sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

POESIA: LIRA LXXXI - MARÍLIA DE DIRCEU - GONZAGA - COM GABARITO

 Poesia: Lira LXXXI – Marília de Dirceu

             Gonzaga

Nesta triste masmorra,

De um semivivo corpo sepultura,

Ainda, Marília, adoro a tua formosura.

Amor na minha ideia te retrata;

Busca, extremoso, que eu assim resista

À dor imensa, que me cerca e mata.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEing9UAsefvQBQauQXvNf2ckCSEZsLuQsGBJVRhUgtnn3FwY1btXipfWxDY-_UfuqGf3OYSPV15OdFop5_aEv87_w-RKf66ivXO1u1aLAc753ZCq38KXtRT8AM8Z04lio26xS0QMEfGu-DKJio_dihT3mQz-Zkqq8Nss3uyiwk-i41Nip6asnLwmsM_swA/s320/220px-Mar%C3%ADlia_de_Dirceo.jpg

Quando em meu mal pondero,

Então mais vivamente te diviso:

Vejo o teu rosto e escuto a tua voz e riso.

Movo ligeiro para o vulto os passos:

Eu beijo a tíbia luz em vez de face,

E aperto sobre o peito em vão os braços.

 

Conheço a ilusão minha;

A violência da mágoa não suporto;

Foge-me a vista e caio,

não sei se vivo ou morto.

Enternece-se Amor de estrago tanto;

Reclina-me no peito, e com mão terna

me limpa os olhos de salgado pranto.

 

Depois que represento

Por largo espaço a imagem de um defunto,

Movo os membros, suspiro,

E onde estou pergunto.

Conheço então que Amor me tem consigo;

Ergo a cabeça que ainda mal sustento,

E com doente voz assim lhe digo:

 

-- Se queres ser piedoso,

procura o sitio em que Marília mora,

Pinta-lhe o meu estrago,

e vê, Amor, se chora.

Se a lágrima verter a dor a arrasta,

Uma delas me traze sobre as penas,

E para alívio meu só isto basta.

Tomás Antônio Gonzaga. In: José Lino Grunewald. Os poetas da Inconfidência. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 111.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central da Lira LXXXI?

      A Lira LXXXI de Marília de Dirceu é um poema que expressa o sofrimento do poeta Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga) na prisão, e a saudade que sente de sua amada Marília. O tema central é a dor da ausência e a força do amor, mesmo em condições adversas.

02 – Qual é o contexto histórico da Lira?

      A Lira foi escrita durante o período em que Tomás Antônio Gonzaga estava preso, acusado de participar da Inconfidência Mineira. A prisão é retratada como uma "masmorra" que o separa de sua amada Marília.

03 – Como o poeta descreve a sua condição na prisão?

      O poeta se descreve como um "semivivo", um corpo sepultado em vida. A prisão é vista como um lugar de sofrimento físico e emocional, onde ele se sente isolado e desesperançoso.

04 – Qual é o papel de Marília no poema?

      Marília é a figura central do poema, representando o amor e a esperança para o poeta. Sua imagem é idealizada e lembrada com carinho, sendo uma fonte de consolo em meio à dor.

05 – Como o poeta lida com a dor da ausência de Marília?

      O poeta busca em sua memória as lembranças de Marília, como seu rosto, voz e riso. Essa idealização o ajuda a suportar a dor, mas também o leva a momentos de ilusão, nos quais ele tenta abraçar a imagem de sua amada.

06 – Qual é o significado do pedido final ao Amor?

      No final do poema, o poeta pede ao Amor que interceda por ele, mostrando a Marília o seu sofrimento. Ele espera que a compaixão de Marília possa trazer algum alívio para sua dor.

07 – Quais são as características estilísticas marcantes da Lira LXXXI?

      A Lira LXXXI é um exemplo típico da poesia árcade, com linguagem simples e direta, e temas como a natureza e o amor idealizado. O poema também apresenta elementos neoclássicos, como a busca pela razão e o equilíbrio formal.

