sábado, 22 de setembro de 2018

TEXTO: SÃO PAULO - VAZIA - COM QUESTÕES GABARITADAS

Texto: São Paulo - vazia

        O retrato, às oito e meia da noite daquela segunda-feira fatídica, era desolador. São Paulo, quarta maior metrópole do mundo, 20 milhões de moradores, estava vazia. Traumatizada. Acuada sob um toque de recolher informal. Debaixo das ordens do chamado Primeiro Comando da Capital, o PCC, que controla os presídios e estende seu poder sobre o tráfico de drogas, de armas e o contrabando, nada menos que 36 policiais foram assassinados nas ruas da cidade durante o final de semana. Trinta ônibus arderam em chamas.
                                                                 (Isto é Online, 24.05.2006)

Entendendo o texto:
01 – Em – “... 36 policiais foram assassinados nas ruas da cidade durante o final de semana”. – as expressões nas ruas da cidade e durante o final de semana indicam, respectivamente, circunstância de:
(A) lugar e tempo.
(B) modo e lugar.
(C) lugar e lugar.
(D) modo e causa.
(E) lugar e condição.

02 – Observe os dois trechos a seguir:
I. O retrato, às oito e meia da noite daquela segunda-feira fatídica, era desolador.
II. São Paulo, quarta maior metrópole do mundo, 20 milhões de moradores, estava vazia.
        Os termos desolador e vazia, sintaticamente, exercem função de:
(A) sujeito.
(B) complemento nominal.
(C) objeto direto.
(D) vocativo.
(E) predicativo do sujeito.

03 – Empregam-se vírgulas em I e II, respectivamente, para intercalar:
(A) aposto e aposto.
(B) adjunto adverbial e aposto.
(C) adjunto adverbial e vocativo.
(D) adjunto adverbial e adjunto adverbial.
(E) aposto e adjunto adverbial.

04 – Assinale a alternativa correta quanto à concordância nominal.
(A) As pessoas estavam acuada, sob toques de recolher informal.
(B) As ordens do PCC eram firme e os moradores de São Paulo ficaram alertas.
(C) O PCC agiu com violência em São Paulo, sem meias palavras.
(D) A cidade de São Paulo ficou meio desorientado após os ataques do PCC.
(E) Ruas e avenidas vazios eram o cenário de São Paulo após os ataques do PCC.

05 – Assinale a frase correta quanto à pontuação.
(A) Trinta ônibus em São Paulo, arderam em chamas na segunda-feira.
(B) Trinta ônibus na segunda-feira, arderam em chamas em São Paulo.
(C) Na segunda-feira arderam em chamas, trinta ônibus em São Paulo.
(D) Em São Paulo, trinta ônibus, na segunda-feira, arderam em chamas.
(E) Arderam em chamas, trinta ônibus, na segunda-feira, em São Paulo.

06 – Considere as frases:
I. Eu fiquei fora de si, quando vi os ataques do PCC em São Paulo.
II. Ele ficou fora de si, quando viu os ataques do PCC em São Paulo.
III. Nós ficamos fora de si, quando vimos os ataques do PCC em São Paulo.
O emprego de pronome está correto apenas em:
(A) I.         (B) II.         (C) III.         (D) I e II.         (E) I e III.

07 – Assinale a alternativa correta quanto à regência nominal.
(A) Os paulistanos sentiam medo por estarem sujeitos nos ataques ao PCC.
(B) Não foi nada agradável dos paulistanos viver os ataques do PCC.
(C) Os paulistanos estão conscientes de que é preciso mais segurança para todos.
(D) A vontade em sair daquele momento de horror era grande aos paulistanos.
(E) A crença a que estamos sempre seguros foi quebrada com os ataques do PCC.

08 – Quem chegasse _____ São Paulo após os ataques do PCC, veria o povo intimidado, ______ e com medo. Segundo a norma culta, os espaços devem ser preenchidos, respectivamente, com:
(A) à … confuso
(B) em … confuzo
(C) à … confuzo
(D) a … confuzo
(E) a … confuso.


FRASE DE PAVAROTTI - LUCIANO PAVAROTTI - COM GABARITO


Texto: Frase de Pavarotti

  “Não quero mais me ouvir. Se você me convidar para jantar e tocar uma de minhas gravações para me agradar, juro que vou embora. Se _______ que eu _______, coloque um disco de Plácido Domingo.”

