domingo, 9 de março de 2025

HISTÓRIA(CONTO): TEREZA BICUDA - (FRAGMENTO) - MARIA JOSÉ SILVEIRA - COM GABARITO

 História (conto): Tereza Bicuda – Fragmento

              Maria José Silveira

        A história de Tereza Bicuda eu mesma não presenciei nem conheço ninguém que tenha presenciado, pois Tereza viveu muito tempo atrás, num tempo bem antigo. O que eu sei é de ouvir contar, mas o João Fonseca dali da venda, sabe quem é? O filho de Safira? Pois ele, sim, já viu com os próprios olhos a ventania assombrada de Tereza Bicuda com seus marimbondos e abelhas jangadas por conta disso passou três dias de cama.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMJ0soViX84enxB5asSL6_QbqcYAKYI7qh2zorMJjznIe2H7vBTYWxXpgHnUnZuOnDgQM1g3LexKKiEp3dLUWVaBbGOYqI-B7dObq0S3eXjxDP0UHTC87KIhFT5WvSBBLN8t1-xL82gieY5xBomo9K2eJeaUO7JB22SAeFwBTjnyefowQXnrkHlMmWNXY/s1600/TEREZA.jpg

        Mas isso foi pouco tempo atrás, ela já morta.

        Ela viva, ninguém daqui conheceu.

        Do tempo em que ela vivia, o que todo mundo sabe é que Tereza Bicuda era uma mulher muito ruim, um poço de maldades, pode-se dizer. Fazia maldades com o pai, com a mãe, com o marido, que a escorraçou de casa.

        Fazia maldades até com as amigas. [...]

        Agora, tinha uma coisa que Tereza amava, pois todo mundo tem. Por pior que seja uma criatura, ela sempre tem um ponto fraco, alguma coisa talvez um pouco perdida, mas que está lá no fundo, escondida em algum canto. Alguma coisa que a faz parecer, por alguns momentos, uma pessoa comum, alguém capaz de algum tipo de emoção boa.

        E essa coisa, para Tereza, era a serra.

        Ela adorava subir a serra e ficar por lá. Às vezes ficava dias lá em cima, sabe Deus onde!, e voltava carregada de cajus e mangabas e essa era a única coisa boa que Tereza fazia na vida: dava as frutas, cada uma mais bonita que a outra, maduras, sumarentas, polpudas, docíssimas, para quem encontrasse no seu caminho aquele dia.

        Quem ganhava essas frutas de Tereza dizia que jamais tinha comido nada igual.

        E assim a vida foi passando, no passo que a vida tem, até que chegou o dia de Tereza morrer e ela morreu, como todo mundo um dia acaba morrendo, não importa o mal nem o bem que tenha feito na vida. Morreu cheia de pecados, mas morreu. E foi enterrada do lado de fora da igreja.

        Tereza era rica, todo mundo sabia, mas como era também muito má e pecadora, e fazia questão de não pôr os pés na igreja, em nenhuma das três igrejas da cidade, nunca pôs os pés em nenhuma delas, o padre nem precisou pensar duas vezes para decidir que ela não merecia ser enterrada dentro de um lugar onde sequer entrava em vida.

        Mandou enterrá-la do lado de fora, num local bem afastado, um local onde só se enterravam os criminosos reconhecidos, mortos sem extrema-unção.

        Ninguém se lembrou, e mesmo se tivesse lembrado, não teria falado porque ninguém gostava dela e não ia de jeito nenhum se dar ao trabalho de pensar em atender seu último pedido, ia?

        Só que teria sido melhor se tivessem se dado ao trabalho, porque foi então que o furdunço começou.

        Começou num dia que o coveiro estava cavando uma cova perto de onde Tereza Bicuda foi enterrada. Ele estava cavando lá, tranquilo, como sempre tinha sido seu jeito de cavar, quando ouviu uma voz meio tremida, meio irritada, meio pedinte, e totalmente macabra, totalmente horrorosa:

        -- Mané Coveiroooooo, meee tiree daquiii!

        Ele, que era coveiro desde menino, desde pequenino trabalhando ao lado do pai também coveiro, estava acostumado demais com tudo aquilo, e não tinha medo de nada, nada mesmo – aliás, minto! Mané Coveiro tinha um medo danado de uma coisa, mas era de uma coisa só, e não tinha nada a ver com defunto nem alma penada, mas isso já é outro caso que, se vocês quiserem, conto depois.

        Naquele dia, no entanto, Mané Coveiro ficou intrigado com aquilo.

        -- Vaia! O que vem a ser isso agora!

        E a voz tremida e horrorosa tornava a gritar:

        -- Mané Coveiroooooo, meee tireee daqui!

        Aquela gritaria toda não parava, e ele, que era coveiro mas não era besta, resolveu sair de perto. Deu por encerrado seu dia de trabalho, fechou o cemitério e foi pra casa descansar a cabeça.

