domingo, 9 de março de 2025

NOTÍCIA: QUANDO E ONDE SURGIU O PRIMEIRO SELO DE CORREIO? (FRAGMENTO) - REDAÇÃO MUNDO ESTRANHO - COM GABARITO

 Notícia: Quando e onde surgiu o primeiro selo de correio? – Fragmento

Por Redação Mundo Estranho

Atualizado em 22 fev. 2024, 11h01 - Publicado em 18 abr. 2011, 18h54

        O primeiro selo reconhecido oficialmente pelos historiadores surgiu na Inglaterra em 1840. Naquela época, enviar cartas era um processo caro e demorado, com as tarifas dependendo do peso da correspondência e da distância até o destinatário, sendo calculadas por meio de fórmulas complicadas.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMjre1SxuD1gHbV7jacW2TYPLs53S1ViB5ktr68y2EVLaQH7jCo8SS-2rCRQAyZek-R0nYQ3jVMZg-bweTYWJ7pjkAOVp9uy-D7zDtnILCvMCX-0JMkI5sJagihgerNWvW0gBx2W_qmlJqJDoFBKMB0P5vv-OVBwn-fiV7eD2nujEDuOGHx2uWIxoRCXM/s320/SELO.jpg


        Antes de receber sua carta, o destinatário tinha que pagar pelo serviço – e muitos se recusavam a fazer isso, dando prejuízo aos correios. Para resolver o problema, o educador e administrador Rowland elaborou uma proposta de reforma postal. Ele sugeriu a redução das tarifas e a adoção de um preço uniforme, independente da distância entre remetente e destinatário. O valor também só seria cobrado na hora da postagem, sendo que um pequeno papel autoadesivo colado ao envelope comprovaria o pagamento.

        [...]

        O Penny Black – como ficou conhecido esse primeiro selo – foi lançado para o público em 1º de maio daquele ano.  [...] .

Quando e onde surgiu o primeiro selo de correio? Revista Mundo Estranho. São Paulo: Abril, fev. 2003. p. 49. Extraído do site: http://mundoestranho.abril.com.br/historia/pergunta_286372.shtml. Acesso em: 25 jan. 2011.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 34.

Entendendo a notícia:

01 – Onde e quando surgiu o primeiro selo de correio reconhecido oficialmente?

      O primeiro selo de correio reconhecido oficialmente surgiu na Inglaterra, em 1840.

02 – Qual era o problema com o sistema de envio de cartas antes da criação do selo?

      Antes da criação do selo, o envio de cartas era caro e demorado, com tarifas que dependiam do peso da correspondência e da distância, além de serem calculadas por fórmulas complicadas. O destinatário precisava pagar pelo serviço antes de receber a carta, e muitos se recusavam, causando prejuízo aos correios.

03 – Quem foi o responsável pela proposta de reforma postal que levou à criação do selo?

      O educador e administrador Rowland Hill elaborou a proposta de reforma postal.

04 – Quais foram as principais mudanças introduzidas pela reforma postal?

      A reforma postal introduziu a redução das tarifas, a adoção de um preço uniforme independente da distância, e a cobrança do valor no momento da postagem, comprovada por um pequeno papel autoadesivo colado ao envelope.

05 – Qual era o nome do primeiro selo de correio e quando ele foi lançado ao público?

      O primeiro selo de correio era conhecido como "Penny Black" e foi lançado ao público em 1º de maio de 1840.

 

 

CONTO: UMA MENINA CHAMADA CHAPEUZINHO AZUL - FRAGMENTO - FLAVIO DE SOUZA - COM GABARITO

 Conto: UMA MENINA CHAMADA CHAPEUZINHO AZUL – Fragmento

            Flavio de Souza

        Aposto que você adivinhou que essa menina conhecida pelo apelido de Chapeuzinho Azul era irmã daquela outra menina conhecida pelo apelido de Chapeuzinho Vermelho.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicR25ZIRZfICRJew-qtxsK4teBIaPaja79KKzgyNskJbXqtMPf95C10_ocMOt3yMz6ijMCpj6bEmAaoC8ZO6GXso1EvOn4Rm48vezxPs3G-VgCPhkouwKSJue5pgdHfxbtB8dyiCgCVm3H0jTh_ylGDTCGaVXY15flj1PWhsG157oXOJsH3_oBf0XU2ts/s320/CHAPEU.jpg


        As duas meninas ganharam seus chapeuzinhos no mesmo dia. Foi no Dia da Criança de mil, seiscentos e me esqueci. Elas gostaram tanto de ganhar seus chapeuzinhos que até se esqueceram de ficar bravas porque não tinham ganhado as bonecas que tanto queriam.

        Esses chapeuzinhos na verdade eram duas capinhas com capuz, mas todo mundo conhece a história da menina que ganhou a roupinha vermelha como “Chapeuzinho Vermelho”, então vamos fingir que as capinhas com capuz eram chapeuzinhos, está bem?

        Naquele dia em que a menina do chapeuzinho vermelho saiu de casa para levar doces para a vovozinha que estava doente e se encontrou com o lobo etc. e tal, a irmã dela ficou em casa. Ela passou o dia todo no quarto porque estava com gripe.

        Ninguém nunca ouviu falar na Chapeuzinho Azul porque ela nunca teve um dia tão agitado como o da irmã dela. Ninguém nunca ouviu falar também do pai das duas meninas porque quando a Chapeuzinho Vermelho foi pela estrada afora bem sozinha, o pai dela estava na cidade, que ficava não muito ali por perto. Ele saía de casa todo dia bem cedinho e só voltava de noite. Porque trabalhava, junto com muitos outros homens, na construção de uma ponte que estava sendo feita sobre um grande rio.

        Ninguém nunca ficou sabendo também que a Chapeuzinho Vermelho tinha uma outra avó. Isso é fácil de imaginar, porque afinal as crianças geralmente têm duas avós, a mãe da mãe e a mãe do pai. Essa outra avó era mãe do pai. Aquela que quase virou comida de lobo era a mãe da mãe.

        Essa outra avó das Chapeuzinhos se chamava Iolanda, mas todo mundo a chamava de Vó Gorda, você pode imaginar por quê, né?!! Mas, ela não se importava com esse apelido, e até achava graça. Então, a Vó Gorda saiu lá da casinha dela com uma cestinha de doces para levar para a Chapeuzinho Azul que, como eu já contei, estava gripada, coitadinha.

        No caminho para a casa da netinha, a avó se encontrou com um lobo. Um lobo tão Lobo Mau quanto aquele que enganou a Chapeuzinho Vermelho. E esse outro Lobo Mau tentou enganar a Vó Gorda, dizendo para ela ir pelo caminho da floresta. Mas como ela não era boba, foi pelo caminho mais curto e chegou antes do Lobo Mau. E quando ele chegou pronto para comer a Chapeuzinho Azul e a avó dela, deu de cara com o pai das meninas, que já tinha voltado do trabalho. Ele estava esperando pelo lobo na frente da casa com sua espingarda em punho. Lá dentro a Chapeuzinho Azul, a mãe dela e a Vó Gorda espiavam pela janela e riam.

        O lobo, que era tão Lobo Mau quanto o outro, mas também tão esperto quanto a Vó Gorda, quando viu a espingarda, deu um tchauzinho de longe e deu no pé. Na noite desse mesmo dia, a Chapeuzinho Vermelho chegou acompanhada pelo caçador e contou sua aventura. Foi por isso que os pais das meninas nunca mais deixaram as duas andarem sozinhas pela floresta.

        Depois do jantar, as duas irmãs pediram para comer os doces que a Vó Gorda tinha trazido em sua cestinha. Mas ela deu uma gargalhada e confessou que tinha ficado com fome no caminho e foi beliscando, beliscando, beliscando e, quando chegou, a cesta já estava vazia.

        [...]

Flávio de Souza, livro: Que história é essa? 2: novas histórias, adivinhações, charadas, enigmas, curiosidades, diversões e desafios com personagens de contos antigos. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000. p. 70-71.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 52-53.

Entendendo o conto:

01 – Qual a relação entre Chapeuzinho Azul e Chapeuzinho Vermelho?

      Chapeuzinho Azul e Chapeuzinho Vermelho são irmãs.

02 – Por que Chapeuzinho Azul não teve um dia agitado como sua irmã?

      Chapeuzinho Azul passou o dia em casa porque estava com gripe, enquanto Chapeuzinho Vermelho saiu para levar doces para a avó e encontrou o lobo.

03 – Onde estava o pai das meninas quando Chapeuzinho Vermelho saiu pela floresta?

      O pai das meninas estava na cidade, trabalhando na construção de uma ponte sobre um rio.

