quarta-feira, 5 de março de 2025

ANEDOTA: NÃO VENDEMOS SÓ BEBIDAS - COM GABARITO

 Anedota: Não vendemos só bebidas


        Um rapaz entra, lê o cartaz, senta-se a uma mesa e pede
ao garçom:

        -- Por favor, um suco de abacaxi.

 FONTE:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYSr2cpH7asdVhZ8KoqQXqS6__4QDrt2WZ2PUE-EyzZiW9OQZ-73LIjaUJTOFDuokNP2v3Q_v3AqY66FqoyMM23oqRL482jLcgzhBAQnbFGvo5fwg59nqYW_WtSxDqoVDzM4kZYMT3Ku0oJ7FgFm4id8SJtR9taClsg4BWGd2FwiXlJJPu5yuHIOHPk4o/s1600/SUCO.jpg


        O garçom esclarece:

        -- Se você não for comer alguma coisa, não poderei servir
-lhe o suco. Você leu o aviso?

        -- Li. – Responde o rapaz. – Ele é óbvio e, por isso, inútil.

        -- Desculpe – argumenta o garçom – mas você não leu corretamente o cartaz.

        -- Li, sim. – diz o rapaz. – Vocês é que não o escreveram
corretamente.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 427.

Entendendo a anedota:

01 – Qual é a principal situação de conflito na anedota?

      A principal situação de conflito é que o rapaz quer pedir um suco de abacaxi, mas o garçom informa que ele precisa comer algo para ser servido, e há uma discordância sobre a leitura e interpretação do cartaz.

02 – Qual é a resposta do rapaz quando o garçom pergunta se ele leu o aviso?

      O rapaz responde que leu o aviso e acha óbvio e, portanto, inútil.

03 – Como o garçom justifica a negativa ao pedido do rapaz?

      O garçom justifica a negativa dizendo que, se o rapaz não for comer alguma coisa, ele não pode servir o suco, sugerindo que o rapaz não leu o cartaz corretamente.

04 – Qual é a crítica implícita que o rapaz faz ao cartaz?

      A crítica implícita que o rapaz faz ao cartaz é que ele acha que a mensagem do cartaz é óbvia e, portanto, desnecessária, sugerindo que a forma como foi escrito não é eficaz.

05 – Qual é a reação do rapaz à afirmação do garçom de que ele não leu o cartaz corretamente?

      O rapaz insiste que leu o cartaz corretamente e argumenta que o problema está na forma como o cartaz foi escrito, não na sua leitura.

 

CONTO: E A HISTÓRIA ERA ASSIM.... MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 Conto: E a história era assim...

           Moacyr Scliar

        Em todos os tempos, sempre existiram guerreiros para defender reinos, territórios e países. Na Idade Média (500-1540), os guerreiros mais corajosos recebiam do rei o título de “cavaleiro”.

        Para ser cavaleiro, era preciso saber lutar com várias armas: espada, escudo, lança, clava e punhal. Os cavaleiros enfrentavam seus inimigos montados a cavalo e vestidos com armaduras e capacetes. Como esses equipamentos eram pesados, eles viajavam acompanhados de ajudantes: os pajens e escudeiros.

 FONTE:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjpTcsWRMjgNeT1QgyNptUWOhB1cGyrpM-F4M3DukUzpmHfXlt-vS0EBPsTeWB-azOIC8woGehH9-4OeNqMoTWLOcb7Di-OiY_EvKBLK3KPlO7JtZ4ape2ymSqXPhEQhBAtgvXNmOCVrlUgrqZSgTgRZqaezL5K0L02PT36UXQtAeaiP9SeBsPgt9B-1KY/s1600/CAVLEIRO.jpg


        O dever de todo cavaleiro era proteger crianças, mulheres e pobres, obedecendo a um código de honra chamado de “leis de cavalaria”. Também caçavam e participavam de torneios, lutas organizadas nobres e reis.

        No século XVII, época em que Dom Quixote foi escrito, histórias de cavaleiros estavam na moda. Eram os romances de cavalaria.

        Na Inglaterra, quase todos conheciam “Os feitos do rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda”. Na Alemanha, havia a lenda de Rolando, o valoroso cavaleiro, e, na Espanha e na França, as aventuras de Carlos Magno, o rei guerreiro.

