sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

TEXTO: MARCO E OS ÍNDIOS DO ARAGUAIA - ODETTE DE BARROS MOTT - COM GABARITO

Texto: Marco e os índios do Araguaia
       
    Odette de Barros Mott

   Estávamos pousando no campo da aldeia dos Garotires.
    O campo era péssimo, até mamãe se assustou com os solavancos do avião.
    -- Por que você não põe os índios para aplainar o campo? – perguntou mamãe ao titio.
 -- Porque não são meus contratados, respondeu-lhe titio. Estamos aqui como “uma presença de civilização” de cultura branca e não para transformá-los no que desejamos, e julgamos ser melhor. O que é bom para nós, às vezes, é péssimo para eles. Esse foi o grande erro do passado, desculpável dentro da época, mas, atualmente, sem razão de ser. Devemos respeitá-los como portadores de sua própria cultura, não inferior à nossa, mas, simplesmente, diferente. Toda cultura é perfeita, preste atenção, Marco, na medida em que ela satisfaz as necessidades de um povo.
        Tudo isso me parece estanho, preciso dormir no assunto. Pensava de um modo diferente e até mesmo achava “ser bacana” o branco chegar, ensinar o que sabia e conhecia, levando presentes úteis; pratos, talheres, roupas... enfim que os brancos fossem os adultos e os índios, as crianças.
        -- Li há dias a respeito do relacionamento do índio com os brancos; até há pouco não foi feito numa base certa e positiva. Daí as lutas, vinganças e muito sangue, quando há uma aproximação nossa com tribos afastadas.
        No dia seguinte, a conversa foi somente sobre os índios...
        Mamãe perguntou ao titio:
        -- Ney, fiquei pensando por que vocês, vendo os índios lutarem com tantas dificuldades, não querem levar todos os confortos de nossa civilização para coloca-los ao alcance deles: panelas, pratos...
        -- E assim acabar com a vida própria deles? Você não ouviu ontem no avião nossa conversa a respeito? Por que deixariam os Tapirapés, habitantes da Ilha do Bananal, de fabricar cerâmica, belo trabalho de artesanato?
        -- Mas atrasados, disse mamãe; você não pode negar que os nossos pratos são mais bonitos que os deles.
        -- No seu ponto de vista de pintora de porcelana e de cerâmica nas horas vagas. Para um antropólogo, disse titio brincando, até que trabalham bem. Um antropólogo, mana, não trocaria uma tigela desbeiçada dos tapirapés por uma rica peça de Limoges.
        -- Não falo só do ponto de vista estético, mas penso se não seria bom, melhor para eles tão atrasados, a nossa civilização!
        -- Minha cara, o que você entende por civilização? Temos nossa cultura e a cultura é tudo aquilo que recebemos do passado e devemos legar ao futuro. Ora, nossa cultura é nossa cultura, a dos índios é a deles mesmos.
        -- Mas, argumentava mamãe, o processo, ou seja, a marcha da civilização não é irreversível? A civilização caminha para a frente abrindo estradas, aumentando seus meios de comunicações.
        -- Sim, está certo, é mesmo incontrolável, mas quero que você saiba distinguir entre civilização e cultura. Preste atenção, Marco, isso é importante! Temos a comunidade e a cidade. Não são estágios inferiores, são diferentes: a primeira é sempre simples, a segunda complexa. Nunca a cultura de uma comunidade pode ser chamada de atrasada, na medida em que satisfaça todas as necessidades do grupo. Ora, como você mesmo disse, a civilização caminha através de espaços até a lua... e nada mais a detém, gás poderoso que é em sua expansão. Então, como fazer, como proceder, uma vez que a sociedade primitiva também tem seu equilíbrio dinâmico, isso é, seu equilíbrio sempre para a frente?
        Eu não perdia um “til”, nem respirava, prestando atenção, com medo de não entender bem o que falavam.
        -- Vou dar-lhe um exemplo fácil de se entender. O contato entre índios e brancos, aqui no Brasil, tem sido feito na base de interesse econômico. As frentes pioneiras até agora não passaram de grupos de sertanejos, de estrangeiros, de classes dominadoras, que vieram com o fito de escravizar os índios nos seringais, no plantio de cacau.
        -- E, intrometeu-se papai, que voltava das consultas e lavava as mãos para o almoço... os efeitos surgidos pela relação entre os índios e brancos não são bons, para eles, têm consequências muito acentuadas. Os índios veem nos brancos seres privilegiados, que possuem mais conforto e bem-estar. Há uma grande competição e eles sentem-se vencidos. Sabem o que primeiro eles adotam? O fósforo, para não mais produzirem fogo com os métodos da raça. E, depois, quando falta fósforo?
        -- Não sabem e nem podem fabricá-lo e não querem mais o atrito dos paus, uns contra os outros...
        -- Difícil, não?! O índio tem desenvolvido em si grande sensibilidade para com a natureza. São gêmeos dela, amam a liberdade, gostam de ir e vir sem relógios para marcar ponto e nós somos escravos da hora. Naturalmente que na nossa civilização o relógio é necessário, mas lá na tribo, não é...
       Marco e os índios do Araguaia. Odette de Barros Mott.
                                   Fonte: Livro – Encontro e Reencontro em Língua Portuguesa – 5ª Série – Marilda Prates – Ed. Moderna, 2005 – p.170-3.
Entendendo o texto:
01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:
·        Antropófago: Que come carne humana.
· Antropólogo: Aquele que estuda as características biológicas e culturais do homem.
·        Aplainar: Alisar com plaina.
·        Artesanato: Confecção de objetos artísticos.
·        Civilização: Estado de progresso e cultura social.
·        Cultura: Saber, costumes e tradições.
·        Fito: Objetivo.
·        Irreversível: Que não pode voltar ao estado anterior.
·        Legar: Transmitir.
·        Pioneiro: O primeiro.
·        Portador: Que conduz.
· Limoges: Cidade francesa onde se produz uma das principais porcelanas do mundo.

