quarta-feira, 19 de setembro de 2018

FILME(ATIVIDADES): COMO TREINAR O SEU DRAGÃO II - COM SINOPSE E GABARITO

Filme(ATIVIDADES): COMO TREINAR O SEU DRAGÃO II

Data de lançamento 19 de junho de 2014 (1h 43min)
Direção: Dean DeBlois
Nacionalidade EUA

SINOPSE E DETALHES
        Cinco anos após convencer os habitantes de seu vilarejo que os dragões não devem ser combatidos, Soluço (voz de Jay Baruchel) convive com seu dragão Fúria da Noite, e estes animais integraram pacificamente a rotina dos moradores da ilha de Berk. Entre viagens pelos céus e corridas de dragões, Soluço descobre uma caverna secreta, onde centenas de novos dragões vivem. O local é protegido por Valka (voz de Cate Blanchett), mãe de Soluço, que foi afastada do filho quando ele ainda era um bebê. Juntos, eles precisarão proteger o mundo que conhecem do perigoso Drago Bludvist (Djimon Hounson), que deseja controlar todos os dragões existentes.

Entendendo o filme:
01 – Qual o sobrenome de Astrid?
a)   Hoffstone.
b)   Hofferman.
c)   Lindgreen.
d)   Hugerman.
e)   Spantosicus.

02 – Qual dessas espécies NÃO existe?
a)   Fúria da Noite.
b)   Escalderrível.
c)   Tambor Trovão.
d)   Lâmina Noturna.
e)   Pesadelo Monstruoso.

03 – Qual das alternativas é o verdadeiro título de Stoico:
a)   Stoico, o Terrível.
b)   Stoico, o Matador.
c)   Stoico, o Viking.
d)   Stoico, o Incrível.
e)   Stoico, o Imenso.

04 – Do que é feito o elmo de Soluço, dado por seu pai?
a)   Couro de dragão.
b)   Capa da mãe de Soluço.
c)   Peitoral da armadura da mãe de Soluço.
d)   Tricô.
e)   Metal.

05 – Que desculpa Soluço dá a Astrid, quando ela lhe pergunta o motivo dele estar tão bom nas aulas?
a)   “Eu andei treinando com um dragão...”
b)   “Eu li o livro que o dragão mandou...”
c)   “Eu jantei muito ontem...”
d)   “Eu andei fazendo umas roupas...”
e)   “Eu treinei mais arremesso de machado...”

06 – O que Soluço perde no final do filme?
a)   Uma mão.
b)   Um pé.
c)   Uma perna.
d)   Um braço.
e)   O elmo.

07 – Quem guia os vikings até o ninho dos dragões?
a)   Um mapa.
b)   O Bocão.
c)   O Soluço.
d)   O Banguela.
e)   Um zíperarrepiante.

08 – Cabeça-Dura e Cabeça-Quente são:
a)   Amigos.
b)   Irmãos gêmeos.
c)   Primos.
d)   Namorados.
e)   Inimigos.

09 – Qual a espécie do dragão Banguela?
      Fúria da Noite.

10 – Que espécie de dragão é dada ao Perna de Peixe?
a)   Ziperarrepiante.
b)   Gronkel.
c)   Lâmina Noturna.
d)   Terror Terrível.
e)   Pesadelo Monstruoso.

11 – Que espécime de dragão é devorada pelo líder que vive na ilha?
a)   Madder Mortal.
b)   Terror Terrível.
c)   Fúria da Noite.
d)   Tambor Trovão.
e)   Nenhuma das anteriores.

12 – Qual a cor predominante no Pesadelo Monstruoso de Melequento?
a)   Vermelho.
b)   Azul.
c)   Verde.
d)   Roxo.
e)   Amarelo.

13 – Quem fabrica a primeira perna de metal de Soluço?
a)   Bocão.
b)   Stoico.
c)   Astrid.
d)   Soluço.
e)   Nenhuma das anteriores.

14 – Quais os sexos de Cabeça-Quente e Cabeça-Dura, respectivamente?
      Feminino e Masculino.

