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sábado, 1 de agosto de 2026

AUTOBIOGRAFIA: O MENINO DE BRODÓSQUI - FRAGMENTO - CANDIDO PORTINARI - COM GABARITO

 Autobiografia: O menino de Brodósqui – Fragmento

“Saí das águas do mar

E nasci no cafezal de terra roxa.

Passei a infância

No meu povoado arenoso.

Andei de bicicleta e em

Cavalo em pelo. Tive medos

E sonhei. Viajei pelo espaço.”

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgexj-12LK-R34VPHoelocWaL7Yy609rtWu7jSrqHjNRK9-W8OteFCG4wNOsORCS6zoCt1fI7ze1_WdHoIhStMXEhOiW7bi8BCxx8nUEEyWmFHHmTB3aLbX6NwQHMUNcmrN3r03nZd9L20DNoZsAB-PHsildR38eOA7AL9hUZLGmXDlGOoYJKXxHISeQgA/s1600/images.jpg


        Nasci numa fazenda de café. Meus pais trabalhavam na terra. Não tenho nenhuma lembrança dali.

        Mudaram-se da fazenda Santa Rosa para a estação de Brodósqui – onde não havia ainda povoado; eu devia ter uns dois anos de idade.

        No novo local viviam, com meus pais, minha avó paterna, um tio e uma tia, ambos irmão do meu pai. [...]

        Nosso brinquedos eram variados, conforme o mês, e também havia os para o dia e os para noite. Para o dia eram: gude, pião, arco, avião, papagaio, diabolô, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha e futebol. Para a noite: pique, barra-manteiga, pulando carniça, etc. tinha o cabelo branco e apelidavam-me de vovô. Gostava muito de ir na garupa de cavaleiros. Gostava de deitar-se na grama e olhar as  estrelas, era um grande prazer. Havia também as histórias de Dona Iria, senhora portuguesa, mãe de muitos filhos e muito boa pessoa; à noite, sentados no chão ao seu redor, ficávamos atentos, ouvindo as histórias: Roberto do Diabo, Roldão, Carlos Magno, reis, príncipes e princesas. Que lindas eram as suas histórias e que bom era esse tempo.

        Eram belas as manhãs frias na época da apanha de café e delicioso o canto dos carros de boi transportando as sacas da colheita. Quantas vezes adormecíamos sobre as sacas da colheita. A luz do sol parecia mais forte. Era somente para nós. Ia pela estrada afora o carro vagaroso, cantando. Dormíamos cheios de felicidade. Sonhávamos sempre, dormindo ou não. Nossa imaginação esvoaçava pelo firmamento. Fantasias forjadas, olhando as nuvens brancas, mais brancas do que a neve. Tudo se movia ao nosso redor como um passe de mágica. Belas eram as flores silvestres. Conhecíamos bem os pássaros, as formigas, as seriemas, as saracuras e os tatus. Quando víamos no chão um orifício, sabíamos a que bicho pertencia. Conhecíamos também a maioria das árvores e arbustos, sabíamos suas serventias para as doenças; as chuvas e o arco-íris, as nuvens, as estrelas, a lua, o vento e o sol eram-nos familiares. O contato com os elementos moldava nossa imaginação e enchia nosso coração de ternura e esperança. [...].

PORTINARI, Candido. O menino de Brodósqui. In: PORTINARI, Candido. Retalhos da minha vida de infância. Org. e consult. Técnica: Projeto Portinari: São Paulo, 2001.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1. ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 5-6.

Entendendo a autobiografia:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

-- Terra roxa: também chamada de terra vermelha, é um tipo de solo conhecido por sua alta fertilidade e por seu preço elevado.

-- Forjadas: inventadas, criadas.

-- Orifício: buraco.

02 – Onde o autor nasceu e por que ele afirma não ter lembranças desse local de nascimento?

      O autor nasceu em uma fazenda de café (a Fazenda Santa Rosa), onde seus pais trabalhavam na terra. Ele não tem lembranças do local porque sua família se mudou de lá para a estação de Brodósqui quando ele devia ter apenas cerca de dois anos de idade.

03 – Quais eram os brinquedos e brincadeiras mencionados pelo autor, e como eles se dividiam entre o dia e a noite?

      Os brinquedos e brincadeiras variavam conforme o mês e o período do dia:

      Para o dia: gude, pião, arco, avião, papagaio, diabolô, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha e futebol.

      Para a noite: pique, barra-manteiga, pulando carniça, entre outros.

04 – Quem era Dona Iria e qual era o seu papel nas memórias de infância do autor?