02 – O que você entende por dormir no assunto? Forme uma frase com a expressão.
      Significa refletir sobre algo.

03 – Explique, com suas palavras, o que entendeu ao ler as frases:
a)   Estamos aqui como uma presença de civilização.
Estamos aqui presentes, trazendo nossa cultura.

b)   A marcha da civilização é irreversível.
O desenvolvimento não pode voltar ao seu estado primitivo.

c)   Eu não perdia um til.
Eu estava muito atento para não perder nada.

04 – Reescreva as frases, no seu caderno, substituindo as expressões destacadas por sinônimos correspondentes ao texto.
a)   Não falo só do ponto de vista estético.
Artístico ou da harmonia das formas.

b)   Quero que você saiba distinguir entre civilização e cultura.
Diferençar.

c)   Temos a comunidade e a cidade.
Sociedade (grupo social).

d)   Vieram com o fito de escravizar os índios nos seringais.
Oprimir.

05 – O texto apresenta duas culturas diferentes. Qual das duas alternativas a seguir define melhor o tema? Justifique sua escolha.
a)   As comunidades indígenas com suas estradas de chão batido e o desenvolvimento dos grandes centros.
b)   A cultura indígena e a cultura dos brancos.

06 – O texto faz alusão a duas tribos indígenas diferentes. Quais são elas?
      A aldeia dos Gorotires e os Tapirapés da Ilha do Bananal.

07 – O fato ocorre num dia apenas ou se estende a mais dias? Comprove com palavras do texto.
      A conversa se estende a mais dias. “No dia seguinte, a conversa foi somente sobre os índios...”; “Você não ouviu ontem no avião nossa conversa a respeito?”.

08 – Cite alguns personagens do texto.
      Marco, Ney (o tio), a mãe de Marco e o pai de Marco (médico).

09 – A personagem que narra a história participa da viagem? Quem é ela?
      Sim. É Marco.

10 – Com o que a personagem narradora estava preocupada?
      Em não perder um “til” de toda a conversa sobre os índios.

11 – Copie, em seu caderno, apenas os pensamentos corretos. A personagem narradora ficou preocupa:
a)   Porque nunca tinha visto índios.
b)   Porque tinha ideias diferentes sobre os índios e seu tio estava revelando coisas extraordinárias.
c)   Porque queria ajudar os índios.