04 – Quem era a outra avó das Chapeuzinhos e por que ela tinha esse apelido?

      A outra avó das Chapeuzinhos era a mãe do pai delas, chamada Iolanda, mas conhecida como Vó Gorda devido ao seu peso.

05 – Como a Vó Gorda escapou do Lobo Mau?

      A Vó Gorda foi pelo caminho mais curto em vez do caminho da floresta, chegando à casa da Chapeuzinho Azul antes do Lobo Mau.

06 – Quem protegeu Chapeuzinho Azul e a Vó Gorda do Lobo Mau?

      O pai das meninas, que havia voltado do trabalho, protegeu-as do Lobo Mau com sua espingarda.

07 – O que aconteceu com os doces que a Vó Gorda levava para Chapeuzinho Azul?

      A Vó Gorda comeu todos os doces no caminho, pois ficou com fome.

 

CONTO: CHAPEUZINHO AMARELO - (FRAGMENTO) - CHICO BUARQUE - COM GABARITO

 Conto: Chapeuzinho Amarelo – Fragmento 

           Chico Buarque

[...]

E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz…
E um chapéu de sobremesa.

[...].

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiM4DIB5T4PDIMbuPIAJTWQKeYAZPYZEI17q28u2VZb9SjQj3XYVMFnujLptI7m6m0pI3Q58Z6ywJli2uOhBypRzIo4ScfNwQpUzKIejyNkf4MeXvUnu-FJFbLoxeMlu8i88gIbavszRhgkAFDpUmuPvxcIJxPGMs4L4srLWdP_i64wxlY3XhR7_ccePlY/s1600/CHAPEUZINHO.jpg


Chico Buarque. Chapeuzinho Amarelo. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 89.

Entendendo o conto:

01 – Qual o principal medo de Chapeuzinho Amarelo?

      O principal medo de Chapeuzinho Amarelo é o Lobo Mau.

02 – O que Chapeuzinho Amarelo fazia devido ao medo do lobo?

      Chapeuzinho Amarelo pensava, sonhava e esperava pelo lobo constantemente.

03 – Como o lobo é descrito no conto?

      O lobo é descrito com "carão de LOBO, olhão de LOBO, jeitão de LOBO" e um bocão capaz de comer duas avós, um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz e um chapéu de sobremesa.

04 – O que o tamanho da boca do lobo sugere?

      O tamanho exagerado da boca do lobo sugere a intensidade do medo de Chapeuzinho Amarelo, que imagina o lobo como uma criatura monstruosa e capaz de tudo.

05 – Qual a diferença entre este lobo e o lobo da história tradicional da Chapeuzinho Vermelho?

      Este lobo é uma criação da imaginação de Chapeuzinho Amarelo, amplificada pelo medo, enquanto o lobo da história tradicional é um personagem real que interage com a protagonista.

 

 

POESIA: O GATO - MARINA COLASANTI - COM GABARITO

 Poesia: O Gato

            Marina Colasanti

No alto do muro

pulando no escuro

miando no mato

entrando em apuro

é o gato, seguro.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglqvYc9Vt-0TIjTHhZ_B907p32VQdDg9ZzYcDkP2ANr7hbIdWjO5Xi_h4k7N1gRkdZ7-9F0C454_7x8l5V5UpO_WDjyKFnEPHDfP3s__Y-YIjW_zNU4iFrGlgwBBXQz3A4bQERWhhtTiTEnU7a8gnNSC-eCSujsQ4J_6pdEE89y57oTKO5qz-BAdVmw2o/s1600/GATO.jpg

De antigo passado

e jeito futuro

movimento puro

ar sofisticado

é o gato, de fato.

 

Só pode ser gato

esse bicho exato

acrobata nato

que só cai de quatro.

Marina Colasanti. O gato. In: Marina Colasanti e outros. Caminho da poesia, São Paulo: Global, 2006.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 92.

Entendendo a poesia:

01 – Quais características do gato são destacadas na primeira estrofe?

      A primeira estrofe destaca a agilidade e a capacidade do gato de se mover em diferentes ambientes: "No alto do muro / pulando no escuro / miando no mato / entrando em apuro / é o gato, seguro."

02 – Como o poema descreve a natureza do gato na segunda estrofe?

      A segunda estrofe descreve a natureza do gato como uma mistura de características antigas e modernas, com movimento puro e ar sofisticado: "De antigo passado / e jeito futuro / movimento puro / ar sofisticado / é o gato, de fato."