POEMA: EPÍLOGOS - GREGÓRIO DE MATOS GUERRA - COM GABARITO

Poema: Epílogos
                                Gregório de Matos Guerra

Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.

Quem a pôs neste socrócio?..........Negócio
Quem causa tal perdição?.............Ambição
E o maior desta loucura?...............Usura.

Notável desventura
de um povo néscio, e sandeu,
que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.

Quais são os seus doces objetos?....Pretos
Tem outros bens mais maciços?.....Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos?...Mulatos.

Dou ao demo os insensatos,
dou ao demo a gente asnal,
que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?...Meirinhos
Quem faz as farinhas tardas?.........Guardas
Quem as tem nos aposentos?.........Sargentos.

Os círios lá vêm aos centos,
e a terra fica esfaimando,
porque os vão atravessando
Meirinhos, Guardas, Sargentos.

E que justiça a resguarda?.............Bastarda
É grátis distribuída?......................Vendida
Que tem, que a todos assusta?.......Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa,
o que El-Rei nos dá de graça,
que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.

Que vai pela clerezia?..................Simonia
E pelos membros da Igreja?..........Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?.....Unha.

Sazonada caramunha!
enfim que na Santa Sé
o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.

E nos frades há manqueiras?.........Freiras
Em que ocupam os serões?............Sermões
Não se ocupam em disputas?.........Putas.

Com palavras dissolutas
me concluís na verdade,
que as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.

O açúcar já se acabou?..................Baixou
E o dinheiro se extinguiu?.............Subiu
Logo já convalesceu?.....................Morreu.

À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece,
cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.

A Câmara não acode?...................Não pode
Pois não tem todo o poder?...........Não quer
É que o governo a convence?........Não vence.

Que haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence.
                                                        Gregório de Matos Guerra. Antologia.
                                                                                  Porto Alegre: L&PM, 1999.
Entendendo a poesia:
01 – O que e quem o poeta está criticando com seus versos?
      Critica os desmandos, a corrupção e as autoridades.

02 – O poema se aplicaria aos nossos dias?
      Sim, porque todos os desmandos e corrupção ainda continua.

03 – Julgue o que se afirma sobre a estrutura do poema.
a) (V) Nos tercetos, predominam os versos decassílabos. Nos tercetos, predominam os versos decassílabos Nos tercetos, predominam os versos decassílabos Nos tercetos, predominam os versos decassílabos Nos tercetos, predominam os versos decassílabos
b) (V) Nos quartetos, predominam os versos em redondilha maior.
c) (F) Todas as rimas do poema são femininas.
d) (F) No primeiro quarteto, as rimas são pobres.
e) (F) O verso "numa cidade onde falta" contém oito sílabas métricas.

04 – Julgue o que se afirma sobre a estrofe seguinte:
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.
a) (V) Pode-se trocar "se exponha" por "seja exposto" sem prejuízo gramatical.
b) (F) Pode-se trocar "onde" por "aonde" sem prejuízo gramatical.
c) (V) Pode-se trocar "onde" por "em que" sem prejuízo gramatical.
d) (F) A troca de "falta" por "faltam" fere a norma culta da língua escrita.
e) (F) No segundo verso, o segundo "a" pode ser trocado por "lhe" sem prejuízo gramatical.

05 – Julgue o que se afirma sobre a estrofe seguinte.
Quais são os seus doces objetos? Pretos
Tem outros bens mais maciços? Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos? Mulatos.
a) (V) A rima entre "objetos" e "pretos" é pobre, feminina e imperfeita.
b) (V) A troca de "tem" por "há" altera o sujeito sintático, mas não caracteriza erro gramatical.
c) (F) O pronome "destes" representa o substantivo "objetos".
d) (F) A troca de "lhe" por "lhes" confere maior coesão à estrofe.
e) (V) O pronome "lhe" tem função de complemento nominal.

06 – Assinale a afirmativa incorreta sobre a estrofe seguinte:
Dou ao demo os insensatos,
dou ao demo a gente asnal,
que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.
a) A estrofe contém anáfora.
b) O sujeito de "estima" é a expressão "gente asnal".
c) Há, na estrofe, oração com valor adjetivo.
d) Há, na estrofe, um único pronome.
e) Pode-se trocar "cabedal" por "haveres" sem prejuízo semântico.