12 – “Pensava de um modo diferente e até mesmo achava “ser bacana” o branco chegar, ensinar o que sabia e conhecia, levando presentes úteis...”
a)   Marco achava que os índios deviam ser vistos como crianças. Seria mais difícil vê-los como adultos? Por quê?
Porque a relação entre eles se tornaria de igual para igual. Teria que aprender a respeitar outra cultura e até a questionar a sua maneira de viver.

b)   A explicação que Ney deu à mãe de Marco fez com que o menino refletisse sobre sua maneira de pensar. Por quê?
Porque percebeu que os índios não eram um povo a ser melhorado, mas a ser respeitado.

13 – As classes dominadoras, ou seja, os grupos que detêm o poder econômico, escravizaram os índios. Escravizar pessoas de determinado grupo indica que esse grupo é considerado inferior, menos do que humano. Que ideia presente no texto poderia ter levado alguém a acreditar que índios podiam ser escravizados?
      A ideia de que a cultura do “homem branco” é mais adiantada, a certa, a correta.

14 – Que outro fator apresentado pelo texto, além do indicado acima, levou à escravização dos índios?
      O interesse econômico.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

MÚSICA(ATIVIDADES): INCLASSIFICÁVEIS - ARNALDO ANTUNES - COM GABARITO

Música(Atividades): Inclassificáveis  

                                          Arnaldo Antunes

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos
inclassificáveis

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,

não há sol a sós

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores,

não há sol a sós

egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol.
              Composição: Arnaldo Antunes. O silêncio. BMG, 1996.
Fonte: Projeto Teláris – Português – 6° ano – Editora Ática – p. 12-3.
Entendendo a canção:

01 – Veja os sentidos que pode ter a palavra empregada como título: Inclassificável.
1 – Que não pode ser classificado.
2 – Que está em confusão, confuso, desordenado [...].
3 – Digno de censura ou reprovação, inqualificável.

Em seu caderno, responda: Qual das definições dessa palavra faz mais sentido com a letra de música de Arnaldo Antunes?
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: item 1 e 2, pois a letra procura mostrar que há inúmeras misturas, meio confusas, e que isso acaba se tornando difícil de classificar.

02 – Alguns termos usados na canção para indicar as misturas étnicas podem ser encontrados no dicionários, pois fazem parte da língua portuguesa. Pesquisem em conjunto o significado de:
·        Mulato: mestiço de branco e negro.

·        Cafuzo: mestiço de negro e índio.

·        Pardo: mestiço de branco e negro, mulato.

·        Mameluco: mestiço de índio com branco.

·        Sarará: mulato de cabelo alourado.

03 – Algumas palavras usadas na letra da canção para falar da mestiçagem brasileira não são encontradas nos dicionários. São formadas pela junção de palavras conhecidas. Agora, junte-se a um colega e conversem para descobrir quais são essas misturas.

a)   Crilouro: criolo + louro.

b)   Guaranisseis: guarani + nissei.

c)   Judárabes: judeus + árabes.

d)   Orientupis: oriental + tupi.

e)   Ameriquítalos: americano + ítalo (italiano).

Pela leitura da letra da canção podemos concluir que é a cor que importa?
Não, nem há necessidade de sermos classificáveis.

04 – Releiam o título da canção e uma palavra empregada no penúltimo verso.
Inclassificáveis: que não se pode classificar.
Mesticigenados: mestiços+miscigenados = cruzamentos entre etnias.
 O que podemos concluir ao comparar inclassificáveis com mesticigenados?
      Resposta pessoal do aluno.

05 – Qual é a história de sua família? De onde vem seus pais e avós? Qual é a sua mistura?
      Resposta pessoal do aluno.
     



POEMA: BRINQUEDOS - ELZA BEATRIZ - COM GABARITO

Poema: Brinquedos
          
   Elza Beatriz

Eu fiz de papel dobrado
Um barquinho e naveguei.

Fiz um chapéu de soldado
e soldadinho – marchei.

Fiz avião, fiz estrela
embarquei dentro – voei.

Agora fiz um brinquedo
– o melhor que já brinquei –
guardei num papel dobrado
o primeiro namorado
(o seu nome, eu inventei...)
                                                               Elza Beatriz
Fonte: Livro: Português Linguagens – 6º ano – São Paulo: Atual, 2002. p. 209-10.

