quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

POEMA: PÁSSARO EM VERTICAL - LIBÉRIO NEVES - COM GABARITO

Poema: Pássaro em vertical
                
                        Libério Neves

Cantava o pássaro e voava
                  cantava para lá
voava para cá
voava o pássaro e cantava
de
      repente  
                   um
                           tiro
                                   seco
            penas fofas
            leves plumas
            mole espuma

            e um risco
            surdo
               n
               o
               r
               t
               e
               -
               s
               u
               l
   NEVES, Libério. Pássaro em vertical. In: AGUIAR, Vera(Coord.);ASSUMPÇÃO, Simone; JACOBY, Sissa. Poesia fora da estante. 2. ed. Porto Alegre: Projeto CPL/PUCRS, 1996.p.34.
Fonte: Projeto Teláris – Português – 7° ano – Editora Ática – p.34
  
Entendendo o poema

1)   O poema pode ser dividido em três partes, cada  uma referente a um momento do que aconteceu com o pássaro. Quais são essas três partes do poema?
a)   1º momento: o voo e o pássaro livre.(Do 1º ao 4º verso.)
b)   2º momento: o tiro. (Do 5º ao 12º verso.)
c)   3º momento: a queda. (Do 13º ao último verso.)

2)   Que significado pode-se atribuir às palavras norte e sul, dispostas no sentido vertical?
A queda final do pássaro.

3)   Que significado o traçado geral do poema sugere?
Os versos em linhas horizontais correspondem ao pássaro vivo (pra lá/ pra cá), e os versos em linha vertical, ao pássaro  morto(norte-sul), simbolizando a queda de cima para baixo, no sentido convencional de norte-sul.

    4) Leia no poema os versos que nos informam que o pássaro foi atingido por um tiro.
       a) O que o formato que os versos adquirem nesse momento nos lembra?
 "O formato nos lembra a queda do pássaro." Ou também pode ser:
"A imagem de um pássaro sendo atingido por um tiro." 

     b) A partir da resposta anterior, é possível afirmar que existe uma relação com a forma dos versos e o fato do pássaro ter sido atingido por um tiro?
    "Sim, pois primeiro, quando estava vivo, ia de lá para cá, e depois simplesmente mostra palavras, dando a impressão de que ele está caindo." 

   5) Observe os seguintes versos: "penas fofas / leves plumas / mole espuma / e um risco / surdo". O que você entende por "risco surdo"? 
"Está mostrando que o pássaro caiu sem vida, sem cantar nunca mais."

6) Observe o título do poema: Pássaro em vertical. O que enfatiza esse título?
    Enfatiza o movimento em queda do pássaro morto.

