Poesia: Eu vi
Maria
Dinorah
Eu vi
a crina do vento
no verde da mata
virando lamento.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1RfpkUp3bLJTQEe230E3l1vHRIpQ1SqUKnasYaX7sT6ZNn9QgYzah96h2I7rtlGQO13thiZAI5RhdFNI-bKDEocN9gJjbiOvIAaLKeN6RQsfBzvtjMYqrRJnJ48S104BtVkYPdjtXSXpFnk3TZgBNOfJLTgYSi4NVuS26dWMbjSR-gk1rZMtkbeLlCjY/s320/images.jpgEu vi
a chama assassina
queimando essa mata,
matando essa crina.
Eu vi,
não quero mais ver,
o verde da crina
do vento a morrer!
Maria Dinorah. Ver de
ver. São Paulo, FTD, 1992. p. 6.
Fonte: Língua
Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C.
Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição –
São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 126.
Entendendo a poesia:
01
– O que simboliza a metáfora "a crina do vento" na primeira estrofe e
como ela se relaciona com o ambiente natural?
A expressão
"crina do vento" é uma metáfora poética que personifica o vento como
um animal livre e altivo (como um cavalo) correndo entre as árvores. Essa
imagem simboliza a força, o movimento e a vida que habitam a floresta
preservada. O movimento do vento nas folhas sugere harmonia e liberdade,
elementos que caracterizam a natureza em seu estado intocado.
02
– Como o tom do poema se transforma da primeira para a segunda estrofe e qual
evento causa essa mudança?
O tom do poema
passa da contemplação serena da natureza para a dor, a indignação e a denúncia.
A causa dessa transformação é a chegada do incêndio florestal, sintetizado na
expressão "chama assassina". A queimada destrói a mata e "mata
essa crina", interrompendo a harmonia anterior e transformando o sopro da
floresta em um lamento de morte.
03
– De que maneira a repetição do verso "Eu vi" constrói o sentido e a
intensidade do poema?
A repetição do
verso "Eu vi" funciona como uma anáfora que confere ao eu lírico o
papel de testemunha ocular da tragédia ambiental. Essa reiteração reforça a
veracidade dos fatos observados e grada a emoção do texto: primeiro, a visão da
beleza; em seguida, a visão do crime e da destruição; por fim, a dor do impacto
visual que leva ao desejo de não mais presenciar a devastação ("não quero
mais ver").
04
– Qual é a crítica social e ambiental presente na caracterização do fogo como
uma "chama assassina"?
Ao qualificar a
chama como "assassina", a poetisa humaniza o ato de destruição,
atribuindo ao fogo um caráter criminoso e cruel. Isso direciona uma crítica
explícita às queimadas (frequentemente provocadas pela ação humana irresponsável),
denunciando o fogo não apenas como um elemento natural, mas como um agente de
morte que destrói a flora, a fauna e a vida do ecossistema.
05
– Qual é o apelo final do eu lírico no encerramento da poesia ao afirmar
"não quero mais ver / o verde da crina / do vento a morrer!"?
O encerramento
expressa um sentimento de revolta, luto e recusa diante da impunidade da
degradação ambiental. Ao declarar que não quer mais ver a morte da natureza, o
eu lírico faz um apelo emocionado à conscientização e à preservação da vida.
Trata-se de um grito de basta contra a destruição das florestas, ressaltando o
sofrimento de presenciar o fim da beleza e da biodiversidade do planeta.
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