      Dona Iria era uma senhora portuguesa, mãe de muitos filhos e descrita como uma pessoa muito boa. À noite, as crianças se sentavam no chão ao seu redor para ouvir atentas as suas histórias fascinantes sobre reis, príncipes, princesas e personagens como Roberto do Diabo, Roldão e Carlos Magno.

05 – Qual apelido o autor tinha quando criança e por qual motivo ele recebeu essa alcunha?

      O autor era apelidado de "vovô" porque tinha o cabelo branco quando era criança.

06 – Como era a rotina das crianças durante a época da apanha do café descrita no texto?

      Nas manhãs frias da época da apanha do café, as crianças ouviam o "cantar" dos carros de boi que transportavam as sacas da colheita. Muitas vezes, elas adormeciam sobre as próprias sacas de café no carro de boi vagaroso que ia pela estrada afora, dormindo cheias de felicidade e sonhando.

07 – Como era a relação do autor e de seus companheiros com a natureza e com o ambiente rural?

      Eles tinham uma relação de profunda intimidade e conhecimento com a natureza: conheciam os pássaros, animais (como seriemas, saracuras e tatus) e sabiam identificar qual bicho habitava cada buraco no chão. Além disso, conheciam as árvores, arbustos e suas utilidades medicinais, sendo-lhes familiares elementos como as chuvas, o arco-íris, o vento, a lua e as estrelas.

08 – De acordo com o texto, qual foi o impacto do contato direto com os elementos da natureza na formação do autor?

      Segundo o fragmento, o contato com os elementos da natureza moldava a imaginação das crianças, estimulava suas fantasias e enchia seus corações de ternura e esperança.

 

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

AVALIAÇÃO PROCESSUAL SEE - 2º BIMESTRE/2026 - 6º ANO EF - LÍNGUA PORTUGUESA - COM GABARITO

 Avaliação Processual SEE - 2º bimestre/2026 - 6º ano EF

 

 

 

LÍNGUA PORTUGUESA

QUESTÃO 01

 

Leia a tirinha.

 



Disponível em: https://buzga.wordpress.com/. Acesso em: 4 dez. 2025.

 

No segundo quadrinho, caso o termo “roupas legais” fosse substituído por um pronome oblíquo átono, a forma adequada para reescrever a frase seria:

a.   “finalmente vou poder usar-nas.”

b.   “finalmente vou poder as usar.”

c.   “finalmente vou poder usá-las.”

d.   “finalmente vou poder usar-las.”

 

Questão 02 

Leia o texto.

 

No total, 405 fenômenos foram estudados nos artigos científicos, como ondas de calor na Suécia, furacões no Caribe, inundações em Bangladesh, secas e queimadas na Califórnia (Estados Unidos) e Austrália.

Em 70% dos casos, mudanças climáticas provocadas pelo homem tornaram mais frequente ou intenso um evento extremo específico. Em 9% das ocorrências, a ação antrópica1 produziu o efeito inverso: diminuiu a periodicidade ou a severidade do fenômeno. Resultados inconclusivos ou inconsistentes aparecem em 11% dos eventos extremos e, em 10% deles, não foram encontradas evidências de influência humana. 

PIVETTA, Marcos. Atmosfera turbinada. Revista Fapesp, set. 2021. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/. Acesso em: 23 nov. 2025. (Adaptado).

 

Glossário

1. Antrópica: causada pelo ser humano.

O texto pode ser classificado como parte de um relatório científico, uma vez que

a.   narra uma história sobre eventos extremos usando personagens e enredo.

b.   descreve opiniões pessoais do autor sobre o clima, utilizando linguagem subjetiva.

c.   apresenta dados resultantes de pesquisas científicas, mostrando valores sobre eventos extremos.

d.   interpreta os dados apresentados para convencer o leitor sobre a gravidade das mudanças climáticas.


 
Questão 03 

 Leia o texto.

 

CAVALEIRO: Ora bolas, é apenas um livro. Presentinho chinfrim. Um livro, para o Imperador?

IMPERADOR: Deixe-me ver.

CAVALEIRO: (relutante) Ora, Imperador, por que perder tempo lendo um livro? Nem sabemos do que se trata [...]

IMPERADOR: Mas se não “lê-lo, como sabê-lo”? Passe-me o livro. (pega o livro) Interessante...(vai lendo) Muito curioso. Blá-blá-blá...Quem diria!

CAVALEIRO: O que foi, majestade? O que há de tão interessante nesse livro?

IMPERADOR: São relatos de viagem, de um viajante que esteve por aqui, explorando essas terras. E sabe o que ele descobriu?

CAVALEIRO: A pólvora.