03 – O que a terceira estrofe enfatiza sobre o gato?

      A terceira estrofe enfatiza a exclusividade do gato, sua precisão e habilidade acrobática: "Só pode ser gato / esse bicho exato / acrobata nato / que só cai de quatro."

04 – Qual a imagem geral do gato que o poema constrói?

      O poema constrói a imagem de um animal ágil, misterioso, elegante e habilidoso, com uma natureza única e inconfundível.

05 – Qual a importância da repetição da frase "é o gato" no poema?

      A repetição da frase "é o gato" reforça a identidade do animal como o tema central do poema, destacando suas características e presença marcante.

 

 

SINOPSE: LIVRO PÉROLAS NEGRAS - MARCOS LOSNAK - COM GABARITO

 Sinopse: Livro Pérolas negras

               Marcos Losnak

        Os tradicionais livros de histórias infantis estão repletos de princesas. Todas lindas e maravilhosas. Todas de cabelos loiros, cachinhos dourados, olhos azuis e pele cor de leite.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh2MWH1HuafdRkVLh8U0A0oS7RV0jlcGYLnOxhSVC7ZqAbt82dz7gln_2mmIcL277uTqW92ARxK_wFuIZqhhRh2peImlNSfCOVcY3yc4XyjJpdv4q71SN_YmTLan5n7zXAIe-NIDzphEzweHNANqzz3vX-4ddWRmvGIaaqb8a0wajersDC7Am240A3ZjoY/s320/princesas-disney-1505332621094_v2_3x4.jpg


        A pequena Stephanie adorava as princesas dos contos de fadas. Seu grande sonho era ser também uma bela princesa. Ou quem sabe uma chique rainha.

        O drama de Stephanie era que, por ter a pele negra e cabelo preto todo enrolado, não acreditava que poderia ser uma princesa. Muito menos rainha. Sua aparência era muito diferente da beleza presente nos contos de fadas.

        Mas a menina começa a pensar diferente quando passa uma temporada com a avó. A velha senhora, vendo a agonia da garotinha, revela que nunca existiram apenas princesas de pele branca.

        A avó, para enaltecer a identidade e a autoestima da neta, revela que também sempre existiram princesas e rainhas negras, de cabelo preto todo enrolado. Algumas viveram na África. Outras viveram no Brasil trazidas como escravas no período da colonização portuguesa.

        A história de Stephanie é narrada por Luiz Antônio em Uma princesa nada boba, livro infantil que acaba de ser lançado pela editora Cosac Naify com ilustrações de Biel Carpenter. A história de uma menina que se olha no espelho e não se reconhece nos padrões de beleza europeia. E pela simples falta de informação, não sabe da existência das belas pérolas negras.

Marcos Losnak. Pérolas Negras. Folha de Londrina, 22 nov. 2011. Folha 2, p. 4.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 98.

Entendendo a sinopse:

01 – Qual o problema de Stephanie em relação aos contos de fadas?

      Stephanie, por ter pele negra e cabelo preto enrolado, não se via representada nas princesas dos contos de fadas, que geralmente são brancas, loiras e de olhos azuis.

02 – Qual o sonho de Stephanie?

      O grande sonho de Stephanie era ser uma princesa ou uma rainha.

03 – Quem ajuda Stephanie a mudar sua perspectiva sobre a beleza?

      A avó de Stephanie a ajuda a mudar sua perspectiva, revelando que também existiram princesas e rainhas negras.

04 – Onde viveram as princesas e rainhas negras mencionadas pela avó?

      Algumas princesas e rainhas negras viveram na África, enquanto outras foram trazidas para o Brasil como escravas durante a colonização portuguesa.

05 – Qual o título do livro que narra a história de Stephanie?

      O título do livro é "Uma princesa nada boba".

06 – Quem é o autor do livro?

      O autor do livro é Luiz Antônio.

07 – Qual a mensagem principal do livro?

      A mensagem principal do livro é sobre a importância da representatividade e da valorização da identidade negra, mostrando que a beleza não se limita aos padrões europeus.

