quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

CRÔNICA: ESTADO DE COMA - CHICO ANÍSIO - COM GABARITO

CRÔNICA: ESTADO DE COMA


    Quando entrou, a mulher parecia uma louca.
        – Estou nas últimas.
        – Calma – solicitou Dr. Novaes.
  A mulher não obedeceu ao pedido. Num histerismo preocupante começou a despir-se, mostrando feridas inexistentes e mazelas prováveis. Falava muito e muito depressa. Dr. Novaes não conseguia acompanhar os sintomas que ela expunha.
        – Isto, doutor, não pode ser câncer?
        – Bem…
        – Veja como está arroxeado. Eu já li muito sobre isso. Esta mancha escura não pode ser um melanoma? Eu tenho pavor de câncer, doutor. E o meu pulmão? Examine.
        Tirou a blusa e o sutiã para que Dr. Novaes encostasse o ouvido na suas costas, sem que nada o obstasse.
        – Seu pulmão – começou o doutor…
        – Se eu ainda tiver pulmão. E as palpitações, doutor, são constantes. Disritmia. Tem hora que o coração parece ter parado. Fico fria, sinto um torpor no corpo, o braço dormente. Braço esquerdo. Esquerdo, frisava, de olho rútilo. – Não é coisa de coração? Quais são os sintomas de enfarte?
        – O enfarte…
        – E o fígado? Bata no meu fígado.
        O doutor obedeceu por obedecer. Ressoou um “tum-tum” surdo.
        – Se eu já não tiver com hepatite, ando por perto.
        – A senhora está nervosa.
        – E deveria estar calma? E os rins, que não funcionam direito? E nem falo da cistite, que não me dá um dia de sossego.
        Tirou a saia para mostrar melhor as varizes que nasciam nos tornozelos e iam em frente. O doutor, muito paciente, fazia o que ela mandava.
        – Aperte aqui.
        Ele apertava.
        – Veja aqui.
        Ele via.
        – Empurre aqui.
        Ele empurrava.
        – Ausculte, pressione, experimente, observe.
        Ele auscultava, pressionava, experimentava, observava, obedecia com muita tranquilidade, uma calma que não era muito do agrado da mulher que, neste momento, não usava no corpo nada além dos sapatos que acabava de tirar.
        – Já viu meu pé?
        – Estou vendo.
        – Pé chato. Isso pode ser a causa do cansaço. Mas eu uso sapato ortopédico, o pé chato nada tem a ver com o cansaço, tem?
        – Não, não tem.
        – No entanto, parece que não há um palmo cúbico de ar para que eu respire. Veja como suo nas mãos.
        Ele viu que ela suava realmente.
        E tinha dores no estômago pela manhã, o intestino não funcionava a contento, a vesícula devia estar preguiçosa, o pâncreas ficava como se tivesse comido brasa, a urina era escura um dia, avermelhada no outro.
        Dr. Novaes não se abalou em nenhum instante. A mulher, inteiramente desnuda, deliberadamente deitou-se na mesa para um exame mais detalhado. Dr. Novaes fez.
        – Pode se vestir.
        – Como? Sem que o senhor examine o baço?
        Ele, com um dedo sobre o baço, bateu várias vezes nele com o rígido médio.
        – Vista-se agora.
        Ela se disse impossibilitada. Sentia o tal sintoma de prostração de que tanto falara. Viu? Ainda bem que no consultório lhe tinha dado, para que o Dr. Novaes não pensasse que se tratava de hipocondria ou coisa semelhante.
        Foi-lhe dado um pouco de água mexida com uma colher. Nada havia além da água no copo, mas o mexer da colher fez com que, ao beber a água pura, ela chegasse a sentir um gosto muito ruim.
        – O que foi que o senhor me deu para beber?
        – Nada – disse o Dr. Novaes.
        – Eu preciso saber o nome deste remédio. Em dois minutos me deixou outra. Estou reanimada, recuperada.
        – Vista-se.
        Ela começou a se vestir.  Vestiu-se sem parar de falar de doença. Dores de cabeça ao amanhecer, uma ponta de febre no começo da noite, insônia progressiva – Mandrix já fazia efeito semelhante à Cibalena – perda de apetite.
        – Como isso, parece que comi um boi.
        E a memória, não raro, lhe faltava. Seria amnésia? Essa doença existe mesmo, ou é coisa de filme? E os olhos sempre vermelhos. Há uma mancha num deles, vê? O olho direito. Não seria um carcinoma? Os seios doídos. Às vezes, não suportava o sutiã.
        – A senhora está nervosa demais.
        – Se fosse somente o sistema nervoso, era ótimo. Eu tomava uns sedativos, uns tranquilizantes, pronto. O estado geral é que é o drama. Devo me hospitalizar? Diga, Doutor. Preciso ser operada? É caso de cirurgia, ou…? O que o senhor disser eu faço.
        – Então faça o seguinte – disse o Dr. Novaes. – Procure um médico.
        – Hem?
        – Eu sou economista. O Dr. Drúlio, que tinha consultório aqui, mudou-se para a Rua Sorocaba.
        Daí, ela apressou-se a vestir a roupa.

