Artigo de opinião: O movimento vital expressivo – Fragmento
Claudia Vaz Pupo de Mello
Quem quando criança nunca foi vítima do
que Maria Adela chama de “mandatos”, como: “Pare de chorar, homem não chora!”
ou “senta direito, meninas têm que sentar com as pernas fechadas”. “Não faça
isso, ou não fale isso, que é pecado”, entre muitos outros exemplos que
poderiam aqui ser citados. Esses condicionamentos aos quais somos
frequentemente submetidos são produto do processo de socialização e é a partir
desse corpo tolhido de seu potencial expressivo, desconectado da sua presença
enquanto unidade existencial é que construímos uma maneira de ser e estar no mundo.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcjYG55bUQjgyJ23Mks38nOFzI3O5B7fZHhWz1WklDh0yxmDovfTBnEhhz5W-0kJ02CTLpXzT0kOOEf9QZkG0yDgC7NzTgd7FYPSu-M2NeCCCCeQyEU0Ep5iE_8rCFZ8p5m9aVoTbiPcRX-zKM753OnZ3PDGPvI6nbHzvdv4rlxfjMEkQyNvd1QhT0anI/s1600/MOVIMENTO.jpg [...], podemos dizer que na nossa
cultura ocidental há uma valorização do conhecimento intelectual, dos aspectos
cognitivos e do pensamento, sobre o conhecimento adquirido através das
experiências corporais, como se não houvesse nenhuma relação entre eles, o que
favorece a fragmentação do ser humano, delegando ao corpo um lugar menos
privilegiado.
Tais privações a que o corpo é
submetido desde criança, nos impedem de ter uma consciência do corpo que se
move, gerando travas corporais, tanto pelos conteúdos emocionais não expressos
corporalmente, quanto pela falta de liberdade em mover as articulações e
explorar a potência de nossos músculos. Tudo isso reduz a confiança no próprio
corpo e pode criar estados de impotência, insegurança, fragilidade, além de
problemas posturais, quadros álgicos e limitações físicas.
[...].
MELLO, Claudia Vaz Pupo
de. O movimento vital expressivo – sistema Rio Abierto na atenção primária em
saúde: percepção dos usuários. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Ciências
Médicas. Universidade Estadual de Campinas, 2012.
Fonte: linguagens. EJA.
Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 71.
Entendendo o artigo:
01 – O que a autora define
como "mandatos" e como eles afetam as crianças?
Os "mandatos" são ordens e condicionamentos sociais
(como "homem não chora" ou "menina senta com as pernas
fechadas") que toalham o potencial expressivo da criança, desconectando-a
de sua unidade existencial e moldando uma forma limitada de estar no mundo.
02 – Segundo o texto, qual é a
característica da cultura ocidental em relação ao conhecimento?
A cultura
ocidental valoriza excessivamente o conhecimento intelectual, os aspectos
cognitivos e o pensamento, em detrimento do conhecimento adquirido através das
experiências corporais.
03 – Quais as consequências da
fragmentação entre o pensamento e a experiência corporal?
Essa fragmentação
favorece a desvalorização do corpo, relegando-o a um lugar menos privilegiado e
tratando-o como se não houvesse relação entre a mente e as vivências físicas do
ser humano.
04 – De que maneira as
privações corporais sofridas na infância afetam a vida adulta?
Elas impedem que
o indivíduo desenvolva consciência sobre o próprio movimento, gerando
"travas corporais" causadas tanto por emoções não expressas quanto
pela falta de liberdade física para explorar a potência dos músculos e
articulações.
05 – Quais problemas de saúde
e psicológicos podem surgir a partir da redução da confiança no próprio corpo?
A falta de
confiança corporal pode criar estados de impotência, insegurança e fragilidade,
além de causar problemas físicos concretos, como desvios posturais, quadros
álgicos (dores) e limitações físicas gerais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário