não sabia que Reginaldo aspirava por uma carreira de escritor de policiais.
(B) Ansiava a ler logo o policial de Reginaldo.
(C) Pensei que Reginaldo preferisse mais temas acadêmicos do que histórias de detetive.
(D) Não residimos a lugares do exterior para que os policiais os tenham como ambiente.
(E) Assistia ao delegado Tiago Paixão o direito de investigar os frequentadores suspeitos do terreiro.

















terça-feira, 25 de setembro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES): PÁTRIA QUE ME PARIU - GABRIEL O PENSADOR - COM QUESTÕES GABARITADAS

ATIVIDADES COM A Música: Pátria Que Me Pariu

                                          Gabriel O Pensador
(4x) Pátria que me pariu!
Quem foi a Pátria que me pariu!?

Uma prostituta, chamada Brasil se esqueceu de tomar a pílula,
e a barriga cresceu
Um bebê não estava nos planos dessa pobre meretriz de dezessete anos
Um aborto era uma fortuna e ela sem dinheiro
Teve que tentar fazer um aborto caseiro
Tomou remédio, tomou cachaça, tomou purgante
Mas a gravidez era cada vez mais flagrante
Aquele filho era pior que uma lombriga
E ela pediu prum mendigo esmurrar sua barriga
E a cada chute que levava o moleque revidava lá de dentro
Aprendeu a ser um feto violento
Um feto forte escapou da morte
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mas nove meses depois foi encontrado, com fome e com frio,
Abandonado num terreno baldio.

(4x) Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?

A criança é a cara dos pais mas não tem pai nem mãe
Então qual é a cara da criança?
A cara do perdão ou da vingança?
Será a cara do desespero ou da esperança?
Num futuro melhor, um emprego, um lar
Sinal vermelho, não da tempo pra sonhar
Vendendo bala, chiclete...
"Num fecha o vidro que eu num sou pivete
Eu não vou virar ladrão se você me der um leite, um pão, um vídeo game e uma televisão, uma chuteira e uma camisa do mengão.
Pra eu jogar na seleção, que nem o Ronaldinho
Vou pra copa, vou pra Europa..."
Coitadinho!
Acorda moleque! Cê num tem futuro!
Seu time não tem nada a perder
E o jogo é duro! Você não tem defesa, então ataca!
Pra não sair de maca!
Chega de bancar o babaca!
Eu não aguento mais dar murro em ponta de faca
E tudo o que eu tenho é uma faca na mão
Agora eu quero o queijo. Cadê?
Tô cansado de apanhar. Tá na hora de bater!

(4x) Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?

Mostra tua cara, moleque! Devia tá na escola
Mas tá cheirando cola, fumando um beck
Vendendo brizola e crack
Nunca joga bola mais tá sempre no ataque
Pistola na mão, moleque sangue bom
É melhor correr porque lá vem o camburão
É matar ou morrer! São quatro contra um!
Eu me rendo! Bum! Clá! Clá! Bum! Bum! Bum!
Boi, boi, boi da cara preta pega essa criança com um tiro de escopeta
Calibre doze na cara do Brasil
Idade 14, estado civil mo...rto
Demorou, mas a pátria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.

(4x) Pátria que me pariu
Quem foi a Pátria que me pariu?
                Composição: André Gomes / Gabriel o Pensador
Entendendo a canção:
01 – Relacione a canção com o que está acontecendo no país (situação atual).
      Ela é uma crítica a situação de abandono das crianças, aos problemas comuns que vivemos diariamente e atualmente como a prostituição infantil, a “violência” do aborto, o abandono infantil, a falta de oportunidade, as drogas, e outros.

02 – Já nos primeiros versos podemos perceber o quê com relação a saúde da mulher?
      O autor mostra à falta de políticas prevencionistas no Brasil, principalmente a gravidez indesejada por muitas adolescentes.

03 – Que personificação do Brasil o autor faz na canção?
      A letra traz uma meretriz pobre e menor de idade, que tem uma gravidez indesejada, opta pelo aborto, e ela se chama Brasil.

