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domingo, 11 de outubro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: COZINHA DOS IMIGRANTES - FRAGMENTO - MARINA HECK E ROSA BELLUZZO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Cozinha dos imigrantes – Fragmento

       Marina Heck e Rosa Belluzzo

        [...]

        Meu pai era da família Mattar e minha mãe, da família Haiek. Eles se conheceram em São Paulo. Na época, os imigrantes vinham praticamente sem nada. O pessoal se reunia, alugava uma casa grande e cada um dava o que podia para pagar o aluguel, além de se ajudar mutuamente com as outras despesas. Eu já não me lembro com certeza, mas parece que meu pai foi morar na casa da família de minha mãe. E lá se apaixonou por ela.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-kILqH2YRxith4uZkNUAy7yPWRAa41GVuzCXbHJdpURf7ZdanwWodedP1LedtnkMP9cJL_xexfwwD9JnYS8-MoJEH1ObJtLlqEs6tRdtgGo6kTTDJsxhlSnigEk1pztY22KsyEFnNbsAMaZcO9FFSj0KM7FOpnGYmf10zyIENKylh2eXFtWiPDOoEIMs/s320/images.jpg


        Por não ter o menor tino comercial, meu pai se tornou professor aqui no Brasil, valendo-se do que aprendeu no seminário. Primeiro, lecionou em um colégio árabe já existente em São Paulo. Mais tarde, quando a vida melhorou, abriu sua própria escola. No início, ela se chamou Colégio Moderno Sírio e, depois, Ginásio Nacional de Ciências e Letras. Nós sempre moramos no colégio, que ficava na rua São Joaquim (bairro da Liberdade), onde é atualmente o Hospital Santa Helena.

        [...] No Ginásio Nacional de Ciências e Letras havia um grande refeitório para os alunos, professores e também a nossa família. Eu me lembro que a refeição era mista, com arroz e feijão e alguns pratos árabes. Meus pais sempre preservaram a cultura árabe, tanto na culinária quanto nos ensinamentos da língua e dos costumes.

        [...]

In: Marina Heck e Rosa Belluzzo. Cozinha dos imigrantes – memórias & receitas. São Paulo, DBA/Melhoramentos, 1999. p. 152.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 164.

Entendendo o artigo:

01 – Como o texto descreve a estratégia de sobrevivência e apoio mútuo adotada pelos imigrantes ao chegarem a São Paulo?

      O texto relata que, como os imigrantes vinham praticamente sem recursos, eles se uniam para alugar uma casa grande em conjunto. Cada um contribuía com o que podia para o aluguel e despesas gerais, estabelecendo uma rede de solidariedade e acolhimento mútuo fundamental para a adaptação no novo país.

02 – De que maneira a trajetória profissional do pai do narrador foi moldada pela sua falta de "tino comercial" e pelo conhecimento prévio adquirido em sua terra de origem?

      Por não levar jeito para o comércio, o pai recorreu aos conhecimentos adquiridos em seu período no seminário para se tornar professor no Brasil. Ele começou lecionando em uma escola árabe já estabelecida em São Paulo e, com a melhoria de sua condição financeira, fundou sua própria instituição de ensino (o Colégio Moderno Sírio, mais tarde Ginásio Nacional de Ciências e Letras).

03 – Como o trecho evidencia a integração entre a cultura brasileira e a identidade cultural dos imigrantes por meio da alimentação cotidiana?

      A integração é evidenciada no refeitório do ginásio, onde serviam refeições "mistas", combinando a base da culinária brasileira (arroz e feijão) com pratos tradicionais árabes. Isso demonstra a convivência harmoniosa entre a assimilação dos hábitos locais e a preservação das origens.

04 – Quais eram os pilares mantidos pelos pais do narrador para garantir a preservação da memória e da identidade cultural árabe no ambiente familiar?

      Os pais mantinham a cultura viva por meio da culinária (preparo e consumo de pratos típicos), do ensino da língua e da transmissão dos costumes e tradições originais para os filhos no dia a dia.

05 – Qual é a relação espacial identificada pelo narrador entre a moradia da família e a vida profissional do pai, e onde se localizava essa estrutura na cidade de São Paulo?

      A família morava no próprio colégio administrado pelo pai. A instituição e a residência ficavam na Rua São Joaquim, no bairro da Liberdade, em São Paulo — local onde posteriormente passou a funcionar o Hospital Santa Helena.

 

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