sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

SONETO: DOS TÓRRIDOS SERTÕES, PEJADOS D'OURO - BOCAGE - COM GABARITO

 Soneto: Dos tórridos sertões, pejados d’ouro

              Bocage

Dos tórridos sertões, pejados d’ouro,

Saiu um sabichão d’escassa fama,

Que os livros preza, os cartapácios ama,

Que das línguas repartem o tesouro:

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnOPdWTqRTP4ko1x2OLLZqx7c8RauNPzzUibg986Ww9fMMjALH2VfWZ-rU6l9E2xIW2HPaRsCCfP0yJpNeLZ_9g3t0JG2sfHrYxJgQWx7quXoX8SG2ADaZ2XxgKdsbPdTlouTNWqdER5-TENTVpE7cobjAE8NIz-tRW9up8uZHCsBkY-U4SNZxvJG0un4/s320/SERT%C3%83O.jpg

 

Arranha o persiano, arranha o mouro,

Sabe que Deus em turco Alá se chama;

Que no grego alfabeto o G é gama,

Que taurus em latim quer dizer touro:

 

Para papaguear saiu do mato:

Abocanha talentos, que não goza;

É mono, e prega unhadas como gato:

 

É nada em verso, quase nada em prosa:

Não conheces, leitor, neste retrato

O guapo charlatão Tomé Barbosa?

BOCAGE. Antologia escolar portuguesa. Rio de Janeiro: MEC-Fename, 1970, p. 232.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 533.

Entendendo o soneto:

01 – Quem é o personagem retratado no soneto?

      O personagem retratado é um "sabichão" que saiu dos sertões, um homem que se vangloria de seu conhecimento, mas que, na verdade, possui apenas uma erudição superficial e pedante.

02 – Qual é a crítica principal do soneto?

      A crítica principal do soneto é dirigida àqueles que ostentam um conhecimento superficial e fragmentado, usando-o para se promover e menosprezar os outros, em vez de aplicá-lo de forma útil e genuína.

03 – Que elementos do soneto evidenciam a crítica ao personagem?

      Vários elementos evidenciam a crítica:

      "Escassa fama": já no primeiro verso, o poeta indica que o personagem não é reconhecido por sua sabedoria, mas sim por sua pretensão.

      "Arranha o persiano, arranha o mouro": a repetição do verbo "arranhar" sugere que o conhecimento do personagem é apenas superficial e incompleto.

      "Sabe que Deus em turco Alá se chama": o verso destaca a erudição pedante do personagem, que se preocupa com detalhes triviais em vez de buscar um conhecimento mais profundo.

      "Para papaguear saiu do mato": a metáfora do papagaio reforça a ideia de que o personagem apenas repete o que ouve, sem compreender o significado.

      "Abocanha talentos, que não goza": o personagem se apropria de ideias e conhecimentos que não são seus, sem realmente compreendê-los ou utilizá-los de forma produtiva.

      "É mono, e prega unhadas como gato": a comparação com um macaco que imita os outros e com um gato que ataca sem motivo revela a natureza pretensiosa e agressiva do personagem.

      "É nada em verso, quase nada em prosa": o verso final resume a inutilidade do conhecimento do personagem, que não se traduz em nenhuma produção intelectual relevante.

04 – Qual é a forma poética do texto e quais são suas características?

      O texto é um soneto, uma forma poética composta por 14 versos, geralmente em decassílabos, divididos em dois quartetos (estrofes de quatro versos) e dois tercetos (estrofes de três versos). O soneto possui rimas ricas e segue um esquema métrico e rítmico específico. No caso do soneto em questão, o autor explora a descrição do personagem e a crítica à sua pretensão, utilizando recursos poéticos como metáforas, comparações e adjetivações expressivas.

05 – Quem é Tomé Barbosa, mencionado no último verso?