FÁBULA: A REDE - LEONARDO DA VINCI - COM QUESTÕES GABARITADAS

Fábula: A Rede 
               
                Leonardo Da Vinci

      Naquele dia, como todos os dias, a rede subiu carregada de peixes. Carpas, barbos, lampreias, trutas, enguias e muitos, muitos outros peixes foram para as cestas dos pescadores.
  Lá no fundo da água do rio, os sobreviventes, assustados e com medo, não ousavam se mexer. Famílias inteiras já haviam sido enviadas para o mercado. Diversos cardumes tinham caído na rede e terminado na frigideira. Que fazer?
          Um grupo de jovens peixes promoveu uma reunião atrás de uma pedra e decidiu se revoltar.
          - É uma questão de vida ou morte - disseram eles - todos os dias essa rede afunda na água, cada vez num local diferente, para nos aprisionar e nos levar embora de nosso lar. Vai acabar nos matando a todos, e o rio ficará sem peixe algum. Nossos filhos têm direito à vida e precisamos fazer alguma coisa para livrá-los deste flagelo.
         - E que podemos fazer? - perguntou uma truta que seguira os conspiradores.
        - Destruir a rede - responderam os outros em coro
        As enguias encarregaram-se de rapidamente espalhar a notícia dessa corajosa decisão e convocaram todos os peixes para um encontro na manhã seguinte, numa pequena enseada protegida por altos salgueiros.
        No dia seguinte, milhões de peixes de todos os tamanhos e idades reuniram-se para declarar guerra à rede.
      A liderança foi entregue a uma sábia e velha carpa, que por duas vezes conseguira escapar da prisão, mordendo as malhas da rede.
     - Ouçam com atenção - disse a carpa - a rede é da largura do rio, e todas as malhas têm um chumbo preso por baixo, para que a rede afunde. Dividam-se em dois grupos. Um dos grupos suspenderá os pesos de chumbo e os carregará até a superfície, e o outro segurará as malhas por cima com firmeza. As lampreias vão serrar com os dentes a corda que mantém a rede esticada entre as duas margens. As enguias vão partir já, para fazer uma inspeção e nos informar em que local a rede foi lançada.
         As enguias partiram. Os peixes formaram grupos ao longo das margens. Os barbos encorajavam os mais tímidos, relembrando-lhes o triste fim de tantos amigos e exortando-os a não terem medo de ficarem presos na rede, porque daquele dia em diante nenhum homem seria mais capaz de arrastá-la para a margem.
       As enguias retornaram, missão cumprida. A rede fora lançada a uma milha dali.
       Então todos os peixes, como uma frota gigantesca, partiram atrás da velha carpa.
       - Tomem cuidado - disse a carpa - pois a correnteza pode arrastar vocês para dentro da rede. Sigam devagar e usem bem as nadadeiras.
       E então viram a rede, cinzenta e sinistra.
       Os peixes, acometidos de súbita fúria, nadaram para atacar.
       A rede foi suspensa por baixo, as cordas que a seguravam foram cortadas, as malhas foram rasgadas. Mas os peixes, enfurecidos não largavam mais sua presa. Cada um segurava na boca um pedaço de malha e abanando fortemente as caudas e as nadadeiras, puxavam de todos os lados a fim de rasgar e destruir a rede. E a água parecia estar fervendo enquanto os peixes finalmente libertavam o rio daquele perigo.

(Fábulas e lendas: São Paulo, Círculo do Livro, s/d.)
Fonte: Português – Linguagem & Participação, 5ª Série- MESQUITA, Roberto Melo/Martos, Cloder Rivas – Ed. Saraiva, 1999, p.8-11.
ESTUDO DO TEXTO

1)   Você já leu muitas histórias e deve ter observado que elas acontecem em algum lugar, o que é importante para compreendermos melhor os acontecimentos. Em literatura, o lugar onde a história acontece é chamado de cenário. Escreva qual é o cenário em que a história acontece.
O cenário em que a história acontece é o fundo da água do rio.

2)   Outro elemento importante nas histórias são as personagens. São elas que fazem tudo acontecer. Em A rede, quem são as personagens?
São peixes de diferentes espécies.

3)   Em toda boa história, sempre há um problema (conflito). Qual é o problema que as personagens têm de enfrentar?
Encontrar um meio para destruir a rede de pesca que está acabando com os peixes do rio.

4)   Para que essa história convença o leitor da possibilidade de ela acontecer, as personagens ganham características que são próprias de um ser humano. Quais são elas?
Os peixes pensam, falam, decidem resolver o problema, reúnem-se em grupo, escolhem um líder, seguem etapas de um plano, etc.

5)   A história apresenta, nos seus momentos finais, a solução para o problema (o desfecho). Como as personagens conseguem solucionar o problema?
Os peixes se unem, cada um cumpre o combinado e eles destroem a rede.

6)   Que lição podemos tirar desta história?
A lição de que “a união faz a força”.

7)   O que você achou do comportamento dos peixes?
Resposta pessoal.