IMPERADOR: Não! Ele descobriu o canto mais belo do mundo... É de um rouxinol. (suspira) Como eu gostaria de ouvi-lo.

CRISPUN, Denise. O rouxinol e o imperador. CBTIJ, [s. d.]. Disponível em: https://cbtij.org.br/. Acesso em: 22 nov. 2025. (Adaptado).

 

Considera-se que o texto apresentado é dramático, pois apresenta

a.   uso de rubricas e a construção do diálogo entre os personagens para desenvolver a história.

b.   presença de um narrador descrevendo os pensamentos dos personagens e o texto dividido em capítulos.

c.   divisão do texto em parágrafos longos e o uso de discurso indireto para apresentar as falas dos personagens.

d.   explicação detalhada do cenário feita por um narrador e a linguagem totalmente formal, sem variações linguísticas.

 

Questão 04

Leia a tirinha.

 

    Disponível em: www.tumblr.com. Acesso em: 23 nov. 2025.       

Em “Eu quero um copo de água!” (1º quadrinho) e “vai tu buscar a água” (2º quadrinho), os pronomes destacados referem-se 

a.        a Calvin e à mãe.

b.        b.aos monstros e à mãe.

c.         c.à mãe e aos monstros.  

d.     d. Calvin nas duas ocorrências.


d. Questão 05  

Leia a tirinha.

 


Disponível em: www.tumblr.com. Acesso em: 22 nov. 2025.

Há uma palavra, na tirinha, formada por um prefixo de negação e com sentido oposto ao de outra palavra conhecida. Essa palavra e seu antônimo são:

a.   aceitar - rejeitar.

b.   incapaz - capaz.

c.   revoltado - paciente.

d.   preconceito - tolerância.

 

 

Questão 06 

 Leia o texto.

 

Meus oito anos

Oh! que saudades que eu tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

 Que os anos não trazem mais!

[...]

Oh! dias de minha infância!

Oh! meu céu de primavera!

Que doce a vida não era

Nessa risonha manhã!

XAVIER, Rodrigo. Antologia completa da literatura lusófona. UTFPR, [s. d.]. Disponível em: www.pb.utfpr.edu.br/. Acesso em: 22  nov. 2025. (Adaptado).

As expressões em destaque no texto podem ser entendidas como

a.   sinônimas em sentido, pois o autor as usa como metáforas para falar de sua infância.

b.   parônimas, porque apresentam o mesmo sentido denotativo.

c.   homônimas, uma vez que se completam em sentido.

d.   antônimas, já que se opõem uma a outra.

sábado, 11 de julho de 2026

NOTÍCIA: O NASCIMENTO DO VANDALISMO - ABADE GREGOIRE - COM GABARITO

 Notícia: O nascimento do vandalismo

               Abade Gregoire 

 

        Ainda que o filósofo Voltaire já fizesse uso da expressão para definir aqueles que atacam as obras de arte, o termo vandalismo ganhou seu estatuto definitivo durante a Revolução Francesa de 1789. O Abade Gregoire, deputado do Terceiro Estado e depois integrante da Convenção Nacional, fora encarregado por seus colegas para fazer um levantamento dos danos. Quais eram os prédios, privados, públicos ou religiosos (palácios, galerias, portais, abadias, mosteiros, conventos, catedrais, igrejas, capelas, cemitérios, tumbas, etc.) que tinham sido alvo da ira popular?

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUB52zw7iKfgikKhN8YgSxBBFAz1PgWUJpu2Z20U93lt5dPIjgBYD04R-HfYSVNxHtlgq-clNnyvCdiRI-ga43QE_qW0UcAuLSeu57Y2qiGAPriPxZ1K8ZZ_sqCZEx_Ari6Xq9XO7o7ucC227Mroo7t8oybWY75RkDyJpzpHLIhq4RUiNzsDDY3FD7sgc/s320/images.jpg


        Durante os anos anteriores, a partir da Queda da Bastilha em 14 de julho 1789, e do colapso da Monarquia Bourbon, em 20 de setembro de 1792, turbas pilharam diversos tipos de construções pela França inteira. Em forma de uma poderosa onda ou em pequenos grupos, rapinaram ou destruíram os mais variados livros raros, vitrais, quadros religiosos, estátuas de santos, reis ou nobres.

        Qualquer coisa que fosse identificada com o Antigo Regime, com a Igreja Católica ou ainda com a Arte Romana, estava em perigo aos olhos da plebe feroz. Incitados pelo convencional extremista Barère, até mesmo a cripta dos reis franceses situada na basílica de Saint-Denis foi invadida em 31 de junho de 1793 e os restos mortais dos dinastas jogados em valas comuns.

