sábado, 28 de março de 2015

TEXTOS COM GABARITO PARA ENSINO MÉDIO - I

TEXTOS COM GABARITO PARA ENSINO MÉDIO - I


01 - TEXTO: O PEQUENO PRÍNCIPE (fragmento) 

   E foi então que apareceu a raposa.
– Bom dia, disse a raposa.
– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
– Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
– Sou uma raposa, disse a raposa.
– Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
– Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
– Que quer dizer “cativar”?
– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
– Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?
– Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
– Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços”…
– Criar laços?
        – Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.
         – Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
– É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra…
– Oh! Não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada.
– Num outro planeta?
– Sim.
– Há caçadores nesse planeta?
– Não.
– Que bom! E galinhas?
– Também não.
– Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua ideia.
– Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembra coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo.
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe.
– Por favor… cativa-me! disse ela.
– Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
– Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
– É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto.
No dia seguinte o principezinho voltou.
– Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada e descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
– Que é ritos? Perguntou o principezinho.
– É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é um dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
– Ah! eu vou chorar.
– A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
– Quis, disse a raposa.
– Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
– Vou, disse a raposa.
– Então, não sais lucrando nada!
– Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
– Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas.
– Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela uma amiga. Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
– Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa.
– Adeus, disse ele.
– Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
– O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
– Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
– Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
– Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
– Eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
(ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY, O Pequeno Príncipe. 22a Edição, 1981,
Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro)
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Procure no dicionário o significado da palavra “cativar” e identifique qual dos significados é utilizado neste texto.
O principezinho convidou a raposa para brincar com ele, mas ela não aceitou. Por quê?
De acordo com o texto, explique a diferença entre:  a) ser cativada – b) não ser cativada –
Complete a frase de acordo com o texto: Segundo a raposa, os homens não cativam (não amam) e não são cativados (não são amados) porque……………..
Assinale a única resposta correta:
Pelo texto podemos concluir que cativar ou amar uma pessoa é:
a) (   ) algo que se compra nas lojas
b) (   ) decisão própria de cada pessoa
Explique com suas palavras a frase: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
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Gabarito:
De acordo com o Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, cativar pode significar: tornar cativo; capturar; seduzir; atrair; ganhar a simpatia, a estima de; prender; acorrentar (física ou moralmente); tornar-se cativo; perder a liberdade (física ou moral); render-se; ficar sujeito. O texto utiliza o significado de ganhar a simpatia, a estima de.
Segundo a raposa, ela ainda não tinha sido cativada pelo príncipe.
a) ser cativada – criar laços afetivos, se tornar alguém especial para outra pessoa, ser amada e amar alguém
b) não ser cativada – ser indiferente para outra pessoa, não ter laços afetivos
….. não tem mais tempo ou não se dedicam a cativar (ou amar) outras pessoas.
Alternativa B
Resposta pessoal.


02 - TEXTO: CASO DE CANÁRIO 

Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
– Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
– Mas eu também tenho coração, era essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
– Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
O sogro, a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
– Vai, meu bem.
Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
– Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vitima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém.Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
– Ui! Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
– Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.

