quinta-feira, 6 de março de 2025

CONTO: MITOS DO COMBATE À POBREZA - ODED GRAJEW - COM GABARITO

 Conto: Mitos do combate à pobreza

            ODED GRAJEW

        Elenco a seguir alguns mitos que circulam sobre a pobreza.

        Primeiro mito: A erradicação da pobreza é um processo lento.

        A maioria das pessoas, mesmo aquelas que têm uma real preocupação com a pobreza, suspiram diante dos terríveis indicadores brasileiros e se confortam (e/ou se alienam) afirmando: "Mudar esta situação é um lento processo".

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEju7F00dxZ4eV85wKG6GuiYSDpxUVVyx9IBOBDeGZhJJr-I8lNB52YnsY-Ek-6JhBo20wQ6uxBrALtcLErfjYqhIEGUaIke3Ysmv6chDrTPT10A-RYK_cgNtUAQbwMKZLyjpVZpAugdCgfTovb-4ZsDsosT_2TBSOMRN_Zv1hpDsEZKkLIxpjVFCrpior4/s320/POBREZA.png


        Imaginemos uma pessoa pobre que venha a mim pedindo para deixar de ser pobre. Eu poderia lhe dizer que isso é, infelizmente, um processo lento e complicado, que depende de muitas variáveis e que o Brasil não conseguiu resolver esse drama em 500 anos e não vai ser agora, num minuto, que o solucionará.

        Mas também eu poderia pesquisar qual a renda mensal de que essa pessoa necessitaria para deixar de ser pobre e, dependendo de minhas possibilidades financeiras, garantiria a ela essa renda, desembolsando imediatamente a primeira parcela. Instantaneamente essa pessoa deixaria de ser pobre.

        Se isso fosse feito com todos os pobres brasileiros, teríamos uma rápida erradicação da pobreza em nosso país. Trata-se, portanto, de mapear os pobres e miseráveis deste país (o IBGE acaba de fazer esse levantamento) e assegurar a cada um uma renda mínima (um direito que cada cidadão possui, pela Constituição brasileira), que os tire imediatamente da pobreza.

        Segundo mito: Não se deve dar o peixe aos pobres, mas ensiná-los a pescar.

        As duas posturas – dar o peixe e ensinar a pescar – são tidas como mutuamente excludentes, o que conforta (e/ou aliena) todos que se sentem impotentes diante da miséria brasileira. Deve-se "dar o peixe" e, concomitantemente, ensinar a pescar! Quem tem fome não consegue levantar a vara nem entender as instruções para a pesca.

        Tenho certeza de que a maioria dos leitores deste artigo chegou aonde chegou porque seus pais assim agiram com eles. A todos foi assegurado o peixe nos primeiros (e a muitos privilegiados nem os tão primeiros) anos de suas vidas, enquanto lhes foi ensinada a pesca.

        Portanto cada beneficiário da renda mínima deveria assinar inicialmente um "contrato de cidadania", que, dependendo de cada caso, comprometesse-o com uma ou mais das seguintes atividades: formação educacional e profissional, manutenção dos filhos na escola, prestação de serviços à comunidade, etc.

        Ao governo caberá oferecer as condições para a concretização dessas atividades, estimular as empresas a contratar as pessoas como aprendizes de uma profissão, emprego definitivo, apoio aos projetos filantrópicos etc.; empregar essas pessoas nos programas de obras de serviços essenciais, estimular empreendimentos através da reforma agrária, do crédito rural, do microcrédito etc. O beneficiário da renda mínima sairá do programa no momento em que não cumprir as suas obrigações ou conseguir auferir por conta própria uma renda equivalente ou maior.

        Terceiro mito: Não há recursos para erradicar a pobreza no Brasil.

        Todos os estudos mostram que há recursos de sobra para acabar com a pobreza. O que falta é vontade política. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas informa que R$ 15 mensais arrecadados dos não-pobres seriam suficientes para acabar com a fome dos 50 milhões de pobres brasileiros. O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque avalia que o custo bruto de um programa de erradicação da pobreza no Brasil seria de, no máximo, R$ 44,4 bilhões por ano. Isso equivale a apenas 10,5% da receita prevista para o setor público e a apenas 4% da renda nacional (riqueza gerada anualmente).

        Uma pesquisa do Banco Mundial revela que, excluindo a Previdência Social (de cujos recursos apenas 8% beneficiam os 20 % mais pobres!), só 19% do gasto social federal atinge os 20% mais pobres! Quem analisar nossos orçamentos públicos ficará horrorizado com o desperdício de recursos causado por corrupção, corporativismo, incompetência e clientelismo.

        Nossos governantes e legisladores não usam os serviços públicos pelos quais têm a responsabilidade de zelar. No momento em que nossas elites políticas fizessem uso da educação primária e secundária, saúde, segurança e transporte públicos, tenho a certeza de que haveria muito mais vontade política para direcionar recursos a fim de melhorar esses serviços. A maioria usa o orçamento para políticas clientelistas, devolver favores ou formar fundos de campanha.