        Isto sem omitir-se o estrago causado nas memoráveis bibliotecas dos monges e das freiras, cujos livros sagrados foram rasgados ou jogados em pilhas fantasmagóricas.

        Fogueiras eram acesas com eles e pequenas multidões dançavam em redor delas como nas imemoriais cerimônias pagãs feitas ao ar livre (alguns estudiosos do comportamento das massas ou turbas observam que, por vezes, a volúpia predadora resulta de uma momentânea ruptura com as injunções do mundo adulto e um regresso aos primeiros anos da infância: crianças sentem um evidente prazer em destruir tudo o que lhes cai nas mãos)

                                   O relatório devastador

        O resultado da investigação resultou no Rapport sur les destructions opérées par le vandalisme et les moyens d'y remédier (“Relatório sobre as destruições operadas pelo vandalismo e os meios de remediá-lo”), apresentado em três sessões na Convenção, a última em setembro de 1794, logo após a queda de Robespierre e dos jacobinos. As observações do abade foram tão precisas que serviram como um modelo das atuais políticas patrimonialistas adotadas na maior parte dos países ocidentais.

        O levantamento era impressionante, quase não houve aldeia, vila ou cidade francesa poupada de alguma atrocidade contra as artes: Bayeux, Douci, Etain, Fontainebleau, Villefranche, Toulouse, Verdun, Versalhes, Chantilly, Arles, Chartres, Troyes e, acima de tudo, em Paris.

        A primeira contradição apresentada pelos atos de vandalismo observou Gregoire, é que era uma escandalosa contradição com os ideais do Iluminismo, a qual a Revolução de 1789 se gabava de ser a herdeira. Como uma sociedade que se reclamava "das Luzes" poderia conviver de braços cruzados enquanto as maltas incendiavam, depredavam e saqueavam o que viam pela frente? O pior nem tanto era o roubo – pelo menos o objeto era mantido inteiro e poderia de algum modo vir a ser recuperado mais tarde –, mas a destruição gratuita e sem sentido.

        Queimar por queimar, derrubar uma estátua no chão e dar marretadas até ela virar pó, apedrejar as vidraças dos palácios, por abaixo os candelabros de cristais, tocarem fogo nos tapetes caríssimos, estourarem os tonéis e garrafas nas adegas. Maravilhas do gênio humano em minutos viravam num nada, como foi o caso da enorme cabeça de Júpiter dilapidada em Versalhes.

        Apelou então aos bons cidadãos para que não permitissem ou mesmo denunciassem ameaças aos monumentos das ciências e das artes do passado. Era o patrimônio da nação francesa que se via ameaçado por uma ação irracional, primitiva, bárbara. Os verdadeiros patriotas eram responsáveis por eles, todos deviam preservá-los por qualquer meio possível.

        O abade Gregoire, homem extraordinário que lutara pela abolição da escravidão e pela integração dos judeus, atribuiu aquela insanidade a três motivos: à ignorância voluntária, à cupidez e ao oportunismo dos larápios e dos tratantes, a escória infiltrada na multidão. Não aceitou qualquer argumento que a justificasse. Nem o exaltado ódio ao passado, nem o justo ressentimento contra as castas dirigentes então depostas e exiladas.

        Recomendou que as autoridades republicanas locais fossem alertadas e responsabilizadas para assegurar a preservação dos bens nacionais e que não recuassem frente à matilha doida e vingativa que empanava há cinco anos – desde a Queda da Bastilha – os bons propósitos da Revolução feita em nome do Esclarecimento.

        Deste então, o termo "vândalo" se universalizou. Não há país que possa se orgulhar de jamais ter sido vítima de uma horda desatinada e predadora, palavra associada para sempre à destruição sem motivo algum, a um ato lunático e gratuito de barbárie. 

        Durante os primeiros meses do desenrolar da Revolução Russa de 1917, A. Lunacharski, o Comissário do Povo da Educação, chegou a ameaçar renunciar ao cargo devido às crescentes notícias de atos de vandalismo que chegavam de várias partes do império czarista recém caído. Populares e soldados juntavam-se para saquear as catedrais e as igrejas ortodoxas. Novamente o fenômeno revolucionário despertava nas massas o furor vandálico que, por igual, se reproduziu durante a Revolução Cultural chinesa por obra da Guarda Vermelha (1966-1976), patrocinada pelo próprio chefe da nação, Mao Tse Tung. 


FONTE: terra.com.br. Abade Gregoire.

Entendendo a notícia:

01 – Quem utilizou o termo "vandalismo" pela primeira vez e quando ele ganhou seu estatuto definitivo?