 

SONETO: Ó RETRATO DA MORTE! Ó NOITE AMIGA - BOACAGE - COM GABARITO

 Soneto: Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga

             Bocage

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi4tbxpp36CvnKDbG6Y36EFT48BLHf8ZogcRnlEKD4XKJinVDoRfmKkTIoGGYH0RMtfYXXbABI_NWSoGDCvM3n0HU8fbPaXG6UT0l7dMvgb7Pv4uoF99N_kiV6SOmdzFHgi-Yos8we_mRrESEqZ-VUyJM9Y7Zef8wEA-k3VCW54RbWdeMwEGrqaBqKrE_w/s320/bOCAGE.jpg



Pois manda Amor que a ti somente os diga
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel que a delirar me obriga.

E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.

Bocage. Op. Cit. p. 39.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 99.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto "Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga"?

      O tema central do soneto é a busca por conforto e refúgio na escuridão da noite, personificada como amiga e confidente, em contraposição à dor e ao sofrimento causados por um amor não correspondido. O poeta expressa seu desejo de morte como alívio para suas angústias.

02 – Quem é a "cruel" mencionada no poema e qual o seu papel na experiência do eu lírico?

      A "cruel" mencionada no poema é a amada do eu lírico, que o faz delirar de amor e de dor. Ela é a causa de seu sofrimento e de seu desejo de encontrar conforto na noite e na morte.

03 – Qual é o significado da expressão "cortesãos da escuridade" no contexto do poema?

      Os "cortesãos da escuridade" são os fantasmas, mochos piadores e outros seres noturnos que habitam a escuridão. Eles são vistos como aliados do eu lírico em sua busca por consolo, pois compartilham de sua aversão à luz e de seu desejo de escuridão.

04 – O que o eu lírico busca ao clamar pela "medonha sociedade" dos seres noturnos?

      O eu lírico busca na companhia dos seres noturnos uma forma de lidar com seus próprios horrores internos. Ele deseja se entregar à escuridão e aos sentimentos sombrios que o atormentam, buscando uma catarse através da imersão no horror.

05 – Qual é a importância do soneto "Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga" na obra de Bocage?

      O soneto é importante por revelar a face mais melancólica e sombria da poesia de Bocage, que é frequentemente associado à sátira e à irreverência. Ele demonstra a profundidade de seus sentimentos e sua capacidade de expressar a dor e o sofrimento humanos com beleza e intensidade. Além disso, o poema antecipa elementos do Romantismo, como a valorização da noite, da melancolia e da morte como refúgios para a alma atormentada.

 

 

SONETO: LEIA A POSTERIDADE, Ó PÁTRIO RIO - CLÁUDIO MANUEL DA COSTA - COM GABARITO

 Soneto: Leia a posteridade, ó pátrio Rio

             Cláudio Manuel da Costa

Leia a posteridade, ó patrio Rio,
Em meus versos teu nome celebrado,
Porque vejas uma hora despertado
O somno vil do esquecimento frio:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfefNwM4_M9UYQ58CdSzT2VWUPLJHqf9yNP0C5ChO-1HuQy1fr295854GXF2mZ24TBd8rZj-DNS0-6Vh-ZFEShAlyTG3OLRq0S7ymPRj1i2yRK5_dv5mJw5DL4s9eiDJNR-mNP62lk1xSXzNZRauhWtSW_6kvjFGMqp0Y8CahnKsbiLBP2_Xej_E_WsBQ/s1280/PATRIO.jpg

 



Não vês nas tuas margens o sombrio,
Fresco assento de um álamo copado;
Não vês Ninfa cantar, pastar o gado
Na tarde clara do calmoso estio.

Turvo banhando as pallidas arêas
Nas porções do riquissimo thezouro
O vasto campo da ambição recrêas.

