quinta-feira, 26 de março de 2015

TEXTOS PARA O 6º AO 9º ANO COM GABARITO


TEXTOS PARA O 6º AO 9º ANO  COM GABARITO



01. TEXTO: OS NETOS DE LENNON


Vamos ler agora um texto em que o narrador-personagem relata experiências vividas com criança cujo comportamento não é nada civilizado.

            Nada como uma boas férias para sofrer uma crise histérica com as crianças. Não com todas, é claro. Refiro-me a um tipo especial de anjinho, cada vez mais frequente na cidade. Seus pais, tios e avós amavam os Beatles e os Rolling Stones. Frutos de uma omelete de teorias libertárias, as gracinhas podem tudo – e atormentam a todos. Há três semanas, um casal foi almoçar lá em casa, com a filha. Servi macarrão com molho al pesto.

           A sinhazinha, do alto de seus 7 anos, experimentou, torceu o nariz e declarou aos gritos:
          - Está horrível, horrível!
          Disfarcei, achando que a mãe devia estar morta de vergonha. Coisa nenhuma. Estava feliz, até orgulhosa:
          - Minha filha é muito autêntica.
          A autêntica começou a bater a colher no prato, espalhando o molho verde pela toalha de renda. Arreganhei os lábios, tenso. O pai sorriu:
          - Acho que você não foi muito feliz no cardápio. Ela prefere sundae. Tem mania de misturar sorvete com bacon.
         Prometi intimamente servir dobradinha com açúcar queimado se alguma vez os encontrasse de novo pela frente. Quando eu era pequeno, minha mãe me obrigava a comer um pouco e fingir que gostava. Agora devo continuar gentil enquanto a jovem gourmande atira um fiapo de espaguete nos meus óculos.
        Recentemente, em uma livraria, vi um menino agarrar o rolo de papel da máquina de calcular da caixa. Enquanto a pobre moça tentava salvar suas contas, a mãe assistia à cena placidamente. Conheço outro garoto que, mal chegado à casa alheia, atira-se com os sapatos sujos sobre o sofá, pula nas almofadas e agarra os cinzeiros de vidro sem ouvir um ah! da mãe, que mantém a expressão extasiada porque ele “é muito esperto”. Estive próximo de um ataque cardíaco certa vez em que decidi levá-lo a passear no shopping. Correr atrás dele pelas lojas equivaleu a um treino para disputar as Olimpíadas. Ele simplesmente parecia incapaz de perceber o sentido da palavra não. Para os espíritos aventureiros, o ideal é ir no fim de semana a algum shopping da moda e conviver com a nova geração de superliberados. São centenas de crianças agitadas como abelhas e propensa a trombar nas pernas alheias, como   se os adultos fossem um trambolho incômodo. Pior: o espírito anti-repressor da educação parece resultar em pequenas personalidades autoritárias.
         - Pai, eu quero pizza já!
         - Mas...
         - Já, pai, agora mesmo!
         Muitas têm manias que me surpreendem. Levei um susto no restaurante japonês. A menina, de uns 8 anos, chegou com os pais. Pediu, sofisticada:
         - Sushi. Mas só de atum, com pouca mostarda. Cuidado, da outra vez você exagerou. Rápido, estou com fome.
        O sushiman ficou olhando chocado, com a faca erguida. Fechei os olhos. Quando abri, ela comia agilmente, com os palitinhos nipônicos. Já vi cenas semelhantes em lojas. Um garoto:
        - Este tênis nunca, nunca!
        O pai tímido:
         - Mas é igual ao outro e mais barato, filho.
         - Eu só uso da minha marca!
         Muitas crianças conhecem grifes, perfumes, a maioria tem um pé na computação, nenhuma resiste a um vídeo game. Fazem os pais comprarem o que querem e, por isso, os lojistas as recepcionam com sorrisos e suspiros. Perdi uma grande amiga por causa do rebento. Resisti a tudo: mordidas nas almofadas, livros rasgados. Até o dia em que esqueci a porta aberta e ele se pendurou no murinho da varanda do 6º andar, onde vivo. Gritei, assustado:
         - Saí daí, você vai cair.
         O anjinho sorriu, uma das pernas balançando no espaço. Olhei para o lado: a mãe folheava uma revista calmamente. Eu me senti o próprio Indiana Jones. Dei três saltos, mergulhei de cabeça e o atirei ao chão. A mãe veio, furiosa:
         - Você não tinha o direito. Deixou o menino fora de si. Impediu que ele tivesse a experiência integralmente. Como é que a cabecinha dele vai reagir?
        - Cair do 6º andar é uma experiência integral?
        Muitas vezes, minha vontade é dar um belo beliscão à antiga em alguns desses netos de Lennon. Mas me contenho. A culpa afinal não é deles, mas de uma geração de pais com horror à palavra não. E um bom não, sinceramente, não faz mal a ninguém.
 CARRASCO, Walcyr. Os netos de Lennon