Entendendo o poema:

01 – Observe estas palavras do poema: naveguei e marchei. Que semelhança há entre elas?
      O som semelhante no final.

02 – Essas palavras, por apresentarem sons semelhantes, rimam entre si. Conclua: O que é rima?
      É a igualdade ou semelhança de sons do final de palavras.

03 – Destaque do poema “Brinquedos” palavras que rimam com naveguei e com dobrado.
      Naveguei: marchei, voei, brinquei, inventei.
      Dobrado: soldado, namorado.

CONTO: O BISAVÔ E A DENTADURA - SYLVIA ORTHOF - COM GABARITO

Conto: O bisavô e a dentadura
             Sylvia Orthof 

        Eu ouvi esta história de uma amiga, que disse que isso aconteceu, de verdade, em Montes Claros, Minas Gerais.
        Para contar a história, é preciso imaginar uma velha fazenda antiga. Dentro da fazenda, uma vetusta (socorro, que palavrão!) mesa colonial, muito comprida, de jacarandá, naturalmente. Em volta da mesa, tudo que mineiro tem direito para um bom almoço: tutu, carne de porco, linguiça, feijão-tropeiro, torresminho, couve cortada bem fina... e nem posso descrever mais, porque já estou com excesso de peso, só de pensar: hum, que delícia!
        A família era enorme e comia reunida, em volta da toalha bordada: pai, mãe, avó, avô, filhos, netos, sobrinhos, afilhados, a comadre que ficou viúva, a solteirona que era irmã da vó da Mariquinha... e o bisavô Arquimedes. O bisavô Arquimedes usava dentadura.
        Naturalmente, cada integrante tinha a sua frente o seu saboroso prato de tutu, couve, torresmo, feijão-tropeiro, carninha de porco, linguiça, etc. e tal. E todos mastigavam e repetiam porque a fartura, ali, em Montes Claros, naquele tempo, era um espanto, de tanta! E cada um, evidentemente, tinha o seu copo. Pois os copos e o bisavô Arquimedes, diariamente, sofriam a seguinte brincadeira:
        -- Toninho, ocê vai beber desse copo ai, na sua frente? Olha que o bisavô deixou a dentadura dele de molho, bem no seu copo, Toninho, na noite passada!
        -- Num foi no meu, não: foi no copo da Maroca! O bisavô deixou a dentadura dentro do copo da Maroquinha!
        -- Ó gente, num brinca assim que eu fico cum nojo, uai!
        O velho bisavô Arquimedes ouvia, sorria, mostrando a dentadura.
        Quando chegava o doce de leite, o queijinho, a goiabada e uma tal de sobremesa que tem o nome de "mineiro de botas", que tem queijo derretido, banana, canela, cravo, sei lá mais que gostosuras, o pessoal comia, comia. E depois de comer tanto doce, a sede vinha forte, e a chateação começava, ou recomeçava, ou não terminava.
        -- Tia Santinha, não beba do copo da dentadura do bisavô, cuidado! Tenho certeza de que a dentadura ficou no seu copo, de molho, a noite inteira!
        O bisavô ouvia e ia mastigando, o olhinho malicioso, nem te ligo para a brincadeira, comendo a goiabadinha, o "mineiro de botas", o doce de leite, o queijinho... e mexendo a dentadura pra lá e pra cá, pois a gengiva era velha e a dentadura já estava sem apoio, Mas o bisavô tinha senso de humor... e falava pouco. O pessoal cochichava que ele era mais surdo do que uma porta. Bestagem, porque se existe coisa que não é surda, é porta: mesmo fechada, deixa passar cada coisa...
        Um dia, de repente, o bisavô apareceu sem a dentadura. E como todos perguntaram para ele o que tinha havido, o velho Arquimedes sorriu, um sorriso banguela dizendo:
        -- Ôces tavam pertubando demais, todos com nojo dela, resolvi não usar, uai!
        Aí, a família ficou sem jeito, jurando que não iria falar mais da dentadura, que tudo fora brincadeira, que todos adoravam o velho Arquimedes, que ele desculpasse.
        -- Tá desculpado, num tem importância. Eu já tava me aborrecendo com a história, mas tão desculpados. Mas até que tô achando bom ficar banguela: vou comer tutu e sopa... e doce de leite mole, ora!
        A família insistiu, pediu perdão, mas o bisavô botou fim à conversa, dizendo:
        -- Ocês num insista. Resolvi e tá resolvido. O dia que eu deixar de resolver, boto a dentadura outra vez!
        E passaram-se vários dias. Ninguém mais fazia a brincadeira do copo. De vez em quando, o bisavô lembrava:
        -- Tô sentindo falta...
        -- Da dentadura, bisavô?
        -- Não, da traquinagem de ocês... ninguém tá com nojo de beber água no copo, né?
        -- Ora, o senhor não deve levar a mal, foi molecagem, a gente não faz mais, pode usar a dentadura, bisavô.
        Um dia, de repente, o bisavô voltou a usar a dentadura. Todos na mesa se cutucaram e começaram a rir, muito disfarçado, quando bebiam água, pensando... sem dizer, pois haviam prometido.
        Depois da sobremesa, boca pedindo água depois de tanto doce caseiro, o velho Arquimedes disse:
        -- Ôces tão bebendo tanta água, sem nojo...
        -- Bisavô, era brincadeira!
        -- Eu também fiz uma brincadeira: durante todo esse tempo que fiquei banguela, minha dentadura ficou de molho, dentro do FILTRO!