      Tomé Barbosa é um personagem histórico, um advogado e poeta português do século XVIII, conhecido por sua vaidade e erudição superficial. Bocage utiliza a figura de Tomé Barbosa como exemplo do tipo de "sabichão" que ele critica no soneto.

 

SONETO: HEROÍSMOS - COM GABARITO

 Soneto: HEROÍSMOS

Eu temo muito o mar, o mar enorme,

Solene, enraivecido, turbulento,

Erguido em vagalhões, rugindo ao vento;

O mar sublime, o mar que nunca dorme.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhdpmFAmKBBdYJ1MAVcf-zREa0vGQiAxHobn3yUlc_KsIcMXGlMSRY2LNcwjg4hitqdXV85-Wcf6o4yWEgwAtaGxLLGl1fHoiaJfeE9sLgxhMzoRtCEg980x_FagtA-GB_n9B_wfFDAjoxe4HZ24JcaIFd7aI9skhfDlUQrsdX2cM1YrrLbWE6PQVm0KoE/s320/MAR.jpg

Eu temo o largo mar, rebelde, informe,

De vítimas famélico, sedento,

E creio ouvir em cada seu lamento

Os ruídos dum túmulo disforme.

 

Contudo, num barquinho transparente,

No ser dorso feroz vou blasonar,

Tufada a vela e n’água quase assente,

 

E ouvindo muito ao perto o seu bramar,

Eu rindo, sem cuidados, simplesmente,

Escarro, com desdém, no grande mar!

Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro. http://www.bibvirt.futuro.usp.br.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 539.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto?

      O tema central do soneto é a dualidade entre o medo e a coragem. O "eu" lírico expressa um profundo temor do mar, mas, paradoxalmente, demonstra um comportamento desafiador e até mesmo zombeteiro diante dele.

02 – Como o poeta descreve o mar nos primeiros versos?

      O poeta descreve o mar como algo temível, enorme, solene, enraivecido, turbulento, com vagalhões e rugidos. Ele personifica o mar, atribuindo-lhe características humanas como fome e sede de vítimas, e o associa à imagem de um túmulo disforme.

03 – O que representa o "barquinho transparente" no contexto do poema?

      O "barquinho transparente" representa a fragilidade do ser humano diante da força da natureza. Apesar do medo e da consciência da sua vulnerabilidade, o "eu" lírico escolhe desafiar o mar, navegando em sua dorso feroz.

04 – Qual é a atitude final do poeta em relação ao mar?

      A atitude final do poeta é de desafio e desprezo. Ele blasfema no dorso do mar, tufa a vela, navega com aparente despreocupação e escarra, com desdém, no grande mar. Essa atitude pode ser interpretada como uma forma de superar o medo através da bravata.

05 – Que tipo de "heroísmo" é apresentado no soneto?

      O soneto apresenta um tipo de "heroísmo" peculiar. Não se trata de um heroísmo grandioso e épico, mas sim de um ato de coragem individual e até mesmo um pouco irresponsável. O poeta enfrenta o seu medo do mar, não por um objetivo nobre ou uma causa maior, mas sim por uma necessidade pessoal de autoafirmação e superação.

 

SONETO: OS VERSOS QUE TE FIZ - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Soneto: Os versos que te fiz

             Florbela Espanca

Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Páros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgsdMmXoPoMlsv0r2G5N_ewF_kMSQ1mOr990EiHpIbF2tokeS2_FCyqHhmTpYRDEl-MSi2rvhwxwZpk087nvAsnGsYPFmnuLxGqVKVaTQnQ5glRTRWxmD9wCDJWZN4bSfgR3ysINmDLIY-6a3QG2QurkWGU3dSHlTq06X27mhelYho23ejs06O-Dl7SBM8/s320/MARMORE.jpg

Tem dolência de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder…
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.

ESPANCA, Florbela. Poemas de Florbela Espanca. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 176.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 542-543.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto?

      O tema central do soneto é a expressão do amor e a promessa de revelar versos belíssimos à pessoa amada. No entanto, a poetisa posterga essa revelação, guardando os versos mais lindos para um momento especial, simbolizado pelo beijo não dado.

