domingo, 16 de fevereiro de 2025

ROMANCE: O CORTIÇO, CAP. III - (FRAGMENTO) - ALUÍSIO AZEVEDO - COM GABARITO

 Romance: O cortiço, cap. III – Fragmento

                 Aluísio Azevedo

        Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.

        Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da ultima guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgpmMydBYgPTlsIGHCFhIhoDgY0UR_4FLAs6htR9Gxpsg5PnhojdFffpg8DyFootAPVNEicrjRytUOWefhMsD7kJDgrvVFQ_QWCKhPRMB28LCNx8P7Uu5PGA5V51HMn1JkdC9w-Js0aTLVqZU6ZtBgT-HQHGKU0uDSw22trkCfqLuvoa8H67W48Ea4tcmA/s1600/CORTI%C3%87O.jpg


        A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas.

        Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saiam mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz nova do dia.

        Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas.

        O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e resingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sangüínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.

        [...]

9. ed. São Paulo: Ática, 1970. p. 28-29.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, Vol. Único. William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. Ensino Médio, 1ª ed. 4ª reimpressão – São Paulo: ed. Atual, 2003. p. 255.

Entendendo o romance:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

     - De uma assentada: de uma só vez.

     - Altercar: discutir com ardor.

     - Latrina: recinto da casa com vaso sanitário ou escavação para receber dejetos.

     - Indolência: preguiça.

     - Coradouro: o mesmo que quaradouro; lugar onde se põe a roupa para corar ou quarar.

     - Ensarilhar: emaranhar. Enredar.

     - Rezinga: discussão, rixa.

     - Fartum: mau cheiro.

02 – Qual é o principal foco do fragmento do Capítulo III de "O Cortiço"?

      O foco principal do fragmento é a descrição do despertar do cortiço e da vida de seus moradores. Aluísio Azevedo retrata o cotidiano do local, desde o momento em que os primeiros raios de sol surgem até o início das atividades diárias. O cortiço é apresentado como um organismo vivo, com suas próprias características e ritmos.

03 – Que elementos sensoriais são destacados na descrição do cortiço?

      O autor explora diversos elementos sensoriais para descrever o ambiente do cortiço. São mencionados os cheiros de café, sabão e umidade, os sons de vozes, risos, cantos de animais e o tilintar de xícaras. A descrição também inclui detalhes visuais, como a roupa lavada nos coradouros, as pedras do chão e a nudez dos corpos.

04 – Como Aluísio Azevedo caracteriza os moradores do cortiço?

      Os moradores do cortiço são apresentados como pessoas simples e trabalhadoras, que compartilham um espaço comum e uma rotina coletiva. Há uma diversidade de tipos humanos, desde os mais jovens até os mais velhos, e cada um contribui para a atmosfera vibrante e dinâmica do local.

05 – Qual é a importância da água na descrição do cortiço?

      A água é um elemento central na descrição do cortiço, presente na roupa lavada, nas bicas onde os moradores se lavam e no chão que se inunda. A água simboliza a vida que pulsa no cortiço, a energia e a força da natureza que se manifestam naquele ambiente.

06 – Como o autor descreve o crescimento do "rumor" no cortiço?

      O autor descreve o crescimento do "rumor" no cortiço como um processo gradual e contínuo. No início, são apenas vozes isoladas, risos e cantos de animais. Com o passar do tempo, esses sons se intensificam e se misturam, formando um ruído compacto que envolve todo o cortiço.

07 – Qual é o significado da expressão "gula viçosa de plantas rasteiras" no contexto do fragmento?

      A expressão "gula viçosa de plantas rasteiras" é utilizada para descrever a energia e a vitalidade dos moradores do cortiço. As plantas rasteiras, que se alimentam da "lama preta e nutriente da vida", simbolizam a força e a persistência do povo, que busca sobreviver e prosperar em meio às dificuldades.

08 – Que aspectos da sociedade brasileira são retratados no fragmento de "O Cortiço"?

      O fragmento de "O Cortiço" retrata diversos aspectos da sociedade brasileira do século XIX, como a pobreza, a desigualdade social, a vida em comunidade e a influência da natureza. O cortiço, com sua diversidade de personagens e costumes, representa um microcosmo da sociedade, onde se manifestam as contradições e os desafios da época.