Luciano Pavarotti, publicada na revista Veja, de 20.09.2006

01 – Os espaços devem ser preenchidos, respectivamente, com:
(A) quizer … fico         
(B) querer … fique
(C) quizer … ficarei     
(D) quiser … fique       
(E) quiser … fico.

02 – Analise as frases.

I. Se tu me convidares para jantar e tocares uma de minhas canções para me agradar, juro que vou embora.
II. Se Vossa Excelência me convidais para jantar e tocais uma de minhas canções para me agradares, juro que vou embora.
III. Se Sua Senhoria me convidardes para jantar e tocardes uma de minhas canções para me agradardes, juro que vou embora.
Quanto à forma de tratamento e a flexão verbal, está(ão) correta(s) apenas:
(A) I.         (B) II.         (C) III.         (D) I e II.         (E) I e III.

03 – As relações de sentido estabelecidas pelas conjunções Se e e são, respectivamente, de:
(A) causa e adversidade.     
(B) condição e adição.
(C) modo e adição.               
(D) tempo e alternância.     
(E) condição e consequência.


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

MÚSICA(ATIVIDADES): PRECE AO VENTO - FERNANDO MENDES - COM QUESTÕES GABARITADAS

ATIVIDADES COM A Música: Prece Ao Vento

                                               Fernando Mendes

Vento que balança as palhas do coqueiro
Vento que encrespa as ondas do mar
Vento que assanha os cabelos da morena
Me traz notícia de lá

Vento que assovia no telhado
Chamando para a lua espiar
Vento que na beira lá da praia
Escutava o meu amor a cantar

Hoje estou sozinho e tu também
Triste, mas lembrando do meu bem

Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu o meu amor
Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu o meu amor

Vento que balança as palhas do coqueiro
Vento que encrespa as ondas do mar
Vento que assanha os cabelos da morena
Me traz notícia de lá

Vento que assovia no telhado
Chamando para a lua espiar
Vento que na beira lá da praia
Escutava o meu amor a cantar

Hoje estou sozinho e tu também
Triste mas lembrando do meu bem

Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu o meu amor
Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu o meu amor

Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu o meu amor
Vento diga, por favor,
Aonde se escondeu o meu amor

                           Composição: Alcyr Pires Vermelho / Fernando Luiz Câmara / Gilvan Chaves.

Entendendo a canção:

01 – Qual a definição de prece?
      É um ato religioso pelo qual nos dirigimos a DEUS para suplicar algum benefício, ou para adorá-lo; reza, oração.

02 – Com relação ao aspecto formal, a canção é constituída por quantas estrofes?
      É constituída por 09 estrofes.

03 – Qual é o tema central da canção?
      É a invocação do eu lírico ao vento para dizer onde estava sua amada.

04 – Nos versos acima, os autores deram uma visão poética ao vento, porém nem sempre ele é visto dessa forma. Existem outras formas de interpretar o vento.
        O que você já sabe a respeito do vento?
      Que o vento é o fluxo de gases em grande escala. Na superfície da Terra, o vento consiste no movimento de ar em grande quantidade.

05 – No verso: “Vento que assovia no telhado”, que figura de linguagem há?
      Prosopopeia / personificação.



CRÔNICA: O VENDEDOR DE PALAVRAS - FÁBIO REYNOL - COM GABARITO

Crônica: O vendedor de palavras  
                
                           Fábio Reynol 


        Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma ideia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.
        Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico — apenas R$ 0,50!".
        Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinquenta curiosos parasse e perguntasse.
        — O que o senhor está vendendo?
        — Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinquenta centavos como diz a placa.
        — O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
        — O senhor sabe o significado de histriônico?
        — Não.
        — Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
        — Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
        — O senhor tem dicionário em casa?
        — Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
        — O senhor estava indo à biblioteca?
        — Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
        — Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinquenta centavos de real!
        — Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
        — Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
        — O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?
        — O senhor conhece Nélida Piñon?
        — Não.
        — É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
        — E por que o senhor não vende livros?
        — Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
        — E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
        — A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
        — O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
        — Jactância.
        — Pegar um livro velho...
        — Alfarrábio.
        — O senhor me interrompe!
        — Profaço.
        — Está me enrolando, não é?
        — Tergiversando.
        — Quanta lenga-lenga...
        — Ambages.
        — Ambages?
        — Pode ser também evasivas.
        — Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
        — Pusilânime.
        — O senhor é engraçadinho, não?
        — Finalmente chegamos: histriônico!
        — Adeus.
        — Ei! Vai embora sem pagar?
        — Tome seus cinquenta centavos.
        — São três reais e cinquenta.
        — Como é?
        — Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
        — Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
        — É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
        — Tem troco para cinco?
                           REYNOL, Fábio. O vendedor de palavras.
São Paulo: Baraúna, 2008. p. 8-10.
Entendendo a crônica:
01 – Logo no primeiro parágrafo, o narrador refere-se a um "mal" de que sofreria o Brasil. Que "mal" é esse? Explique a partir da leitura desse parágrafo.
      O “mal” é a falta de palavras, isto é, o fato de faltarem palavras às pessoas já que, segundo o texto, lê-se muito pouco no país.

