segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

SONETO: SETE ESTUDOS PARA A MÃO ESQUERDA VII - (FRAGMENTO) - PAULO HENRIQUES BRITTO - COM GABARITO

 Soneto: Sete estudos para a mão esquerda VII – Fragmento

             Paulo Henriques Britto

A solução difícil. As adversárias.

Escrever a contrapelo do papel.

E aquela que acabou sendo riscada —

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6Qpn0jqF_Yhnn3KASvY3swIXhjzK6fKXbD04iFPpb5Z1akO9zkgzFboW0TA5qn_UmIuwWc7uYoBme6aVYL22uRuspF1eZFdHTHtbkyapf66g93h4IJfDdL1ey1wAbG7ScxMuYbjRM9EojfXjFNiw3JGW7p1H_dnsfvxLKYVcI3H9pcJEU0lNvf2-SVJI/s1600/MAO.jpg

calou-se, escapuliu, não se rendeu —

era precisamente a procurada.

Sobrou só isso que, leitor, é teu.

 

Só isso, sim. Que ao mesmo tempo é tudo.

Um suscitar de sílabas — não mais

a deusa atarantada a nos soprar

um vento em nosso ouvido (aliás surdo) —

e no entanto cabe dentro um mundo,

um universo, um homem a espernear.

Um que afinal domou as adversárias,

essas palavras que me deixam mudo.

Paulo Fernando Henriques Britto – Rio de Janeiro RJ 1951.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto?

      O soneto reflete sobre o processo de criação poética, a luta com as palavras e a busca pela expressão adequada. O eu-lírico descreve a dificuldade de encontrar as palavras certas, que parecem resistir e escapar, mas que, ao final, são dominadas e transformadas em poesia.

02 – O que significa a expressão "Escrever a contrapelo do papel"?

      Essa expressão sugere a dificuldade e o esforço envolvidos no ato de escrever. "Escrever a contrapelo" significa ir contra a facilidade, enfrentar a resistência das palavras e do próprio material.

03 – Qual é a importância da "aquela que acabou sendo riscada"?

      A palavra ou ideia "que acabou sendo riscada" representa a frustração e a persistência do poeta. Mesmo não sendo utilizada diretamente no poema, ela faz parte do processo criativo e contribui para o resultado final. A palavra "riscada" simboliza as tentativas falhas e os caminhos abandonados na busca pela expressão perfeita.

04 – O que significa a frase "Sobrou só isso que, leitor, é teu"?

      Essa frase indica que o poema finalizado, apesar de ser fruto do esforço do poeta, é oferecido ao leitor para que este o interprete e complete com sua própria experiência. O poema se torna um espaço de encontro entre o autor e o leitor, onde a significação é construída em conjunto.

05 – Qual é o significado do último verso "essas palavras que me deixam mudo"?

      Esse verso final expressa a dualidade da relação do poeta com as palavras. Ao mesmo tempo em que as palavras são a matéria-prima da sua arte e a forma de expressão, elas também o deixam "mudo", ou seja, incapaz de expressar completamente o que sente. As palavras são, ao mesmo tempo, fonte de expressão e de silêncio.

 

 

POESIA: CLÁUDIO - MANOEL DE BARROS - COM GABARITO

 Poesia: CLÁUDIO

            Manoel de Barros

        Cláudio, nosso arameiro, acampou debaixo da árvore para tirar posts de cerca

        Muito brabo aquele ano de seca

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg9c__opsAPvAVnWTO15kR-gJASQSgxbqm6uyGMM21DQ6HC7Cb8cRCM9K99uHImG_3AeeeGKJHuJvxX-LEWNNzjS93PPA0S42rebHGDhGMsFE3hFfnYXRaXtLLu2iSBP1vcg_91yYVTkACu51hqnSRNMp9C4goMGxyz1fZY4WmqXSS2T4JYFI7iWcGIU3M/s320/BARRACA.jpg


        Vinte línguas ao redor, conte, só restava aquela pocinha d’água:

        Lama quase

        Metro de redondo

        Palmo de fundura.

        Ali tinha um jacaré morador magrento

        Compartilhando essa aguinha bem pouca

        De tão sós e sujos, Cláudio

        E esse jacaré se irmanavam

        De noite na rede estirada

        Nos galhos da árvore

        Cláudio cantava cantarolava:

        Ai morena, não me escreve

        Que eu não sei ler

        Pra lavar a feição

        Bem de cedo

        Esse Cláudio abaixava no poço, batia no ombrinho magro daquele jacaré: — licença, amigo…

        Que se afastava do homem lavar-se

        Que se lava, enchia o cantil

        E rumei pra cerca de uma língua dali

        Depois, conte, Cláudio levou esse jacaré para casa

        Que vive hoje no seu terreiro

        Bigiando as crianças.