 

 

POEMA: BICHO ENCANTADO - JORGE DE LIMA - COM GABARITO

 Poema: Bicho encantado

             Jorge de Lima

Este bicho é encantado:

não tem barriga,

não tem tripas,

não tem bofes,

não é maribondo,

não é mangangá,

não é caranguejeira.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjTUEOFwOK__slhWtHFm0LcmOLzMtGO9sxGrLRvd9oZtnNW4cufmm5Kk0IwvR0AV1wg597VtU_y7XLqVHVZsI2BpcyV0_nKXNUdLGD7bzrGu_CH7rDpbYgIOCzK5qEvUmWGVDRc3EwngmFq5wnovTbY1U54PPTxp4H74ktOsFHQX-WDq5M_q4o9z4K-UP8/s320/ESTRELA.jpg


Que é que é Janjão?

 

É a Estrela-do-mar que quer me levar.

 

Só tem olhos,

só tem sombra.

Babau!

Não é jimbo,

não é muçum,

não é sariema.

Que é que é Janjão?

 

É a Estrela-do-mar que quer me afogar.

 

Esse bicho é encantado:

não quer de-comer,

não quer munguzá,

não quer caruru,

não quer quigombô.

Só quer te comer.

Que é que é Janjão?

 

É a Estrela-do-mar que quer me esconder.

 

Babau!

Fonte: "Novos poemas; Poemas escolhidos; Poemas negros", Editora Lacerda, 1997.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o mistério central apresentado no poema "Bicho Encantado"?

      O poema gira em torno da pergunta "Que é que é Janjão?". O leitor é convidado a decifrar a identidade desse bicho misterioso que possui características incomuns e aparentemente assustadoras.

02 – Que características do "bicho encantado" são apresentadas no poema?

      O poema descreve o "bicho encantado" como algo que não tem órgãos internos ("não tem barriga, não tem tripas, não tem bofes"), não é um inseto conhecido ("não é maribondo, não é mangangá, não é caranguejeira"), possui apenas olhos e sombra, não se alimenta como outros animais ("não quer de-comer, não quer mungunzá, não quer caruru, não quer quigombô") e tem a intenção de "comer", "levar", "afogar" ou "esconder" o eu lírico.

03 – Qual é a resposta para o enigma "Que é que é Janjão?" revelada no poema?

      A resposta para o enigma é revelada nos versos "É a Estrela-do-mar que quer me levar", "É a Estrela-do-mar que quer me afogar" e "É a Estrela-do-mar que quer me esconder". Janjão é, portanto, uma personificação da estrela-do-mar, um ser que habita o oceano e que representa um perigo para o eu lírico.

04 – Qual é o tom geral do poema "Bicho Encantado"?

      O poema apresenta um tom de mistério, suspense e até mesmo de certo medo. A repetição da pergunta "Que é que é Janjão?" e a descrição do bicho como algo que "quer me comer" criam uma atmosfera de apreensão e alerta.

05 – Qual é a importância do poema "Bicho Encantado" de Jorge de Lima para a literatura brasileira?

      O poema "Bicho Encantado" é importante por sua linguagem lúdica e criativa, por sua capacidade de despertar a curiosidade do leitor e por sua forma inovadora de abordar um tema aparentemente simples, como a natureza. Jorge de Lima utiliza elementos da cultura popular e da linguagem infantil para criar um poema original e expressivo.

 

POEMA: A UM POETA - ANTERO DE QUENTAL - COM GABARITO

 Poema: A um poeta

           Antero de Quental

Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiD7DZIgr7gArQcqbcUqJIrchzTQaleM-4P_9bhRySe_Xi8OQjD4Cww6qwblsaYVYloSHPcpdQ76n59uFyMiWZmJQo4pvYD87NVkYxO2NwJ1elmJuiw01GnncqUkOZz8eVhTkvym7PLr6nYJFdG-CCVtZUi__4Ff9MSOTvBNQEw4ICoLKTn322XLGPZIN8/s1600/SOL.jpg



Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! É a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! São canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!

Fonte: Livro – Português: Linguagens, Vol. Único. William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. Ensino Médio, 1ª ed. 4ª reimpressão – São Paulo: ed. Atual, 2003. p. 246.

Entendendo o poema:

01 – De acordo com o poema, qual o significado das palavras abaixo:

·        Cedros: árvores de grande porte.

·        Levita: sacerdote da antiga Jerusalém.

02 – Qual é o tema central do poema "A um Poeta"?

      O tema central do poema é o papel do poeta na sociedade. Antero de Quental convoca o poeta a despertar do seu sono e a assumir uma postura ativa, engajando-se na luta social e utilizando sua arte como arma de combate em prol de um "mundo novo".

03 – Qual é o significado da metáfora do "espírito sereno" que dorme "à sombra dos cedros seculares"?