 

quinta-feira, 6 de março de 2025

MÚSICA(ATIVIDADES): VAI PASSAR - CHICO BUARQUE - COM GABARITO

 Música (Atividades): Vai Passar

             Chico Buarque

Vai passar
Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg8F0cGDudiBFDTX8moExXf4gDu0At37K_GSBW_WNQkffbSUe0SwoJDTiDOpbIBi6CC-qioVjdbmXPrZhrdNDoh3pp2kvJaHdnH-0zKWusKmbN7tZJzaVgLj4MZ1IliscdRblF7GgcPqfg_ZNr-fbzhuqlBkRlKPS9DKHvceECO2PLX6OgEGtm-aXJ5MSs/s320/CHICO.jpg


Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Dormia
A nossa pátria-mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais

E um dia afinal
Tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval

O carnaval, o carnaval (vai passar)
Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do Boulevard

Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear

Ai que vida boa, ô lerê
Ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar

Ai que vida boa, ô lerê
Ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral
Vai passar

Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar

Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

No tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Dormia
A nossa pátria-mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais

E um dia afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval

O carnaval, o carnaval (vai passar)
Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do Boulevard

Meus Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear

Ai que vida boa, ô lêrê
Ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar

Ai que vida boa, ô lêrê
Ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral
Vai passar

Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar

Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

No tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Dormia
A nossa pátria-mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais

E um dia afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval

O carnaval, o carnaval (vai passar)
Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do Boulevard

Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear.

Composição: Chico Buarque / Francis Hime.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 576.

Atividades da música:

01 – Qual o tema central da música "Vai Passar"?

      A música aborda a esperança de superação de um período sombrio da história do Brasil, marcado pela ditadura militar, e a celebração da liberdade.

02 – Qual a metáfora utilizada para representar o período de opressão na música?

      A metáfora utilizada é "Página infeliz da nossa história", representando um tempo de tristeza e repressão.

03 – O que representa o carnaval na música?

      O carnaval representa um momento de alegria e libertação, uma "ofegante epidemia" de felicidade que surge após um período de sofrimento.

04 – Quem são os personagens mencionados na música, como "barões famintos" e "napoleões retintos"?

      Esses personagens representam diferentes grupos sociais e figuras de poder que participaram ou foram afetados pelo período da ditadura.

05 – Qual a importância da "avenida" mencionada na música?

      A avenida representa o palco onde a história se desenrola, onde "sambas imortais" passaram e onde a esperança de um futuro melhor se manifesta.

06 – Qual a mensagem de esperança transmitida pela música?

      A mensagem é de que, apesar das dificuldades e do sofrimento, a liberdade e a alegria ("o dia clarear") prevalecerão.

07 – O que significa a expressão "sanatório geral" no contexto da música?

      "Sanatório geral" pode ser interpretado como uma representação da loucura e do caos do período da ditadura, e o "estandarte" simboliza a superação desse estado.

08 – Qual o significado dos "paralelepípedos da velha cidade" se arrepiarem?

      Os paralelepípedos representam a história da cidade, e o fato de se arrepiarem simboliza a emoção e a memória dos eventos históricos que ali ocorreram.

09 – Como a música retrata a reação da "pátria-mãe" durante o período de opressão?

      A música retrata a "pátria-mãe" como distraída e sendo "subtraída em tenebrosas transações", ou seja, alheia aos acontecimentos e sofrendo com a corrupção e a repressão.

10 – Qual o sentimento predominante na música "Vai Passar"?

      O sentimento predominante é de esperança e celebração da liberdade, com a certeza de que o período sombrio será superado.

 

CONTO: INSÔNIA - GRACILIANO RAMOS - COM GABARITO

 Conto: Insônia

            Graciliano Ramos

        A mulher desapertava a roupa, despia-se cantando, e eu me conservava distante, encabulado, tentando desamarrar o cordão do sapato, que tinha dado um nó. Não podia descalçar-me e olhava estupidamente um despertador que trabalhava muito depressa. Os ponteiros avançavam e o laço do sapato não queria desatar-se.

        O professor explicava a lição comprida numa voz dura de matraca, falava como se mastigasse pedras.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgzmnlW7CN93KWUvY-WvoX9MA-BVTN35vT6k67HZrzIGuJTbwTdf3cfa2Tk_zD0Hu7zLczVdEQpKW635hlamDwxak4OWBtavoLok7HiolBll5fzPtni0zld68nXCSF3fx61i4I4Rs4dyhfnzjn81q2vprTOVLviKA4_ux16Nyh8GIxq_eU8tHWNVWYTqRg/s320/PROFE.jpg


        O político influente entregava-me a carta de recomendação. Eu, gaguejava um agradecimento difícil, atrapalhava-me por causa da datilógrafa bonita, descia a escada perseguido pelos óculos de um secretário e pelo tique-taque da máquina de escrever.