07 – Assinale a afirmativa incorreta sobre a estrofe seguinte:
Valha-nos Deus, o que custa,
o que El-Rei nos dá de graça,
que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.
a) O pronome "nos" aparece duas vezes na função de objeto indireto.
b) No segundo verso, a sequência "o que" exibe dois pronomes: um demonstrativo, outro relativo.
c) No segundo verso, o complemento direto de "dá" é um pronome relativo.
d) O verbo "andar" (terceiro verso) é intransitivo.
e) No substantivo "Deus" há ditongo decrescente oral.

08 – Assinale a afirmativa incorreta sobre a estrofe seguinte:
E nos frades há manqueiras? Freiras
Em que ocupam os serões? Sermões
Não se ocupam em disputas? Putas.
a) Há, na estrofe, exemplo de verbo impessoal.
b) A troca de "há" por "existe" não agride a norma culta da língua escrita.
c) Em respeito à norma culta da língua escrita, o pronome átono do terceiro verso não pode ocupar outra posição em relação ao verbo.
d) No vocábulo "ocupam" há ditongo decrescente nasal.
e) No vocábulo "manqueiras" há mais letras que fonemas.

09 – (CEFET-MG) Das alternativas abaixo, apenas uma não apresenta características da obra do poeta barroco Gregório de Matos. Assinale-a:
a) Sentido vivo de pecado aliado à busca do perdão e da pureza espiritual.
b) Poesia com força crítica poderosa, pessoal e social, chegando à irreverência e à obscenidade.
c) Destaca a beleza física da amada e a sua transitoriedade.
d) Realça a beleza da flora, fauna e da paisagem brasileiras, em manifestação nativista.
e) Tentativa de conciliar elementos contraditórios, busca da unidade sob a diversidade.

10 – (PUC-SP) – Pode-se reconhecer nos versos abaixo, de Gregório de Matos:
Que falta nesta cidade? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.
a) caráter de jogo verbal próprio do estilo barroco, a serviço de uma crítica, em tom de sátira, do perfil moral da cidade da Bahia;
b) caráter de jogo verbal próprio da poesia religiosa do século XVI, sustentando piedosa lamentação pela falta de fé do gentio;
c) estilo pedagógico da poesia neoclássica, por meio da qual o poeta se investe das funções de um autêntico moralizador;
d) caráter de jogo verbal próprio do estilo barroco, a serviço da expressão lírica do arrependimento do poeta pecador;
e) estilo pedagógico da poesia neoclássica, sustentando em tom lírico as reflexões do poeta sobre o perfil moral da cidade da Bahia.

11 – ((UF-RN) A obra de Gregório de Matos, autor que se destaca na literatura barroca brasileira, compreende:
a) poesia épico-amorosa e obras dramáticas;
b) poesia satírica e contos burlescos;
c) poesia lírica, de caráter religioso e amoroso, e poesia satírica;
d) poesia confessional e autos religiosos;
e) poesia lírica e teatro de costumes.

12 – Gregório também se ocupou de atacar viperinamente o baixo clero baiano, com o qual tinha uma relação repleta de intrigas. Isso se explica:
a) por ter sido destituído do cargo eclesiástico de Tesoureiro-mor da Sé (que ocupou quando de seu retorno de Portugal para o Brasil);
b) por não ter as autoridades da Sé permitido que o poeta fosse estudar Direito em Coimbra;
c) por ter sido Eusébio de Matos, irmão do poeta, vítima de perseguição por parte da Sé.
d) por querer o poeta receber "ordens sacras" e usar batina, mesmo sem ser padre.
e) por ter sido o poeta exilado do Brasil graças a um processo movido pela igreja Católica.



CRÔNICA: APELO - DALTON TREVISAN - COM GABARITO

Crônica: Apelo
                           
      Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
        Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
        Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

                                                                    Dalton Trevisan.
 Entendendo a crônica: 
01 – A pessoa que escreve a carta chama-se remetente e a pessoa a quem se destina a carta chama-se destinatário.
No texto “Apelo”:
a)   Quem é o remetente? 
É o narrador-personagem.

b)   Quem é o destinatário?
A Senhora.