FILME(ATIVIDADES): VIAGEM AO CENTRO DA TERRA - COM SINOPSE E QUESTÕES GABARITADAS

Filme(ATIVIDADES): VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

 Data de lançamento 11 de julho de 2008 (1h 32min)
Direção: Eric Brevig
Nacionalidade EUA




SINOPSE E DETALHES
        Trevor Anderson (Brendan Fraser) é um cientista cujas teorias não são bem aceitas pela comunidade científica. Decidido a descobrir o que aconteceu com seu irmão Max, que simplesmente desapareceu, ele parte para a Islândia juntamente com seu sobrinho Sean (Josh Hutcherson) e a guia Hannah. Entretanto em meio à expedição eles ficam presos em uma caverna e, na tentativa de deixar o local, alcançam o centro da Terra. Lá eles encontram um exótico e desconhecido mundo perdido.

Entendendo o filme:

01 – Qual é o nome da guia das montanhas?
      Chama-se Hannah.

02 – Antes de Josh chegar à casa de Trevor quantos eram os sensores?
      Eram 03 sensores.

03 – Qual o nome do irmão de Trevor e pai de Josh que desapareceu no CENTRO DA TERRA?
      O irmão chama-se Max.

04 – O que eles utilizam para se livrar das piranhas?
      Eles utilizam taco de beisebol.

05 – Como eles conseguem o vapor para sair do centro da TERRA?
a)   Eles acendem um fósforo.
b)   Eles acendem uma lanterna.
c)   Eles acendem magnésio.
d)   Eles jogam água no magma.

06 – O que o lavrador que teve sua horta destruída disse para eles quanto Josh dá o DIAMANTE à ele?
      Vocês não querem escorregar de novo?!

07 – O que eles conseguem salvar graças aos diamantes?
      Eles salvam o laboratório.

08 – Quem falou primeiro que a preferência é dele sobre a guia das montanhas?
      Foi dito pelo Josh.

09 – Trevor tem uma coleção imensa de...
      Ele tem uma coleção de moedas.

10 – Quanto Hannah está cobrando para levar eles até o sensor?
      Ele cobra 5 mil por hora.

11 – O que acontece quando Hannah corta a corda que está segurando Trevor?
      Ele cai mas está bem próximo ao chão e nem se machuca.

12. Do que tratava o filme?

O filme "Viagem ao Centro da Terra" trata da aventura de um grupo de exploradores que embarcam em uma jornada extraordinária através do interior da Terra, descobrindo paisagens exóticas, criaturas pré-históricas e desafios mortais. 

13. Escreva o que mais lhe chamou sua atenção?

O que mais me chamou a atenção no filme foi a maneira como ele imaginou um mundo subterrâneo cheio de maravilhas e perigos, misturando elementos de ficção científica e aventura.

     14. O que o cientista queria buscar no centro da Terra?

         A motivação principal do cientista é expandir o conhecimento humano sobre a Terra e suas camadas internas, desafiando as fronteiras do conhecimento científico da época.

          15. O filme retratava alguns fenômenos da natureza, qual(is) seria(m)?

O filme retrata fenômenos naturais como atividade vulcânica, terremotos e formações geológicas incomuns que são encontrados durante uma jornada para o centro da Terra.

 