02 – “Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma ideia fantástica."
• Nesse trecho, o narrador do texto refere-se ao vendedor, atribuindo-lhe uma qualidade. Que qualidade é essa? Explique.
      A qualidade atribuída ao vendedor é a de ser um comerciante de tino, isto é, alguém que entende do que faz, vender comercializar produtos e também ter intuição para perceber novas oportunidades.

03 – Retire do trecho:
"[...] não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça.  O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, 'indigência lexical'."
A expressão destacada é referida no texto como uma doença. Está empregada em linguagem figurada, isto é, fora de seu sentido literal.
• Como poderia ficar esta expressão em linguagem com sentido literal, não figurado?
      Sugestão: Vocabulário escasso, com poucas palavras; carência de uma linguagem com mais palavras.

04 – No texto, o vendedor fala sobre uma escritora que afirma que o país sofre com falta de palavras porque os livros são poucos livros.
• Em seguida, o vendedor afirma que as pessoas não compram palavras no atacado.
a) Responda: que relação o vendedor fez entre livros e as palavras no atacado?
      Os livros têm grande quantidade de palavras, portanto, comprar livros significa ‘comprar palavras no atacado’, isto é, em grande quantidade.

b) Observe a frase "As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo"   Substitua as expressões destacadas por outras que deixam clara a intenção do vendedor.
      As pessoas não compram livros, portanto vendo palavras isoladas.

05 – A primeira pessoa atraída para "banca de palavras" fica indignada com o produto que estava sendo vendido: palavras. 
• Explique o argumento que esta pessoa empregou para mostrar sua indignação.
      Disse que palavras não podiam ser vendidas por uma pessoa, pois as palavras pertencem a todos.

06 – Qual o argumento que o vendedor empregou como resposta?
      O argumento empregado foi que uma palavra só pertenceria a alguém se essa pessoa soubesse o seu significado.

07 – Leia: "E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga."      
Esse é um argumento empregado pelo cliente para não comprar palavras.
a) Explique o sentido desse argumento.
      Provavelmente quis dizer que palavras, conversas, não rendem sustento, dinheiro para sobreviver.

b)  Que tipo de característica pessoal essa forma de pensar pode revelar em relação ao cliente? Marque a(s) alternativa(s) que caracteriza(m) a personagem que falou isso.
(A) Pessoa sensível, para quem os sentimentos têm mais valor que as coisas práticas.
(B) Pessoa muito objetiva, para quem as coisas têm de ter uma finalidade prática.
(C) Pessoa que valoriza a cultura, principalmente a que é encontrada nos livros.
(D) Pessoa para quem a cultura só terá valor se apresentar resultados concretos visíveis.

08 – O cliente pergunta ao vendedor: "O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?". Pelos argumentos que apresenta, esse é o objetivo do vendedor? Explique com argumentos retirados da fala do vendedor.
      Sim. Entretanto, ao argumentar, fala também em enriquecer as pessoas com pensamentos, portanto, seu objetivo não parece ser exclusivamente se tornar financeiramente rico, mas também contribuir para o enriquecimento cultural das pessoas.



PARÁBOLA PARA SÉRIES INICIAIS: A CARROÇA VAZIA - COM INTERPRETAÇÃO E GABARITO

PARÁBOLA: A Carroça Vazia

     Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me para dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.
       Após algum tempo, ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:
        --- Além do canto dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
               Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
        --- Estou ouvindo um barulho de carroça.
        --- Isso mesmo – disse meu pai – e é uma carroça vazia!
        Perguntei a ele:
        --- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
     --- Ora – respondeu meu pai – é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.
        Tornei-me adulto e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grosseria   tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:
        --- Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!

                Moral da história: "Quem muito fala, muito erra."

Entendendo a fábula:
01 – Retire do texto as palavras acentuadas.
      Manhã; sábio; após; silêncio; além; pássaros; está; é; fácil; até; próximo; impressão.