      Essa metáfora representa o poeta alienado da realidade, que se refugia em um mundo de conforto e contemplação, distante dos problemas e das injustiças sociais. O "espírito sereno" simboliza a passividade e a falta de compromisso do poeta com a transformação da sociedade.

04 – Por que o poeta é chamado de "soldado do Futuro"?

      O poeta é chamado de "soldado do Futuro" porque ele é visto como um agente de mudança, capaz de inspirar e mobilizar as pessoas na luta por um futuro melhor. Sua arma não é a espada, mas sim a palavra, a poesia, que tem o poder de despertar consciências e transformar a realidade.

05 – Qual é o significado da expressão "faze espada de combate" no último verso do poema?

       Essa expressão significa que o poeta deve transformar seus sonhos e ideais em ação, utilizando sua arte como instrumento de luta contra a opressão e a injustiça. A "espada de combate" representa o poder da palavra para denunciar, mobilizar e transformar a sociedade.

06 – Qual é a mensagem principal que Antero de Quental transmite no poema "A um Poeta"?

      A mensagem principal do poema é que o poeta não pode se alienar da realidade social, mas sim assumir um papel ativo na luta por um mundo mais justo e igualitário. Ele deve despertar do seu sono, abandonar a passividade e utilizar sua arte como arma de combate em prol da transformação social.

 

 

 

POEMA: QUICHIMBI SEREIA NEGRA - JORGE DE LIMA - COM GABARITO

 Poema: Quichimbi Sereia Negra

              Jorge de Lima

Quichimbi sereia negra
bonita como os amores
que tem partes de chigonga
não tem cabelos no corpo,
é lisa que nem muçum,
é ligeira que nem buru
não tem matungo e é donzela,
ao mesmo tempo pariu
jurará sem urucaia.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiB2Kr16xyVR4_bsGOGQw42uuWzgrGhBm8uAQ_xs3T3SXfKQbEfUcC0W_4wm8XjJns21pQFRALUh2W7Wm0nQ7P3y1H972KyYfCWIxYaTdtYn6z8fffIJKdbin8kwQ5Z__OnYyd9W52ujsRhsyeKJtsC5TYp5vkkEvSS1K10hw0RCByHBM2vKp7PIRqAOmY/s320/SEREIA.png


Quichimbi vive nas ondas
coberta de espuma branca,
dormindo com o boto azul,
conservando a virgindade
tão difícil de sofrer.
Quichimbi segue nas ondas
dez mil anos caminhando,
dez mil anos assistindo
as terras mudar de dono,
o mar servindo de escravo
ao homem branco das terras.
Quichimbi sereia negra
bonita como os amores
dormindo com o boto azul,
não sabe de nada, não.

Jorge de Lima. Fonte: "Novos poemas; Poemas escolhidos; Poemas negros", Editora Lacerda, 1997.

Entendendo o poema:

01 – Quem é Quichimbi e quais são suas características principais, de acordo com o poema?

      Quichimbi é uma sereia negra, descrita como bonita como os amores. Ela possui características peculiares, como ter "partes de chigonga" (possivelmente uma referência à sua origem africana ou a alguma divindade), não ter cabelos no corpo, ser lisa como um muçum e ligeira como um buru (tipo de peixe). Apesar de ser donzela, ela também "pariu", numa aparente contradição que pode simbolizar a fertilidade e a força da natureza.

02 – Qual é o significado da afirmação de que Quichimbi "jurará sem urucaia"?

      A "urucaia" é uma semente utilizada em jogos de adivinhação e feitiçaria. A afirmação de que Quichimbi jurará sem urucaia sugere que sua palavra é verdadeira e confiável, não necessitando de artifícios ou subterfúgios.

03 – Onde Quichimbi vive e o que ela faz, segundo o poema?

      Quichimbi vive nas ondas do mar, coberta de espuma branca. Ela dorme com o boto azul, um símbolo de sedução e mistério, mas conserva sua virgindade, o que é descrito como algo difícil de alcançar.

04 – Qual é a relação de Quichimbi com o tempo e com a história, conforme expresso no poema?

      Quichimbi é apresentada como uma figura atemporal, que "segue nas ondas dez mil anos caminhando" e "dez mil anos assistindo" às mudanças na terra e no domínio do mar. Ela testemunha a passagem do tempo e as transformações da humanidade, mas permanece alheia a elas, como se estivesse em um plano diferente da realidade.

05 – Qual é o tom geral do poema "Quichimbi Sereia Negra"?

      O poema apresenta um tom de encantamento e mistério, com elementos da cultura afro-brasileira e da mitologia. Quichimbi é uma figura enigmática, que representa a força da natureza, a beleza e a sabedoria ancestral. O poema celebra a figura da sereia negra como um símbolo de resistência e de conexão com o divino.