        Os heróis dessas aventuras eram homens maravilhosos que nasciam em lugares maravilhosos e que se apaixonavam por mulheres ainda mais maravilhosas. Possuíam armas e inimigos fantásticos, como dragões, bruxos e gigantes.

        Mas Dom Quixote era um cavaleiro trapalhão. Seu cavalo de batalha, Rocinante, era velho e magro. Seu escudeiro, Sancho Pança, não era nobre nem jovem e, ainda por cima, viajava montado num pequeno burro. Nada era mágico ou maravilhoso na vida de Dom Quixote.

        Quando ele saiu de sua casa para viajar pelo mundo em busca de aventura, tudo deu errado. Em sua primeira aventura, confundiu uma comitiva de cavalariços com guerreiros inimigos e os atacou. Foi derrotado e humilhado. Libertou, por engano, um grupo de ladrões e avançou contra moinhos de vento pensando que fossem gigantes.

        Dom Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura, jamais conseguiu ser um herói como os dos romances que leu. E, talvez por ter sido apenas um homem simples, cheio de boas intenções e uma coragem que raramente usou, tornou-se uma das personagens mais encantadoras de toda a literatura ocidental, transformando seu criador, Miguel de Cervantes, num escritor de uma história clássica.

Scliar, Moacyr. Vice-versa ao contrário. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2001, p. 19.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 16.

Entendendo o conto:

01 – Qual era o título dado aos guerreiros mais corajosos na Idade Média?

a) Soldado.

b) Cavaleiro.

c) General.

d) Escudeiro.

02 – Quais armas um cavaleiro precisava saber usar?

a) Espada, escudo, lança, clava e punhal.

b) Arco e flecha, espada, lança.

c) Espada, escudo, arco e flecha.

d) Lança, clava, arco e flecha.

03 – Quem acompanhava os cavaleiros em suas viagens?

a) Soldados e generais.

b) Pajens e escudeiros.

c) Reis e rainhas.

d) Magos e bruxos.

04 – Qual era o dever de todo cavaleiro?

a) Proteger o rei.

b) Proteger crianças, mulheres e pobres.

c) Conquistar novos territórios.

d) Caçar dragões.

05 – O que eram os romances de cavalaria?

a) Histórias sobre reis e rainhas.

b) Histórias sobre cavaleiros e suas aventuras.

c) Histórias sobre magos e bruxos.

d) Histórias sobre dragões e gigantes.

06 – Qual era a lenda conhecida na Alemanha?

a) Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda.

b) Rolando, o valoroso cavaleiro.

c) As aventuras de Carlos Magno.

d) Dom Quixote.

07 – Como era o cavalo de batalha de Dom Quixote?

a) Forte e rápido.

b) Velho e magro.

c) Pequeno e ágil.

d) Grande e poderoso.

08 – Quem era o escudeiro de Dom Quixote?

a) Rolando.

b) Sancho Pança.

c) Carlos Magno.

d) Rei Arthur.

09 – O que Dom Quixote confundiu com guerreiros inimigos em sua primeira aventura?

a) Um grupo de ladrões.

b) Moinhos de vento.

c) Uma comitiva de cavalariços.

d) Dragões.

10 – Por que Dom Quixote se tornou uma das personagens mais encantadoras da literatura ocidental?

a) Por ser um herói perfeito.

b) Por ser um homem simples, cheio de boas intenções e coragem.

c) Por derrotar todos os seus inimigos.

d) Por possuir armas mágicas.

POEMA: MUNDO MUDO - DONIZETE GALVÃO - COM GABARITO

 Poema: Mundo mudo

            Donizete Galvão

salta, mundo,

        desse caroço

        de pedra

FONTE: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjc5YJk-6hWFlx3LW6-oRaUfpxLamipQE7lKtiGSaZ5aiLDm0bAg69kT7gKKFf0uQVdXGRMKA9DGg68aWfPAW8X2qApZ1G8aDCBMGWJ_opXAE5m8UkCXzQe_nt2cBmCBKsI7pmzpRJxN0N8mC_9Xa-YrNV1fxNxa0IsNp50_nrtRCSRqaTToIWk0AfEjVs/s320/MUNDO.jpg


em que estás aprisionado

toda rua termina

em muro

toda palavra representa

uma falha

 

salta, mundo,

        desse caroço

de pedra

        vence

as camadas de aluvião

        para que aflore

        um grão

        um broto

        um grito

para quem está exausto

        de auscultar teu corpo

ferido.