        Tudo se confunde. A rapariga que se despia, o professor, o político, misturam-se. A criança doente, os enfermeiros, os médicos, o homem dos esparadrapos, não se distinguem das árvores, dos telhados, do céu, das igrejas.

        Vou diluir-me, deixar a coberta, subir na poeira luminosa das réstias, perder-me nos gemidos, nos gritos, nas vozes longínquas, nas pancadas medonhas do relógio velho.

Graciliano Ramos. Insônia. São Paulo: Record, 1976.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 546.

Entendendo o conto:

01 – Qual é o tema central do conto "Insônia"?

      O conto explora a angústia e a confusão mental de um indivíduo que sofre de insônia, misturando realidade e delírio.

02 – Quais elementos da narrativa contribuem para a atmosfera de confusão e angústia?

      A mistura de cenas desconexas, a sensação de tempo acelerado (o despertador), a dificuldade em realizar ações simples (desamarrar o sapato) e a fusão de personagens e objetos contribuem para essa atmosfera.

03 – Como o protagonista se sente em relação às pessoas ao seu redor?

      O protagonista se sente distante e encabulado em relação à mulher, e intimidado e atrapalhado nas interações com o professor e o político.

04 – Qual é a relação do protagonista com o tempo no conto?

      O tempo parece acelerado e opressor para o protagonista, simbolizado pelo despertador que "trabalha muito depressa".

05 – O que a mistura de personagens e cenários representa no conto?

      A mistura de personagens e cenários representa a desintegração da realidade na mente do protagonista, um sintoma da insônia e da angústia que ele sente.

06 – Qual é o significado da frase "Vou diluir-me, deixar a coberta, subir na poeira luminosa das réstias, perder-me nos gemidos, nos gritos, nas vozes longínquas, nas pancadas medonhas do relógio velho"?

      Essa frase representa o desejo do protagonista de se libertar da angústia e da confusão, fundindo-se com o ambiente e perdendo a própria identidade.

07 – Como a linguagem de Graciliano Ramos contribui para a construção do conto?

      A linguagem concisa e precisa de Graciliano Ramos, com frases curtas e diretas, intensifica a sensação de angústia e confusão, transmitindo a experiência da insônia de forma vívida e impactante.

 

 

ARTIGO DE OPINIÃO: EXISTEM RECEITAS PARA FAZER UMA BOA DISSERTAÇÃO? PASCAL IDE - COM GABARITO

 ARTIGO DE OPINIÃO: Existem receitas para fazer uma boa dissertação?

           Pascal Ide

        Não existem receitas, mas apenas métodos. A diferença é capital: a receita é do padronizado, o método é do sob medida. Todos gostariam de “macetes” (supostamente infalíveis); ora, não há macetes.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHJQWGeWv1OL_1VzcT3t0vC2K4op4CDw8R0mp82_69UALMHCzXcYK5Jfrv2Z2QaXSqt-El-Zo4wpZZvFzrQ8PE2gyJl4b_SB0pg8vwMB_OVrxHR9KR6XV0LC8KtFufTmOJRr6DJMNonyjTlmaOIkQZuDZYA1D7GH6AhESHkWXmyvcGaQYLOQHEkPg2Wks/s320/redacao-dissertacao-vestibular.jpg


        O conselho mais importante é o seguinte: para avançar, o único meio é fazer o máximo possível de planos. Pratique. Se você está terminando o secundário, faça planos uma hora por semana. Estude também os do professor, mas jamais para aprendê-los de cor, seria cair outra vez na mania da receita. E cumpre reconhecer que o estresse do vestibular, a perspectiva do exame, faz aumentar a tentação. Mas ela não fortalece a inteligência, pois a receita jamais integra-se ao espírito: ela lhe é imposta de fora, não penetra, apenas veste o espírito.

        Não é lendo um manual de natação que se aprende a nadar, é mergulhando na piscina. O mesmo vale para a dissertação.

Pascal Ide. A arte de pensar. São Paulo: Martins Fontes, 1995. 

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 563.

Entendendo o texto:

01 – Qual a principal diferença entre "receitas" e "métodos" na elaboração de uma dissertação?

      Receitas são padronizadas e inflexíveis, enquanto métodos são personalizados e adaptáveis às necessidades individuais.