      O termo já era utilizado anteriormente pelo filósofo Voltaire para definir aqueles que atacavam obras de arte. No entanto, a palavra ganhou seu estatuto definitivo e se universalizou durante a Revolução Francesa de 1789.

02 – Qual foi a missão confiada ao Abade Gregoire pela Convenção Nacional?

      O Abade Gregoire foi encarregado por seus colegas de fazer um levantamento detalhado dos danos causados pela ira popular. Ele deveria identificar quais prédios privados, públicos ou religiosos (como palácios, igrejas, bibliotecas e cemitérios) haviam sido alvo de saques e destruição pela França.

03 – O que aconteceu na basílica de Saint-Denis em junho de 1793?

      Incitados pelo convencional extremista Barère, manifestantes invadiram a cripta dos reis franceses situada na basílica. Os restos mortais dos dinastas foram retirados de seus túmulos e jogados em valas comuns.

04 – Qual foi o nome do relatório apresentado pelo Abade Gregoire e qual a sua importância histórica atual?

      O relatório foi intitulado Rapport sur les destructions opérées par le vandalisme et les meios d'y remédier (“Relatório sobre as destruições operadas pelo vandalismo e os meios de remediá-lo”). Sua importância histórica é enorme, pois as observações precisas do abade serviram como modelo para as atuais políticas patrimonialistas adotadas na maior parte dos países ocidentais.

05 – Por que o Abade Gregoire via uma "escandalosa contradição" nos atos de vandalismo?

      Porque a Revolução Francesa se gabava de ser herdeira dos ideais do Iluminismo (as "Luzes"). Para Gregoire, era contraditório que uma sociedade que se dizia guiada pela razão e pelo esclarecimento tolerasse passivamente que multidões incendiassem, depredassem e destruíssem gratuitamente o patrimônio e as maravilhas do gênio humano.

06 – A quais motivos o Abade Gregoire atribuiu a insanidade dos atos de destruição?

      Ele atribuiu o vandalismo a três fatores principais:

      - À ignorância voluntária;

      - À cupidez (ganância);

      - Ao oportunismo dos larápios e tratantes (a escória infiltrada na multidão). O abade não aceitou nenhuma justificativa para os atos, nem mesmo o ódio ao passado ou o ressentimento contra as antigas castas dirigentes.

07 – O texto menciona que o vandalismo não foi um fenômeno exclusivo da Revolução Francesa. Quais outros dois exemplos históricos são citados?

      O texto cita:

      - A Revolução Russa de 1917, onde populares e soldados saquearam catedrais e igrejas ortodoxas, levando o Comissário da Educação (A. Lunacharski) a ameaçar renunciar.

      - A Revolução Cultural Chinesa (1966-1976), onde o furor vandálico foi reproduzido pela Guarda Vermelha e patrocinado pelo próprio Mao Tse Tung.

 

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

NOTÍCIA: POBRE MENINO WINNIE - FRAGMENTO - MARLEINE COHEN - COM GABARITO

 Notícia: Pobre menino Winnie – Fragmento

         A espessa fumaça levantada pelo bombardeio aéreo sobre Liverpool, Inglaterra, mal tinha se dissipado naquele 9 de outubro de 1940, quando, às 18h30, o choro de um recém-nascido ecoou nos corredores do Oxford Street Maternity Hospital.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigVSUpJX_zAumsgJ0RoP3KwCdxbzvgCxArIlw1M6jxw7LJAMGc7UvrLGbMG5HolZAKLYwkhLdZyJZg0_JTNRHTPwO3BVP9QOfhVgRLQQDsMMplbo0cyEW8m_3B-HFqNEOFZYj4FQhc-4GB-lVDVnqOsUMCbdZx3LhKV_1DUrjoSVH31Sj1QNuIFVH-cac/s320/pobre-menino-rico-3.jpg


        Depois de um complicado trabalho de parto, Julia Stanley — uma típica jovem dona de casa de classe média baixa — dava à luz seu primeiro filho, o menino John Winston, para quem o pai Alfred, marinheiro e músico amador, só acenaria para desejar as boas-vindas do outro lado do oceano.

        Apesar de ausente — naquele e em tantos outros anos —, Fred cuidou de garantir a linhagem e o provento do guri, assim que ele nasceu: algo portentoso, seu nome de batismo, John Winston Lennon, era uma homenagem ao bisavô Jack (John) Lennon, que havia integrado o grupo musical Andrews Robertson's Kentucky Ministrels, e ao prestigiado primeiro-ministro Winston Churchill, que, naquele tempo, zelava pela soberania da Grã-Bretanha e conduzia os destinos da nação, num mundo ameaçado pelo nazismo.