        Os mitos que sustentam a ideia de que o combate à pobreza no Brasil é lento, complicado e inviável financeiramente reforçam a posição dos mal-intencionados, insensíveis e incompetentes. Servem de consolo, mas também de alienação aos que estão com a consciência pesada ou mal informados. Jogam no desespero e na marginalidade milhões de cidadãos brasileiros.

        Aproximadamente 500 crianças abaixo de 5 anos morrem diariamente no Brasil, de pobreza. Essas crianças não podem esperar e aguardam que as pessoas de bem deste país terminem rapidamente com essa vergonha.

Oded Grajew, 57, diretor-presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, é presidente do Conselho de Administração da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente e membro do Conselho Deliberativo da Transparência Brasil.

“Mitos do combate à pobreza”, de Oded Grajew. Editoria Opinião, pág. A3. Folha de S. Paulo, 26/3/2002.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 584-586.

Entendendo o conto:

01 – Qual o primeiro mito sobre a pobreza que o autor aborda?

      O primeiro mito é a crença de que a erradicação da pobreza é um processo lento e demorado.

02 – Como o autor ilustra a possibilidade de erradicar a pobreza de forma rápida?

      O autor usa o exemplo de garantir uma renda mínima para uma pessoa pobre, mostrando que isso a tiraria da pobreza instantaneamente. Se feito em larga escala, erradicaria a pobreza no país.

03 – Qual o segundo mito apresentado no texto e como ele é desconstruído?

     O segundo mito é a ideia de que se deve "ensinar a pescar" em vez de "dar o peixe". O autor argumenta que ambas as ações são necessárias simultaneamente, pois quem tem fome não tem condições de aprender.

04 – O que o autor propõe como "contrato de cidadania" para os beneficiários da renda mínima?

      O contrato incluiria compromissos como formação educacional e profissional, manutenção dos filhos na escola e prestação de serviços à comunidade.

05 – Qual o terceiro mito abordado pelo autor e como ele o refuta?

      O terceiro mito é a alegação de que não há recursos suficientes para erradicar a pobreza no Brasil. O autor apresenta dados que mostram que há recursos de sobra, mas falta vontade política.

06 – Que dados o autor apresenta para comprovar a viabilidade financeira do combate à pobreza?

      O autor menciona estudos da Fundação Getúlio Vargas e do ex-governador Cristovam Buarque, além de dados do Banco Mundial, que evidenciam a disponibilidade de recursos.

07 – Qual a crítica do autor em relação ao uso dos recursos públicos?

      O autor critica o desperdício de recursos devido à corrupção, corporativismo, incompetência e clientelismo, além da falta de uso dos serviços públicos pelas elites políticas.

08 – Como os mitos sobre a pobreza influenciam a sociedade, segundo o autor?

      Os mitos reforçam a inação dos mal-intencionados e servem de consolo para os desinformados, perpetuando a pobreza e o sofrimento de milhões de brasileiros.

09 – Qual a urgência do combate à pobreza destacada pelo autor?

      O autor ressalta que cerca de 500 crianças abaixo de 5 anos morrem diariamente de pobreza no Brasil, evidenciando a necessidade de ação imediata.

10 – Qual a principal mensagem do autor sobre o combate à pobreza?

      A mensagem principal é que a erradicação da pobreza é possível e urgente, dependendo da vontade política e da ação conjunta da sociedade.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: NÃO SE PODE SER SEM REBELDIA - PAULO FREIRE - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Não se pode ser sem rebeldia 

                             Paulo Freire

        Eu acho que os adultos, pais e professores, deveriam compreender melhor que a rebeldia, afinal, faz parte do processo da autonomia, quer dizer, não é possível ser sem rebeldia. O grande problema está em como amorosamente dar sentido produtivo, dar sentido criador ao ato rebelde e de não acabar com a rebeldia. Tem professores que acham que a única saída para a rebelião, para a rebeldia é a punição, é a castração. Eu confesso que tenho grandes dúvidas em torno da eficácia do castigo.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiS8Pfd49J8-MLjEWypDIBhXh0J0u-otsnmvkkQv2K4qd4I3Ad-V1v0tNlw6nMaBRYR8pXLm9VyhjuAo1LXnz3e3WI9coVVQaK36zAQNO9bsSKnfrVCbf-FsdH9STaYSlcsUvn2SU-FjYCWx5U4VlXcSdJWZb7q4oVOXO9x3A3OHwYaoDpE5-xPjNlzbmY/s320/Limite.jpg


        Eu acho que a liberdade não se autentica sem o limite da autoridade, mas o limite que a autoridade se deve propor a si mesma, para propor ao jovem a liberdade, é um limite que necessariamente não se explicita através de castigos. Eu acho que a liberdade precisa de limites, a autoridade inclusive tem a tarefa de propor os limites, mas o que é preciso, ao propor os limites, é propor à liberdade que ela interiorize a necessidade ética do limite, jamais através do medo. 

        A liberdade que não faz uma coisa porque teme o castigo não está “eticizando-se”. É preciso que eu aceite a necessidade ética, aí o limite é compromisso e não mais imposição, é assunção. O castigo não faz isso. O castigo pode criar docilidade, silêncio. Mas os silenciados não mudaram o mundo. 