02 – Que imagens poéticas são utilizadas para descrever os versos?

      Os versos são descritos como "talhados em mármore de Páros", "cinzelados" pela poetisa, com "dolência de veludo caros" e "sedas pálidas a arder". Essas imagens evocam a beleza, a preciosidade, a delicadeza e a paixão contida nos versos.

03 – Por que a poetisa decide não revelar os versos de imediato?

      A poetisa decide não revelar os versos de imediato porque acredita que a boca da mulher, quando guarda um segredo, torna-se ainda mais linda e misteriosa. Além disso, ela reserva os versos mais belos como uma promessa para o momento do beijo, que representa a consumação do amor.

04 – Qual é o significado do beijo não dado no contexto do soneto?

      O beijo não dado simboliza a paixão contida e a promessa de um amor pleno. É nesse beijo, que ainda não aconteceu, que a poetisa guarda os versos mais lindos, ou seja, a expressão máxima do seu amor.

05 – Qual é a principal característica da linguagem utilizada no soneto?

      A linguagem utilizada no soneto é rica em imagens poéticas, com adjetivos que exaltam a beleza e a preciosidade dos versos, e com metáforas que expressam a paixão e o mistério do amor. A musicalidade e a expressividade dos versos são características marcantes do estilo de Florbela Espanca.

 

 

POEMA: INTERROGAÇÃO - CAMILO PESSANHA - COM GABARITO

 Poema: Interrogação

             Camilo Pessanha

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhBlT1MPJRZAyaOYQLEADxcewP09euuzTB-_oUHZiHIRTPNEYvBEGu8EtWFA2k-vthjh2DxD4ZsHcX4eYhQsDzGZvFxIOSmfdp15jmY1wZnLKTqYToywhnuuCL69NPP395W5wxA9j478xom_SeK_W56a3n64_Kq7K-23xlbujsitzc0xGkEB4UkoiUnnb4/s320/AMOR.jpg



Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro. http://www.bibvirt.futuro.usp.br.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 541.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal dúvida expressa no poema?

      A principal dúvida expressa no poema é se o sentimento que o "eu" lírico sente pela pessoa a quem se dirige é amor. Essa dúvida permeia todo o poema e é explicitada logo no primeiro verso: "Não sei se isto é amor."

02 – Que elementos do poema sugerem que o sentimento do "eu" lírico pode não ser amor romântico tradicional?

      Vários elementos sugerem que o sentimento pode não ser amor romântico tradicional:

      Ausência de idealização do futuro: O "eu" lírico nunca pensou em um lar ou em um futuro feliz ao lado da pessoa amada.

      Falta de expressões românticas convencionais: Não há declarações de amor, versos românticos, ou o desejo de estar junto no leito.

      Foco em aspectos específicos da pessoa amada: O "eu" lírico se detém em detalhes como a cor sadia e o sorriso da pessoa amada, sem idealizá-la como um todo.

      Ausência de ciúme ou possessividade: O "eu" lírico passa a tarde com a pessoa amada sem receios ou demonstrações de ciúme.

03 – Que elementos do poema sugerem que o sentimento do "eu" lírico pode ser um tipo diferente de amor?

      Apesar da dúvida, há elementos que sugerem um tipo diferente de amor:

      Busca por abrigo e conforto: O "eu" lírico procura o olhar da pessoa amada quando sente dor, buscando um refúgio.

      Afeição e bem-estar: O sorriso da pessoa amada causa um bem-estar profundo no "eu" lírico, comparável ao sol de inverno.

      Preocupação com o bem-estar da pessoa amada: O "eu" lírico demonstra preocupação com a saúde da pessoa amada, expressando que adoeceria se a visse doente.

04 – Qual é o significado da comparação com o "Cântico dos Cânticos"?