        Pode ser.

Poesia completa de Manoel de Barros. https://www.academia.edu.

 

Entendendo a poesia:

01 – Qual é a profissão de Cláudio e o que ele está fazendo no início do poema?

      Cláudio é arameiro e está acampado debaixo de uma árvore para retirar postes de cerca.

02 – Qual é a situação do local onde Cláudio está acampado?

      O local está sofrendo com uma seca severa. Há pouquíssima água, apenas uma poça de lama com um metro de diâmetro e um palmo de profundidade, onde Cláudio e um jacaré magro compartilham a água.

03 – Que tipo de relação se estabelece entre Cláudio e o jacaré?

      Cláudio e o jacaré estabelecem uma relação de companheirismo e até mesmo de amizade, dada a solidão e a escassez de recursos. O poema usa a palavra "irmanavam" para descrever essa relação.

04 – O que Cláudio faz pela manhã antes de sair para trabalhar?

      Pela manhã, Cláudio se abaixa até a poça, pede licença ao jacaré, lava seu rosto, enche seu cantil e segue para trabalhar na cerca, a uma légua de distância.

05 – Qual é o destino do jacaré após o período de seca?

      Após o período de seca, Cláudio leva o jacaré para casa, onde ele vive em seu terreiro, vigiando as crianças.

 

SONETO: IDÍLIO - PAULO HENRIQUES BRITTO - COM GABARITO

 Soneto: IDÍLIO

            Paulo Henriques Britto

Um sonho, musculoso e maternal,

um sonho quer pacificar o mundo.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi86lzZbxhbIZQahn_o2pUikk_rxDjVBwSlmaW1t7OFkgaXFgjKmSuv1hwW4SwPIwRbPP24mWvnqXlVAxeHHr1mgDxW_AQ5Vvf_GtSm2TY6tIXcq08S8s6cXkYAafBH7WZj99uP0zpjXDGP_8fFBI0gl3Wab0ZXSrHyNAd7VhDvjCzFpw6tHpGaqa0aunQ/s320/IDILIO.jpeg

Desejo de formas claras e puras,

de nitidezes simples, minerais,

certezas retilíneas como agulhas.

 

Nada de nebuloso, frouxo ou úmido

há de turvar o brilho do cristal

de uma razão sem jaça e sem nervuras,

sem óleos malcheirosos e carnais.

 

O sonho, sorridente e diurnal,

espargirá sobre um túmulo de dúvidas

flores estritamente artificiais,

 

entre diagonais e ângulos agudos.

O sonho quer estrangular o mundo.

Paulo Fernando Henriques Britto – Rio de Janeiro RJ 1951.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto "IDÍLIO" de Paulo Henriques Britto?

      O tema central do soneto é a tensão entre o desejo de ordem, clareza e controle (representado pelo "sonho musculoso e maternal") e a realidade complexa e "nebulosa" do mundo. O idílio, aqui, é uma representação irônica de um mundo idealizado, onde tudo é "claro e puro", mas que, em última análise, revela-se opressivo e sufocante.

02 – Que imagens o autor utiliza para construir a ideia de um mundo idealizado e controlado?

      O autor utiliza imagens como "formas claras e puras", "nitidezes simples, minerais", "certezas retilíneas como agulhas", "razão sem jaça e sem nervuras" e "flores estritamente artificiais". Essas imagens evocam a ideia de um mundo artificialmente ordenado, onde não há espaço para ambiguidades, incertezas ou emoções "carnais".

03 – Qual é o significado da expressão "O sonho quer estrangular o mundo"?

      Essa expressão paradoxal revela a face sombria do sonho de um mundo idealizado. O desejo de ordem e controle, levado ao extremo, transforma-se em uma força opressora que "estrangular" a vitalidade e a diversidade do mundo. O sonho, que a princípio parece "maternal" e pacificador, revela-se autoritário e castrador.

04 – Como a adjetivação utilizada no soneto contribui para a construção do tema central?

      A adjetivação é fundamental para a construção do tema central. Termos como "musculoso e maternal", "claras e puras", "retilíneas", "sem jaça e sem nervuras", "artificiais" e "agudos" carregam conotações que ora expressam o desejo de ordem e controle, ora revelam a artificialidade e a rigidez desse mundo idealizado. A combinação desses adjetivos cria uma atmosfera de tensão entre o ideal e o real.

05 – Qual é o tom geral do soneto?