Paulo Freire, Pedagogia dos sonhos possíveis. Org. Ana M. A. Freire. Editora Unesp.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 591.

Entendendo o artigo:

01 – Qual a visão de Paulo Freire sobre a rebeldia na formação da autonomia?

      Paulo Freire acredita que a rebeldia é uma parte essencial do processo de desenvolvimento da autonomia. Ele defende que adultos, pais e professores devem compreender que a rebeldia é natural e necessária.

02 – Qual a crítica de Paulo Freire em relação ao uso do castigo como forma de lidar com a rebeldia?

      Freire expressa dúvidas sobre a eficácia do castigo, argumentando que ele pode levar à docilidade e ao silêncio, mas não promove a mudança genuína ou a internalização de limites éticos.

03 – Como Paulo Freire vê a relação entre liberdade e autoridade?

      Freire acredita que a liberdade precisa de limites estabelecidos pela autoridade, mas esses limites devem ser propostos de forma que a liberdade interiorize a necessidade ética deles, e não por meio do medo ou do castigo.

04 – O que significa "eticizar-se" no contexto do artigo de Paulo Freire?

      "Eticizar-se" significa internalizar a necessidade ética de um limite, de modo que a pessoa aceite e compreenda a importância desse limite como um compromisso, e não apenas como uma imposição externa.

05 – Qual a diferença entre limites impostos pelo medo e limites internalizados eticamente, segundo Paulo Freire?

      Limites impostos pelo medo geram apenas conformidade externa e temporária, enquanto limites internalizados eticamente levam a uma mudança genuína de comportamento e à construção de uma consciência ética.

 

NOTÍCIA: A COR DO BRASIL - (FRAGMENTO) - REVISTA ISTO É - COM GABARITO

 Notícia: A cor do Brasil – Fragmento

        Durante anos, os brasileiros cresceram ouvindo três afirmações de que Deus nasceu por aqui: o Brasil não tem furacões ou terremotos, o brasileiro é um homem cordial e nesta terra não existe racismo. É verdade que estamos livres de desastres naturais que infernizam outras nações, mas os índices de violência decorrentes da rápida urbanização do País nas três últimas décadas demoliram a teoria do brasileiro cordial. Agora, segundo pesquisa IstoÉ / Brasmarket publicada nesta edição, chegou a hora de rever o mito da convivência pacífica entre brancos e negros. O brasileiro é racista. Pelo menos para 83% dos entrevistados que disseram existir discriminação racial em relação ao negro.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMvsnt-U0wpCJhhx7S4WObB4d4NV5vX1NorwEZHHsjmTCS02l6HE-rwLyR3XPzuk9_eupPgiGM60tJyVVjLr9gu6ZDue_h7OdkVO__yeXCrwc8q1Hlhb6MqbhdHQX34v_IrMmE1-_nzaat4aunI8ud4IVMFrNxRMydNzHNl94tovhx6RWHvyPwngXvhyphenhyphenU/s1600/COR.jpg


        É uma opinião forjada pelas histórias do cotidiano. No Rio Grande do Sul, um jovem negro de 19 anos, foi atropelado por um BMW. O motorista, branco, não socorreu o rapaz alegando tratar-se de um negro numa bicicleta roubada. O mesmo argumento serviu ao neurologista, também branco, para justificar a demora no atendimento ao rapaz, que fora levado ao Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. O jovem morreu dois dias depois noutro hospital, o Mãe de Deus, vítima de traumatismo craniano. Pior: temendo ser confundido com um ladrão de bicicletas, ele andava sempre com a nota fiscal no bolso. Pior ainda: nem o motorista nem o Hospital Nossa Senhora das Graças responderam na Justiça por seus atos.

        A discriminação contra o negro, assim como contra nordestinos e mulheres, prospera por causa da impunidade.

Revista IstoÉ, nº 1405, Prensa Três. São Paulo, Editora Três, 4 de setembro de 1996.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 594.

Entendendo a notícia:

01 – Quais os três mitos sobre o Brasil que são mencionados no texto?

      Os três mitos são: o Brasil não tem desastres naturais, o brasileiro é cordial e não existe racismo no país.

02 – Qual a principal conclusão da pesquisa mencionada no texto sobre o racismo no Brasil?

      A pesquisa IstoÉ / Brasmarket concluiu que 83% dos entrevistados acreditam que existe discriminação racial contra negros no Brasil.

03 – Qual o caso de discriminação racial relatado no texto e quais as suas consequências?

      O texto relata o caso de um jovem negro atropelado por um motorista branco no Rio Grande do Sul. O motorista e um neurologista atrasaram o atendimento ao jovem, que morreu devido a traumatismo craniano. Além disso, nem o motorista nem o hospital foram responsabilizados judicialmente.

04 – Qual a relação entre impunidade e discriminação, segundo o texto?

      O texto afirma que a discriminação contra negros, nordestinos e mulheres prospera devido à impunidade, ou seja, à falta de punição para os atos discriminatórios.

05 – Qual a importância da nota fiscal que o jovem negro carregava no bolso?