VAMOS ENTENDER O TEXTO
1)Releia o primeiro parágrafo e responda: Qual o problema apresentado pelo narrador?
 A falta de educação de algumas crianças.   
2)Em qual trecho se encontra a maior crítica ao comportamento dessas crianças?
 Disfarcei, achando que a mãe devia estar morta de vergonha, Coisa nenhuma, estava feliz até orgulhosa.
3)Transcreva do primeiro parágrafo uma frase que contenha ironia.
Refiro-me a um tipo especial de anjinhos.
4)O termo sinhazinha era a designação que os escravos davam à filha da patroa (que era a sinhá). Por que o autor diz “a sinhazinha” para se referir à menina de 7 anos?
 Porque ela si acha ser.
4) Cite alguns episódios onde segundo o autor as crianças têm comportamento inadequado.
 - Pai, eu quero pizza, já.
 - Este tênis nunca, nunca.
 - Eu só uso da minha marca.


02. POR QUE CHORAMOS   AO  CORTAR  CEBOLA?


        Não importa quem está no comando das artes culinárias, mesmo o mais bravo dos mestres-cucas se debulha em lágrimas diante de uma cebola! Se você já passou pela experiência de cortar uma, sabe que não se trata de emoção de cozinheiro e, sim, de ardência nos olhos mesmo. Mas por que a cebola faz qualquer um chorar?

       A explicação está na química. Dentro das células da cebola existem compostos de uma substância chamada enxofre, que é responsável pelo cheiro característico do vegetal. Quando as células se rompem pela ação da faca, esses composto se transformam em gases que são liberados no aro e chegam até os nossos olhos, fazendo-os arder.
       Sentimos o desconforto na visão porque os gases liberados pela cebola se transformam em ácido quando entram em contato com a lágrima natural que lubrifica nossos olhos. Como o tal ácido é um composto estranho para o corpo, nosso organismo logo dá um jeito de se proteger, ativa as nossas glândulas lacrimais – os nossos, digamos, para-brisas oculares -, que produzem mais lágrimas para lavar a irritação e expulsar o ácido indesejado.
      Quer dizer que toda vez que precisamos cortar uma cebola vai ser esse chororô? Nada disso! Aqui vai uma dica preciosa que você pode espalhar para os adultos: lave bem a cebola e corte-a debaixo da torneira. Desse modo, o ácido irá se formar quando entrar em contato com água e não com os seus olhos. Mas é preciso ser ágil para evitar o desperdício desse líquido tão precioso!
GOMES, Alexandre Leiras. Publicado em 01 dez.2010

1) Qual é o tema explorado pelo texto? A imagem, ou seja, o texto não verbal, auxiliou você a chegar a essa conclusão? Por quê?
 CEBOLA. Lacrimejamos ao cortar a cebola. Porque ela solta uma substância química.
2) Que explicação está contida no texto para o choro involuntário durante o corte de uma cebola?
 Por possuir uma substância química.
3) Como você descreveria as linguagens verbal e não-verbal utilizadas nesse texto?
 Resposta pessoal.
4) É feita ao leitor no texto que tipo de alerta ou de advertência?
 É só lavar e cortar embaixo da água.




03. A BORBOLETA  E  O  CASULO
Texto 1
          Quando a lagarta, tornada crisálida, concluiu praticamente a sua transformação em lepidóptero, resta-lhe passar uma prova para se tornar verdadeiramente borboleta. Tem de conseguir romper o casulo no seio do qual se operou a transformação, a fim de se libertar dele e iniciar o seu voo.
        Se a lagarta teceu o seu casulo pouco a pouco, progressivamente, a futura borboleta em compensação não pode libertar-se dele da mesma forma, procedendo progressivamente. Desta vez tem de congregar força suficiente nas asas para conseguir romper, de uma assentada, a sua gola de seda.
       É precisamente graças a esta última prova e à força que ela exige que a borboleta acumule nas suas jovens asas, que esta desenvolve a musculatura de que terá necessidade depois para voar. Quem ignorar este dado importante e, imaginando ‘ajudar’ uma borboleta a nascer, romper o casulo em seu lugar, assistirá ao nascimento de um lepidóptero totalmente incapaz de voar. Esta não terá conseguido utilizar a resistência da sua sedosa prisão para construir a força de que teria necessidade para subtrair-se àquela ganga e lançar-se seguidamente no céu.