                               ORTHOF, Sylvia et al. Quem conta um conto? São Paulo, FTD, 2001, v. 2 p. 53-58. (Coleção Literatura em minha casa).
Fonte: Projeto Teláris – Português – 6° ano – Editora Ática – p. 21-4.
Entendendo o conto:

01 – Nos parágrafos iniciais do conto ficamos conhecendo a família em torno da qual os fatos vão acontecer. Como essa família é apresentada?
      É uma família grande: pai, mãe, avô, avó, netos, sobrinhos, bisavô, afilhados, comadre, que sempre faz as refeições reunida.

02 – Qual era a chateação que as pessoas da família faziam com o bisavô? Como ele reagia?
      Os familiares faziam uma brincadeira com a dentadura do bisavô, perguntando um ao outro em qual dos copos da mesa, que eram usados para beber água, ele tinha deixado sua dentadura de molho durante a noite. O bisavô ouvia, sorria e parecia não se importar.

03 – Complete no caderno a frase a seguir com as palavras e expressões adequadas ao comportamento de cada um.
        Ouvia – cochichava – falava pouco – falava muito – brincava – sorria.
        Quando estava em volta da mesa, a família cochichava, falava muito e brincava, enquanto o bisavô ouvia, falava pouco e sorria.

04 – Por causa das brincadeiras, o bisavô decidiu não usar mais a dentadura. Que sentimento a atitude do bisavô provocou na família? Transcreva do texto uma frase que comprove sua resposta.
      Sentimento de culpa. “A família ficou sem jeito” / “Insistiu, pediu perdão” / “Ninguém mais fazia a brincadeira do copo”.

05 – Releia: “Um dia, de repente, o bisavô voltou a usar a dentadura”. Responda:
a)   Qual foi o comportamento da família?
Todos se cutucaram e começaram a rir, disfarçados, sem dizer nada.

b)   Qual foi a provocação do bisavô logo em seguida?
Ele disse que também tinha feito uma brincadeira: Contou que a dentadura havia ficado de molho dentro do filtro.

06 – Explique o que torna esse conto divertido.
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O humor está no fato de, ao fazer a brincadeira, o bisavô surpreender a todos, dando a entender que, depois de tanta chateação pela qual tinha passado, ele finalmente “se vingara” de forma criativa, já que todos teriam tomado a água do filtro em que teria ficado mergulhado a dentadura.

07 – No conto, a família fazia uma brincadeira com o bisavô Arquimedes. A atitude da família desrespeitou o bisavô? Conversem e justifiquem suas opiniões.
      Resposta pessoal do aluno.

08 – E como são tratados, no dia-a-dia, os idosos com os quais você convive?
      Resposta pessoal do aluno.