      O jovem carregava a nota fiscal para evitar ser confundido com um ladrão de bicicletas, demonstrando o medo e a precaução que negros precisam ter devido ao preconceito e à criminalização.

 

NOTÍCIA: ATRAÇÃO PERIGOSA - LIA BOCK E MÔNICA TARANTINO - COM GABARITO

Notícia: ATRAÇÃO PERIGOSA

            Lia Bock e Mônica Tarantino

        O brasileiro exagera nos remédios, consumindo-os sem consultar o médico e colocando a sua saúde em risco.

        Levante a mão quem jamais tomou um remedinho "receitado" por um amigo ou foi até a farmácia comprar um medicamento e saiu de lá levando dois ou mais na sacola. Esse é apenas um dos sintomas da tendência para a automedicação que o Brasil tem.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgAzMOsuAVXDgoEWYX-eVyxqSEJlkt_BVfVrnN3hng9ZyjcrBRiBKIH0o-CI6_Ghv7Dv47hka2dbbCmu-e7_jS9fUyykbu7L4rs8ymGHOpQeFmcOUZrYLu4DAZnkKJ5AyScOLGrkoNm8UBENdDuLqYgjlB0e0D_JqgFOWM9Hxwxv9wXE_FIoQLKI0cXx9Q/s1600/REMEDIO.jpg

        Usar remédio sem prescrição médica é um hábito muito frequente entre nós. Os produtos com tarja vermelha são o principal alvo de venda fácil. O controle é mais rígido com as drogas com tarja preta (podem causar dependência), pois uma via da receita fica retida na farmácia. Um dos desdobramentos dessa situação é que muita gente usa substâncias potentes sem necessidade.

        Abusos como esse são culpa de quem? Para os especialistas, a automedicação é resultado de um contexto em que vários atores contracenam. Ela passa pelo sistema público de saúde, que não dá conta da demanda, pela prática da empurroterapia (venda comissionada de medicamentos) nas farmácias, por uma vocação do brasileiro para pajelança (todo mundo gosta de receitar soluções) e pela necessidade de fiscalização mais eficaz. Esses são alguns dos pilares da encrenca, que traz sérias consequências.

        Há mais uma ponta a considerar quando se trata de automedicação: as farmácias. No Brasil, há cerca de 55 mil estabelecimentos desse tipo, o equivalente a uma farmácia por três mil habitantes. O número excessivo de medicamentos à venda põe mais lenha na fogueira.

        A automedicação é uma praga e, contra ela, é necessário ter uma abordagem ampla e organizada.

Adaptação da reportagem de Lia Bock e Mônica Tarantino, Isto É, nº 1671, 10/10/2001, p. 80-85.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 598.

Entendendo a notícia:

01 – Qual o principal problema abordado na notícia?

      O principal problema abordado é a automedicação, um hábito frequente entre os brasileiros, que consiste em consumir medicamentos sem prescrição médica, colocando a saúde em risco.

02 – Quais os principais fatores que contribuem para a automedicação no Brasil?

      Os principais fatores são: o sistema público de saúde que não atende à demanda, a prática da "empurroterapia" nas farmácias (venda comissionada de medicamentos), a tendência do brasileiro a "receitar soluções" e a falta de fiscalização eficaz.

03 – Qual a diferença entre medicamentos de tarja vermelha e tarja preta, e qual a relação dessa diferença com a automedicação?

      Medicamentos de tarja vermelha são vendidos com menos controle, enquanto os de tarja preta (que podem causar dependência) exigem receita retida na farmácia. A facilidade de acesso aos medicamentos de tarja vermelha contribui para a automedicação.

04 – Qual a relação entre o número de farmácias e a automedicação no Brasil?

      O grande número de farmácias no Brasil (uma para cada três mil habitantes) e a vasta quantidade de medicamentos à venda contribuem para a automedicação, facilitando o acesso e incentivando o consumo excessivo.

05 – Qual a solução proposta para combater a automedicação no Brasil?

      A notícia propõe uma abordagem ampla e organizada para combater a automedicação, envolvendo ações de diversos setores da sociedade e do governo.

 

CONTO: PARA QUE LITERATURA? - (FRAGMENTO) - OLGA DE SÁ - COM GABARITO

 Conto: Para que Literatura? – Fragmento

          Olga de Sá – Publicado 02/08/2012 – 19:47

        Nesta época de tanta ciência e tecnologia, para que publicar textos de Literatura? Quem por eles se interessaria? Os pobres, que constituem a maioria em nosso país, absorvidos pela própria sobrevivência, talvez nem saibam que exista Literatura, embora boa parte dos grandes escritores tenham surgido de famílias pobres. Parece que o sofrimento nutre as Artes.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjXL68Rds4RuRvjDmbfVKijfaJGZqzA_sHAQUVsEWn5JCLf1tvIuJSRdTj2J8Wsfz3AwQfyBU9lrKTo1MNUNN4mTNDPT_daubIwn_ynjhWRN3fFNOi-gofVAQTxiVNPpx1v3rro052GyqTtF7o2iD_g4qDLNxf5YPnskdpMMiSgMtxiir1vkZyRIomW7ug/s320/imagem-literatura.jpg

        As perguntas sobre os grandes temas da vida humana se tecem nos poemas e nas obras de ficção. A Literatura, já o disse de outra maneira Roland Barthes, não responde às perguntas, fechando-as; porque as amplia, multiplica suas respostas. Não pretende atingir nenhuma “verdade”; pretende abrir nossa mente para as inúmeras percepções de mundo, que existem nos universos mentais das pessoas.