      O tom geral do soneto é irônico e crítico. O autor utiliza a forma do idílio, tradicionalmente associada à representação de um mundo ideal e harmonioso, para expressar justamente o contrário: a opressão e a artificialidade de um mundo onde não há espaço para a complexidade e a contradição. O uso de imagens paradoxais e a adjetivação carregada de significados contribuem para a construção desse tom irônico e crítico.

 

SONETO: HISTÓRIA NATURAL - PAULO HENRIQUES BRITTO - COM GABARITO

 Soneto: História natural

             Paulo Henriques Britto

Primeira pessoa do singular:

a forma exata da sombra difusa.

Quem fala sou sempre eu a falar.

A máscara é sempre de quem a usa.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjzhEytV0pmyR-ssfZBZVtKBOZKWNB5ypNDub_scyLtF0HgmEA4MCdPk0oCNA9zdNEqGJMAr8SRXoi7RHlESnoIKLS1PRn3GhVDegHD0pKj71wVbo6yRRhenchHtLmYauvd5dl1tDLMJkAH2ImmnIo0pXP_px7XdzItROmIlO7esTe4DNpyVCR2nFlDGOE/s320/EU.png


 

No entanto, é preciso dizer-se — mesmo

que a moda agora mande (e a moda manda,

e muito) acreditar que o eu é o esmo,

o virtual, o quase extinto, o panda

 

desgracioso da história do Ocidente,

a devorar o alimento cru

que já não sabe como digerir.

 

Leitor amigo: Pára. Pensa. Sente.

Conheces bem o gosto do bambu,

o ardor nas entranhas. Tenta não rir.

Paulo Fernando Henriques Britto – Rio de Janeiro RJ 1951.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto "História natural" de Paulo Henriques Britto?

      O tema central do soneto é a reflexão sobre a identidade do "eu" na poesia e no mundo contemporâneo. O eu-lírico questiona a validade e a relevância do "eu" como sujeito poético em um contexto cultural que tende a negar ou relativizar a individualidade.

02 – Que recursos poéticos o autor utiliza para expressar a relação entre o "eu" e a máscara?

      O autor utiliza a metáfora da máscara para expressar a relação complexa entre o "eu" e a sua representação. A frase "A máscara é sempre de quem a usa" sugere que a identidade individual é construída e performada, sendo a máscara a forma visível e reconhecível do "eu".

03 – Qual é a crítica presente na referência à "moda" que manda acreditar que o "eu" é "o virtual, o quase extinto, o panda desgracioso da história do Ocidente"?

      Essa referência critica a tendência contemporânea de negar ou relativizar a importância do "eu" como sujeito individual e autônomo. A comparação com o "panda desgracioso" ironiza a imagem de um "eu" fragilizado, deslocado e incapaz de se adaptar ao mundo moderno.

04 – O que significa o verso "a devorar o alimento cru / que já não sabe como digerir"?

      Esse verso expressa a dificuldade do "eu" em lidar com a complexidade e a sobrecarga de informações do mundo contemporâneo. O "alimento cru" representa a experiência bruta e não processada, que o "eu" não consegue assimilar ou integrar de forma significativa.

05 – Qual é o significado do chamado ao leitor nos versos finais "Leitor amigo: Pára. Pensa. Sente. / Conheces bem o gosto do bambu, / o ardor nas entranhas. Tenta não rir"?

      Esse chamado ao leitor convida-o a uma reflexão profunda sobre a própria identidade e sobre a sua relação com o mundo. A referência ao "gosto do bambu" e ao "ardor nas entranhas" sugere uma experiência visceral e pessoal, que o leitor é convidado a reconhecer em si mesmo. O tom irônico do último verso ("Tenta não rir") adverte para o risco de banalizar ou ridicularizar a experiência do "eu" em sua busca por sentido e autenticidade.

 

 

 

POESIA: EU NÃO VOU PERTURBAR A PAZ - MANOEL DE BARROS - COM GABARITO

 Poesia: Eu não vou perturbar a paz

             Manoel de Barros

De tarde um homem tem esperanças.
Está sozinho, possui um banco.
De tarde um homem sorri.
Se eu me sentasse a seu lado
Saberia de seus mistérios
Ouviria até sua respiração leve.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSP7gZIUwwbRgPHwoyhSa100b1fwCoqANYUycDs2aDuaZ-6yt0RWe5tDPoio_HIs4-2OFS9Ca9CAcaW_rS4Eu_yHvpmpavS7ttUoAJJkNsNAHu5u1TZSM3CD3jK-6HbB4OWLUmEt-8EA3cre09_BwnEVmZDNykGsH0UPiOCSOMK7mhjxUkuAcAHP6oc0s/s320/BANCO.jpeg



Se eu me sentasse a seu lado
Descobriria o sinistro
Ou doce alento de vida
Que move suas pernas e braços.
Mas, ah! eu não vou perturbar a paz
[que ele depôs na praça, quieto].