        Em breve, porém, a distância entre Julia e Fred selaria — a pedido dela — a definitiva separação entre eles e, a partir de 1942, o dinheiro para o sustento do pequeno John minguou. [...]

        Imersa em dificuldades financeiras, Julia — que, naquele momento, já trabalhava, bebia e fumava — se viu à deriva diante da tarefa de educar o menino. Preferiu casar-se novamente e entregar a tutela de John à irmã Mary Elizabeth — a tia Mimi — e seu marido George Smith, um austero casal de meia-idade que não tinha filhos.

        Coube assim ao tio George ensinar o pequeno John Winston a ler e escrever e levá-lo vez ou outra ao cinema. [...]

        Assim, antes de completar 6 anos, John Lennon já tinha provado o dissabor de ser abandonado pelos pais e vivia com os tios no bairro de Woolton, na 251, Menlove avenue, local de grande concentração de médicos e advogados e distante apenas 5 quilômetros da casa da mãe.

        — Eu era um autêntico menino suburbano, cheiroso e bem-cuidado, meio palmo acima da classe social de Paul, George e Ringo, que viviam em moradias subsidiadas pelo governo. Nós, não: tínhamos nossa casa e nosso jardim. Assim, eu era algo como um fruto proibido, em comparação com eles... — contaria mais tarde John, com suas próprias palavras.

        Apesar disso, e desce muito cedo, Lennon se tornou "o garoto que os pais não queriam ao lado de seus filhos": tinha apenas 6 anos quando foi expulso pela primeira vez de uma creche porque aterrorizava as menininhas. [...]

        Os anos 50 arrebataram este jovem transviado, acentuaram seu sarcasmo e irreverência e o lançaram definitivamente no submundo: John Lennon vestiu-se de couro e se empapuçou de gomalina, abraçou o skiffle, mistura de rock e música popular inglesa que virou mania na Grã-Bretanha, ganhou da tia Mimi um violão e enfrentou a primeira morte na família — a do tio George, em 1953, cuja ausência incentivou sua mãe Julia a se aproximar um pouco mais dele, numa relação de franca e despretensiosa camaradagem. Coube a ela, então, lhe ensinar os primeiros acordes de guitarra e encorajá-lo a seguir adiante com a música.

        — Isso é bom como hobby, mas você nunca vai ganhar a vida assim. — instruía a tia Mimi, ao ver o sobrinho dedilhar o instrumento até sangrar os dedos.

        Mas o rock expressava seu inconformismo, sua dor.

        E lhe trazia de volta a companhia da mãe — até que o ano de 1958 a extirpou definitivamente de sua vida, depois que um policial bêbado chamado Eric Clague a atropelou na frente de casa e a matou aos 44 anos de idade, no dia 15 de julho. [...]

        John Lennon tinha então 17 anos:

        — Minha primeira lembrança da vida é a de um pesadelo — confessaria, amargurado, na autobiografia dos Beatles.

De fato, o sonho ainda estava em gestação.

 

COHEN, Marleine. John Lennon. São Paulo: Globo, 2007. p. 23-25. (Col. Personagens que Marcaram Época)

 

Entendendo a notícia:

01 – Sob quais condições históricas marcantes John Lennon nasceu e qual a origem do seu nome completo?

      John Lennon nasceu em Liverpool no dia 9 de outubro de 1940, logo após um bombardeio aéreo em plena Segunda Guerra Mundial. Seu nome completo, John Winston Lennon, foi uma dupla homenagem: "John" veio de seu bisavô Jack (John) Lennon, que fora músico, e "Winston" foi uma homenagem ao então primeiro-ministro britânico Winston Churchill, que liderava o país contra o nazismo.

02 – Por que a mãe de John, Julia, entregou a tutela do menino para os tios e quem eram eles?

      Após a separação e o sumiço do dinheiro enviado pelo pai (Alfred), Julia enfrentou graves dificuldades financeiras. Como já trabalhava, bebia e fumava, ela se viu incapaz de educar o filho sozinha. Optou por casar-se novamente e entregar a tutela de John à sua irmã, Mary Elizabeth (tia Mimi), e ao marido dela, George Smith, um casal austero de meia-idade que não tinha filhos.

03 – Como John Lennon definia a sua própria classe social na infância em comparação com os outros futuros membros dos Beatles?

      Ele se definia como um "autêntico menino suburbano, cheiroso e bem-cuidado", afirmando estar meio palmo acima da classe social de Paul, George e Ringo. Enquanto os outros viviam em moradias subsidiadas pelo governo, John morava com os tios em uma casa própria com jardim em um bairro nobre (Woolton), o que o fazia se sentir um "fruto proibido" perto deles.