02 – Qual o conselho mais importante dado pelo autor para quem deseja aprimorar suas habilidades em dissertação?

      O autor enfatiza a importância de praticar a elaboração de planos, dedicando tempo regular a essa atividade.

03 – Por que o autor adverte contra a prática de decorar planos de dissertações, mesmo os de professores?

      Decorar planos leva à padronização e impede o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de adaptação, características essenciais para uma boa dissertação.

04 – Como o estresse do vestibular ou de outros exames pode influenciar a busca por "receitas" prontas?

      O estresse aumenta a tentação de buscar soluções rápidas e fáceis, como "macetes", mas essas soluções não contribuem para o desenvolvimento intelectual.

05 – Qual a analogia utilizada pelo autor para ilustrar a importância da prática na aprendizagem da dissertação?

      O autor compara a dissertação ao aprendizado da natação: assim como não se aprende a nadar apenas lendo um manual, não se aprende a dissertar apenas lendo sobre isso, é preciso praticar.

 

 

CONTO: A CHAVE DO TAMANHO - CAP. II - FRAGMENTO - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Conto: A chave do tamanho – Cap. II – Fragmento

           Monteiro Lobato

        [...]

        Ficou algum tempo deitada de costas, os braços estendidos, sem pensar em coisa nenhuma. Primeiro descansar; depois o resto. Ergueu os olhos para as chaves da parede. Não viu na parede chave nenhuma. "Que história é esta? Será que as chaves se evaporaram?" Firmando a vista, verificou que não. As chaves lá estavam, mas em ponto muitíssimo mais alto. A parede crescera tremendamente. Parecia não ter fim. Tudo aumentara dum modo prodigioso. E no chão viu uma coisa nova, que não existia antes; um pedestal atapetado de papel amarelo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjg5eMnLWZW-zuxTquhhuaBFRCcq9gmf0Zi24Lhe1AAVCyzmSBs4fJJ3CxCeWfb_yMYkEYtej9OhkJ664qCQ1ETKvgRDvH1zYnPvIL2uYKLCizvES_E1ziyJOYg-GVF2Cm2YuvXeIg92Ro_gCKLRjLGifvRQGIEeBQGRuKx9mwpDXlgLrruIloF2TNrvOQ/s320/a-chave-do-tamanho-edicao-de-luxo.jpg


        Emília achava-se deitada justamente sobre esse pedestal. Depois, olhando para o seu corpinho, verificou que estava nua.

        — Que história é esta? Eu, nua que nem minhoca, em cima deste pedestal amarelo cheio de riscos pretos, ao lado duma montanha de pano — e as chaves lá em cima — e tudo enormíssimo... Será que estou sonhando?

        Pôs-se a pensar com toda a força. Examinou o tapete do pedestal. Percebeu que os riscos eram letras e teve de ficar de pé para lê-las uma por uma. A primeira era um F; a segunda, um O; a terceira um S. Chegando à última, viu que formava a palavra FÓSFOROS. Em seguida vinha um D e um E, formando a palavra DE. E as últimas letras formavam a palavra SEGURANÇA. Tudo reunido dava a expressão FÓSFOROS DE SEGURANÇA.

        — Será possível? — exclamou Emília consigo mesma. — Será que estou em cima da maior caixa de fósforos que jamais houve no mundo? Mas se é assim, então cada pau de fósforo deve ser uma verdadeira vigota de pinho — e como a caixa estivesse aberta, espiou. Não viu lá dentro vigota nenhuma, sim uma espécie de areia grossa, da cor exata do superpó do Visconde.

        Nesse momento um raio de luz iluminou-lhe o cérebro.

        — Hum! Já sei. Isto é a caixa de fósforos que eu trouxe e está do tamanho que sempre foi. Eu é que diminuí. Fiquei pequeníssima; e, como estou pequeníssima, todas as coisas me parecem tremendamente grandes. Aconteceu-me o que às vezes acontecia a Alice no País das Maravilhas. Ora ficava enorme a ponto de não caber em casas, ora ficava do tamanho dum mosquito. Eu fiquei pequenininha. Por quê?

        [...]

Monteiro Lobato. A chave do tamanho. São Paulo: Círculo do Livro, 1989.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 541.

Entendendo o conto:

01 – Qual a primeira estranheza que Emília percebe ao acordar?

      Ao acordar, Emília percebe que as chaves que estavam na parede estão muito mais altas do que antes, como se a parede tivesse crescido.