CHICO ANÍSIO. Feijoada no Copa. Editora Rocco, 1976, Rio de Janeiro.

Entendendo o texto:
01 – Pesquise e informe os órgãos do corpo humano que são diretamente atacados por estas doenças:
a) hepatite: Fígado.           b) pneumonia: Pulmões.                    
c) cistite: Bexiga.               d) rinite: Mucosas do nariz.

02 – O que são sintomas?
      Quaisquer fenômenos ou mudanças no organismo humano, cuja descrição pode auxiliar o médico nos diagnóstico de doenças.

03 – Identifique e transcreva as palavras do texto que tenham estes significados:
a)   Dilatação permanente das veias.
Varizes.
b)   Abatimento, enfraquecimento, debilidade.
Prostração.
c)   Estado mórbido que se manifesta pelo aumento da temperatura anormal do corpo.
Febre.
d)   Diminuição ou perda da memória por motivo orgânico ou emocional.
Amnésia.

04 – Já sabemos que a mulher esteve no escritório de um economista e não num consultório médico. Qual foi o motivo do engano?
a. (   ) Ainda existia a placa do Dr. Drúlio na porta.
b. (   ) O Dr. Drúlio e o Dr. Novaes eram muito parecidos.
c. (   ) A mulher estava habituada a ir aquele local.
d. (X) A mulher pensou que Dr. Novaes fosse médico.

05– Que doença foi a primeira preocupação da mulher?
      Câncer.

06– Quando a mulher perguntou quais os sintomas do enfarte, Dr. Novaes esboçou uma resposta, mas foi interrompido. Na sua opinião, como ele completaria a frase?
      Resposta pessoal do aluno. Mas, deve ser adequada a situação.

07– Mesmo não sendo médico, Dr. Novaes efetuou alguns exames na mulher. Na sua opinião por que ele agiu assim?
      Resposta pessoal do aluno. Mas, deve ser adequada a situação.

08 – A mulher já havia feito outras consultas sem que os médicos encontrassem qualquer doença. Ela, entretanto, não concordava com seus diagnósticos porque não se considerava portadora de:
a. (   ) tuberculose                   b. (   ) hepatite        
c. (X) hipocondria                   d. (   ) disritmia.

09 – Quando o Dr. Novaes lhe deu água, houve uma súbita melhora no estado nervoso em que a mulher se encontrava. Por quê?
      A mulher, por ser hipocondríaca, achou que o Dr. Novaes havia lhe dado algum remédio para seu nervoso.

10 – Nesse texto, o autor quis nos divertir com uma situação incômoda para os personagens. Entretanto, é possível extrair uma lição desse episódio. Qual seria?
  As pessoas fragilizadas por alguma doença, principalmente os hipocondríacos, são vítimas fáceis de aproveitadores (certos médicos, farmacêuticos, vendedores de farmácia, curandeiros) e com isso põem a vida em risco, além de se exporem ao ridículo.