Que de seus raios o Planeta louro,
Enriquecendo o influxo em tuas vêas,
Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.

In: Sérgio Buarque de Holanda. Antologia dos poetas brasileiros coloniais. São Paulo, Perspectiva, 1979.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 108.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto "Leia a posteridade, ó pátrio Rio"?

      O tema central do soneto é a busca pela imortalidade através da poesia. O poeta deseja que seu nome e o do rio sejam lembrados pelas futuras gerações, perpetuados nos versos que ele escreve.

02 – Que elementos da natureza são mencionados no soneto e qual o seu significado?

      O soneto menciona o rio, o álamo, a ninfa e o gado. Esses elementos representam a natureza idealizada do Arcadismo, um cenário bucólico e harmonioso que contrasta com a realidade da ambição e da exploração.

03 – Qual é a crítica presente no soneto em relação à ambição humana?

      O poeta critica a ambição humana, que transforma o rio e suas margens em um "vasto campo" de exploração em busca de riquezas. Essa ambição é contrastada com a beleza e a simplicidade da natureza, que é desfigurada pela ação do homem.

04 – O que significa a expressão "Quanto em chamas fecunda, brota em ouro"?

      Essa expressão refere-se à exploração do ouro, que transforma a terra em "chamas" (metáfora para a atividade de mineração) e, em seguida, produz o metal precioso. Ela representa a busca desenfreada por riquezas, que pode ser destrutiva para a natureza.

05 – Qual é a importância do soneto "Leia a posteridade, ó pátrio Rio" na obra de Cláudio Manuel da Costa?

      O soneto é importante por expressar a visão do poeta sobre a natureza, a ambição humana e a busca pela imortalidade. Ele revela a influência do Arcadismo na obra de Cláudio Manuel da Costa, com sua idealização da natureza e sua crítica à exploração desenfreada. Além disso, o soneto demonstra a habilidade do poeta em utilizar a forma do soneto para expressar seus sentimentos e reflexões de forma concisa e expressiva.

 

 

MANIFESTO: ANTROPÓFAGO - FRAGMENTO - OSWALD DE ANDRADE - COM GABARITO

 MANIFESTO: ANTROPÓFAGO – Fragmento

                       Oswald de Andrade

        Só a ANTROPOFAGIA nos une. Socialmente. Economicamente.

        Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

        Tupi, or not tupi that is the question. [...]

        Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. [...]

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiwYxKXIwQDLuwa6LkFjXRPNRcb52fQ1zdiXGn0P-ppRgIbTnUQj6TVvlI3ys8lKZh44G1jd27bvKVeXCtmh_k-dZ7EnLHQgZpXQ9N01c3zP1SCjVGLqCdqyuV3rj74W3adsQPdXwXpd7OrqRPMulg4_iFabAd6P1Bj3GAJ7auX5-wIZSocFeJtXXDpx3Q/s320/OSWALD.jpg


        Queremos a Revolução Caraíba. Maior que a revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

        A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

        [...]

        Nunca fomos catequizados. Fizemos foi o Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

        [...]

        Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade. [...]

        [...]. A alegria é a prova dos nove.

        No matriarcado de Pindorama. [...]

        [...]

        Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema. [...]

        A nossa independência ainda não foi proclamada. [...]

        Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

In: Gilberto Mendonça Teles. Op. Cit. p. 293, 294, 296, 298, 299 e 300.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 255.

Entendendo o manifesto:

01 – Qual é a ideia central do Manifesto Antropófago?

      A ideia central do manifesto é a proposta de uma cultura brasileira original e forte, que, em vez de copiar modelos estrangeiros, os "devora" e transforma, criando algo novo e genuinamente nacional. Essa "devoração" é a antropofagia, uma metáfora para a assimilação crítica e criativa de influências externas.

02 – O que significa a frase "Tupi, or not tupi: that is the question"?