Mundo mudo. São Pulo: Nankin Editorial, 2003.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 322.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a metáfora principal utilizada no poema?

      A metáfora principal é o "caroço de pedra" que simboliza a condição aprisionada e estagnada do mundo.

02 – O que o poeta está pedindo ao mundo nas primeiras linhas do poema?

      O poeta está pedindo ao mundo para saltar e se libertar da sua prisão, representada pelo "caroço de pedra".

03 – Qual é a consequência de toda rua terminar em muro, de acordo com o poema?

      A consequência é a sensação de barreiras e limitações, indicando que não há escape ou progresso fácil.

04 – O que o broto e o grão representam no poema?

      O broto e o grão representam esperança, renovação e novos começos, surgindo depois de vencer as dificuldades (camadas de aluvião).

05 – Como o poema descreve a palavra e sua eficácia na comunicação?

      O poema descreve a palavra como representando uma falha, sugerindo a dificuldade e imperfeição na comunicação e expressão humana.

 

 

MÚSICA (ATIVIDADES): DOM QUIXOTE - RITA LEE - COM GABARITO

 Música (Atividades): Dom Quixote

             Rita Lee

A vida é um moinho
É um sonho, um caminho
Do Sancho, o Quixote
Chupando chiclete
O Sancho tem chance
E a chance é o chicote
É o vento e a morte

FONTE: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjq8NTTpGvSp4s5ycmyPh2Q7tUL_6QLnNQ6a6hm3eXTWl3CMPeTRgk3PhN5Pu9Ld0vh8E2AFvvnHwnUrIpMcmVz4otUQjolySWhS069Mq_Tt1TL7xvZ1tY8pW1QKGNrRwP3cwXcPChl-pcTHWlosSUGzMiPFuxn-Lah_SaNdIOSjKtG6FxlpFm4JHttWfw/s320/RITA.jpg


Mascando o Quixote
Chiclete no Sancho
Moinho sem vinho
Não corra, me puxe
Meu vinho, meu "Crush"
Que triste caminho
Sem Sancho ou Quixote
Sua chance em chicote
Sua vida na morte

Vem devagar
Dia há de chegar
E a vida há de parar
E os jornais todos a anunciar
Dulcinéia que vai se casar

Vê, vê que tudo mudou
Vê, o comércio fechou
E o menino morreu
Vê, vê que tudo passou
E os jornais todos a anunciar
Armadura e espada a rifar
Dom Quixote cantar
Na TV vai cantar
Vai subir!

Compositores: Arnaldo Dias Baptista (Arnaldo Baptista), Rita Lee Jones Carvalho (Rita Lee).

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 18.

Entendendo a música:

 

01 – Qual é o tema principal da música "Dom Quixote" de Rita Lee?

      O tema principal da música é a vida como uma jornada cheia de desafios e sonhos, representada pelas figuras de Dom Quixote e Sancho Pança.

02 – Quem são os personagens mencionados na música?

      Os personagens mencionados são Dom Quixote, Sancho Pança e Dulcinéia.

03 – O que simboliza o moinho na música?

      O moinho simboliza os obstáculos e desafios que encontramos na vida.

04 – Qual é a relação entre Sancho e o chicote na letra?

      O chicote representa a chance ou oportunidade que Sancho tem, sugerindo que ele precisa enfrentar desafios para alcançar seus objetivos.

05 – Como a música retrata a passagem do tempo?

      A música retrata a passagem do tempo mostrando mudanças na vida, como o fechamento do comércio e a morte de um menino, além de mencionar que "tudo mudou" e "tudo passou".

06 – Qual é o significado da frase "E os jornais todos a anunciar Dulcinéia que vai se casar"?

      A frase sugere um evento importante e inesperado, simbolizando mudanças significativas na vida e no destino dos personagens.

07 – Como a música "Dom Quixote" de Rita Lee se relaciona com a obra literária de Miguel de Cervantes?

      A música faz referência aos personagens e temas da obra "Dom Quixote" de Miguel de Cervantes, utilizando-os como metáforas para explorar a jornada da vida, os sonhos e os desafios enfrentados.

ARTIGO DE OPINIÃO: O QUE É NEOLOGISMO - FRAGMENTO - NELLY CARVALHO - COM GABARITO

Texto Artigo de opinião: O que é neologismo – Fragmento

           Nelly Carvalho

        A evolução da sociedade nas últimas décadas tem sido tão vertiginosa em todos os setores, que se torna para nós um desafio acompanhá-la [...]. Mas não acompanhar esse ritmo significa ficar de fora, desconhecer as informações mais recentes. [...]