        Quando a noite daquele dia caiu, de repente deu uma ventania pavorosa, dessas de derrubar árvore e até casa mal construída ou muito velha, e o povo todo também escutou uns gritos na rua, gritos horríveis, de presságio e anúncio de coisa ruim.

        A noite inteira assim, uma noite horrorosa que custou a passar e não deixou ninguém da cidade dormir.

        Na manhã seguinte, quando o coveiro foi ver, lá estava o caixão de Tereza Bicuda da banda de fora da sepultura.

        Mané Coveiro matutou um pouco mas fez que não tinha percebido nada, que aquilo era muito normal, e enterrou o caixão de novo, no mesmo local.

        Aí, de noite, aconteceu tudo outra vez, do mesmo jeitinho: a mesma ventania de dar medo, os mesmos gritos na rua, e todo mundo sem poder dormir, com pavor de algo terrível acontecer.

        Na manhã seguinte, de novo o caixão da banda de fora do buraco da cova.

        E Mané Coveiro, outra vez, fez que não estava nem aí, como se estivesse acostumado a ver esse tipo de coisa. Tornou a botar o caixão no seu lugar, do mesmo jeitinho.

        E tudo se repetiu, tudo do mesmo jeito, por várias noites.

        Foi indo, foi indo, com aquelas noites todas de ventania e gritos e aquela ameaça de algo horrível acontecer, o povo começou a ficar tresnoitado. Mané Coveiro também foi ficando cansado de ter que enterrar de novo aquele trambolho daquele caixão, toda manhã.

        Foi então que alguém parece que se lembrou do último desejo da defunta. Será que era isso que queria aquela maldita que não deixava ninguém dormir em paz?

        Por via das dúvidas, os homens mais corajosos da cidade resolveram formar um grupo e se dar ao trabalho de atender ao desejo da defunta e levar seu caixão para a serra.

        E lá enterraram ela, na beira de um córrego que desde então ficou conhecido como o Córrego de Tereza Bicuda.

        [...]

        Agora, se a paz voltou às noites da cidade, naquele lugar, no entanto, nunca ninguém mais chegou perto. Quem tentou, como aquele rapaz, o João Fonseca, filho de Safira, que é teimoso que só ele, conta que os cajus e mangabas que dão ali são os mais bonitos da serra, os mais doces.

        Só que tudo fica lá mesmo, apodrecendo, porque ninguém tem gosto nem coragem de apanhar. Quando alguém mais afoito vai, como esse filho de Safira, não consegue trazer nada. As árvores em volta estão carregadas de caixas pretas de marimbondos e abelhas e faz uma ventania danada no local.

        [...]

 SILVEIRA, Maria José. Tereza Bicuda. In: ______. Uma cidade de carne e osso: casos do interior. São Paulo: FTD, 2004. p. 19; 22-25.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 100-102.

Entendendo a história:

01 – Quem foi Tereza Bicuda?

      Tereza Bicuda foi uma mulher conhecida por sua maldade e por ter vivido há muito tempo atrás.

02 – O que as pessoas diziam sobre as maldades de Tereza?

      As pessoas diziam que Tereza fazia maldades com todos ao seu redor, incluindo seus pais, marido e amigos.

03 – Qual era o único ponto fraco ou paixão de Tereza?

      O único ponto fraco de Tereza era a serra, onde ela gostava de passar dias e coletar frutas.

04 – Qual era a única bondade que Tereza praticava?

      Tereza distribuía as frutas que coletava na serra para as pessoas que encontrava em seu caminho.

05 – Por que Tereza foi enterrada fora da igreja?

      Tereza foi enterrada fora da igreja porque era considerada má e pecadora, e nunca frequentava nenhuma das igrejas da cidade.

06 – O que aconteceu quando o coveiro começou a cavar uma cova perto do túmulo de Tereza?

      O coveiro ouviu uma voz macabra pedindo para ser retirada dali e, durante a noite, o caixão de Tereza apareceu fora da sepultura.

07 – O que acontecia todas as noites após o enterro de Tereza?

      Todas as noites, uma ventania pavorosa e gritos eram ouvidos na cidade, e o caixão de Tereza aparecia fora da cova.

08 – Qual foi a solução encontrada para acalmar o espírito de Tereza?

      Os moradores da cidade decidiram atender ao último desejo de Tereza e enterraram seu caixão na serra, perto de um córrego.

09 – O que acontece com as frutas que crescem perto do túmulo de Tereza na serra?

      As frutas que crescem perto do túmulo de Tereza são bonitas e doces, mas ninguém tem coragem de pegá-las devido à presença de marimbondos e abelhas, além da ventania no local.

10 – Qual a mensagem principal do conto?