ESTUDO DO  TEXTO
I. Assinale a alternativa correta para cada item. 1. A expressão: “… daria cabo do canário…” (par. 1) significa:
a.( ) dar o canário a alguém b.( ) soltar o canário da gaiola
c.( ) matar o canário d.( ) prender o canário na gaiola
2. Na frase: “Você ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho” (par. 2), a palavra em destaque pode ser substituída por:
a.( ) apegar-se b.( ) enfurecer-se c.( ) desencantar-se d.( ) preocupar-se
3. Na frase: “Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar…” (par. 7), a palavra em destaque pode ser substituída por:
a.( ) escrúpulo b.( ) tédio c.( ) ansiedade d.( ) raiva
4. Na frase: “O canário …. jazia a um canto…” (par. 7), a palavra em destaque pode ser substituída por:
a.( ) cantava b.( ) arrepiava-se c.( ) estava deitado d.( ) saltitava
5. Na frase: “Tirou o canário com infinita delicadeza…” (par. 9), a palavra em destaque pode ser substituída por:
a.( ) arrogante b.( ) enorme c.( ) desajeitado d.( ) espontânea
6. Nas frases abaixo, aparecem em destaque, expressões da fala coloquial. Relacione as duas colunas, de acordo com o significado dessas expressões:
I. “…esse está mesmo na última lona…” (par. 7) 2. “…achando a condição humana uma droga…” (par. 10) 3. “O canário reluzia vivinho da silva…” (par. 14) 4. “ O canário estava com uma fome danada.” (par. 14)
a. ( ) uma coisa muito ruim       b. ( ) muito grande, fora do comum
c. ( ) no fim d. ( ) vivo, sem nenhuma dúvida
II – Responda com base no texto.
7. Por que os sogros e a esposa escolheram o rapaz para sacrificar o canário?
8. O que o genro quis dizer com a frase: “Mas eu também tenho coração.”?
9. Por que a família decidiu matar o canário de estimação?
10. Por que o jovem marido considerou o sacrifício do canário como uma obra de misericórdia?
11. Como procedeu ele para matar o canário?
12. Transcreva do texto a frase que mostra o estado de espírito do personagem depois que executou o passarinho.
13. As expressões sepultar (par. 10) e enlutada (par. 11) referem-se normalmente à morte de pessoas. Por que o narrador as empregou referindo-se ao canário?
14. Como você entende a expressão “voltar para dentro de si mesmo” (par. 11)?
15. Na crônica, não aparece o nome do personagem escolhido para matar o canário. Retire do texto as palavras empregadas para se referir a ele.
16. Como se explica o fato de o canário estar vivo?
17. Por que o personagem, no final, também se sentiu ressuscitado?
18. Na crônica, o canário aparece em duas situações diferentes. Primeiro, ele está muito mal, semimorto. Depois, ele aparece curado, bem vivo. Transcreva as frases que mostrem o canário nessas duas situações.

GABARITO 1. c 2. A 3. A 4. C 5. B 6. A(2) b.(4) c.(1) d.(3)
7. Porque ele, sendo novo na família, ainda não tivera tempo de se apegar ao canário.
8. Ele quis dizer que também era sensível e que tinha pena do bichinho.
9. Porque o médico afirmara que ele estava muito doente, não tinha cura.
10. Porque seria um ato de caridade abreviar o sofrimento do canário.{
11. Deu-lhe éter para cheirar e depois torceu-lhe de leve o pescoço.
12. “E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga.”
13. O canário era como uma pessoa da família. Todos lhe queriam bem, como a uma criatura humana.
14. A expressão significa parar para pensar, para meditar.
15. As palavras usadas para se referir ao personagem são sacrificador e estrangulador.
16. Na verdade, o canário não tinha morrido. A torcida rápida e leve no pescoço não foi suficiente para matá-lo.
17. O personagem estava desolado com a morte do canário. Ao saber que ele estava vivo, sentiu grande alivio e felicidade. 18. 1a. – Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. (par. 7)
2a. – Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva com uma fome danada? (par. 14 

03 - TEXTO -   BOM DE OUVIDO 

Volta e meia a gente encontra alguém que foi alfabetizado, mas não sabe ler. Quer dizer, até domina a técnica de juntar as silabas e é capaz de distinguir no vidro dianteiro o itinerário de um ônibus. Mas passa longe de livro, revista, material impresso em geral. Gente que diz que não curte ler.
Esquisito mesmo. Sei lá, nesses tempos, sempre acho que é como se a pessoa estivesse dizendo que não curte namorar. Talvez nunca tenha tido a chance de descobrir como é gostoso. Nem nunca tenha parado para pensar que, se teve alguma experiência desastrosa em um namoro (ou em uma leitura), isso não quer dizer que todas vão ser assim. É só trocar de namorado ou namorada. Ou de livro. De repente, pode descobrir delícias que nem imaginava, gostosuras fantásticas, prazeres incríveis. Ninguém devia ser obrigado a namorar quem não quer. Ou ler o que não tem vontade. E todo mundo devia ter a oportunidade de experimentar um bocado nessa área, até descobrir qual é a sua.
Durante 18 anos, eu tive uma livraria infantil. De vez em quando, chegavam uns pais ou avós com a mesma queixa: “O Joãozinho não gosta de ler, o que é que eu faço?” Como eu acho que o ser humano é curioso por natureza e qualquer pessoa alfabetizada fica doida pra saber o segredo que tem dentro de um livro (desde que ninguém esteja tentando lhe impingir essa leitura feito remédio amargo pela goela abaixo), não acredito mesmo nessa história de criança não gostar de ler. Então, o que eu dizia naqueles casos não variava muito.
A primeira coisa era algo como “pára de encher o saco do Joãozinho com essa história de que ele tem que ler”. Geralmente, em termos mais delicados: “Por que você não experimenta aliviar a pressão em cima dele, e passar uns seis meses sem dar conselhos de leitura?”
O passo seguinte era uma sugestão: “Experimente deixar um livro como este ao alcance do Joãozinho, num lugar onde ele possa ler escondido, sem parecer que está fazendo a sua vontade. No banheiro, por exemplo.” E o que eu chamava de um livro como este, já na minha mão estendida em oferta, podia ser um exemplar de O Menino Maluquinho, do Ziraldo, ou do Marcelo, Marmelo, Martelo, da Ruth Rocha, ou de O Gênio do Crime, do João Carlos Marinho.
(MACHADO, Ana Maria. Comédias para se ler na escola – prefácio. Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001)