      A comparação com o "Cântico dos Cânticos" evoca a imagem de um amor sensual e apaixonado, presente na literatura bíblica. Ao negar que procura a pessoa amada no leito como a esposa do Cântico dos Cânticos, o "eu" lírico se distancia desse modelo de amor, sugerindo que o seu sentimento é de outra natureza.

05 – Qual é a principal característica do estilo poético de Camilo Pessanha presente no poema?

      Uma das principais características do estilo de Camilo Pessanha é a indeterminação. O poema "Interrogação" é um exemplo claro disso, pois expressa dúvidas e incertezas em vez de afirmações categóricas. Essa característica se reflete na linguagem sugestiva, nos versos fragmentados e na atmosfera de mistério que envolve o poema.

 

SONETO: FUMO - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Soneto: Fumo

             Florbela Espanca  

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRPl4tPWADQS8KTYn3d3DNpWt05IO3pim5g_MYgWg1sVX4vspHOKVoaychb98lFA3lT_BsSJrNiH9aRtT6EFx5lL5Rn6EDZFjfmlC_xw9ozzgk8f9NFumwEe3B4dGxf9wh9m5JEr2-yZuWehaN7WDy7N2i_3W_pQyYiXfKoxF8sxveIsG66kzedssoBhg/s320/OUTONO.jpg


Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos...

ESPANCA, Florbela. Poemas de Florbela Espanca. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 173.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 543.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto?

      O tema central do soneto é a saudade e a dor da ausência do ser amado. A poetisa descreve a sensação de vazio e de perda que sente quando está longe da pessoa que ama, utilizando imagens de escuridão, frio e desolação.

02 – Que imagens poéticas são utilizadas para expressar a dor da ausência?

      A dor da ausência é expressa através de imagens como "ermos os caminhos", "noites silenciosas", "dias sem calor", "beirais sem ninhos", "olhos velhos pobrezinhos", "Outonos que choram", "crisântemos roxos que descoram" e "murmúrios dolentes de segredos". Essas imagens criam uma atmosfera de tristeza e melancolia, que reflete o estado de espírito da poetisa.

03 – Qual é o significado da imagem do "fumo" no último verso?

      A imagem do "fumo" representa a natureza efêmera e inatingível do sonho de amor. O fumo se dissipa facilmente, assim como o sonho da poetisa se esvai por entre seus dedos, deixando-a com a sensação de perda e frustração.

04 – Como a natureza é retratada no soneto?

      A natureza é retratada como um reflexo do estado de espírito da poetisa. As paisagens são sombrias e desoladas, com elementos como a falta de luar, o frio, a ausência de ninhos e as flores murchas. A natureza parece compartilhar da dor da poetisa, intensificando a sensação de tristeza e melancolia.

05 – Qual é a principal característica da linguagem utilizada no soneto?

      A linguagem utilizada no soneto é marcada pela expressividade e pela intensidade dos sentimentos. A poetisa utiliza adjetivos e metáforas para criar imagens vívidas e impactantes, que transmitem a profundidade da sua dor e saudade. A musicalidade e a rima são recursos que reforçam a beleza e a emoção do poema.

 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

SONETO: SILÊNCIOS - CRUZ E SOUSA - COM GABARITO

 Soneto: Silêncios

             Cruz e Sousa

Longos silêncios interpretativos,

Adoçados por funda nostalgia,

Balada de consolo e simpatia

Que os sentimentos meus torna cativos;

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWp6LOs7dEEr6kuYYCNwjs5cOgA7_ZIE0d0JMYXRARNLSxRdOOeLJr6OcbdjxqyU-kFE-1eakDMlsb9RTon6Z2pTNA6lamKcCyi2wNzorWCWEPw6Tf4TyJYVaeYG3ROdztJQ3dpfuT7YR1LBOytQevDMRlwPFv8v0qXGWda6ND9P1FuWtTco75l3tU6YY/s1600/SILENCIO.jpg

Harmonia de doces lenitivos,

Sombra, segredo, lágrima, harmonia

Da alma serena, da alma fugidia

Nos seus vagos espasmos sugestivos.