 



 

CONTO: O BANHO DAS NEGRAS - INÍCIO DE A MULHER OBSCURA - (FRAGMENTO) - JORGE DE LIMA - COM GABARITO

 Conto: O BANHO DAS NEGRAS – Início de A mulher obscura – Fragmento

        Em casa de Laécio não havia álbuns. A família de meu companheiro de infância parecia não ter tradição nem história. Lembro-me que um dia, perguntando-lhe como se chamava seu avô, ele me disse:

        — Morreu há muito tempo. Não me lembro como era, mas papai deve saber. Um dia pergunto.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtKrFkkia2UsOe6nQutmhb9U6BtljLUGSkpy69VKVqHLnQKRhA2jVnZRtJ_GeLBc-q0At0yaYJIzK7NyjAPR_yJtwrob03eXO8y9OzmdhuKUWEowW1-RvBAjQXa4HGO6OkFK5WK9rHKjuZ0lJXYtmAbd2e827Zok7GR1zLIQKrdim05ElVGyinh_j8CWs/s1600/NEGRA.jpg


        Recordo, porém, que era, de todos os meus amigos, o que mais me atraía.

        Talvez não fosse o companheiro em si, em quem, já por aquele tempo, percebia uma capacidade de mentir maior que a de todos os meus outros camaradas, e uma grande habilidade de surripiar nossos objetos escolares, selos, estampas e brinquedos. Talvez o que me atraía para Laécio fosse a sua chácara, a sua grande chácara onde devia existir a Arvore do Bem e do Mal, chácara tão tentadora para mim.

        Os fundos davam para o rio. Um dia, Laécio me chamou para assistir o banho de umas negras. O espetáculo que se me oferecia não me deixou nenhuma impressão menos pura.

        As negras estavam ali tomando banho, negras novas do Caípe que se lavavam debaixo dos ramos das ingazeiras arriadas sobre as águas. Abriam bandós com os cacos de pente de chifre, e como não dispunham de espelhos, ajudavam-se na tualete.

        As molecas eram bonitas, ágeis e puras. Eu estava, apenas, encantado de ver corpos negros, tão diferentes dos brancos, embelezando-se ligeiros, antes de entrar n’água. Reparava que aquele banho era diferente do banho de umas parentas, que me deixaram uma vez esperando por elas, na beira do rio. As brancarronas se penteavam depois do banho, cuidadosas, com a toalha sobre os ombros, debaixo dos cabelos soltos. Mas as molecas podiam, com uma ligeireza espantosa, se coçar, espenujar, separar com os cacos de pente o cabelo lanzudo, mergulhar na água transparente e sair outra vez sem que o cabelo se desmanchasse; a água não lhes alterava a beleza. O contraste daqueles corpos pretos e luzidios sobre a areia das margens ou sob a espuma do sabão me impressionou bastante. Nunca tinha visto espuma sobressair tanto, correndo ligeira nas costas escuras ou descendo entre os seios espigados pelo ventre abaixo. Mais ligeiros que a espuma, eram os seus braços harmoniosos. Algumas com a cara ensaboada, sem abrir os olhos para evitar a espuma, aparavam-na antes que ela se perdesse no chão. A espuma grossa voltava outra vez para debaixo das axilas ou dos ombros, esmagada de novo pelas esguias mãos. Outras se ajudavam no ensaboamento esfregando as costas das companheiras ou os lugares que os braços não atingiam. Achei lindas as negras. Achei-as ágeis, diferentes. Mas Laécio me advertira que era proibido vê-las assim nuas; e se elas soubessem que nós as espreitávamos no banho, contariam a nossos pais e estes ralhariam conosco e seríamos castigados.

        [...]

Jorge de Lima. © by Editora Nova Aguilar S.A. Rua Dona Mariana, 250, casa I — Botafogo CEP: 22280-020 – Rio de Janeiro, RJ.

Entendendo o conto:

01 – Qual é a principal característica da família de Laécio, segundo o narrador?

      A família de Laécio é descrita como não tendo tradição nem história, evidenciada pela falta de álbuns de família e pela dificuldade de Laécio em se lembrar do nome de seu avô.

02 – O que mais atraía o narrador em Laécio?

      O que mais atraía o narrador em Laécio não era o amigo em si, que ele percebia como mentiroso e habilidoso em surripiar objetos, mas sim a sua chácara, com a possibilidade de existir a "Árvore do Bem e do Mal".

03 – Qual é o evento central narrado no fragmento do conto?

      O evento central é o banho das negras no rio, presenciado pelo narrador e por Laécio.