      Essa frase é uma paródia da famosa fala de Hamlet ("To be or not to be: that is the question") e representa a busca por uma identidade brasileira autêntica, baseada nas raízes indígenas e na cultura local, em vez de seguir modelos europeus.

03 – Qual é a crítica do manifesto aos "importadores de consciência enlatada"?

      O manifesto critica a importação acrítica de ideias e modelos culturais estrangeiros, que sufocam a criatividade e a originalidade brasileiras. Oswald de Andrade defende a valorização da "existência palpável da vida" brasileira, com suas particularidades e riquezas.

04 – O que é a "Revolução Caraíba" defendida no manifesto?

      A "Revolução Caraíba" é uma metáfora para a transformação radical da cultura brasileira, inspirada nas revoltas indígenas e na força da cultura local. Oswald de Andrade a considera maior que a Revolução Francesa, pois busca a "unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem".

05 – Qual é a visão do manifesto sobre o passado do Brasil?

      O manifesto idealiza o passado do Brasil, especialmente o período pré-colonial, como uma época de felicidade e liberdade, antes da chegada dos portugueses e da imposição da cultura europeia. Oswald de Andrade valoriza a cultura indígena e o "matriarcado de Pindorama".

06 – Qual é a crítica do manifesto à catequização e à cultura europeia?

      O manifesto critica a catequização e a imposição da cultura europeia, que teriam sufocado a cultura indígena e a originalidade brasileira. Oswald de Andrade critica figuras como Anchieta e a idealização da cultura portuguesa nas obras de Alencar.

07 – Qual é a proposta do manifesto para a independência do Brasil?

      O manifesto defende que a independência do Brasil ainda não foi totalmente alcançada, pois o país ainda está preso a modelos culturais estrangeiros. Oswald de Andrade propõe uma "independência antropofágica", que consiste em "devorar" e transformar as influências externas, criando uma cultura brasileira autêntica e original.

 

ROMANCE: XXI OU DAS IDEIAS - (FRAGMENTO) - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

 Romance: XXI ou das ideias – Fragmento

                 Cecília Meireles

A vastidão desses campos.

A alta muralha das serras.

As lavras inchadas de ouro.

Os diamantes entre as pedras.

Negros, índios e mulatos.

Almocrafes e gamelas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhq8eS3JolaYLyB2UIEsQV2fGi23PrHur61FvD6muofjYjFLqihGAvpXHOHOXWaESUT5VLCrBQsB52PK-HEJHJ0AHuEnrQs7GNT6NqH3inoO2Ab35Py8fre5kQLA99gUXfbRwUdtHLyOMczTTNf_znLYes3dEbAh5ZJct_aqqVl3_fFapl_G3h7KwiEis0/s1600/Meireless.jpg


 

Os rios todos virados.

Toda revirada, a terra.

Capitães, governadores,

padres intendentes, poetas.

Carros, liteiras douradas,

cavalos de crina aberta.

A água a transbordar das fontes.

Altares cheios de velas.

Cavalhadas. Luminárias.

Sinos, procissões, promessas.

Anjos e santos nascendo

em mãos de gangrena e lepra.

Finas músicas broslando

as alfaias das capelas.

Todos os sonhos barrocos

deslizando pelas pedras.

Pátios de seixos. Escadas.

Boticas. Pontes. Conversas.

Gente que chega e que passa.

E as ideias.

[...]

Poesia completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1994.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 283-284.

Entendendo o romance:

01 – Qual é o tema central do poema?

      O poema retrata um panorama do Brasil colonial, com ênfase na riqueza da terra, na exploração do trabalho e na exuberância da cultura barroca.

02 – Que elementos do Brasil colonial são destacados no poema?

      O poema destaca a vastidão do território, a riqueza mineral (ouro e diamantes), a presença de diferentes grupos étnicos (negros, índios e mulatos), as atividades econômicas (lavras, almocrafes e gamelas), a presença da Igreja (padres, altares, procissões) e a arte barroca (músicas, alfaias, sonhos barrocos).

