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domingo, 11 de outubro de 2026

NOTÍCIA: A ESTRUTURA DO TEXTO JORNALÍSTICO - FRAGMENTO - ALFREDINA NERY - COM GABARITO

 Notícia: A estrutura do texto jornalístico – Fragmento

          Alfredina Nery

        [...] A notícia é o relato do fato, com texto, geralmente, mais simples, seco. Você vai entender como funciona.

        Você acredita que a notícia que ouvimos no rádio, assistimos na TV, lemos no jornal impresso ou na Internet é um fato em si ou é uma interpretação de um fato? Para responder isso, observe por alguns segundos a figura reproduzida acima. O que você vê? Uma vaca? Se você respondeu que sim, a sua resposta estava quase certa. Não se trata de uma vaca, mas de uma representação de uma vaca, não é? Com a linguagem escrita acontece a mesma coisa: ela representa algo, como objetos, valores, ideias. Logo, a notícia não é o fato em si, mas sim uma interpretação desse fato, certo?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqykFMjCBssXVpOdw1Qg0oJKrHUzz0OnoSrbV8rfMwA0xVB9GW7DLkxPVbgpkbQ9jumnbQ6IMFUjxUrmdVtOBiDTMHy_aaYziYUU98wXJ0C4hTBwObeEwCe-rwlcyQSzZJnbVLeDG12woNcZ7vk1IYTGboJ1eGdkXf2c8JW9J9gWHI2am9ORInfvytnyM/s320/images.png


        [...]

        Linguagem coloquial

        A linguagem do jornal é, preferencialmente, coloquial (próxima à maneira como falamos). Isso acontece intencionalmente, como forma de se aproximar e se adequar ao leitor, ao buscar uma comunicação mais eficiente.

        Outra característica da linguagem jornalística é sua tentativa de mostrar imparcialidade, neutralidade sobre aquilo que relata. [...]

        Em uma notícia, os eventos não são ordenados por sua sequência temporal como em uma história, ou seja, o jornalista não tem a pretensão de relatar os fatos na ordem em que, supõe-se, ocorreram. Os eventos são apresentados pelo interesse, na perspectiva de quem conta e, principalmente, pelo que o leitor/ouvinte/telespectador/internauta pode considerar mais importante. É evidente que quem informa faz uma seleção prévia dos eventos a serem destacados, relatando-os em função do evento principal e da ideologia do jornal.

        [...]

        Por mais que informe ser imparcial, ou que afirme traduzir com exatidão a veracidade dos fatos, a imparcialidade absoluta numa notícia é impossível, pois o redator tem que escolher o que vai contar – que acontecimentos, dentre outros, pode se transformar em uma notícia que venda mais. Determinado "o quê", ainda há "o como", isto é, como atingir o leitor de maneira mais direta, o que implica uma determinada seleção de vocabulário, destaque para o tipo de letra, tamanho da notícia, lugar em que a notícia vai aparecer no jornal, abordagem etc.

        É necessário compreender que o jornalismo não retrata nem cria fatos, e sim constrói visões dos fatos. O jornal legitima uma opinião sobre. Nesse quadro, a notícia é uma construção de visões e não os fatos em si.

NERY, Alfredina. Redação – notícia – A estrutura do texto jornalístico. UOL Educação. São Paulo, [s/d]. disponível em: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/redacao---noticia-a-estrutura-do-texto-jornalistico.htm. Acesso em: 31 mar. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 49.

Entendendo a notícia:

01 – De acordo com o texto, qual é a diferença entre a notícia e o fato em si? Utilize o exemplo da figura da vaca mencionado pela autora para explicar essa relação.

      A notícia não é o fato em si, mas sim uma representação ou interpretação do fato. Assim como a figura da vaca descrita no texto não é o animal real, mas uma imagem que o representa, a linguagem escrita da notícia representa acontecimentos, ideias e valores, construindo uma visão da realidade e não a própria realidade.

02 – Por que o jornalismo prefere utilizar uma linguagem mais coloquial em suas publicações? Qual é a intenção por trás dessa escolha?

      A linguagem coloquial (próxima à fala do dia a dia) é usada intencionalmente para aproximar o veículo de comunicação do seu leitor, garantindo uma adequação ao público-alvo e tornando a comunicação mais direta, acessível e eficiente.

03 – Como os eventos são ordenados em uma notícia? Eles seguem uma linha do tempo cronológica? Justifique sua resposta com base no texto.

      Os eventos não seguem uma ordem cronológica/temporal (como ocorre em histórias narrativas). Na notícia, os fatos são ordenados pelo grau de interesse e relevância, destacando-se em primeiro lugar aquilo que o leitor, ouvinte ou telespectador considera mais importante ou o que a linha editorial do veículo decide priorizar.

04 – O texto afirma que a imparcialidade absoluta em uma notícia é impossível. Quais motivos a autora apresenta para sustentar essa afirmação?

      A imparcialidade absoluta é impossível porque o jornalista precisa constantemente fazer escolhas: decidir o que será relatado (quais fatos viram notícia e trazem mais vendas) e como será contado (escolha do vocabulário, tamanho do texto, destaque da fonte, posição no jornal e linha ideológica do veículo).

05 – O que significa a expressão "o quê" e "o como" citada no fragmento no contexto da produção jornalística?

      O "o quê" refere-se à seleção dos acontecimentos que serão transformados em notícia. Já o "o como" refere-se às escolhas formais e estilísticas de apresentação dessa notícia (como atingir o leitor, tamanho da letra, vocabulário utilizado, posição na página ou site e a abordagem adotada).

06 – Segundo a autora, qual é o papel do jornalismo na sociedade no que diz respeito aos acontecimentos do dia a dia? O jornalismo cria, retrata ou constrói os fatos?

      O jornalismo não retrata nem cria os fatos; ele constrói visões sobre os fatos. Ao fazer escolhas e interpretações sobre a realidade, o jornalismo legitima e difunde uma determinada perspectiva ou opinião sobre os acontecimentos.

07 – A partir da leitura do texto, por que é importante que o leitor/consumidor de notícias desenvolva um olhar crítico ao ler um jornal impresso, assistir à TV ou navegar pela Internet?

      Porque, ao entender que a notícia não é a verdade neutra e absoluta, mas uma construção influenciada pela ideologia do meio de comunicação, interesses comerciais e seleções do redator, o leitor crítico consegue identificar o ponto de vista apresentado, questionar o que foi omitido ou destacado e formar sua própria opinião consciente.

 

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