 

Ó Silêncios! Ó cândidos desmaios,

Vácuos fecundos de celestes raios

De sonhos, no mais límpido cortejo...

 

Eu vos sinto os mistérios insondáveis

Como de estranhos anjos inefáveis

O glorioso esplendor de um grande beijo!

Cruz e Sousa. NUPILL – Núcleo de pesquisa em informática, literatura e linguística. http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ultimossonetos.html.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 473-474.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto "Silêncios"?

      O tema central do soneto é a exploração da natureza e do significado dos silêncios. Cruz e Sousa descreve os silêncios como algo profundo e cheio de mistério, capazes de provocar sentimentos complexos e até mesmo de revelar verdades ocultas. Ele os personifica, conferindo-lhes características humanas e até mesmo divinas.

02 – Que imagens poéticas são utilizadas para descrever os silêncios?

      O poeta utiliza uma variedade de imagens poéticas para descrever os silêncios, como "longos silêncios interpretativos", "balada de consolo e simpatia", "harmonia de doces lenitivos", "sombra, segredo, lágrima, harmonia", "cândidos desmaios", "vácuos fecundos de celestes raios" e "estranhos anjos inefáveis". Essas imagens evocam a ideia de que os silêncios são muito mais do que a ausência de som; são espaços carregados de significado, emoção e mistério.

03 – Quais são os sentimentos expressos no soneto em relação aos silêncios?

      O soneto expressa uma variedade de sentimentos em relação aos silêncios, incluindo nostalgia, consolo, simpatia, harmonia, mistério, deslumbramento e até mesmo uma ponta de receio. Os silêncios são apresentados como algo complexo e multifacetado, capaz de despertar uma gama de emoções no poeta.

04 – Como o soneto "Silêncios" se relaciona com o Simbolismo?

      O soneto "Silêncios" apresenta características típicas do Simbolismo, como a ênfase no mistério, na subjetividade e na transcendência. Os silêncios são utilizados como símbolos de algo maior e mais profundo, representando o desconhecido e o inefável. A linguagem utilizada é rica em metáforas e sugestões, buscando evocar sentimentos e ideias que vão além do plano racional. Há também uma musicalidade presente no ritmo e na sonoridade do poema, característica marcante da poesia simbolista.

05 – Qual é a mensagem principal transmitida pelo soneto "Silêncios"?

      A mensagem principal transmitida pelo soneto é a de que os silêncios são muito mais do que a ausência de som; são espaços carregados de significado, emoção e mistério. Eles podem ser interpretados como momentos de introspecção, de conexão consigo mesmo e com o universo. O poeta nos convida a prestar atenção aos silêncios, a escutá-los com o coração e a desvendar os mistérios que eles guardam.

 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

RECEITA: MOI DE REPÔI NU ÁI IÓI - COM GABARITO

    RECEITA: MOI DE REPÔI NU ÁI IÓI

   Ingridients

   5 den di ái

   3 cuié di ói

   1 cabêss di repôi

   1 cuié di mastumati

    Salagosto

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjAVpbDKvVuNuggwqzmQzb81iCUdeQpfL3WlUPA7rEzs8nm_LDkNtagPEgYjS2yj_5qU0giN_D1C267Unia9M6HyQYukQG6XwBOvzxzAcyPVVkoaLIwRcEob5xD5znK6F_gWRng6FLWniWv6siIqDDASuC4KCh0ph9eAfgnEbsp0RSiaOyZDMlKHIrttes/w207-h153/COZINHA.jpeg

    Mé qui fais?!

    Casca u ái, pica u ái e

    soca o ái cum sali.

    Squentuói;

    Foga o ái no ói quentim.

    Pica o repôi bemm finim;

    Foga o repôi.

   Poim a mastumati e mesh

   cacuié pra fazer o mói.

   Prontim!

