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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

POESIA: EU VI - MARIA DINORAH - COM GABARITO

 Poesia: Eu vi

         Maria Dinorah

Eu vi

a crina do vento

no verde da mata

virando lamento.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1RfpkUp3bLJTQEe230E3l1vHRIpQ1SqUKnasYaX7sT6ZNn9QgYzah96h2I7rtlGQO13thiZAI5RhdFNI-bKDEocN9gJjbiOvIAaLKeN6RQsfBzvtjMYqrRJnJ48S104BtVkYPdjtXSXpFnk3TZgBNOfJLTgYSi4NVuS26dWMbjSR-gk1rZMtkbeLlCjY/s320/images.jpg

Eu vi

a chama assassina

queimando essa mata,

matando essa crina.

 

Eu vi,

não quero mais ver,

o verde da crina

do vento a morrer!

Maria Dinorah. Ver de ver. São Paulo, FTD, 1992. p. 6.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 126.

Entendendo a poesia:

01 – O que simboliza a metáfora "a crina do vento" na primeira estrofe e como ela se relaciona com o ambiente natural?

      A expressão "crina do vento" é uma metáfora poética que personifica o vento como um animal livre e altivo (como um cavalo) correndo entre as árvores. Essa imagem simboliza a força, o movimento e a vida que habitam a floresta preservada. O movimento do vento nas folhas sugere harmonia e liberdade, elementos que caracterizam a natureza em seu estado intocado.

02 – Como o tom do poema se transforma da primeira para a segunda estrofe e qual evento causa essa mudança?

      O tom do poema passa da contemplação serena da natureza para a dor, a indignação e a denúncia. A causa dessa transformação é a chegada do incêndio florestal, sintetizado na expressão "chama assassina". A queimada destrói a mata e "mata essa crina", interrompendo a harmonia anterior e transformando o sopro da floresta em um lamento de morte.

03 – De que maneira a repetição do verso "Eu vi" constrói o sentido e a intensidade do poema?

      A repetição do verso "Eu vi" funciona como uma anáfora que confere ao eu lírico o papel de testemunha ocular da tragédia ambiental. Essa reiteração reforça a veracidade dos fatos observados e grada a emoção do texto: primeiro, a visão da beleza; em seguida, a visão do crime e da destruição; por fim, a dor do impacto visual que leva ao desejo de não mais presenciar a devastação ("não quero mais ver").

04 – Qual é a crítica social e ambiental presente na caracterização do fogo como uma "chama assassina"?

      Ao qualificar a chama como "assassina", a poetisa humaniza o ato de destruição, atribuindo ao fogo um caráter criminoso e cruel. Isso direciona uma crítica explícita às queimadas (frequentemente provocadas pela ação humana irresponsável), denunciando o fogo não apenas como um elemento natural, mas como um agente de morte que destrói a flora, a fauna e a vida do ecossistema.

05 – Qual é o apelo final do eu lírico no encerramento da poesia ao afirmar "não quero mais ver / o verde da crina / do vento a morrer!"?

      O encerramento expressa um sentimento de revolta, luto e recusa diante da impunidade da degradação ambiental. Ao declarar que não quer mais ver a morte da natureza, o eu lírico faz um apelo emocionado à conscientização e à preservação da vida. Trata-se de um grito de basta contra a destruição das florestas, ressaltando o sofrimento de presenciar o fim da beleza e da biodiversidade do planeta.

 

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