Poesia completa de Manoel de Barros. Tudo é Poema. https://www.tudoepoema.com.br

 

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central do poema?

      O poema aborda a contemplação da paz e a decisão de não a perturbar. O eu-lírico observa um homem em um momento de tranquilidade e pondera sobre a possibilidade de se juntar a ele, mas escolhe respeitar sua quietude.

02 – Que elementos do poema sugerem a atmosfera de paz?

      A repetição da palavra "paz" no título e no último verso, a descrição do homem "quieto" e "sozinho", o cenário da "praça" e a menção à "respiração leve" do homem evocam uma atmosfera de tranquilidade e serenidade.

03 – Qual é a intenção do eu-lírico ao expressar o desejo de "saber de seus mistérios"?

      O desejo de "saber de seus mistérios" revela a curiosidade do eu-lírico em relação à vida do homem e seus pensamentos. No entanto, essa curiosidade é ponderada pela decisão de não perturbar a paz do outro.

04 – O que significa a expressão "o sinistro / Ou doce alento de vida"?

      A expressão "o sinistro / Ou doce alento de vida" representa a dualidade da experiência humana. O "sinistro" pode se referir aos desafios e dificuldades da vida, enquanto o "doce alento" representa os momentos de alegria e esperança. O eu-lírico reconhece que a vida do homem pode conter tanto um quanto o outro.

05 – Qual é a importância do último verso "Mas, ah! eu não vou perturbar a paz / que ele depôs na praça, quieto"?

      O último verso resume a decisão do eu-lírico de respeitar a paz do homem. A imagem de alguém que "depôs a paz na praça" sugere que a paz é algo frágil e que precisa ser cultivado e protegido. O eu-lírico demonstra sensibilidade ao reconhecer a importância desse momento de quietude para o outro.

 

POEMA: MINHA SOMBRA - JORGE DE LIMA - COM GABARITO

 Poema: MINHA SOMBRA

             Jorge de Lima

De manhã a minha sombra

com meu papagaio e o meu macaco

começam a me arremedar.

E quando eu saio

a minha sombra vai comigo

fazendo o que eu faço

seguindo os meus passos.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6CJW67B4fBJEQ2TdsBNG5iRFONs9gpzLTmuD8RqXcfdGyWtVlWmlUOweUjiUaI2UJpL512bN7F-fQmNBkJVdj88CPlvO9jADP62YBXb2yXuCGL3KXGRvhwTQZ2PbyJmnjLSqtV3VvqpEMvPuPH71CT7N3c7DbS2XCr-V7qVHPRrtN1M3GSnjwd8uPxxU/s320/papagaio-verdadeiro_768116731.jpg 

Depois é meio-dia.

E a minha sombra fica do tamaninho

de quando eu era menino.

 

Depois é tardinha.

E a minha sombra tão comprida

brinca de pernas de pau.

 

Minha sombra, eu só queria 

ter o humor que você tem, 

ter a sua meninice, 

ser igualzinho a você.

 

E de noite quando escrevo,

fazer como você faz,

como eu fazia em criança:

Minha sombra

você põe a sua mão

por baixo da minha mão,

vai cobrindo o rascunho dos meus poemas

sem saber ler e escrever.

Jorge de Lima. Melhores poemas. https://www.tudoepoema.com.br.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema central do poema?

      O poema tem como tema central a relação do eu-lírico com sua própria sombra, que é personificada e vista como uma companheira divertida e espontânea. O poema explora a relação entre o eu-lírico adulto e sua criança interior, representada pela sombra.

02 – Que elementos do poema sugerem a personificação da sombra?

      Vários elementos sugerem a personificação da sombra, como o fato de ela ter um papagaio e um macaco (animais de estimação), "arremedar" o eu-lírico (imitar), "seguir os seus passos" e "brincar de pernas de pau". Esses elementos atribuem à sombra características e ações humanas, tornando-a uma personagem.

03 – Como a mudança do tamanho da sombra ao longo do dia é utilizada no poema?

      A mudança do tamanho da sombra ao longo do dia é utilizada para representar as diferentes fases da vida do eu-lírico. De manhã, a sombra é grande e ativa, representando a vitalidade da juventude. Ao meio-dia, a sombra diminui, representando a fase adulta, e à tarde, a sombra se torna comprida, representando a velhice e a nostalgia da infância.