  FONTE:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjmsayrmVYF47XaL-YAy0pd0rbHtDhX4tTX4vNIia8RnzhdXxnGCwLhuNvX6nlI_BhTfk_gpCsfcaaEiGpzIuXSwtY1NWoD1RKjOiiTj404Z2jMAOE6DHmC3UXmKm0w5jKf6UY9hrbT7W5kWVbw5OIsQ6SCYIrcqXg-9Jy4NHTwVXDgEke7lyXo9Je9vpo/s1600/ZAPI.jpg


        A língua, espelho da cultura, reflete essa busca frenética de novidade, evoluindo rapidamente, introduzindo novos termos, logo aceitos. Se os vocábulos novos foram considerados pelos gramáticos “vícios” da linguagem, hoje em dia são aclamados e consagrados, de imediato.

        São eles os neologismos, termo que significa nova palavra [...]. Estão os neologismos ligados a todas as inovações nos diversos ramos de atividade humana, seja na arte, técnica, ciência, política ou economia.

        [...]

        Falando em neologismo, os pontos de referências serão sempre mudança, evolução novidade, novo, criação, surgimento, inovação.

        Daí o neologismo ser algo tão ligado à sociedade atual, algo tão ao gosto do homem de hoje, sequioso de mudanças e novidades.

        Ao incorporá-los a meu vocabulário ativo incluí-los na minha linguagem, sinto-me participante do mundo, das suas evoluções e seus problemas.

        Nelly Carvalho, O que é o Neologismo. Coleção Primeiros passos. São Paulo: Brasiliense, 1984.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 352-353.

Entendendo o texto:

01 – Por que acompanhar a evolução da sociedade é considerado um desafio?

      Acompanhar a evolução da sociedade é considerado um desafio porque ela tem sido muito rápida e vertiginosa em todos os setores, tornando difícil acompanhar todas as novidades e informações mais recentes.

02 – Como a língua reflete a busca frenética de novidade da sociedade?

      A língua reflete essa busca frenética de novidade ao evoluir rapidamente, introduzindo novos termos que são logo aceitos, servindo como um espelho da cultura e das mudanças sociais.

03 – O que são neologismos e como eram vistos pelos gramáticos no passado?

      Neologismos são novas palavras introduzidas na língua. No passado, os gramáticos os consideravam "vícios" da linguagem, mas atualmente são aclamados e consagrados rapidamente.

04 – Em quais ramos de atividade humana os neologismos estão presentes?

      Os neologismos estão presentes em diversos ramos de atividade humana, como na arte, técnica, ciência, política e economia, refletindo inovações e mudanças em cada área.

05 – Qual é a relação entre neologismos e a sociedade atual?

      Os neologismos estão intimamente ligados à sociedade atual, pois representam mudança, evolução, novidade, criação e inovação. Eles são algo que agrada ao homem de hoje, que está sempre em busca de mudanças e novidades.

 

 