03 – Qual é o significado da expressão "as ideias" no final do poema?

      A expressão "as ideias" sugere a chegada de novas concepções e pensamentos que contrastam com o mundo colonial descrito anteriormente. Pode representar o Iluminismo, as ideias de liberdade e igualdade, ou simplesmente a mudança e a evolução do tempo.

04 – Como a autora descreve a exploração do trabalho no período colonial?

      A autora menciona a presença de "negros, índios e mulatos", "almocrafes e gamelas", sugerindo a exploração do trabalho dessas populações na extração de riquezas minerais e em outras atividades.

05 – Qual é a importância da cultura barroca no poema?

      A cultura barroca é retratada como exuberante e presente em diversos aspectos da vida colonial, como na música, na arte sacra e nas festas religiosas. Ela representa a riqueza e o esplendor da época.

06 – Que contraste é apresentado no poema?

      O poema apresenta um contraste entre a riqueza material e a exploração do trabalho, a beleza da arte e a presença de sofrimento ("mãos de gangrena e lepra"), a grandiosidade das construções e a simplicidade da vida cotidiana.

07 – O que a autora quis transmitir ao leitor com esse poema?

      Cecília Meireles, ao descrever o Brasil colonial, possivelmente quis levar o leitor a refletir sobre a complexidade da formação do país, com suas riquezas e contradições, além de apresentar um panorama histórico e cultural rico em detalhes.

POEMA: FELIZA - BOCAGE - COM GABARITO

 Poema: Feliza

             Bocage

Chamam-te gosto, Amor, chamam-te amigo

Da Natureza, que por ti se inflama;

Dizem que és dos mortais suave abrigo;

Que enjoa, e pesa a vida a quem não ama:

Mas com dura experiência eu contradigo

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiZ0eRft3IIPR8W1T2JUuy4ukkGubOifVdMoxhOFO_vGnlOmNr6ntzaR9Cb6-e1uho4K83dGpAZVljPfuVF8yGp8TnGQ27b1d2AfZyR7dzCuhwS0khphFrAQKVzR5CPGZRzkWCc4sNtZdhyCQIcbiq1Rg4fJINRhpsMwhfJgsiiJuos26cqUjB7K3Ve7IA/s320/BOCAGE.jpg


A falsa opinião, que um bem te chama:

Tu não és gosto, Amor, tu és tormento.

Une teus sons, ó lira, ao meu lamento.

 

Feliza de Sileu! Quem tal pensara

Daquela, entre as pastoras mais formosa

Que a vermelha papoila entre a seara,

Que entre as boninas a corada rosa!

Feliza por Sileu me desampara!

Oh céus! Um monstro seus carinhos goza;

Ânsia cruel me esfalfa o sofrimento.

Une teus sons, ó lira, ao meu lamento.

 

Ingrata, que prestígio te alucina?

Que mágica ilusão te está cegando?

Que fado inevitável te domina,

Teu luminoso espírito apagando?

O vil Sileu não põe na sanfonina

Jeitosa mão, nem pinta em verso brando

Ondadas tranças, que bafeja o vento.

Une teus sons, ó lira, ao meu lamento.

BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. Obras de Bocage. Porto: Lello & Irmão, 1968, p. 685-686.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 102.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema central do poema "Feliza" de Bocage?

      O tema central do poema é o sofrimento do eu lírico devido ao amor não correspondido por Feliza, que o trocou por Sileu. O poema expressa a dor, o ciúme e a frustração do poeta diante da rejeição.

02 – Quem é Feliza e qual o seu papel no poema?

      Feliza é a mulher amada pelo eu lírico, que o abandona para ficar com Sileu. Ela é idealizada como a mais bela entre as pastoras, mas sua escolha causa grande sofrimento ao poeta, que a considera ingrata e alucinada.

03 – Quem é Sileu e qual a sua importância no contexto do poema?