CRÔNICA: LINDA DE MORRER - LÉO CUNHA - COM GABARITO

Crônica: Linda de morrer

        O pai resolveu abrir uma funerária.
        --- Tem muita gente morrendo. É negócio de futuro!
        Ao que a mãe acrescentou:
        --- Gente que nunca morreu tá morrendo...
        O filho perdeu a paciência.
        --- Dá pra parar com as piadinhas sem graça? Abrir um negócio não é brincadeira não.
        O pai sorriu condescendente. Sabia que o filho estava bem-intencionado. Mas é que o rapaz tinha acabado de concluir um desse MBAs da vida, e só conseguia raciocinar em termos mercadológicos.
        --- Calma, filho. Você só fala de critérios, métodos, empredorismo... não sei em falar esse troço.
        --- Empreendedorismo, pai.
        --- Pois é. Estou querendo pôr o nome de " funerária Vai com Deus."
        --- Pelo amor de Deus!
        --- Também é bom, mas "Vai com Deus" é melhor.
        --- Não, pai, pelo amor de Deus, não põe um nome desses!
        E olhou ansioso pra mãe, pedindo socorro. A mãe nem tchum.
        --- Acho que é um nome interessante, filho. Diferente. Ousado.
        O pai respondeu:
        --- Imaginem só o slogan: Na hora de morrer, "Vai com Deus".
        A mãe soltou uma gargalhada.
        --- Você dois parem com isso! – o filho já estava vermelho. – Que coisa mórbida! Vamos pensar com um mínimo de...
        --- Empredee... dorismo...
        --- Do... rimos!
        --- Doritos!
        --- Empreendedorismo! – o filho berrou.
        --- Ah é. Quer ver outro nome bom? Funerária sete Palmos...
        --- Passagem de Ida! – a mãe entrou na tabela.
        --- Último Adeus! – o pai emendou.
        Agora os dois já riam solto. O filho olhando pro chão, besta. Já estava calculando os prejuízos.
        O pai não parava.
        --- "Funerária Último Adeus: uma empresa linda de morrer".
        --- Uma empresa linda de morrer! – a mãe, repetiu, saboreando cada palavra.
        --- Linda de morrer... – o filho repetiu, mordendo as palavras. – nem Freud explica vocês dois...
        --- Engano seu, filho. Você sabia que o Freud era fanático por humor negro? Ele adorava o anúncio de uma funerária americana que falava assim: "Pra que viver, se você pode ser enterrado por dez dólares?"
        --- Sensacional! – a mãe já batia as mãos na mesa, de tanto rir.
        --- E lembra aquele cemitério que tinha um slogan assim: "Se você não pode saber quando, sabia   pelo menos onde". Dessa vez, até o filho deixou escapar uma risada:
        --- É verdade. Essa propaganda eu lembro. Engraçado, na época eu achei esse slogan muito bom. É claro que eu não tinha conhecimentos de ...
        --- Perdedorismo...
        --- Predadorismo...
        --- O filho saiu batendo os pés, resmungando para si mesmo: posicionamento, agregação, downsizing, rightsizing e, acima de tudo, empreendedorismo. Seu pai nunca ia mesmo dar conta daquelas palavras lindas de morrer.
                               CUNHA, Leo. Manual de Desculpas Esfarrapadas.
São Paulo: FTD, 2004.p.75-77
Entendendo a crônica:

01 – O que o título “Linda de Morrer”, significa?
      É o nome que seria dado a funerária que queriam abrir.

02 – Quem são os personagens da crônica?
      O pai, a mãe e o filho.

03 – Qual é a palavra que o pai não conseguia pronunciar?
      Empreendedorismo.

04 – Cite três nomes, que eles estavam pensando em pôr na funerária.
·        “Funerária vai com Deus.”
·        “Funerária sete palmos.”
·        “Funerária último adeus.”

05 – Qual a característica principal deste texto?
      Possivelmente, a grande maioria achará o texto humorístico: é divertido o desencontro de opiniões do filho, com relação aos pais; é engraçado o pai não conseguir, mas tentar sempre, falar determinada palavra; é cômica a sequência de nomes aventados para a funerária.

06 – Que recurso o autor usa para dar agilidade ao caso?
      Há um largo uso de diálogos (ou discurso direto), com poucas intervenções do narrador.

07 – Qual o gênero deste texto?
      Crônica, pois se trata de uma situação do cotidiano.

08 – De acordo com o texto, o Freud era fanático por humor negro, qual o anúncio que ele adorava?
      “Pra que viver, se você pode ser enterrado por dez dólares.”

09 – Quem é o autor e de onde foi tirado a crônica?
      É Leo Cunha. Foi tirado do Manual de Desculpas Esfarrapadas.