CONTO: SOCORRINHO - MARCELINHO FREIRE - COM GABARITO

 Conto: Socorrinho

           Marcelinho Freire

        Moço, não, sua mão, suando, grito no semáforo, em contramão, suada, pelos carros, sobre os carros, carros, moço, não, viu sua mãe e a cidade, nervosa, avançando o meio-dia, dia de calor, calor enorme, ninguém que avista, Socorrinho, algumas buzinas, céu de gasolina, ozônio, cheiro de álcool, moço, não, parecido sonho ruim, dor de dente, comprimido, pernilongo, extração de ouvido, o ônibus elétrico, esquinas em choques, paralelepípedos, viagens que não conhece – hoje desaparecida menina de seis anos, ou sete, trajada de camiseta, sapatinhos ou chinelos, fita crespa no cabelo, azul forte ou infinito, moço, não, aquele grito franzino, miúdo, a polícia que alega estupro, magia negra, sequestro, mastiga um fósforo, a mãe de Socorrinho acende velas, incenso, chorando a Deus justiça divina, justiça duvidosa, viver agora o que seria se já não era, se por um descuido já se foi um dia sem ela, dois, Socorrinho, céus e preces, moço, não, Maria do Socorro Alves da Costa, mulatinha, sumiu misteriosa, diz uma testemunha que um negro levou sua filha embora, revolta da família, vizinho, jornal, televisão, igreja, depois de dois meses, moço, não, boneca, foto de batizado, festinha no bairro, tudo que pudesse trazer Socorrinho de volta para a memória, peito, o quarto morto, as horas puxando apreensão, suor, desesperança, batida de polícia em favelas, rodoviárias, botecos, matagais, tudo isso feito e desfeito, a mãe de Socorrinho ouvia boatos, silenciava à base de comprimidos, o marido já enlouquecido e internado, que miséria, agonia de cidade, moço, não, gente ruim, sem sentimento, pra que deixar sofrendo uma mãe humilde, o bairro, a câmera de TV que treme aquela realidade de cão, mundo, cachorro, já noitinha de outra noite, mais outra, notícia mais nenhuma, nunca, Socorrinho desaparecida, amor quando vai embora, quando vira fé, chamado, súplica, saudade, a filha fosse devolvida, a felicidade, moço, não, gritava três meses, cinco, infinitamente, crônica policial, fichário, esquecida realidade, extraí-la do sonho para sempre, no horizonte, trajada de camiseta, sapatinhos ou chinelo, descalça, fita crespa no cabelo, azul forte ou infinito, moço, não, descaso, não escuto, moço, não, quero ir pra casa, não, moço não, o homem arreava as calças, mais o grito, moço, não, não, Socorrinho chorava, Socorrinho esperneava, Socorrinho mais não entendia aquele mundo estranho, aquele desmaio de anjo.

FONTE: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijYacYfa3bkYdB9jFweCKtdrBTKVU9XBHCWJbcld1e-s2Lj_hPlsc0HDNPL_sf49pC1AMHzdCDWvBkY4RvGBibfg0a9m5aN_kyrmKxWkwJVk6_8Amx4oeE2pwcJL8Cl7gXvQIfI8iN_OGhBuhJ3seSYouZqvxMBJY0LANH-nrB7xl-WA3JrE084Lb4y1s/s1600/MULTID%C3%83O.jpg


FREIRE, Marcelino. Angu de Sangue. São Paulo: Ateliê Editorial, 2000.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 324-325.

Entendendo o conto:

01 – Qual é o tema central do conto "Socorrinho"?

      O tema central do conto é o desaparecimento de uma menina chamada Socorrinho e o sofrimento de sua família e comunidade diante dessa tragédia.

02 – Como o autor descreve a cidade e o ambiente em que a história se passa?

      O autor descreve a cidade como um lugar caótico e opressivo, com calor intenso, trânsito confuso e uma atmosfera de desespero e violência.

03 – Qual é a reação da mãe de Socorrinho ao desaparecimento da filha?

      A mãe de Socorrinho reage com desespero e dor, acendendo velas e incensos, chorando e pedindo justiça divina, enquanto lida com boatos e a ausência de notícias sobre a filha.

04 – Como a comunidade e a mídia reagem ao desaparecimento de Socorrinho?

      A comunidade e a mídia reagem com revolta e preocupação, com a família, vizinhos, jornais, televisão e igreja se mobilizando para tentar encontrar a menina e trazer à tona a realidade cruel do desaparecimento.

05 – Quais são as possíveis causas do desaparecimento de Socorrinho mencionadas no conto?

      O conto menciona várias possíveis causas para o desaparecimento de Socorrinho, incluindo estupro, magia negra e sequestro, além de boatos e alegações de testemunhas.

06 – Como o autor utiliza a repetição da frase "moço, não" ao longo do conto?

      A repetição da frase "moço, não" ao longo do conto serve para enfatizar o desespero e a impotência diante da situação, criando um ritmo angustiante e reforçando a sensação de urgência e sofrimento.

07 – Qual é o impacto do desaparecimento de Socorrinho na vida de sua família?

      O desaparecimento de Socorrinho tem um impacto devastador na vida de sua família, com a mãe recorrendo a comprimidos para silenciar a dor, o pai enlouquecendo e sendo internado, e a família vivendo em constante agonia e desesperança.

 

 

NOTÍCIA: O MULTIVERSO - REVISTA NATIONAL GEOGRAPHIC - COM GABARITO

 Notícia: O MULTIVERSO

        A cada dia o universo torna-se mais e mais complexo. 