      O conto explora temas como a maldade, o arrependimento, o medo do desconhecido e a importância de respeitar os desejos dos outros, mesmo após a morte.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: UM PROCESSO DIRECIONAL NA VIDA - CARL ROGERS - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Um processo direcional na vida

          Carl Rogers

        Quer falemos de uma flor ou de um carvalho, de uma minhoca ou de um belo pássaro, de uma maçã ou de uma pessoa, creio que estaremos certos ao reconhecermos que a vida é um processo ativo, e não passivo. Pouco importa que o estímulo venha de dentro ou de fora, pouco importa que o ambiente seja favorável ou desfavorável. Em qualquer uma dessas condições, os comportamentos de um organismo estarão voltados para a sua manutenção, seu crescimento e sua reprodução. Essa é a própria natureza do processo a que chamamos vida. Esta tendência está em ação em todas as ocasiões. Na verdade, somente a presença ou ausência desse processo direcional total permite-nos dizer se um dado organismo está vivo ou morto.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhssICJWtN5dT1NhPu88eRnkiozJ4fRJtG1qyKprFix-IyrE8hXIES2N6a0jAvHbGjVAQFPGk6OsOcltAcvXzenq92WXSdvc6g8OGLgx8EG4uzezrhWo2YJZL-HR9AMeijbisto8IuwwDYWIofBkEboUIQVMzi_QONp24Zsm4kVnveSn5hkhRnknOE5QBU/s320/PROCESSO.jpg


        A tendência realizadora pode, evidentemente, ser frustrada ou desvirtuada, mas não pode ser destruída sem que se destrua também o organismo. Lembro-me de um episódio da minha meninice, que ilustra essa tendência. A caixa em que armazenávamos nosso suprimento de batatas para o inverno era guardada no porão, vários pés abaixo de uma pequena janela. As condições eram desfavoráveis, mas as batatas começavam a germinar – eram brotos pálidos e brancos, tão diferentes dos rebentos verdes e sadios que as batatas produziam quando plantadas na terra, durante a primavera. Mas esses brotos tristes e esguios cresceram dois ou três pés em busca da luz distante da janela. Em seu crescimento bizarro e vão, esses brotos eram uma expressão desesperada da tendência direcional de que estou falando. Nunca seriam plantas, nunca amadureceriam, nunca realizariam seu verdadeiro potencial. Mas sob as mais adversas circunstâncias, estavam tentando ser uma planta.

        A vida não entregaria os pontos, mesmo que não pudesse florescer. Ao lidar com clientes cujas vidas foram terrivelmente desvirtuadas, ao trabalhar com homens e mulheres nas salas de fundo dos hospitais do Estado, sempre penso nesses brotos de batatas. As condições em que se desenvolveram essas pessoas têm sido tão desfavoráveis que suas vidas quase sempre parecem anormais, distorcidas, pouco humanas. E, no entanto, pode-se confiar que a tendência realizadora está presente nessas pessoas. A chave para entender seu comportamento é a luta em que se empenham para crescer e ser, utilizando-se dos recursos que acreditam ser os disponíveis. Para as pessoas saudáveis, os resultados podem parecer bizarros e inúteis, mas são uma tentativa desesperada da vida para existir. Esta tendência construtiva e poderosa é o alicerce da abordagem centrada na pessoa.

        Em resumo, os organismos estão sempre em busca de algo, sempre iniciando algo, sempre “prontos para alguma coisa”. Há uma fonte central de energia no organismo humano. Essa fonte é uma função do sistema como um todo, e não de uma parte dele.  Maneira mais simples de conceitua-la é como uma tendência à plenitude, à autorrealização, que abrange não só a manutenção, mas também o crescimento do organismo.

Carl Rogers. Um jeito de ser. São Paulo: E.P.U., 1983. 

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 603-604.

Entendendo o artigo:

01 – Qual a ideia central do artigo de Carl Rogers?

      A ideia central é que a vida é um processo ativo e direcional, impulsionado por uma tendência inata à realização, presente em todos os organismos, desde plantas até seres humanos.

02 – Como Carl Rogers define a "tendência realizadora"?

      Rogers define a tendência realizadora como uma força interna que impulsiona os organismos a buscar a manutenção, o crescimento e a reprodução, mesmo em condições adversas.

03 – Qual o exemplo utilizado por Carl Rogers para ilustrar a "tendência realizadora"?

      Rogers utiliza o exemplo de brotos de batata que crescem em um porão escuro, buscando a luz de uma pequena janela, para ilustrar como essa tendência se manifesta mesmo em condições desfavoráveis.

04 – Como a "tendência realizadora" se manifesta em seres humanos, de acordo com o autor?

      Em seres humanos, a tendência realizadora se manifesta como uma busca constante por crescimento pessoal e autorrealização, mesmo diante de dificuldades e experiências traumáticas.

05 – Qual a importância da "tendência realizadora" na abordagem centrada na pessoa, desenvolvida por Carl Rogers?

      A tendência realizadora é o alicerce da abordagem centrada na pessoa, que reconhece o potencial de cada indivíduo para o crescimento e a mudança, independentemente de suas circunstâncias.