TEXTO: MÃES PARA UM MUNDO NOVO - PADRE VIRGÍLIO - COM GABARITO


TEXTO:  MÃES PARA UM MUNDO NOVO

      Vivemos sonhando com o mundo novo: o mundo do Bom Pastor, onde a violência ceda o lugar à paz, à justiça, à fraternidade. Para que o sonho se realize, o Bom Pastor é a última esperança. A penúltima são as mães, depositárias do amor infinito de Deus.
     Quando vejo a violência praticada nas ruas contra pessoas indefesas, eu digo: “Será que não têm mãe, esses violentos? Antes de puxar o gatilho ou arremessar a faca, por que não pensam na aflição das mães dos violentados?”
        E quando vejo a violência legalizada dos homens do governo a impor cargas pesadas às costas do pobre, do trabalhador, do assalariado, eu digo: “Será que não têm mãe, esses senhores? Ao aprontarem pacotes econômicos tão desumanos, por que não pensam em como ficariam as senhoras mães deles, se elas não tivessem pão para dar a seus filho?”
        Hoje, antes de fazermos um discurso patético e comovente em homenagem às nossas mães, preferimos lançar a elas um grande desafio: o que é que elas podem fazer para deter a escalada da violência?
        Nossos jovens estão se metendo num caminho de violência. Mas nós, os adultos, não temos nem um pouco de razão para censurá-los, uma vez que somos mais violentos do que eles. Porque, enquanto eles se agitam e gritam nas praças de punho fechado, nós pais, homens de governo e homens de Igreja, baixamos leis e decretos insuportáveis. Enquanto eles quebram vidraças e incendeiam carros, nós fazemos massacre dos valores cristãos, da fé e dos mandamentos.
        Debaixo da cruz, estava a Mãe para receber o último suspiro do Inocente violentado. Com sua coragem e seu perdão, com suas lágrimas de amor, as mães dos violentos e dos violentados de hoje conseguirão derrotar a violência.

Pe. Virgílio, SSP, Jornal O Domingo. São Paulo,
Ed. Pia Sociedade de São Paulo, ano LII, n° 24, 13/05/1984.

Entendendo o texto:
01 – No texto, encontramos as palavras violentos e violentados. Que diferença de significado há entre elas?
      Violentos: pessoas que praticam a violência.
      Violentados: pessoas que sofrem com a ação violenta.

02 – Preencha adequadamente as lacunas do texto com as palavras abaixo, fazendo as adaptações necessárias à frase.
Aflição – desumanos – discurso – indefesas – justiça – lançou – massacres – patético – violência.
O conferencista lançou seu olhar demoradamente pela plateia. Depois, demonstrando certa aflição, iniciou seu discurso. Falou da violência que se pratica contra pessoas indefesas. Finalizou em tom patético, acusando de desumanos todos esses massacres que abalam a justiça.

03 – Localize, no texto, e transcreva as palavras que tenham os significados abaixo:
a)    amor ao próximo, convivência como irmãos: Fraternidade.
b)    lançar com força para longe: Arremessar.
c)    remissão da pena, indulto: Perdão.

04 – Dá-se o nome de pacote a um pequeno embrulho. No texto, porém, pacote foi empregado com outro significado. Qual?
      Série de leis expedidas de uma só vez visando um determinado problema ou assunto.

05 – O texto informa que vivemos sonhando com um mundo novo. Como deveria ser esse mundo na opinião ao autor?
      De paz, justiça e fraternidade.

06– Como a violência tomou dimensões imensuráveis, o autor aponta duas esperanças para que tenhamos um mundo novo. Quais são?
      O Bom Pastor e as mães.

07– O autor faz referências a duas formas diferentes de violência. Uma é praticada por bandidos, malfeitores, criminosos. Qual é a outra?
      A violência legalizada, que atinge a maioria das pessoas através de leis desumanas como as relacionadas à economia.

08- Quando o autor diz que os adultos não podem censurar os jovens, pretende mostrar que:
a. (   ) a violência é consequência da falta de amor das mães pelos filhos.
b. (   ) cabe à juventude, a culpa pela escalada abusiva da violência.
c. (X) os atos da juventude são consequência dos exemplos dos adultos.
d. (   ) o governo é o verdadeiro culpado pela escalada da violência.

09 – O autor faz uma pergunta: o que as mães podem fazer para deter a violência? E sugere uma solução. Qual é?
      As mães de hoje devem ter como exemplo a Mãe de Jesus e usar de coragem, perdão e lágrimas.