04 – Como foi a divisão de papéis entre a tia Mimi e a mãe (Julia) no início da trajetória musical de John na adolescência?

      A relação foi marcada por incentivo e ceticismo:

      A mãe (Julia): Após a morte do tio George em 1953, ela se reaproximou de John, ensinou-lhe os primeiros acordes na guitarra e o encorajou na música.

      A tia Mimi: Embora tenha lhe dado um violão, era cética e dizia a famosa frase: "Isso é bom como hobby, mas você nunca vai ganhar a vida assim", enquanto via o sobrinho dedilhar até sangrar os dedos.

05 – Qual foi a segunda grande tragédia familiar que abalou a vida de John Lennon aos 17 anos?

      Foi a morte trágica de sua mãe, Julia, em 15 de julho de 1958. Ela foi atropelada e morta aos 44 anos na frente de casa por um policial bêbado chamado Eric Clague. Essa perda precoce extirpou Julia definitivamente da vida de John, intensificando a amargura que ele carregava desde a infância.

 

CONTO: AS AREIAS DA ENSEADA - SALUSTIANO SOUZA - COM GABARITO

 Conto: As areias da Enseada

           Salustiano Souza

 

        O ônibus riscava o asfalto com seus faróis acesos e na minha imaginação ia muito veloz. Eu olhava embevecido a mata que recobria as margens da rodovia, as poucas casas que povoavam Araquari e o céu que começava a tingir-se de alaranjado, prenunciando mais um dia ensolarado no verão.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjbUFxMPfdzN6GySJzq-e1tZ4OmGl_p3AeyLZORpQlzvZ4k4Uc1lCjEW5XBfxuwFEF90UPkAN6BdbpdtJEE8emHtUBXSV8U1hiVHUY1ZT0ebsy_jNifAMcn6gIcgpm87Kx8yX-scEhURjjEX28-TbW3GcOUdZ6ZxzyNW_n9SYxpXlfiUsMYnz8PEFMjypk/s320/images.jpg


        O ônibus parou na fila de carros e todos se levantaram. Olhamos com curiosidade o trem que atravessava a pista, fiquei contando os vagões, na época ainda havia vagões de passageiros, mas naquela hora estavam vazios. O pessoal estava animado, as cestas, caixas e bolsas rolavam pelo corredor nas freadas bruscas e manobras radicais, denunciando que o Beca, motorista maluco que levava os alunos para a Escola Técnica Tupy, era mesmo maluco.

        Sentia um pouco de sono, afinal eu me levantara várias vezes na noite para espiar o céu, com medo de perder a hora e com uma ansiedade incomum. Tinha pouco mais de treze anos, estava começando o curso de mecânico ajustador no Senai e com um misto de alegria e ansiedade aceitara o convite para a excursão da família de um amigo de lá, o Dagoberto, para passar o domingo na praia da Enseada. O ônibus ia lotado, todos os parentes do Dagoberto estavam lá, uma grande festa.

        Sonhos espocaram nas noites que antecederam a partida. Eu praticamente não conhecia praia, apesar de morar em Joinville. Lembranças do mar tinha pouco, algumas parcas passagens por Barra Velha onde via o espetáculo do mar descortinar-se na descida do morrinho e uma vez em Balneário Camboriú, levado pela mão de meu pai, olhando com inveja as crianças que brincavam na areia. Queria molhar os pés, mas ele não deixou. E nem televisão tínhamos para mitigar o desejo que tanto me fascinava de ver o mar.

        Por isso o sonho agora era mais intenso, o desejo mais incontido. Me imaginava correndo na areia da praia, chutando a água, exatamente como vira as crianças fazerem, há muitos anos atrás. Antes de dormir naquela noite acalentei o último sonho que antecede a realização de um desejo. Acordei muito cedo e às cinco e meia da manhã cheguei de bicicleta na frente da casa deles, lá no Itaum. O cheirinho do café misturava-se com a algazarra da família se reunindo.

        O sol agora nascia soberbo, espelhando-se nas águas plácidas do canal do Linguado. A mãe do Dagoberto distribuía orelha de gato. Humm, uma delícia. De repente um estranho barulho, um pneu furou. Quase todo mundo desceu, não tinha muita gente para ajudar, mas para dar palpites estava cheio. Olhei com interesse uma prima do Dagoberto, afinal a puberdade transpirava por todos os poros. Senti que seus olhos fugidios manifestaram interesse.

        A viagem recomeçou e eu comecei a dividir meus sonhos de ver o mar com os sonhos de conhecer melhor aquela garota.

        -- Chegamos em São Francisco, gritou alguém quando fizemos a curva e entramos no Bairro Laranjeiras. Olhei para a janela, procurando o mar, mas só via casas e árvores.