04 – Que impressão o banho das negras causou no narrador?

      O banho das negras causou uma impressão de pureza e encantamento no narrador. Ele se maravilha com a beleza, a agilidade e a diferença dos corpos negros em relação aos corpos brancos.

05 – Como o narrador descreve as negras que estão tomando banho?

      O narrador descreve as negras como "novas do Caípe", "bonitas, ágeis e puras". Ele destaca a forma como elas se embelezam com cacos de pente de chifre e a leveza com que se movem na água.

06 – Qual é a diferença entre o banho das negras e o banho de parentas do narrador?

      O banho das negras é descrito como rápido e prático, enquanto o banho das parentas do narrador é apresentado como demorado e cuidadoso. As negras se lavam com agilidade, sem se preocupar em arrumar os cabelos, enquanto as parentas se penteiam com cuidado após o banho.

07 – Que sentimento Laécio demonstra em relação ao banho das negras?

      Laécio demonstra um sentimento de apreensão e medo, pois adverte o narrador de que é proibido vê-las nuas e que eles podem ser castigados se forem descobertos espionando o banho.

 

 

CONTO: ZEFA LAVADEIRA - TRECHO DE A MULHER OBSCURA (FRAGMENTO) - JORGE LIMA - COM GABARITO

 Conto: ZEFA LAVADEIRATrecho de A mulher obscura – Fragmento

           Jorge Lima

        [...]

        Uma trouxa de roupa é um mundo animado de anáguas, de corpinhos, de fronhas, de lençóis e toalhas servis; em resumo: dos homens e suas preocupações.

        E qual é a maior força desse mundo? Onde o segredo das suas atividades?

        — Olha o amor, Zefa, — olha os lençóis — torna-nos semelhantes aos deuses, faz vibrar em nós o poema dos plasmas que neles se geraram. Por eles, retrocedendo pelo caminho de certas memórias obscuras, voltamos às Formas primeiras, às Energias inteligentes.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgwS8jB2q8oxKdTP4yUu1k1joRFVZEAi3t6f7oVZ_UYSm7PpHt_uH01ykHUan0wjBC-7xa_QItq9II9lbZPkk2mygXLe-6jCFGyI7dqAZDuoeF-XSqEBlaXIy1rJxdWUaJjc4x9VgdDT5EzUu5ZqoOSxrQCGoT-rmdDc8G_noSQoBSDOrrIAd_vPv8MD1M/s1600/lavadeiras%205.jpg


        E desfazendo aquela trouxa de roupa com o desembaraço de Jeová, compondo e recompondo um caos, mostra-me peça por peça, todas aquelas forças mencionadas, lodos genésicos, ou salivas do Espírito que adejou sobre as águas.

        Mas Zefa deu um muxoxo, arrepanhando as fraldas, arrastando os pés. Zefa não tinha antenas para a torrente declamatória interior de minha juventude em dias de convalescença.

        Pela vereda que vinha do rio, surgiu cantarolando uma cafuza nova, com o pote à cabeça, o braço direito erguido, segurando a rodilha.

        E senti-a em tudo, — na algazarra dos ramos, na toada das águas despenhadas, nos vegetais variegados como arraiais, no tumulto dos seres que sofrem, amam e se perpetuam correndo a vida.

        Josefa — lavadeira, porque se julga a sós, vai despindo as belezas selvagens de ninfa cafuza.

        No remanso em que bate a roupa, há bambus e ingazeiros pelas margens. Josefa entra o caudal até as coxas morenas, a camisa arregaçada, o cabeção de crochê impelido pelos seios duros, tostados de soalheiras.

        O braço valente arroja o pano contra a pedra de bater, e a axila cobre-se e descobre-se, piscando a tentação de arrochos e rendições cheias de saciedades. Aqui, toda lavadeira de roupa é boa cantaderia. A cantiga é uma corruptela de velhas toadas num tom languoroso, alimentado de sofreguidões, de desejos incontidos, e de lamentações incorrespondidas.

        Depois de lavar a roupa dos outros, Zefa lava a roupa que a cobre no momento. Depois, deixa-se corando sobre o capim. Então Zefa lavadeira ensaboa o seu próprio corpo, vestido do manto de pele negra com que nasceu. Outras Zefas, outras negras vêm lavar-se no rio. Eu estou ouvindo tudo, eu estou enxergando tudo. Eu estou relembrando a minha infância. A água, levada nas cuias, começa o ensaboamento; desce em regatos de espuma pelo dorso, e some-se entre as nádegas rijas. As negras aparam a espuma grossa, com as mãos em concha, esmagam-na contra os seios pontudos, transportam-na com agilidade de símios, para os sovacos, para os flancos; quando a pasta branca de sabão se despenha pelas coxas, as mãos côncavas esperam a fugidia espuma nas pernas, para conduzi-la aos sexos em que a África parece dormir o sono temeroso de Cam.