        Mas do que precisamos, dizem os homens práticos, é de soluções, de respostas, de expedientes úteis, de resolver os problemas da cidade e do campo.

        Então, para que Literatura? Para levantar questões fundamentais, abrir nosso mundo pequenino, feito de minúsculos fatos do dia-a-dia, ao grande painel da reflexão humana. Vivemos em Lorena, mas podemos transitar em Londres, Paris, Estados Unidos, Rússia, Antártida, Terra do Fogo, Noruega, Índia, no planeta Marte, nas Galáxias infinitas, enfim, no Cosmos. Sem perder o pé na realidade.

        A leitura é o meio que temos para conviver com valores e ideias de outros universos, no espaço e no tempo, inacessíveis, de outro modo, à experiência humana. […]

        Por que não Literatura? Por que não Poesia? A poesia é o que criamos de mais próximo do núcleo da realidade e do ser. Parecendo etérea e desvinculada de nossas metas pragmáticas, a poesia, no entanto, nos dá o mundo em lágrimas e em risos, em vida e morte, em angústia e esperança, o mundo em dimensão de humano. O poema recupera o ritmo das coisas, capta o alento e a respiração do todo, e os exprime em “palavras-coisas” essenciais.

        Por vezes, a poesia invade nossa vida sob forma de uma criança, um palhaço, um bêbado, um louco. Sob a forma de flor, de bicho, de árvore, de fogo, de beleza, enfim. Se isso acontecer, se formos capazes de reconhecer o rosto de nossa irmã-poesia nos pequenos ou breves encontros com as coisas, então estamos salvos do tédio ou do desespero.

        Cada um de nós, enquanto se torna receptivo aos grandes temas da Literatura- o amor e a morte, a liberdade e o destino, o absurdo e o racional, a iniquidade e a justiça, a angústia e o medo, o desespero e a esperança, a beleza e o grotesco, poderá encontrar em si o diálogo com as profundezas do ser e o silêncio diante do mistério.

        Para que Literatura? Para termos o direito ao sonho e a garantia da realidade.

Olga de Sá. Introdução a Contos de Cidadezinha, de Ruth Guimarães. Centro Cultural Teresa d’Ávila, 1996.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 600-601.

Entendendo o conto:

01 – Qual a questão central levantada pela autora no início do texto?

      A autora questiona a relevância da literatura em uma época dominada pela ciência e tecnologia, especialmente para a população mais pobre.

02 – Como a literatura se relaciona com as perguntas sobre os grandes temas da vida, de acordo com a autora?

      A literatura, através de poemas e ficção, amplia e multiplica as respostas para essas perguntas, em vez de fechá-las, abrindo nossa mente para diversas percepções de mundo.

03 – Qual a crítica feita aos "homens práticos" no texto?

      A crítica é que eles valorizam apenas soluções e respostas imediatas, ignorando a importância da reflexão e do questionamento que a literatura proporciona.

04 – De que forma a leitura da literatura pode expandir nossos horizontes, segundo a autora?

      A leitura nos permite viajar para diferentes lugares e universos, tanto reais quanto imaginários, expandindo nossa experiência humana e nossa compreensão do mundo.

05 – Qual a importância da poesia, conforme destacado no texto?

      A poesia é vista como uma forma de capturar a essência da realidade e do ser, expressando o mundo em suas diversas dimensões humanas e nos conectando com o ritmo da vida.

06 – Como a poesia pode se manifestar em nosso cotidiano, de acordo com a autora?

      A poesia pode surgir em encontros inesperados com pessoas e elementos da natureza, trazendo beleza e significado para nossa vida e nos salvando do tédio e do desespero.

07 – Qual o papel da literatura em relação aos grandes temas da existência humana?

      A literatura nos convida a refletir sobre temas como amor, morte, liberdade e justiça, promovendo um diálogo interno e um encontro com o mistério da vida.

 

 

quarta-feira, 5 de março de 2025

ARTIGO DE OPINIÃO: É ÍNDIO OU NÃO É ÍNDIO? DANIEL MUNDURUKU - COM GABARITO

 Artigo de opinião: É índio ou não é índio?

                            Daniel Munduruku

        Certa feita tomei o metrô até a praça da Sé. Eram os primeiros dias que estava em São Paulo e gostava de andar de metrô e ônibus. Tinha um gosto especial em mostrar-me para sentir a reação das pessoas quando me viam passar. Queria poder ter a certeza de que as pessoas me identificavam como índio a fim formar minha autoimagem.