        Os tempos mudam, as teorias evoluem e os astrônomos descobrem novos objetos – mas o universo sempre acaba se mostrando mais vasto do que se suspeitava. Uma nova teoria sustenta que ele é apenas um dentre inúmeros universos – como uma bolha em um enorme tanque borbulhante de cerveja, em que cada uma das outras bolhas seria outro universo.

FONTE: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjhI-plH7wvAKCElnfBO9lORh5KORBFduoRsL2DIssKU7NBNWMjwnN_e0C5C_XiCLS7W-TUCZxs0Ph169MKn48fFbODhFdpDgsPvgOK400MVRe-Fr3otBVpZ6NbmMooDrxZjdS9W9P6y5hnh1o31wkeJYvBSD3z5-woCiO95Vw2vCKgq1dbaoyE6lhkggU/s320/UNIVERSO.jpg


        [...] Esse multiverso contém incontáveis bolhas – universos, e algumas das quais certamente abrigam observadores inteligentes tentando entender seu próprio cosmo louco.

         Mas a teoria do multiverso é de difícil comprovação. “Ainda não é ciência”, diz Michael Turner, da Universidade de Chicago.

Revista National Geographic Brasil, agosto / 2003.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 365.

Entendendo a notícia:

01 – O que a nova teoria sugere sobre o universo?

      A nova teoria sugere que o nosso universo é apenas um dentre inúmeros outros universos, comparável a uma bolha em um enorme tanque de cerveja borbulhante, onde cada bolha representa um universo.

02 – Como os astrônomos e cientistas têm contribuído para a complexidade do entendimento do universo?

      Os astrônomos e cientistas têm contribuído para a complexidade do entendimento do universo ao descobrir novos objetos e formular novas teorias, tornando o universo sempre mais vasto do que se imaginava.

03 – O que são considerados "bolhas" no contexto do multiverso?

      No contexto do multiverso, as "bolhas" são consideradas universos individuais, cada uma contendo seu próprio conjunto de leis físicas e condições únicas.

04 – Por que a teoria do multiverso é difícil de comprovar?

      A teoria do multiverso é difícil de comprovar porque atualmente não há métodos ou evidências científicas concretas que possam validá-la, como mencionado por Michael Turner da Universidade de Chicago.

05 – Qual é a opinião de Michael Turner sobre a teoria do multiverso?

      Michael Turner afirma que a teoria do multiverso "ainda não é ciência", indicando que, apesar de ser uma ideia interessante, ela ainda não possui fundamentação científica suficiente para ser considerada uma teoria científica aceita.

 

 

POEMA: CONFISSÃO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: CONFISSÃO

             Carlos Drummond de Andrade 

Não amei bastante meu semelhante,

não catei o verme nem curei a sarna.

Só proferi algumas palavras,

melodiosas, tarde, ao voltar da festa.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjudpKDpfBzuSlpUdE3bh6CXAsm3IW8nb-QmLzeFzstOCx8RP1uP0ERnErthLTCiIrnm-JI7OV8ecknRJc77ZKcvAOu9mQIcyZ6amZpZU6_naqfbmoSfUXMD_4z3UbJqzM1E634bqYanGH5L8yIcfZzh6YCuVBP8ksZ7rl91wnqcm7R0JDeeHvVYodDPtM/s320/amor-relacionamento-casal-paixao-apaixonados-1607980291163_v2_4x3.jpg


 

Dei sem dar e beijei sem beijo.

(Cego é talvez quem esconde os olhos

embaixo do catre.) E na meia-luz

tesouros fanam-se, os mais excelentes.

 

Do que restou, como compor um homem

e tudo que ele implica de suave,

de concordâncias vegetais, murmúrios

de riso, entrega, amor e piedade?

 

Não amei bastante sequer a mim mesmo,

contudo próximo. Não amei ninguém.

Salvo aquele pássaro – vinha azul e doido –

que se esfacelou na asa do avião.

Carlos Drummond de Andrade. Reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 516.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal confissão do poeta no poema?

      A principal confissão do poeta é que ele não amou o suficiente seus semelhantes, nem a si mesmo. Ele reconhece suas falhas em expressar amor e compaixão.

02 – Como o poeta descreve suas ações em relação ao amor e à generosidade?

      O poeta descreve suas ações como superficiais e insuficientes. Ele menciona que "deu sem dar" e "beijou sem beijo", indicando uma falta de verdadeira entrega e sinceridade.

03 – Qual é o significado da metáfora do "cego que esconde os olhos debaixo do catre"?