Assinale a única resposta correta:

1. Na frase: “Há flores e frutos no armário novo”, temos quantos substantivos?
a. ( ) 3 b.( ) 2 c.( ) 4 d.( ) 1 e.( ) 5
2. Assinale o substantivo abstrato:
a.( ) bruxa b.( ) comida c.( ) ar d.( ) bondade e.( ) saci
3. Assinale o substantivo concreto:
a.( ) dor b.( ) fé c.( ) ar d.( ) pobreza e.( ) lealdade
4. Qual o coletivo de lobos?
a.( ) enxame b.( ) nuvem c.( ) alcatéia d.( ) cáfila
5. Qual o coletivo de aviões?
a.( ) esquadra b. ( ) esquadrilha c.( ) vara d.( ) matilha
6. Combine a coluna da direita com a coluna da esquerda:
a. alcatéia 1.( ) cabelos
b. atlas 2.( ) montanhas
c. cordilheira 3.( ) mapas
d. coro 4.( ) camelos
e. elenco 5.( ) plantas de uma região
f. enxame 6.( ) estrelas
g. cáfila 7.( ) artistas
h. cardume 8.( ) veículos
i. esquadra 9.( ) lobos
j. fauna 10.( ) peixes
l. filmoteca 11.( ) abelhas
m. flora 12.( ) navios de guerra
n. frota 13.( ) animais de uma região
o. clero 14.( ) chaves
p. constelação 15.( ) padres
q. madeixa 16.( ) filmes
r. molho 17.( ) cantores
s. ramalhete 18.( ) rosas
t. corja 19.( ) viajantes
u. caravana 20.( ) vagabundos

GABARITO 1. a 2. D 3. C 4. C 5. B 
Questão 6: 1. (q) 2. (c) 3. (b) 4. (g) 5. (m) 6. (p) 7. (e) 8. (n) 9. (a) 10. (h) 
11. (f) 12. (i) 13. (j) 14. (r) 15. (o) 16. (l) 17. (d) 18. (s) 19. (u) 20. (t) 

TEXTO: CEIÇÃO 

A escada tem vinte e oito degraus. E liga as tirânicas necessidades da mesa de D. Marfisa ao comércio ambulante e rumoroso que lhe passa pela frente do sobrado. Ao longo dessa escada, circulam pra baixo e pra cima, incansavelmente, duas pernas finas e esfoladas. São as pernas de Maria da Conceição – a Ceição. Agora, a carrocinha do verdureiro pára defronte à casa de D. Marfisa. E, Dona Marfisa comanda:
- Ceição, dá um pulinho lá e pergunta o que é que ele tem de bom, hoje.
Conceição vai e volta:
- Tem abobra, chuchu, couve, repolho, agrião…
- Pergunta pra ele se tem alface. Ceição vai e volta:
- Mandou dizer que tem.
- Pergunta pra ele se a alface é nova. Ceição vai e volta:
- Mandou dizer que é.
- Pergunta pra ele quanto é o pé. Ceição vai e volta:
- Mandou dizer que é cinquenta…
- Pergunta pra ele se não acha caro. Ceição vai e volta:
- Mandou dizer que não, que é até barato.
- Então, pede dois pés. Ceição vai e volta:
- Taí, madrinha. D. Marfisa apanha os pés de alface, olha-os, examina-os.
- Bem. Agora, dá um pulinho lá e pergunta pra ele se tem troco pra uma nota de duzentos. Ceição vai e volta:
- Mandou dizer que tem.
- Pergunta pra ele se não é melhor assentar no caderno. Ceição vai e volta:
- Mandou dizer que, se a senhora quiser, ele assenta.
- Diz pra ele que não. Leva o dinheiro e paga já. Não quero mais saber de caderno. Ceição vai e volta:
- Mandou dizer que é pra senhora conferir o troco.
D. Marfisa confere:
- Tá certo. Mas esta nota parece que é falsa. Dá um pulinho lá e diz pra ele que me mande outra. Ceição vai e volta. Volta e geme:
- Taí, madrinha.
Então as duas pernas dobram, vergam – os ossos de Ceição quase se desmancham no assoalho asseadíssimo do sobrado da madrinha.
Ontem, D. Marfisa estava dizendo para a cozinheira:
- Como tu vês, Josefa, eu poupo o mais possível essa negrinha…
(Athos Damasceno, Persianas Verdes. Editora Globo, Porto Alegre, 1967)

INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
1. Pelas indicações do texto, entendemos que três pessoas vivem no sobrado. Quais são?
2. Depois da chegada do verdureiro até o fim da transação, a menina desceu e subiu a escada do sobrado:
a. ( ) vinte e duas vezes b. ( ) oito vezes c. ( ) dez vezes d. ( ) trinta e três vezes
3. D. Marfisa poderia ter diminuído muito o trabalho de Ceição se desse mais de uma ordem de cada vez. Por que não o fez?
4. Mesmo recebendo as ordens uma a uma, Ceição poderia por conta própria reduzir seu trabalho. Que deveria fazer para que isso acontecesse?
5. D. Marfisa tinha Ceição sob sua responsabilidade talvez como agregada que recebesse da madrinha, em troca do trabalho, sua manutenção (casa, comida e roupa) e educação. Na sua opinião, D. Marfisa estava demonstrando qualquer interesse pela formação da menina? Por que?
6. Com o texto, o autor quis demonstrar que:
a. ( ) certas pessoas não percebem o quanto estão explorando os seus subalternos.
b. ( ) existem pessoas incapazes de cumprir mais de uma ordem de cada vez.
c. ( ) as pessoas caridosas acolhem os filhos alheios e os cercam de cuidados.
d. ( ) até uma simples compra exige certos cuidados para que não haja exploração.
7. Identifique a frase cuja palavra “nota” tem o mesmo significado na frase a seguir:
“… pergunta pra ele se tem troco para uma nota de duzentos.”
a. ( ) Tanto trabalho para receber apenas esta nota de gorjeta!
b. ( ) Fiquei mais aliviado quando vi a nota que tirei em Português.
c. ( ) O Frederico ficou boquiaberto quando o garçom lhe apresentou a nota.
d. ( ) O esforço foi grande, mas ainda há uma nota desafinada no piano.
8. Ceição anunciou incorretamente uma das verduras vendidas pelo verdureiro. Identifique-a e escreva-a corretamente.
9. Identifique e substitua a expressão existente nas frases que equivale à palavra “asseadíssimo(a)”:
a. No sobrado da madrinha, o assoalho era muito limpo.
b. Gertrudes era uma empregada prestativa e muito limpa.
c. As ruas da cidade, por serem muito limpas, refletem a boa educação do povo.
d. Dava gosto ver os filhos da Eulália. Sempre muito limpos.
e. Se você quer o sanitário da escola muito limpo, dê o exemplo e não o suje.

Gabarito: CEIÇÃO 
1. D. Marfisa, Ceição e Josefa. 
2. Alternativa c
3. Porque não tinha ideia do esforço que era subir e descer a escada, seguidas vezes, em espaço de tempo tão pequeno.
4. Deveria antecipar-se às ordens, pedindo o maior número de informações ao verdureiro como: verduras existentes para venda, preço.
5. Resposta pessoal.
6. Alternativa a.
7. Alternativa a.
8. Ceição falou “abobra” e o correto é “abóbora”.
9. a. No sobrado da madrinha, o assoalho era asseadíssimo. 
b. Gertrudes era uma empregada prestativa e asseadíssima. 
c. As ruas da cidade, por serem asseadíssimas, refletem a boa educação do povo. 
d. Dava gosto ver os filhos da Eulália. Sempre asseadíssimos. 
e Se você quer o sanitário da escola asseadíssimo, dê o exemplo e não o suje. 



5 comentários:

  1. Parabéns, excelentes textos. Tenho trabalhado os mesmos, esão maravilhosos.

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  2. Parabéns, excelentes textos. Tenho trabalhado os mesmos, esão maravilhosos.

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  3. Muito bom! Parabéns e obrigada pelo compartilhamento.

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  4. Obrigada pelo carinho. Continue acessando, estarei sempre postando novos textos. Abraço. Jaqueline

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  5. Oi
    Parabéns pela iniciativa
    Ajudou-me bastante

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