06 – O que o autor quis dizer com a frase “A vida não entregaria os pontos, mesmo que não pudesse florescer”?

      Essa frase significa que, mesmo em situações muito difíceis e sem condições favoráveis para o pleno desenvolvimento, a vida sempre buscará existir e se manifestar de alguma forma.

07 – O que o autor quis dizer com a frase “Em resumo, os organismos estão sempre em busca de algo, sempre iniciando algo, sempre “prontos para alguma coisa”. Há uma fonte central de energia no organismo humano.”?

       Essa frase resume a ideia de que os seres vivos, especialmente os humanos, possuem uma energia interna que os impulsiona a agir, crescer e buscar a realização, independentemente das circunstâncias. Essa energia é a força motriz da vida.

 

 

POESIA: BRAZ MACACÃO - (FRAGMENTO) - CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE - COM GABARITO

 Poesia: BRAZ MACACÃO – Fragmento

            A Alfredo Reis Junior.

Apois sim: se o seu doutô
nhô môço e seu capitão,
nhá dôna e seu coroné
e mais o patrão quizé
a minha históra iscutá,
não faço questã... E, inté,
posso agora cumeçá.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhIstImSNfRiIAU9CvKQt_BsOYpxwyiYu1fpyvIOevD_QeKjMSgWWJtDFxfsM4duDLZ4DlkH0X4sVuOPaTb0kZoj3AjjmxAilMIJmbGQvLUh-X-_DcwIrfGFnz5q8XHAC6odZdtM-x8mxDXLgueZBACp69K7ONOXb5Cb_aYIAk-qNPydW17flUV9RNQlN4/s320/linguagem-coloquial.png



Digo a mêcê, dende já,
que eu levei a vida intêra
pulos sertão, a viajá.
Os sertão lá do Ceará,
de Pernambuco e Bahia,
Paraíba e Maranhão,
cunhêço, cumo cunhêço
os dêdo aqui destas mão.
Mas porém sou naturá
d’outras terra, meu patrão.

N’um rancho todo cercado
d’um roçadão de mandióca,
d’um grande mandiocá,
eu naci im trinta e nove,
na serra de Ibitipóca,
que é lá prás Mina Gerá.
Apois oitenta janêro
carrégo aqui neste peito,
que é um véio jequitibá.

[...]

Catullo da Paixão Cearense. Braz Macacão. In: Guimarães Martins (Org.). Luar do Sertão e outros poemas escolhidos. Rio de Janeiro: Ediouro, [s.d.] p. 143.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 29.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a origem do personagem Braz Macacão?

      Braz Macacão nasceu na serra de Ibitipoca, em Minas Gerais, em um rancho cercado por um grande plantio de mandioca.

02 – Que tipo de vida Braz Macacão levava?

      Braz Macacão levava uma vida de viajante pelos sertões do Nordeste brasileiro, conhecendo lugares como Ceará, Pernambuco, Bahia, Paraíba e Maranhão.

03 – Qual a idade de Braz Macacão no poema?

      Braz Macacão tinha oitenta anos no poema, como ele mesmo diz: "Apois oitenta janêro/carrégo aqui neste peito".

04 – A quem Braz Macacão se dirige ao contar sua história?

      Braz Macacão se dirige a pessoas de diferentes posições sociais, como "doutô môço", "capitão", "dôna", "coroné" e "patrão", demonstrando que sua história é para todos.

05 – Como Braz Macacão descreve seu conhecimento dos sertões?

      Braz Macacão compara seu conhecimento dos sertões com o conhecimento que tem dos seus próprios dedos, enfatizando a profundidade de sua experiência: "cunhêço, cumo cunhêço/os dêdo aqui destas mão".

 

 

NOTÍCIA: MUSEU DO LOVRE ABRIGA COLEÇÃO IMPRESSIONANTE DE OBRAS - (FRAGMENTO) - FOLHA ONLINE - COM GABARITO

 Notícia: Museu do Louvre abriga coleção impressionante de obras – Fragmento

        [...]

Folha Online – 19 Abr. 2009 – 14:36

        O museu abriga obras de mestres da pintura e da escultura europeia, antiguidades egípcias, gregas, etruscas, romanas e outros objetos de arte. A coleção do Louvre é considerada uma das mais importantes – e impressionantes – do planeta.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6-b8q4YJ4d9HVFKNQILlR1Hh9MBxg8Z8eQrBPXtgl4OEx_H9DVSHFTF8MTK7j2sCRECWN3-eyFu0Tn1QhmDGBYyP0E0RMlGed8S5QAhWqFQaIz5uhOi3iKuwe22HmnrsXb69D0zb6LXo2hVlqsOwy3lO81nXF8hzR4beSkLenrLnTRLxY0Tc0l4onv8E/s320/LOVRE.jpg


        O acervo é tão vasto que exigiria dias, semanas, meses – ou uma vida toda, diriam alguns – para ser totalmente apreciado. Para auxiliar o visitante, o "Guia Visual – França", da Publifolha, seleciona as obras "imperdíveis" do museu e apresenta os destaques do acervo.