09 – No conto: “O bisavô e a dentadura”, há diferentes palavras utilizadas como sinônimas de brincadeira. Entretanto, leia o que o dicionário traz sobre cada uma dessas palavras:
Brincadeira: Passatempo, entretenimento, divertimento...
Chateação: Ação ou efeito de chatear.
Chatear: Aborrecer, irritar, amolar...
Molecagem: Ação de moleque, molecada...
Traquinagem: Traquinice, traquinada.

Em sua opinião, qual das palavras é mais apropriada para o que a família fazia com o bisavô? Por quê? justifique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.

10 – Releia a frase: “... a fartura, ali, em Montes Claros, naquele tempo, era um espanto...”. A palavra espanto pode significar: algo assustador; algo surpreendente; admiração, medo. Com qual significado a palavra foi utilizada nessa frase?
      Admiração e surpresa.

11 – Releia: “O pessoal cochichava que ele era mais surdo do que uma porta. Bestagem, porque se existe coisa que não é surda, é porta: mesmo fechada, deixa passar cada coisa...”. Nesse trecho, há dois usos da linguagem popular: bestagem e mais surdo que uma porta. Responda:

a)   Que palavra poderia substituir bestagem?
Possibilidades: besteira, bobagem, asneira.

b)   Como você explica a afirmação do narrador de que a porta não é surda?
Resposta pessoal do aluno.


REPORTAGEM:À MEIA-NOITE LEVAREI SEU SONO - IURI DE CASTRO TÔRRES - COM GABARITO

Reportagem: À meia-noite levarei seu sono

 
  NA VOLTA ÀS AULAS, TEENS RELUTAM EM LARGAR A INTERNET E IR PARA A CAMA                                                      
 IURI DE CASTRO TÔRRES

    Com poucas variações, a história é a mesma. "Pareço um zumbi", "É difícil voltar à rotina", "Dormia às 5h e acordava às 13h" etc.
  É, voltar ao ritmo escolar, com intermináveis aulas que começam antes das 8h, enquanto o dia brilha lá fora e sua cama chama, não é mole.
        Mas quem são os inimigos da rotina saudável de sono dos teens? A resposta é fácil: a internet, o celular e, é claro, a internet no celular.
        "Essa geração está cada vez mais conectada", diz Silvana Leporace, coordenadora de orientação educacional do colégio Dante Alighieri. "Dormem com o celular ao lado e ficam trocando mensagens com os amigos."
        Para Cristiano Nabuco, coordenador do programa de dependentes de internet do Instituto de Psiquiatria da USP, "os adolescentes espirram do controle dos pais." "Eles não dormem, a internet é um apelo muito forte."
        Segundo Silvana, isso atrapalha o aprendizado, pois a fixação do conteúdo ocorre durante o sono.
        Matheus Monteiro, 17, de Santos (SP), por exemplo, é um madrugador confesso. "Nas férias, ia até as 6h fácil, fácil", conta. Como é professor de informática, o garoto passa horas fuçando novas ferramentas on-line.
        Como agora tem de pular da cama às 6h30 da madrugada, demora a acordar "de verdade". É a mesma situação de Guilherme Bighetti, 16, de São Paulo, que "zumbiza" durante as primeiras aulas do dia. "Tenho que jogar água gelada na cara."
        A técnica para disfarçar as olheiras é a maquiagem, e a estratégia para espantar os bocejos é música alta no caminho para a escola. Ainda assim, eles dificilmente escapam de um cochilo em aula.
        Também é comum tentar compensar, aos sábados e domingos, as horas de sono perdidas. É quando os teens "hibernam". Stefanie Egedy, 15, dorme até depois do almoço. "Vale a pena", atesta.
        "Sento em frente ao computador e esqueço da vida, nem vejo o tempo passar", diz Brenda Amanda, 16.
        A impressão do tempo "voar" faz sentido do ponto de vista científico. Segundo Nabuco, o córtex pré-frontal, parte do cérebro que controla os impulsos e é sede da razão e do conhecimento, ainda não é totalmente desenvolvido nos adolescentes.
        Por isso, de acordo com o médico, é mais difícil saber a hora de desconectar e ir contar carneirinhos para dormir no mundo real.