TEXTO: COMO SE PEGA O BICHO-GEOGRÁFICO - DISCOVERY MAGAZINE - COM GABARITO

Texto: Como se pega o bicho-geográfico


      Muito comum entre banhistas nesta época de praias lotadas, a contaminação pelo parasita conhecido como “bicho-geográfico” começa quando cães e gatos infectados defecam em terreno quente e úmido. Quando alguém pisa ou deita na areia contaminada, o bicho – cujo nome científico é Ancylostomas – penetra na pele. “Não é necessário haver ferimentos cutâneos para que o parasita entre no corpo”, diz o dermatologista Vidal Haddad, da Universidade Estadual Paulista. Em contato com os pés, mãos ou costas, o parasita fixa-se sob a pele, onde traça linhas sinuosas – daí o nome popular.
                      Discovery Magazine. São Paulo: Synapse. n.5. p.76. dez.2004.
Fonte: Projeto Teláris – Português – 7° ano – Editora Ática – p. 64.

Compreensão do texto

1)   De acordo com o texto, pode –se afirmar que a contaminação se dá pelo contato com as fezes de qualquer cão e gato?
Não, apenas os animais infectados oferecem o risco de contaminação.

2)   Que palavra do texto justifica sua resposta? Classifique-a.
O adjetivo infectados.

3)   Que características do solo favorecem a contaminação?
Ser quente e úmido.

4)   Como o texto caracteriza os nomes  do parasita: Ancylostomas e bicho-geográfico?
Ancylostomos: científico; bicho-geográfico: popular
    




sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

FILME(ATIVIDADES): O LABIRINTO DE FAUNO - GUILLERMO DEL TORO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Filme(Atividades): O Labirinto de Fauno

Em 1944, na Espanha, a jovem Ofélia e sua mãe doente chegam ao posto do novo marido de sua mãe, um sádico oficial do exército que está tentando reprimir uma guerrilheira. Enquanto explorava um labirinto antigo, Ofélia encontra o Pan fauno, que diz que a menina é uma lendária princesa perdida e que ela precisa completar três tarefas perigosas a fim de se tornar imortal.

Data de lançamento1 de dezembro de 2006 (Brasil)

Questões

1)   Escreva 04 adjetivos para caracterizar os seguintes personagens:
Capitão Vidal: mal, impiedoso, orgulhoso, opressivo, machista.
Ofélia: doce, sonhadora, bela, meiga.

2)   No primeiro encontro com o Fauno, o que ele entregou para Ofélia?
Entrega um livro onde as tarefas que Ofélia deverá cumprir serão reveladas.

3)   Qual é seu personagem favorito no filme? Por quê?
Resposta pessoal.

4)   Qual é a prova em que Ofélia, a menina, é a princesa Moanna?
Na última prova, onde ela se transforma na princesa.

5)   Por que Ofélia tem que passar por as três provas de que fala o Fauno?
Para demonstrar que realmente é a princesa de um reino alternativo onde não existe a mentira e nem a dor.

6)   Por que a menina tem que pegar a chave do sapo? Como ela fez?
Para usar na próxima prova. Dando três pedras para o sapo.

7)   Para que serve o livro que o Fauno dá a Ofélia?
Para revelar as tarefas que ela tem que fazer.

8)   O que é mandrágora? Qual é sua função no filme?
Raiz tuberosa, provoca o imaginário por ser semelhante ao ser humano. Era salvar a mãe de Ofélia.

9)   Como o sapo causa sua própria morte?
Engolindo três pedras que a menina lhe oferece junto com alguns bichos do qual ele se alimenta.

10)              Descrever a segunda prova.
Desta vez deve desenhar uma porta com giz para entrar em um corredor onde no final tem uma mesa cheia de comida, da qual não poderá comer, e tem um ser sentado na ponta da mesa.

11)              E a terceira prova, o que ordena o Fauno?
Que ela te entregue o bebê para derramar sangue inocente com o propósito de abrir o portal para o mundo imaginário(fantástico).

12)              Cite as três provas.
1 – Recuperar a chave,
2 – Recuperar uma adaga,
3 – Trazer o bebe até o labirinto.

13)              Que guerra faz referência o filme e quando ocorre a ação?
Após a Guerra Civil Espanhola.

14)              O que acontece está na mente de quem?
Ofélia.