         [...]

Museu do Louvre abriga coleção impressionante de obras. Folha Online. São Paulo, jun. 2009. Extraído do site: www.folha.uol.com.br/folha/publifolha/utl10037u388802.shtml. Acesso em: 14 abr. 2011.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 72.

Entendendo a notícia:

01 – O que o Museu do Louvre abriga em sua coleção?

      O museu abriga obras de mestres da pintura e da escultura europeia, antiguidades egípcias, gregas, etruscas, romanas e outros objetos de arte.

02 – Como a coleção do Louvre é considerada?

      A coleção do Louvre é considerada uma das mais importantes e impressionantes do planeta.

03 – Devido à vastidão do acervo, quanto tempo seria necessário para apreciá-lo totalmente?

      O acervo é tão vasto que exigiria dias, semanas, meses ou até mesmo uma vida toda para ser totalmente apreciado.

04 – O que o "Guia Visual – França" da Publifolha oferece aos visitantes do Louvre?

      O guia seleciona as obras "imperdíveis" do museu e apresenta os destaques do acervo para auxiliar o visitante.

05 – Qual a importância do Museu do Louvre no cenário artístico mundial?

      O Museu do Louvre é um dos maiores e mais visitados museus do mundo, abrigando obras de arte de valor inestimável e importância histórica e cultural para a humanidade.

 




DIÁLOGO: ALXANDRE AZEVEDO - COM GABARITO

 Diálogo: Engano

             Alexandre Azevedo

Toca o telefone: 

-- Alô? 

-- Alô, a RÊ taí? 

-- É ela, quem tá falando? 

-- Oi, RÊ, aqui é o FÊ. 

-- Oi FÊ, comé que cê tá? 

-- Tô bem. Eu queria vê se cê sabe por onde anda a TÊ.

-- Sei sim. Ontem mesmo eu a encontrei na festa do PÊ. 

-- PÊ? Que PÊ? 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhFBuxnbRdo5uE3UEtGzscvdqNQeoD4LVfSlbdmj8GtNjqKsRKN8JlKsHu9r8WPcFVBPg-5GuFo_GLj5w9EUTojL1REk7_nJNYSCnM_1giIsREDrbJ1fl1S6bY6-1ffNl4wgZMB_quTTH1QZa8lmiX3PeKqLzGgXGZ3paoP7otUfHqGh5PNzE9a3fjyVbg/s320/linguagem-coloquial-esferas-circulao-55d8f0964c944.jpg

-- O mano do GÊ, aquele que é chegado na RÔ, lembra? 

-- Mas o PÊ não morreu? 

-- Esse PÊ não. Quem morreu foi o PÊ da LU. 

-- Ah, é mesmo. E por falar nisso, como é que tá a LU? 

-- A LU sofreu muito, mas agora tá boa, até já arranjou outro namorado, o GU. Cê manja? 

-- GU..., GU... Ah! Agora me lembro, é o cunhado da DÊ, aquela que faz medicina né? 

-- Não, não. Esse é o JU, marido da ZÊ, se formou no ano passado em comunicação. 

-- Puxa! O JU conseguiu se formar? Como? 

-- Lembra da SÔ, aquela (...) cê-dê-efe? 

-- Só. 

-- Então, ela passava cola prá ele na hora da prova. 

-- Mas, vamos falar sobre a TÊ, tá? Se cê encontrar com ela de novo, diz pra ela ligar pra mim, ok? 

-- Ué, cê não tem telefone aí na república. 

-- Mas eu nunca morei em república, eu tô no apê da VI. 

-- Pô, FÊ! Então cê mentiu prá gente. 

-- Cê deve tá enganada, eu nunca falei que morava em república. 

-- O quê? Cê tá me chamando de mentirosa? Pois fique sabendo que cê que é mentiroso. 

-- Pô, vê se não enche, Renata! 

-- Renata? Mas aqui quem tá falando é a REGINA. 

-- Regina? Então foi engano, me desculpe. 

-- Mas então quem é você? 

-- Fernando. 

-- Fernando? Cê me desculpa também, pensei que fosse o FERREIRA. 

Alexandre Azevedo. Que azar, Godofredo! São Paulo: Atual, 1989, p. 43-44.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 16-17.

Entendendo o diálogo:

01 – Por que Fernando ligou para Regina?

      Fernando ligou para Regina porque queria saber o paradeiro de Tê.

02 – Qual foi a confusão inicial entre Fernando e Regina?

      A confusão inicial foi que Fernando pensou que estava falando com Renata, enquanto Regina pensou que estava falando com Ferreira.

03 – O que causou o mal-entendido sobre o "PÊ" que morreu?