      Sileu é o rival do eu lírico, o homem que conquista o amor de Feliza. Ele é apresentado como alguém que não possui os mesmos atributos poéticos e artísticos do poeta, o que aumenta a frustração e o ciúme do eu lírico.

04 – Qual é o significado da expressão "Une teus sons, ó lira, ao meu lamento"?

      Essa expressão é um apelo à lira, instrumento musical associado à poesia, para que acompanhe o lamento do eu lírico. Ela representa a busca por consolo e expressão para a dor do poeta através da música e da poesia.

05 – Que tipo de linguagem Bocage utiliza no poema "Feliza"?

      Bocage utiliza uma linguagem expressiva e emotiva, com adjetivos que intensificam a dor e o sofrimento do eu lírico. Ele também emprega comparações e metáforas para descrever a beleza de Feliza e a sua decepção amorosa.

06 – Qual é a importância do poema "Feliza" na obra de Bocage?

      O poema "Feliza" é importante por revelar um lado mais pessoal e sentimental de Bocage, que é frequentemente associado à poesia satírica e erótica. Ele mostra sua habilidade em expressar emoções profundas e complexas, como a dor do amor não correspondido.

07 – Que elementos do Arcadismo estão presentes no poema "Feliza"?

      O poema "Feliza" apresenta elementos típicos do Arcadismo, como a idealização da natureza e da figura feminina, a presença de personagens pastoris (Feliza e Sileu), a referência à lira como instrumento poético e a expressão de sentimentos amorosos de forma idealizada e retórica.

SONETO: MAGRO, DE OLHOS AZUIS, CARÃO MORENO - BOCAGE - COM GABARITO

 Soneto: Magro, de olhos azuis, carão moreno

             Bocage

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyjfNhe_hyJTZheMziKTj0_Hp2mXDdEcco7bzdNSQcZjiytyUdwVf17a_SRFQ1D4Jz8vbVOQGgrdysM6rC4fx_Ve_1fJGfofnDXvVMPEAy4MyEr4vi8KXQ9RaYPiuzG_SYlN6ejOgTIgRHrp3KcPGwxAOXFPH62jZh9S6CdIbgIePu1JoG6iWpcUUSQ9k/s1600/BOCAGE.jpg



Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades;

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Bocage. Op. Cit. p. 63-33.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 103-104.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto "Magro, de olhos azuis, carão moreno"?

      O tema central do soneto é o auto-retrato de Bocage, tanto físico quanto psicológico. O poeta descreve a si mesmo com sinceridade, revelando seus traços físicos, seu temperamento e suas características de personalidade.

02 – Quais são as características físicas e de personalidade que Bocage destaca em seu auto-retrato?

      Fisicamente, Bocage se descreve como magro, de olhos azuis, pele morena, de estatura mediana e com um nariz proeminente. Em relação à sua personalidade, ele se mostra como alguém de temperamento instável, propenso à ira, mas também capaz de ternura. Além disso, revela-se um "devoto incensador de mil deidades", ou seja, um homem que se apaixona facilmente e que tem uma vida amorosa agitada.

03 – O que significa a expressão "Bebendo em níveas mãos por taça escura, / De zelos infernais letal veneno"?

      Essa expressão é uma metáfora para os relacionamentos amorosos de Bocage. As "níveas mãos" representam as mulheres por quem ele se apaixona, enquanto a "taça escura" simboliza o amor, que pode trazer tanto prazer quanto sofrimento. O "letal veneno" dos "zelos infernais" refere-se ao ciúme, sentimento que o atormenta em suas relações amorosas.

04 – Qual é o tom geral do soneto e como Bocage se auto-intitula?

      O tom geral do soneto é de confissão e auto-depreciação. Bocage não se idealiza, mas se mostra como um homem com qualidades e defeitos. Ao final do soneto, ele se auto-intitula "Eis Bocage, em quem luz algum talento", reconhecendo sua habilidade poética, mas também admitindo suas falhas e contradições.