15)              Quais dos personagens pertencem ao mundo real e qual ao mundo fantástico?
Mundo real                                      Mundo fantástico
Ofélia                                                  Fauno
Capitão Vidal                              Homem com os olhos na mão
Mercedes                                             Fadas
Carmem                                          Monstros
Dr. Ferreira

16)              Quanto aos personagens:

a)   Lê a lista de adjetivos abaixo e selecione aqueles que melhor descreve as personagens femininas.
astuta   - aventureira – delicada – frágil – forte – maternal
obstinada – rebelde – valente – sonhadora – inocente
- Ofélia  é uma menina:  aventureira – obstinada – sonhadora – inocente
- Carmem é uma mulher: delicada – frágil .
- Mercedes é uma jovem: astuta – forte – maternal – rebelde – valente.

 b) Agora os adjetivos que melhor descrevam os personagens masculinos.
arrogante – rebelde – obediente – cruel – carinhoso – misterioso – machista – leal – autoritário – valente – justo – egoísta.
- O Capitão Vidal é: arrogante , cruel, machista, autoritário, egoísta, obediente, leal.
- O doutor é: justo, carinhoso, valente e rebelde.
- O Fauno é: misterioso e cruel.

17)              Por que Ofélia e sua mãe fazem uma viagem tão longa, desde Madrid para encontrar-se com o Capitão?
Porque sua mãe estava grávida do Capitão e ele exigia que seu filho nascesse perto dele.

18)              Ofélia conhece o Fauno e ele lhe disse que ela era uma princesa, mas que para chegar ao reino da qual pertencia teria que superar três provas. Quais são estas provas?
1 – Recuperar a chave,
2 – Recuperar uma adaga,
3 – Trazer o bebe até o labirinto.

19)              O que Fauno pede para Ofélia fazer para que sua mamãe sare?
Pede a ela que ponha uma mandrágora em uma bacia com leite e que todas as noites teria que colocar duas gotas de sangue e coloca-la embaixo da cama de sua mãe doente.

20)              No final do filme é triste, mas também é esperançoso. Que achou? Que mudaria no final?
Resposta pessoal.

21)              O médico da história ajuda os homens que vivem na montanha. Mas também ajuda a outro personagem. Quem?
Ajuda a Mercedes porque ela pertence ao bando republicando que moram na montanha.

22)              Você gostou do filme? Por quê?
Resposta pessoal.


POESIA: A FLOR DO MARACUJÁ - FAGUNDES VARELLA - COM GABARITO

Poesia: A FLOR DO MARACUJÁ
          
     Fagundes Varella

Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!

Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá!

Pelas tranças de mãe-d’água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá!

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas,
Que falam de Jeová!
Pela lança ensanguentada
Da flor do maracujá!

Por tudo o que o céu revela,
Por tudo o que a terra dá
Eu te juro que minh’alma
De tua alma escrava está!…
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá!

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em – á -
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos, ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!
                                      Fagundes Varela. Clássicos da poesia brasileira. São Paulo: O Estado de São Paulo, Klick Editora, s.d.
                                                                   Fonte:  Livro –Coleção ALET – Língua Portuguesa – 5ª Série – Editora Positivo,2007 – p. 169-0.
Entendendo a poesia:
01 – O autor utilizou repetidamente, no final dos versos, palavras acentuadas.
a)   Quais são as palavras?
Sinhá; sabiá; maracujá; manacá; gravatá; está; ubá; panamá; Sincorá; dá.

b)   Como são classificadas?
Elas classificam-se em oxítonas.

c)   Qual o efeito do recurso para o leitor?
É o ritmo provocado pela repetição da tonicidade, o que fica mais evidente se a poesia for declamado em vez de lido.

02 – Observe as palavras: Secretaria/secretária; sabia/sabiá; polícia/policia; está/esta; contrária/contraria. Qual a importância de se conhecer a sílaba tônica das palavras?
      A sílaba tônica permite a pronúncia adequada e o significado dentro do contexto em que as palavras estão inseridas.