      O mal-entendido ocorreu porque existem dois "PÊs" na história: um que morreu (o PÊ da LU) e outro que estava vivo (o mano do GÊ).

04 – Como JU conseguiu se formar, segundo a conversa?

      Segundo a conversa, JU conseguiu se formar porque SÔ passava cola para ele durante as provas.

05 – Onde Fernando estava morando no momento da ligação?

      Fernando estava morando no apartamento de VI.

06 – Por que Regina se irritou com Fernando durante a conversa?

      Regina se irritou porque Fernando a chamou de mentirosa, negando que havia dito que morava em uma república.

07 – Qual foi o desfecho da conversa entre Fernando e Regina?

      A conversa terminou com ambos percebendo que houve um engano e se desculpando mutuamente.

 

 

CONTO: O CASAL DE VELHOS - (FRAGMENTO) - EDSON GABRIEL GARCIA - COM GABARITO

 Conto: O casal de velhos – Fragmento

           Edson Gabriel Garcia

        O céu estava escurecendo rapidamente, fechado, com nuvens escuras, quase pretas, anunciando uma tempestade de trovões, relâmpagos e água pesada. Manezinho apressou o passo na estrada deserta meio sem saber o que fazer. Tinha pegado uma carona ate o trevo e agora caminhava em direção à cidade que se escondia do lado de lá da pequena montanha. Quase uma hora de caminhada e via apenas a estradinha se espichando, em direção ao monte de terra. Tomaria chuva, com certeza. No máximo, tentaria se esconder de baixo de uma daquelas arvorezinhas raquíticas que margeavam o caminho. A escuridão aumentou ainda mais, fazendo com que aquele homem danado de corajoso, tivesse medo do temporal e do aguaceiro que estavam para vir. Pensou em correr um pouco, mas desistiu, achando que nada adiantaria. Olhou para cima, como que buscando explicação, e resmungou: “Que venha água, que eu não tenho medo!”

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6XrgAM3zsk-Fo25pqsYztg7slKTfeJxlLDdSz7MMSRfgw_hYzy30Gcbe5CCPkk45mbWLKeSVDMyzud-n0JVKr0md1IyLoUIWSzXuOsBohg4AoyzMvZuePRPqObTic9lgt57VFgC48D65z-yHYIYiwpY7kgu2IXTcijnxTpUngSZ-IMGi5-mXeAZWl5ec/s320/CASAL.jpg


        Mal acabara de resmungar, avistou uma casinha branca e suja, na beira da estrada quase sem vegetação. Manezinho levou um susto que o fez arrepiar: até bem pouco tempo atrás, algumas dezenas de passos antes, a casinha não estava ali. Ou estava vendo uma miragem ou o medo da tempestade era real e não o estava deixando ver nada a sua frente. De qualquer forma, após a primeira impressão de estranhamento, apressou-se em bater à porta e pedir guarida, antes que a natureza o castigasse:

        -- Ó de casa!

        Silêncio.

        -- Ó de casa! Tem gente aí?

        [...]

Edson Gabriel Garcia. O casal de velhos. In: _______. Sete gritos de terror. São Paulo: Moderna, 1991. p. 17. (Veredas).

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 109.

Entendendo o conto:

01 – Qual era a situação climática que Manezinho enfrentava?

      Manezinho enfrentava uma tempestade iminente, com o céu escurecendo rapidamente e nuvens escuras anunciando trovões, relâmpagos e chuva forte.

02 – Para onde Manezinho estava indo e como ele estava se locomovendo?

      Manezinho estava indo em direção a uma cidade escondida do outro lado de uma pequena montanha e estava caminhando após pegar uma carona até um trevo.

03 – Qual foi a reação de Manezinho ao ver a casinha na beira da estrada?

      Manezinho levou um susto, pois a casinha não estava ali momentos antes, e ele se perguntou se estava vendo uma miragem ou se o medo da tempestade o estava afetando.

04 – O que Manezinho fez ao encontrar a casinha?

      Manezinho apressou-se em bater à porta da casinha e pedir abrigo da tempestade.

05 – Como Manezinho se sentia em relação à tempestade antes de encontrar a casa?

      Inicialmente, Manezinho, apesar de corajoso, estava com medo da tempestade e do aguaceiro que se aproximavam.

06 – Que tipo de casa Manezinho encontrou na beira da estrada?

      Manezinho encontrou uma casinha branca e suja, localizada em uma área com pouca vegetação.

07 – O que Manezinho fez ao perceber que não havia resposta ao bater na porta?

      O fragmento do conto não informa o que Manezinho fez após não obter resposta, deixando o leitor em suspense.