02 – Qual é o tema dessa crônica?
      Apelo de Dalton Trevisan. A crônica tematiza a solidão de um homem em razão da separação da mulher. O leitor toma conhecimento do rompimento pelo relato o narrador-personagem.

03 – De que gênero o autor se apropria para construir o texto?
      O autor se apropria do gênero carta. O narrador-personagem se dirige à "Senhora" somo se estivesse lhe escrevendo uma carta, por meio da qual dá notícias a respeito de como ficou sua vida sem ela.

04 – Na frase “a pilha de jornais ali no chão ninguém os guardou debaixo da escada”, o pronome oblíquo os, se refere ao que?
      Refere-se a pilha de jornais.

05 – Identifique o narrador e o seu interlocutor.
      O narrador é alguém que se dirige à "Senhora", a mulher com quem ele vivia.

06 – Que sentimentos do narrador podem ser percebidos em relação à interlocutora?
      Inicialmente, ele tem um sentimento de liberdade. À medida que o tempo passa e a casa fica desorganizada ele sente falta da mulher, que desempenhava o papel de mãe e dona de casa, pois o narrador sente mais falta da mulher-objeto do que da amante ou companheira.

07 – Que imagem de mulher o narrador constrói por meio do relato?
      A imagem de uma mãe e dona de casa, pois relata as privações sofridas por ele e pelo restante da família com a ausência dela. 

08 – Toda carta possui um determinado objetivo. Qual o objetivo desta carta?
      Reclamar da falta que a mulher está fazendo e pedindo para que ela volte.

09 – Como você interpreta as duas últimas frases do texto?
    "Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor".
      Pode-se inferir que há na residência outras pessoas (além de um canário e de violetas) que estão desamparados, com a ausência da mulher. É importante ressaltar que essas frases, marcam uma ruptura em relação aos sentimentos expressos anteriormente, pois o narrador declaradamente expressa sentir falta das qualidades afetiva da Senhora, e não só da dona de casa.

10 – Explique o uso da inicial maiúscula em "Senhora".
      Trata-se, possivelmente, de uma deferência respeitosa à mulher. Por outro lado pode revelar, subjetivamente, uma atitude machista (arcaica), no sentido de que ela é colocada como uma "Senhora ou Rainha do Lar".

TEXTO: CULTURAS BRASILEIRA - SUPERINTERESSANTE - COM GABARITO


Texto: Culturas Brasileira

        Brasileiro se realiza em arte menor. Com raras exceções aqui e ali na literatura, no teatro ou na música erudita, pouco temos a oferecer ao resto do mundo em matéria de grandes manifestações artísticas. Em compensação, a caricatura ou a canção popular, por exemplo, têm sido superlativas aqui, alcançando uma densidade raramente obtida por nossos melhores artistas plásticos ou compositores sinfônicos. Outras artes, ditas “menores”, desempenham um papel fundamental na cultura brasileira. É o caso da crônica e da telenovela. Gêneros inequivocamente menores e que, no entanto, alcançam níveis de superação artística nem sempre observada em seus congêneres de outros quadrantes do planeta. 
        Mas são menores diante do quê? É óbvio que o critério de valoração continua sendo a norma europeia: a epopeia, o romance, a sinfonia, as “belas artes” em geral. O movimento é dialético e não pressupõe maniqueísmo. Pois se aqui não se geraram obras como as de Cervantes, Wagner ou Picasso, “lá” também – onde quer que seja esse lugar – nunca floresceu uma canção popular como a nossa que, sem favor, pode compor um elenco com o que de melhor já foi feito em matéria de poesia e de melodia no Brasil.
Machado de Assis, como de costume, intuiu admiravelmente tudo. No conto “Um homem célebre”, ele nos mostra Pestana, compositor que deseja tornar-se um Mozart mas, desafortunadamente, consegue apenas criar polcas e maxixes de imenso apelo popular. Morre consagrado – mas como autor pop.
        Aliás, não foi à toa que Caetano Veloso colocou uma frase desse conto na contracapa de Circuladô (1991). Um de nossos grandes artistas “menores” por excelência, Caetano sempre soube refletir a partir das limitações de seu meio, conseguindo às vezes transcendê-lo em verso e prosa. O curioso é que o conceito de arte acabou se alastrando para outros campos (e gramados) da sociedade brasileira. É o caso da consagração do futebol como esporte nacional, a partir da década de 30, quando o bate-bola foi adotado pela imprensa carioca, recebendo status de futebol-arte. Ainda no terreno das manifestações populares, o IBOPE de alguns carnavalescos é bastante sintomático: eles são os encenadores da mais vista de todas as nossas óperas, o Carnaval.
        Quem acompanha a cobertura do evento costuma ouvir o testemunho deliciado de estrangeiros a respeito das imensas “qualidades artísticas” dos desfiles nacionais...Seguindo a fórmula clássica de Antônio Candido em Formação da literatura brasileira (“Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, e não outra, que nos exprime.”), pode-se arriscar que muito da produção artística brasileira é tímida se comparada com o que é feito em outras paragens.
        Não temos Shakespeare nem Mozart? Mas temos Nelson Rodrigues, Tom Jobim, Nássara, Cartola – produtores de “miudezas” da mais alta estatura. Afinal são eles, e não outros, que expressam o que somos.