04 – Qual é o significado do desejo do eu-lírico de "ter o humor" da sombra e "ser igualzinho a você"?

      O desejo do eu-lírico de ter o humor da sombra e ser igual a ela revela a admiração pela espontaneidade, leveza e alegria da infância, que ele associa à sua sombra. O eu-lírico expressa a vontade de resgatar essas características em si mesmo.

05 – O que significa a imagem da sombra que "cobre o rascunho dos poemas sem saber ler e escrever"?

      A imagem da sombra que cobre o rascunho dos poemas sem saber ler e escrever representa a criatividade e a inspiração poética, que muitas vezes surgem de forma intuitiva e inconsciente, como na infância. A sombra, nesse contexto, simboliza a criança interior que habita o eu-lírico e que se expressa através da poesia.

 

 

SONETO: BONBONNIÈRE - (FRAGMENTO) - PAULO HENRIQUES BRITTO - COM GABARITO

 Soneto: Bonbonnière – Fragmento

             Paulo Henriques Britto

I

A seletividade da memória —

a cor exata da pele, a textura,

o odor de cada côncavo e orifício,

o lábio, a língua, o dente, o plexo

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhkffBkLUrOFZJoiL1m62ZGOaytGEAbseam-nf4CnwpTBPpQW7X7yujdh1sifvWj9Bz9ELjkhWlvMo-7VQFUzrPJjCUCPblW9mRU39Oskuc6VaqOl9KH4jeyhVxo3FA-vV92Mf5fYNcIgspBRvEu_XU-iCg9AaL_qhoII-FgTCJhA09JFq2aakylOZSNR0/s320/BOMBOM.jpg

solar, a sola do pé, o suor e a

saliva, a coxa arisca, a dobra escura,

o beijo salobro, o sabor difícil,

a carne assombrada, o esperma perplexo

 

— falsa perfeição, mero artifício

do tempo, a desmaiar todos os tons

do que destoaria do desejo

 

como um menino a retirar sem pejo

da caixa que lhe deram os bombons

de que ele abre mão sem nenhum sacrifício.

IV

Só não dói mais porque não é preciso.

Se fosse o caso, a dor era pior.

Não há nada nisso de extraordinário:

 

A natureza odeia o desperdício,

tal como o vácuo. Sem tirar nem pôr.

É exatamente a conta necessária,

 

até que alguma solução se encontre.

O que aliás não acontece nunca.

E isso também é natural. No entanto

há sempre um tralalá, um deus, um bálsamo

 

pra não perder a esperança e o bonde:

A caixa de bombons. A "Marcha húngara"

de Liszt. Ou Brahms. Um dos dois. Ou não. Tanto

faz. A dor continua. Hoje é sábado.

Paulo Fernando Henriques Britto – Rio de Janeiro RJ 1951.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto "Bonbonnière"?

      O soneto explora a complexidade da memória, do desejo e da dor. O título "Bonbonnière" (caixa de bombons) evoca a ideia de uma coleção de momentos e sensações, tanto prazerosas quanto dolorosas. O poema reflete sobre como a memória seleciona e molda nossas lembranças, idealizando o passado e, ao mesmo tempo, perpetuando a dor.

02 – Que recursos poéticos o autor utiliza para expressar a seletividade da memória?

      O autor utiliza uma série de imagens sensoriais detalhadas para descrever as lembranças, como "a cor exata da pele, a textura, o odor de cada côncavo e orifício". Essa descrição vívida e sensual sugere a intensidade das experiências passadas. No entanto, a expressão "falsa perfeição, mero artifício do tempo" revela que a memória não é uma reprodução fiel da realidade, mas sim uma construção subjetiva, moldada pelo desejo e pela emoção.

03 – O que significa a metáfora da caixa de bombons no contexto do poema?

      A metáfora da caixa de bombons representa a memória, que contém uma variedade de lembranças, tanto doces quanto amargas. O eu-lírico, como um menino que retira bombons da caixa, seleciona e prioriza certas lembranças em detrimento de outras. A frase "de que ele abre mão sem nenhum sacrifício" sugere que o eu-lírico seletivamente escolhe as lembranças que mais lhe convêm, mesmo que isso signifique deixar de lado momentos importantes ou dolorosos.

04 – Qual é o significado da afirmação "Só não dói mais porque não é preciso"?

      Essa afirmação paradoxal expressa a ambivalência do eu-lírico em relação à dor. Por um lado, ele reconhece que a dor faz parte da experiência humana e que, se fosse necessário, ela seria ainda mais intensa. Por outro lado, ele parece ter se distanciado da dor, talvez como uma forma de autoproteção. A frase sugere que a dor está presente, mas é mantida sob controle, como se estivesse adormecida.