 10 – Na sua opinião, a solução dada pelo autor é suficiente para deter a escalada da violência em nossos dias?
(    ) sim          (     ) não          Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.




segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

ARTIGO DE OPINIÃO: RESPONSABILIDADE PENAL - LINHA DIVISÓRIA - ALYRIO CAVALLIERI- COM GABARITO

ARTIGO DE OPINIÃO:  RESPONSABILIDADE PENAL -  LINHA DIVISÓRIA


        Fixar uma idade a partir da qual o adolescente está em condições de responder por crimes que venha a cometer é uma decisão que tem necessariamente uma grande dose de arbitrariedade.
        É natural que não se possa processar criminalmente uma criança de 5 anos, mas que um rapaz de 19 anos que tenha cometido um crime deva cumprir pena; quanto a isso, dificilmente haverá quem discorde. Entretanto, não se conhece um critério definitivo para estabelecer que, por exemplo, quem completou 14 anos já está em condições de assumir responsabilidade penal. Porque o discernimento, é evidente, não surge magicamente, num determinado dia, e sim se forma gradualmente.
        Não existe, entretanto, alternativa razoável. É impossível evitar a arbitrariedade, pois em algum ponto será preciso traçar a linha divisória, exatamente como se faz para determinar em que idade se deve cumprir o serviço militar ou votar, ou em que idade se pode tirar a carteira de motorista – e todos sabem que um carro, em mãos irresponsáveis, pode se tornar uma arma mortal.
        Os 18 anos de idade para a responsabilidade penal, se algum dia foram justos, hoje certamente são demais. Em países desenvolvidos, como a Inglaterra, Estados Unidos França e outros, menores de 18 anos vão a julgamento, e por todos os motivos uma política semelhante deveria ser adotada no Brasil. Não há como supor que um rapaz de 16 anos seja incapaz de distinguir o que é ilícito ou de prever as consequências de seus atos; de saber para que serve uma arma ou de compreender a diferença entre o roubo e uma travessura.
        Contra a ideia de diminuição da idade da responsabilidade penal costumam ser apresentados argumentos aparentemente válidos, como o de que a cadeia é na realidade uma escola do crime, ou de que os criminosos são sempre fruto da sociedade em que vivem. Mas essas considerações, embora convincentes, são irrelevantes. Fazem parte de uma discussão bem mais ampla, sobre a maneira mais eficiente de combater a criminalidade e de fazer justiça, mas não tem aplicação na questão da responsabilidade penal, pois dizem respeito a qualquer idade.

        MENOR NA CADEIA?

        O Congresso Nacional começa a discutir projeto que pretende alterar a idade da responsabilidade penal.
        Quando se pergunta ao auditório, em aulas ou conferências, com que idade o menor deve ir para a cadeia pela prática de um crime, a quase unanimidade responde: 16 anos. Alguns preferem os 14 ou até menos. Se escolhe alguém para explicar o porquê, a resposta é infalível: “Se pode votar, pode ir para a cadeia.” Esta resposta está dentro do raciocínio do “se sabe o que faz, deve pagar pelo que fez”. No entanto, este argumento é o mais frágil de todos e por duas razões.
        O sistema não é baseado no “sabe o que está fazendo”, mas na idade, independentemente da sabedoria. O critério da idade não é justo, nem científico, porque, primeiro, um único dia determina uma diferença absoluta quanto aos direitos e deveres; segundo, porque não existe ciência no mundo que garanta que o discernimento de um ser humano começa ou acaba no dia de um aniversário.
        No entanto, embora imperfeito o sistema da idade é o único capaz de evitar discriminação, porque é absolutamente universal. É por isso que mulher só casa com 16, com autorização dos pais, e homem com 18 anos;
Com 16 anos até o analfabeto vota; mas o deputado mais votado do Brasil não pode ser senador antes dos 35 anos; o mais hábil motorista não consegue a carteira antes dos 18 anos; o mais sábio desembargador deixa de julgar no dia em que completa 70 anos. E o criminoso só vai para a cadeia com 18 anos. Em nenhum caso, qualquer que seja a “sabedoria” da pessoa, ela adquire ou perde direitos se não tiver essa idade, mesmo que haja uma diferença de um único dia. Afinal, a consciência do certo e do errado todos tem, desde tenra idade.
        A discussão tem que mudar de eixo. Deve-se indagar é se a cadeia é a solução para a delinquência juvenil. A prisão e a gravidade de pena por si só não resolvem.
        Temos um exemplo histórico. A pena máxima para o traficante de drogas aumentou de cinco para sete e para 15 anos e, agora, é crime hediondo; os maiores criminosos estão em presídio de segurança máxima e o tráfico não diminuiu. Uma boa lei para menores infratores impõe consequências dentro de um sistema de justiça, muito mais eficazes que o puro e simples encarceramento.
        Solução? Manter os 18 anos para a responsabilidade penal e um exame profundo do Estatuto da Criança e do Adolescente, nove anos depois de sua vigência. Ele não permite que um menor traficante, preso em flagrante com grande quantidade de tóxicos e armas, seja internado; fixa prazos para as medidas socioeducativas, impedindo a reeducação; e muitas outras imperfeições estão demonstrando que é hora de ser avaliado. A cadeia, por si só, não é a solução.