        [...]

Jorge de Lima. © by Editora Nova Aguilar S.A. Rua Dona Mariana, 250, casa I — Botafogo CEP: 22280-020 – Rio de Janeiro, RJ.

Entendendo o conto:

01 – Qual é a principal metáfora utilizada no início do conto?

      A principal metáfora é a da trouxa de roupa como um "mundo animado" que representa as preocupações e a vida dos homens.

02 – O que os lençóis simbolizam, de acordo com o narrador?

      Os lençóis simbolizam o amor e a ligação com as "Formas primeiras" e "Energias inteligentes", remetendo a memórias obscuras e à origem da vida.

03 – Como Zefa reage à reflexão poética do narrador sobre a roupa?

      Zefa reage com um "muxoxo", demonstrando que não compreende ou não se interessa pela reflexão poética do narrador. Ela está mais preocupada com o trabalho de lavar roupa.

04 – Quem é a cafuza que surge cantando pela vereda?

      A cafuza que surge é uma jovem mulher, provavelmente uma trabalhadora rural, que vem do rio com um pote na cabeça. Sua presença e seu canto contrastam com a reflexão introspectiva do narrador.

05 – O que o narrador sente ao ver a cafuza e a natureza ao redor?

      O narrador sente uma conexão profunda com a natureza e com a força da vida. Ele percebe a presença da cafuza em tudo ao seu redor, desde os ramos das árvores até as águas do rio.

06 – Como Zefa é descrita enquanto lava roupa no rio?

      Zefa é descrita como uma "ninfa cafuza" que se despe de suas "belezas selvagens" para lavar a roupa. Ela entra no rio com a camisa arregaçada e o corpo exposto, demonstrando sua força e sensualidade.

07 – O que o narrador observa ao ver outras negras se lavando no rio?

      O narrador observa o ritual de lavagem do corpo das negras, destacando a agilidade com que elas ensaboam e enxaguam a pele. Ele faz uma conexão com a África, como se estivesse testemunhando um ritual ancestral de purificação.

 

POEMA: NORDESTE - JORGE LIMA - COM GABARITO

 Poema: NORDESTE

             Jorge Lima

Nordeste, terra de São Sol!                                    

Irmã enchente, vamos dar graças a Nosso Senhor,

que a minha madrasta Seca torrou seus anjinhos

para os comer.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhjFlp7QwJsOk7fxzhkpwJCKPrv6WUexpf6VA2wF-mMzb2JucVGRTnFuzvm-ju9Cse5hVxemwfnWzjpdPlAd-NMG2kSAbfLnX48zkarCZqcSLKXdnUyvZteayfkigOHjQaRirf_8rOorGmYOWEmlWj7Z0KVh4iHMASYHOQxGu7WWOsOArw0rOXd1flbwEA/s320/NORDESTE.jpg


São Tomás passou por aqui?

Passou, sim senhor!

Pajeú! Pajeú!

Vamos lavar Pedra Bonita, meus irmãos,

com o sangue de mil meninos, amém!

D. Sebastião ressuscitou!

S. Tomé passou por aqui?

Passou, sim senhor.

Terra de Deus! Terra de minha bisavó

que dançou uma valsa com D. Pedro II.

São Tomé passou por aqui?

Tranca a porta, gente, Cabeleira aí vem!

Sertão! Pedra Bonita!

Tragam uma virgem para D. Lampião!

Jorge de Lima. Obra poética. EDITORA: GETULIO COSTA. Caixa Postal – 1829 – Rio de Janeiro.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o principal tema abordado no poema "Nordeste" de Jorge Lima?

      O poema aborda a complexa e multifacetada realidade do Nordeste brasileiro, expondo tanto a beleza e a riqueza cultural da região ("Nordeste, terra de São Sol!") quanto os seus problemas sociais, como a seca ("madrasta Seca") e a violência ("Cabeleira aí vem!").

02 – Que figuras históricas e religiosas são mencionadas no poema e qual o seu significado?

      O poema faz referência a diversas figuras, como São Tomás, D. Sebastião, D. Pedro II, Lampião e o Pajeú. São Tomás representa a fé e a religiosidade presentes na cultura nordestina. D. Sebastião, figura lendária da história portuguesa, simboliza a esperança e a crença em um futuro melhor. D. Pedro II, último imperador do Brasil, evoca um tempo de mudanças e transformações. Lampião, cangaceiro famoso, representa a força e a rebeldia do povo sertanejo. O Pajeú, figura mítica da cultura popular, é invocado como um guia espiritual.