         "Internet não é inimiga, mas precisa de controle", diz médico DE SÃO PAULO

        Para Cristiano Nabuco, coordenador do programa de dependentes de internet do Instituto de Psiquiatria da USP, a internet não é uma inimiga, mas é necessário controlar seu uso.
        Três sinais de que a rede está atrapalhando a sua vida são: você esconde o número de horas que fica conectado, fica apreensivo de ir a lugares sem internet e deixa de fazer atividades cotidianas, como esportes ou sair com os amigos, para ficar on-line.
        "Não dá para ficar acordado a noite toda e não conseguir levantar de manhã", diz.
        Segundo Gustavo Moreira, pediatra e pesquisador do Instituto do Sono, o ser humano foi feito para dormir no escuro, e a luz do computador e da TV confundem tudo.
        "A luminosidade age no centro de sono do cérebro, responsável por organizar o ciclo de descanso. Ele passa a entender que não escureceu e fica desperto", diz.
        O resultado é mau humor, irritação e pouca concentração nos estudos. (ICT)
                                                          TÔRRES, op. cit. p. 7.
Fonte: Projeto Teláris – Português – 7° ano – Editora Ática – p. 187-9.

Entendendo o texto:

01 – O texto da reportagem traz informações sobre teens. Responda:
a)   Quem são os tens?
São os adolescentes que usam a internet.

b)   Onde vivem os tens da reportagem?
Na cidade de São Paulo.

c)   Quando acontecem os fatos narrados?
Na atualidade (ano da reportagem: 2011).

d)   Por que para esses tens é muito difícil voltar para o ritmo escolar?
Porque todos tem de levantar cedo para ir à escola e, como estão acostumados a ficar até de madrugada na internet, fica difícil mudar o hábito ou dormir pouco e acordar cedo.

02 – Como o repórter caracteriza o uso da internet, do celular e da internet no celular por esses teens?
      Para o repórter essa tecnologia é o inimigo da rotina saudável de sono dos jovens.

03 – Por que, segundo Silvana Leporace, o uso excessivo da internet atrapalha o aprendizado dos alunos?
      Porque priva o jovem de horas de sono e é durante o sono que o conteúdo estudado é fixado.

04 – Segundo os depoimentos dos jovens, quais são as estratégias utilizadas para:
·        Acordar mais rápido pela manhã?
Jogar água gelada no rosto.

·        Disfarçar as olheiras?
Usar maquiagem.

·        Espantar os bocejos?
Ouvir música alto.

·        Compensar as horas de sono perdidas durante a semana?
“Hibernar” aos sábados e domingos, isto é, dormir muito nesses dias, até depois do almoço.

05 – Releia a fala de Brenda: “Sento em frente ao computador e esqueço da vida, nem vejo o tempo passar...[...]”.
a)   Que palavra é utilizada na reportagem para traduzir como Brenda sente o tempo quando está diante do computador?
Voar.

b)   Como a ciência explica esse fato?
A parte do cérebro (córtex pré-frontal) que controla os impulsos e é sede da razão e do conhecimento não está totalmente desenvolvida nos adolescentes.

c)   Qual é sua opinião sobre o fato de o adolescente esquecer da vida diante da tela do computador? Com você isso também acontece?
Resposta pessoal do aluno.

06 – A reportagem relata o que dizem Cristiano Nabuco e Gustavo Moreira, especialista que estudam essa dependência da internet.
a)   Em que local essa dependência é estudada por eles?
No programa de dependentes de internet do Instituto de Psiquiatria da USP e no Instituto do Sono.

b)    Por que essa dependência interessa a quem estuda distúrbios do sono?
Porque ficar acordado até tarde usando a internet impede a pessoa de dormir e pode causar distúrbios do sono.

07 – Os especialista citam três sinais como indicadores de que a internet está causando dependência ao usuário. Segundo eles, a pessoa:
·        Esconde o número de horas que fica conectada;
·        Tem medo de ir a algum lugar onde não seja possível acessar a internet;
·        Deixa de fazer atividades do dia a dia, como praticar esportes e sair com os amigos, para ficar na internet.

        Depois de conhecer os critérios dos especialistas, como você se avalia? Poderia ser considerado um dependente da internet? Explique.
      Resposta pessoal do aluno.