                                  Alyrio Cavallieri é desembargador e ex-juiz de menores.
                                                                                              O Globo, 18/04/1999.

1 – Por que o autor intitulou o texto de Linha Divisória?
      O estabelecimento de limite entre ser ou não responsável por atos praticados.

2 – O que é definido como arbitrariedade no texto?
       Julgamento pessoal.

3 – Reescreva, com suas próprias palavras, o 1º parágrafo do texto, resumindo-o.
       Resposta pessoal.

4 – De que argumento o autor se utiliza, no 2º parágrafo, para comprovar a ideia veiculada sobre a dificuldade de estabelecer-se um critério definitivo para que o adolescente tenha condições de assumir responsabilidades?
       Da falta de critério para julgar se um jovem está ou não em condições de assumir responsabilidade sobre seus atos.

5 – Reescreva, com suas próprias palavras, o 2º parágrafo, resumindo-o.
       Resposta pessoal.

6 – No 3º parágrafo, de que recurso lança mão o autor para sustentar o argumento principal de seu texto?
       A exemplificação.

7 – E no 4º parágrafo, qual o recurso?
       A citação exemplificativa.

8 – O último parágrafo do texto contém argumentos e contra-argumento. Aponte-o.
        Argumentos: A cadeia é uma escola do crime e os criminosos são frutos da sociedade em que vivem.
       Contra-argumento: A maneira mais eficiente de combater a criminalidade e de fazer justiça.

9 – No 2º parágrafo de Menor na Cadeia, ocorre a frase “se sabe o que faz, deve pagar pelo que fez”. Com que finalidade ela foi utilizada?
       Servir como argumento para quem defende a ideia de responsabilidade criminal para jovens com 16 anos, ou menos, de idade.

10 – Cite dois pontos de contato entre os textos, ou seja, pontos de vista com idêntica base de sustentação.
        Na discussão da “linha divisória” e na necessidade de rever-se o combate da criminalidade em suas formas de atuação.

11 – E você? Qual é o seu ponto de vista sobre o tema?
        Resposta pessoal.


ARTIGO DE OPINIÃO: A IMPLANTAÇÃO DA PENA DE MORTE NO BRASIL - COM GABARITO


TEXTO: A IMPLANTAÇÃO DA PENA DE MORTE NO BRASIL


    Não é de hoje que, no Brasil, vem-se discutindo acaloradamente sobre a implantação da pena de morte, sem que se tenha posição firmada, já que se trata de questão bastante polêmica.
    Os que defendem a pena de morte argumentam a partir do fato de ser o nosso país detentor de um alto índice de criminalidade de diversas naturezas. Essa legislação vira intimidar os assassinos perigosos, impedindo-os de cometer os crimes denominados hediondos. Acrescentam, ainda, a certeza de, com ela, vermos resolvido o problema da superlotação dos presídios.
        Outros, no entanto, não aceitam a ideia de ser humano tirar a vida de um semelhante, por mais tenebroso que seja o delito cometido. Argumentam que injustiças seriam cometidas nos julgamentos de cidadãos inocentes, em um país onde o sistema judiciário é tão falho. Apoiam-se, além disso, em princípios religiosos que desdenham a ideia e ainda citam que em algumas partes do mundo onde a pena de morte foi implantada crimes bárbaros não deixaram de acontecer.
        Diante do que foi exposto, percebemos o quanto é difícil estabelecer uma posição definitiva sobre o assunto, mas o que todos nós gostaríamos de ver acontecer é que o país passasse por uma profunda reformulação, atingindo o combate às causas de tantos crimes violentos que fazem parte do nosso dia a dia.