        -- Cadê o mar, perguntei, e todos riram.

        -- Calma menino, mais meia hora e nós chegamos, falou uma das mulheres.

        Logo à frente, a polícia, ao lado da igreja, parou o ônibus. Examinou documentos, conversou com o Beca e fez pouco caso da minha impaciência. Liberou o ônibus, não sem antes ganhar umas orelhas de gato da mãe do Dagoberto.

        Nunca imaginara que a praia pudesse ser tão longe. Mais mato, mais asfalto, e por fim um pedaço de estrada de chão. 

        -- A praia, ouvi o grito quando já saboreava as nesgas de mar que apareciam no meio das árvores. Na Enseada da minha infância havia uma ou outra casa esparsa, porque os prédios vieram anos depois. A praia era quase selvagem.

        Mal parou o ônibus eu corri para água. Na pressa esqueci de tirar o único tênis que tinha, um kichute, e a calça boca sino. Parei com água nas canelas, as ondas brincando de molhar meus joelhos, o olhar embevecido não conseguia abarcar aquela imensidão de água. Fiquei ali parado, sem saber o que fazer, aquele movimento das ondas marulhando no encontro com a areia, ah, aquilo era divino.

        Fechei os olhos e lembrei do poema de Casimiro de Abreu, Deus. Como havia sonhado com aquele momento! A alegria era imensa, não sabia o que fazer, fiquei ali, extasiado, com um sorriso abestalhado, vendo o sol dançar em miríade de cores naquela efervescência de ondas.

        -- Vem! falou a prima do Dagoberto, pegando na minha mão. – Vai colocar um calção!

Salustiano Souza. Fevereiro/2015.

 

Entendendo o conto:

01 – Qual era o principal motivo da ansiedade e da insônia do narrador na noite anterior à viagem?

       O narrador estava extremamente ansioso porque teria a oportunidade de passar o domingo na praia da Enseada. Apesar de morar em Joinville, ele praticamente não conhecia o mar (tinha apenas lembranças vagas de infância) e não tinha televisão em casa para saciar seu desejo de vê-lo. Por isso, passou a noite acordando para olhar o céu, com medo de perder a hora.

02 – Quem era Dagoberto e como o narrador se juntou àquela excursão?

      Dagoberto era um amigo do narrador, colega do curso de mecânico ajustador no Senai. O narrador, que na época tinha pouco mais de treze anos, aceitou o convite da família de Dagoberto para se juntar a eles em um ônibus lotado de parentes para a viagem de domingo.

03 – Quem era "Beca" e como o seu comportamento no volante é descrito no conto?

      Beca era o motorista do ônibus, conhecido por também levar os alunos para a Escola Técnica Tupy. Ele é descrito de forma bem-humorada como um "motorista maluco" que fazia "freadas bruscas e manobras radicais", fazendo com que as cestas, caixas e bolsas da excursão rolassem pelo corredor do veículo.

04 – Que quitute a mãe de Dagoberto distribuiu durante a viagem e em qual momento ele serviu como uma "moeda de troca"?

      A mãe de Dagoberto distribuía orelha de gato (um doce frito tradicional). Além de ser saboreado pelos passageiros durante a parada para trocar o pneu furado, o quitute foi usado para agradar os policiais que pararam o ônibus para examinar os documentos ao lado da igreja, ajudando na liberação da viagem.

05 – Além do desejo de ver o mar, que outro interesse surge no coração do narrador durante o trajeto?

      Durante a parada para consertar o pneu furado próximo ao canal do Linguado, o narrador, que estava no início da puberdade, nota o interesse mútuo nos "olhos fugidios" de uma prima de Dagoberto. A partir dali, ele passa a dividir seus pensamentos entre o sonho de ver o mar e o desejo de conhecer melhor a garota.

06 – Como era a paisagem da praia da Enseada na época da infância do narrador, segundo o relato?

      A praia era descrita como "quase selvagem". Naquela época, a Enseada tinha apenas uma ou outra casa esparsa na orla, bem diferente do cenário atual, já que os prédios e a urbanização só vieram muitos anos depois.

07 – Tomado pela emoção ao chegar, que descuido o narrador cometeu ao correr para a água e quem o "desperta" daquele transe?

      Devido à imensa pressa e ao êxtase de finalmente ver o mar, o narrador correu para a água esquecendo-se de tirar a calça boca de sino e o seu único par de tênis (um kichute). Quem o desperta daquele estado de transe e contemplação é a prima de Dagoberto, que pega na mão dele e diz: “Vem! Vai colocar um calção!”.