 A LIÇÃO DA  BORBOLETA 

Texto 2
     Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo e um homem ficou observando o esforço da borboleta para fazer com que o seu corpo passasse por ali e ganhasse a liberdade. Por um instante, ela parou, parecendo que tinha perdido as forças para continuar. Então, o homem decidiu ajudar e, com uma tesoura, cortou delicadamente o casulo. A borboleta saiu facilmente. Mas, seu corpo era pequeno e tinha as asas amassadas.
      O homem continuou a observar a borboleta porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e ela saísse voando. Nada disso aconteceu. A borboleta ficou ali rastejando, como corpo murcho e as asas encolhidas e nunca foi capaz de voar!
    O homem, que em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendeu que o casulo apertado e o esforço eram necessários para a borboleta vencer essa barreira. Era o desafio da natureza para mantê-la viva. O seu corpo se fortaleceria e ela estaria pronta para voar assim que se libertasse do casulo.
    Algumas vezes, o esforço é tudo o que precisamos na vida. Se Deus nos permitisse passar pela vida sem obstáculos, não seríamos como somos hoje. A força vem das dificuldades, a sabedoria, dos problemas que temos que resolver. A prosperidade, do cérebro e músculos para trabalhar. A coragem vem do perigo para superar e, às vezes, a gente se pergunta: não recebi nada do que pedi a Deus. Mas, na verdade, recebemos tudo o que precisamos. E nem percebemos.

ATIVIDADE INTERPRETATIVA
       
        Nesse trabalho, de forma especial, vamos trabalhar com dois textos. Um complementa e dá sentido ao outro. Leia silenciosamente os textos por duas vezes.

1) O texto 1 é um texto científico. ( X ) concordo (   ) discordo
O que faz você afirmar e concordar com isso? Retire do texto os argumentos que comprovam. Se discorda, apresente também os argumentos retirados do texto.
 Quando a lagarta, tomada crisália, concluiu praticamente a sua transformação.

2)  O texto fala da transformação da borboleta que você aprendeu nas aulas de ciências. Cientificamente, como se chama esse processo?
 Lepidóptero.

3) O autor utiliza-se do texto para orientar sobre o processo de transformação. Qual é a grande lição que ele quer passar com o texto?
 As dificuldades é que ajuda na transformação.

4) Agora, vamos analisar o texto 2.
 Ele é uma crônica. ( X ) concordo (   ) discordo.
Por quê o texto é uma crônica? Explique e justifique com argumentos do próprio texto. Se discorda, faça o mesmo.
 Em uma pequena abertura no casulo, a borboleta fazia esforço para que seu corpo passassem por ali e ganhasse a liberdade.

5) O que fez o homem decidir a ajudar a borboleta?
 Por um instante ela parecia ter perdido as forças.

6) Qual era a grande expectativa do homem em relação à borboleta?
 Que ela saísse voando.

7) A expectativa aconteceu? Justifique.
 Não. Porque ela não conseguiu forças nas asas, para poder voar.

8) O que faltou ao homem para que pudesse entender o processo?
Faltou conhecimento no processo.

9) Como no texto anterior, a grande lição está no último parágrafo. Vamos interpretá-lo? A força vem. A sabedoria vem. A prosperidade vem. A coragem vem.
 - A força vem das dificuldades.             – A prosperidade vem do cérebro e músculos para trabalhar.
 - A sabedoria vem dos problemas.        – A coragem vem do perigo para superar.

10) Você tirou outra lição do texto, qual?


 Que recebemos tudo o que precisamos.

04. A FORMIGA  E  A  POMBA


 Uma formiga sedenta veio à margem do rio para beber água.

  Para alcançá-la, devia descer por uma folha de grama. Quando assim fazia, escorregou e caiu dentro da correnteza.

Uma pomba, pousada numa árvore próxima, viu a formiga em perigo.

Rapidamente, arrancou uma folha da árvore e deixou-a cair no rio, perto da formiga, que pode subir nela e flutuar até a margem.

Logo que alcançou a terra, a formiga viu um caçador de pássaros, que se escondia atrás duma árvore, com uma rede nas mãos.



Vendo que a pomba corria perigo, correu até o caçador e mordeu-lhe o calcanhar. A dor fez o caçador largar a rede e a pomba fugiu para um ramo mais alto

De lá, ela arrulhou para a formiga:

- Obrigada, querida amiga.

"Uma boa ação se paga com outra."