 FONTE:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg5tBiSmGlvXtl4DUGNxY6rdEUDQKD6BgOOa_6ImP6rTIM2FFqj80Mid2zdHSp8I-l2jRt5G00x7NhheYQVXKWgV-ZyiMNs8aFKTyfToyNb7PkoJOYkDiNEnMiAw9edXwgHXq74oNPBw4WvghdZ1aS6RyI1seCTNuRomzQpAdklEgXnOzaKEKm4HVCT0Ag/s1600/SE.jpg


        Nessa ocasião a que me refiro, ouvi o seguinte diálogo entre duas senhoras que me olharam de cima a baixo quando entrei no metrô:

        -- Você viu aquele moço que entrou no metrô? Parece que é índio – disse a primeira senhora.

        -- É, parece. Mas eu não tenho tanta certeza assim. Viu que ele usa calça jeans? Não é possível que ele seja índio usando de branco. Acho que não é índio de verdade – retrucou a outra senhora.

        -- É poder ser. Mas você viu o cabelo dele? É lisinho, lisinho. Só índio tem cabelo assim, desse jeito. Acho que ele é índio, sim – defendeu-me a primeira.

        -- Sei não. Você viu que ele usa relógio? Índio vê a hora olhando para o tempo. O relógio do índio é o sol, a lua, as estrelas… Não é possível que ele seja índio – argumentou a outra.

        -- Mas ele tem o olho puxado – disse a primeira senhora.

        -- E também usa sapatos e camisa – ironizou a segunda.

        -- Mas tem as maçãs do rosto muito salientes. Só os índios tem rosto desse jeito. Não, ele não nega. Só pode ser um índio, e parece ser dos puros.

        -- Não acredito. Não existem mais índios puros – afirmou cheia de sabedoria a segunda senhora. – Afinal, o que um índio estaria fazendo andando de metrô? Índio de verdade mora na floresta, carrega arco, flecha, caça, pesca, planta mandioca. Acho que não é índio coisa nenhuma…

        -- Você viu o colar que ele está usando? Parece que é de dentes. Será que é de dentes de gente?

        -- De repente até é. Ouvi dizer que ainda existem índios que comem gente medrou a segunda senhora.

        -- Você não disse que achava que ele era índio? Por que está com medo?

        -- Por via das dúvidas...

        -- O que você acha de falarmos com ele?

        -- E se ele não gostar?

        -- Paciência… Ao menos nós teremos as informações mais precisas, você não acha?

        -- É, eu acho, mas confesso que não tenho muita coragem de iniciar um diálogo com ele. Você pergunta? – Isto dito pela segunda senhora que, a esta altura, já se mostrava um tanto constrangida.

        -- Eu pergunto.

        Eu estava ouvindo a conversa de costas para as duas e de vez em quando ria com vontade. De repente, senti um leve toque de dedos. Virei-me. Infelizmente, elas demoraram a chamar-me. Meu ponto de desembarque estava chegando. Olhei para elas, sorri e disse:

        -- Sim!

MUNDURUKU, Daniel. Histórias de índio. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1997, p. 34.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 95-96.

Entendendo o artigo:

01 – Por que Daniel Munduruku gostava de andar de metrô e ônibus em São Paulo?

      Ele gostava de andar de metrô e ônibus para sentir a reação das pessoas ao vê-lo e para formar sua autoimagem.

02 – O que as duas senhoras discutiam sobre Daniel no metrô?

      Elas discutiam se Daniel era ou não índio, baseando-se em sua aparência e nas roupas que ele usava.

03 – Quais características físicas de Daniel foram mencionadas pelas senhoras como indicativas de que ele poderia ser índio?

      Elas mencionaram seu cabelo liso, olhos puxados e maçãs do rosto salientes.

04 – Por que uma das senhoras duvidava que Daniel fosse índio?

      Ela duvidava porque ele usava calça jeans, relógio, sapatos e camisa, itens que ela não associava com a imagem de um índio.

05 – O que uma das senhoras sugeriu fazer para confirmar se Daniel era índio?

      Ela sugeriu falar com ele para obter informações mais precisas.

06 – Qual foi a reação de Daniel ao ouvir a conversa das senhoras?

      Ele ria com vontade enquanto ouvia a conversa de costas para as duas senhoras.

07 – Como Daniel respondeu quando as senhoras finalmente o abordaram?

      Ele sorriu e disse "Sim" quando elas o chamaram, pouco antes de seu ponto de desembarque chegar.

 

RELATO: A ARTE DE PINTAR - LUÍS DONISETE BENZI GRUPIONI - COM GABARITO

 Relato: A arte de pintar

           Luís Donisete Benzi Grupioni

        A algazarra das crianças pequenas e a voz estridente de algumas mulheres xikrin – índios que habitam o sul do Pará – indicam que o grupo que ontem tinha saído bem cedo para apanhar batata-doce, inhame, milho, mandioca e mamão, na roça, hoje está na aldeia. Pouco a pouco, um grupo de mulheres vai se reunindo na casa da mulher chefe, para fazer juntas a primeira refeição do dia e iniciarem mais uma sessão de pinturas coletivas. Mais ou menos a cada oito dias, as mulheres casadas e que têm filhos se reúnem para pintar umas às outras, organizando-se em pequenos grupos, de acordo com a idade e com a quantidade de filhos. Num canto da casa, mulheres jovens com um filho ou dois; noutro, as mais velhas com três ou quatro filhos, todas comendo frutos trazidos da roça.