02 – “Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!’’ a palavra grifada na frase tem o significado de:
(a) +   
(b) porém
(c) mas

03 – A única palavra que não substitui a palavra grosseiro é:
a) descortês
b) indelicado
c) mal-educado
d) ignorante

04 – A palavras que marcam no texto o tempo em que os fatos são narrados são:
a) certa manhã / no passado
b) certa manhã / hoje
c) ontem /amanhã
d) hoje /agora

05 – Na frase ‘Perguntei a ele:’ a palavra grifada de acordo com o texto se refere a:
a) o menino
b) o carroceiro
c) o pai
d) o narrador



CONTO: COMO OS CAMPOS - MARINA COLASANTI - COM GABARITO

Conto: Como os campos   
              Marina Colasanti 


        Preparavam-se aqueles jovens estudiosos para a vida adulta, acompanhando um sábio e ouvindo seus ensinamentos. Porém, como fizesse cada dia mais frio com o adiantar-se do outono, dele se aproximaram e perguntaram: 


       — Senhor, como devemos vestir-nos? 
       — Vistam-se como os campos - respondeu o sábio.
        Os jovens então subiram a uma colina e durante dias olharam para os campos. Depois dirigiram-se à cidade, onde compraram tecidos de muitas cores e fios de muitas fibras. Levando cestas carregadas, voltaram para junto do sábio. 
        Sob seu olhar abriram os rolos das sedas, desdobraram as peças de damasco, e cortaram quadrados de veludo, e os emendaram com retângulos de cetim. Aos poucos foram recriando em longas vestes os campos arados, o vivo verde dos campos em primavera, o pintalgado da germinação. E entremearam fios de ouro no amarelo dos trigais, fios de prata no alagado das chuvas, até chegarem ao branco brilhante da neve. As vestes suntuosas estendiam-se como mantos. O sábio nada disse. 
        Só um jovem pequenino não havia feito sua roupa. Esperava que o algodão estivesse em flor, para colhê-lo. E quando teve os tufos, os fiou. E quando teve os fios, os teceu. Depois vestiu sua roupa e foi para o campo trabalhar.
        Arou e plantou. Muitas e muitas vezes sujou-se de terra. E manchou-se do sumo das frutas e da seiva das plantas. A roupa já não era branca, embora ele a lavasse no regato. Plantou e colheu. A roupa rasgou-se, o tecido puiu-se. O jovem pequenino emendou os rasgões com fios de lã, costurou remendos onde o pano cedia. Quando a neve veio, prendeu em sua roupa mangas mais grossas para se aquecer. 
        Agora a roupa do jovem era de tantos pedaços, que ninguém poderia dizer como havia começado. E estando ele lá fora uma manhã, com os pés afundados na terra para receber a primavera, um pássaro o confundiu com o campo e veio pousar em seu ombro. Ciscou de leve entre os fios, sacudiu as penas. Depois levantou a cabeça e começou a cantar. 
        Ao longe, o sábio que tudo olhava, sorriu. 

COLASANTI. Marina. Longe como o meu querer.
São Paulo: Ática, 2002. p. 29- 30. 
Glossário
Damasco: tecido de seda com desenhos. 
Suntuosa: luxuosa. 
Tufo: porção de pelos ou fios. 
Pintalgado: salpicado de pintas ou manchas
Entremear: intercalar, colocar no meio
Puir-se: desgastar-se, desfazer-se 

Entendendo o conto:
01 – O conto lido é uma narrativa que começa indicando as personagens. Quem são elas? 
      O sábio e os jovens estudiosos. 

02 – Releia: 
        — Senhor, como devemos vestir-nos? 
        — Vistam-se como os campos. 

a) Explique com suas palavras como quase todos os jovens interpretaram a recomendação do sábio. 
      Eles entenderam que vestir-se como os campos era representar nas roupas as cores dos elementos da natureza: o verde dos campos, salpicado das sementes, o amarelo dos trigais, o prata das chuvas, o branco da neve.     
  
b) Agora explique como um dos jovens interpretou a recomendação do sábio. 
      Ele entendeu que deveria tecer sua roupa e simplesmente trabalhar no campo, que o trabalho produziria a semelhança.

03 – Transcreva uma frase do texto que aponta o fato que comprova quem realmente se vestiu como os campos. 
      [...] um pássaro o confundiu com o campo e veio pousar em seu ombro.