02 – Que descoberta Emília faz sobre o local onde está deitada?

      Emília descobre que está deitada sobre um pedestal atapetado de papel amarelo, que na verdade é uma caixa de fósforos gigante.

03 – Qual a palavra que Emília forma ao ler as letras no pedestal?

      Emília forma a expressão "Fósforos de Segurança".

04 – Qual a conclusão que Emília chega sobre o tamanho das coisas ao seu redor?

      Emília conclui que não foram as coisas que aumentaram de tamanho, mas sim ela que diminuiu, ficando pequeníssima.

05 – A que personagem de outra obra famosa Emília se compara?

      Emília se compara a Alice, do livro "Alice no País das Maravilhas", que também vivenciava mudanças de tamanho.

06 – Como Emília se sente ao perceber que está nua?

      Emília se sente confusa e intrigada, questionando a situação inusitada em que se encontra.

07 – O que a leva a desvendar o mistério da caixa de fósforos gigante?

      A curiosidade e a observação atenta das letras no pedestal levam Emília a desvendar o mistério da caixa de fósforos gigante.

 


MITO: O BURACO NO CÉU - ANTON LUKESCH - COM GABARITO

 Mito: O buraco no céu

         Anton Lukesch

        Nos tempos antigos, muito antigos, os Caiapós moravam no Céu; lá, acima do teto do Céu, havia tudo que podiam desejar. Havia batata-doce, macaxeira, inhame, mandioca, milho, frutos de inajá, banana, caça de toda variedade e tartarugas da terra; lá havia para comer tudo o que se podia imaginar.

 
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijgmrzcDRfjPA9dfYpVlm65Q5kWdsLiCTwmHYEOE0jMRUDdGTbkv4414oqa_FfSHmebh2BgNzNjh30oH0ntnjA8T3YIMYluP9HIUiu_cptyt_1qwaDIMblN8IjGlVpbgN9wj5ouMjUHv0W_K-aTZDm2DC-jCo2wc6sSbTeIgjoosOUQDI9Q65TXWsE1X4/s320/CAIAPOS.jpg



        Certo dia, um guerreiro experiente, da classe dos Mebenget = me-be-nget, descobriu no mato a cova de um tatu. Como queria caçar o animal, começou a cavar; cavou, cavou o dia todo, até de noite, sem encontrar o tatu. Na manhã seguinte, bem cedo, foi para o mato, a fim de continuar a cavar. Cavou até de noite em vão. No quinto dia, quando já estava cavando bem fundo, de repente, viu o tatu-gigante. No entanto, em sua ânsia de cavar, furou a abóbada celeste. O tatu, então, despencou. Foi caindo, caindo, até chegar na Terra. O velho guerreiro acompanhou-o na queda; porém, quando estava caindo, um vento forte, de tempestade, o pegou e atirou de volta para cima. Desta maneira, retornou ao céu e, através do buraco na abóbada celeste, olhou a Terra embaixo. Lá distinguiu uma pequena floresta de buritis, um grande rio e campos imensos. E desse mundo distante começou a sentir enorme saudade, uma nostalgia infinita.

In Anton Lukesch. Mito e vida dos índios Caipós. São Paulo: Livraria Pioneira / Edusp, 1969.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 544.

Entendendo o mito:

01 – Onde os Caiapós moravam nos tempos antigos?

      Nos tempos antigos, os Caiapós moravam no Céu.

02 – O que havia em abundância no local onde os Caiapós moravam?

      Havia tudo que podiam desejar, incluindo batata-doce, macaxeira, inhame, mandioca, milho, frutos de inajá, banana, caça de toda variedade e tartarugas da terra.

03 – O que o guerreiro Mebenget descobriu no mato?

      O guerreiro Mebenget descobriu a cova de um tatu.

04 – O que aconteceu quando o guerreiro cavou fundo demais?

      Em sua ânsia de cavar, o guerreiro furou a abóbada celeste.

05 – O que aconteceu com o tatu após a abóbada celeste ser furada?

      O tatu despencou e caiu na Terra.

06 – O que o guerreiro viu através do buraco na abóbada celeste?

      O guerreiro viu uma pequena floresta de buritis, um grande rio e campos imensos.

07 – O que o guerreiro começou a sentir ao ver a Terra?

      O guerreiro começou a sentir uma enorme saudade, uma nostalgia infinita.