FONTE: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjTbJzGCeHZgW4ceoDI9EFRHXlpusPFvSeMKXvCGgQ_xBHvFJaclmWAXnNp94YHXHlnpBR_OM_C_7gg6KdORtmeeqZo3kI2fnK0HZfI_cHcuDEBWiAsg3ystu-awpqjUdLwelr8i9XFOzJcnG77KPA958aSB6k_JbgFLUY0Ef7eoP26AJbg-8bRpBw0lsU/s320/guarani-sao-paulo-pro-indio.jpg


        É a primeira vez que Irepu toma parte numa dessas sessões de pintura. Por ter um filho recém-nascido e já haver cumprido o período de resguardo – que pai e mãe devem respeitar após o nascimento dos filhos –, ela pode ingressar na categoria das jovens mulheres com filhos. Assim, Irepu vai participar da sessão, pintando uma companheira e sendo pintada por ela.

        Ao longo de toda a vida as mulheres xikrin vão se aperfeiçoando na arte e na técnica de pintar o corpo, uma atividade de grande interesse e importância na sociedade em que vivem. Crianças pequenas pintam abóboras e bonecas de plástico que são levadas para a aldeia. Quando atingem os 10 ou 12 anos, suas mães permitem que pintem seus irmãos menores. Assim, quando uma moça tem seu primeiro filho, ela já sabe pintar. Em sua casa, longe do olhar crítico das mulheres mais velhas, ela embala seu bebê ao som das cantigas de seu povo e de pinceladas de tinta. É pintando o filho e observando as mulheres mais velhas pintando outras mulheres da mesma categoria de idade que uma Xikrin vai se aperfeiçoando no domínio da técnica de pintar. Isto exige muito tempo e prática. É preciso adquirir segurança no uso do pincel e aprender noções de proporção. Pintando regularmente seus filhos, as mulheres vão “treinando a mão” e aprendendo que, para os Xikrin, gastar horas pintando o filho é uma demonstração de carinho e interesse.

        Na casa da mulher do chefe as mulheres conversam. O momento da pintura é sempre de descontração, prazer, divertimento e também de muitas fofocas, quando se colocam os assuntos em dia. Discutem sobre vários desenhos possíveis e então se decidem sobre o motivo da pintura que farão hoje. A pintura é igual para todas e o desenho é o mesmo no rosto e no corpo. Formando triângulos, quadrados ou executando linhas retas paralelas, elas elaboram os vários desenhos que representam animais e plantas. Uma amiga de Irepu começa a pintar seu rosto, usando uma pequena lasca de taquara que lhe serve como pincel. Com traços firmes, fazendo o desenho do jabuti, que foi escolhido. O deslizar do pincel no rosto produz uma agradável sensação de frescor. Numa pequena cuia de cabaça está a tinta, preparada por algumas mulheres com a mistura de jenipapo mascado, carvão e um pouco de água.

        Depois de pintar o rosto de Irepu, sua companheira cobre-lhe o corpo todo com tinta aplicada com a mão e em seguida passa um pente para formar as listas. Enquanto espera a pintura secar e a volta da companheira que tinha ido em casa buscar um abano de palha, Irepu pega o filho, que estava com sua irmã, para amamentá-lo. Ele rapidamente adormece em seu colo e ela pode então retribuir a pintura na amiga, que já tinha voltado.

        Terminada a sessão de pintura, as mulheres voltam para suas casas. Algumas continuam tomando conta das crianças, enquanto outras vão preparar comida. Com o entardecer, elas se juntam novamente, agora na frente da casa da mulher do chefe. Dali observam os jovens trazerem folhas de palmeira-buriti bem verdes, que são colocadas no meio da praça, onde se sentam os rapazes e os mais velhos, formando o conselho dos homens da aldeia. Hoje, Irepu não está prestando atenção ao que é dito no centro da aldeia, mas admirando o filho, todo pintado, que dorme docemente nos seus braços, escutando os comentários que outras mulheres fazem sobre a pintura que ela realizou em sua amiga. Irepu se sente diferente, pois hoje se iniciou numa nova fase de uma das artes mais apreciadas pelas mulheres xikrin: a arte de pintar-se.

GRUPIONI, Luís D. B. Viagem ao mundo indígena. São Paulo, Berlendis & Vertecchia, 1997. p. 15-20. (Coleção Pawana).

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 90-92.

Entendendo o relato:

01 – Quem são os Xikrin e onde eles habitam?

      Os Xikrin são índios que habitam o sul do Pará.

02 – Com que frequência as mulheres Xikrin casadas se reúnem para pintar?

      As mulheres casadas e que têm filhos se reúnem aproximadamente a cada oito dias para pintar umas às outras.

03 – Qual é o período de resguardo mencionado no relato?

      O período de resguardo é o tempo que pai e mãe devem respeitar após o nascimento dos filhos, durante o qual eles evitam certas atividades.