 

 

FÁBULA: A ASSEMBLEIA DOS RATOS - IVANA ARRUDA LEITE - COM GABARITO

 Fábula: A assembleia dos ratos

            Ivana Arruda Leite

        Certa vez os ratos reuniram-se em assembleia para encontrar um jeito de se livrar das garras do gato que morava na vizinhança. Foram muitas as propostas, mas nenhuma parecia resolver o problema. Até que uma ratazana esperta teve a ideia:

        – E se nós amarrássemos um sino no pescoço do gato? Quando ele estiver se aproximando, nós ouviremos o sino e fugiremos a tempo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgAoc3cjrsGUL1OYsQsm-w6EtytKdd5VXpcRLVVTScwIh_kowmDY2r4S6-Vrc-NPWo-inmHO_P3t-ltYJWIJV5ZrK98Tj3n29l90nMIQ2oIf7m668d30NpvcDx4-55EvuJb6lHcOfQe3AfRFbHNwTIfYyElsLbkWqID9nuqQj7AQtl0YaVJMGlDsm-gQCQ/s320/GATO.jpg


        A proposta foi aplaudidíssima por todos os presentes.

        – Muito bem, agora só resta escolher quem dentre nós vai amarrar o sino no pescoço do gato.

        Os ratos foram saindo de fininho, com as desculpas mais esfarrapadas:

        – Eu não sei dar laço.

        – Eu sou canhoto.

        – Eu não enxergo muito bem.

        Até que não sobrou nenhum na sala.

        Moral: Falar é fácil, fazer é que são elas.

LEITE, Ivana Arruda. Fábulas de Esopo. São Paulo: Escola Educacional, 2004. p. 22.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 74.

Entendendo a fábula:

01 – Qual era o problema que os ratos enfrentavam?

      Os ratos estavam sendo ameaçados por um gato que morava na vizinhança.

02 – Qual foi a solução proposta pela ratazana esperta?

      A ratazana propôs amarrar um sino no pescoço do gato para que os ratos pudessem ouvi-lo se aproximando e fugir a tempo.

03 – Como os ratos reagiram à proposta da ratazana?

      Os ratos aplaudiram a proposta da ratazana, achando-a uma ótima ideia.

04 – Por que nenhum dos ratos se ofereceu para amarrar o sino no pescoço do gato?

      Os ratos deram diversas desculpas para não realizar a tarefa, como não saber dar laço, ser canhoto ou não enxergar bem, mostrando que, na prática, ninguém queria se arriscar.

05 – Qual a moral da fábula?

      A moral da fábula é que é fácil falar, mas difícil agir, ou seja, é mais fácil ter ideias do que colocá-las em prática.

 

 

POESIA: IGREJA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poesia: Igreja

            Carlos Drummond de Andrade

Tijolo
areia
andaime
água
tijolo.
O canto dos homens trabalhando trabalhando
mais perto do céu
cada vez mais perto
mais
— a torre.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrkswwxc09nfSqlEra0C7wkjYSR4_XO825V57TqmwLH9hYBxa1y-XAYXg6zsXzJ06OnaaJh0F_1JFB18sifEfSR_fQep7ZlEpzDUx8lFKCO1pmnE4MFoFISbWbHU1K1vGvGtID-XbperMMSh-3lgieAyrjuy207sLQt_S-2KCz-TT5Xvzc2P9FeqpAhqU/s1600/IGREJA.jpg



E nos domingos a litania dos perdões, o murmúrio das invocações.
O padre que fala do inferno
sem nunca ter ido lá.
Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos.
Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida.
A manhã pintou-se de azul.
No adro ficou o ateu,
no alto fica Deus.
Domingo...
Bem bão! Bem bão!
Os serafins, no meio, entoam quii ieleisão.

Carlos Drummond de Andrade. Igreja. In:_____. Reunião: 10 livros de poesia. 5 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 68.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a temática principal do poema?

      O poema explora a dualidade entre o trabalho árduo da construção da igreja e a espiritualidade presente nos rituais religiosos que ali ocorrem.

02 – Como o poema descreve o processo de construção da igreja?

      O poema descreve o processo de construção da igreja de forma concisa e objetiva, listando os materiais e ações envolvidos: "Tijolo / areia / andaime / água / tijolo. / O canto dos homens trabalhando trabalhando / mais perto do céu / cada vez mais perto / mais — a torre."

03 – Qual a crítica presente na fala do padre?

      A crítica presente na fala do padre é que ele fala do inferno sem nunca ter estado lá, sugerindo uma desconexão entre a teoria religiosa e a experiência real.

04 – O que representa a figura do ateu no adro da igreja?

      A figura do ateu no adro da igreja representa a presença da dúvida e da descrença em um ambiente religioso, contrastando com a fé dos demais presentes.

05 – Qual a atmosfera predominante nos versos finais do poema?

      Os versos finais do poema criam uma atmosfera de tranquilidade e aceitação, com a expressão "Bem bão! Bem bão!" e o canto dos serafins, sugerindo uma conciliação entre o humano e o divino.