03 – Qual é o tom geral do poema: de celebração, de denúncia ou de uma mistura dos dois?

      O poema apresenta um tom ambivalente, que mistura celebração e denúncia. Ao mesmo tempo em que exalta a beleza e a cultura do Nordeste, o poema também critica a miséria, a violência e a opressão presentes na região.

04 – Que imagens e símbolos são utilizados no poema para representar o Nordeste?

      O poema utiliza uma variedade de imagens e símbolos para representar o Nordeste, como o sol ("terra de São Sol"), a seca ("madrasta Seca"), a enchente ("Irmã enchente"), o sangue ("sangue de mil meninos"), a valsa ("valsa com D. Pedro II") e o cangaço ("Cabeleira aí vem!"). Esses elementos evocam tanto a riqueza natural e cultural da região quanto os seus problemas sociais e históricos.

05 – Qual é a importância do poema "Nordeste" de Jorge Lima para a literatura brasileira?

      O poema "Nordeste" é importante por sua força expressiva, por sua capacidade de retratar a complexidade da realidade nordestina e por sua inovação estética. Jorge Lima utiliza uma linguagem poética original e ousada, que combina elementos da tradição oral e da literatura erudita, para criar um retrato vívido e impactante do Nordeste brasileiro.

 

POEMA: DO NADADOR - JORGE DE LIMA - COM GABARITO

 Poema: Do nadador

             Jorge de Lima

A água é falsa, a água é boa.
Nada, nadador!
A água é mansa, a água é doida,
aqui é fria, ali é morna,
a água e fêmea.
Nada, nadador!
A água sobe, a água desce,
a água é mansa, a água é doida.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgoamsAmGoyliZUX8041AeAtRH9YDdXaX0_gpSmiQGC8z4Eg-NhTXkc1HKvCeMjpCsX95wrGhNy1h11B7VtsbChHaqd7JrcQ3GvsgheZo_JRkCDDcSkOFdOCifpalQ0rVz3VRWSGQZg4yJw76_2JwoOGjoXdQgZfPGVDgu6F2Sq0luppgGXg8OadGwPJj0/s320/AGUA.jpg


Nada, nadador!
A água te lambe, a água te abraça
a água te leva, a água te mata.
Nada, nadador!
Senão, que restara de ti, nadador?
Nada, nadador.

Jorge de Lima. Do livro: "Poemas – Jorge de Lima" [Seleção de Gilberto Mendonca Teles]. Global Editora e Distr. Ltda, 1994, SP.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal metáfora presente no poema "Do Nadador"?

      A principal metáfora do poema é a da água como representação da vida. A água, com suas características ambíguas (falsa e boa, mansa e doida, fria e morna), simboliza a complexidade e a imprevisibilidade da existência.

02 – Qual é o significado do imperativo "Nada, nadador!" que se repete ao longo do poema?

      O imperativo "Nada, nadador!" funciona como um chamado à ação, um incentivo para que o indivíduo enfrente os desafios e as incertezas da vida. O nadador representa o ser humano que precisa seguir em frente, apesar dos obstáculos e das dificuldades.

03 – Que sensações a água provoca no nadador, de acordo com o poema?

      A água provoca diversas sensações no nadador, como ambiguidade (falsa e boa), imprevisibilidade (mansa e doida), variação (fria e morna), feminilidade (a água é fêmea), ameaça (a água te leva, a água te mata) e até mesmo carinho (a água te lambe, a água te abraça). Essas sensações mostram a relação complexa e multifacetada do ser humano com a vida.

04 – Qual é a reflexão central proposta pelo poema "Do Nadador"?

      A reflexão central do poema gira em torno da necessidade de o ser humano se adaptar e persistir diante das adversidades da vida. O nadador, ao ser confrontado com a natureza multifacetada da água, precisa aprender a nadar, ou seja, a viver, para não ser tragado por ela.

05 – Qual é a importância do poema "Do Nadador" de Jorge de Lima para a literatura brasileira?

      O poema "Do Nadador" é importante por sua concisão, por sua força metafórica e por sua capacidade de suscitar reflexões profundas sobre a condição humana. Jorge de Lima utiliza uma linguagem poética simples e direta para abordar temas universais como a vida, a morte, o medo e a superação.