 Entendendo o texto

    01-LEIA: Pode-se definir estereótipo como sendo generalizações, ou pressupostos, que as pessoas fazem sobre as características ou comportamentos de grupos sociais específicos ou tipos de indivíduos. O estereótipo é geralmente imposto, segundo as características externas, tais como a aparência (cabelos, olhos, pele), roupas, condição financeira, comportamentos, cultura, sexualidade, sendo estas classificações (rotulagens) nem sempre positivas que podem muitas vezes causar certos impactos negativos nas pessoas.” In: http://www.infoescola.com/sociologia/estereotipo/ . 

Dito isso, marque (V) para as análises que interpretam corretamente os efeitos de sentidos provocados pelo texto-discurso “Moi de repôi...” e (F) para as análises que não os interpretam adequadamente:

a-(F ) o texto-discurso é um estereótipo que procura tratar negativamente a língua portuguesa coloquial;

b-( V ) no texto-discurso, ao se escolher essa imagem e não outra, faz-se um estereótipo da trabalhadora doméstica brasileira que historicamente tem sido representada através da figura da mulher negra, de saia, avental e lenço na cabeça;

c-( V ) no texto-discurso, ao se escolher essa imagem e não outra, faz-se um estereótipo da mulher negra, remetendo-a ao tempo do trabalho escravo;

d-( F ) no texto-discurso, ao se escolher essa imagem e não outra, qualifica-se positivamente a mulher negra, trabalhadora doméstica; e-( V ) o texto-discurso acima provoca humor preconceituoso em cima da desqualificação da linguagem das classes sociais que não tiveram acesso à língua portuguesa padrão;

f-( F ) o texto-discurso não carrega nenhum preconceito social;

g-( V) no texto-discurso acima, ao se escolher a imagem de uma mulher, e não de um homem, para representar a cozinheira ou o cozinheiro, percebem-se traços de machismo.

02- Por que, em sua opinião, à mulher negra é reservado o papel de doméstica ou realizadora do trabalho manual em detrimento do intelectual?

A mulher negra é historicamente relegada ao papel de doméstica e trabalhadora manual devido à escravidão e à discriminação racial. A sociedade construiu a ideia de que o trabalho braçal é "natural" para mulheres negras, perpetuando desigualdades e estereótipos.

03-A escolha dessa ilustração e não de outra reforça uma dada visão da mulher negra que foi repassada de geração a geração até aos dias atuais. Proponha pequenas ações que poderiam ser feitas, no dia a dia, que auxiliariam na desconstrução dessa maneira de ver a mulher negra.

 Valorizar a diversidade: Mostrar a diversidade de profissões e papéis que mulheres negras ocupam na sociedade, combatendo a ideia de que o trabalho doméstico é o único espaço possível para elas.

 Combater o racismo: Denunciar e combater o racismo em todas as suas formas, incluindo o racismo velado e os estereótipos.

 Empoderar mulheres negras: Fortalecer a autoestima e o protagonismo de mulheres negras, incentivando-as a ocupar espaços de poder e decisão.

 Educar para a igualdade: Promover a educação para a igualdade racial e de gênero, desconstruindo estereótipos e preconceitos desde a infância.

04- O texto-discurso acima busca criar humor desvalorizando a língua coloquial brasileira. Você ri ou zomba do falar coloquial das pessoas ou respeita o falar coloquial existente em nosso país? Justifique sua resposta.

A questão sobre rir ou zombar do falar coloquial é subjetiva. No entanto, é importante refletir sobre o impacto do humor que desvaloriza a linguagem de grupos sociais marginalizados. A língua coloquial é uma expressão cultural rica e legítima, que não deve ser motivo de ridicularização.

05-O texto-discurso acima remete ao gênero:

a- piada;

b- receita culinária;

c- conversa informal;

d- bula

06-Reescreva o texto-discurso “Moi de repôi...”, passando-o para a Língua Portuguesa Padrão.