(Adaptado de Leandro Sarmatz. Superinteressante,
Novembro de 2000, p.106, (Ideias que desafiam o senso comum)
Entendendo o texto:

01 - Faça a interpretação e responda as questões de acordo com o texto:
(A) a arte brasileira não produziu expoentes de vulto como Shakespeare ou Mozart, tendo sua maior expressão em eventos populares, como o carnaval e o futebol.
(B) a literatura brasileira é realmente bastante pobre, pois é expressão de um meio limitado, com linguagem pouco expressiva, inadequada a grandes obras de arte.
(C) as novelas e as crônicas são os gêneros mais cultivados pelos autores brasileiros, por seu forte apelo popular, além da simplicidade de temas e de linguagem.
(D) a produção artística brasileira, embora possa ser considerada de menor pressão, apresenta grandes vultos em suas diversas e variadas manifestações.
(E) as manifestações artísticas nacionais são mais aceitas por critérios europeus do que por valores típicos brasileiros, o que as empobrece sobremaneira.

02 – Segundo o texto, está correto o que se afirma em:
(A) O 1o parágrafo aponta a tese que será desenvolvida em todo o texto, até seu final, de modo plenamente coerente.
(B) Entende-se o 2o parágrafo como a real proposição do texto, na defesa das manifestações da arte brasileira.
(C) Machado de Assis e Caetano Veloso são citados, no 3o parágrafo, como exemplos de expressões, respectivamente, do maior e do menor em nossa literatura.
(D) Embora seja habitual, tanto entre brasileiros quanto entre estrangeiros, considerar-se o carnaval como “arte” (5o parágrafo), suas manifestações não devem ser vistas como “artísticas”.
(E) O autor concorda com Antônio Candido, ao considerar, no último parágrafo, a pobreza da produção artística brasileira, em qualquer de seus aspectos.

03 – Um título adequado ao texto seria:
(A) A “pequena” grande produção artística brasileira.
(B) Manifestações populares de arte “menor” no Brasil.    
(C) Apelo popular define o que seja “arte brasileira”.
(D) Ibope determina “valor artístico” de manifestações populares.
(E) A norma europeia ainda é predominante na “arte brasileira”.

04 – Mantém-se o sentido original de um segmento do texto, com outras palavras, em:
(A) têm sido superlativas aqui = são as mais cultivadas no planeta.
(B) alcançam níveis de superação artística = precisavam apresentar qualidade superior.
(C) pode compor um elenco = apresenta uma equipe de prestígio.
(D) acabou se alastrando para outros campos = estendeu-se para diversas esferas.
(E) que é feito em outras paragens = que serve de exemplo para outros lugares.