05 – Qual é a importância do soneto "Magro, de olhos azuis, carão moreno" para a obra de Bocage?

      O soneto é importante por nos fornecer um retrato íntimo e revelador de Bocage, permitindo-nos conhecer seus traços físicos, psicológicos e de personalidade. Além disso, ele demonstra a habilidade do poeta em utilizar a forma do soneto para expressar seus sentimentos e reflexões de forma concisa e expressiva. O soneto é um exemplo da poesia lírica de Bocage, que se distingue de sua produção satírica e erótica, revelando um lado mais pessoal e introspectivo do poeta.

 

 

POESIA COMPLETA: PREFÁCIO INTERESSANTÍSSIMO - (FRAGMENTO) - MÁRIO DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poesia completa: Prefácio Interessantíssimo – Fragmento

            Mário de Andrade

        Leitor: 

        Está fundado o Desvairismo.

        Este prefácio, apesar de interessante, inútil.

        Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Para quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão o prazer em descobrir minhas conclusões, confrontando obra e dados. Para que me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimh0havcPt_OIGG3ot_DdG5AihJ7IiGLq4b4TKlDuL2YhSCyVSgHtdmm-HyMac4_X6ImATuHsA_D4h_owvqFUSjNE9bee3EP0uw12uu4GoXEMfgdho8xIYqmdVf_NnTYXnCiMoqCnBO3mrNggd6JXrJOrfRkOurwBE5LPrKd8HmE1SbYb_v9oZpqTy6l8/s320/DESVAIRISMO.jpg


        [...]
 
        Aliás muito difícil nesta prosa saber onde termina a blague, onde principia a seriedade. Nem eu sei.

        E desculpem-me por estar tão atrasado dos movimentos artísticos atuais. Sou passadista, confesso. Ninguém pode se libertar duma só vez das teorias-avós que bebeu; e o autor deste livro seria hipócrita si pretendesse representar orientação moderna que ainda não compreende bem.

        Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contacto com o futurismo. [...]

        Um pouco de teoria?

        Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada.

        A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer impecilho a perturba e mesmo emudece. Arte, que, somada a Lirismo, dá Poesia, não consiste em prejudicar a doida carreira do estado lírico para avisa-lo das pedras e cercas de arame do caminho. Deixe que tropece, caia e se fira. Arte é mondar mais tarde o poema de repetições fastientas, de sentimentalidades românticas, de pormenores inúteis ou inexpressivos.

        [...]

        Belo da arte: arbitrário, convencional, transitório – questão de moda. Belo da natureza: imutável, objetivo, natural – tem a eternidade que a natureza tiver. [...]

        Sei construir teorias engenhosas. Quer ver? A poética está muito mais atrasada que a música. Esta abandonou, talvez mesmo antes do século 8, o regime da melodia quando muito oitava, para enriquecer-se com os infinitos recursos da harmonia.

        A poética, com rara exceção até meados do século 19 francês, foi essencialmente melódica. Chamo de verso melódico o mesmo que a melodia musical: arabesco horizontal de vozes (sons) consecutivas, contendo pensamento inteligível.

        Ora, si em vez de unicamente usar versos melódicos horizontais:

        [...] fizemos que se sigam palavras sem ligação imediata entre si: estas palavras, pelo fato mesmo de não seguirem intelectual, gramaticalmente, se sobrepõem umas às outras, para nossa sensação, formando, não mais melodias, mas harmonias.

        Explico melhor:

        Harmonia: combinação de sons simultâneos.

        Exemplo:

        "Arroubos... Lutas... Setas... Cantigas... Povoar!..."

        Estas palavras não se ligam. [...]. Cada uma é fase, período elíptico, reduzido ao mínimo telegráfico.