Ingredientes

  • 5 dentes de alho
  • 3 colheres de óleo
  • 1 cabeça de repolho
  • 1 colher de massa de tomate
  • Sal a gosto

Modo de  preparo

1.   Descasque os dentes de alho, pique-os e soque-os com sal.

2.   Aqueça o óleo em uma panela.

3.   Frite o alho no óleo quente.

4.   Pique o repolho bem fino.

5.   Refogue o repolho na panela.

6.   Adicione a massa de tomate e misture bem para fazer o molho.

7.   Sirva o "Moi de Repolho" quente.

07-A escolha dessa imagem e não outra para ilustração do texto-discurso “Moi de repôi...”  reforça o preconceito machista e racista de que “lugar de mulher negra é na cozinha”. Produza um artigo de opinião, discutindo criticamente sobre esse papel social atribuído à mulher negra.

Artigo de opinião sobre o papel da mulher negra na cozinha

"Lugar de mulher negra é na cozinha": um estereótipo que precisa ser superado

A imagem da mulher negra na cozinha é um estereótipo que se perpetua há gerações, reforçando a ideia de que o trabalho doméstico é um papel "natural" para elas. Essa visão, além de ser machista e racista, desconsidera a diversidade de talentos e capacidades das mulheres negras.

É inegável que a cozinha é um espaço de afeto e de transmissão de conhecimentos ancestrais, onde muitas mulheres negras se destacam como verdadeiras mestras da culinária. No entanto, reduzir a mulher negra a esse único papel é limitar suas possibilidades e negar sua individualidade.

As mulheres negras são muito mais do que cozinheiras. São intelectuais, artistas, cientistas, empresárias, líderes e muito mais. Elas têm o direito de ocupar qualquer espaço que desejarem, sem serem estereotipadas ou discriminadas.

Para desconstruir esse estereótipo, é preciso um esforço conjunto da sociedade. É necessário valorizar a diversidade de papéis que as mulheres negras ocupam, combater o racismo e o machismo, e investir em educação e oportunidades para que elas possam desenvolver todo o seu potencial.

A luta contra o estereótipo da mulher negra na cozinha é uma luta por justiça e igualdade. É uma luta para que todas as mulheres, independentemente da sua cor da pele, possam ter as mesmas oportunidades de realizar seus sonhos e projetos de vida.

 

 

 

FÁBULA: O PODER DA ARROGÂNCIA - COM GABARITO

 FÁBULA: O PODER DA ARROGÂNCIA

 

Um policial federal vai a uma fazenda e diz ao dono, um velho fazendeiro:

-Preciso inspecionar sua fazenda. Há uma denúncia de plantação ilegal de maconha.

O fazendeiro diz:

-Ok, mas não vá naquele campo ali.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj4x1f4-bVyOwrmH7lWOuRK0TQ575LGTlf9n799Knyc9frfjKqh_7yOaPWmu_uHWKtvTdZEo2_Rbj4CldMhyf6Mz23H-7lW0A9_k7agxTDq05WuAcUdNbVaKzkPrlTrMBTwiFSsRfrnaacsGKwUsTIv-LtqZdnH80Gm7KRsQUGk48MqIZSbxVT8LMQrrso/s320/CRACH%C3%81.jpg


E aponta para uma determinada área.

O oficial P... da vida diz indignado:

-O senhor sabe que tenho o poder do governo federal comigo?

E tira do bolso um crachá mostrando ao fazendeiro:

-Este crachá me dá a autoridade de ir onde quero... e entrar em qualquer propriedade. Não preciso pedir ou responder a nenhuma pergunta. Está claro? Me fiz entender?

O fazendeiro educado pede desculpas e volta para o que estava fazendo.

Poucos minutos depois o fazendeiro ouve uma gritaria e o oficial do governo federal correndo para salvar sua própria vida perseguido pelo Santa Gertrudes, o maior touro da fazenda.