04 – Releia o trecho a seguir: 
[...] abriram os rolos das sedas, desdobraram as peças de damasco, e cortaram quadrados de veludo, e os emendaram com retângulos de cetim. [...] As vestes suntuosas estendiam-se como mantos. O sábio nada disse. 
        Marque as alternativas que indiquem o que se pode pensar da atitude do sábio. Ele nada disse porque: 
a) ficou orgulhoso com o que fizeram os jovens. 
b) preferiu aguardar. 
e) não quis elogiar o perfeito trabalho. 
d) não era o que ele esperava. 

05 – Releia o início do conto: 
“Preparavam-se aqueles jovens estudiosos para a vida adulta [...]” 
        Qual foi o ensinamento que, de acordo com o conto, os jovens poderiam aprender para a vida adulta? 
      Espera-se que os alunos percebam que foram valorizados a ação, o trabalho, a paciência, a humildade.

06 – Amplie o desfecho da história dando continuidade à frase: Ao longe, o sábio que tudo olhava sorriu, porque: 
      Aceitar diferentes respostas desde que o aluno perceba que a satisfação do sábio foi observar que o jovem agiu de acordo com seu ensinamento.

07 – O título do conto é "Como os campos". Depois de conhecer a história, você daria outro título a ela? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno. 



TEXTO: INFRAERO NÃO EXPLICA O FRACASSO DA LICITAÇÃO - DIÁRIO CATARINENSE - COM GABARITO


Texto: INFRAERO NÃO EXPLICA O FRACASSO DA LICITAÇÃO

        Dezoito dias após o fracasso da licitação para escolha de projetos para ampliação do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, de Florianópolis, a Infraero não tem previsão para publicação de um novo edital. A estatal informou que está revisando o documento a fim de realizar uma nova concorrência, mas não indica quando deverá anunciá-la e não esclarece as razões que levaram ao esvaziamento da licitação.

        A Infraero pronunciou-se, ontem, em nota à imprensa, após a repercussão sobre a licitação ocorrida em 28 de abril, na qual nenhuma empresa apresentou proposta para a concorrência. Na avaliação do Estado, o possível atraso na ampliação do aeroporto da Capital irá comprometer o crescimento do turismo na região. A Infraero não quis comentar as informações apresentadas na nota. Sem os esclarecimentos, uma série de aspectos ficam sem definição. Um deles é se o fracasso da licitação atrasará as obras, que prevê a conclusão da ampliação para 2010. Também permanecem desconhecidos os motivos para o esvaziamento da licitação. Sabe-se apenas que a estatal apurou as razões com consulta direta às empresas que havia se credenciado à concorrência.
                   
    Florianópolis, Diário Catarinense, 17/maio/2008, p.16.

Entendendo o texto: 
01 – Após ler com atenção o texto, assinale a alternativa que NÃO corresponde ao pensamento nele expresso:
a) A reportagem faz graves acusações à Infraero, por manipular indevidamente a realização da licitação.
b) Nota da Infraero esclarece que não houve propostas para concorrer à licitação para a ampliação do Aeroporto Hercílio Luz e, por isso, realizará nova concorrência.
c) O crescimento do turismo na região depende, em parte, da ampliação do aeroporto.
d) Possivelmente o esvaziamento da licitação decorreu do fato de a Infraero ter realizado consulta direta às empresas.

02 – Assinale, também com base no texto, a alternativa correta:
a) Após o fracasso da licitação, a Infraero apresentou nota à imprensa, prestando amplos esclarecimentos sobre o esvaziamento ocorrido.
b) O fato de nenhuma empresa ter apresentado proposta para a ampliação do Aeroporto Hercílio Luz provocou repercussão na sociedade.
c) A Infraero garante que publicará novo edital de licitação e que o prazo para concluir a ampliação permanece o mesmo.
d) Na frase “uma série de aspectos ficam sem definição”, o redator fez indevida concordância do sujeito singular com o verbo no plural.

03 – Assinale a alternativa em que todas as palavras são oxítonas:
a) anunciá-la, já, ímã, deverá
b) após, novel, está, também, sutil
c) prevê, pôde, conheci, sós
d) instalaram, atrasará, sutil, pés

04 – Assinale a alternativa que NÃO corresponde à ideia do texto:
a) A atitude da mãe parece cruel, mas demonstra amor.
b) “Medo da Senhora” pode significar medo da patroa.
c) Para não ver a filhinha sofrer como ela, a mãe preferiu vê-la morta.
d) Não há justificativa para o ato de a mãe matar a filhinha.