        [...] Assim: em vez de melodia (frase gramatical) temos acorde arpejado, harmonia, – o verso harmônico. Mas, si em vez de usar só palavras soltas, uso frases soltas: mesma sensação de superposição, não já de palavras (notas) mas de frases (melodias). Portanto: polifonia poética. Assim, em "Paulicéia Desvairada" usam-se o verso melódico:

        "São Paulo é um palco de bailado russos"; o verso harmônico:

        "A cainçalha... A Bolsa... As jogatinas..." e a polifonia poética (um e às vezes dois e mesmo mais versos consecutivos):

        "A engrenagem trepida... Abruma neva..."

        Que tal? [...]

        Pronomes? Escrevo brasileiro. Si uso ortografia portuguesa é porque, não alterando o resultado, dá-me uma ortografia.

        [...]

        E está acabada a escola poética "Desvairismo".

        Próximo livro fundarei outra.

        E não quero discípulos. Em arte: escola = imbecilidade de muitos para vaidade dum só.

        [...]

Poesias completas. Ed. crítica de Diléa Zanotto Manfio. Belo Horizonte: Itatiaia. São Paulo, EDUSP, 1987.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 252-253.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é a principal característica do prefácio segundo o autor?

      O autor considera o prefácio "interessante, inútil". Interessante por conter dados e reflexões sobre sua poética, mas inútil pois ele acredita que quem o aceita não precisa de explicações e quem o rejeita não o aceitará mesmo com explicações.

02 – Qual a dificuldade que o autor aponta na prosa do prefácio?

      Mário de Andrade aponta a dificuldade em distinguir onde termina a "blague" (brincadeira) e onde começa a seriedade em sua escrita. Ele afirma que nem ele mesmo sabe.

03 – Como o autor se define em relação aos movimentos artísticos contemporâneos?

      O autor se confessa "passadista", admitindo que não consegue se libertar completamente das teorias artísticas que aprendeu no passado. Ele expressa dificuldade em compreender totalmente as orientações modernas e se distancia do Futurismo de Marinetti, apesar de reconhecer alguns pontos de contato.

04 – Qual a teoria poética defendida pelo autor?

      O autor acredita que o lirismo nasce no subconsciente e, após ser trabalhado pelo pensamento, cria frases que são versos completos. Ele defende que a arte não deve interferir no processo criativo inicial, mas sim trabalhar o poema posteriormente, eliminando repetições, sentimentalismos e detalhes desnecessários.

05 – Qual a distinção feita entre o belo da arte e o belo da natureza?

      O autor diferencia o belo da arte como arbitrário, convencional e transitório (questão de moda), enquanto o belo da natureza é imutável, objetivo e natural, possuindo a eternidade que a própria natureza tem.

06 – Que comparação o autor faz entre a poética e a música?

      O autor compara o desenvolvimento da música com o da poética. Enquanto a música evoluiu para a harmonia, a poética, segundo ele, permaneceu essencialmente melódica até meados do século XIX, com raras exceções.

07 – O que o autor chama de "verso melódico" e "verso harmônico"?

      O verso melódico é comparado à melodia musical, um arabesco horizontal de sons (palavras) consecutivas com pensamento inteligível. O verso harmônico, por sua vez, é a combinação de palavras sem ligação imediata, que se sobrepõem umas às outras, formando harmonias em vez de melodias.

08 – O que é a "polifonia poética" para o autor?

      A polifonia poética é a sobreposição não apenas de palavras (como no verso harmônico), mas de frases inteiras (melodias), criando uma sensação de simultaneidade e complexidade.

09 – Qual a justificativa do autor para usar "ortografia portuguesa"?

      O autor justifica o uso da ortografia portuguesa por considerar que ela não altera o resultado final de sua escrita, proporcionando-lhe uma ortografia estabelecida.

10 – O que o autor declara sobre a escola poética "Desvairismo"?

      O autor declara que o "Desvairismo" está acabado e que pretende fundar outra escola poética em seu próximo livro. Ele expressa sua aversão a discípulos, afirmando que em arte, escola é a imbecilidade de muitos para a vaidade de um só.