O fazendeiro larga suas ferramentas, corre para a cerca e grita:

O Crachá, mostra o CRACHÁ!

 

Entendendo o texto

01-Qual o tema do texto lido?

O texto aborda o tema da arrogância e suas consequências, utilizando a história do policial federal e do fazendeiro como exemplo.

02-Qual a tese defendida no texto?

a- não ouça os outros;

b- use todo o seu poder;

c- evite ser arrogante com os outros;

d- investigue as denúncias custe o que custar.

03-Quando o fazendeiro grita “O Crachá, mostra o CRACHÁ!”, percebemos que o fazendeiro foi: 

a- verdadeiro;

b- brincalhão;

c- irônico;

d- conselheiro

04-O texto-discurso confronta e ironiza principalmente a prática social daqueles que:

a- se julgam inferiores aos outros;

b- se julgam superiores aos outros;

c- se julgam iguais aos outros;

d- trabalham como policiais federais

05-Retire do texto um argumento que revele ARROGÂNCIA.

"O senhor sabe que tenho o poder do governo federal comigo?".

06-A expressão “P... da vida” foi usada no texto significando?

a-desapontamento;

b- fúria;

c- tristeza;

d- angústia.

07-No trecho “Um policial federal vai a uma fazenda e diz ao dono, um velho fazendeiro”, os adjetivos sublinhados caracterizam quais substantivos respectivamente? Atribuem valor positivo ou negativo?

  • policial federal: "federal" caracteriza o substantivo "policial" e atribui valor positivo, indicando sua função e autoridade.
  • velho fazendeiro: "velho" caracteriza o substantivo "fazendeiro" e atribui valor neutro, apenas descrevendo sua idade.

08-No trecho “Ok, mas não vá naquele campo ali.”, a palavra sublinhada indica:

a- tempo;

b- modo;

c- lugar;

d- causa.

09-No trecho “-Ok, mas não vá naquele campo ali.”, a conjunção sublinhada possui sentido de:

a- tempo;

b- adição;

c- adversidade;

d- conclusão.

10-No trecho “Um policial federal vai a uma fazenda e diz ao dono...”, a conjunção sublinhada possui sentido de:

a- explicação;

b- adição;

c- adversidade;

d- conclusão.

11-No trecho “Não preciso pedir ou responder a nenhuma pergunta.” a conjunção sublinhada possui sentido de:

a- alternância;

b- adição;

c- adversidade;

d- conclusão.

12-No trecho “Poucos minutos depois o fazendeiro ouve uma gritaria...”, a expressão sublinhada indica:

a- tempo;

b- modo;

c- lugar;

d- alternância;

e- consequência.

13-De acordo com o texto, a gritaria ocorre por qual motivo:

a- ter-se ouvido o fazendeiro;

b-ter-se ignorado o conselho do fazendeiro;

c-ter-se obedecido às regras do governo federal;

d- ter-se esquecido de mostrar o crachá ao touro.

14-O touro Santa Gertrudes pode ser lido simbolicamente, já que se trata de um texto-discurso que traz um ensinamento de vida para o leitor. Quais outros “touros” você indicaria que existem na vida de cada um?

Além do touro físico, podemos interpretar como "touros" os desafios, obstáculos e problemas que enfrentamos na vida. Assim como o policial precisou lidar com o touro, cada pessoa precisa lidar com seus próprios "touros" para alcançar seus objetivos.

15-No trecho “O oficial P... da vida diz indignado”, a palavra sublinhada pode ser substituída por qual outra sem alterar sentido do texto?

A palavra "indignado" pode ser substituída por irritado, enfurecido ou contrariado, sem alterar o sentido do texto.

16-O adjetivo “ilegal” (linha 3) caracteriza qual palavra do texto? Acrescenta imagem positiva ou negativa?

O adjetivo "ilegal" (linha 3) caracteriza a palavra plantação. Acrescenta imagem negativa, indicando que a plantação não está de acordo com a lei.