05 – O que representam a "Marcha húngara" de Liszt e Brahms no poema?

      A referência à "Marcha húngara" de Liszt e Brahms evoca a ideia de consolo e esperança. A música, como a caixa de bombons, representa um refúgio contra a dor e a desesperança. O eu-lírico busca conforto na arte, na beleza e na emoção que a música proporciona. No entanto, a ressalva "Um dos dois. Ou não. Tanto faz." revela que nem mesmo a música é capaz de curar a dor por completo.

06 – Qual é a relação entre o último verso "Hoje é sábado" e o restante do poema?

      O último verso, aparentemente banal, contrasta com a profundidade e a complexidade dos temas abordados no poema. A frase "Hoje é sábado" sugere a retomada da rotina, a volta à vida cotidiana após a imersão nas lembranças e reflexões. O sábado, um dia de descanso e lazer, pode representar uma tentativa de escapar da dor e da melancolia. No entanto, a frase também pode ser interpretada como uma constatação melancólica da passagem do tempo, que não traz necessariamente alívio ou solução para os problemas existenciais.

ARTIGO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: NÃO HÁ LÍNGUAS PRIMITIVAS - (FRAGMENTO) - JOHN LYONS - COM GABARITO

 Divulgação científica: Não há línguas primitivas – Fragmento

                   John Lyons

        É bastante comum ouvir leigos falarem sobre línguas primitivas, repetindo até o mito já desacreditado de que há certos povos cujas línguas consistem apenas de umas poucas palavras complementadas por gestos. A verdade é que todas as línguas até hoje estudadas, não importa o quanto primitivas as sociedades que as utilizam nos possam parecer sob outros aspectos, provaram ser, quando  investigadas, um sistema de comunicação complexo e altamente desenvolvido. Evidentemente toda a questão da evolução cultural desde a barbárie até a civilização é em si mesma altamente questionável. Porém não cabe ao linguista pronunciar-se sobre sua validade. O que ele pode afirmar é que ainda não se descobriu uma correlação entre os diferentes estágios de desenvolvimento cultural por que as sociedades passam e o tipo de língua falado durante eles. Por exemplo, não há uma língua da Idade da Pedra; ou, no tocante a sua estrutura gramatical geral, um tipo de língua característico das sociedades essencialmente agrícolas por um lado, e das modernas sociedades industrializadas, por outro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhvp6a_JbiLfJuybFz0nzmC_SFJMHRw5kIa5WS84dlYdr6MNHWClVqonh7F9oN5e_ViUOAHAF9nc0MCtdpZ-gseNyWpRUpu4-S4m7aCNrMdKiGItRA59I6NYNASDuCiBxudimnHtJ5bU9hHv_scRynyo8U_4M18P_arlbZs1r8BBoWBUf_x4VMfzNtq1S8/s320/PRIMITIVAS.jpg


        Houve muitas especulações no século XIX quanto ao desenvolvimento das línguas passando estruturalmente da complexidade à simplicidade ou, alternativamente, da simplicidade à complexidade. A maior parte dos linguistas se exime de especular sobre o desenvolvimento evolutivo das línguas em termos tão gerais. Sabem que, se tiver havido qualquer direcionamento na evolução linguística desde suas origens na pré-história até os nossos dias, não há qualquer sinal de direcionamento, recuperável a partir do estudo das línguas contemporâneas ou das do passado, das quais nos reste algum conhecimento.

        [...]

        Desde o século XIX, quase todos os linguistas, à exceção de muito poucos, abandonaram a questão da origem das línguas por estar para sempre fora do escopo de uma investigação científica. A razão para isso foi que, como acabamos de ver, durante o século XIX eles notaram que, por mais longe que se voltasse na história de determinadas línguas nos textos que duraram até nossos dias, era impossível discernir quaisquer sinais de evolução de um estado mais primitivo para outro mais avançado.

        [...]

        Permanece o fato de que não só em todas as línguas conhecidas o canal vocal-auditivo é o que é primeira e naturalmente utilizado para a transmissão de sinais, como também todas as línguas conhecidas são, grosso modo, igualmente complexas, no tocante à sua estrutura gramatical.

        [...]