 

 

MÚSICA(ATIVIDADES): ROCK DO DIABO - RAUL SEIXAS - COM GABARITO

 Música(Atividades): Rock do Diabo

                Raul Seixas

Me dê um porco vivo
Para eu encher minha pança
Três quilos de alcatra
Com muqueca de esperança...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgcboQYevXerDrDgDCfw_c_S4GoTUz9yNppOxXK-mIOtwaaoxRMcZPulSZ_FyjcR2gfD-O0minE3Nc9Bn4H-Ta9LpnAcXDPAC3iVlDGPFvwxCW_NstDDqjhwHh94BMOBS2KQyP_UbVj7sWvTpk1scp6bWGMtdGIWnMq040VtubS4FBj6Il9kGeY8bO8Tkw/s320/RAUL.jpg


Diabo!
O diabo usa capote
É Rock! É Toque! É Forte!
Diabo!
Foi ele mesmo
Que me deu o toque...

Enquanto Freud
Explica as coisas
O diabo fica dando toque...

Existem dois diabos
Só que um parou na pista
Um deles é do toque
O outro é aquele do exorcista...

Diabo!
O diabo usa capote
É Rock! É Toque! É Forte!
Diabo!
Foi ele mesmo
Que me deu o toque
Huuuum!...

Enquanto Freud
Explica as coisas
O diabo fica dando os toque...

Mamãe disse a Zequinha
Nunca pule aquele muro
Zequinha respondeu
Mamãe aqui tá mais escuro...

Diabo!
O diabo usa capote
É Rock! É Toque! É Forte!
Diabo!
Foi ele mesmo que
Me deu o toque...

Enquanto Freud
Explica as coisas
O diabo fica dando os toque...

O diabo é o pai do rock!
O diabo é o pai do rock!
Então é very god rock!
O diabo é o pai do rock
Enquanto Freud explica
O diabo dá os toque...

Composição: Paulo Coelho / Raul Seixas. 

Fonte: Livro – Português: Linguagens, Vol. Único. William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. Ensino Médio, 1ª ed. 4ª reimpressão – São Paulo: ed. Atual, 2003. p. 229.

Entendendo a música:

01 – Qual é a principal mensagem da música "Rock do Diabo"?

      A música "Rock do Diabo" de Raul Seixas aborda a dualidade entre o bem e o mal, o certo e o errado, utilizando a figura do diabo como uma metáfora para expressar a transgressão, a rebeldia e a quebra de paradigmas. A canção também faz referência à influência do rock'n'roll como uma força transgressora e inovadora na sociedade.

02 – Quem é o "diabo" mencionado na música?

      Na música, o "diabo" é usado metaforicamente para representar o lado transgressor e rebelde do ser humano, aquele que desafia as normas e convenções sociais. Não se trata necessariamente de uma figura religiosa, mas sim de uma força que impulsiona a mudança e a quebra de paradigmas.

03 – Qual é a relação entre o "diabo" e o rock'n'roll na música?

      A música estabelece uma relação entre o "diabo" e o rock'n'roll, afirmando que "o diabo é o pai do rock". Essa afirmação sugere que o rock'n'roll, assim como o "diabo", é uma força transgressora e inovadora que desafia as normas e convenções sociais.

04 – O que significa a frase "Enquanto Freud explica as coisas, o diabo fica dando os toque"?

      Essa frase faz uma crítica à tentativa de racionalizar e explicar tudo através da ciência e da psicanálise, representada por Freud. O "diabo", por sua vez, representa a intuição, a criatividade e a transgressão, elementos que não podem ser totalmente explicados pela razão.

05 – Qual é o significado da história de Zequinha e sua mãe na música?

      A história de Zequinha e sua mãe ilustra a ideia de que nem sempre o caminho mais seguro e convencional é o melhor. Zequinha escolhe pular o muro, mesmo com o aviso de sua mãe, e encontra algo que o agrada ("aqui tá mais escuro"). Essa passagem pode ser interpretada como uma metáfora para a busca por novas experiências e a quebra de barreiras.

06 – Qual é a importância da repetição do refrão na música?

      A repetição do refrão "Diabo! O diabo usa capote. É Rock! É Toque! É Forte! Diabo! Foi ele mesmo que me deu o toque" enfatiza a mensagem central da música, que é a exaltação da figura do "diabo" como uma força transgressora e inspiradora.

07 – Qual é a sua interpretação pessoal da música "Rock do Diabo"?

      A música "Rock do Diabo" de Raul Seixas pode ser interpretada como uma celebração da liberdade, da criatividade e da quebra de convenções sociais. A figura do "diabo" é utilizada como uma metáfora para expressar a rebeldia e a ousadia, características que são valorizadas na música.