      A metáfora sugere que aqueles que evitam enfrentar a realidade ou esconder suas imperfeições são cegos em sentido figurado, incapazes de ver e agir com clareza e honestidade.

04 – O que o poeta questiona ao refletir sobre o que restou de suas experiências?

      O poeta questiona como pode compor um homem com as experiências que restaram e tudo o que isso implica de suave, incluindo risos, entrega, amor e piedade. Ele reflete sobre a complexidade da condição humana.

05 – Qual é o único ser que o poeta admite ter amado no poema?

      O único ser que o poeta admite ter amado é um pássaro que "vinha azul e doido" e se esfacelou na asa de um avião. Esse amor é apresentado de forma trágica e efêmera.

 

 

terça-feira, 4 de março de 2025

AUTOBIOGRAFIA: AQUILO POR QUE VIVI - BERTRAND RUSSELL - COM GABARITO

 Autobiografia: Aquilo por que vivi – Bertrand Russell

     

        Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. 

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        Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso, instável, por sobre o profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero. 

        Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – essa solidão terrível através da qual nossa trêmula percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que – afinal – encontrei. 

        Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui. 

        Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a construir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por afastar o mal, mas não posso, e também sofro. 

        Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade. 

 Bertrand Russel, Autobiografia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 523.

Entendendo a autobiografia:

01 – Quais são as três paixões que governaram a vida de Bertrand Russell?

      As três paixões que governaram a vida de Bertrand Russell são o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade.

02 – Por que Russell buscou o amor?

      Russell buscou o amor porque ele produz êxtase, liberta da solidão e prefigura uma visão mística de união, algo que santos e poetas imaginam.

03 – Como Russell descreve sua busca pelo conhecimento?

      Russell descreve sua busca pelo conhecimento como uma paixão igual à do amor. Ele queria compreender o coração dos homens, saber por que cintilam as estrelas e apreender a força pitagórica dos números.

04 – Qual é o impacto da piedade na vida de Russell?

      A piedade sempre trazia Russell de volta à terra. Ele sentia ecos de gritos de dor, sofrimentos e injustiças da humanidade, o que convertia numa irrisão o que deveria ser a vida humana.

05 – Quais são os exemplos de sofrimento humano que ecoavam no coração de Russell?

      Exemplos de sofrimento humano que ecoavam no coração de Russell incluem crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos.

06 – Como Russell vê a relação entre amor, conhecimento e piedade?

      Russell vê amor e conhecimento como algo que conduz para o alto, rumo ao céu, enquanto a piedade o trazia de volta à terra, confrontando-o com o sofrimento humano.

07 – Qual é a conclusão de Russell sobre a sua vida e a oportunidade de vivê-la novamente?

      Russell considera sua vida digna de ser vivida e afirma que, se lhe fosse dada a oportunidade, ele a viveria novamente de bom grado.

 

 

POEMA: TABACARIA - (FRAGMENTO) - ÁLVARO DE CAMPOS - COM GABARITO

 Poema: TABACARIA – Fragmento

             Álvaro de Campos

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

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Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

[...]

Álvaro de Campos. In: Fernando Pessoa. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 516.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o sentimento predominante no início do poema?

      O sentimento predominante no início do poema é de profunda insignificância e vazio, refletido nas frases "Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada."

02 – Como o poeta descreve o seu quarto e a rua à sua frente?

      O poeta descreve o seu quarto como um dos milhões do mundo, desconhecido e insignificante, enquanto a rua à frente é retratada como misteriosa, real, mas inacessível a todos os pensamentos.

03 – O que o poeta quer dizer com "Tenho em mim todos os sonhos do mundo"?

      Esta frase sugere que, apesar de se sentir insignificante e derrotado, o poeta ainda carrega consigo a capacidade de sonhar e imaginar infinitas possibilidades.

04 – Qual é a dualidade que o poeta enfrenta em relação à tabacaria?

      O poeta está dividido entre a lealdade que sente pela tabacaria, como uma coisa real e concreta, e a sensação de que tudo é apenas um sonho, algo irreal e ilusório.

05 – Como o poeta descreve seu estado emocional e físico no poema?

      O poeta descreve seu estado emocional como vencido, lúcido e perplexo, como se estivesse para morrer. Fisicamente, ele sente uma sacudidela nos nervos e um ranger de ossos, expressando uma sensação de despedida e fragilidade.