1 – Qual o ponto de vista do autor?
       Diante de tema tão polêmico, fica difícil estabelecer uma posição definitiva sobre a questão.

2 – Que argumentos foram utilizados para defender a implantação da pena de morte?
        Ser o país detentor de um alto índice de criminalidade de diversas naturezas, a intimidação dos assassinos e a superlotação dos presídios.

3 – Que argumentos contrários foram utilizados?
       O ser humano não tem o direito de tirar a vida de seu semelhante, injustiças seriam cometidas nos julgamentos de cidadãos inocentes e, mesmo em alguns países onde a pena de morte foi implantada, crimes bárbaros ainda ocorrem.

4 – Qual a conclusão apresentada?
       Embora seja difícil assumir uma posição sobre o assunto, o pais está necessitando de passar por uma reformulação penal, para combater crimes violentos.

5 – Apresente o seu ponto de vista.
       Resposta pessoal.

6 – Exponha argumentos: favoráveis e contrários.
       Resposta pessoal.



CONTO: A BARBA DO FALECIDO - STANISLAW PONTE PRETA - COM GABARITO

CONTO: A BARBA DO FALECIDO
                 Stanislaw Ponte Preta

    Aconteceu em Jundiaí. Orozimbo Nunes estava passando mal e foi internado pela família no Hospital São Vicente de Paula, para tratamento. Orozimbo tem muitos parentes, é muito querido e tem uma filha que cuida dele. Foi a filha, aliás, que internou Orozimbo.
        Anteontem telefonaram para a filha de Orozimbo Nunes. Era do hospital e a notícia dada foi lamentável. Orozimbo tinha abotoado o paletó – como dizem os irreverentes. Isto é, tinha posto o bloco na rua, como dizem os super irreverentes, comparando enterro a bloco carnavalesco. Enfim, Orozimbo tinha morrido. A filha de Orozimbo que fizesse o favor de aguardar, porque lá do hospital iam fazer o carreto, ou seja, iam mandar o defunto a domicílio.
        A filha do extinto caiu em prantos e convocou logo os parentes. Conforme ficou dito acima, Orozimbo era muito querido. Veio parente da capital, veio parente de Minas, parente do Rio, enfim, Jundiaí ficou assim de parente de Orozimbo. As providências para o velório foram logo tomadas, gastou-se dinheiro, compraram-se flores. Estava um velório legal se não faltasse um detalhe: não havia defunto.
        O corpo de Orozimbo não tinha chegado. A família ligou para o hospital e reclamou. Tinha saído no expresso-rabecão das seis – informaram. E, de fato, pouco depois Orozimbo (à sua revelia) chegava. Puseram o embrulho lá dentro, houve aquela choradeira regulamentar e, na hora de desembrulhar para preparar o cadáver, alguém notou que a barba de Orozimbo crescera.
        – Ele estava tão doente que nem podia fazer a barba – comentou um dos que ajudavam, com a filha de Orozimbo, que esperava lá fora.
        A filha de Orozimbo estranhou a coisa. Entregara Orozimbo doente, é verdade, mas Orozimbo chegara ao hospital perfeitamente escanhoado e não dava tempo de a barba ter crescido assim tão depressa.
        – A barba tá muito grande? – perguntou a filha de Orozimbo.
        Estava. Estava que parecia barba de músico da Bossa-Nova. Aí a moça desconfiou e foi conferir. Simplesmente não era Orozimbo. Tinham trocado as encomendas, e talvez naquele momento, outra família, noutro local, estivesse chorando o Orozimbo errado. Mais que depressa ligaram para o Hospital São Vicente de Paula e reclamaram contra a ineficiência do serviço de entregas rápidas.
        Nova verificação, para se saber qual era o embaraço, e a direção do eficiente nosocômio descobriu que Orozimbo nem sequer morrera. Não houvera uma troca de cadáveres, mas uma troca de fichas. O que morrera não era Orozimbo, era um barbadinho anônimo. Orozimbo estava lá, vivinho e, por sinal, passando muito melhor. Podia até ter alta, assim que desejasse.
        Claro, parou a bronca, e a raiva contra o desleixo transformou-se em pungente alegria. A família foi buscar Orozimbo (Depois de devolver o barbicha, naturalmente) e o contentamento foi geral, em receber de volta aquele que já fora pranteado por antecipação e para o qual já tinham feito aquela vasta despesa para o enterro. Não sei se é verdade, mas dizem que a família, em sinal de regozijo pela volta de Orozimbo e também para aproveitar o que sobrara das despesas, ofereceu aos amigos um velório-dançante.