        Evidentemente há diferenças consideráveis nos vocabulários das diferentes línguas. Portanto, é possível que seja necessário aprender uma outra língua ou pelo menos um vocabulário especializado para que se possa estudar um assunto específico ou discorrer satisfatoriamente sobre ele. Neste sentido uma língua pode adaptar-se melhor do que outra a determinados fins específicos. O que não significa, entretanto, que uma seja intrinsecamente mais rica ou pobre que a outra. Todas as línguas vivas, pode-se presumir, são por natureza sistemas eficientes de comunicação. À medida que se modificam as necessidades de comunicação de uma sociedade, também se modificará a língua por ela falada, para atender às novas exigências. O vocabulário será ampliado, seja tomando emprestadas palavras estrangeiras, seja criando-as a partir de seus próprios vocábulos já existentes. O fato de que muitas línguas faladas nos, por vezes, chamados países subdesenvolvidos não dispõem de palavras correspondentes a conceitos e produtos materiais oriundos da moderna ciência e tecnologia não implica que tais línguas sejam mais primitivas do que as que têm tais itens. Demonstra tão-somente que certas línguas, pelo menos até agora, não foram ainda utilizadas por aqueles que estão envolvidos no desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

LYONS, John. Linguagem e linguística: uma introdução. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982, p. 37-40.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 138-139.

Entendendo a divulgação:

01 – Qual é o mito comum sobre línguas primitivas que o autor busca desmistificar?

      O mito comum é que existem povos com línguas extremamente simples, consistindo de poucas palavras e muitos gestos, e que essas línguas seriam "primitivas" em comparação com outras.

02 – O que o autor afirma sobre a complexidade das línguas estudadas, independentemente da cultura que as utiliza?

      O autor afirma que todas as línguas estudadas, mesmo aquelas faladas por sociedades consideradas "primitivas" sob outros aspectos, revelaram-se sistemas de comunicação complexos e altamente desenvolvidos.

03 – Qual é a posição do autor em relação à evolução cultural e sua suposta influência sobre a linguagem?

      O autor questiona a validade do conceito de evolução cultural da barbárie à civilização e afirma que não cabe ao linguista pronunciar-se sobre isso. No entanto, ele destaca que não há evidências de correlação entre os estágios de desenvolvimento cultural de uma sociedade e o tipo de língua que ela fala.

04 – O que os linguistas descobriram sobre a evolução das línguas ao longo do tempo?

      Os linguistas descobriram que, por mais que se investigue o passado de uma língua através de textos históricos, não é possível encontrar sinais de evolução de um estado mais primitivo para um mais avançado. Eles não encontraram nenhum "direcionamento" na evolução linguística.

05 – Qual é a principal razão para a maioria dos linguistas ter abandonado a questão da origem das línguas?

      A principal razão é que, como não é possível encontrar evidências de evolução linguística ao longo do tempo, a questão da origem das línguas permanece fora do escopo da investigação científica.

06 – Além da complexidade gramatical, o que mais o autor destaca como característica comum a todas as línguas conhecidas?

      O autor destaca que em todas as línguas conhecidas, o canal vocal-auditivo é o principal e natural meio de transmissão de sinais.

07 – O que o autor argumenta sobre as diferenças nos vocabulários das línguas e sua relação com a ideia de línguas "mais ricas" ou "mais pobres"?

      O autor argumenta que as diferenças nos vocabulários refletem as necessidades de comunicação de cada sociedade. Uma língua pode ser mais adaptada para discutir certos assuntos, mas isso não significa que ela seja intrinsecamente mais rica ou pobre do que outra. Todas as línguas vivas são sistemas eficientes de comunicação e se adaptam às necessidades de seus falantes. A falta de palavras para conceitos modernos em algumas línguas não indica primitividade, apenas que essas línguas ainda não foram utilizadas por aqueles que desenvolvem a ciência e a tecnologia.

NOTÍCIA: NÃO DÁ PARA ENTENDER NONADA NO IDIOMATERNO - (FRAGMENTO) - CLÁUDIA NINA - COM GABARITO

 Notícia: Não dá para entender nonada no idiomaterno – Fragmento

        Escritores brasileiros são pródigos em criação de trocadilhos poéticos que flexibilizam a língua

Cláudia Nina

        No caudaloso “riocorrente” da ficção modernista (o riverrun de James Joyce, primeira palavra de Finnegans wake), muitas palavras nasceram da imaginação de seus autores. Mas antes dos modernistas, gregos e latinos já brincavam esse jogo, que é quase tão antigo quanto a literatura e está ligado à própria formação dos idiomas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4KDru-h3ZhZkex6AFg0aHf8NcbpxFwaN45hvAvWWSE6nE6JGXxfM-BQmXnP9oj-bRRfClzb6Hhboyba7h53xNePBT4twbrwc4cXNimqis_66Nm0V6R2IChj7x25isu3LX5ldxqwmkwhcjgdqLTTxxVVgC3YGfY-BAhV8A7WAy35YVIdyuAjX4ME71Sv0/s320/acordo%20ortografico.png


        [...]