 

 

MÚSICA(ATIVIDADES): A GÍRIA É CULTURA DO POVO - BEZERRA DA SILVA - COM GABARITO

 Música (atividades): A Gíria É Cultura Do Povo

             Bezerra da Silva

Toda hora tem gíria
No asfalto e no morro
Porque ela é
A cultura do povo

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjqGzaAyqj89NpeSfr-vw6yi4KNYOHB0u8SChGdjNE_kTGo7VvuaLwzRc3m4-a7L9JEBUt7DX3k6GHCWUzbWa6ZtqaqCPOITcJ8KpZE695KykgAG7xIr0ItFrCkjfGq1yl5Wt54I2LllYT4_V9CnjfFOJ_42i0aepWa1wV8QTn4SuV7z64CGHqWZ_OB9xY/s320/BEZERRA.jpg 


Pisou na bola
Conversa fiada malandragem
Mala sem alça é o couro
Tá de sacanagem

Tá trincado é aquilo
Se toca vacilão
Tá de bom tamanho
Otário fanfarrão

Tremeu na base
Coisa ruim não é mole não
Tá boiando de marola
É o terror alemão

Responsa catuca
É o bonde, é cerol
Tô na bola
Corujão vão fechar seu paletó

Toda hora tem gíria
No asfalto e no morro
Porque ela é
A cultura do povo

Se liga no papo maluco
E o terror!
Bota fé compadre
Tá limpo!
Demorou!

Sai voado
Senti firmeza!
Tá tranquilo

Parei contigo!
Contexto baranga
É aquilo

Tá ligado na fita!
Tá sarado
Deu bote
Deu mole
Qualé?
Vacilou!
Tô na área
Tá de bofe?
Tá bolado?
Babou a parada
A mulher de tromba sujou

Toda hora tem gíria
No asfalto e no morro
Porque ela é
A cultura do povo

Sangue bom
Tem conceito malandro
E o cara ai!
Vê se me erra boiola
Boca de siri

Pagou mico
Fala sério
Tô te filmando!
É ruim ein
O bixo tá pegando

Não tem caô!
Papo reto
Tá pegado
Tá no rango mané
Tá lombrado

Caloteiro
Carne de pescoço
Vagabal!
Tô legal de você 171
G.D.O.
Cara de pau!

Composição: Elias Alves Junior / Wagner Chapell. Extraído do site: http://letras.terra.com.br/bezerra-da-silva/430884. Acesso em: 25 abr. 2011.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 30.

Atividades da música:

01 – Qual a mensagem principal da música?

      A mensagem principal da música é que a gíria faz parte da cultura popular, expressando a criatividade e a identidade do povo, tanto no asfalto quanto no morro.

02 – Que exemplos de gírias são mencionados na música?

      A música menciona diversas gírias, como: "Pisou na bola"; "Conversa fiada"; "Mala sem alça"; "Tá de sacanagem"; "Tá trincado"; "Vacilão"; "Otário fanfarrão"; "Tremeu na base"; "Tá boiando de marola"; "Responsa"; "Catuca"; "Tô na bola"; "Corujão"; "Bota fé"; "Demorou"; "Senti firmeza"; "Tá tranquilo"; "Parei contigo"; "Baranga"; "Tá sarado"; "Deu bote"; "Deu mole"; "Qualé?"; "Tô na área"; "Tá bolado?"; "Babou a parada"; "Sangue bom"; "Boca de siri"; "Pagou mico"; "Não tem caô"; "Papo reto"; "Tá lombrado"; "Caloteiro"; "171"; "Cara de pau".

03 – O que a música sugere sobre a origem e o uso da gíria?

      A música sugere que a gíria surge nas ruas, nos contextos sociais do dia a dia, e é utilizada por pessoas de diferentes origens e classes sociais.

04 – Qual o estilo musical da canção e como ele se relaciona com a temática da gíria?

      O estilo musical da canção é o samba, com a malandragem característica do estilo, que se relaciona com a temática da gíria por ser um ritmo popular que frequentemente aborda temas do cotidiano e da cultura de rua.

05 – Como a música retrata a diversidade da linguagem popular?

      A música retrata a diversidade da linguagem popular ao apresentar uma grande variedade de gírias, mostrando como a linguagem se adapta e se transforma em diferentes contextos sociais.

06 – Qual a importância de Bezerra da Silva para a música popular brasileira e como ele aborda a questão da gíria em suas canções?

      Bezerra da Silva foi um importante sambista que ficou conhecido por suas letras que retratavam o cotidiano das favelas e a linguagem popular. Ele abordava a questão da gíria em suas canções como forma de valorizar a cultura e a identidade do povo.

07 – O que significa a expressão "A Gíria É Cultura Do Povo"?

      A expressão "A Gíria É Cultura Do Povo" significa que as gírias fazem parte da cultura de um povo, ou seja, as gírias são expressões de um povo e de sua cultura, sendo uma forma de comunicação própria e carregada de significados.