CONTO: A MOÇA E O PEIXINHO DOURADO - COM QUESTÕES GABARITADAS

Conto: A moça e o peixinho dourado

        Num reino distante, que ficava à beira-mar, viviam um rei e uma rainha que estavam casados há muito tempo e nunca tiveram filhos. Todos os dias, enquanto passeava nas areias da praia, a rainha suplicava:
        -- Deus desse mar imenso, permita que eu tenha um filho! Conceda-me a honra de ser mãe.
        Um dia, o Deus do Mar ouviu suas preces e lhe concedeu uma filha, que nasceu junto com um lindo peixinho dourado, que ficava perto da menina o tempo todo. Não precisava de água para viver.
        A princesinha recebeu o nome de Ariel e todos chamavam o peixinho de Benvindo. A menina e o peixe cresciam fortes, felizes.
        Numa tarde ensolarada, enquanto a rainha e a princesa passeavam na praia, Benvindo entrou no mar e despediu-se de Ariel:
        -- Vou cumprir o meu destino, no fundo do mar, mas se algum dia você estiver em perigo, é só me chamar que estarei pronto para lhe ajudar.
        Ariel tornou-se uma bela moça. Não havia quem não admirasse a sua beleza e bondade!
        Um dia, num reino vizinho, a rainha adoeceu e antes de morrer, chamou o rei e disse:
        -- Vou partir para sempre, mas preciso que você me faça uma promessa. Olhe este anel feito do mais puro ouro e diamante. Prometa-me que só se casará com uma princesa em cujo dedo ele caberá.
        O rei era um homem velho, feio e ranzinza, mas não faltaria à promessa feita à rainha agonizante. Quando ficou viúvo, começou a procurar uma noiva. Todas as princesas conhecidas experimentaram o anel, mas ele não coube em nenhum dedo. Até que se lembrou que havia uma princesa que morava no reino à beira-mar. Foi visitar Ariel em seu palácio e ficou maravilhado com sua beleza. E para sua surpresa, o anel serviu-lhe direitinho. A princesa não queria casar-se com aquele velho horroroso, mas seus pais não queriam magoar o rei do importante país vizinho. Desesperada, Ariel chorou, chorou, mas não houve jeito; o casamento foi marcado para breve. Então, ela se lembrou do seu peixinho, correu para a praia e chamou:
        -- Benvindo, Benvindo, me salve, me ajude!
        O peixinho apareceu e ela contou o que estava acontecendo.
        -- Não fique triste. Diga-lhe que só se casará com o rei se ele lhe der um vestido azul com todas as estrelas do céu.
        Ariel voltou para o palácio e fez como Benvindo lhe havia dito. O rei ficou triste, preocupado, mas prometeu que lhe daria o vestido. Ariel estava feliz, pois não acreditava que ele pudesse conseguir isso.
        Demorou, demorou, mas um dia, o rei cumpriu o prometido e apareceu com o vestido.
        Ariel, desesperada, correu até a praia, chamou por Benvindo e este prontamente lhe atendeu.
        -- E agora, o que eu faço? Prefiro morrer a casar-se com aquele homem.
        -- Calma. Peça-lhe um vestido verde com todos os peixes do mar.
        O rei se aborreceu, esbravejou, mas aceitou o desafio e atendeu a exigência da noiva. Ariel, desesperada, mais uma vez procurou Benvindo:
        -- Meu querido, serei sacrificada. Não quero me casar com aquele velho!
        -- Calma, boa menina! Diga que só se casará com ele, se tiver um vestido branco com todas as flores da Terra.
        O rei ficou muito aborrecido, irritado, mas cumpriu o desejo da princesa e mandou entregar-lhe um lindo, rico e florido vestido.
        A princesa, sem saber o que fazer, correu à praia, em busca dos conselhos do seu fiel protetor. Ele já a esperava com um barco e disse-lhe:
        -- Pegue os seus pertences e fuja depressa. Esse barco a levará para terras distantes; ninguém a achará. Você se casará com o filho do rei.
        Ariel obedeceu e depois de navegar por algumas horas, chegou a um reino desconhecido. Foi até o palácio e pediu emprego, para que pudesse se manter, pois não trouxera joias ou dinheiro. Deram-lhe um emprego de cozinheira.
        Algum tempo depois, começou a Festa da Felicidade, quando havia festejos em todo o reino e bailes no palácio, durante três dias. Ariel queria ir ao baile, mas era somente uma cozinheira e não fora convidada.
        Ariel viu os ricos súditos se prepararem e caminharem em direção aos salões do palácio. Quando todos se foram, ela vestiu o branco e florido vestido, enfeitou-se e também foi à festa. Todos que a viram se admiraram e se maravilharam com a sua beleza. O príncipe dançou várias músicas com ela e sentia-se perdidamente apaixonado.
        No segundo dia, ela vestiu seu vestido com os peixes do mar e fez a mesma aparição, no meio da festa. O príncipe que a esperava, desde o início, não cabia em si de contentamento. Divertiam-se muito. Todos queriam conhecer a bela moça e ninguém suspeitava que ela era a cozinheira da casa real.
        No terceiro dia, ela se arrumou e usou o vestido com todas as estrelas do céu. O príncipe, no final da noite, deu-lhe uma linda joia de presente. Ariel fugiu e voltou para os seus afazeres.
        Após os dias festivos, o príncipe caiu numa imensa tristeza e nada o animava. Não comia, nem bebia. Emagreceu e adoeceu. Os reis fizeram de tudo, mas o moço não falava qual era o motivo do seu mal. Ariel, que também estava muito apaixonada por ele, fez um bolo muito gostoso, colocou a joia que ganhou no meio de uma fatia. Escolheu o vestido de que mais gostava, com todas as estrelas, e foi levar o bolo ao príncipe. A princípio, ele não queria nem erguer os olhos para ver a guloseima. Mas resolveu experimentar a fatia que a bela moça lhe oferecia.
        Assim que mordeu um pequeno pedaço, sentiu a joia, olhou e gritou:
        -- Estou curado! Achei a mulher que vai me fazer feliz por toda a minha vida!
        Os reis, felizes pelo restabelecimento do filho, perceberam que a cozinheira era uma princesa. E trataram de marcar o casamento.
        Ariel e o príncipe, apaixonados, casaram-se, viveram felizes para sempre, reinando com justiça e generosidade.
Fonte:  Livro –Coleção ALET – Língua Portuguesa – 5ª Série – Editora Positivo,2007 – p. 236-8.