        No Brasil, muitos poetas e romancistas também fizeram da literatura um jogo de invenção. Nomes tão distantes no tempo e no estilo quanto José de Alencar e Paulo Leminski ousaram levar a língua ao extremo. Alencar, a exemplo de outros indianistas, criou  vocábulos tão novos quanto “Iracema”, inventado a partir da aglutinação de palavras do tupi, que funciona também como um anagrama de América.

        Nos anos 60, Leminski sacudiu i cenário das letras em Curitiba com uma poesia transgressora, criando inúmeros trocadilhos típicos de seu estilo. Em Catatau ele escreveu: “Se o Brasil fosse holandês, ninguém mais entenderia batavina” (trocadilho com batavo e patavinas). Leminski inventava a partir dos assuntos mais prosaicos, como sua fobia por avião: “Parizo, novaiorquizo, moscovito / sem sair do bar / só não levanto e vou embora / porque há lugares que eu nem chego a Madagascar”.

        [...]

        Mas, em matéria de invenção linguística, o príncipe dos poetas brasileiros é mesmo Manoel de Barros, que adora dizer que seu prazer é “molecar o idioma”. Criador de sua “agramática manoelina”, como ele mesmo explica, o poeta não se define como inventor de palavras. Ele prefere dizer que aproveita a flexibilidade da língua portuguesa. “Pode parecer invenção, mas o que eu faço é acompanhar a virtualidade da linguagem, incorporando prefixos, transformando substantivos em adjetivos e coisa assim”, diz.

        O poeta conta que muitas de suas criações vêm da pesquisa do português arcaico, o que aconteceu com o adjetivo “brivante”, que vem de “Brívia”, palavra usada antigamente para designar Bíblia. Manoel de Barros, no entanto, é modesto. Ele prefere acreditar que palavras como “desorgulho” e “agramática” sejam fruto do mesmo processo que fez o ex-ministro Magri criar o famoso “imexível”.

        O poeta costuma dizer que não gosta de “palavra acostumada”, por medo do “mesmal”. Por isso, a invenção surge naturalmente. “Às vezes a gente precisa criar uma palavra para o equilíbrio sonoro da poesia”, conta. Tudo  isso, na opinião dele, não tem nada a ver com o enriquecimento do idioma. “É claro que se essas palavras fossem incorporadas, os dicionários seriam triplicados, mas isso não acontece e nem escrevo com essa intenção. As invenções devem ficar nos livros do poeta”, diz.

        [...]

http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernos/ideias/2001/08/03/joride20010803007.html.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 157.

Entendendo a notícia:

01 – Qual é o tema central do fragmento?

      O fragmento trata da criatividade dos escritores brasileiros na criação de trocadilhos poéticos e na flexibilização da língua portuguesa, explorando a invenção de palavras e expressões.

02 – Que exemplos de escritores brasileiros são mencionados no fragmento como inovadores na linguagem?

      São mencionados José de Alencar, Paulo Leminski e Manoel de Barros como exemplos de escritores que levaram a língua ao extremo, criando novas palavras e expressões.

03 – O que José de Alencar criou de inovador na língua portuguesa, segundo o fragmento?

      José de Alencar criou vocábulos novos, como "Iracema", palavra inventada a partir da aglutinação de palavras do tupi e que também funciona como um anagrama de América.

04 – Qual era o estilo de Paulo Leminski em relação à linguagem?

      Paulo Leminski tinha um estilo transgressor, criando inúmeros trocadilhos típicos de sua poesia, muitas vezes partindo de assuntos prosaicos.

05 – Quem é considerado o "príncipe dos poetas brasileiros" em matéria de invenção linguística e o que ele diz sobre sua poesia?

      Manoel de Barros é considerado o "príncipe dos poetas brasileiros". Ele afirma que seu prazer é "molecar o idioma" e que não se define como inventor de palavras, mas sim como alguém que aproveita a flexibilidade da língua portuguesa.

06 – De onde Manoel de Barros tira inspiração para suas criações linguísticas?

      Manoel de Barros se inspira na pesquisa do português arcaico, como no caso do adjetivo "brivante", que vem de "Brívia", palavra antiga para Bíblia.

07 – Qual é a opinião de Manoel de Barros sobre o impacto de suas invenções no idioma?

      Manoel de Barros acredita que suas invenções devem ficar nos livros de poesia e não têm a intenção de enriquecer o idioma, apesar de reconhecer que os dicionários seriam ampliados se suas palavras fossem incorporadas. Ele as cria por necessidade de equilíbrio sonoro na poesia e por não gostar de "palavra acostumada".