           STANISLAW PONTE PRETA. Garoto Linha Dura. 3ª Edição,
      Editora Sabiá, Rio de Janeiro, 1968.

Entendendo o texto:
Após a leitura do texto, respondas às questões abaixo.
01 – Ao saber do falecimento de Orozimbo, a filha chorou, como era de se esperar, e imediatamente:
a. (  ) foi ao hospital conferir o fato
b. (X) comunicou o fato aos parentes
c. (  )providenciou os serviços funerais
d. (  ) preparou a casa para o velório
02 – Segundo os dicionários, velório significa passar noite em claro na sala onde está exposto um morto. De acordo com o texto, podemos entender que o velório:
a. (   ) aconteceu por pouco tempo
b. (   ) começou com a chegada do defunto
c. (   ) terminou com a descoberta do erro
d. (X) não chegou realmente a acontecer.

03 – Os parentes de Orozimbo comentaram o tamanho da barba do falecido com a filha e, então, ela se admirou. Por quê?
      A barba não poderia ter crescido tanto em tão poucos dias, e a filha ficou admirada porque ainda não tinha visto o defunto.

04 – O narrador diz que “talvez naquele momento, outra família, noutro local, estivesse chorando o Orozimbo errado”. Analisada a situação, haveria essa possibilidade?  
Sim (   )           não (X). Justifique sua resposta.
      Porque só havia um defunto.

05 – Embora Orozimbo estivesse vivo, a família teve despesas com o velório. Na sua opinião, a quem cabe a culpa por essa despesa inútil? E por quê?
      Há duas possibilidades de culpados.
      1 – A família de Orozimbo, que não esperou o defunto chegar para se certificar do falecimento.
      2 – A direção do hospital, que deu a informação errada a família.

06 – O narrador informa de modo irreverente que: “Orozimbo tinha abotoado e paletó” e “posto o bloco na rua”. Reescreva a frase dentro do português padrão.
      Orozimbo tinha falecido (ou morrido).

07 – Localize no texto e transcreva para os espaços uma palavra que tenha o mesmo significado de:
a) pormenor, particularidade: detalhe.
b) deficiência, inutilidade: ineficácia.
c) hospital: nosocômio.
d) negligência, descuido: desleixo.
e) comovente, incitante: pungente.
f) chorado, lamentado: pranteado.
g) alegria, contentamento: regozijo.

08 – Antigamente, dava-se o nome de rabecão ao contrabaixo (instrumento musical semelhante do violino, porém muito maior). No texto rabecão tem outro significado. Qual é?
      Carro fúnebre.





CRÔNICA: MEUS PRIMOS - ANTONIO MARIA DE ARAÚJO DE MORAIS -COM GABARITO

CRÔNICA: MEUS PRIMOS


O texto abaixo é do autor  pernambucano Antonio Maria de Araújo de Morais, que se destacou como cronista, compositor, locutor esportivo, jornalista e radialista.