Entendendo o conto:

01 – Qual o problema (conflito) que a personagem enfrenta?
      O principal conflito é não querer casar-se com o homem velho e rabugento e por isso, foge e torna-se a cozinheira do palácio de um reino distante.

02 – Quais os fatos que ajudam a resolver o conflito? Quem ajuda?
      Quem ajuda é o peixinho Benvindo, criando alguns empecilhos: pedir um vestido com todas estrelas do céu, outro com todos os peixes do mar e um terceiro com todas as flores. E ainda arranja um barco para Ariel fugir.

03 – Se fosse um filme, em que parte você acha que a trilha sonora seria uma música de suspense (clímax)?
      O momento de maior suspense é quando o príncipe está doente e encontra a joia dentro do bolo.

04 – Como a história termina (desfecho)?
      Ariel casa-se com o príncipe e juntos governam com justiça.

05 – Este texto assemelha-se a um conto de fadas tradicional. Qual? Faça uma comparação, quanto às personagens, conflito e desfecho.
      Personagens – Ariel tem semelhanças com Cinderela. As duas são simples, pobres, mas acabam se casando com o príncipe. Uma se aproxima por causa do sapato e outra por causa da joia.

      Conflito – Em Cinderela, o conflito é a moça que vai ao baile, ajudada por sua fada-madrinha e o príncipe se apaixona, mas não sabe onde está sua amada. Em “A moça e o peixinho dourado”, Ariel é ajudada por um pequeno peixe, também vai a festas, o príncipe se apaixona por ela, sem saber quem é, nem onde mora.

      Desfecho – Nas duas histórias, há o mesmo desfecho. Os príncipes reconhecem nas moças pobres suas amadas e casam-se com elas.

06 – Qual é a festa popular brasileira que tem uma semelhança com a festa que aparece no conto?
      Pode-se associar a festa citada no texto com o carnaval brasileiro, que é uma grande festa popular.