Fábula de Esopo


Atividades

1-    Que valores estão representados nas ações dos personagens?
Gratidão.
2-    Porque a pomba resolveu ajudar a formiga?
Porque ela estava em perigo.
3-    O que a formiga fez para retribuir o favor recebido? o que aconteceu depois?
Mordeu-lhe o calcanhar. A pomba fugiu pra outro galho.
4-    Explique com suas palavras o significado da moral da fábula.
Resposta pessoal.
5-    Que outra moral podemos dar ao texto?
“uma boa ação se paga com outra”.

     
05  -  ÍNDIO QUER  APITO, COMPUTADOR E INTERNET 


Em Abril, deste ano, a TV Vermelho mostrou a aldeia indígena Itapoã, em Olivença, Ilhéus, sul da Bahia. Por lá, a rede de deitar se somou à rede virtual. E, no lugar do arco e flecha, mouse e PC. O vídeo sobre as Mídias Nativas, realizado nesta aldeia Tupinambá, revela o impacto destas mudanças na comunidade. Segundo os entrevistados, o uso das novas tecnologias tem contribuído para que a população indígena compartilhe seus saberes na busca de uma maior integração nacional.

O vídeo sobre o Mídias Nativas demonstra o quanto já caducaram velhos preconceitos sobre o povo mais original do Brasil e como essas populações desejam ser incorporadas nas preocupações do Estado e da sociedade sobre seus direitos e respeito com sua cultura.
A comunidade inaugurou um espaço que se tornou a base das produções e experimentações dos indígenas com novas tecnologias e mídias. O nome dado ao lugar, não por acaso, é Ciberoca.
Para os indígenas, a construção desse espaço representa um avanço importante no tipo de uso que eles fazem das tecnologias. "Com novos recursos, teremos mais condições de reivindicarmos melhorias para nosso povo", afirma Alex Tupinambá, coordenador da rede Índios Online.
http://www.vermelho.org.br/noticia
Adaptação: Janete Motta

1) Trabalhando o texto:
a) Explique a frase do título:
“Índio quer apito, computador e internet.”
 Ele quer através das multimídias, a outras culturas seus saberes.

b) De acordo com o texto, quais tecnologias foram instaladas na aldeia?
 Computadores e internet.

c) Você concorda que as pessoas indígenas tenham acesso a estas tecnologias? Por quê?
 Resposta pessoal.


2) Conheça um pouco sobre o índio Daniel Munduruku, grande escritor, que muito utiliza os recursos tecnológicos para escrever seus livros:

Escritor indígena com 38 livros publicados, graduado em Filosofia, História e Psicologia. Doutor em Educação na USP. Diretor presidente do INBRAPI-Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, Comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República, Conselheiro Consultivo do Museu do Índio RJ.
Membro da Academia de Letras de Lorena.

http://danielmunduruku.blogspot.com/

Adaptação: Profe Janete Motta

Daniel Munduruku acredita que, ao lerem livros escritos por índios, as crianças têm a chance de conhecer quem eles são de verdade. Um trabalho importante para derrubar pensamentos antigos e, ainda recuperar a pureza das brincadeiras que, pelo menos, as crianças índias ainda preservam.
http://planetasustentavel.abril.com.br/
3) Retire dos parágrafos:
a) um substantivo próprio: Daniel Munduruku
b) dois substantivos comuns: livros, crianças.
c) um verbo no infinitivo com dígrafo: conhecer.
d) uma palavra com ditongo: índios.
e) uma palavra com hiato: crianças.


4) O primeiro parágrafo é um exemplo de:
( ) narração (X) biografia ( ) reportagem

5) O substantivo coletivo de índios é:
(X) tribo ( ) cacique ( ) aldeia

6) Sequência de palavras escritas corretamente:
a) ( ) flexa, harco, peiche, cassa
b) ( ) flecha, arco, pexe, caça
c) (X) flecha, arco, peixe, caça

7) *** Escolha duas palavras e forme frases no tempo...
a) presente: Eu leio livros.

b) pretérito: Os índios eram descriminados




É impossível ensinar sem essa coragem de querer bem, sem a valentia dos que insistem mil   vezes antes de uma desistência. É impossível ensinar sem a capacidade forjada, inventada, bem cuidada de amar. (Paulo Freire)

Um comentário:

  1. Bom dia, Jaqueline. Adorei seu blog. Ótimas atividades, estou usando vários textos e projeto que postou. Poderia enviar o por gentileza o gabarito do texto TEXTO: QUANDO A INTERNET SE TRANSFORMA EM VÍCIO.

    Desde já agradeço,
    Prof. Edmar Lima
    Graduado em Língua Portuguesa - UNIMONTES - Universidade Estadual de Montes
    Pós graduado em Linguística aplicada e Corretor de textos

    Abraços,

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