04 – Como as mulheres Xikrin aprendem a arte de pintar o corpo?

      As mulheres Xikrin começam a aprender a arte de pintar o corpo desde pequenas, pintando abóboras e bonecas. Quando atingem os 10 ou 12 anos, podem pintar seus irmãos menores, e continuam praticando ao longo da vida.

05 – Qual é o significado de pintar os filhos para as mulheres Xikrin?

      Para os Xikrin, gastar horas pintando o filho é uma demonstração de carinho e interesse. É também uma forma de treinar a técnica de pintura.

06 – Que tipos de desenhos as mulheres Xikrin fazem em suas pinturas?

      As mulheres Xikrin fazem desenhos que representam animais e plantas, como triângulos, quadrados e linhas retas paralelas.

07 – Como é a sessão de pintura na casa da mulher do chefe descrita no relato?

      A sessão de pintura é um momento de descontração, prazer e divertimento, com muitas conversas e fofocas. As mulheres discutem sobre os desenhos possíveis e escolhem o motivo da pintura que farão. A pintura é igual para todas.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: FESTA DE IEMANJÁ - MARCELO XAVIER - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Festa de Iemanjá

           Marcelo Xavier

        Cinco horas da manhã do dia 2 de fevereiro. O bairro do Rio Vermelho, em Salvador, acorda com um foguetório daqueles. Está começando mais uma festa de Iemanjá, e vai durar o dia todo. As primeiras pessoas chegam, com seus presentes para a Rainha do Mar. São perfumes, espelhos, flores, brinquedos, colares, pulseiras. No barracão dos pescadores, os organizadores recebem as oferendas, que vão colocando em grandes balaios redondos. Algumas baianas jogam água-de-cheiro na cabeça do povo. Outras dançam, girando e cantando pontos de candomblé, ao som de atabaques, agogôs, tambores e pandeiros. O sol brilha sobre tudo, como o mais ilustre dos convidados. O mar espera, paciente. Ele sabe que, ao final da tarde, como sempre, todos aqueles presentes vão acabar em suas águas. O mar é a casa de Iemanjá – portanto, festa é dele, também.

FONTE: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglKTwWnMXcdaf2M70sjIuhJJa_UnJzMLT4FXEzLDdY00tJfHM6Q0dUsqHQz_f-8poyMb6G7JDU3SE9s8kqTLL9rzBlgZJJsu5ZcZAMHC7Xje1zpGPgws9Tt56ByvUHNjrCGXDKQlruRvwcmXnIRYuPrZSpFtsOoCRYGkCiIh6DdTFmxxUr6-m9-7e9_1s/s320/festa-imenaja-1-1-848x477.jpeg


        O presente principal é arrumado com todo o carinho, por um grupo de pessoas. Trata-se da escultura de um enorme golfinho, cercado de bonecos, espelhos e outros presentes menores.

        A certa altura do dia, a fila de oferendas parece uma enorme serpente, enfeitada de flores, arrastando-se lentamente na direção do barracão. No corpo dessa fila-serpente tem gente de todo tipo. A maioria se veste de branco. Na cabeça, lenços e chapéus. Nas mãos, os presentes para Iemanjá.

        Todo a região é tomada pelos cheiros, gostos e sons da festa: são vendedores de fitinhas coloridas, colares, comida, bebida, flores; baianas, com seus tabuleiros, e bandos de devotos.

        Às quatro horas da tarde, como bem sabia o mar, os balaios, carregados de presentes e de flores, são levados para os barcos, junto com o presente principal. Ao som de palmas, vivas, batuques e cantos, o cortejo parte para o alto-mar, onde vão ser deixados os presentes.

        No bairro do Rio Vermelho, a festa continua até o amanhecer.

XAVIER, Marcelo. Festas – O folclore do Mestre André. Belo Horizonte, Formato, 2000. p. 14.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 158-159.

Entendendo o artigo:

01 – Quando e onde ocorre a festa de Iemanjá descrita no artigo?

      A festa de Iemanjá ocorre no dia 2 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.

02 – Quais tipos de presentes são oferecidos a Iemanjá durante a festa?

      Os presentes incluem perfumes, espelhos, flores, brinquedos, colares e pulseiras.

03 – Quem organiza e recebe as oferendas durante a festa?

      Os pescadores organizam e recebem as oferendas no barracão.

04 – Que atividades ocorrem durante a festa além da entrega de presentes?

      As atividades incluem baianas jogando água-de-cheiro na cabeça do povo, danças, cantos de candomblé, e a venda de fitinhas coloridas, colares, comida e bebida.

05 – Como é a fila de oferendas descrita no artigo?

      A fila de oferendas parece uma enorme serpente enfeitada de flores, composta por pessoas de todo tipo, a maioria vestida de branco e carregando presentes para Iemanjá.

06 – O que é feito com os balaios de presentes ao final da tarde?

      Os balaios de presentes são levados para os barcos, junto com o presente principal, e depois são deixados no alto-mar.

07 – Até que hora a festa continua no bairro do Rio Vermelho?

      A festa continua até o amanhecer do dia seguinte.