     R. G. era um demônio. Mais atleta, mais afeito à terra que qualquer um de nós, era uma espécie de Tarzan, filho do mato e do rio, diante da nossa meia tendência para o asfalto.
      Numa tarde, resolvemos caminhar pela estrada de ferro – e outra coisa não pretendíamos senão dar uma olhada na filha de um vigia novato, morena carregada, de olhos verdes e longas tranças que, de tardinha, lavava os pés, enfeitava a cabeça com uma flor e vinha para o patamar de casa tocar viola de 12 cordas e cantar “Suçuarana”.
       No meio do caminho, demos com a ponte de ferro feita de trilho, dormentes e mais nada, onde só o trem podia passar. R. G. teimou que atravessar seria uma canja, andando por cima dos dormentes. E se o trem viesse? – aventamos essa perigosa possibilidade. Não ligou. Nós ficamos no barranco do rio e ele começou, sozinho, a travessia.
        De repente, parecia coisa do diabo, o trem saiu da curva, a 100 metros da ponte. R. G. ia exatamente na metade e não tinha tempo de correr para frente ou para trás. Fechamos os olhos, pensamos em Deus por sua alma de 16 anos. O trem passou, houve um minuto de pausa e, depois, R. G. apareceu no mesmo lugar, (…), gritando que não seria a locomotiva da Great Western que o mataria tão jovem.
        Garoto de incrível presença de espírito, quando viu o trem à sua frente, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado. Depois que passaram os 12 vagões, suspendeu-se como num exercício de barra e começou a rir do estado de pânico em que estávamos.
       O maquinista, ao chegar à estação de Gameleira, a dois quilômetros dali, entregou-se à polícia, confessando que tinha matado um menino da usina Cachoeira Lisa.

Entendendo o texto:
Marque com X o sinônimo da palavra ou expressão em destaque.
01 – Em: “R. G. era um demônio.”  A palavra destacada pode ser substituída por:
a. (   ) animal                      b. (   ) moleque malvado
c. (X) rapaz travesso         d. (   ) ignorante

02 – Em: “Mais atleta, mais afeito à terra…”, a expressão destacada pode ser substituída por:
a. (   ) mais insensível à terra           b. (X) mais acostumado à terra
c. (   ) mais desabituada à terra    d. (   ) mais preocupado com a terra.

03 – Em: “… diante da nossa meia tendência…”, a expressão destacada significa:
a. (   ) desprezo             b. (X) inclinação    
c.(   ) amor                     d. (   ) preocupação.

04 – Em: “… dar uma olhada na filha de um vigia novato…”, a palavra destacada indica que o vigia:
a. (   ) tinha pouca idade           b. (   ) era ingênuo
c. (   ) ano tinha experiência     d. (X) estava a pouco tempo naquele lugar
05 – Em: “E se o trem viesse? – aventamos essa perigosa possibilidade.” A palavra destacada pode ser substituída por:
a. (X) insinuamos                   b. (   ) verificamos
c. (   ) investigamos                d. (   ) propusemos.

06 – Em: “Garoto de incrível presença de espírito…”, a palavra destacada significa:
a. (   ) irreal                         b. (   ) inútil     
c. (X) inacreditável             d. (   ) incansável.

07 – O autor caracteriza R.G. como uma espécie de Tarzan, mais afeito à terra, enquanto que os outros meninos estavam mais habituados à vida da cidade. Explique a expressão “nossa meia tendência para o asfalto.”
      A expressão foi utilizada pelo autor para indicar que esses meninos estariam mais habituados à vida da cidade, porque uma das características das cidades são as ruas asfaltadas.

08 – Ter presença de espírito significa saber sair de situações difíceis, inesperadas ou embaraçosas. Como R. G. conseguiu sair da situação difícil que, de repente, lhe apareceu?
      Quando viu o trem à sua frente e não tendo tempo para recuar ou avançar, R.G. agachou-se, segurou os dormentes com as mãos e então, soltou o corpo, ficando pendurado.

09 – A partir do texto, encontre três características do personagem R. G.
      O texto indica as seguintes características: corajoso, travesso, decidido, brincalhão.

10 – Transcreva o trecho do texto que indica o motivo pelo qual os meninos saíram de casa naquela tarde.
      Numa tarde, resolvemos caminhar pela estrada de ferro – e outra coisa não pretendíamos senão dar uma olhada na filha de um vigia novato, morena carregada, de olhos verdes e longas tranças que, de tardinha, lavava os pés, enfeitava a cabeça com uma flor e vinha para o patamar de casa tocar viola de 12 cordas e cantar “Suçuarana”.

11. Identifique e transcreva o trecho do texto em que há momento de intensa expectativa e emoção, em que não se sabe o que vai acontecer.
      De repente, parecia coisa do diabo, o trem saiu da curva, a 100 metros da ponte. R. G. ia exatamente na metade e não tinha tempo de correr para frente ou para trás. Fechamos os olhos, pensamos em Deus por sua alma de 16 anos.

12. Por que o maquinista entregou-se à polícia?
      Porque julgara haver matado R. G.